S. Pedro e S. Paulo

Missa do Dia

29 de Junho de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Estes são os Apóstolos, A. Cartageno, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 193


Antífona de entrada: Estes são os Apóstolos, que durante a sua vida na terra plantaram a Igreja com o seu sangue. Beberam o cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


Hoje é dia de São Pedro e São Paulo. Será que, passados dois mil anos, ainda têm alguma coisa a dizer-nos a nós que já estamos a viver no terceiro milénio? Sim e com que actualidade! O seu exemplo e a sua pregação perduram pelos séculos fora.


Oração colecta: Senhor, que nos encheis de santa alegria na solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja que se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Pedro, preso injustamente, é libertado por intervenção divina, graças à oração dos primeiros cristãos.


Actos dos Apóstolos 12, 1-11

1Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, 3e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. 4Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto 5Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele. 6Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão. 7De repente, apareceu o Anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela da cadeia. 8O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias». Ele assim fez. Depois acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me». 9Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo julgava que era uma visão. 10Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua, e subitamente o Anjo desapareceu. 11Então Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu».


1-2 «Herodes»: é Herodes Agripa I, o terceiro monarca do mesmo nome a ser nomeado no NT; era filho da Aristóbulo e sobrinho de Herodes Antipas (o que mandara matar o Baptista) e neto de Herodes, o Grande (o da construção do Templo e da matança dos inocentes). Depois de uma vida libertina em Roma, obteve o favor de Calígula, vindo a poder usar o título de rei dum território quase tão grande como o do avô, apresentando-se muito zeloso da religiosidade judaica. «Tiago» é o filho de Zebedeu e Salomé, irmão do Apóstolo João evangelista. O seu martírio deve ter sido um ano ou dois após a tomada de posse de Herodes, a qual se deu no ano 41.

4-6 «Guarda de 4 piquetes de 4 soldados»: note-se o contraste entre a severidade da segurança e a serenidade de Pedro que dorme; cada piquete correspondia a uma das quatro vigílias da noite; Pedro «dormia entre dois soldados», com uma das mãos atada à mão de um soldado e a outra à do outro, enquanto «a Igreja orava instantemente a Deus por ele» (belo fundamento bíblico da oração assídua pelo Papa).

7-10 A intervenção libertadora do «Anjo do Senhor» já se tinha sido assinalada em semelhante circunstância (cf. Act 5, 18-19); esta está na linha da fé da Igreja na protecção dos anjos da guarda, conforme lembra o Catecismo da Igreja Católica, nº 336: «Desde a infância até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão…».


Salmo Responsorial Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5b)


Monição: Invoquemos o Senhor para nos mantermos sempre firmes na Fé.


Refrão: O Senhor libertou-me de toda a ansiedade.


A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.


Enaltecei comigo ao Senhor

e exaltemos juntos o seu nome.

Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,

libertou-me de toda a ansiedade.


Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,

o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.

Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,

salvou-o de todas as angústias.


O Anjo do Senhor protege os que O temem

e defende-os dos perigos.

Saboreai e vede como o Senhor é bom:

feliz o homem que n’Ele se refugia.


Segunda Leitura


Monição: Quem cumpre a vontade de Deus, como São Paulo, nada tem a temer pois receberá d’Ele a recompensa.


2 Timóteo 4, 6-8.17-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pagãos a ouvissem e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.


A leitura é um extracto da parte final da Carta, em que o Paulo, pressentindo a morte iminente, faz como que um balanço da sua vida toda devotada à causa da Boa Nova. Consideramos o escrito dotado de autenticidade criticamente segura, não obstante uma certa tendência negativa mesmo entre diversos autores católicos, com base em que aqui, como em muitos outros pontos das Cartas Pastorais, se observam pormenores biográficos de tal maneira vivos, concretos e coerentes, que não se podem atribuir a um falsário. Há quem pense num secretário diferente, que muito bem poderia ter sido o seu discípulo e companheiro (cf. v. 11) no segundo cativeiro romano, Lucas (Spicq).

6-7 «Já estou oferecido em libação», isto é, «sinto que a morte se avizinha», uma linguagem que bem pode proceder do costume, referido por Tácito, de se fazerem libações por ocasião da morte de alguém. «Combati o bom combate»: São Paulo sempre gostou de comparar a vida cristã e as lides apostólicas a actividades desportivas, pugilismo, corridas... (cf. Filp 2, 16; 3, 12-14; 1 Cor 9, 24-26; Gal 2, 2); «terminei a minha carreira», à letra, corrida.

17 «A mensagem... fosse proclamada a todos…» Pensa-se haver aqui uma referência a algum testemunho público nalguma audiência do tribunal perante grande multidão. «Fui libertado da boca do leão», o que não significa forçosamente que estivesse para ser lançado às feras, mas simplesmente o adiamento da condenação à pena capital, talvez para se proceder a melhor estudo da causa, em face do surpreendente testemunho do heróico pregador do Evangelho, que teria deixado os seus juizes perplexos…


Aclamação ao Evangelho Mt 16, 18


Monição: Jesus promete a Pedro o poder de governar a Igreja. O seu sucessor actual é o Papa João Paulo II. Sigamos os seus ensinamentos.


Aleluia


Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja

e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.


Cântico: F. Silva, NRMS 73-74



Evangelho


São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, 13Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». 14Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: 15«E vós, quem dizeis que Eu sou?». 16Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». 17Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».


O texto da leitura consta de duas partes distintas, mas intimamente ligadas: a confissão de fé de Pedro (vv. 13-16), comum a Marcos 8, 27-30 e a Lucas 9, 18-21 (cf. Jo 6, 67-71), e a promessa feita a Pedro (vv. 17-19), exclusiva de Mateus (cf. Jo 21, 15, 23).

13 «Cesareia de Filipe» era a cidade construída por Filipe, filho de Herodes, o Grande, em honra do César romano, nas faldas do Monte Hermon, a uns 40 quilómetros a Nordeste do Lago de Genesaré.

13-17 «Quem dizem os homens… E vós, quem dizeis que Eu sou?» É uma pergunta que, em face de Jesus, uma pessoa tão singular, surpreendente e apaixonante, não pode deixar de se fazer em todos os tempos. As respostas podem ser variadas e até contraditórias, mas só uma é a certa, a resposta de Pedro, a resposta esclarecida da fé, resposta que Jesus aprova: «Feliz de ti, Simão» (v. 17). «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16): Messias é a forma hebraica da palavra do texto original grego, Cristo, que quer dizer ungido (os reis eram ungidos com azeite na cabeça ao serem investidos). Jesus é o Rei (ungido) anunciado pelos Profetas e esperado pelo povo. Quando se diz Jesus Cristo é como confessar a mesma fé de Pedro, reconhecer que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias, mas num sentido mais denso e profundo, a saber, o Filho de Deus, num sentido que ultrapassa o corrente e que só o dom divino da fé pode fazer descobrir, segundo as palavras de Jesus a Pedro: «Não foram a carne e o sangue que to revelaram» (v. 17). A fé de Pedro, como a nossa, não pode proceder dum mero raciocínio humano, da sagacidade natural, mas da luz, da certeza e da firmeza, que procede da revelação de Deus. «A carne e o sangue» é uma forma semítica de designar o homem enquanto ser débil e exposto ao erro e ao pecado.

18 «Tu és Pedro». É significativo que o texto grego não tenha conservado a palavra aramaica «kêphá», aliás usada noutras passagens do N. T. sem ser traduzida, como é habitual com os patronímicos. Aqui o evangelista teve o cuidado de usar o nome correntemente dado ao Apóstolo Simão: Pedro. É expressivo o trocadilho, com efeito Pedro é a pedra sobre a qual assenta a solidez de toda a Igreja do Senhor. Note-se que o apelido de Pedro = Pedra não existia na época, nem em aramaico (Kêphá), nem em grego (Pétros), nem em latim (Petrus), uma circunstância que reforça o seu significado e originalidade. Além disso, este apelido também não era apto para caracterizar o temperamento ou o carácter do Apóstolo, pois aquilo que distingue a sua personalidade não é precisamente a dureza ou firmeza da pedra, mas antes a debilidade, mobilidade e até inconstância (cf. Mt 14, 28-31; 26, 33-35.69-75; Gal 2, 11-14). Se Jesus assim o chama, é em razão da função ou cargo em que há-de investi-lo.

«Edificarei a minha Igreja». Jesus, ao dizer a minha, significa que tem intenção de fundar algo de novo, uma nova comunidade de Yahwéh. «Ekklêsía» é a tradução grega corrente dos LXX para a designação hebraica da Comunidade de (qehal) Yahwéh, isto é, «o povo escolhido de Deus reunido para o culto de Yahwéh» (cf. Dt 23, 2-4.9). Não é, portanto, a Igreja uma seita dentro do judaísmo, é uma realidade nova e independente. «Jesus pôde dizer minha, porque Ele a salva, Ele a adquire com o seu sangue, Ele a convoca, Ele realiza nela a presença divina, a aliança, o sacrifício». «As portas do inferno». Esta linguagem tipicamente bíblica (Is 38, 10; Sab 16, 13; cf. Job 38, 17; Salm 9, 14) é uma sinédoque com que se designa a parte pelo todo. Inferno tanto pode designar a destruição e a morte (xeol=inferi=os infernos), como satanás e os poderes hostis a Deus.

19 «Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus». Os poderes conferidos a Pedro não são para ele vir a exercer no Céu, mas aqui neste mundo, onde a Igreja, o Reino de Deus em começo e em construção, tem de ser edificada. No judaísmo e no Antigo Testamento (cf. Is 22, 22), lidar com as chaves é uma atribuição de quem representa o próprio dono, significa administrar a casa. Ligar – desligar significa tomar decisões com tal autoridade e poder supremo que serão consideradas válidas por Deus, nos Céus. É de notar que Jesus diz a todos os Apóstolos esta mesma frase (Mt 18, 18), mas sem que seja tirada qualquer força à autoridade suprema de Pedro, a quem é dado um especial poder de «ligar e desligar» na Igreja, enquanto pedra fundamental e pastor supremo a ser investido após a Ressurreição (Jo 21, 15-17). Este primado de Pedro sobre toda a Igreja não é conferido apenas a ele, mas a todos os seus sucessores; com efeito Jesus fala a Pedro na qualidade de chefe duma edificação estável e perene, a Igreja; se o edifício é perene também o será a pedra fundamental. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, nº 882, «o Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis» (LG 23). Em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer» (LG 22). Este é um dos pontos cruciais do diálogo ecuménico, que terá uma saída feliz quando todos os que se consideram cristãos compreenderem que o carisma petrino, por vontade de Cristo, é o indispensável instrumento de união e unidade na legítima diversidade.


Sugestões para a Homilia


São Paulo

São Pedro


A Santa Igreja beatifica e canoniza aqueles cristãos que se evidenciaram por uma vida exemplar. Celebra-os nos vários dias do ano para que os imitemos e invoquemos. Hoje festejamos dois Santos que, tendo vivido há dois mil anos, continuam a ser referência insubstituível na História da Salvação: São Pedro e São Paulo.


São Paulo

Vivia segundo as suas convicções. Odiava Jesus. Não O podendo perseguir directamente, combatia-O nos cristãos.

Quando se dirigia para Damasco a fim de os perseguir, operou-se nele a conversão. A mudança foi radical. Toda a agressividade manifestada antes converte-se em simpatia, em dedicação, em Amor que o levará a atrair para a Religião Cristã muitos pagãos.

Se tantas pessoas que exercem o poder despótica e ditatorialmente se convertessem, como seriam felizes os povos por eles subjugados!

Se os fundamentalistas que causam a destruição e morte se convertessem, a quantas pessoas se mataria a fome com o dinheiro das suas bombas assassinas!

Se os ateus que fomentam leis contrárias à natureza e à Lei de Deus se convertessem, como a sociedade seria mais perfeita!


São Pedro

Era um homem como nós. Lutou muito para vencer os defeitos, para superar a agressividade, consagrando toda a sua vida a Deus e aos irmãos.

Na hora trágica da condenação à morte de Jesus, apesar de O ter negado, d’Ele obteve o perdão e a confiança para a nobre missão que lhe destinava: ser o primeiro Papa da Igreja.

São Pedro pregou com a Palavra e o exemplo. Com a oração e a perseguição confirmou o seu apostolado. Soube conquistar para a Igreja muitos cristãos. Conseguiu sempre, apesar das dificuldades surgidas, manter a Igreja una.

Se os pecadores pedissem perdão ao Senhor, como se sentiriam felizes ao abandonarem a vida de angústia e desilusão!

Se os leigos das nossas comunidades amassem o Senhor como São Pedro, com certeza imbuiriam a sociedade humana do espírito cristão.

Se os sacerdotes, religiosos e bispos exercessem o seu ministério como São Pedro, os que estão fora da Igreja converter-se-iam, os cristãos animar-se-iam no apostolado.

Felizmente o sucessor de São Pedro, o Papa João Paulo II, é santo como ele. Quanto lhe devem a Igreja e o mundo! Que sinta, com a nossa dedicação, a certeza que valeu a pena deixar tudo para servir Cristo na Sua Igreja!

Imitemo-lo e sigamos os seus ensinamentos. No Céu onde os esperamos encontrar um dia, São Pedro e São Paulo intercedem por todos nós.


Fala o Santo Padre


«A carga apostólica e missionária, dos Apóstolos Pedro e Paulo, foi proporcional à profundidade da sua conversão».

1. «O Senhor assistiu-me e deu-me forças» (2 Tm 4, 17).

Assim São Paulo descreve a Timóteo a experiência que vivera na prisão romana. Todavia, estas palavras podem referir-se a todas as vicissitudes missionárias do Apóstolo das Gentes, assim como às de São Pedro. É o que confirma, na Liturgia do dia de hoje, o trecho dos Actos dos Apóstolos, que apresenta a prodigiosa libertação de Pedro da prisão de Herodes e de uma provável condenação à morte.

Portanto, a primeira e a segunda Leituras realçam o desígnio providencial de Deus para estes dois Apóstolos. É o próprio Senhor que os orientará para o cumprimento da sua missão, cumprimento este que terá lugar precisamente aqui em Roma, onde estes seus eleitos darão a vida por Ele, fecundando a Igreja com o seu próprio sangue.

2. «E tornaram-se amigos de Deus» (Antífona da entrada). Amigos de Deus! O termo «amigos» é mais eloquente do que nunca, se considerarmos que saiu da boca de Jesus, durante a última Ceia: «Não vos chamo mais servos disse Ele (...) chamo-vos amigos, porque vos comuniquei tudo o que ouvi de meu Pai» (Jo 15, 15).

Pedro e Paulo são «amigos de Deus» de modo singular, porque beberam o cálice do Senhor. Jesus mudou o nome de ambos, no momento em que os chamou para o seu serviço: a Simão, deu o nome de Cefas, ou seja, «rocha», de onde derivou Pedro; a Saulo, deu o nome de Paulo, que significa «pequeno». O Prefácio do dia de hoje põe-nos em linha paralela: «Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo / Paulo, que iluminou as profundidades do mistério / o pescador da Galileia / que constituiu a primeira comunidade com os justos de Israel / o mestre e doutor, que anunciou a salvação a todas as gentes».

3. Bendito o Senhor que liberta os seus amigos» (Salmo responsorial). Se pensamos na vocação e na história pessoal dos Apóstolos Pedro e Paulo, observamos que a sua carga apostólica e missionária foi proporcional à profundidade da sua conversão. Provados pela triste experiência da miséria humana, foram libertados pelo Senhor.

Graças à humilhação da negação e ao choro abundante, que o purificou interiormente, Simão tornou-se Pedro, isto é, a «rocha»: revigorado pela força do Espírito, por três vezes declarou a Jesus o seu amor, recebendo dele o mandato de apascentar o seu rebanho (cf. Jo 21, 15-17).

A experiência de Saulo foi semelhante: o Senhor que ele perseguia (cf. Act 9, 5) «chamou-o com a sua graça» (Gl 1, 15), iluminando-o no caminho de Damasco. Assim, libertou-o dos seus preconceitos, transformando-o radicalmente, e fez dele «um instrumento eleito» para anunciar o seu Nome a todas as gentes» (cf. Act 9, 15). Deste modo, ambos foram «amigos de Deus». [...]

João Paulo II, na Solenidade de S. Pedro e S. Paulo, Roma, 29 de Junho de 2003


Oração Universal


Com São Pedro e São Paulo oremos, irmãos,

a Deus Pai omnipotente, dizendo com Fé:

Escutai, Senhor, a nossa oração.


1. Para que a Igreja

se mantenha fiel a Jesus Cristo,

acolhendo com Amor de Mãe a todos,

sobretudo os que sofrem ou são perseguidos,

oremos, irmãos.


2. Para que os governantes dos povos

sirvam aqueles que os elegeram,

procurando o bem estar de todos,

oremos, irmãos.


3. Para que os não praticantes, agnósticos e ateus

pensem a sério na razão de ser das suas vidas

e se convertam ao Senhor,

oremos, irmãos.


4. Para que os leigos

se comprometam com uma vida exemplar

na santificação da sociedade humana,

oremos, irmãos.


5. Para que os sacerdotes, religiosos, bispos e o Papa,

à semelhança de São Pedro e São Paulo,

anunciem Jesus Salvador em todo o mundo,

oremos, irmãos.


6. Para que os nossos familiares e amigos falecidos

e todos os que partiram à nossa frente ao encontro do Pai

vivam com Ele felizes, intercedendo pela nossa própria salvação,

oremos, irmãos.


Senhor Deus, Pai de Misericórdia,

pela intercessão de São Pedro e São Paulo,

ajudai-nos a amar-Vos sem reservas,

fazendo apostolado junto dos irmãos.

Por N.S.J.C. Vosso Filho que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Trazemos ao teu altar, F. Silva, NRMS 55


Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oração dos santos Apóstolos acompanhe a oferta que trazemos ao vosso altar e nos una intimamente a Vós ao celebrarmos este divino sacrifício. Por Nosso Senhor ...



Prefácio


A dupla missão de São Pedro e São Paulo na Igreja


V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.


V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.


V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.


Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Vós nos concedeis a alegria de celebrar hoje a festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo: Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam, cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:


Santo, Santo, Santo.


Santo: F. dos Santos, NCT 201


Monição da Comunhão


Peçamos a São Pedro e São Paulo nos ajudem a receber dignamente o Senhor. Como eles saibamos escutá-l’O para seguirmos sempre o caminho que nos aponta. Só assim seremos felizes. Só assim tornaremos os outros felizes.


Cântico da Comunhão: Não fostes vós que Me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Mt 16, 16.18

Antífona da comunhão: Disse Pedro a Jesus: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. Jesus respondeu: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com este sacramento, concedei-nos a graça de vivermos de tal modo na vossa Igreja que, assíduos à fracção do pão e ao ensino dos Apóstolos, sejamos um só coração e uma só alma, solidamente enraizados no vosso amor. Por Nosso Senhor ...



Ritos Finais


Monição Final


Há tantas pessoas que passam a vida no mundo a fazer o mal... Procuremos praticar o bem. É esse o apelo a nós dirigido hoje por São Pedro e São Paulo que estão connosco para tornarmos o mundo melhor.


Cântico final: Ide por todo o mundo, M. Faria, NRMS 23



Homilias Feriais


4ª feira, 30-VI: Sacrifício agradável a Deus.

Am 5, 14-15. 21-24 / Mt 8, 28-34

Se me ofereceis holocaustos e oblações eu não quero aceitá-los, e para os vossos sacrifícios de animais gordos nem sequer me digno olhar.

«Para ser autêntico, o sacrifício exterior deve ser expressão do sacrifício espiritual. Os profetas da Antiga Aliança denunciaram muitas vezes os sacrifícios feitos sem participação interior ou sem ligação com o amor do próximo» (CIC, 2100).

Os gadarenos rejeitaram a presença de Jesus no seu território por Ele ter libertado dois possessos em troca de uma vara de porcos (cf. Ev.). Deram mais valor a um bem material do que ao próprio Deus e à felicidade de dois homens. Os nossos sacrifícios devem ser feitos por amor a Deus e ao próximo.


5ª feira, 1-VII: A perda do sentido do pecado.

Am 7, 10-17 / Mt 9, 1-8

Na verdade, o que é mais fácil dizer: os teus pecados são-te perdoados ou dizer: levanta-te e anda?

Aqueles que estavam junto do paralítico preferiam que Jesus curasse a sua enfermidade em vez do perdão dos seus pecados (cf. Ev.). É mais uma prova de que se perde o sentido do pecado.

«Perante a perda generalizada do sentido do pecado e o acentuar-se de uma mentalidade eivada de relativismo e subjectivismo em campo moral, é preciso que cada comunidade eclesial providencie uma séria formação da consciência» (INE, 76). Formaremos melhor a nossa consciência através da confissão frequente, das leituras espirituais, do exame diário de consciência, etc.


6ª feira, 2-VII: Fome da palavra de Deus.

Am 8, 4-6. 9-12 / Mt 9, 9-13

Dias virão em que mandarei a fome à terra: não será fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra do Senhor.

Os homens morrem também de outro tipo de fome: «’O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’ (Mt. 4, 4)... Há uma fome na terra que ‘não é fome de pão nem de sede de água, mas de ouvir a palavra do Senhor’ (Leit. do dia)» (CIC, 2835).

Recomenda o Papa: «Tomemos este livro (o Evangelho) nas nossas mãos! Recebamo-lo do Senhor... comamo-lo, para que se torne vida da nossa vida. Saboreemo-lo profundamente... Ficaremos cheios de esperança e capazes de comunicá-lo a todo o homem e mulher que encontrarmos no nosso caminho» (INE, 84).


Sábado, 3-VII: S. Tomé: Cristo está presente, vive!

Ef 2, 19-22 / Mt 20, 24-29

Disse a Tomé: chega aqui o dedo e vê as minhas mãos, aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo mas crente.

Tomé teve a sorte de encontrar Jesus ressuscitado e poder afirmar que Ele estava vivo (cf. Ev.).

«Também hoje (os europeus) o podem encontrar porque Jesus está presente, vive e actua na sua Igreja: Ele está na Igreja e a Igreja está nele... Com os olhos da fé, somos capazes de ver a presença misteriosa de Jesus nos diversos sinais que nos deixou» (INE, 22). Ele está presente na Sagrada Escritura, na Eucaristia, nas acções litúrgicas da Igreja...(cf. INE, 22). Como Tomé façamos um acto de fé nestas presenças de Cristo: Meu Senhor e meu Deus!.







Celebração e Homilia: Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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