14º Domingo Comum

4 de Julho de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Oh que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.


Introdução ao espírito da Celebração


Iniciamos mais um mês, cheio de emoções do futebol neste Euro 2004, a decorrer no nosso país; vivemos os medos e as angústias dos ataques terroristas. Mas a Palavra divina na liturgia de hoje fala-nos de Paz! Vale mais a paz do que todos os impérios do mundo! A paz é fonte de alegria, vida em segurança, motivo de consolação.


Oração colecta: Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor ...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O Profeta Isaías fala do amor de Deus para com Jerusalém, símbolo da Igreja: farei correr para Jerusalém a paz como um rio! Este amor vive-se numa paz profunda e duradoira. Traduz-se também numa alegria e num júbilo sem limites, que enchem de conforto o nosso coração.


Isaías 66, 10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. 14cA mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos.


O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11).

12 «A paz como um rio» é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à «nova Jerusalém» que é «nossa Mãe», a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), «o Israel de Deus» de que nos fala a 2.ª leitura de hoje (Gal 6, 16).


Salmo Responsorial Sl 65 (66), 1-3a.4-7a.16.20 (R.1)


Monição: Jesus Cristo põe os membros do seu Corpo místico a cantar as obras maravilhas de Deus. Somos todos convidados a louvar a glória do seu nome: A terra inteira aclame o Senhor e lhe dê glória, honra e louvor.


Refrão: A terra inteira aclame o Senhor.


Aclamai a Deus, terra inteira,

cantai a glória do seu nome,

celebrai os seus louvores, dizei a Deus:

«Maravilhosas são as vossas obras».


A terra inteira Vos adore e celebre,

entoe hinos ao vosso nome.

Vinde contemplar as obras de Deus,

admirável na sua acção pelos homens.


Mudou o mar em terra firme,

atravessaram o rio a pé enxuto.

Alegremo-nos n’Ele:

domina eternamente com o seu poder.


Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,

vou narrar-vos quanto Ele fez por mim.

Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,

nem me retirou a sua misericórdia.


Segunda Leitura


Monição: S. Paulo estava tão unido a Jesus que podia afirmar: longe de mim gloriar-me a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com S. Paulo também nós queremos rezar: toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Gálatas 6, 14-18

Irmãos: 14Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. 15Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa: o que tem valor é a nova criatura. 16Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma, bem como para o Israel de Deus. 17Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus. 18Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito. Amen.


Temos hoje o empolgante final da carta aos Gálatas.

14 «Longe de mim gloriar-me...» S. Paulo rebate os cristãos judaizantes que, por um «proselitismo» mal entendido, queriam impor a circuncisão a fim de «fazerem boa figura (v. 11) e acharem motivo de glória na carne assim marcada dos convertidos (v. 13). Mas o proselitismo do Apóstolo é totalmente outro: baseia-se no imperativo de Jesus (Mt 28, 19) e é algo que o faz «compelido pelo amor de Cristo» (2 Cor 5, 14) e não compelido pelo zelo da própria glória. Paulo gloria-se na Cruz de Cristo, não no êxito humano das suas correrias apostólicas, no que seria glória mundana, mas sim no valor redentor da Cruz, na dor e humilhação máximas que Jesus suportou e de que participa o autêntico apóstolo (cf. Gal 2, 19).

15 «O que tem valor é a nova criatura.» Pouco importa, diante desta realidade sobrenatural, uma questão tão ridícula como a de ser ou não ser circuncidado. Nova criatura é o cristão, «homem novo, criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras» (Ef 4, 24; cf. Ef 2, 15; 2 Cor 5, 17; Rom 6, 3ss; Jo 1, 13; 3, 5; etc.), regenerado pelo Baptismo. Nesta argumentação contra os judaizantes, S. Paulo usa a mesma designação com que os rabinos da época designavam um convertido ao judaísmo após a circuncisão e o «baptismo dos prosélitos»: era então considerado «beriyá hadaxá», isto é, nova criatura. Assim S. Paulo diz que o que interessa é ser nova criatura; e o cristão, de facto, torna-se isso mesmo num sentido radical e profundo, como se depreende de todo o seu ensino, pois é regenerado, santificado, torna-se filho de Deus, faz um só com Cristo que com a sua Morte e Ressurreição inaugura uma nova Humanidade, uma nova criação, em contraste com a criação inicial, a do velho Adão donde provém para todos o pecado e a morte.

17 «Ninguém me importune», entenda-se, com discussões acerca da circuncisão ou da minha condição de apóstolo (cf. Gal 5, 11;1, 8-18), uma vez que eu trago no meu corpo outras marcas, os estigmas de Jesus. Os escravos costumavam então trazer, marcadas, com ferro em brasa (ferrete), umas marcas que indicavam o dono. Sem duvida, que as marcas de Jesus que S. Paulo se gloria de trazer eram as próprias cicatrizes físicas dos seus padecimentos por Cristo, flagelações, apedrejamentos, etc., os «estigmas» da Paixão de Cristo, que autenticavam a sua pertença ao Senhor, o seu apostolado, a sua pregação.


Aclamação ao Evangelho Col 3, 15a.16a


Monição. Jesus ensina-nos a pedir ao Pai que mande trabalhadores para a sua seara. Aleluia! A Palavra de Deus, inunda de paz o nosso coração.


Aleluia


Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.


Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51



Evangelho *


Forma longa: São Lucas 10, 1-12.17-20; forma breve: São Lucas 10, 1-9

1Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. 3Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. 5Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. 6E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. 7Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, 9curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. 10[Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. 12Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». 17Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». 18Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».]


Apenas S. Lucas fala desta missão dos 72 (70 segundo alguns textos de menos valor). Neste discurso de Jesus aos 72 há grandes coincidências de forma e conteúdo com o discurso aos Doze em Mc 6, 6-13 e Mt 9, 5-23. Mas estas coincidências não parecem bastar para se pensar que se trata duma mesma missão e dum mesmo discurso. Na verdade, Lucas fala em 9, 1-6 de uma outra missão dos Doze, tomada de Mc 6, 6-13. Estes discípulos são «outros» como propõem autorizadas variantes do v. 1, isto é, discípulos diferentes dos Apóstolos («outros» é uma variante textual importante recolhida na Neovulgata). As coincidências apontadas justificam-se pela semelhança do objectivo dos discursos de Jesus e pela própria tradição oral prévia que teria influído em ordem a uma transmissão semelhante, sem alterar a substância dos discursos. Este episódio contém, antes de mais, um grande ensinamento: é que, nem antes nem depois do Pentecostes, a evangelização foi um privilégio exclusivo dos Doze.

2 «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Jesus fala à maneira de um grande proprietário agrícola que, ao contemplar as suas grandes searas, vê enorme abundância de trigo maduro em risco de se perder, caso não seja colhido, sentindo a máxima preocupação por encontrar braços para o ingente e urgentíssimo trabalho. Deus, para salvar os homens, quer precisar de outros homens. «Pedi ao Dono da sara...». A urgência do trabalho não pode levar os discípulos a perderem o sentido da realidade sobrenatural que é uma «messe das almas»: embora eles sejam «ceifeiros», não se podem limitar a ceifar sem parança, têm de achar tempo e modo de pedir ao Dono o envio de novos ceifeiros, já que é dele que depende o bom êxito de todo o trabalho.

3-4 «Para o meio de lobos. Não leveis…». Dadas as dificuldades do trabalho apostólico e o seu vastíssimo alcance sobrenatural, o discípulo podia atemorizar-se ou deixar-se seduzir pela tentação de pôr a sua confiança nos recursos humanos. O Senhor quer dos seus grande desprendimento e audácia apostólica. «Nem vos demoreis a saudar …». «Não se trata de evitar a urbanidade de saudar, mas de eliminar um possível obstáculo ao serviço (cf. 2 Re 4, 29)... Saudar é uma coisa boa, mas melhor é executar quanto antes uma ordem divina, que muitas vezes se tornaria frustrada por um atraso» (Sto. Ambrósio, Hom. 17).

7 «Ficai... não andeis de casa em casa», isto é, aceitai a hospitalidade que vos oferecerem, sem qualquer reserva, e não andeis à procura da melhor casa, de quem vos dê mais vantagens pessoais.

11 «Até o pó... sacudimos para vós». Segundo a indicação rabínica de então, todo o bom israelita que entrava na Palestina vindo do território pagão devia sacudir o pó das sandálias, a fim de não contaminar a Terra Santa. Este gesto indica que os judeus que não recebem a Jesus se equiparam aos pagãos.

18 «Eu via Satanás cair…». Esta expressão não se refere ao pecado de Satanás que o precipita na condenação eterna, logo ao ser criado. Refere-se, sim, ao começo da sua derrocada que se consumará no fim dos tempos, mas que se vai realizando sempre que o Evangelho é pregado e aceite. Jesus utiliza uma imagem isaiana para significar a derrota de Satanás, com a perda do seu domínio sobre os homens (cf. Is 14, 12).

20 «Alegrai-vos antes...». Os discípulos sentiam uma alegria apoiada em motivos predominantemente humanos, como era o domínio sobre os demónios e o poder de realizarem milagres, mas o importante é fazerem a vontade de Deus (cf. Mt 7, 21-23); isto é o que conduz ao Céu, onde está a verdadeira felicidade, e eles são do número dos eleitos, isto é, têm os seus nomes inscritos nos Céus (cf. Ex 32, 32; Is 4, 3; Dan 12, 1; Mal 3, 16; Apc 20, 15).


Sugestões para a homilia


A Paz, fruto do Espírito Santo

A messe é grande


A Paz, fruto do Espírito Santo

Cantávamos com o salmista: a terra inteira aclame o Senhor! Louvamos a Deus, nesta Eucaristia, pela sua admirável acção pelos homens. A mão do Senhor manifestou-se aos seus servos, líamos na primeira leitura. De que modo? O profeta Isaías diz-nos que assim como uma mãe conforta o seu filho e o enche de carícias, levando-o ao colo, assim faz Deus connosco! Imaginemo-nos crianças confortadas, acarinhadas, levadas nos braços do nosso Deus. Sintamos a alegria da filiação divina. Sintamos o júbilo de sermos filhos muito amados. Sintamos a consolação da ternura de Deus, inundando o nosso coração! Bebamos o leite da consolação divina e fiquemos saciados! O Senhor fará correr para nós, rios de paz! Farei correr para Jerusalém a paz como um rio! Bem precisamos dessa abundância! Bem precisamos desse dom divino. A Paz é a síntese de todos os bens messiânicos. Peçamos ao Pai, por Jesus para que o Espírito Santo renove a face da terra e conceda a paz aos homens de boa vontade.


A messe é grande

Pedi ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe.

Nestas palavras de Jesus vemos a solicitude do Bom Pastor pelas suas ovelhas. Ele quer que escutemos palavras de vida eterna para que tenhamos a vida com abundância. S. Lucas diz que o Senhor designou setenta e dois discípulos e enviou-os à sua frente. Ele precisa de homens e mulheres que dediquem a sua existência totalmente ao serviço do Reino.

Depois da sua morte e ressurreição confiou o encargo de apascentar as suas ovelhas aos discípulos, dizendo-lhes: Ide por todo o mundo e ensinai a Boa Nova! E os Apóstolos partiram de Jerusalém e anunciaram o Evangelho a todos os povos da terra.

Mas a messe é grande! Ontem como hoje. Por isso oremos pelas pessoas chamadas à vida consagrada. O Espírito Santo faça de toda a Igreja um povo orante, implorando vocações santas, cheias de amor e fidelidade ao Evangelho.

A presença de Maria inspira-nos confiança! Ela estava no cenáculo, orando com os Apóstolos quando o Espírito Santo desceu sobre eles e lhes deu sabedoria e força para anunciar a Boa Nova de Jesus. Peçamos ao Pai, em nome de Jesus, para que o Espírito Santo suscite na Igreja muitas e santas vocações e assim possa haver uma nova primavera do Evangelho.


Oração Universal


Irmãos e irmãs:

Deus chamou-nos, por meio do Evangelho, a tomar parte

Na glória de Jesus Cristo. Oremos confiadamente:


Senhor, abençoai o vosso povo!


1. Pela Santa Igreja

para que anuncie fielmente Jesus Cristo,

que nos amou e se entregou por nós, morrendo na cruz,

oremos.


2. Para que os missionários e todos os consagrados

sintam a presença da Mãe de Jesus,

e com Ela peçam ao Pai o Espírito Santo, fonte da paz e da alegria,

oremos.


3. Pelos pobres, pelos doentes e pelos que sofrem,

para que sejam confortados com a força do Espírito Santo,

oremos.


4. Por todos os nossos familiares, amigos e benfeitores que já partiram,

para que sejam recompensados dos seus trabalhos,

oremos.


Senhor nosso Deus,

ensinai-nos a escutar e a por em prática a Palavra de Jesus Cristo,

vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38


Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação consagrada ao vosso nome nos purifique e nos conduza, dia após dia, a viver mais intensamente a vida da graça. Por Nosso Senhor ...


Santo: F. dos Santos, NCT 84


Monição da Comunhão


Rezemos com Jesus que veio até nós pela comunhão: a messe é grande e os operários são poucos. Senhor da messe, enviai operários para a vossa messe.


Cântico da Comunhão: A messe é grande, C. Silva, NRMS 94

Salmo 33, 9

Antífona da comunhão: Saboreai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que n'Ele se refugia.


ou

Mt 11, 28

Vinde a Mim, todos vós que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciastes com estes dons tão excelentes, fazei que alcancemos os benefícios da salvação e nunca cessemos de cantar os vossos louvores. Por Nosso Senhor ...



Ritos Finais


Monição final


«O Evangelho da esperança não desilude!

O Evangelho é convite para traçarmos caminhos novos, que desemboquem num mundo novo, onde todos sintamos a paz e a alegria de viver».

(Cf. João Paulo II, Igreja na Europa, 121)


Cântico final: Cantai ao Senhor um cântico novo, Az. Oliveira, NRMS 48



Homilias Feriais


14ª SEMANA


2ª feira, 5-VII: O amor de Deus pelo seu povo.

Os 16, 17-18. 21-22 / Mt 9, 18-26

Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, por amor e misericórdia.

«Deus ama o seu povo mais que um esposo a sua bem amada; este amor vencerá mesmo as piores infidelidades (cf. Leit. do dia); e chegará ao mais precioso de todos os dons: ‘Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o seu Filho Único» (CIC, 2129).

As curas (cf. Ev.) são precisamente uma manifestação do amor de Cristo: «A compaixão de Cristo para com os doentes e as suas numerosas curas de enfermos de toda a espécie são um sinal claro de que Deus visitou o seu povo e de que o Reino de Deus está próximo... Veio curar o homem na sua totalidade, alma e corpo; é o médico de que todos os doentes precisam» (CIC, 1503).


3ª feira, 6-VII: A carência de vocações.

Os 8, 4-7. 11-13 / Mt 9, 32-38

A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.

É uma verdade que há uma carência inquietante de vocações. A grande maioria deixa-se arrastar pelos bens materiais: «considero repelente, ó Samaria, o bezerro que adoras!» (Leit.).

Para que haja mais vocações é necessário «reavivar, sobretudo nos jovens, uma profunda nostalgia de Deus, criando assim o contexto adequado para o desabrochar de generosas respostas vocacionais; é urgente que um grande movimento de oração atravesse as comunidades eclesiais do continente europeu» (INE, 40).


4ª feira, 7-VII: Vocação e missão dos leigos.

Os 10, 1-3. 7-8. 12 / Mt 10, 1-7

Semeai segundo a justiça e colhereis segundo a lei do amor; arroteai novas terras: já é tempo de procurar o Senhor.

Jesus chamou os doze discípulos, a quem entregou alguns poderes e enviou-os em missão (cf. Ev.).

Também os leigos têm como vocação «procurar o Reino de Deus ocupando-se da realidades temporais e ordenando-as segundo Deus »(CIC, 898). Compete-lhes «arrotear novas terras» (Leit.): «A iniciativa dos fiéis leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar com as exigências da doutrina e da vida cristã, as realidades sociais, políticas e económicas» (CIC, 899).


5ª feira, 8-VII: Manifestações do amor do Pai.

Os 11, 1-4. 8-9 / Mt 10, 7-15

Ainda Israel estava na infância e já eu o amava, e a ele, meu filho, chamei-o para que saísse do Egipto.

«O amor de Deus para com Israel é comparado ao amor de um pai para com o seu filho (cf. Leit. do dia). Este amor é mais forte que o de uma mãe para com os seus filhos» (CIC, 219).

É esse amor que o leva a perdoar as ofensas dos filhos: «Mas porque Deus é santo, pode perdoar ao homem que se descobre pecador diante d‘Ele: ‘Não deixarei arder a minha indignação... É que eu sou Deus, e não homem, o Santo que está no meio de vós’ (Leit. do dia)» (CIC, 208). E leva também a ter compaixão por todos os enfermos: «curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios» (Ev.).


6ª feira, 9-VII: Confiança nas promessas de Deus.

Os 14, 2-10 / Mt 10, 16-23

Quando vos entregarem, não vos inquieteis com a maneira de falar... O Espírito do vosso Pai é que falará em vós.

Deus é fiel e nunca nos abandonará. Devemos, pois, aceitar as suas promessas e ter n’Ele uma confiança e fé plenas: «Porque ‘sem fé não é possível agradar a Deus’ e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém pode jamais justificar-se sem ela e ninguém que não ‘persevere nela até ao fim’ (Ev. do dia) poderá alcançar a vida eterna» (CIC, 161).

É o todo poderoso e clemente. Convida-nos a voltar para Ele, com arrependimento: «Vinde com palavras de súplica, voltai para o Senhor...hei de curar-lhes a rebeldia, amá-los-ei generosamente, pois a minha indignação vai desviar-se deles» (Leit.).


Sábado, 10-VII: Abandono na Providência.

Is 6, 2-8 / Mt 10, 24-33

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, portanto: valeis mais do que muitos passarinhos.

«Jesus reclama um abandono filial à Providência do Pai celeste, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos: ‘Não vos inquieteis dizendo: Que havemos de comer...’ (Ev. do dia)» (CIC, 305).

Este abandono consegue-se especialmente na oração, como foi o caso do profeta Isaías: «Eis-me aqui, Senhor, podeis enviar-me» (Leit.) .«É no a ‘sós com Deus’ que os profetas vão haurir luz e força para a sua missão. A sua oração... é uma escuta da palavra de Deus, às vezes um debate ou uma queixa (cf. Leit. do dia) e sempre uma intercessão que espera e prepara a intervenção de Deus Salvador, Senhor da história» (CIC, 2584).







Celebração e Homilia: José Roque

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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