15º Domingo Comum

11 de Julho de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

cf. Salmo 16, 15

Antífona de entrada: Eu venho, Senhor, à vossa presença: ficarei saciado ao contemplar a vossa glória.


Introdução ao espírito da Celebração


Muitas pessoas dizem-nos hoje que são católicos praticantes quando, afinal, a sua vida não está de acordo com os Mandamentos do Senhor.

Ser cristão é aceitar Cristo como Salvador, mas é também viver de acordo com a Aliança baptismal.

Talvez por detrás desta separação entre a fé e a vida esteja a oposição irredutível que estabelecem entre os Mandamentos e a liberdade pessoal, como se tivéssemos de optar por uma ou por outra. O Senhor ensina-nos que os Mandamentos não só não se opõem à verdadeira liberdade, mas são o caminho único para ela.


Oração colecta: Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O Senhor pede-nos uma interiorização da Sua Lei, para que cada um de nós se sinta responsável na Sua presença.

Nunca temos desculpa para deixarmos de cumprir a Lei de Deus, porque o Senhor teve o cuidado de a deixar acessível às nossas capacidades.


Deuteronómio 30, 10-14

Moisés falou ao povo, dizendo: 10«Escutarás a voz do Senhor teu Deus, cumprindo os seus preceitos e mandamentos que estão escritos no Livro da Lei, e converter-te-ás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. 11Este mandamento que hoje te imponho não está acima das tuas forças nem fora do teu alcance. 12Não está no céu, para que precises de dizer: ‘Quem irá por nós subir ao céu, para no-lo buscar e fazer ouvir, a fim de o pormos em prática?’. 13Não está para além dos mares, para que precises de dizer: ‘Quem irá por nós transpor os mares, para no-lo buscar e fazer ouvir, a fim de o pormos em prática?’. 14Esta palavra está perto de ti, está na tua boca e no teu coração, para que a possas pôr em prática».


O texto da leitura é tirado da chamada «Aliança de Moab», o 3º discurso de Moisés (Dt 28, 69 – 30, 20). De uma forma poética e imaginosa muito bela, o autor afirma que o conhecimento da Lei de Deus é acessível a todos, sem serem necessários muitos estudos e longas investigações. S. Paulo em Rom 10, 6-8 faz uma aplicação deste texto ao conhecimento da «palavra da fé» pregada pelos Apóstolos.


Salmo Responsorial Sl 68 (69), 14.17.30-31.33-34.36ab.37 (R. cf. 33)


Monição: Ao convite do Senhor a que nos convertamos de todo o coração à Sua Lei. Respondemos-lhe com a oração do salmo 68, pedindo a Deus que Se volte para nós e nos ajude.


Refrão: Procurai, pobres, o Senhor

e encontrareis a vida.


A Vós, Senhor, elevo a minha súplica,

pela vossa imensa bondade respondei-me.

Ouvi-me, Senhor, pela bondade da vossa graça,

voltai-Vos para mim pela vossa grande misericórdia.


Eu sou pobre e miserável:

defendei-me com a vossa protecção.

Louvarei com cânticos o nome de Deus

e em acção de graças O glorificarei.


Vós, humildes, olhai e alegrai-vos,

buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.

O Senhor ouve os pobres

e não despreza os cativos.


Deus protegerá Sião,

reconstruirá as cidades de Judá.

Os seus servos a receberão em herança

e nela hão-de morar os que amam o seu nome.


Segunda Leitura


Monição: O primeiro Adão, arrastado por Eva, distinguiu-se pela desobediência ao Senhor, transgredindo a ordem que lhe tinha sido dada.

O novo Adão – Cristo Salvador – ensina-nos o caminho da obediência fiel à Aliança realizada com o Pai.


Colossenses 1, 15-20

15Cristo Jesus é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; 16porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. 17Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. 18Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. 19Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude 20e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.


O texto da nossa leitura, com um certo sabor de um hino a Cristo, condensa o ensino central desta carta do cativeiro, e é uma das belas e ricas sínteses da cristologia paulina. Em face da chamada «crise de Colossas», em que alguns põem em causa a primazia absoluta de Cristo, colocando-O ao nível de outros seres superiores e intermédios, quer da cultura pagã, quer da cultura judaica, S. Paulo ensina peremptoriamente a mais completa supremacia de Cristo sobre toda a Criação (vv. 15-17), em virtude da sua acção criadora, e também no campo da nova Criação (vv. 18-20), em virtude da sua acção redentora, que reconcilia todas as coisas com Deus na paz.

15 «Imagem de Deus invisível». Imagem, para um semita, não é simplesmente a figuração duma realidade, de natureza distinta, mas é, antes de mais, a exteriorização sensível da própria realidade oculta e da sua mesma essência. Assim, é afirmada a divindade de Cristo, o qual nos torna visível e tangível o próprio Deus invisível e transcendente (cf. Jo 1, 18; 14, 9-11; 2 Cor 4, 4; Hbr 1, 3). Cristo também é «o Primogénito de toda a criatura», no sentido da sua preeminência única sobre todas as criaturas, não só por Ele existir antes de todas, não, porém, no sentido ariano de primeira criatura, mas enquanto todas foram criadas «n’Ele», «por Ele» e «para Ele» (v.16).

19 «Toda a plenitude», isto é, a totalidade de todos os tesouros da graça que Deus comunica aos homens depois do pecado, em ordem à reconciliação que Ele realiza pelo seu sangue da sua Cruz (v. 20). Em Col 2, 9 diz-se que em Cristo «habita corporalmente toda a plenitude da natureza divina».


Aclamação ao Evangelho cf. Jo 6, 63c.68c


Monição: A Palavra do Senhor ensina-nos o caminho da verdadeira liberdade. Aclamemo-la com alegria.


Aleluia


As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida:

Vós tendes palavras de vida eterna.


Cântico: M. Faria, NRMS 16



Evangelho


São Lucas 10, 25-37

Naquele tempo, 25levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?» 26Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?» 27Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». 28Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». 29Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?» 30Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. 31Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. 32Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. 33Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. 34Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. 35No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. 36Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?» 37O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo».


29 «E quem é o meu próximo?» Jesus não explica o conceito de próximo a quem se deve amar, por meio de definições abstractas, mas duma maneira gráfica, concreta e intuitiva, dizendo como actuou uma pessoa que possuía autêntico amor ao próximo (há quem pense tratar-se dum caso real, embora se costume considerar como uma parábola, exclusiva de Lucas).

30-35 Não se identifica quem foi o homem assaltado, talvez para realçar que o amor deve ser universal: o samaritano não pára para investigar de quem se trata; o que ele sabe é que se trata de um necessitado, embora estranho, desconhecido, sendo até de supor tratar-se de um judeu inimigo, uma vez que o caso se passa na Judeia. O samaritano faz tudo o que a necessidade do desgraçado exige, cumprindo, de maneira perfeita, o amor ao próximo. O doutor da lei tinha perguntado: «quem é o meu próximo?» A história deixa ver, antes de mais, que, quando uma pessoa leva o amor no coração, esse amor já lhe fará ver quem é o próximo. «A violação do preceito do amor ao próximo não procede nunca duma falta de conhecimento sobre a sua aplicação prática, mas sim duma falta de amor» (J. Schmid). O que importa não é investigar quem é o meu próximo, como faz o doutor da lei (v. 29), mas o que é preciso é saber ser próximo, proceder como próximo; por isso, Jesus pergunta: «qual dos três se portou como próximo?» Jesus não só acaba com as barreiras de raça, nacionalidade, religião (os samaritanos estavam separados por todas estas barreiras), como também nos situa acima dos acanhados horizontes legalistas do «sacerdote» e do «levita», que se julgavam juridicamente escusados de prestar socorro naquele caso.

37 «Vai e faz o mesmo». Jesus insiste em que não chega saber a teoria sobre a caridade, mas que é preciso tomar atitudes concretas, como esta. Houve Padres que viram no Bom Samaritano uma figura de Cristo que veio do Céu à terra para salvar a humanidade ferida de morte por causa do pecado em que jazia, abandonada pela Sinagoga (o sacerdote e o levita). Jesus salva essa humanidade caída, e deixa-a entregue à Igreja – a estalagem (v. 34) – até quando voltar (v. 35), no fim dos tempos.


Sugestões para a homilia


Cumprir os Mandamentos do Senhor

Os Mandamentos resumem-se no Amor.


Cumprir os Mandamentos do Senhor

O Baptismo infunde-nos uma vida nova – a vida dos filhos de Deus – e esta realidade exige que vivamos de acordo com ela.

Cada ser deve viver de acordo com o que é. Ninguém considera uma imperfeição o cavalo não viver a mesma vida que o homem. Um é o estilo de vida dum adulto e outro, muito diferente, o da criança.

Para que o homem não se enganasse no caminho a seguir, o Senhor iluminou-o com os Mandamentos. São regras de vida que correspondem às exigências da sua natureza e não caprichos arbitrários e provisórios que podem mudar com o tempo.

Mandamentos e personalidade. A Lei Natural, que os Mandamentos explicitam e concretizam, corresponde às exigências da nossa natureza, de tal modo que, quando a seguimos, a nossa personalidade desenvolve-se; quando, pelo contrário, a desprezamos, deformamo-nos.

E assim, a mentira, o roubo, a insensibilidade perante as coisas de Deus, a falta de respeito pela vida e pela sexualidade humana deformam gradualmente as pessoas, à medida que se entregam a esses desmandos. É uma realidade que constatamos todos os dias. Pelo contrário, ninguém há mais perfeito humanamente do que o santo.

Liberdade pessoal e Lei. «O suposto conflito entre liberdade e lei afirma-se hoje com especial intensidade no caso da lei natural» (João Paulo II, Carta Encíclica O Esplendor da Verdade, n.º 46). O drama das pessoas é que deixaram de entender o que é a natureza humana, com as suas exigências e entendem-na como o impulso das paixões desordenadas.

Quando as coisas são encaradas deste modo, surge um conflito artificial entre a lei e a liberdade, como se aquela fosse um estorvo desta.

A maior afirmação da liberdade é seguir – vencendo os obstáculos – aquilo que a consciência bem formada lhe diz que é bem.


Os Mandamentos resumem-se no Amor

Deus convida-nos a que voltemos para Ele. Conscientes de que nada podemos sem a Sua ajuda, pedimos-Lhe que Se volte para nós.

Jesus Cristo nosso modelo na fidelidade à Lei. Pelo mistério da Encarnação, Jesus Cristo foi constituído Cabeça da família humana, novo Adão, mediador da Nova Aliança.

Toda a Sua vida se resume, desde o primeiro instante até ao último suspiro na Cruz, em fazer a vontade do Pai

A santidade pessoal concretiza-se em viver, momento a momento, como se Ele estivesse em nosso lugar.

O mais importante. Os hebreus, querendo ajudar a resolver os casos concretos que a vida apresenta, acabaram por multiplicar os preceitos do Decálogo, chegando a atingir o elevado número de 613. Não era fácil fazer uma síntese de um código tão extenso.

É neste contexto de confusão que se deve entender a pergunta do jovem que se dirigiu a Jesus.

Ele compreende que, para entrar na Vida Eterna que Jesus anuncia, é necessário cumprir a Lei de Deus.

Jesus ajuda-o a responder ele mesmo à pergunta que tinha formulado e aprova a sua resposta: «Amarás ao Senhor teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma e com todas as tuas forças e com todo o teu ser. E ao próximo como a ti mesmo». Tudo se resume em amar.

Deus quer ser amado por cada um de nós em duas modalidades:

Directamente.

Misteriosamente oculto em nosso próximo.

O meu próximo. Também a resposta à segunda pergunta formulada por este homem a Jesus não é fácil.

Embora no Antigo Testamento se preceituasse o bom acolhimento dos estrangeiros, o círculo de amizades foi estreitando até ficar reduzido aos da própria nação.

Para alargar as fronteiras do nosso coração até às dimensões do mundo, Jesus explica-nos quem é o nosso próximo, contando-nos a parábola do bom samaritano.

Para cumprir a lei dos homens, evitando uma possível impureza legal, ao tomar contacto com um não israelita. Também nós inventamos pretextos para não termos de passar um mau bocado, com os toxicodependentes, os seropositivos, a gente mergulhada na lama da prostituição e, de um modo geral, toda a gente marginal.

Um samaritano – considerado pelos ouvintes de Jesus como um infiel à Aliança – coloca em primeiro lugar a lei do Amor e ajuda este pobre homem que, em ele, teria morrido.

Que Maria nos ajude a cumprir este mandato de Amor!


Oração Universal


Imitemos o gesto de Cristo, de bom Samaritano,

apresentando, por Ele, ao Pai, as necessidades

de todos os homens, especialmente os mais carenciados.

Oremos: Cristo, ouvi-nos! Cristo, atendei-nos!


1. Para que a mensagem de Amor proclamada pelo Santo Padre

seja bem acolhida por todos os homens de boa vontade,

oremos, irmãos.


2. Para que os Bispos, com o seu Presbitério, anunciem a Boa Nova

de que todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai do Céu,

oremos, irmãos.


3. Para que os marginalizados de todas as condições sociais

encontrem na nossa solidariedade o conforto indispensável,

oremos, irmãos.


4. Para que todas as instituições privadas de solidariedade social

encontrem em todos os carinho e voluntariado de que precisam,

oremos, irmãos.


5. Para que sejamos capazes de vencer o nosso egoísmo e bem estar

e não nos refugiemos em lamentações estéreis perante o mal,

oremos, irmãos.


6. Para que os bons Samaritanos que já partiram desta vida

entrem, quanto antes na Luz da glória que não tem fim,

oremos, irmãos.


Senhor, que nos constituístes numa família solidária,

para que todos nos demos as mãos fraternalmente:

ajudai-nos a derrubar os muros que nos separam,

para, de mãos dadas, edificarmos a Civilização do Amor.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus conVosco, na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Subam até vós, ó Senhor, M. Luis, NCT 250


Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons da vossa Igreja em oração e concedei aos fiéis que os vão receber a graça de crescerem na santidade. Por Nosso Senhor.


Santo: A. Cartageno, Suplemento CT


Saudação da Paz


A verdadeira paz é fruto do Amor que Jesus Cristo veio trazer à terra.

Ao trocarmos entre nós a saudação da paz, não esqueçamos que o nosso coração não pode ter fronteiras que excluam seja quem for.

Saudai-vos na Paz de Cristo!


Monição da Comunhão


Depois de nos ter curado as feridas do pecado, o Senhor trouxe-nos para a estalagem que é a Sua Igreja, e quer agora sentar-nos à Sua mesa, para nos alimentar.

Agradeçamos tão grande delicadeza e comunguemos com as necessárias disposições.


Cântico da Comunhão: A semente é a Palavra de Deus, C. Silva, NCT 256

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.


Ou

Jo 6, 57

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação. Por Nosso Senhor...



Ritos Finais


Monição final


Sejamos fiéis à Lei do Senhor, como exigência da nossa Aliança baptismal, no caminho da verdadeira liberdade, e ajudemos aqueles que encontrarmos em necessidade pelos caminhos da vida.


Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1(II)



Homilias Feriais


15ª SEMANA


2ª feira, 12-VII: Seguimento de Cristo e conversão.

Is 1, 10-17 / Mt 10, 34- 11, 1

Quem não toma a sua cruz, para me seguir, não é digno de mim.

O seguimento de Cristo exige uma conversão: não basta oferecer qualquer sacrifício:«de que me servem os vossos inúmeros sacrifícios?» (Leit.).

«A conversão realiza-se na vida quotidiana por gestos de reconciliação, pelo cuidado dos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito, pela confissão das próprias faltas aos irmãos, pela correcção fraterna, a revisão de vida, o exame de consciência, a direcção espiritual, a aceitação dos sofrimentos, a coragem de suportar a perseguição por amor da justiça. Tomar a sua cruz todos os dias e seguir Jesus (cf. Ev. do dia) é o caminho mais seguro de penitência» (CIC, 1435).


3ª feira, 13-VII: Graça de Deus e conversão.

Is 7, 1-9 / Mt 11, 20-24

Começou Jesus a censurar duramente as cidades em que se tinha realizado a maioria dos seus milagres, por não terem feito penitência.

Os habitantes destas cidades não corresponderam às graças recebidas de Deus. Embora Jesus não tenha vindo para julgar, mas para salvar, no entanto, é possível recusar as graças nesta vida, endurecendo-se o coração do homem.

«O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: ‘Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos. Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo» (CIC, 1432).


4ª feira, 14-VII: Humildade e sentido da vida.

Is 10, 5-7. 13-16 / Mt 11, 25-27

Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos mais pequeninos.

É aos humildes que Deus se revela (cf. Ev.). «De facto, Jesus é o único capaz de revelar o projecto de Deus lá (no livro) encerrado. Abandonado a si mesmo o esforço do homem não consegue dar um sentido à história e à suas vicissitudes: a vida fica sem esperança. Só o Filho de Deus é capaz de dissipar as trevas e indicar a estrada» (INE, 44).

Pelo contrário, «O Senhor do Universo fará definhar os mais robustos da Assíria» (Leit.), isto é, os soberbos ou orgulhosos.


5ª feira, 15.-VII: Convite para aproximação a Jesus.

Is 26, 7-9. 12. 16-19 / Mt 11, 28-30

Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim, que eu sou manso e humilde de coração.

Jesus encarnou para ser o nosso modelo de santidade: «aprendei de mim» (Ev.). De modo especial chama a atenção para a mansidão e a humildade, que estão incluídas nas bem-aventuranças, que são promessas paradoxais que mantêm a esperança no meio da tribulações.

«Vinde a mim» (Ev.): «Convido os meus irmãos e irmãs na fé a procurarem constantemente e com confiança a abrir-se a Cristo e a deixarem-se renovar por Ele, anunciando... que quem encontra o Senhor, conhece a Verdade, descobre a Vida, acha o Caminho que a ela conduz» (INE, 20).


6ª feira, 16-VII: Nª Sª do Carmo: Maria, Esperança nossa.

Is 38, 1-6. 21-22. 7-8 / Mt 12, 1-8

(O Senhor): Vou fazer que a sombra do relógio de Sol de Acaz volte para trás dez graus, que nele tinha avançado.

Ezequias pediu ao Senhor a sua cura e Deus prometeu acrescentar mais quinze anos à sua vida (cf. Leit.).

Algo semelhante recordamos hoje com a Memória de Nª Sª do Carmo: Ela protege os seus filhos na vida e na morte, obtém a graça da perseverança final e promete o privilégio sabatino (libertação do Purgatório): «É o auxílio do povo cristão, na luta incessante entre o bem e o mal, para que não caia ou, se caiu, para que ressurja... Maria faz crescer em nós a virtude da esperança» (INE, 124- 125).


Sábado, 17-VII: O espírito Santo, fruto da Cruz.

Miq 2, 1-5 / Mt 12, 14-21

Eis o meu Servo, a quem eu escolhi, o meu muito amado, enlevo da minha alma.

«Os traços do Messias são revelados sobretudo nos cânticos do Servo (cf. Ev. do dia). Estes cânticos anunciam o sentido da paixão de Jesus, indicando assim a maneira como Ele derramará o Espírito Santo para dar à multidão... Tomando sobre si a nossa morte, Ele pode comunicar-nos o seu próprio Espírito de vida» (CIC, 713).

Temos necessidade deste Espírito que nos comunica a vida, para podermos evitar aquelas coisas que «escravizam o homem e a sua morada» (Leit.) e que conduzem à morte.







Celebração e Homilia: Fernando Silva

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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