aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

ÍNDIA

 

PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA

DE GOA E DAMÃO

 

Em Novembro passado, Bento XVI criou a Província Eclesiástica de Goa e Damão, território que até agora dependia directamente da Santa Sé.

 

A nova circunscrição incluirá, além da arquidiocese de Goa e Damão, a diocese sufragânea de Sindhudurg. Como primeiro arcebispo metropolita, mantém-se D. Filipe Neri do Rosário Ferrão, até agora arcebispo de Goa e Damão, e Patriarca honorário das Índias Orientais.

A província eclesiástica de Goa e Damão contará com uma superfície de 25 mil Km², com 7 milhões e 92 mil habitantes – dos quais 645.194 católicos. As paróquias são 182, servidas por 398 padres diocesanos, 246 religiosos e 959 religiosas. Inclui o Estado de Goa, com os territórios de Damão, Diu, Dadra e Nagar Haveli, e os distritos de Tatnagiri e Sindhburg, no Estado de Maharastra. A N. confina com a arquidiocese de Bombaim, a E. com Poona, Belgaum e Karwar, a S. com Karwar, e a Ocidente com o Oceano Índico.

 

 

ANGOLA

 

NOMEADO BISPO COADJUTOR

DE LUBANGO

 

O Santo Padre nomeou o sucessor de D. Zacarias Kamwenho, ex-presidente da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé e Prémio Sakharov 2002, na pessoa de D. Gabriel Mbilingi, actualmente bispo de Lwena.

 

D. Gabriel Mbilingui nasceu em 1958 na localidade de Bândua, no Andulo, Diocese de Kwito-Bié. Frequentou e concluiu os estudos secundários no Seminário Menor dos Padres Espiritanos, e os estudos de Filosofia e de Teologia no Seminário Maior, no Huambo.

Foi ordenado Padre em 1984. Desempenhou os cargos de Vigário paroquial e de Reitor do Seminário Maior do Espírito Santo, no Huambo. De 1995 a 1998, foi Superior Provincial da Congregação do Espírito Santo. Logo depois foi nomeado Conselheiro do Superior Geral da sua Congregação em Roma.

Nomeado Bispo Coadjutor do Lwena em 1999 por João Paulo II, passou a ser pouco depois Bispo Residencial. Desde 2003 é Vice-Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé.

De salientar que o Bispo Coadjutor é sucessor do Bispo Diocesano para cuja Sede foi nomeado. No caso presente, D. Gabriel Mbilingui sucederá a D. Zacarias Kamwenho como Arcebispo de Lubango, depois de um determinado tempo a fixar-se entre ambos e com a anuência da Santa Sé.

 

 

IRAQUE

 

VATICANO CONDENA EXECUÇÃO

DE SADDAM HUSSEIN

 

L'Osservatore Romano afirmou que a execução do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein foi uma violação dos direitos humanos.

 

«No panorama dos tristes episódios aos quais a recente história do Iraque infelizmente acostumou a opinião pública mundial, a execução de Saddam Hussein representa, pelo modo como aconteceu e pela repercussão mediática que lhe foi atribuída, mais um exemplo de violação dos mais elementares direitos humanos».

Segundo o jornal do Vaticano, mais do que gestos de prepotência, são necessárias «decisões corajosas que saibam marcar um ponto de descontinuidade em relação ao passado, também o relacionado com a ditadura de Saddam, e que possam promover a reconciliação e a paz».

Após a execução de Saddam Hussein por enforcamento, na madrugada de 30 de Dezembro passado, o Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, fizera a seguinte declaração:

«Uma execução capital é sempre uma notícia trágica, motivo de tristeza, também quando se trata de uma pessoa que se tornou culpável de graves delitos.»

«A posição da Igreja católica – contrária à pena de morte – foi reafirmada várias vezes.»

«A morte do culpável não é o caminho para restabelecer a justiça e reconciliar a sociedade. Mais, existe o risco de que, pelo contrário, se alimente o espírito de vingança e se semeie nova violência.»

«Neste tempo obscuro da vida do povo iraquiano somente cabe desejar que todos os responsáveis se esforcem realmente para que numa situação dramática nasçam por fim esperanças de reconciliação e de paz».

Infelizmente, umas semanas mais tarde, dois colaboradores do ex-presidente, Barzan al Tikriti e Awad al Bander, foram também executados em Bagdad, apesar dos pedidos internacionais de reconsideração. L’Osservatore Romano reafirma que a pena de morte é um instrumento cruel para aplicar como critério de justiça.

 

 

ITÁLIA

 

A DIVINA COMÉDIA DE DANTE

APRESENTADA EM ÓPERA

 

O Maestro Marco Frisina, compositor de música para muitos eventos do Vaticano, é o autor da ópera A Divina Comédia, inspirada no livro de Dante Alighieri, que estreará em Roma no mês de Novembro deste ano.

 

O Vaticano, através do Conselho Pontifício para a Cultura, o Parlamento italiano e as autoridades de Roma são os principais patrocinadores da ópera.

A iniciativa quer aproximar o poema do grande público com uma linguagem nova e sugestiva, acentuando a capacidade de Dante em falar aos homens de hoje sobre o sentido da vida.

O Pe. Frisina, Director da Capela Musical Lateranense e do Secretariado da Liturgia do Vicariato de Roma, compôs as bandas sonoras de muitas séries televisivas de temas históricos e religiosos e foi o principal responsável pela música dos maiores eventos do Grande Jubileu 2000.

A iniciativa de encenar uma ópera com base numa obra literária que tem sido citada em várias homilias e mensagens de Bento XVI pretende abordá-la com uma linguagem nova que combina ópera com dança, fotografia e artes visuais. Frisina escolheu um género musical para cada um dos cantos em que se divide a representação, à semelhança do livro.

O Paraíso tem música lírica e sinfónica, o Purgatório música gregoriana e o Inferno rock. «Pus o rock no Inferno porque é o inimigo», assinalou o compositor, acrescentando que, «como considera Bento XVI, o rock e o heavy metal, apesar de não serem o mal, expressam o mal».

A Divina Comédia foi escrita entre 1307 e 1321 e é considerada uma das mais importantes obras da literatura mundial.

 

 

ÍNDIA

 

AUMENTAM OS SINAIS

DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

 

Novas leis anti-conversão dificultam a vida aos cristãos e reforçam o poder do fundamentalismo hinduísta que atropela constantemente os direitos das minorias étnicas e religiosas, lhes nega os direitos constitucionais e ameaça a sua existência.

 

As autoridades do Estado indiano de Himachal Pradesh (Norte do país), aprovaram em finais de 2006 uma lei anti-conversão, a qual proíbe as mudanças de fé efectuadas recorrendo a «meios fraudulentos de qualquer tipo, à lisonja, a formas de aliciamento ou à força». A legislação permite que a pessoa possa recuar na sua conversão no prazo de 30 dias.

Por não especificar mais do que estas três categorias, a lei deixa espaço a interpretações arbitrárias. Noutros Estados em que já existem estas leis, as sanções previstas não são leves: quem desrespeitar as normas pode ser condenado a três anos de prisão e a pagar uma multa de 50 mil rupias (cerca de 1000 Euros). A pena pecuniária duplica e os anos de prisão sobem para cinco se o convertido for um menor, uma mulher ou um dalit.

A situação torna-se mais preocupante porque se trata do primeiro caso em que a lei anti-conversão é promovida pelo partido do Congresso, agora no poder, depois de afastado o partido dos fundamentalistas hindus.

A Igreja Católica na Índia já tinha tido oportunidade de manifestar a sua preocupação, lamentando que um Estado não confessional aprove leis anti-conversão.

 

 

ITÁLIA

 

CHIARA LUBICH

VOLTA PARA CASA

 

Chiara Lubich saiu da Policlínica Agostino Gemelli no passado dia 3 de Janeiro. Regressou à sua casa em Rocca di Papa (Roma), onde está situado o Centro internacional do Movimento dos Focolares.

 

Chiara Lubich tinha sido internada nos Cuidados Intensivos no passado dia 2 de Novembro devido a uma insuficiência respiratória causada por uma infecção pulmonar. O prof. Salvatore Valente, médico de Pneumologia, que seguiu a situação de Chiara na enfermaria para onde tinha sido transferida, afirmou: «Obtivemos uma resolução completa da pulmonite. A situação respiratória é muito satisfatória. Regista-se uma normalidade em todos os parâmetros clínicos».

É grande a gratidão de Chiara Lubich e de todo o Movimento pelos tratamentos prestados com a máxima competência, profissionalismo e grande humanismo de todos os médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos de saúde que permitiram uma recuperação surpreendente.

Ao anunciar com uma carta aos membros do Movimento do qual é fundadora e presidente, o seu iminente regresso a casa, Chiara Lubich agradeceu também pelas orações.

De facto, durante estes dois meses, foram incessantes as expressões de solidariedade e as orações pelo seu restabelecimento. Chegaram mensagens do Papa Bento XVI, do Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, que a tinha ido visitar ao hospital, de cardeais e bispos, de fundadores e responsáveis de Movimentos e Comunidades eclesiais, de personalidades de várias Igrejas e do mundo civil e de amigos hebreus, muçulmanos, budistas, hindus, além dos membros aderentes ao Movimento.

 

 

POLÓNIA

 

TRISTEZA E DOR PELO CASO DO

NOVO ARCEBISPO DE VARSÓVIA

 

O Santo Padre aceitou a renúncia de Mons. Stanislaw Wielgus, no domingo 7 de Janeiro passado em que estava previsto inaugurar o seu ministério pastoral como arcebispo de Varsóvia, depois de ele ter reconhecido no dia anterior que colaborara na sua juventude com os serviços secretos do antigo regime comunista; e nomeou o Cardeal Józef Glemp administrador apostólico da arquidiocese de que era emérito.

 

Sobre esta delicada questão, o Director da Sala de Imprensa do Vaticano Pe. Federico Lombardi fez a seguinte declaração:

«O comportamento de Mons. Wielgus, nos tempos passados do regime comunista, na Polónia, comprometeu gravemente a sua credibilidade, mesmo junto dos fiéis católicos. Assim, não obstante o seu humilde e tocante pedido de perdão, a renúncia à sede de Varsóvia e a sua imediata aceitação da parte do Santo Padre apareceu como a solução apropriada perante a situação de desorientamento que se tinha criado no país.»

«É um momento de grande sofrimento para uma Igreja a que todos devemos muitíssimo e que amamos, que nos deu pastores da grandeza do cardeal Wyszynski e sobretudo do Papa João Paulo II. A Igreja universal deve sentir-se espiritualmente solidária com a Igreja que está na Polónia, acompanhando-a com a oração e encorajando-a para que possa reencontrar a serenidade sem mais tardar.»

«Por outro lado, há que observar que o caso de Mons. Wielgus não é o primeiro e provavelmente não será o último caso de ataque a personalidades da Igreja, a partir da documentação dos Serviços secretos do antigo regime. Trata-se de um material imenso. Na busca de uma sua justa avaliação, que permita chegar a conclusões plausíveis, é preciso não esquecer que foi produzido por funcionários de um regime opressivo que recorria sistematicamente à chantagem sobre os cidadãos.»

«A tantos anos de distância do final do regime comunista, quando acabou por faltar a elevada e inatacável figura do Papa João Paulo II, a actual vaga de ataques à Igreja Católica na Polónia, mais do que com uma sincera busca de transparência e de verdade, configura-se muito mais como uma estranha aliança entre os perseguidores de outrora e outros seus adversários e de uma vingança da parte de quem, no passado, a tinha perseguida e que se viu derrotado pela fé e pela vontade de liberdade do povo polaco.»

«A verdade vos tornará livres, diz Cristo. A Igreja não tem medo da verdade e, para serem fiéis ao seu Senhor, os seus membros devem saber reconhecer as suas próprias culpas. Fazemos votos de que a Igreja na Polónia saiba viver e superar com coragem e lucidez este difícil período, para poder continuar a dar o seu precioso e extraordinário contributo de fé e de entusiasmo evangélico à Igreja europeia e universal».

 

Arrependimento de Mons. Wielgus

 

Em Dezembro passado, quando alguns meios de comunicação social da Polónia começaram a lançar acusações contra o recém-nomeado arcebispo de Varsóvia, antes bispo de Polk, Mons. Wielgus negou claramente qualquer colaboração anterior com os antigos serviços secretos comunistas. Nessa altura, a Conferência Episcopal Polaca e a Santa Sé reafirmaram a confiança do Santo Padre no eleito.

No entanto, perante as provas dos documentos conservados pelo Instituto de Memória Nacional, que demonstravam uma colaboração livre e consciente durante mais de 20 anos, Mons. Wielgus admitiu a sua culpa passada e pediu perdão aos fiéis por ter mentido:

«Levado pelo desejo de fazer estudos importantes para a minha especialização científica, deixei-me envolver nesses contactos sem a prudência necessária e sem a valentia e a decisão de os romper. Confesso este erro.»

«Não sei se os documentos que me apresentou a Comissão histórica são os únicos ou se aparecerão outros, mas hoje confirmo com plena convicção que não denunciei ninguém e que procurei não causar dano a ninguém.»

«Actuei mal novamente quando, nos últimos dias, diante da febril campanha mediática, neguei os factos festa colaboração. Isto pôs em perigo a credibilidade das afirmações das pessoas da Igreja, entre os quais se encontram aqueles bispos que se solidarizaram comigo.»

«Sei que para muitos de vós este distanciamento da verdade é um facto tão doloroso como o envolvimento de tantos anos atrás».

Na sequência deste triste caso, a Conferência Episcopal Polaca a que preside Mons. Jozef Michalik, na reunião extraordinária de 12 de Janeiro passado, decidiu que todos os bispos se submetessem a um exame sobre o seu passado durante o regime comunista. Lembra, porém, que toda a documentação secreta conservada pelo Instituto de Memória Nacional exige um discernimento sério, pelo que em todas as dioceses serão criadas comissões locais de investigação e uma Comissão Histórica Eclesiástica Nacional. O resultado dos exames será enviado para a Santa Sé.

Os Bispos polacos também convocaram «uma jornada de oração e de arrependimento de todo o clero». Este dia de mea culpa da Igreja Católica na Polónia será a Quarta-Feira de Cinzas, 21 de Fevereiro próximo. Naquela ocasião, «em todas as igrejas das nossas dioceses se deverá rezar invocando do nosso Deus misericordioso o perdão pelos erros e pelas fraquezas no anúncio do Evangelho».

Embora se fale de muitos eclesiásticos que colaboraram com o antigo regime comunista, provavelmente devido a chantagens, a imensa maioria manteve-se fiel sofrendo na sua vida as consequências, como o mártir Pe. Jerzy Popieluszko.

 

 

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

 

NOVO BISPO

 

A ordenação episcopal de D. Manuel António Mendes dos Santos, novo Bispo de São Tomé e Príncipe, vai ter lugar no próximo dia 17 de Fevereiro de 2007, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

 

D. Manuel António Mendes dos Santos nasceu em 1960, no concelho de Castro Daire, da diocese de Lamego.

Em 1978 deixou o Seminário Diocesano que frequentava, para ingressar na Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Missionários Claretianos). Realizou os seus estudos teológicos no Instituto Superior de Teologia do Porto e na Universidade Católica de Lisboa.

Ordenado sacerdote em 1985, na sua terra natal, trabalhou no Seminário dos Carvalhos. Em 1993, é destinado a São Tomé e Príncipe, onde chega no princípio de Janeiro de 1994, depois de um mês passado em Luanda. Em 1995 vem a Portugal participar no Capítulo Provincial e já não regressa. Parte para Roma e aí frequenta dois anos de estudo de catequética na Universidade Salesiana.

Em 1997, é destinado a Setúbal, onde permanece até 2001. Neste ano, é eleito Superior Provincial da sua Congregação, cargo que desempenhou até ao presente.

O novo Bispo substitui D. Abílio de Sousa Ribas que apresentara a renúncia do governo pastoral daquela diocese por ter atingido o limite de idade.

 


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