17º Domingo Comum

25 de Julho de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

Salmo 67, 6-7.36

Antífona de entrada: Deus vive na sua morada santa, Ele prepara uma casa para o pobre. É a força e o vigor do seu povo.


Introdução ao espírito da Celebração


O que é a oração? O que significa orar? Quando se deve orar? Como e porquê orar?

A liturgia deste Domingo põe diante de nós o tema da oração, sobretudo na leitura do Antigo Testamento e no Evangelho.

Iluminados pela Palavra de Deus, procuremos compreender a natureza da oração e reflictamos sobre o modo como rezamos.

Entremos no interior do nosso coração, procuremos bem no seu íntimo as motivações que nos levam a rezar.

Sabendo que nem sempre fomos fiéis aos ensinamentos do Senhor, depois de um pequeno silêncio, peçamos com humildade perdão ao Senhor.


Oração colecta: Deus, protector dos que em Vós esperam: sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos. Por Nosso Senhor ...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: No insistente diálogo de Abraão com o Senhor, que ouviremos nesta primeira leitura, o autor sagrado faz-nos reflectir sobre o valor da oração confiada e humilde e leva-nos a descobrir a misericórdia de Deus, mais disposto ao perdão que ao castigo.


Génesis 18, 20-32

20Naqueles dias, disse o Senhor: «O clamor contra Sodoma e Gomorra é tão forte, o seu pecado é tão grave que 21Eu vou descer para verificar se o clamor que chegou até Mim corresponde inteiramente às suas obras. Se sim ou não, hei-de sabê-lo». 22Os homens que tinham vindo à residência de Abraão dirigiram-se então para Sodoma, enquanto o Senhor continuava junto de Abraão. 23Este aproximou-se e disse: «Irás destruir o justo com o pecador? 24Talvez haja cinquenta justos na cidade. Matá-los-ás a todos? Não perdoarás a essa cidade, por causa dos cinquenta justos que nela residem? 25Longe de Ti fazer tal coisa: dar a morte ao justo e ao pecador, de modo que o justo e o pecador tenham a mesma sorte! Longe de Ti! O juiz de toda a terra não fará justiça?» 26O Senhor respondeu-lhe: «Se encontrar em Sodoma cinquenta justos, perdoarei a toda a cidade por causa deles». 27Abraão insistiu: «Atrevo-me a falar ao meu Senhor, eu que não passo de pó e cinza: 28talvez para cinquenta justos faltem cinco. Por causa de cinco, destruirás toda a cidade?» O Senhor respondeu: «Não a destruirei se lá encontrar quarenta e cinco justos». 29Abraão insistiu mais uma vez: «Talvez não se encontrem nela mais de quarenta». O Senhor respondeu: «Não a destruirei em atenção a esses quarenta». 30Abraão disse ainda: «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez: talvez haja lá trinta justos». O Senhor respondeu: «Não farei a destruição, se lá encontrar esses trinta». 31Abraão insistiu novamente: «Atrevo-me ainda a falar ao meu Senhor: talvez não se encontrem lá mais de vinte justos». O Senhor respondeu: «Não destruirei a cidade em atenção a esses vinte». 32Abraão prosseguiu: «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei ainda esta vez: talvez lá não se encontrem senão dez». O Senhor respondeu: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade».


20-21 «O clamor que chegou até Mim…» Desta expressão procede a catalogação nos catecismos do pecado de homossexualidade ou sodomia como um «pecado que brada aos Céus», dada a sua especial gravidade, contra a natureza: «o seu pecado é tão grave…» «Vou descer, para verificar…» Trata-se dum antropomorfismo que empresta grande colorido e vivacidade ao relato, e que caracteriza a tradição javista. Esta maneira de falar de Deus à maneira humana põe aqui em evidência a justiça divina que não pune sem o pleno conhecimento da causa.

23-32 «Cinquenta… quarenta e cinco… quarenta… trinta… vinte… dez». Chamamos a atenção para a mentalidade de responsabilidade colectiva, corrente em Israel, que está na base do episódio, segundo a qual também os inocentes têm de sofrer o castigo juntamente com os culpados: para não haver castigo era uma questão de um relativo número de inocentes. O relato deixa ver que Deus não castiga o inocente junto com o pecador, como pensava Abraão; esta verdade da responsabilidade individual há-de ser bem vincada nos Profetas (cf. Jer 31, 29-30; Ez 18, 1-32). De qualquer modo, não deixa de ser enternecedor este diálogo, esta oração de intercessão ao Senhor, toda repassada de confiança e santo temor, perseverança, humildade e audácia santa. Se Deus não precisa das nossas insistências para nos atender, nós precisamos de nos colocar no nosso lugar de pedintes, para nos dispormos, com a nossa impertinência, a receber os dons que Deus tem para nos dar (cf. a parábola do «amigo impertinente» do Evangelho de hoje).


Salmo Responsorial Sl 137 (138), 1-3.6-8 (R. 3a)


Monição: Neste cântico de meditação, estamos conscientes do significado e valor que tem a oração e manifestamo-nos convictos de que Deus ouve as nossas preces quando repetirmos: «Quando Vos invoco, sempre me atendeis, Senhor».


Refrão: Quando Vos invoco, sempre me atendeis, Senhor.


De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos hei-de cantar-Vos

e adorar-Vos, voltado para o vosso templo santo.


Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.


O Senhor é excelso e olha para o humilde,

ao soberbo conhece-o de longe.

No meio da tribulação Vós me conservais a vida,

Vós me ajudais contra os meus inimigos.


A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.


Segunda Leitura


Monição: Mortos por causa do pecado voltamos à vida porque nos unimos a Cristo pelo Baptismo. Este texto de S. Paulo lembra-nos como a salvação provém do Mistério Pascal de Jesus.


Colossenses 2, 12-14

Irmãos: 12Sepultados com Cristo no baptismo, também com Ele fostes ressuscitados pela fé que tivestes no poder de Deus que O ressuscitou dos mortos. 13Quando estáveis mortos nos vossos pecados e na incircuncisão da vossa carne, Deus fez que voltásseis à vida com Cristo e perdoou-nos todas as nossas faltas. 14Anulou o documento da nossa dívida, com as suas disposições contra nós; suprimiu-o, cravando-o na cruz.


1 «Sepultados… ressuscitados…» Cf. Rom 6, 3-4, onde S. Paulo faz apelo ao simbolismo do Baptismo por imersão: simbolizava a morte e a sepultura para o pecado, no gesto de se ficar submerso na água; o subsequente acto de emergir da água simbolizava a Ressurreição, a vida nova que o cristão tem de viver em união com Cristo ressuscitado. Mas esta morte e ressurreição do Cristo não são uma mera metáfora, são uma realidade sobrenatural, são o mistério da vida cristã, uma vida em Cristo.

14 «Anulou o documento». A nossa sugere uma possível interpretação desta difícil passagem, tendo em conta uma tradição rabínica, segundo a qual os pecados das pessoas ficavam escritos num livro divino de registos; este documento era redigido a partir das transgressões da Lei «com as suas disposições contra nós». Mas Deus, ao perdoar-nos todas as nossas faltas (v. 13), «anulou o documento da nossa dívida»: «Suprimiu-o, cravando cravando-o na Cruz». Com esta imagem de cravar na Cruz exprime-se a destruição radical e definitiva salvação, por força da Morte redentora de Cristo.


Aclamação ao Evangelho Rom 8, 15bc


Monição: Jesus propõe-nos um texto concreto onde nos incita a dirigirmo-nos a Deus como nosso Pai. Orar é, pois, encontrarmo-nos em diálogo concreto com Ele, bendizendo-O, confiando-Lhe os nossos planos, as nossas preocupações e pedindo-Lhe ajuda.


Aleluia


Recebestes o espírito de adopção filial;

nele clamamos: «Abba, ó Pai».


Cântico: J. Duque, NRMS 21



Evangelho


São Lucas 11, 1-13

Naquele tempo, 1estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos». 2Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; 3dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; 4perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’». 5Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, 6porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. 7Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. 8Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. 9Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. 10Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. 11Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? 12E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? 13Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».


1 «Em certo lugar». Uma antiga tradição, que deu origem à igreja do Pai-Nosso, identifica este lugar com o Monte das Oliveiras. No claustro dessa basílica constantiniana pode-se ler o Pai-Nosso em enorme quantidade de línguas, entre as quais o português.

2 «Quando orardes, dizei». A fórmula de S. Lucas é mais pequena: apenas 5 petições das 7 de Mt 6, 9-13. A diversidade dos contextos poderá favorecer a opinião de que Jesus possa ter, por várias vezes, ensinado uma fórmula não literalmente idêntica. No entanto, a maioria dos exegetas modernos inclina-se para que as duas versões da oração dominical remontem a uma única fórmula básica primitiva, mais próxima da de Lucas. Na vida da Igreja, se difundiu a fórmula mais longa de Mateus.

5-8 A parábola do amigo importuno introduz o ensinamento de Jesus sobre o valor e a eficácia da oração confiada e persistente («também Eu vos digo»: vv. 9-13) – «Batei à porta, e abrir-se-vos-á». O Catecismo da Igreja Católica, n.º 2613, comenta: «àquele que assim ora, o Pai celeste «dará tudo quanto necessita», e dará, sobretudo, o Espírito Santo, que encerra todos os dons»


Sugestões para a Homilia


A oração, valor a cultivar

O ensinamento de Jesus

A oração abre-nos a Deus e aos irmãos


A oração, valor a cultivar

Ao escutarmos a primeira leitura verificámos como Abraão intercede não só pelos justos e inocentes, mas também pelos habitantes da cidade pecadora cujas iniquidades haviam gerado a própria ruína. O Senhor na Sua bondade está disposto a atender a intercessão de Abraão e a perdoar. Porém, a grande tragédia reside no facto de não existirem dez justos naquela cidade.

Este diálogo leva-nos a reflectir sobre o valor da oração de petição confiada e humilde, e leva-nos a descobrir a misericórdia de Deus, mais disposto ao perdão que ao castigo.


O ensinamento de Jesus

São, portanto, pertinentes as interrogações que colocamos no início desta celebração: O que é a oração? O que significa orar? Quando se deve orar? Como e porquê orar?

A Sagrada Escritura exorta-nos sempre a orar como agradecimento a Deus, em todas as situações por nós vividas. A primeira leitura e o Evangelho respondem a estas perguntas. A oração que Jesus propõe aos seus discípulos, quando estes Lhe pedem que os ensine a rezar, constitui uma síntese de toda a mensagem cristã. Nela se reflecte o conteúdo da própria fé e o rosto de Deus em Quem se acredita.

O cristão fala directamente com Deus, porque sabe que Ele é o Paizinho com Quem pode dialogar.

O Seu nome é santificado quando a sua salvação chega ao homem e este explode num grito de alegria e reconhecimento; quando um coração é liberto do ódio; um doente recupera a saúde; ou alguém restabelece a harmonia e a paz.

A nossa súplica muda o nosso coração e não a atitude de Deus, uma vez que o torna disponível para acolher o Seu Reino, porque está transformado e disposto a colaborar com a Sua vontade no projecto de salvação da humanidade.

Alimentação, vestuário, casa, saúde... são necessidades básicas de todos os homens. Ao pedirmos o «pão», colocamo-nos num constante estado de interrogação interior que nos recorda que essas necessidades básicas não são apenas para nós, mas para todos, sem qualquer sombra de egoísmo de nossa parte.

No cristão que reza, os sentimentos de amor para com o próximo devem fazer esquecer as ofensas recebidas e frutificar a reconciliação, pois só será atendido por Deus na medida em que prestar atenção aos demais.

Os problemas, as dificuldades, as provações podem levar-nos em entrar em crise e sufocar em nós a semente da Palavra de Deus. Daí o pedirmos para não nos deixar cair na tentação de abandonar a lógica do Evangelho, a fim de seguirmos o raciocínio das seduções mundanas.


A oração abre-nos a Deus e aos irmãos

Às vezes não nos sentimos ouvidos por uma razão muito simples: não sabemos rezar. Rezar significa sair de nós mesmos e abrirmo-nos ao diálogo íntimo de amor com o Pai, tal qual somos: cheios de desejos e boa vontade, mas também limitados e pobres.

Ao estabelecermos esse diálogo, saímos de nós mesmos e abrimo-nos a Deus, tornando-nos sensíveis às necessidades dos irmãos. Embora tudo pareça continuar igual, a nossa mente e o nosso coração mudaram radicalmente... a nossa oração foi escutada.

Mortos por causa do egoísmo, voltamos à vida porque nos unimos a Cristo pelo baptismo, como nos diz S. Paulo na segunda leitura de hoje.

A graça baptismal, que nos fez morrer para o pecado, é um apelo constante a renunciarmos à imperfeição, para nos unirmos ao Senhor participando da vida nova de Cristo ressuscitado. Assim, tornamo-nos activos colaboradores com o dom de Deus nos caminhos da humanidade, que nem sempre são fáceis e agradáveis, mas exigem esforço, renúncia e sacrifício.

Só rezando durante muito tempo, e deste modo, conseguiremos ver com os olhos de Deus os acontecimentos deste mundo.


Oração Universal


Oremos a Deus Pai

suplicando que inspire a nossa oração,

a fim de sabermos pedir aquilo que convém.

Humildemente digamos:

Abençoai, Senhor, o vosso povo.


1. Pelo Santo Padre o Papa,

pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos

e por todos os baptizados.

Oremos ao Senhor.


2. Para que o Senhor nos ensine

a saber o que pedir e como melhor o fazer.

Oremos ao Senhor.


3. Para que Deus nos ajude a escolher,

a fim de encontrarmos o que mais necessitamos.

Oremos ao Senhor.


4. Para que o Senhor nos ajude

a tomar a melhor decisão,

para conseguirmos a alegria e a paz.

Oremos ao Senhor.


5. Pelos que recorrem aos amigos,

pelos que põem a sua esperança só em Deus

e por todos aqueles que não encontram quem os ajude.

Oremos ao Senhor.


6. Por todos nós aqui presentes,

por toda a nossa comunidade,

por todos os baptizados

e pelos que já partiram ao encontro de Deus nosso Pai.

Oremos ao Senhor


Atendei, Senhor, as preces que em voz alta proferimos

e todas aquelas que vos rezamos no interior dos nossos corações.

Dai-nos a vossa bênção de modo que consigamos alcançar a graça

da eterna salvação.

Por nosso Senhor...



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42


Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que recebemos da vossa generosidade e trazemos ao vosso altar, e fazei que estes sagrados mistérios, por obra da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam às alegrias eternas. Por Nosso Senhor...


Santo: J. Santos, NRMS 50-51


Monição da Comunhão


Quando recebemos o Corpo do Senhor tornámo-l´O presente em nós próprios e levámo-l´O a estar presente no meio dos homens, como pão partilhado na oração de diálogo com o Pai e no amor aos irmãos, o alimento de toda a humanidade.


Cântico da Comunhão: Eu estou, á porta chamo, F. Silva, NRMS 22

Salmo 102, 2

Antífona da comunhão: Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não esqueças os seus benefícios.


Ou

Mt 5, 7-8

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.


Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor por tudo, F. Silva, NRMS 70


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos destes a graça de participar neste divino sacramento, memorial perene da paixão do vosso Filho, fazei que este dom do seu amor infinito sirva para a nossa salvação. Por Nosso Senhor...



Ritos Finais


Monição final


Depois de termos escutado a Palavra do Senhor e participado do banquete eucarístico, saiamos desta celebração com a firme vontade de dialogar frequentemente com Deus nosso Pai. Saibamos assumir plenamente as nossas responsabilidades para com todos e partilhar o nosso pão. Vivamos na recordação permanente de que Deus nos compreende na medida em que tivermos compreensão para com os outros, e peçamos-Lhe que não nos deixe cair na tentação de esquecer a Sua Palavra para nos deixarmos iludir pelas palavras e alegrias deste mundo.


Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. Silva, NRMS 87



Homilias Feriais


17ª SEMANA


2ª feira, 26-VI: S. Joaquim e S. Ana: A verdade sobre a família.

Sir 44, 1. 10-15 / Mt 13, 16-17 (aprop.)

Eles foram homens virtuosos, e as suas obras justas não ficaram esquecidas. Na sua descendência permanece a excelente herança que deles nasceu.

Hoje é dia para louvarmos os pais de Nossa Senhora. Foram eles que trouxeram ao mundo a Mãe de Deus (cf. Oração). É igualmente um bom dia para pedirmos pelas famílias.

Recordemos o convite do Papa: «Famílias, tornai-vos naquilo que sois... sois uma reposição viva da caridade de Deus... sois o santuário da vida... sois o fundamento da sociedade... sois testemunhas credíveis do Evangelho da esperança...sois ‘gaudium et spes’ alegria e esperança» (INE, 94).


3ª feira, 27-VI: Sinais de esperança e desilusão.

Jer 14, 17-22 / Mt 13, 36-43

A boa semente são os filhos do Reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que semeou é o demónio.

A comparação usada na parábola do trigo e do joio continua a verificar-se nos nossos dias na Europa.

Junto com os sinais de esperança aparecem os sinais preocupantes, que inquietam, no início do terceiro milénio, o horizonte do continente europeu; junto com a memória e herança cristãs há um agnosticismo prático e indiferentismo religioso; há símbolos da presença cristã e afirmações de secularismo; uma cultura europeia, fruto do cristianismo, lado a lado com uma nova cultura influenciada pelos mass-media... (cf. INE, 7.9).


4 feira, 28-VI: Bíblia: tesouro e alimento.

Jer 15, 10. 16-21 / Mt 13, 44-46

O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o achou...ficou tão contente que foi vender quanto possuía e comprou aquele campo.

Para nós a Bíblia Sagrada é um tesouro: «Que a Bíblia Sagrada continue a ser um tesouro para a Igreja e cada cristão: no estudo cuidadoso da Palavra, encontraremos alimento e força para realizar quotidianamente a nossa missão» (INE, 65).

Diz o profeta Jeremias: «Quando apareciam as vossas palavras, Senhor, eu logo as tomava como alimento. A vossa palavra era o encanto e a alegria do meu coração» (Leit.). Além de tesouro é também alimento: «Comamo-lo, para que se torne vida da nossa vida» (INE, 65).


5ª feira, 29-VII: S. Marta: Uma cidade digna do homem.

1 Jo 4, 7-16 / Jo 11, 19-27 (pp.)

Marta disse então a Jesus: Se aqui tivesses estado, Senhor, meu irmão não teria morrido.

Os irmãos de Betânia mantinham uma grande amizade com o Senhor. Marta oferecia-lhe hospitalidade em sua casa (cf. Oração), tornando mais agradável a vida do Senhor.

A caridade e a fé exigem que «trabalhemos para a construção de uma cidade digna do homem. Embora não seja possível construir na história uma ordem social perfeita, todavia sabemos que todo o esforço por construir um mundo melhor é acompanhado pela bênção de Deus e que qualquer germe de justiça e de amor plantado no tempo presente floresce para a eternidade» (INE, 97). «Ao construir esta cidade digna do homem, sirva de inspiração a doutrina social da Igreja» (INE,98).


6ª feira, 30-VII: Uma formação adequada.

Jer 26, 1-9 / Mt 13, 54-58

Talvez eles queiram escutar e se arrependa cada um do seu mau proceder.

Apesar de muitos irem ao Templo para adorar a Deus, não cumpriam, no entanto, a sua Lei, não escutavam o Senhor. Precisamos ter uma fé firme e sermos coerentes com ela, precisamente num ambiente hostil.

«Cada baptizado, enquanto testemunha de Cristo, deve obter a formação adequada à sua condição, não só para evitar que a fé definha por falta de cuidado num ambiente hostil como é o do mundo, mas também para dar apoio e impulso ao testemunho evangelizador» (INE, 49). «Os cristãos são chamados a possuir uma fé que lhes permita confrontar-se criticamente com a cultura actual, resistindo às suas seduções» (INE, 50).


Sábado, 31-VII: O martírio: encarnação do Evangelho.

Jer 26, 11-26 / Mt 14, 1-12

O rei ficou triste, mas, devido aos juramentos e aos convivas, ordenou que lha dessem e mandou um emissário decapitar João na cadeia.

Os intervenientes nas duas Leituras de hoje tiveram sortes diferentes, mas ambos defenderam a verdade: Isaías foi poupado («esse homem não deve ser condenado à morte»); João foi decapitado.

«Os mártires anunciam este Evangelho e testemunham-no com a sua vida até à efusão de sangue, porque, certos de não poderem viver sem Cristo, estão prontos a morrer por Ele na convicção de que Jesus é o Senhor e o Salvador do homem e que este só nele encontra a verdadeira plenitude da vida» (INE, 13).







Celebração e Homilia: António Elísio Portela

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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