OS BONS LIVROS, NOSSOS AMIGOS

ISABEL SALEMA GARÇÃO, Antes que chegue o Inverno, DIEL, L.da, Lisboa, 2003, 144 pgs, em 250X145.


ISABEL SALEMA GARÇÃO é licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa e escreve agora o seu primeiro livro e crónicas, depois de se ter dedicado a uma vida ao ensino.

Dada a sua experiência, tanto como docente, como a de mãe e avó, consagra por escrito as suas experiências, registando hábitos que caracterizam a metade do século XX. Evita, deste modo, que eles se esfumem na distância.

O que naquele tempo era encarado como normal talvez agora nos possa aparecer como insólito, mas é este o efeito do rodar imparável do tempo.

Talvez por isso – quer por alguns dos leitores se revêem nestas crónicas, quer porque outros encontram nelas uma novidade – esta obra lê-se com interesse crescente.

Em Antes que chegue o Inverno (da vida, entendemos nós!), a autora começa cada capítulo com um poema, como um condimento que torna mais sobrosso o «prato» que vai ser servido. São 29 pequenos capítulos que se lêem com inegável interesse, ou, como confessa Maria Germana Tânger, que prefacia o livro, «de um fôlego».

Desejamos que a Autora tenha algo mais para nos contar, pois escreve bem e sabe dosear os seus escritos com apurado sentido crítico e sabor a novidade.



GERARD VAN DEN AARDWEG, Homossexualidade e Esperança, DIEL, L.da, Colecção Documentos, n.º 10, Lisboa, 2003, 224 pgs, em 200X125.


Homossexualidade e Esperança é uma publicação de extraordinária actualidade. Com efeito, como escreve no Prefácio Andreas Laun, Bispo Auxiliar de Salzburgo, «Vivemos numa época de descobertas extraordinárias no campo das Ciências e da Tecnologia e, simultaneamente, numa época de desorientação, numa escala que mal se poderia imaginar há uns anos atrás».

Em muitos ambientes, a desorientação no campo da sexualidade humana é total. Muitas pessoas começam a sentir a angústia duma vida sem sentido. As falsas justificações para as desordens neste e noutros campos não lhe dão paz.

Este livro, escrito com todo o equilíbrio, pode ajudar-nos a acertar critérios e a ter ideias claras sobre um tema tão delicado como é o da sexualidade humana.

Com verdade na caridade, Paul C. Vitz, na introdução «mostra que a homossexualidade é mais uma dessas patologias que podem dar-se em qualquer pessoa».

Não se trata de um livro escrito para condenar os homossexuais e muito menos para os condenar. Trata-se de os ajudar à procura de um tratamento da forma de levar corajosamente a cruz que têm aos ombros. Não se pode ajudar um doente dizendo-lhe que é saudável e que os saudáveis é que estão doentes.

O texto apresenta-se distribuído ao longo de 11 capítulos e termina com uma extensa lista de bibliografia: I. Atitudes sociais a respeito da homossexualidade. A homofilia como perturbação emocional; II. O que é ser homossexual? Sentimentos homossexuais. Incidência da homossexualidade no conjunto da população. Auto- identificação; III. A homossexualidade é inata? Hormonas. Hereditariedade. Normalidade. Somos todos bi-sexuais? Um estádio transitório bissexual. IV. A homossexualidade como perturbação psíquica. V. O complexo de inferioridade homossexual. A criança auto-compadecida do adulto. Masculinidade e feminidade: Estereótipos culturais? A homossexualidade no desenvolvimento sexual. VI. Origem e mecanismos do complexo homossexual. Origem do homem. As relações com os pais. Outras influências; VII. Manifestação do complexo homossexual; VIII. O caminho da mudança. Conhecimento de si mesmo e luta. A hiper-dramatização. A cura; IX. A mudança sem pisotearia. A conversão religiosa. Jhoan V; X. Os efeitos da terapia anti-lamento. Ben. O senhor L. O senhor V. A menina W; XI. A prevenção da homossexualidade.

Um livro muito oportuno que promete fazer muito bem.



CONFERÊNCIA EPISCOPAL ESPANHOLA (INSTRUÇÃO PASTORAL), A Família, Santuário da Vida e Esperança da Sociedade, DIEL, L.da, Colecção Documentos, n.º 8, Lisboa, 2002, 152 pgs, em 200X125.


Na LXXVI Assembleia Plenária, em 27.IV.2001, a Conferência Episcopal Espanhola promulgou a presente Instrução.

São 4 capítulos cheios de doutrina cheios de actualidade sobre os problemas da família. Depois duma introdução – Cristo revela o amor – seguem-se os temas: I. Um olhar sobre a nossa sociedade. II. O Evangelho do matrimónio e da família. III. O Evangelho da vida humana. IV. Cultura da família e da vida na construção do futuro da nossa civilização. Termina com uma conclusão: «Fazei tudo o que Ele vos disser».

Está enriquecida com muitas citações de documentos do Magistério. A consulta do livro está facilitada por subtítulos à margem de cada página.

Aconselhamos aos casais e a quantos se dedicam á pastoral familiar este livro que, por ser pequeno, não assusta qualquer leitor.



LUIGI GIUSSANI, Realidade e Juventude. O Desafio. Trad. do italiano de DIEL, Lisboa, 2003, 256 pgs, em 200X 130.


LUIGI GIUSSANI tem já várias obras traduzidas em português publicadas por diversas editoriais (DIEL; PAULUS; VERBO) e é o Fundador e Presidente da «Fraternidade de Comunhão e Libertação», Associação de fiéis, felizmente já presente no nosso país, e da associação eclesial «Memores Domini», uma experiência de dedicação total a Cristo nascida no Movimento Comunhão e Libertação. As duas associações foram reconhecias e aprovadas pelo Conselho Pontifício para os Leigos, respectivamente em 1982 e 1988. É ainda Consultor da Congregação do Clero e do Conselho Pontifício para os Leigos. Em 1985 recebeu o Prémio Nacional de Cultura Católica em Itália.

Esta apresentação do Autor de Realidade e Juventude. O Desafio ajuda-nos a compreender o objectivo desta obra. Fala-nos com optimismo sobre a juventude e de como ajudá-la a realizar os seus ideais de generosidade. «Nada melhor do que a educação e a decisão – diz o autor na apresentação desta obra – para educar de modo a desimpedir o caminho e constituir uma iniciativa positiva depois de um débacle, de qualquer natureza que seja».

Depois de uma INTRODUÇÃO, o livro está estruturado em duas partes: I – Aos Jovens. Parte II – Sobre os Jovens. Esta obra vem ainda enriquecida por um apêndice (A felicidade, a dor, a escolha de Deus, a companhia), um Glossário, Bibliografia e Fontes.

É um livro de agradável formativa leitura que nos desperta com as frequentes perguntas com que nos interpela e a que vai dando uma resposta.

Em suma, um livro a não perder e a não meter na estante sem o ter lido com a toda a atenção.

Vem recomendado aos jovens que se sentem inquietos com a falta de valores na nossa sociedade e a todos os que se preocupam com ajudar a nossa juventude a percorrer caminhos de alegria saudável.



JOSÉ RIBEIRO DA COSTA, com ilustrações de Carlos Francisco da Silva, Clube de Jornalismo, DIEL, L.da, Lisboa, 2004, 188 pgs, em 180X105.


O Autor tem larga experiência de ensino e publicou já várias obras. Esta, em formato e bolso, lê-se com muito interesse. Traduz essas mesmas experiências do Autor numa história simples, pela qual a sua mensagem vai passando. Afinal, ficamos todos com esta marca da infância que é o gosto pelas histórias.

São vinte e dois pequenos capítulos que se lêem de um fôlego.

Felicitamos o Autor por este tipo de publicações que nos ajudam a ganhar gosto pela leitura., uma leitura proveitosa de onde é impossível não colher lições.

Clube de Jornalismo está enriquecido com ilustrações bem adaptadas ao género do livro, de Carlos Francisco Silva.



MUÍS MIGUEL LARCHER CRUZ, Matrimónio. Um Amor indissolúvel. DIEL, L.da, Lisboa, 2004, 106 pgs, em 205X140.


Como deixa facilmente entrever o título desta obra, o tema de fundo é a indissolubilidade do matrimónio.

Estamos perante um ambiente em que se perdeu quase totalmente a noção de fidelidade ao amor matrimonial e – o que aumenta a gravidade da situação – começa a olhar-se como anomalia ou, pelo menos, avis rara a fidelidade matrimonial. É um estudo bastante sério, sem deixar de ser acessível, fundado na lei natural, no Direito Canónico e na Teologia Moral. Serviu-lhe de pretexto a recente publicação de uma Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o acesso dos «recasados» aos sacramentos da Penitência e Eucaristia e pode ajudar a fazer brilhar a luz no meio de tanta confusão.

Depois de uma introdução em que se põe clara e resumidamente A Questão da lndissolubilidade do Matrimónio, seguem-se mais três capítulos: A Questão da Indissolubilidade na sagrada escritura; A Indissolubilidade na Patrística; As tradições das Igrejas sobre a Doutrina da Indissolubilidade.

MUÍS MIGUEL LARCHER CRUZ, que se move com muita facilidade e exactidão doutrinal dentro do tema, exprime, sem rodeios, as suas intenções. «O fim e a razão de ser desta reflexão, é simplesmente a de procurar reorientar a reflexão católica do marginal e acessório para o que é essencial: Cristo, o que Ele apresentou como Sacramento do matrimónio e os valores que lhe são intrínsecos»

Gostaria que numa edição futura pudesse dar relevo à verdade de que a indissolubilidade é de lei natural. Não impende, portanto, apenas sobre os católicos, mas sobre qualquer pessoa de qualquer condição. Cristo insiste em que Deus criou um só homem e uma só mulher. Referindo-se ao chamado libelo de repúdio, do AT, tem o cuidado de nos esclarecer: «No princípio não foi assim!»

Felicitamos o Autor por este magnífico e bem resumido trabalho e apraz-nos ainda sublinhar a boa apresentação gráfica.


Fernando Silva




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