aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

REAFIRMADO MAIS UMA VEZ

O CELIBATO SACERDOTAL

 

Na manhã de 16 de Novembro passado, o Santo Padre presidiu uma das reuniões periódicas dos chefes dos Dicastérios da Cúria Romana para uma reflexão comum sobre o celibato sacerdotal.

 

Os participantes na reunião tinham recebido uma informação detalhada dos pedidos apresentados nos últimos anos acerca da dispensa da obrigação do celibato e da readmissão ao exercício do ministério sacerdotal de sacerdotes casados.

Reafirmou-se o valor da opção pelo celibato sacerdotal, segundo a tradição católica, e confirmou-se a exigência de uma sólida formação humana e cristã, tanto para os seminaristas como para os sacerdotes já ordenados.

Esta reunião fora convocada para examinar a situação criada a seguir à desobediência de Mons. Emanuel Milingo, arcebispo emérito de Lusaka (Zâmbia), excomungado por ter ordenado em Setembro passado como bispos quatro sacerdotes casados contra o mandato pontifício.

 

Explicação

 

Posteriormente, o Cardeal brasileiro Cláudio Hummes, actual Prefeito da Congregação para o Clero, esclareceu que «na Igreja, esteve sempre claro que a obrigação do celibato para os sacerdotes não é um dogma, mas uma norma disciplinar. Com efeito, é válida para a Igreja latina, mas não para os ritos orientais, onde mesmo nas comunidades unidas à Igreja católica é normal que haja sacerdotes casados.

«Contudo, também está claro que a norma do celibato para os sacerdotes na Igreja latina é muito antiga e assenta numa tradição consolidada e em motivos fortes, de carácter tanto teológico e espiritual como prático e pastoral, reafirmados também pelos Papas.»

«De facto, no recente sínodo dos bispos sobre os sacerdotes, a opinião mais difundida entre os padres era que uma ampliação da regra do celibato não seria uma solução nem sequer para o problema da escassez de vocações, que se devia conectar antes a outras causas, a começar pela cultura moderna secularizada, como demonstra a experiência até das outras confissões cristãs, que contam com sacerdotes ou pastores casados.»

«Portanto, o celibato não é uma questão que esteja actualmente na ordem do dia das autoridades eclesiásticas, como se reafirmou recentemente depois da última reunião dos chefes de dicastério com o Santo Padre».

 

 

BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO I

CHEGA AO VATICANO

 

O processo de beatificação de João Paulo I chegou ao Vaticano no passado dia 3 de Janeiro, altura em que, na Congregação para a Causa dos Santos, foi aberto o envelope oficial com os documentos relativos à investigação diocesana sobre a heroicidade da vida e das virtudes, assim como sobre a fama de santidade.

 

Albino Luciani, o Papa João Paulo I, nasceu em Canale d’Agordo, em 1912, e faleceu na Cidade do Vaticano a 28 de Setembro de 1978, depois de 33 dias de pontificado. Antes de ter sido eleito Papa, era Patriarca de Veneza. É conhecido como «o Papa do sorriso».

Na cerimónia de abertura, o postulador da Causa de beatificação, Pe. Enrico dal Covolo, pediu ao Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o Cardeal José Saraiva Martins, o reconhecimento da validade dessas actas.

Desta forma entrou-se na «fase romana» da investigação, que implicará a elaboração da Positio, ou seja, do dossier que, baseando-se nos documentos da investigação diocesana, deverá comprovar o melhor possível a heroicidade de vida e virtudes, assim como a fama de santidade do Servo de Deus.

A Positio será preparada por um colaborador do Postulador, sob a direcção de um Relator da Congregação para a Causa dos Santos. Espera-se que não demore muito, tendo em conta que já está se encontra em estudo uma cura atribuída à intercessão deste Papa, e que poderia ser reconhecida como milagre, solicitado pela legislação canónica para a beatificação.

 

 

DO CAMIÃO-CAPELA

À ORAÇÃO NA ESTAÇÃO DE SERVIÇO

 

A Igreja Católica procura, um pouco por todo o mundo, novas soluções para o acompanhamento daqueles que fazem da estrada o seu local de trabalho. Do camião-capela, que é estrela de televisão no Brasil, à oração na estação de serviço, são muitas as respostas que é possível encontrar.

 

O Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI) apresentou no passado 16 de Janeiro as conclusões do seu II Encontro Internacional da Pastoral da Estrada, promovido em Dezembro, com representantes de 21 países. O tema da iniciativa era «A estrada da mobilidade sustentável» e manifestava preocupação com os fenómenos ligados à vida da rua, incluindo a sinistralidade rodoviária.

Do Encontro sai a preocupação com as questões ligadas à estrada, que são complexas e numerosas, mas o que mais chamou a atenção de todos foi o elenco das acções pastorais que já se desenvolvem nesta área específica.

O documento conclusivo lembra a acção do Pe. Marian Litewka, no Brasil, que há décadas percorre as estradas do país num camião-capela, para celebrar a Missa para camionistas em postos de abastecimento. A partir de 1990, o sacerdote polaco passou a ter a ajuda de outros dois padres, que visitam, em média, 20 postos por dia.

Outras propostas são o chamado «Kanal K», na Alemanha, em que um telefone permite aos motoristas entrarem em contacto directo com um sacerdote ou outro agente pastoral.

O documento do Conselho Pontifício sublinha que a Igreja deve «defender e tutelar os direitos dos profissionais e dos trabalhadores da estrada», procurando também promover «lugares e ocasiões de encontro» com eles.

Esses encontros, refere-se, podem ter lugar em espaços como as áreas de serviço ou de descanso, nas auto-estradas, para fazer deles «momentos que se vivem mais intensamente, com a possibilidade de crescer na fé».

 

 

ECUMENISMO AVANÇA

APESAR DAS DIFICULDADES

 

O diálogo entre as várias Igrejas cristãs tem conhecido desenvolvimentos positivos, apesar das divergências históricas que dificultam, muitas vezes, o desejado caminho para a unidade. A convicção é manifestada pelo Presidente do Conselho Pontifício para o diálogo ecuménico, Cardeal Walter Kasper, no início da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos.

 

Para o Cardeal, é possível verificar o crescimento de um «ecumenismo de vértice», nos grandes encontros de líderes das Igrejas, e do «ecumenismo de base», no quotidiano das várias comunidades eclesiais.

Quanto ao primeiro, o ano de 2006 ficou marcado por vários passos em frente: foi retomado o diálogo teológico com as Igrejas Ortodoxas, o Papa visitou a Turquia, o Arcebispo ortodoxo de Atenas veio a Roma e o Primaz da Igreja Anglicana visitou Bento XVI.

Apesar das divergências dogmáticas que permanecem com as Igrejas do Oriente sobre o ministério do Papa e das diferenças de cultura e mentalidade, o Cardeal Walter Kasper acredita que o caminho está mais fácil, classificando como «histórica» a visita do Primaz grego, Christodoulos.

Já na relação com as Igrejas da Reforma, têm crescido os desentendimentos em relação a temas como «a homossexualidade, o divórcio e a eutanásia».

A convicção que permanece, contudo, é de que é possível «chegar à unidade perfeita» com as Igrejas do Oriente e «colaborar com grupos importantes presentes nas Igrejas protestantes».

 

A acção de Bento XVI

 

Ao longo do ano passado, Bento XVI confirmou a sua intenção de estar na linha da frente do diálogo ecuménico, com especial destaque para as relações católico-ortodoxas.

Ao receber o Primaz ortodoxo grego no Vaticano – a primeira visita oficial do género desde 1054 –, o Papa abriu caminho para desenvolvimentos significativos no campo das relações entre cristãos da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa.

Bento XVI e o Primaz grego assinaram uma declaração comum, na linha daquela que foi assinada entre o Papa e o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, dando continuidade ao diálogo católico-ortodoxo ao mais alto nível. Às duas declarações comuns referidas soma-se a que foi firmada com o Primaz Anglicano, Rowan Williams, em Novembro passado.

Menos de 24 horas depois da sua eleição, o Papa tinha dito que eram necessários «gestos concretos» para promover qualquer avanço no ecumenismo. Eles têm sido muito visíveis nos tempos mais recentes e poderão deixar adivinhar um passo futuro, que inclua o desejado e aguardado encontro com Alexis II, Patriarca ortodoxo de Moscovo.

Apesar da importância que poderia ter uma plataforma de entendimento com a Rússia, parece claro que o Papa já identificou qual o principal tema em que se deve concentrar o diálogo católico-ortodoxo: a questão da autoridade da Igreja, sobretudo o que diz respeito ao papel do próprio Bispo de Roma na comunidade eclesial universal, tendo consciência da tradição de sinodalidade nas Igrejas Ortodoxas.

Na viagem à Turquia, Bento XVI manifestou abertura para uma discussão relativa às formas de exercício do ministério petrino, mas a declaração conjunta assinada com Bartolomeu I deixava nas mãos da Comissão Mista Internacional Teológica a missão de aprofundar as questões levantadas pelo debate em volta do tema «Conciliariedade e Autoridade na Igreja» a nível local, regional e universal.

Por isso mesmo, já se aposta na presença do Papa e do Patriarca de Constantinopla na próxima sessão de trabalho desta Comissão bilateral, que decorrerá na Itália. Uma mudança fundamental, seja qual for o próximo «grande» gesto ecuménico, começa a ganhar forma: o diálogo teológico católico-ortodoxo já não discute a legitimidade de um primado universal, mas sim a forma de exercitá-lo.

Por outro lado, a Conferência Mundial Metodista, reunida em Julho passado, aprovou a adesão da Igreja à Declaração conjunta católico-luterana sobre a Doutrina da Justificação, de 1999, dando assim um passo significativo nas relações com a Igreja Católica. Todas as partes confessam, agora que «somente por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa de nosso mérito, somos aceites por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para as boas obras».

 

 

VATICANO QUER NORMALIZAR

RELAÇÕES COM A CHINA

 

O Vaticano manifestou o desejo de trabalhar para uma «normalização das relações» com a China, a vários níveis. Este é o principal resultado de uma reunião de alto nível, que juntou de 19 a 20 de Janeiro passado responsáveis da Secretaria de Estado e da Congregação para a Evangelização dos Povos, bem como prelados de Hong Kong, Taiwan e Macau.

 

O encontro sobre a situação da Igreja Católica na China foi presidido pelo Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano. Em cima da mesa estiveram «os problemas eclesiais mais graves e urgentes, que esperam uma adequada solução em relação aos princípios fundamentais da constituição divina da Igreja e da liberdade religiosa».

Os participantes fizeram eco da vontade de «prosseguir um caminho de diálogo respeitoso e construtivo com as autoridades governamentais, para ultrapassar as incompreensões do passado».

Os objectivos imediatos da Santa Sé passam por permitir aos católicos na China «uma vida frutuosa e pacífica», procurando «trabalhar em conjunto para o bem do povo chinês e da paz no mundo».

Para o restabelecimento de relações diplomáticas, a China exige que o Vaticano deixe de reconhecer Taiwan como país independente (obtendo aparentemente o consentimento do Vaticano, neste ponto) e que o Vaticano aceite também a nomeação dos bispos chineses por parte da Associação Patriótica Católica (APC), controlada pelo Estado. Nesta questão, contudo, a posição da Santa Sé tem-se mantido inalterável.

 

Dificuldades

 

Embora o Partido Comunista Chinês se declare oficialmente ateu, a Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais (Associações Patrióticas), entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica «clandestina», ligada ao Papa e fora do controlo de Pequim, conta mais de 8 milhões de fiéis.

A APC foi criada em 1957, para evitar «interferências estrangeiras», em especial do Vaticano, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado. A partir da década de 80 do século passado, a APC passou a procurar a aprovação do Vaticano para os seus Bispos, em segredo.

Hoje, estima-se que cerca de 90% dos Bispos da APC sejam reconhecidos pelo Vaticano, fruto de um acordo de cavalheiros, que dava ao Papa a última palavra sobre qualquer candidato à ordenação episcopal e que foi quebrado de forma clara. A nota da Santa Sé constatava «com alegria» que hoje a maioria dos Bispos da China está em comunhão com o Papa.

Em 2006, contudo, vários Bispos foram ordenados sem aprovação pontifícia, o que provocou reacções muito duras da Santa Sé e de Bento XVI. Antes dos acontecimentos de 2006, as últimas ordenações sem o aval do Papa tinham acontecido em 2000, com 5 novos Bispos da APC, e levaram a um congelamento das negociações entre a China e a Santa Sé para o restabelecimento de relações diplomáticas.

O comunicado da Santa Sé adianta que Bento XVI irá escrever uma carta aos católicos do país, cujo número não pára de crescer. Para os responsáveis do Vaticano este facto é mesmo considerado surpreendente, convidando estes católicos «a olharem o futuro com esperança».

A nota oficial alude à história conturbada da Igreja na China, sublinhando o «luminoso testemunho oferecido pelos Bispos, sacerdotes e fiéis que, sem cederem a compromissos, mantiveram a fidelidade à Sé de Pedro, muitas vezes à custa de graves sofrimentos».

A questão de fundo reside, precisamente, no heroísmo dos fiéis da Igreja clandestina que, na China, permanecem fiéis ao Papa e a Roma. A chave de solução poderá estar no processo de nomeação de Bispos para a China, mas nunca desautorizando a Santa Sé. Qualquer cedência perante os homens do regime chinês poderia ser mal interpretada por todos aqueles que, ao longo de décadas, sofreram perseguição, foram presos ou enviados para «campos de reeducação», celebrando às escondidas, com receio das autoridades.

 

 

«UMA VIDA COM KAROL»:

MEMÓRIAS SOBRE JOÃO PAULO II

 

Foi lançada na Itália no passado dia 24 de Janeiro a obra «Uma vida com Karol», que recolhe as memórias pessoais do Cardeal Stanislaw Dziwisz, antigo secretário pessoal de João Paulo II. O livro foi escrito com a colaboração do jornalista Gian Franco Svidercoschi e publicado pela editora Rizzoli.

 

Num capítulo intitulado «Aquelas duas balas», o Cardeal Dziwisz relembra o que sentiu quando o turco Mehmet Ali Agca atingiu o Papa a tiro, no dia 13 de Maio de 1981: «Tentei segurá-lo, mas foi como se ele estivesse a ir embora devagar».

Muitas peripécias e dificuldades surgidas após o atentado são relatadas: no meio da confusão, João Paulo II foi levado por engano ao décimo andar, para depois então ir para a sala de cirurgia, no nono andar. Os funcionários arrombaram duas portas para que o Papa chegasse lá mais rapidamente.

«O pior foi quando o Doutor Buzzonetti se aproximou de mim para pedir-me que administrasse ao Santo Padre a unção dos doentes, o que fiz de imediato, mas com o coração destroçado. Era como se me tivessem dito que não havia nada a fazer».

O último capítulo é dedicado aos momentos finais da vida do Papa polaco. Particularmente comovente é o relato da colocação do véu branco sobre o rosto de João Paulo II, antes de fechar o caixão: «Era a última vez que via o seu rosto, mas principalmente o seu olhar, porque era o olhar o que mais impressionava nele. Por isso, fazia tudo muito lentamente para que esse instante durasse muito mais (...). Peguei no véu branco e coloquei-o sobre o seu rosto, com medo de que esse pano de seda pudesse incomodá-lo».

O testemunho do Cardeal Dziwisz é apresentado como um retrato «inédito e humaníssimo» de um grande Papa, passando em revista todas as fases da vida de João Paulo II, desde os anos na Polónia (1966-1978), quando Wojtyla era Arcebispo de Cracóvia, aos muitos episódios do pontificado (1978-2005).

 

Revelações

 

Algumas das passagens criaram uma natural curiosidade. O Cardeal Dziwisz indica, por exemplo, que João Paulo II assistiu em directo ao colapso das Twins Towers de Nova Iorque, no 11 de Setembro de 2001.

O mais estreito colaborador do Papa polaco afirma também estar convencido de que a União Soviética estava por detrás da tentativa de assassinato sofrida por este em 1981.

Um especial destaque vai para a revelação de que João Paulo II pensou seriamente em renunciar ao cargo em 2000, por causa das suas condições de saúde, chegando a admitir mudar as leis canónicas para determinar que os Papas renunciassem obrigatoriamente aos 80 anos.

«Ele chegou à conclusão de que tinha de se submeter à vontade de Deus, isto é, permanecer (no cargo) enquanto Deus quisesse».

O secretário pessoal de Wojtyla também revelou que, à medida que a sua saúde piorava, João Paulo II criou «um procedimento específico para entregar a sua renúncia, no caso de não conseguir exercer o ministério de Papa até o fim».

O livro surge numa altura em que se espera que termine a primeira etapa do processo de beatificação de João Paulo II, possivelmente no dia 2 de Abril, segundo aniversário da sua morte, como adiantou a televisão pública polaca.

Uma investigação sobre uma alegada cura miraculosa de uma religiosa francesa pela intercessão do primeiro Papa polaco deverá ser encerrada em breve. No final desta primeira etapa, todo o material recolhido a nível diocesano será remetido para a Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano, presidida pelo Cardeal português José Saraiva Martins.

 O jornalista Gian Franco Svidercoschi assegura que a obra quer «evitar qualquer tipo de sensacionalismo, para fazer emergir a dimensão mais profunda e pouco conhecida» de João Paulo II.

A oração, por exemplo, é um elemento constante: «O Papa era um enamorado de Deus, mas num estilo que não se reduzia a um puro misticismo, reflectindo-se em cada situação concreta. Perante os grandes desafios do pontificado, João Paulo II tinha o hábito de perguntar a si próprio e aos seus colaboradores como se teria comportado Jesus».

 

 

2007: ANO EM CHEIO

PARA BENTO XVI

 

Novos Cardeais, um livro, viagens, documentos pontifícios e mudanças na Cúria Romana esperam o Papa em 2007. A agenda de Bento XVI inclui, além disso, centenas de encontros, audiências e celebrações litúrgicas.

 

Do panorama dos próximos 12 meses destacam-se, desde logo, as duas viagens pontifícias: em Maio, ao Brasil, e em Setembro à Áustria. No maior país católico do mundo, o Papa irá inaugurar os trabalhos da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, que terá lugar de 13 a 31 de Maio de 2007 no Santuário da Aparecida (Brasil).

A viagem à Áustria terá mais um carácter de peregrinação mariana. Admite-se que Bento XVI volte à Alemanha e possa visitar as Nações Unidas, somando-se convites da Terra Santa e da África. Na Itália, o Papa visitará Assis no próximo mês de Junho.

Em Janeiro teve lugar o aguardado discurso ao corpo diplomático na Santa Sé, em que o Papa traçou uma espécie de balanço da situação internacional. A partir deste mês, Bento XVI começou a receber Conferências Episcopais de todo o mundo, em visita «ad limina» – os Bispos portugueses deslocam-se ao Vaticano de 3 a 12 de Novembro.

O ritmo é elevado e o desgaste também. Basta lembrar que no ano passado, mais de 3,2 milhões de pessoas se encontraram com o Papa no Vaticano e em Castel Gandolfo, para além das que o fizeram nas quatro viagens apostólicas (Polónia, Espanha, Alemanha e Turquia).

 

Novos Cardeais e Cúria Romana

 

No ano em que Bento XVI completa 80 anos, há oito Cardeais que chegam à mesma idade e que, de acordo com a Constituição Apostólica «Universi Dominici Gregis», deixam de poder participar num eventual conclave.

Entre os Cardeais que completarão 80 anos encontram-se nomes bem conhecidos, como é o caso do Cardeal Carlo Maria Martini e do actual Decano do Colégio Cardinalício e antigo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Angelo Sodano.

Bento XVI deverá, por isso, renovar o Colégio Cardinalício em 2007, dado que o número de Cardeais eleitores caiu para 112 no ano passado e já em 2007 poderia ficar reduzido a 104. No total, actualmente o Colégio Cardinalício conta com 186 cardeais de 67 países, dos quais 74 não são eleitores. O número máximo de Cardeais eleitores é de 120, fixado por Paulo VI e confirmado por João Paulo II.

Na Cúria Romana, por outro lado, irá aumentar o número de Cardeais com mais de 75 anos. O Cânone 354 do Código de Direito Canónico determina que os Cardeais presidentes dos Dicastérios ou das outras instituições permanentes da Cúria Romana e da Cidade do Vaticano «apresentem a renúncia do ofício ao Romano Pontífice» ao cumprirem 75 anos de idade.

Neste momento, entre os mais directos colaboradores do Papa, há vários Cardeais acima desta idade: Darío Castrillón Hoyos tem 77 anos; Julián Herranz, 76; Paul Poupard, 76; Ignace Moussa Daoud, 76. Em 6 de Janeiro o Cardeal português D. José Saraiva Martins completou 75 anos.

 

Publicações

 

Na próxima Primavera será publicado o primeiro livro do Papa, «Jesus de Nazaré. Do Baptismo no Jordão à Transfiguração», destinado a um público mais alargado e centrado na figura histórica de Jesus.

Deste ano esperam-se, por outro lado, a Exortação Apostólica pós-sinodal sobre a Eucaristia e o «Motu Próprio» sobre a celebração universal da Missa em Latim. Um documento preparatório para o Sínodo dos Bispos de 2008, sobre o tema «A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja», deverá ser publicado nos próximos meses.

Há também quatro canonizações aprovadas, devendo ainda ser levado em linha de conta o trabalho relativo aos processos de João Paulo II, João Paulo I e Pio XII.

 


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