Páscoa da Ressurreição do Senhor

Missa do Dia

8 de Abril de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor ressuscitou verdadeiramente, A. Cartageno, NRMS 65

Salmo 138, 18.5-6

Antífona de entrada: Ressuscitei e estou convosco para sempre; pusestes sobre mim a vossa mão: é admirável a vossa sabedoria.

Ou:

Lc 24, 34; cf. Ap 1, 5

O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia. Glória e louvor a Cristo para sempre. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a festa das festas, a Ressurreição gloriosa de Jesus. Pelo Baptismo também nós participamos da Sua morte e ressurreição.

Pela Eucaristia torna-se presente, como há dois mil anos. E quer vir mais uma vez ao nosso coração purificado pela penitência quaresmal e pelo sacramento do perdão.

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que neste dia, pelo vosso Filho Unigénito, vencedor da morte, nos abristes as portas da eternidade, concedei-nos que, celebrando a solenidade da ressurreição de Cristo, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. Pedro foi a casa do centurião Cornélio para o baptizar a ele e à sua família. Ali proclama a ressurreição de Jesus. Ele e os apóstolos foram testemunhas dessa ressurreição e encarregados de a anunciar a todos povos da terra.

 

Actos dos Apóstolos 10, 34a.37-43

Naqueles dias, 34aPedro tomou a palavra e disse: 37«Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. 39Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz. 40Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, 41não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. 42Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. 43É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».

 

O texto faz parte do corpo do discurso de Pedro em Cesareia na casa do centurião Cornélio, o qual tinha mandado chamar Pedro a Jope, ilustrado por uma visão (cf. Act 10, 1-33). Este discurso tem um carácter mais catequético e apologético do que propriamente missionário, como seria de esperar num primeiro anúncio da fé a um pagão (embora se tratasse dum «temente a Deus»: v. 2). Lucas redige este discurso a pensar mais nos leitores da sua obra, do que com a preocupação de reconstruir exactamente a cena originária e as mesmas palavras pronunciadas naquela circunstância; com efeito, começa por fazer referência ao Evangelho já antes pregado aos ouvintes: «vós sabeis o que aconteceu…», e também parece que dá por suposta a fé no valor salvífico da Cruz (cf. v. 39b) e não termina, como seria de esperar, com um apelo explícito à conversão. Assim, Lucas nos deixou mais uma bela síntese do que era o Evangelho pregado pela Igreja primitiva.

38 «Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus». Esta nova tradução litúrgica desfez a hendíadis tão própria da estilística hebraica (ungiu de Espírito Santo e de fortaleza), recorrendo, por motivo de clareza, a uma equivalência dinâmica, (a força que é o Espírito Santo). Deus (o Pai) concedeu à natureza humana de Jesus todos os dons do Espírito Santo, que Lhe competiam a partir do momento da Incarnação; estes dons manifestam-se visivelmente nos milagres de Jesus, nas teofanias do Baptismo e da Transfiguração e muito particularmente na Ressurreição. A unção era o rito que constituía os reis e os sacerdotes na sua função; assim, a união hipostática em Jesus aparece como uma unção da natureza humana de Jesus, «que passou fazendo o bem e curando a todos» (maravilhoso resumo da vida de Jesus, bem ao sabor do Evangelista da bondade).

41 «Não a todo o povo». Jesus não se mostra a todos depois de ressuscitado, não só para não violentar a liberdade das pessoas, mas também porque está nos planos divinos conduzir o mundo à salvação mediante o ministério dos seus discípulos (testemunhas de antemão designadas por Deus) e mediante a fé, que é meritória (cf. Rom 1, 16-17). Note-se o acento que se põe no testemunho acerca da Ressurreição; não estamos apenas perante uns simples pregadores (cf. v. 42a) duma mensagem salvadora, mas diante de verdadeiras testemunhas (cf. v. 42b), que dão testemunho (o verbo grego tem um matiz forense) capaz de fazer fé em tribunal. A ideia de testemunho é fortemente acentuada neste breve texto, não só por ser repetida quatro vezes (vv. 39.41.42.43), mas também por se tratar de testemunhas escolhidas por Deus para esta missão (v. 41), que conviveram com o Ressuscitado, comendo e bebendo com Ele, o que exclui logo à partida a hipótese de se tratar de mera fantasia (Lucas mostra especial sensibilidade a este problema: cf. Lc 24, 37-43).

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)

 

Monição: O salmo louva as maravilhas do Senhor. E a maior de todas é a ressurreição de Jesus. A Páscoa é o dia maravilhoso que o Senhor fez.

 

Refrão:         Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

 

Ou:                Aleluia.

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

 

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

Não morrerei, mas hei-de viver

para anunciar as obras do Senhor.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A ressurreição de Jesus não garante apenas a eficácia da redenção que Ele operou. Ela actua em nós pelo baptismo que recebemos. Ressuscitámos com Cristo e com Ele vivemos a vida nova da graça.

 

Colossenses 3, 1-4  (de manhã)

Irmãos: 1Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. 2Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. 3Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

 

Com estas palavras é introduzida a parte final da Carta, uma série de exortações morais para que os fiéis tenham um modo de viver coerente com a fé cristã. A sua conduta moral é uma consequência natural da profunda união com Cristo ressuscitado produzida pelo Baptismo recebido.

1 «Aspirai às coisas do alto» corresponde ao mesmo incitamento que, na Santa Missa, a Igreja sempre nos repete: Sursum corda! Corações ao alto!

3-4 «Vós morrestes». A nossa união a Cristo pressupõe a morte para o pecado, que não pode reinar mais em nós (cf. Rom 6). Com Cristo morto pelos nossos pecados, morremos para o pecado; com Cristo ressuscitado, vivemos vida de ressuscitados. É a «vida» da graça, uma vida toda interior, «escondida» no centro da alma, vida que ninguém nos pode arrebatar, vida que é toda feita de presença de Deus e de visão sobrenatural, levando-nos a santificar todos os afazeres diários, trabalhando com os pés bem firmes na terra, mas o coração e o olhar fixo no Céu.

 

Monição: A ressurreição de Cristo, nosso Cordeiro pascal, convida-nos a uma vida nova, que teremos de comunicar aos outros, como fermento de novidade no mundo.

 

1 Coríntios 5, 6b-8  (de tarde)

Irmãos: 6bNão sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa? 7Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, visto que sois pães ázimos. Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado. 8Celebremos a festa, não com fermento velho nem com fermento de malícia, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade.

 

Parece haver aqui (v. 6b) uma referência ao incestuoso de que acaba de falar (vv. 1-5); um mau exemplo é um mau fermento. Mas S. Paulo faz imediatamente uma aplicação mais vasta da ideia de mau fermento, e isto talvez pela proximidade da festa da Páscoa, que já então, pelo ano 55, os cristãos celebravam em Corinto como festa da Ressurreição do Senhor, segundo o que se lê no v. 8: «celebremos pois a festa». Na exortação do Apóstolo há uma alusão ao costume judeu, que ainda hoje se conserva, de limpar escrupulosamente as casas de todo o fermento e pão fermentado durante os sete dias que duravam as festas pascais. Nós os cristãos, para celebrarmos a Páscoa – «Cristo, nosso Cordeiro pascal» (v. 7) –, temos que o fazer sem o fermento (o princípio corruptor) da malícia e da perversidade, mas «com os pães ázimos da pureza e da verdade», isto é, da sinceridade de vida. Poderia haver, nesta referência a Cristo como «Cordeiro imolado», uma alusão à própria celebração da Eucaristia.

 

Sequência

 

À Vítima pascal

ofereçam os cristãos

sacrifícios de louvor.

 

O Cordeiro resgatou as ovelhas:

Cristo, o Inocente,

reconciliou com o Pai os pecadores.

 

A morte e a vida

travaram um admirável combate:

Depois de morto,

vive e reina o Autor da vida.

 

Diz-nos, Maria:

Que viste no caminho?

Vi o sepulcro de Cristo vivo

e a glória do Ressuscitado.

 

Vi as testemunhas dos Anjos,

vi o sudário e a mortalha.

Ressuscitou Cristo, minha esperança:

precederá os seus discípulos na Galileia.

 

Sabemos e acreditamos:

Cristo ressuscitou dos mortos:

Ó Rei vitorioso,

tende piedade de nós.

 

Aclamação ao Evangelho        1 Cor 5, 7b-8a

 

Monição S. João conta-nos a sua ida ao sepulcro no dia de Páscoa. Viu e acreditou. Também nós acreditamos. Cheios da alegria da Páscoa, aclamemos a Jesus vivo, que está aqui.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado:

celebremos a festa do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 1-9 (de manhã)

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. 2Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». 3Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. 4Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. 5Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. 6Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão 7e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. 8Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. 9Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

 

Nenhum dos quatro Evangelhos narra o facto da Ressurreição de Jesus, pois não foi presenciado por testemunhas; era um facto sobrenatural que, de si mesmo, escapava à experiência humana. E isto só vem dar credibilidade ao facto da Ressurreição, pois, se se tratasse duma ficção, era de esperar que se dessem os seus pormenores. S. João começa com a verificação do túmulo vazio feita pela Madalena, mas vão ser os dois discípulos, que vão fazer o reconhecimento do local e que verificam indícios eloquentes, aptos para levarem à fé na Ressurreição de Jesus.

2 «Não sabemos…». Este plural parece aludir à tradição sinóptica que conhece a ida de mais mulheres ao sepulcro. É evidente que não houve a mínima preocupação de harmonizar os diferentes relatos evangélicos do sepulcro vazio e das aparições, o que é um forte motivo de credibilidade a favor da realidade da ressurreição, facto misterioso, que é a base de toda a fé cristã (cf. 1 Cor 15, 12-19).

7-8 «Viu e acreditou». Porque começou a crer o discípulo? A explicação habitual é que um ladrão não deixaria ficar os panos, e muito menos em ordem. Mas há mais dados a ter em conta: porque é que o Evangelista atribui tanta importância à diferente posição dos panos? É que as ligaduras e o lençol estavam espalmados no chão da pedra tumular, ao passo que o pano que envolvera a cabeça do Senhor não estava espalmado no chão, mas mantinha a forma da cabeça que envolvera (cf. a nossa tradução na Nova Bíblia da Difusora Bíblica). Não sabemos se Pedro partilhou da fé do Discípulo Amado, mas S. Lucas diz que ficou maravilhado (cf. Lc 24,12). Os panos com que Jesus foi amortalhado eram com toda a probabilidade: 1) um lençol mortuário (síndone), tecido largo e comprido que envolvia todo o corpo; 2) um lenço (sudário) que cobria a cabeça e caía sobre o rosto (e ajudaria a manter a boca fechada); 3) várias ligaduras que não só serviam para manter apertados os pés um contra o outro e as mãos unidas ao corpo, mas também que poderiam ajudar a aconchegar a síndone ao corpo. S. João não fala especificamente desta síndone, mas deve englobá-la na designação genérica de «ligaduras» (em grego, othónia).

9 «Ainda não tinham entendido a Escritura». Os discípulos não estavam psicologicamente predispostos a admitir a Ressurreição, para que esta pudesse ser fruto de uma alucinação; com efeito, só depois de confrontados com a realidade da ressurreição de Jesus é que se recordaram das Escrituras (cf. 1 Cor 15, 4; Act 2, 24-32; Jo 2, 22) e as entenderam. A ressurreição era uma realidade só admissível para o fim do mundo (cf. Jo 11, 24), pois, apesar de Jesus ter anunciado a sua ressurreição ao terceiro dia, este só poderia ser o dia final, de acordo com a profecia de Oseias (Os 6, 2). Diante do sepulcro vazio, só pensam num roubo (vv. 2.13.15) e não dão crédito a quaisquer notícias das aparições (cf. Mc 6, 11.13; Lc 24, 21-24; Jo 20, 25).

 

Em vez deste Evangelho, pode ler-se o que se leu na Vigília da Noite Santa.

 

Aclamação ao Evangelho (de tarde)

 

Monição: Jesus ressuscitado aparece na tarde da Páscoa aos discípulos de Emaús. Reconhecem-n'O ao partir o pão na Eucaristia. Também nós O reconhecemos aqui presente, como há dois mil anos. Aclamemo-Lo com alegria.

 

Nas missas vespertinas pode ler-se o Evangelho de:

São Lucas 24, 13-35   (de tarde)

13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, 18e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. 29Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

 

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais. Podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições; não temos, porém, elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios (duas léguas), uns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a imensa maioria deles regista 60 estádios; alguns poucos têm 160 (o que equivale a uns 30 Km). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã; El-Qubeibe é o de maior aceitação, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa.

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19, 25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Kleopás.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos». Aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23, 56b – 24, 9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que «os nossos» são «Pedro e o outro discípulo» (certamente João, cf. v. 12 e Jo 20, 1-10). «Mas a Ele não O viram»: se este não é um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro, referida adiante, no v. 34; (cf. 1 Cor 15, 5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia – a fracção do pão do v. 30 – constitui o momento cume do seu caminhar  pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus); Jesus, depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto mesmo nos sucede muitas vezes na vida cristã. Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25, 40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia. Com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença». É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real.  Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença.

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato também se põe em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

 

Pistas para a homilia

 

Derramarei sobre vós uma água pura

Fomos baptizados na Sua morte

Também nós vivamos uma vida nova

Derramarei sobre vós uma água pura.

São muito bonitas as cerimónias litúrgicas da Vigília pascal. Todas elas giram à volta do Baptismo e da Eucaristia.

As leituras, a bênção da água, a celebração dos baptizados falam-nos da vida nova que Jesus nos trouxe pela Sua morte e ressurreição No baptismo lavou-nos do pecado por uma água pura, como o profeta Ezequiel anunciava ao povo de Israel. Deu-nos um coração novo para O amarmos e sermos o povo santo da nova aliança.

A passagem do Mar Vermelho é também uma prefiguração do Baptismo. Como os israelitas, também nós fomos libertados da escravidão, duma escravidão pior que a do Egipto. O Senhor libertou-nos do pecado e do demónio e tornou-nos verdadeiramente filhos de Deus.

Os Santos Padres viram na água e no sangue que manaram do peito aberto de Cristo o sinal dos sacramentos que Jesus deixou à Sua Igreja. Morrendo na cruz obteve-nos a salvação, mereceu para todos os homens a abundância da graça que redime e salva. E é pelos sacramentos, que Ele instituiu, que essa graça mana sobre nós.

O primeiro de todos é o Baptismo. É por ele que nascemos para a vida nova de filhos de Deus. Jesus disse a Nicodemos que era preciso nascer de novo para poder entrar no Reino de Deus. E Nicodemos perguntava: – Como pode um homem nascer sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe? E Jesus respondeu-lhe «Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.» (Jo 3, 5) Antes de subir ao Céu disse aos Apóstolos: «ide por todo o mundo pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo. Mas quem não acreditar será condenado» (Mc 16, 15, 16). E mandou-os baptizar «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 18, 20)

O baptismo é o sacramento que nos faz nascer para a vida nova de Jesus, a graça que nos faz santos, membros da Sua Igreja e herdeiros da Sua felicidade infinita. O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica ensina: «O Baptismo perdoa o pecado original, todos os pecados pessoais e as penas devidas ao pecado; faz participar na vida divina trinitária mediante a graça santificante, a graça da justificação que incorpora em Cristo e na Igreja; faz participar no sacerdócio de Cristo e constitui o fundamento da comunhão entre todos os cristãos; confere as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo. O baptizado pertence para sempre a Cristo: com efeito, é assinalado com o selo indelével de Cristo» (carácter). (263).

Fomos baptizados na Sua morte

A morte e Ressurreição de Jesus não são apenas acontecimentos do passado. Estão presentes na vida da Igreja e na vida de cada um de nós.

Estão presentes aqui neste momento. Na Eucaristia que celebramos torna-se presente o sacrifício do Calvário. É Jesus ressuscitado que está no meio de nós. Reconhecemo-Lo ao partir do pão como os discípulos de Emaús, naquela tarde de Páscoa. Que neste dia tomemos mais consciência desta verdade, que nos há-de encher de alegria como às mulheres e aos discípulos no dia Páscoa.

Estes dias são tradicionalmente de grande alegria para o povo cristão. Porque procurou avivar a sua fé e purificar a sua alma ao longo da Quaresma para este encontro com o Senhor ressuscitado. Na comunhão pascal mais vivida e mais bem preparada pelo sacramento da penitência, que Jesus deixou à Sua Igreja como prenda no dia de Páscoa.

A morte e ressurreição estão presentes na vida de cada um de nós. Fomos baptizados na Sua morte -diz S. Paulo. «Não sabeis que os que fomos baptizados em Cristo Jesus fomos baptizados na Sua morte? Fomos, pois, pelo baptismo sepultados com Ele na morte para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos para glória do Pai, assim caminhemos numa vida nova» (Rom. 6, 3-4).

Morremos com ele para o pecado e ressuscitámos com Ele para a vida da graça. Participamos misteriosamente da Sua morte e ressurreição.

Também nós vivamos uma vida nova

Em Jesus o cristão é um homem novo, vivendo em Cristo, o homem novo. S. Leão Magno admoestava os cristãos: «Reconhece, ó cristão, a tua dignidade; participante da natureza divina não voltes aos erros da tua conduta passada. Recorda quem é a tua cabeça e de que corpo és membro. Recorda que foste arrancado ao poder das trevas e transportado para a luz e para o Reino de Deus. Pelo sacramento do baptismo transformaste-te em templo do Espírito Santo. Procura não afastar um hóspede tão importante com as tuas más acções, caindo de novo sob o domínio do demónio. O preço da tua salvação é o sangue de Cristo» (Serm. I do Natal do Senhor).

Renovados por dentro, «participantes da natureza divina» (2 Ped 1, 4), temos de viver à maneira de Jesus, temos de ser santos. S Pedro exortava os primeiros cristãos: «Como filhos obedientes, não vos conformeis com os desejos do vosso passado (antes do baptismo), quando estáveis na ignorância, mas, à imitação d'Aquele que vos chamou, sede vós também santos em todas as acções, porque está escrito: 'Sereis santos, porque Eu sou santo'. E, se invocais como Pai Aquele que julga cada um segundo as suas obras, sem acepção de pessoas, vivei com temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que fostes resgatados da vida fútil recebida dos vossos pais, não com coisas corruptíveis, prata ou ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem defeito e sem mancha, predestinado antes da criação do mundo, e manifestado nos últimos tempos por amor de vós. Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e O glorificou, de maneira que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus.» (1 Ped 1, 14-21)

Contamos com as graças actuais que derivam do baptismo, para vivermos, pela vida fora, essa vida nova de filhos de Deus, ao estilo de Cristo.

Contamos com a acção do Espírito Santo em nossa alma, que nos leva a tratar a Deus como filhos e nos ensina a copiar Jesus em nossa vida. Ele é dom de Jesus, fruto da Sua morte.

Temos a ajuda do sacramento do perdão, que é como que um novo baptismo, que podemos e devemos receber muitas vezes. Que não seja apenas no tempo da Quaresma. Como ninguém toma banho apenas uma vez no ano. Renova-nos a graça baptismal e enche-nos da alegria que vem de Deus.

Um miúdo foi ter com o pároco e disse-lhe:

– O senhor padre confessa-me?

– Mas tu quantos anos tens?

– Tenho cinco.

– Confessas-te mais adiante quando fizeres a primeira comunhão.

– Eu queria confessar-me agora porque tenho um pecado. Sim! É que o meu irmão, que vai fazer a primeira comunhão, confessou-se. E saiu tão contente… E eu fiquei com inveja.

Vale a pena renovarmos muitas vezes o nosso baptismo através do sacramento da penitência.

Com a Igreja felicitamos Nossa Senhora, nestes dias, pela Ressurreição de Seu Filho e pedimos-Lhe nos ajude a viver também essa vida nova de ressuscitados.

 

 

Oração Universal

 

Com Jesus ressuscitado e com toda a Sua Igreja espalhada pelo mundo

e também já no Céu peçamos ao Pai:

 

1.  Pelo Santo Padre,

para que o Senhor o encha de alegria, de fortaleza e sabedoria,

no fiel desempenho na missão que o Senhor lhe confiou,

oremos ao Senhor.

 

2.  Pelo Povo santo de Deus,

resgatado pelo sangue de Jesus,

para que nesta Páscoa se renove na esperança e no amor

e leve corajosamente a toda a parte o anúncio da Ressurreição,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

para que se entreguem generosamente ao serviço de Deus e de todas as almas,

no exercício do ministério do perdão,

oremos ao Senhor.

 

4.  Por todos os cristãos,

para que vivam mais fervorosamente o dia do Senhor ressuscitado em cada semana,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que aumente em todos nós

a fé na presença de Jesus ressuscitado na Eucaristia,

oremos ao Senhor.

 

6.  Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor,

oremos ao Senhor.

 

7.  Por todos os que se encontram no Purgatório,

para que possam celebrar no Céu a Páscoa de Jesus,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos chamastes à vida nova em Cristo ressuscitado,

aumentai em nós a fé e o amor, para que levemos uma vida de santidade.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendita e louvada seja, M. Simões, NRMS 41

 

Oração sobre as oblatas: Exultando de alegria pascal, nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício, no qual tão admiravelmente renasce e se alimenta a vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios.

Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus ressuscitado está connosco na Eucaristia. Saibamos abrir os olhos para O reconhecer. Acolhamo-Lo em nosso coração purificado e cheio de amor.

 

Cântico da Comunhão: O hino da alegria, M. Faria, NRMS 21

1 Cor 5, 7-8

Antífona da comunhão: Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza e da verdade. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai o Senhor, com tudo, M. Simões, NRMS 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, protegei sempre com paternal bondade a vossa Igreja, para que, renovada pelos mistérios pascais, mereça chegar à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Como as mulheres, no dia de Páscoa, vamos levar a todos a notícia e a alegria da ressurreição. Em primeiro lugar com o nosso testemunho de fé e de alegria.

 

Cântico final: Vencida foi a morte, J. S. Bach, NRMS 57

 

Na despedida, durante toda a Oitava, diz-se:

 

V. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

R. Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

Homilias Feriais

 

TEMPO PASCAL

 

OITAVA

 

feira, 9-IV: Sementeira de alegria.

Act. 2, 14. 22-33 / Mt. 28, 8-15

(David) sabia que Deus lhe tinha solenemente jurado… viu de antemão e anunciou a ressurreição do Messias.

O juramento feito a David (cf. Leit.) cumpre-se e Jesus ressuscitado aparece a Maria Madalena e às santas mulheres, que se dispunham a ir embalsamar o seu Corpo (cf. Ev.).

A ressurreição do Senhor é causa de grande alegria: «Por isso, o meu coração se alegra «Leit.); (as santas mulheres) retiraram-se do túmulo com grande alegria (cf. Ev.). Procuremos fomentar sempre a alegria e o optimismo e, se alguma vez nos faltam, vamos procurar o Senhor. E também, como as santas mulheres, devemos dar testemunho da nossa alegria a todos os que nos rodeiam.

 

feira, 10-IV: Encontro com Cristo e conversão.

Act. 2, 36-41 / Jo. 20, 11-18

Disse-lhe Jesus: Mulher, por que estás a chorar? A quem procuras?

Maria Madalena manifesta a sua grande dor, por ver que o corpo de Jesus tinha desaparecido do túmulo (cf. Ev.). Depois de Ele se dar a conhecer é enorme a sua alegria, e o desânimo dá lugar à esperança. É preciso começar de novo.

Em cada encontro com Jesus recebemos uma graça para começar de novo. O nosso coração converte-se ao olhar para aquele a quem os nossos pecados trespassaram (cf. CIC, 1432). É o que S. Pedro recomenda aos judeus: «Arrependei-vos» (Leit.), depois de lhes ter falado da crucifixão do Senhor.

 

feira, 11-IV: A Eucaristia: alimento e força.

Act. 3, 1-10 / Lc. 24, 13-35

Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?

O encontro dos discípulos de Emaús com Jesus ressuscitado provoca neles uma enorme transformação: do desânimo e da tristeza ao amor ardente (cf. Ev.). O encontro de um coxo de nascença com Pedro provoca igualmente nele uma grande mudança (cf. Leit.).

O Senhor continua a pôr à nossa disposição, na Santa Missa, o Pão e a Palavra, como fez com os discípulos de Emaús: Enquanto caminhavam, Ele explicava-lhes as Escrituras; depois, pondo-se à mesa com eles, ‘tomou o pão…partiu-o e deu-lho’ ( Ev.).

 

feira, 12-IV: A paz no mundo e a paz de Cristo.

Act. 3, 11-26 / Lc. 24, 35-48

(Jesus): A paz esteja convosco… Por que estais perturbados e por que se levantam esses pensamentos nos vossos corações?

A paz é um dos grandes dons de Cristo ressuscitado. «A paz terrena é imagem e fruto da paz de Cristo, o ‘Príncipe da paz’ messiânico… ‘Ele é a nossa paz’ e declara bem aventurados os ‘obreiros da paz’» (CIC, 2305).

Nos momentos de maior perturbação (cf. Ev.) procuremos falar com o Senhor, para que Ele nos conceda a paz. Também Ele no-la concede no sacramento da Penitência: «Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que os pecados vos sejam perdoados» (Leit.).

 

feira, 13-IV: Em nome do Senhor.

Act. 4, 1-12 / Jo. 21, 1-14

(Pedro): Pelo nome de Jesus Cristo de Nazaré… é que este homem se encontra na vossa presença perfeitamente são.

É em nome do Senhor que Pedro cura o coxo de nascimento (cf. Leit.). E é também em nome do Senhor que Pedro lança a rede para uma pesca milagrosa: «já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixe» (Ev.).

É em nome do Senhor que devemos continuar a lançar a semente da fé para que ela se difunda na vida corrente: na família, na Escola, na comunicação social, no mundo do trabalho, da economia, da cultura e da política.

 

Sábado, 14-IV: A manifestação pública da fé.

Act. 4, 13-21 / Mc. 16, 9-15

E disse-lhes (Jesus): Ide por todo o mundo, e proclamai o Evangelho a toda a criatura.

Jesus censura a incredulidade e a dureza do coração dos Onze. E, apesar disso, confia-lhes uma missão de extraordinária responsabilidade (cf.Ev.), só possível graças a uma fé gigantesca.

E eles assim fizeram, embora ao princípio tivessem encontrado dificuldades da parte dos chefes judaicos, que os proibiram de falar ou ensinar em nome de Jesus (cf. Leit.). A sua resposta foi: «Nós não podemos deixar de dizer o que vimos e escutámos» (Leit.). Sirva-nos de exemplo num mundo que nos pressiona para não manifestarmos publicamente a nossa fé.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:  Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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