Imaculado Coração de Maria

19 de Junho de 2004


Memória


O Evangelho desta memória é próprio.


RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Ditosa Virgem cheia de graça, J. Santos, NRMS 75

cf. Salmo 12, 6

Antífona de entrada: O meu coração exulta em Deus meu Salvador. Cantarei ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim.


Introdução ao espírito da Celebração


A devoção ao Imaculado Coração de Maria teve grande desenvolvimento no século passado, graças às aparições de Fátima. Ela encontra as suas raízes nas citações evangélicas e de modo especial no momento da anunciação em que Maria escuta a saudação do Anjo: Avé, cheia de graça… Nesta memória de Nossa Senhora – O Imaculado Coração de Maria - está presente a nossa vocação cristã no desejo de que o coração de cada um se afeiçoe cada vez mais ao Coração de Maria.


Oração colecta: Senhor nosso Deus, que preparastes no coração da Virgem Santa Maria uma digna morada do Espírito Santo, transformai-nos, por sua intercessão, em templos da vossa glória. Por Nosso Senhor ...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Mensagem de alegria por uma descendência que será glorificada. A descendência preparada pelo céu encontra concretização na vida de Nossa Senhora «linhagem abençoada»


Isaías 61, 9-11

9A linhagem do povo de Deus será conhecida entre os povos e a sua descendência no meio das nações. Quantos os virem terão de os reconhecer como linhagem que o Senhor abençoou. 10Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. 11Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante das nações.


O Terceiro Isaías (Is 56 – 66) não se cansa de cantar as glórias de Jerusalém, em especial nos capítulos 60 a 64, donde é extraído o trecho da leitura. Jerusalém é uma figura da Igreja e a Liturgia, como acontece frequentemente aplica a Virgem Maria o que se diz da Igreja de quem ela é Mãe, modelo e tipo (cf. LG 53).

10 «A minha alma rejubila… com as vestes da salvação». O capítulo 61 de Isaías canta as alegrias do regresso do exílio, mas com um profundo sentido messiânico, como consta do discurso de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-22). É por isso que os Padres gostavam de identificar estas «vestes da salvação» com o manto de Sol da Mulher do Apocalipse (cf. Apoc 12, 1): Cristo é o Sol da Justiça que purifica de toda a mancha a sua Mãe desde o primeiro instante da sua concepção (cf. o artigo de Karol Wojtyla na obra colectiva: «Im Gewande des Heils», Essen, 1979).


Salmo Responsorial 1 Sam 2, 1.4-5.6-7.8abcd (R. 1a)


Monição: Toda a Eucaristia é uma acção de graças. Esta dimensão nunca está ausente na oração da Igreja.


Refrão: O meu coração exulta no Senhor, meu Salvador.


Exulta o meu coração no Senhor,

no meu Deus se eleva a minha fronte.

Abre-se a minha boca contra os inimigos,

porque me alegro com a vossa salvação.


A arma dos fortes foi destruída

e os fracos foram revestidos de força.

Os que viviam na abundância andam em busca de pão

e os que tinham fome foram saciados.

A mulher estéril deu à luz muitos filhos

e a mãe fecunda deixou de conceber.


É o Senhor quem dá a morte e dá a vida,

faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.

É o Senhor quem despoja e enriquece,

é o Senhor quem humilha e exalta.


Levanta do chão os que vivem prostrados,

retira da miséria os indigentes

fá-los sentar entre os príncipes

e destina-lhes um lugar de honra.


Aclamação ao Evangelho cf. Lc 2, 19


Monição: Maria manifesta a preocupação maternal da Mulher bendita, fonte de júbilo para toda a humanidade apelo bondoso da Mãe de Jesus, coração puro e virginal.


Aleluia


Bendita seja a Virgem Santa Maria,

que conservava a palavra de Deus, meditando-a em seu coração.


Cântico: M. Faria, NRMS 87



Evangelho


São Lucas 2, 41-51

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. 51Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todas estes acontecimentos em seu coração.


Segundo a Mixnáh (Niddáh, V, 6), depois dos 13 anos, o rapaz israelita começava a ser «bar-hamitswáh», «filho-da-lei», isto é, passava ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém, mas os pais piedosos costumavam antecipar um ano ou dois o cumprimento deste dever. Os judeus tinham por hábito deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, podendo as crianças fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? O que não faz sentido é buscar a explicação do sucedido numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição; é por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém» (Lc 9, 51 – 19, 27), onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas em todos os passos da sua vida actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» não aparece como um simples menino, é apresentado como um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou, em Jerusalém, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento próprio e dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus. Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de tá toû Patrós mou pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso, me deveria encontrar aqui no Templo)?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolvia um sentido muito profundo que ultrapassava uma simples justificação da sua «independência». Não alcançam ver até onde iria este «estar nas coisas do Pai», mas também não se atrevem a fazer mais perguntas, dada a sua extrema delicadeza e reverência, que uma profunda fé lhes ditava. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus; é mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).


Sugestões para a homilia


Um Coração em comunhão com Deus

Um Coração voltado para a humanidade


Um Coração em comunhão com Deus

O Coração de Maria, um coração singular, imaculado na Imaculada Conceição, pronto a seguir a própria vocação, todo entregue a Deus, na resposta da Anunciação, um coração que escuta e faz silêncio para poder conhecer melhor a vontade de Deus. Em Fátima a celestial aparição pede «reparação das injúrias cometidas contra o Imaculado Coração de Maria». No Evangelho que acabamos de ouvir manifesta a preocupação na procura de Jesus que tinha ficado no templo: Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura.

É a partir do Evangelho que podemos ver no Coração de Maria o modelo de vida em união com Deus, a capacidade de escuta para acolher a mensagem do céu, o alerta à juventude para orientar a vida na busca do encontro pessoal com Jesus. Quando o Anjo A saudou dirigia-se a um coração jovem entregue à oração, no encontro filial com Deus, preparado para a escuta, preocupado pela salvação da humanidade, pronto a servir, fiel às leis da autoridade, encantado com o mistério que viria a revelar-se em Belém. É também um coração que sofre na fuga apressada para o Egipto, na vida do exílio e nas dúvidas do regresso. Coração perseverante, disposto a vencer todos os obstáculos. Coração aberto ao mundo no início da vida pública do Filho Jesus. Coração amargurado na Paixão, glorioso na Ressurreição.

Coração maternal que acompanha os Apóstolos na vinda do Espírito Santo e está presente na vida nascente da Igreja.

Tudo isto foi Maria porque acolhe Jesus na fé quando acolhe o Verbo Encarnado no seu seio virginal. Templo e morada do Espírito Santo, é também sacrário do Filho de Deus feito homem.


Coração doado à humanidade

Só porque foi tão unido a Deus se podia fazer tão dedicado à humanidade.

Para nós, presentes nesta assembleia eucarística, é um forte modelo de fé. É estímulo de apostolado e caminho de salvação. Aproxima as almas, purifica o ambiente, é motivo permanente de evangelização, suscita a oração dos fiéis. O Coração de Maria é esperança da Igreja, fomenta as vocações ao sacerdócio e vida consagrada, estreita a unidade das famílias, é presença salutar em momentos de angústia e sofrimento.

O Coração de Cristo é fonte de santidade, o Coração de Maria conduz a Cristo para que n’Ele todos sejam santos. Maria deu Cristo ao mundo. Ela continua a conduzir o mundo a Cristo pela devoção ao seu Imaculado Coração.

No Coração de Cristo, abismo de todas as virtudes, está o Coração de Maria a interceder para os homens um coração puro, terno, justo, piedoso, magnânimo, caritativo. O Coração humano encerra o que de mais real e profundo existe em cada pessoa. Seja o Coração de Maria a modelar o coração dos homens para que sejam santos, pacíficos, em busca da humanidade renovada e feliz. A felicidade que o homem procura está neste tesouro de amor. Aqui se encontra a fonte das graças que em vão os poderosos do mundo procuram sem Deus, sem Maria.

O Papa num dos últimos documentos refere o Apocalipse: «um grande sinal no céu, a mulher revestida de sol», símbolo da Igreja, e acrescenta. «Maria, de facto presente na Igreja como Mãe do Redentor, participa maternalmente naquele duro combate contra o poder das trevas…». «Por isso toda a Igreja tem os olhos postos em Maria» – (A Igreja na Europa n. 123. 124)

Maria Rainha da paz, aurora de um mundo novo…


Oração Universal


Ao celebrarmos a memória do Imaculado Coração de Maria

imploremos do Senhor as suas bênçãos para o mundo e para a Igreja, dizendo:

interceda por nós Maria, Mãe de Jesus.


1. Pelo Santo Padre

que nos dá exemplo de devoção a Nossa Senhora

para que o estilo mariano de falar e dirigir a Igreja lhe alcance

as bênçãos no desempenho da sua missão,

oremos, irmãos.


2. Pelos bispos e presbíteros da Igreja inteira

para que sintam sempre junto de si

a protecção maternal de Maria,

oremos, irmãos.


3. Pelos fiéis leigos empenhados

na acção pastoral e missionária da Igreja

para que acolham na sua vida a bênção maternal de Nossa Senhora,

oremos, irmãos.


4. Pelas famílias

para que se deixem guiar pelo exemplo,

conselho e protecção da Mãe de Deus

no desempenho da sua missão familiar,

oremos, irmãos.


5. Pelos discípulos de Jesus em toda a terra

para que testemunhem pela vida a devoção

ao Coração da Virgem Maria,

oremos irmãos.


6. Pelos que sofrem, pelos pobres e pelos que têm fome,

para que a devoção à Virgem desperte a consciência dos favorecidos

em favor dos carenciados,

oremos, irmãos.


7. Pelos membros desta assembleia

para que nos sintamos mais confiantes pelo exemplo de Maria

que se manifesta na ternura do seu Coração Imaculado,

oremos, irmãos.


Senhor Jesus que escolhestes o seio de Maria para sacrário da Tua vinda ao mundo

concede-nos as graças que vos pedimos em união com o Pai e o Espírito Santo.

Pelo mesmo Cristo Nosso senhor.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34


Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, as orações dos vossos fiéis e aceitai os dons que Vos oferecemos, ao celebrar a memória da Virgem Mãe de Deus, para que esta oblação Vos seja agradável e nos obtenha o auxílio da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...


Prefácio de Nossa Senhora I [e na veneração] p. 486 [644-756] ou II p. 487


Santo: Az. Oliveira, NRMS 8 (II)


Monição da Comunhão


O sacramento da Eucaristia realça o Coração glorioso de Cristo e recorda o Coração maternal de Nossa Senhora.


Cântico da Comunhão: Exulta de alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21

Lc 2, 19

Antífona da comunhão: Maria guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração.


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos fizestes participar no sacramento da redenção eterna, concedei que, ao celebrarmos a memória da Mãe do vosso Filho, nos alegremos com a plenitude da vossa graça e sintamos crescer continuamente em nós os frutos de salvação. Por Nosso Senhor ...



Ritos Finais


Monição final


A mensagem de Fátima veio chamar a atenção para a importância da Mãe de Jesus na vida da Igreja e da protecção que nos é concedida pela devoção ao Imaculado Coração de Maria.


Cântico final: Coração Imaculado da Virgem, M. Faria, NRMS 33-34








Celebração e Homilia: José Valentim Pereira Vilar

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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