S. João Baptista

Missa do Dia

24 de Junho de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Nós somos o povo de Deus, Frederico de Freitas, NRMS 9-10 (I)

Jo 1, 6-7; Lc 1, 17

Antífona de entrada: Apareceu um homem enviado por Deus, que tinha o nome de João. Ele veio para dar testemunho da luz e preparar o povo para a vinda do Senhor.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


S. João continua a ser motivo de alegria para o mundo inteiro. Significa que a santidade é o verdadeiro caminho da alegria. Que saibamos olhar para o exemplo deste homem e animar-nos a ser santos em nossa vida de cada dia, como Deus quer para cada um de nós.


Oração colecta: Senhor, que enviastes São João Baptista a preparar o vosso povo para a vinda do Messias, concedei à vossa família o dom da alegria espiritual e guiai o coração dos fiéis no caminho da salvação e da paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Isaías anuncia nesta leitura a vinda do Messias. A Igreja aplica estas palavras a João Baptista que participou da missão e dos sofrimentos de Jesus.


Isaías 49, 1-6

1Terras de Além-Mar, escutai-me povos de longe, prestai atenção. O Senhor chamou-me desde o ventre materno, disse o meu nome desde o seio de minha mãe. 2Fez da minha boca uma espada afiada, abrigou-me à sombra da sua mão. Tornou-me semelhante a uma seta aguda, guardou-me na sua aljava. 3E disse-me: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». 4E eu dizia: «Cansei-me inutilmente, em vão e por nada gastei as minhas forças». 5Mas o meu direito está no Senhor e a minha recompensa está no meu Deus. E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe restaurar as tribos de Jacob e reconduzir os sobreviventes de Israel. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. 6Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Farei de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».


Este texto é o II Cântico do Servo de Yahwéh. O sentido profundo desta passagem visa o Messias, Luz das nações (v. 6; cf. Lc 2, 32). No entanto, temos aqui, como tantas vezes na Liturgia, uma adaptação deste texto a outra figura que não é o Messias, mas o seu Precursor, João Baptista. Joga-se, portanto, com o sentido acomodatício, que não é um sentido propriamente bíblico; é um sentido que nós pomos na Sagrada Escritura, tendo em conta uma certa semelhança de fundo ou meramente verbal. Aqui trata-se suma «acomodação real ou por extensão», pois há uma grande semelhança de fundo entre o texto e o que realmente se passou com o Baptista: v. 1b – Chamado antes do nascimento (cf. Lc 1, 13-17); v. 1b – Santificado no ventre materno (cf. Lc 1, 15.41-44); Chamado antes do nascimento (cf. Lc 1, 13-17); 1b – Santificado no ventre materno (cf. Lc 1, 15.41-44); 2 – Pregador intrépido das exigências divinas (cf. Mt 3, 7-10; 14, 4); 5-6 – Reconduz Israel a Deus e restaura o Povo (cf. Lc 1, 16-17; 3, 1-20.


Salmo Responsorial Sl 138 (139), 1-3.13-14ab.14c-15 (R. 14a)


Monição: O Senhor conhece-nos no mais íntimo do nosso ser e ama cada um de nós desde toda a eternidade, ainda antes de termos existido.


Refrão: Eu Vos dou graças, Senhor,

porque maravilhosamente me criastes.


Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:

sabeis quando me sento e quando me levanto.

De longe penetrais o meu pensamento:

Vós me vedes quando caminho e quando descanso,

Vós observais todos os meus passos.


Vós formastes as entranhas do meu corpo

e me criastes no seio de minha mãe.

Eu Vos dou graças por me terdes feito tão maravilhosamente:

admiráveis são as vossas obras.


Vós conhecíeis já a minha alma

e nada do meu ser Vos era oculto,

quando secretamente era formado,

modelado nas profundidades da terra.


Segunda Leitura


Monição: Nesta leitura S. Paulo lembra a preparação da vinda do Messias no Antigo Testamento e a missão especial de S. João Baptista.


Actos dos Apóstolos 13, 22-26

Naqueles dias, Paulo falou deste modo: 22«Deus concedeu aos filhos de Israel David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. 23Da sua descendência, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel. 24João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. 25Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’. 26Irmãos, descendentes de Abraão e todos vós que temeis a Deus: a nós é que foi dirigida esta palavra de salvação».


A leitura é tirada do discurso de São Paulo em Antioquia da Pisídia, por ocasião da primeira grande viagem, o primeiro discurso querigmático do Apóstolo a ser registado nos Actos dos Apóstolos. Corresponde a um modelo primitivo, mas a redacção de Lucas tem presente certamente os seus leitores.

24-25 «João dizia». Breve referência à substância da pregação do Baptista: a preparação do povo para receber bem o Messias que ele anunciava. Mas a santidade de João era tão grande e impressionante que ele precisou de deixar bem claro que «eu não sou aquilo que julgais», pois o tinham como o Messias (cf. Jo 1, 20-30; 3, 25-30).


Aclamação ao Evangelho cf. Lc 1, 76


Monição: Vamos escutar o relato do nascimento de S. João e a escolha do seu nome. Alegremo-nos também nós, neste dia, e louvemos O Senhor.


Aleluia


Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,

irás à frente do Senhor a preparar os seus caminhos.


Cântico: M. Faria, NRMS 87



Evangelho


São Lucas 1, 57-66.80

Naquele tempo, 57chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. 58Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. 59Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60Mas a mãe interveio e disse: «Não, Ele vai chamar-se João». 61Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». 62Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. 63O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. 64Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. 65Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. 66Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?». Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. 80O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel.


A leitura de hoje apresenta-nos o relato do nascimento do Precursor bem como da imposição do nome e circuncisão. Na vigília já se leu o anúncio do nascimento.

63 «O seu nome é João». Com grande surpresa para toda a família, o menino não recebe o nome do pai, ou, como era mais frequente, o do avô paterno, mas o nome anunciado pelo Arcanjo Gabriel: João, que quer dizer «Yahwéh concedeu uma graça». Do versículo anterior deduz-se que Zacarias estava mudo e surdo, pois lhe «perguntaram por sinais» (v. 62).

80 «E foi habitar no deserto». Não é crível que João tenha ido para o deserto ainda menino muito pequeno, como dizem os apócrifos, nem apenas pouco tempo antes da vida pública de Cristo. João, tendo à sua frente uma carreira brilhante, pois era da classe sacerdotal, renuncia a ela, para levar uma vida recolhida e penitente, vida que havia de conferir grande autenticidade e autoridade à sua futura pregação. Não foi para um deserto arenoso, mas para uma zona pobre e árida, provavelmente a Noroeste do Mar Morto. Por ali se fixaram os essénios, concretamente a seita de Qumrã, dirigida pelos sacerdotes sadoquitas dissidentes do sacerdócio oficial de Jerusalém. Até que ponto manteve João contacto com estes essénios é coisa para nós desconhecida, ainda que provável.


Sugestões para a homilia


Soltou-se-lhe a língua bendizendo a Deus

Quem virá a ser este menino ?

O menino ia crescendo


Soltou-se-lhe a língua bendizendo a Deus

A Igreja celebra hoje o nascimento de S. João Baptista. É o único santo, para além de Nossa Senhora, que goza dessa honra. Porque foi santificado no seio materno pela presença de Jesus levado por Maria. Eram dois bebés frente a frente escondidos no seio de suas mães. João tinha seis meses. Jesus, talvez duas semanas. E é o mais pequenino que faz saltar de alegria o maior no seio de Isabel. Também ela ficou cheia do Espírito Santo ao ouvir a saudação da Virgem, que trazia no Seu seio puríssimo o Verbo de Deus.

Quando João nasceu, passados três meses, a Virgem continuava ali ao serviço da prima e assistiu à cena que o Evangelho nos contava. S. Lucas deve tê-la escutado dos lábios de Maria.

O nascimento de João Baptista encheu de alegria os seus pais e de admiração os seus vizinhos. Zacarias terminou a mudez que lhe serviu de castigo e de também de sinal, de sinal que tinha pedido. E exultou com o belo cântico do Benedictus, louvando a Deus e profetizando a missão daquele menino.

O nascimento do Precursor é motivo de alegria para toda a Igreja, até para os não cristãos. É um dos chamados santos populares.

A lição do seu nascimento continua a ser muito actual para o mundo de hoje. Cada menino que nasce deve continuar a ser motivo de júbilo. Para os pais, para as famílias, para as nações. O mundo ocidental precisa de meditar nesta realidade, sob pena de desaparecer. Apesar das suas muitas riquezas materiais. É um mundo de velhos por causa do egoísmo que se fez rei e senhor das famílias.

É urgente que os governos animem os casais a realizar esta missão de comunicar a vida, que Deus deixou bem clara no princípio da Humanidade. Pelo sacramento do matrimónio Jesus não só estende a bênção dada à primeira família, mas garante-lhe graça abundante para enfrentar as dificuldades dos que desejam cumprir fielmente os planos de Deus.

«O matrimónio – diz João Paulo II – deve incluir uma abertura para o dom dos filhos. O sinal característico do casal cristão é a sua generosa abertura a aceitar de Deus os filhos como dom do Seu amor» (Hom.-Limerick-1-IX-79).

Os sacerdotes e bispos não podem tornar-se coniventes com o ambiente egoísta e comodista que se espalhou por tantos lares, sob a capa das dificuldades em ter uma família numerosa. Nunca foi tão fácil criar os filhos, nunca tiveram tantos meios materiais ao seu dispor. Até para seu mal.

Há anos, nos Estados Unidos, Mons. Álvaro del Portillo, agora a caminho dos altares, reunia-se com várias famílias. Um dos presentes levantou-se e disse: –Padre, temos 13 filhos. Ouviu-se uma grande ovação. Levantou-se outro e disse –Padre, temos 17 filhos. Nova ovação: Um terceiro disse: –Padre, estamos casados há um ano e temos um filho, mas vamos entrar na competição.

«Os esposos devem edificar a sua convivência sobre um carinho sincero e limpo e sobre a alegria de ter trazido ao mundo os filhos que Deus lhes tenha dado a possibilidade de ter, sabendo, se for necessário, renunciar a comodidades pessoais e tendo fé na Providência Divina. Formar uma família numerosa, se tal for a vontade de Deus, é uma garantia de felicidade e de eficácia, embora afirmem outra coisa os defensores de um triste hedonismo» (S. JOSEMARÍA ESCRIVÁ, Cristo que passa, 25)

Hoje custa é educar os filhos. Custa dar-lhes tempo. O Estado deve ajudar os pais a resolver este problemas e os esposos hão de aprender a organizar-se para poder estar com os filhos, falar-lhes, ouvi-los, brincar com eles.

Factor importante na educação são os irmãos. Contava há dias um jornal que nalguns países está a preocupar muitos pais verem os filhos únicos a falar com o mano imaginário que não tiveram. E os psiquiatras estão já a sugerir o remédio natural para essa doença :dar mais irmãos ao morgado que têm.

Oxalá que o bom senso acabe por impor-se, já que a lei natural dada por Deus e explicada com clareza pelo Magistério da Igreja tem sido tão esquecida, até por muitos casais cristãos.


Quem virá a ser este menino ?

S. João Baptista nasceu numa família piedosa. Seus pais eram justos –diz o Evangelho. Deus confiou-lhes aquele menino que viria a ser o maior de todos os profetas, o percursor de Jesus, anunciando ao mundo a Sua chegada.

A missão dos pais é não só gerar, mas ajudar os filhos a realizar o plano maravilhoso de Deus para cada um deles. Não são donos dos filhos, como pensavam alguns povos civilizados da antiguidade. São guardas dum tesouro maravilhoso que Deus lhes entregou. E têm a missão sublime de cuidar deles e ajudá-los a crescer como pessoas e como filhos de Deus. Os filhos são de algum um mistério a descobrir cada dia e a respeitar.

Um das tarefas fundamentais é rezar por eles e rezar com eles, muitas vezes pela vida fora. Assim fizeram os pais de S. João Baptista no seu nascimento.

O exemplo e a palavra dos pais são meio importante para a formação cristã e humana dos seus filhos. Mas não basta a palavra, não bastam os conselhos. Acabaria por ser uma hipocrisia, que provocaria a revolta e a rejeição dos filhos.

É precisa a vida coerente com a fé. Ensinar com o exemplo, rezar, ir à missa, respeitar a verdade, viver a amizade com todos, a começar no lar, cuidar o trabalho profissional...

Mesmo assim poderão surgir surpresas desagradáveis. E nessa altura não podem desanimar. Como Santa Mónica é a altura de insistir na oração perseverante, sabendo que Deus acabará por ouvi-los.


O menino ia crescendo

Os pais têm de cuidar da saúde dos filhos, do seu crescimento intelectual. Mas não podem esquecer-se que têm de ajudar os seus filhos a crescer também na graça de Deus. E que isso é o mais importante. Também no mundo actual, tantas vezes dominado pelo materialismo.

Para isso têm de procurar para eles uma sólida formação cristã, que começa com a catequese familiar já no colo da mãe. Que continua com a vida de oração, também em família todos os dias. Que tem uma ajuda fundamental nos sacramentos, sobretudo na Confissão e na Eucaristia. S. João Bosco, modelo dos educadores, no séc. XIX , dizia que o segredo para transformar os jovens das ruas de Turim eram a devoção a Nossa Senhora e a confissão frequente. Em Turim conserva-se com carinho o lugar e confessionário onde atendia os rapazes do Oratório.

João Paulo II lembrava com entusiasmo as multidões de jovens a confessar-se no jubileu do ano 2000. E continua a animar padres e fiéis a redescobrir o sacramento da Reconciliação. Que é o sacramento da alegria e do começar de novo uma e outra vez.

Que a Virgem ensine todas as mães, todos os pais a procurar que os seus filhos cresçam na graça de Deus. Que não se contentem em ansiar para eles um bom emprego ou um bom casamento. Que saibam, como Ela, guardar os acontecimentos de cada um dos seus filhos e meditá-los em seus corações.


Fala o Santo Padre


«Desde o seio materno João prenuncia Aquele que revelará ao mundo a iniciativa de amor de Deus».


1. «O Senhor chamou-me, quando eu ainda estava no seio da minha mãe» (Is 49, 1).

Celebramos hoje o nascimento de São João Baptista. As palavras do profeta Isaías aplicam-se bem a esta grande figura bíblica que se situa entre o Antigo e o Novo Testamento. Na longa esteira dos profetas e dos justos de Israel João, o «Baptista», foi colocado pela Providência imediatamente antes do Messias, para lhe aplanar o caminho com a pregação e o testemunho da vida.

Entre todos os Santos e Santas, João é o único do qual a Liturgia celebra o nascimento. Ouvimos na primeira Leitura que o Senhor chamou o seu Servo «que estava no seio materno». Esta afirmação refere-se na sua plenitude a Cristo mas, quase por reflexo, pode-se aplicar também ao Precursor. Ambos vem à luz graças a uma intervenção especial de Deus:  o primeiro nasce da Virgem, o segundo de uma mulher idosa e estéril. Desde o seio materno João prenuncia Aquele que revelará ao mundo a iniciativa de amor de Deus.

2. «Chamaste-me quando eu ainda estava no seio da minha mãe» (Salmo resp.). Hoje, podemos fazer nossa esta exclamação do Salmista. Deus conheceu-nos e amou-nos ainda antes que os nossos olhos pudessem contemplar as maravilhas da criação. Mas ainda antes, ele possui um nome divino: o nome com que Deus Pai o conhece e o ama desde sempre e para sempre. É assim para todos, sem excluir ninguém. Nenhum homem é anónimo para Deus!

Aos seus olhos, todos tem o mesmo valor: todos diferentes, mas todos iguais, todos chamados a serem filhos no Filho.

«O seu nome é João» (Lc 1, 63). Zacarias confirma aos parentes admirados o nome do filho, escrevendo-o numa tábua. O próprio Deus, através do seu anjo, indicara aquele nome, que em hebraico significa «Deus é favorável». Deus é favorável ao homem: quer a sua vida, a sua salvação. Deus é favorável ao seu povo: quer fazer dele uma bênção para todas as nações da terra. Deus é favorável à humanidade: guia o seu caminho rumo à terra onde reinam paz e justiça. Tudo isto está inscrito naquele nome: João![...]

5. Olhemos neste dia para João Baptista, modelo perene de fidelidade a Deus e à sua Lei. Ele preparou para Cristo o caminho com o testemunho da palavra e da vida. Imita-o com generosidade dócil e confiante.

São João Baptista é, antes de mais nada, modelo de fé. Na esteira do grande profeta Elias, para ouvir melhor a Palavra do único Senhor da sua vida, ele deixa tudo e retira-se para o deserto, de onde fará ressoar o convite a aplanar os caminhos do Senhor (cf. Mt 3, 3 ss.).

É modelo de humildade, porque responde a todos os que vêem nele não só um Profeta, mas até o Messias: «Eu não sou Quem julgais; mas vem, depois de mim, Alguém cujas sandálias não sou digno de desatar» (Act 13, 25).

É modelo de coerência e de coragem quando defende a verdade, pela qual está disposto a pagar pessoalmente, com a prisão e a morte.[...]

6. Na escola de Cristo, seguindo os passos de São João Baptista, dos Santos e dos Mártires desta Terra, tende também vós, caríssimos Irmãos e Irmãs, a coragem de pôr sempre em primeiro lugar os valores espirituais. [...]

João Paulo II, Solenidade de S. João Baptista, Kiev, 24 de Junho de 2001


Oração Universal


Jesus, Celebrante principal desta missa,

é o nosso grande intercessor junto do Pai.

Unidos a Ele com todos os santos, com S. João Baptista,

apresentemos agora os nossos pedidos:


1. Pela Santa Igreja,

para que anime todos os seus filhos

a lutarem pela santidade,

oremos ao Senhor.


2. Pelo Santo Padre,

para que sejam ouvidos os seus apelos

a favor da vida e da família,

oremos ao Senhor.


3. Pelos bispos e sacerdotes,

para que imitando a valentia de S. João Baptista,

saibam animar as famílias a aceitar generosamente os filhos

e educá-los no amor de Deus,

oremos ao Senhor.


4. Por todos os cristãos,

para que lutem mais a sério pela santidade,

empregando com diligência os meios tão abundantes ao seu dispor,

oremos ao Senhor.


5. Para que todos nos entusiasmemos a imitar os santos,

ao celebrar as suas festas,

oremos ao Senhor.


6. Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor,

oremos ao Senhor.


7. Por todos os que se encontram no Purgatório,

para que o Senhor os purifique

e lhes conceda a felicidade do Céu,

oremos ao Senhor.


Senhor, que nos chamastes à vida nova em Cristo, aumentai em nós a fé e o amor,

para que levemos uma vida de santidade e cheguemos todos

à glória do Céu, onde já se encontram os santos, nossos irmãos.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Não fostes vós que me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59


Oração sobre as oblatas: Trazemos ao altar, Senhor, os nossos dons para celebrarmos condignamente o nascimento de São João Baptista, que anunciou a vinda do Salvador do mundo e O mostrou já presente no meio dos homens. Por Nosso Senhor ...


Prefácio


A missão do Precursor


V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.


V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.


V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.



Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Ao celebrarmos hoje a glória do Precursor, São João Baptista, proclamado o maior entre os filhos dos homens, anunciamos as vossas maravilhas: antes de nascer, ele exultou de alegria, sentindo a presença do Salvador; quando veio ao mundo, muitos se alegraram pelo seu nascimento; foi ele, entre todos os Profetas, que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo; nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes; por fim deu o mais belo testemunho de Cristo, derramando por Ele o seu sangue.

Por isso, com os Anjos e os Santos no Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:


Santo, Santo, Santo.


Santo: F. da Silva, NRMS 36


Monição da Comunhão


João Baptista anunciou a chegada do Messias e apresentou-O ao Povo de Israel. É com as suas palavras que o sacerdote continua a apresentá-Lo na comunhão.


Cântico da Comunhão: O Cordeiro de Deus é o nosso pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Lc 1, 78

Antífona da comunhão: Graças ao coração misericordioso do nosso Deus, das alturas nos visitou o sol nascente.


Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes à mesa do Cordeiro celeste, concedei à vossa Igreja, que se alegra com o nascimento de São João Baptista, a graça de reconhecer o autor do seu renascimento espiritual n'Aquele cuja vinda ao mundo foi anunciada pelo Precursor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


Louvemos a Deus pelos Seus santos e em especial por João Baptista e imitemos a sua vida, que é pregação bem actual para o mundo de hoje.


Cântico final: Exulta de alegria, M. Carneiro, NRMS 21



Homilias Feriais


6ª feira, 25-VI: Reconstruir a vida.

2 Reis 25, 1-12 / Mt 8, 1-4

Veio então prostrar-se diante d‘Ele um leproso, que lhe disse: Senhor, se quiseres podes curar-me.

As muralhas da cidade de Jerusalém foram arrasadas, a população foi deportada para a Babilónia (cf. Leit.). Era necessário reconstruir a cidade e libertar os exilados. O mesmo aconteceu com o leproso, que precisava de uma vida nova.

Para reconstruir a vida é necessário reconhecer-se como pecador: «quem se reconhece como pecador e se entrega à misericórdia do Pai celeste, experimenta a alegria duma verdadeira libertação e pode prosseguir ao longo do caminho da vida sem se fechar na própria miséria. Deste modo recebe a graça de um novo início e reencontra motivo para esperar» (INE, 76).


Sábado, 26-VI: Quem poderá curar-nos?

Lam 2, 2. 10-14 / Mt 8, 5-17

A tua ruína é imensa como o mar: quem poderá curar-te? Os teus profetas anunciam visões falsas e mentirosas... Clama de todo o coração ao Senhor.

O mesmo se poderia dizer da situação de tantos países da Europa e de tantas pessoas individualmente. Aparecem igualmente muitos falsos profetas. Mas há «a certeza de que a Igreja tem para oferecer o bem mais precioso, que ninguém mais lhe pode dar: a fé em Jesus Cristo, fonte de esperança que não desilude» (INE, 18).

Jesus louva a fé do centurião (cf. Ev.), que não o desiludiu. Cristo continua a ser a fonte única de esperança para Europa e para o mundo inteiro. Recorramos a Ele com uma oração humilde e cheia de fé.







Celebração e Homilia: Celestino Correia R. Ferreira

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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