3º Domingo da Quaresma

11 de Março de 2007

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ao nosso Deus bondade infinita, M. Faria, NRMS 1 (I)

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Deus é «Aquele é». A transcendência de Deus e a Sua grandeza não O levam a esquecer-se do homem que criou. O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Aquele que se denomina «Eu sou» envia Moisés a salvar o povo judeu da escravidão.

 

Êxodo 3, 1-8a.13-15

Naqueles dias, 1Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb. 2Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia. 3Então disse Moisés: «Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espectáculo: por que motivo não se consome a sarça?» 4O Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!» Ele respondeu: «Aqui estou!» 5Continuou o Senhor: «Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada». 6E acrescentou: «Eu sou o Deus de teu pai, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob». Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus. 7Disse-lhe o Senhor: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto; escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, as suas angústias. 8Desci para o libertar das mãos dos egípcios e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa, onde corre leite e mel». Moisés disse a Deus: 13«Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei-de responder-lhes?» 14Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’». E prosseguiu: «Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós». 15Deus disse ainda a Moisés: «Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração’».

 

Moisés encontrava-se numa situação de fugitivo do faraó e refugiado junto de Jetro, sacerdote de Madiã, tendo casado com umas das suas filhas, Séfora. «Madiã» era um reduto de tribos nómadas madianitas, situado a sudeste do golfo de Akabá (Eilat), mas parece mais lógico que Jetro vivesse nalgum oásis da península do Sinai.» O Monte de Deus, o Horeb», na tradição javista habitualmente chamado Sinai, é a montanha de Deus, porque Deus aqui se revela (cf. Ex 19). A sua localização é muito discutida, mas a antiga tradição identificou-o com o djebel Musa (montanha de Moisés: 2.224 metros).

2 «O Anjo do Senhor numa chama ardente». É por vezes esta uma forma de designar o próprio Deus, enquanto se manifesta ao homem (cf. Gn 16, 7.13). Estamos perante uma forma de expressão deveras estranha para a nossa mentalidade: designar a Deus com o nome do seu mensageiro! No fundo parece haver uma concepção exacta de que nesta vida a criatura não pode ver a Deus, sendo frequente na Bíblia anotar que não se pode ver a Deus sem morrer (Gn 16, 13; 32, 31; Ex 33, 20; Jz 6, 22.23; 13, 21-22). Por isso se diz que Moisés cobriu o rosto (v. 6). No entanto, a existência dos anjos consta claramente de outras passagens da S. E.. Notar que o fogo, chama ardente, como elemento menos material, tornou-se um símbolo da santidade divina, da sua transcendência.

5 «Tira as sandálias». Atitude de respeito prescrita para os sacerdotes judeus poderem entrar no santuário e que ainda hoje adoptam os árabes para entrar num lugar sagrado.

14 «Eu sou ‘Aquele que sou’... O que se chama ‘Eu sou’ enviou-me». Em hebraico «Eu sou» diz-se’ehyéh. Uma forma muito discutida do verbo, mista e arcaica, na terceira pessoa, dá yahwéh, que é a forma que aparece no v. 15, traduzida habitualmente por «Senhor», segundo a tradução grega (Kyrios) adoptada pelos LXX e também preferida pelas traduções modernas que assim evitam ferir a sensibilidade judaica; de facto, os judeus, por respeito, nunca pronunciam o nome de Yahwéh, mas dizem Adonai (Senhor).

Também se discute qual o sentido do nome com que Deus se auto-designa: 1) Uns entendem: Eu sou Aquele que faz existir (dá o ser), isto é, Eu sou o Criador, uma interpretação pouco provável, pois o verbo hebraico correspondente (hayáh) não se usa na conjugação chamada hifil (a forma causativa). 2) Outros traduzem: «Eu serei o que sou», significando assim a imutabilidade e eternidade divina, mas, ainda que o imperfeito hebraico se possa traduzir tanto pelo presente como pelo futuro, não parece legítimo que na mesma frase se use diversa tradução para a mesma forma verbal. 3) Outros preferem uma tradução: «Eu sou porque sou», isto é, em Mim está toda a razão da minha existência, traduzindo o pronome relativo «que» (’axer) não como pronome, mas como conjunção causal, uma coisa pouco frequente. 4) Finalmente, temos aqueles que traduzem: «Eu sou Aquele que sou» (tradução mais habitual), ainda que haja divergências na interpretação; assim: a) uns entendem: Eu sou um ser inefável, indefinível através de qualquer nome, tendo em conta a mentalidade segundo a qual conhecer o nome duma divindade implicava um domínio mágico sobre ela: Deus, com esta maneira de falar, subtraía-se a dar o seu nome, revelando assim a sua transcendência (esta opinião não se coaduna bem com o contexto: v. 15); b) outros entendem: Eu sou Aquele que sou, em contraste com os deuses pagãos que não são, não têm existência real, pois «Eu sou, e serei contigo» (v. 12) para defender, guiar, proteger e salvar o meu povo. c) e também há quem entenda Eu sou Aquele que sou significando Aquele a quem compete a existência sem quaisquer restrições, realidade que a filosofia e a teologia vêm a explicitar dizendo que Deus é o ser necessário e absoluto, o ser a cuja essência pertence a existência, interpretação esta que, embora se coadune com a tradução grega dos LXX, Eu sou Aquele que existe, corresponde mais à reflexão filosófico-teológica do que à mentalidade semítica.

A pronúncia do nome divino Jeová não é correcta e procede do século XVI, quando os estudiosos leram as consoante do tetragrama divino, YHWH (4 consoantes) com as vogais do nome Adonai. Com efeito, quando, a partir do séc. VI p. C. os massoretas colocaram os sinais vocálicos no texto hebraico (que se escrevia só com consoantes), tiveram o cuidado de não colocar no nome de Yahwéh as suas vogais próprias, a fim de que um leitor distraído não pronunciasse o inefável nome divino, mas lesse Adonai. Note-se que o nome de Jesus (Yehoxúa) é teofórico, entrando na sua composição o nome Yahwéh: Yahwéh-salva. É por isso que, quando os cristãos invocam a Jesus, estão a utilizar e a santificar o nome de Yahwéh, e também é por isso que só no nome (na pessoa) de Jesus está a salvação (Act 4, 12). Por outro lado, Jesus nunca se dirige Deus com o nome de Yahwéh, ou o seu correspondente Senhor, mas com o nome que indica a distinção pessoal, Pai. Seria absurdo e ridículo pensar que, para alguém se salvar, tenha de usar o nome de Yahwéh no trato com Deus; Jesus, que veio para nos salvar, não impôs a obrigação de usarmos o nome de Yahwéh, como condição de salvação e a Igreja que continua a missão de Jesus nunca urgiu tal tratamento para Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 102 (103), 1-4.6-8.11 (R. 8a)

 

Monição: Bendiz, ó minha alma, o Senhor e todo o meu ser saiba agradecer os seus benefícios.

 

Refrão:         O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

 

Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades.

Salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.

 

O Senhor faz justiça

e defende o direito de todos os oprimidos.

Revelou a Moisés os seus caminhos

e aos filhos de Israel os seus prodígios.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

Como a distância da terra aos céus,

assim é grande a sua misericórdia para os que O temem.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Tudo o que se passou com o povo judeu na travessia do deserto deve servir-nos de exemplo.

 

1 Coríntios 10, 1-6.10-12

Irmãos: 1Não quero que ignoreis que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, passaram todos através do mar e na nuvem e no mar, 2receberam todos o baptismo de Moisés. 3Todos comeram o mesmo alimento espiritual e todos beberam a mesma bebida espiritual. 4Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava: esse rochedo era Cristo. 5Mas a maioria deles não agradou a Deus, pois caíram mortos no deserto. 6Esses factos aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos o mal, como eles cobiçaram. 10Não murmureis, como alguns deles murmuraram, tendo perecido às mãos do Anjo exterminador. 11Tudo isto lhes sucedia para servir de exemplo e foi escrito para nos advertir, a nós que chegámos ao fim dos tempos. 12Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.

 

A leitura é tirada daquela parte da carta onde Paulo procura dar resposta a um problema prático que então ali se punha: se era lícito ou não comer as carnes que, depois de terem sido oferecidas num templo pagão a um ídolo, eram vendidas na praça, os chamados idolótitos. O Apóstolo, depois de ter explicado os princípios gerais, a saber, que se podiam comer, pois os ídolos não são nada (8, 1-6), adverte que era preciso ter em conta aqueles irmãos, fracos e timoratos, que se pudessem vir a escandalizar com isso (8, 7-13), e passa a ilustrar a doutrina exposta, primeiro, com o seu exemplo de renunciar a direitos para bem dos fiéis (9, 1-27), depois, com as lições da história de Israel (10, 1-13): apesar de os israelitas na peregrinação do deserto terem sido favorecidos com tantos prodígios, «a maioria dele não agradou a Deus» e pereceu (v.5). E isto é uma lição para todos nós, para que não venhamos a arvorar-nos em fortes, pois também podemos vir a ser infiéis ao Senhor e a «cair» (v. 12). Os exegetas têm posto em relevo a actualidade dos escritos paulinos, pois S. Paulo, mesmo quando trata de assuntos ocasionais, que não nos dizem respeito, como neste caso, sempre apela para princípios válidos para todos os tempos e lugares.

2 «Na nuvem e no mar receberam todos o baptismo de Moisés», isto é, foram vinculados a Moisés aqueles antigos judeus pelo facto de, sob a sua chefia, se terem salvo com travessia das águas do «Mar» Vermelho e com a «nuvem» (sinal da presença protectora Deus). E isto a tal ponto que ficaram a constituir o que Actos 7, 38 chama a «igreja do deserto». Tudo isto era a figura, ou exemplo (vv. 6.11) dos cristãos, baptizados em Cristo e formando o novo e definitivo povo eleito, que é a Igreja.

3 «Alimento espiritual». O maná é chamado espiritual, pelo carácter sobrenatural de que se revestia a sua abundância e por ser também uma figura da SS. Eucaristia. A «bebida espiritual», a água do Êxodo, também é espiritual por milagrosa e pelo seu significado espiritual: uma figura do Espírito que Cristo dá aos crentes (cf. Jo 4, 10; 7, 37-39; 16, 7; 20, 22).

4 «O rochedo espiritual que os acompanhava». Parece que S. Paulo se soube aproveitar duma tradição rabínica que consta da Tosefta, segundo a qual a pedra da qual brotou água (Ex 17, 6) acompanhava os israelitas na sua peregrinação no deserto. Como os mestres rabinos costumavam identificar este rochedo com Yahwéh (cf. Êx 17, 6), a «Rocha de Israel» (Salm 18(17), 3), S. Paulo, para quem «esse rochedo era Cristo», insinua não só a preexistência de Cristo, mas também a sua divindade, a sua identificação com Yahwéh.

5 «Caíram mortos». Cf. Nm 14; 26, 65-65.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 17

 

Monição: O tempo quaresmal deve ser tempo de avaliação. Todo o pecado do homem tem perdão, mas é preciso arrepender-se. Estar disposto a mudar de vida, a dar fruto.

 

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Arrependei-vos, diz o Senhor;

está próximo o reino dos Céus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 13, 1-9

1Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. 2Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? 3Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. 4E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante». 6Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. 7Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ 8Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. 9Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

 

Jesus contraria a opinião corrente de então e de hoje, que atribui todas as desgraças a um castigo de Deus; Ele antes quer que se vejam como um aviso de Deus, por isso aproveita estes acontecimentos para fazer um forte apelo à conversão.

1 «Pilatos mandara derramar o sangue...» Facto apenas conhecido por S. Lucas, mas que estava de acordo com o carácter violento e repressivo do procurador romano. Um acto semelhante, o mandar matar uns samaritanos por ocasião duma peregrinação ao Monte Garizim, no ano 35, foi a ocasião para os judeus conseguirem do imperador destituição de Pilatos, segundo conta Flávio Josefo (cf. Antiquitates, XVIII).

4 «A torre de Siloé, ao cair...» Facto também só conhecido por este relato. Siloé é o nome duma piscina a Sueste de Jerusalém, na parte interior da muralha que naquele sítio teria provavelmente algum torreão que então caiu.

5 «Eu digo-vos que não». Deus nem sempre castiga nesta vida os mais culpados. As calamidades e os males que nos sobrevêm podem ser uma prova a que Deus nos sujeita, uma ocasião de expiarmos os nossos pecados e uma chamada à conversão: «se não vos converterdes…»

6-9 Com a parábola (exclusiva de S. Lucas) da figueira sem frutos, o Senhor pretende ensinar que é urgente que nos convertamos: Deus é paciente na sua misericórdia (cf. Pe 3, 9; Ez 33, 11; Jl 2, 13; Sab 11, 23), mas não podemos adiar o arrependimento para uma hora que pode já ser tardia. É urgente que dêmos frutos de santidade, pondo de lado a preguiça e o comodismo que tornam a vida inútil e estéril; Deus não deixa impune a falta de correspondência à cava e ao adubo da sua graça: «mandá-la-ás cortar».

 

Sugestões para a homilia

 

Deus viu a situação dos judeus no Egipto e libertou-os, servindo-se de Moisés.

Pode aludir-se às palavras que Deus usa para ser apresentado aos judeus por Moisés: «Eu sou Aquele que sou». Deus é o ser necessário e absoluto. O ser a cuja essência pertence a existência. «Eu sou um ser inefável, indefinível através de qualquer nome».

Reparemos em algumas expressões usadas por Deus no diálogo com Moisés: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto».

Como Deus desce ao nível do homem: vê... «Eu vi». Como isto é belo. Deus atento aos pequenos pormenores da vida do seu povo... «A sua situação é miserável». «Eu escutei o seu clamor provocado pelos opressores». «Conheço as suas angústias». «Quero levá-lo para uma terra boa e espaçosa, onde corre leite e mel».

Será que Deus, hoje, agora, não está a ver-nos, aqui, com algum sacrifício, também cheio de problemas? Para nós Deus é Aquele que nos ama como Pai e nos quer salvar.

Também hoje, agora, quer-nos mais felizes, mas não é possível sem a colaboração de todos. São muitos os que vivem longe de Deus e que são os novos opressores.

Durante a saída do Egipto, e a travessia do deserto, o povo de Deus viu coisas extraordinárias!

Qual foi a atitude do povo de Deus para com o seu Deus? A ingratidão. «A maior parte não agradou a Deus» (segunda leitura). As consequências foram graves. Deus corrige os seus filhos como um bom Pai.

Hoje está a acontecer o mesmo. O homem tem tudo e isso não o aproxima de Deus. Está a afastar-se de Deus.

No Santo Evangelho vemos a parábola da Figueira. «Já não dá figos há três anos». «Vamos cortá-la». «Ficará mais um ano».

Também nós já vivemos várias Quaresmas sem dar frutos de conversão, sem Confissão Pascal, nem Comunhão. Quando nos decidimos a mudar? Rezemos uns pelos outros. Não critiquemos. As críticas nada resolvem. Rezemos, sacrifiquemo-nos. Deus fará o resto. Não deixemos de confiar a Nossa Senhora os casos mais delicados.

 

Nota – Em vez das leituras indicadas para o Ano C, podem tomar-se as do Ano A

 

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos, a Deus Pai, implorando a sua Misericórdia,

e digamos:

Senhor, aumentai a nossa confiança em vós

 

1.  Pela Igreja, para que nesta Quaresma sinta o apelo à conversão

e não poupe esforços para conseguir esse objectivo,

oremos.

 

2.  Para que saibamos agradecer ao Senhor todas as graças recebidas,

oremos.

 

3.  Pelos que passam fome,

pelos que vivem em países onde não é respeitada a liberdade religiosa

e por todos os que mais sofrem,

oremos.

 

4.  Para que os governantes

não vivam para os seus interesses

e cuidem sobretudo dos mais carenciados,

oremos.

 

5.  Para que preparemos devidamente a nossa Confissão Pascal

e ajudemos os nossos irmãos a fazê-lo,

oremos.

 

6.  Para que todos vejam no Sacramento da Penitência, ou Confissão,

um dom maravilhoso de Deus,

oremos.

 

7.  Para que todos nós, aqui reunidos,

sintamos que Deus nos vê e nos acompanha em todos os momentos de cada dia,

oremos.

 

Senhor, Deus de bondade, atendei as nossas orações e fazei-nos chegar às solenidades Pascais.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo…

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confesso o meu pecado, J. Santos, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Monição da Comunhão

 

Em cada comunhão, Deus não se limita a «ver-nos». Se deixarmos, ele transforma-nos.

 

Cântico da Comunhão: Bem-aventurados os que têm fome, M. Luís, NRMS 53

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Digamos a todos: hoje descobri que Deus vê e acompanha cada um de nós.

 

Cântico final: Ó Cruz vitoriosa, F. da Silva, NRMS 29

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

feira, 12-III: Sim à vontade de Deus.

2 Reis 5, 1-15 / Lc. 4, 24-30

Vai banhar-te e ficarás purificado… Então, ele (Naamã) desceu e mergulhou sete vezes no Jordão…e ficou purificado.

As leituras de hoje referem o milagre da cura de Naamã. E isto foi possível porque, embora ele se tenha recusado obedecer ao princípio, rectificou e ficou curado (cf. Leit.).

Não nos esqueçamos que todos nós fomos igualmente curados pela obediência de Cristo: «Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente… Na oração da sua agonia, Ele conforma-se totalmente com esta vontade…’Em virtude dessa mesma vontade é que nós fomos santificados’ (Heb. 10, 10)» (CIC, 2824). Procuremos identificar a nossa vontade com a do Senhor, embora nos possa custar.

 

feira, 13-III:A medida do perdão de Deus e do nosso.

Dan. 3, 25. 34-43 / Mt. 18, 21-35

 Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa brandura e segundo a vossa imensa misericórdia.

Ananias, em nome do povo de Deus, invoca a misericórdia do Senhor (cf. Leit.), e foi-lhe concedido o perdão. O Deus misericordioso é o mesmo do Rei da parábola (cf. Ev.).

E nós, como perdoamos os outros? É muito necessário o perdão e a reconciliação no nosso mundo, nas nossas famílias e no nosso próprio coração. O motivo do perdão está em que Jesus, com a sua morte na cruz, nos fez irmãos uns dos outros, sem excepções, e saldou a dívida dos pecados de todos. Devemos perdoar sempre, porque é muito o que Deus nos perdoou e continua a perdoar.

 

feira, 14-III: Como Deus nos avalia.

Deut. 4, 1. 5-9 / Mt. 5, 17-19

Mas aquele que os praticar e ensinar (os mandamentos) será tido como grande no Reino dos céus.

Por estas palavras de Jesus ficamos a saber como Deus leva a cabo a avaliação da nossa vida: tem pouco valor quem não cumpre os mandamentos e tem muito valor quem os cumpre (cf. Ev.).

A importância do cumprimento dos mandamentos é esta: adquirimos sabedoria e entendemos melhor os acontecimentos (cf. Leit.). E, ao contrário do que muitos pensam, os preceitos da Lei são justos e muito melhores do que quaisquer outros (cf. Leit.). E, finalmente, são a chave que abre a porta de entrada para a vida eterna (cf. Leit).

 

feira, 15-III: A escuta da palavra de Deus.

Jer. 7, 23-28 / Lc. 11, 14-23

Jesus estava a expulsar um demónio, e este era mudo.

Este milagre da cura de um mudo (cf. Ev.) tem também um sentido simbólico: abrir os nossos ouvidos para escutarmos a palavra de Deus (cf. S. Resp.).

Deus nunca se cansou de falar ao seu povo, apesar de muitas vezes não ser ouvido. Enviou muitos profetas (cf. Leit.). Depois, coube a Jesus a proclamação da Boa Nova. Procuremos prestar atenção à proclamação da palavra de Deus durante a celebração eucarística, para que os nossos corações fiquem a arder, para que saiamos das trevas, do desânimo e da tristeza, e aumentemos o desejo de ficar sempre com Ele.

 

feira, 16-III: Correspondência ao amor de Deus.

Os. 14, 2-10 / Mc. 12, 28-34

Eu hei-de curar-lhes a rebeldia, amá-los-ei generosamente… serei como o orvalho para Israel.

Apesar de todas as infidelidades do povo de Israel, Deus perdoa todas as ofensas e compromete-se a ajudar (cf. Leit.).

Nunca conseguiremos imaginar o amor que Deus nos tem. Ele amou-nos até ao ponto de nos enviar o seu Filho Unigénito para nos salvar. Por isso, tem todo o direito a pedir-nos que O amemos mais: «amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua mente e com todas as tuas forças» (Ev.). Para correspondermos cada vez melhor «procuremos ir olhando sempre para os seus favores, porque isso nos desperta para amá-lo» (S. Teresa de Ávila).

 

Sábado, 17-III: Autenticidade do sacrifício.

Os. 6, 1-6 / Lc. 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos.

As palavras de Oseias «quero o amor e não os sacrifícios» (Leit.) têm uma aplicação prática na parábola do fariseu e do publicano. O fariseu orgulhava-se de oferecer alguns sacrifícios e o publicano manifestava o seu amor, através do arrependimento (cf. Ev.).

Na verdade, para que o sacrifício exterior seja autêntico, deve ser acompanhado pelo sacrifício espiritual. O modelo do sacrifício perfeito é o de Cristo na Cruz: «o único sacrifício perfeito é o que Cristo ofereceu na Cruz, em total oblação ao Pai e para nossa salvação. Unindo-nos ao seu sacrifício, podemos fazer da nossa vida um sacrifício a Deus» (CIC, 2100).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia: Adriano Teixeira

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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