2º Domingo da Quaresma

4 de Março de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Caminho pelo deserto, J. Santos, NRMS 69

Salmo 26, 8-9

Antífona de entrada: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

 

Ou

cf. Salmo 24, 6.3.22

Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nesta caminhada quaresmal, procuramos com mais frequência contemplar o rosto de Deus que Se nos manifesta pelas verdades da fé. Esta contemplação há-de produzir como fruto o Amor vivido em obras.

Neste 2.º Domingo da Quaresma o Senhor convida-nos a prosseguir esta caminhada com alegria, guiados por certezas que não enganam. Propõe-nos também uma revisão da nossa fé: o seu aprofundamento, a vivência prática e o apostolado pelo nosso testemunho.

 

Quando os vidros de uma janela não estão bem limpos, a luz passa muito diminuída ou, simplesmente, não passa. A luz da fé chega com dificuldade ao nosso interior, porque os pecados e faltas de generosidade impedem-nos de ver com perfeição.

Peçamos humildemente ao Senhor perdão dos nossos pecados e que, por este meio, aumente a nossa fé.

 

(Apresentamos sugestões para o esquema C)

 

– Senhor Jesus, perdoai-nos a falta de cuidado

em renovar cada dia a nossa formação doutrinal,

para que aumente cada vez mais a nossa fé,

convertei-nos e tende piedade de nós.

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

– Cristo, perdoai-nos tanta falta de coerência

entre a fé que professamos e a vida que vivemos,

que nos leva a não testemunhar Deus na vida,

convertei-nos e tende piedade de nós.

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

– Senhor Jesus, perdoai-nos o respeito humano

que nos leva a esconder as exigências da nossa fé,

sendo uns diante de Deus e outros diante dos homens,

convertei-nos e tende piedade de nós.

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

Perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A história do Povo de Deus começa com a partida de Abraão de Ur – sua terra natal – ao encontro do desconhecido, unicamente confiado na promessa do Senhor de o tornar pai de uma grande nação. Deus faz com o nosso Pai na Fé uma Aliança de Amor.

A nossa história divina começa também com a Aliança baptismal entre Deus e cada uma de nós.

 

Génesis 15, 5-12.17-18

Naqueles dias, 5Deus levou Abraão para fora de casa e disse-lhe: «Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». E acrescentou: «Assim será a tua descendência». 6Abrão acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído em conta de justiça. 7Disse-lhe Deus: «Eu sou o Senhor que te mandou sair de Ur dos caldeus, para te dar a posse desta terra». 8Abrão perguntou: «Senhor, meu Deus, como saberei que a vou possuir?» 9O Senhor respondeu-lhe: «Toma uma vitela de três anos, uma cabra de três anos e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho». 10Abrão foi buscar todos esses animais, cortou-os ao meio e pôs cada metade em frente da outra metade; mas não cortou as aves. 11Os abutres desceram sobre os cadáveres, mas Abraão pô-los em fuga. 12Ao pôr do sol, apoderou-se de Abraão um sono profundo, enquanto o assaltava um grande e escuro terror. 17Quando o sol desapareceu e caíram as trevas, um brasido fumegante e um archote de fogo passaram entre os animais cortados. 18Nesse dia, o Senhor estabeleceu com Abraão uma aliança, dizendo: «Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egipto até ao grande rio Eufrates».

 

Num texto dotado de grande beleza, deixa-se-nos ver como é que a promessa divina de dar em posse a terra de Canaã à descendência de Abraão (Gn 12, 7) se haverá de cumprir, apesar de não ter filhos da sua esposa Sara (v. 3); aqui esta promessa aparece rubricada com um tradicional rito de aliança. O comentário que se segue pode bem servir para a lectio divina.

6 «Abraão acreditou». «A fé de Abraão consiste em crer numa promessa humanamente irrealizável. Deus reconheceu-lhe o mérito deste acto (cf. Dt 24, 13; Salm 105, 31), o que lhe foi atribuído em conta de justiça, já que o «justo» é o homem a quem a sua rectidão e a sua submissão tornam agradável a Deus. S. Paulo utiliza este texto para provar que a justificação depende da fé e não das obras da Lei; mas a fé de Abraão determina a sua conduta, é princípio de acção, por isso S. Tiago pode invocar o mesmo texto para condenar a fé ‘morta’, sem as obras da fé» (Bíblia de Jerusalém); cf. Rom 4, 9-12 e Tg 2, 21-23. A fé de Abraão é posta em evidência não apenas aqui, ao crer na promessa de Deus, mas também ao obedecer para deixar a sua terra (Gn 12, 4) e para sacrificar o seu filho Isaac (Gn 22, 1-4).

8-10 «Como saberei que a vou possuir?» A narrativa alcança uma extraordinária beleza e dramatismo. Com efeito, Abraão, apesar de não ter dúvidas (como se disse para a promessa da descendência: v. 6), pede um sinal a Deus. E Deus não se limita a dar um sinal, mas condescende até ao ponto de mandar dispor as coisas para a celebração de um rito de aliança segundo os costumes da época: manda esquartejar uma vitela, uma cabra e um carneiro. Então havia o costume de selar alianças com este rito, para nós estranho, mas muito significativo: aqueles que faziam um contrato passavam entre as metades a sangrar de animais esquartejados invocando sobre si a mesma sorte daqueles animais sacrificados, caso viessem a falhar ao contrato ou aliança (cf. Jer 34, 18-19).

11-12 «Os abutres desceram... Um sono profundo... um grande e escuro terror». Mais uma vez a narrativa apresenta Deus a pôr à prova Abraão, e precisamente na mesma ocasião em que lhe dava um sinal; com efeito, apesar de Abraão ter tudo preparado, Deus atrasa a sua manifestação (vv. 17-18); mas Abraão não desiste de esperar, enquanto ia afugentando as aves de rapina, até que o dia chega ao fim, o momento em que o Patriarca se sente exausto e sobretudo angustiado interiormente, a ponto de se interrogar se tudo isto não teria sido uma ilusão. Matar todos aqueles animais não teria sido uma loucura? Cai a noite – também os místicos falam da «noite escura» –, mas Abraão não arreda pé, porque está certo de que Deus não pode falhar.

17 «Um brasido fumegante e um archote de fogo». Eis senão quando Deus se manifesta nestes dois símbolos que «passaram por entre os animais cortados»: assim Deus é apresentado a dizer-lhe veladamente, mas com a suficiente clareza para um homem de fé, que Ele mantinha firme a sua palavra, que a promessa não deixaria de vir a realizar-se! Note-se que este rito de aliança não é bilateral (como o do Sinai, em Ex 24, 6-8); para que se efective aquilo que é mera iniciativa divina, obra de Deus, basta a sua fidelidade; ao homem apenas compete dispor as coisas para que Deus actue – partir os animais – e não estorvar a acção divina – sacudir as aves de rapina. «A chama e o fumo simbolizam a Deus; a chama, por ser brilhante e quase imaterial e o fumo por ser impenetrável à vista, representavam a invisibilidade de Deus; cf. Ex 3, 2; 19, 18; 24, 17» (E. F. Sutcliffe). Os antigos semitas, como os árabes ainda hoje, utilizavam um forno portátil, com a forma de cone truncado, para cozer o pão; quando estava bem quente tiravam a lenha e introduziam a massa.

18 «Aos teus descendentes darei esta terra, desde a torrente do Egipto…», isto é, desde o wadi El-Arixe, que corre na época das chuvas do Sinai para o Mediterrâneo (não se trata do Nilo); nos tempos de Salomão o povo teve estes limites (cf. 1 Re 5, 1), uns limites ideais, «até ao Eufrates», no Iraque. Com estas palavras Deus aparece como o Senhor da Terra e o Senhor da História.

 

Salmo Responsorial    Sl 26 (27), 1.7-8.9abc.13-14 (R. 1a)

 

Monição: A parte do Salmo 26 que a liturgia coloca em nossos lábios exprime os sentimentos de Abraão nas provações e é a oração de um perseguido que passa do temor à esperança, da angústia à paz e à segurança.

Dirijamo-nos ao Senhor, fazendo dele a nossa oração cheios de confiança.

 

Refrão:         O Senhor é a minha luz e a minha salvação.

 

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem hei-de temer?

O Senhor é protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,

tende compaixão de mim e atendei-me.

Diz-me o coração: «Procurai a sua face».

A vossa face, Senhor, eu procuro.

 

Não escondais de mim o vosso rosto,

nem afasteis com ira o vosso servo.

Não me rejeiteis nem me abandoneis,

meu Deus e meu Salvador.

 

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor

na terra dos vivos.

Confia no Senhor, sê forte.

Tem coragem e confia no Senhor.

 

Segunda Leitura*

 

* O texto que está entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido

 

 

Monição: S. Paulo, na carta aos fiéis da cidade de Filipos, estabelece um contraste entre a triste vida dos que vivem sem fé, como se Deus não existisse e aqueles que, guiados por ela, vivem felizes, porque são, desde já cidadãos do Céu.

Em qual destes dois grupos nos encontramos, pela nossa vida, neste momento?

 

 

Forma longa: Filipenses 3, 17 – 4,1    Forma breve: Filipenses 3, 20 – 4, 1

Irmãos: [17Sede meus imitadores e ponde os olhos naqueles que procedem segundo o modelo que tendes em nós. 18Porque há muitos, de quem tenho falado várias vezes e agora falo a chorar, que procedem como inimigos da cruz de Cristo. 19O fim deles é a perdição: têm por deus o ventre, orgulham-se da sua vergonha e só apreciam as coisas terrenas. 20Mas] a nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso, pelo poder que Ele tem de sujeitar a Si todo o universo. 4,1Portanto, meus amados e queridos irmãos, minha alegria e minha coroa, permanecei firmes no Senhor.

 

O Apóstolo incita os fiéis a viverem como «cidadãos do Céu» (v. 20), segundo o seu exemplo.

17 «Sede meus imitadores». S. Paulo tem a consciência plena de que, com todas as veras da sua alma, é um imitador de Cristo (1 Cor 11, 1), por isso é que se atreve a falar desta maneira tão arrojada (cf. 4, 9; 1 Cor 4, 16; 1 Tes 1, 6; 2 Tes 3, 7.9).

18-21 Os «inimigos da Cruz de Cristo», que «se orgulham da sua vergonha», devem ser, mais provavelmente, os judaizantes, a quem Paulo visa nesta parte da sua carta (cf. 3, 1b ss), os quais antepõem ao valor salvífico da Paixão do Senhor a prática do rito da circuncisão, orgulhando-se de um sinal no membro viril, que o pudor e a decência obriga a esconder, e dogmatizam as prescrições alimentares (o ventre), endeusando-as; também poderia ser uma censura dirigida a cristãos moralmente depravados, o que é menos provável, dado o contexto em que Paulo está a falar. Não é deste corpo miserável (com marcas, como as da circuncisão, e com tantas limitações e mazelas) que o cristão se deve orgulhar, mas da sua condição de ressuscitado com Cristo, que lhe garantirá um futuro corpo glorioso, que transcende o próprio «universo» (v. 21).

«A nossa pátria está nossos Céus» (cf. Hbr 13, 14; 1 Pe 2, 11). A verdadeira pátria, da qual andamos como que desterrados, «os degredados filhos de Eva», é o Céu; mas, enquanto aqui «gememos» (cf. 2 Cor 5, 1-14), não estamos dispensados de cumprir os nossos deveres e exercer os nossos direitos de cidadãos da pátria terrestre; e, se os não cumprimos responsavelmente como cidadãos da pátria terrestre, também não podemos chegar à pátria celeste; por isso, nada é mais falso do que entender a fé cristã como ópio do povo.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: No momento da Transfiguração, o Pai faz ouvir a Sua voz no meio de uma nuvem luminosa. Proclama Jesus Seu Filho muito amado e convida-nos a escutá-l’O.

Façamo-lo, com toda a tenção e agradecimento, no Evangelho que vamos escutar e aclamemo-l’O.

 

Refrão: Louvor a Vós, Rei da Eterna Glória.                        Repete-se.

 

Cântico: B. Salgado, NRMS 32

 

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Lucas 9, 28b-36

Naquele tempo, 28bJesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. 29Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. 30Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, 31que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. 33Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. 34Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. 35Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». 36Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

 

Convém, antes de mais, notar um pormenor cronológico omitido na leitura litúrgica, mas nada despiciendo: «cerca de oito dias depois», em vez do habitual «naquele tempo». Com efeito, em todos os três Sinópticos, não é sem razão que se estabelece uma das raras ligações cronológicas entre este relato e o relato da confissão de fé de Pedro e do 1º anúncio da Paixão e Morte de Jesus. É uma ligação de grande alcance teológico: por um lado, a fé de Pedro é confirmada e ilustrada de forma singular com a glória divina que Jesus manifesta na sua Transfiguração; por outro, indica-se que a Cruz é o caminho da glória, como para Jesus, assim para os seus discípulos (per crucem ad lucem).

28 «Subiu ao monte para orar». O monte Tabor (562 m), na Galileia, segundo a tradição, ou, segundo muitos hoje pensam baseados em Mt 17, 1 e Mc 9, 2 que falam de «um monte elevado», o monte Hermon, sobranceiro a Cesareia de Filipe, no maciço central da Síria (o Antilíbano) com 2.759 metros, a região por onde Jesus então andava (cf. Mc 8, 27; 9, 1). S. Lucas é o único a notar que Jesus subiu ali para fazer oração; também não diz que se transfigurou, mas que «se alterou o aspecto do seu rosto…», certamente com a preocupação de que os seus primeiros leitores de ambientes greco-romanos não pensassem que se tratava de alguma metamorfose própria das religiões mistéricas. Mas a transfiguração de Jesus não deixa de apontar para a nossa própria transfiguração pela graça do Espírito do Senhor, como diz S. Paulo em 2 Cor 3, 18: «todos nós…, que reflectimos como num espelho a glória do Senhor vamos sendo transformados na sua própria imagem, cada vez mais gloriosa…».

31 «Falavam da morte d’Ele». Também só o 3.° Evangelho diz o assunto da conversa de Jesus com Moisés e Elias. Falavam da «saída» de Jesus, como se expressa o original grego, que a nossa tradução interpretou como «a morte», mas que também se poderia referir à Ascensão (menos provável); de qualquer modo, o uso do termo grego êxodo pode aludir ao carácter libertador da morte de Jesus, numa alusão à libertação da escravidão do Egipto.

32-33 «Estavam a cair de sono; mas, despertando...» Este pormenor exclusivo de Lucas pressupõe que a Transfiguração se deu de noite, enquanto Jesus fazia oração, pois gostava de orar de noite (cf. Lc 6, 12; Mc 6, 46). A proposta de Pedro de construir «três tendas» (de ramos), tem na devida conta a diferente dignidade de cada um e pretende prolongar aquele êxtase feliz.

35 «Este é o meu Filho, o meu Eleito». A Transfiguração é um confirmar da fé daquele núcleo duro dos Doze, as «colunas» do Colégio Apostólico; assim, o próprio Pai apresenta Jesus como o seu Filho. S. Lucas, em vez de «o Amado» (cf. Mt 17, 5; Mc 9, 7), diz: «o meu Eleito», que é mais uma forma (e mais clara) de O designar como o Messias (cf. Lc 23, 35; Is 42, 1). Comenta S. Tomás de Aquino: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa» (Sum. Th. 3, 45, 4, ad 2).

36 «Guardaram silêncio», por ordem de Jesus (Mc 9, 9-10) que pretende, a todo o custo, evitar a agitação popular à sua volta.

 

Sugestões para a homilia

 

   Introdução

   A fé do Patriarca Abraão

Fé e entrega a Deus

A Fé, virtude sobrenatural

As dúvidas contra a fé

Deus nunca falta

   A luta contra as tentações da fé

Queremos entender tudo

A ignorância

Procuramos uma vida sem o mistério da cruz

A Eucaristia, mistério de fé.

Introdução

A história da salvação está marcada ao ritmo de alianças:

a Aliança patriarcal com Abraão (Gen 15 e 17) na qual apenas Deus se compromete;

a Aliança moisaica no Sinai (Ex 19-24) que se apresenta como pacto bilateral, pois Deus compromete-Se a ser o Deus de Israel, e o Povo a adorar o seu único Deus e a observar a Sua Lei;

a Aliança de Siquém (Jos 24), na qual o Povo de Deus, depois de entrar na Terra da Promissão, se compromete à fidelidade para com o Senhor;

a Aliança davídica (2 Samuel 23, 5), na qual Deus faz com a casa (família) de David um pacto eterno;

a Aliança post-exílica (Neh 8-10) em que o Povo de Deus, na regresso do exílio, depois de ter ouvido a leitura do Livro da Lei, se compromete à fidelidade ao Senhor;

e a nova e eterna Aliança (Lc 22, 20) feita pelo Pai em Jesus Cristo no Calvário.

A fé do Patriarca Abraão

Yahvé convida Abraão a contar, se possível, as estrelas do Céu e promete fazê-lo pai de uma descendência ainda mais numerosa. Na distância dos tempos, Deus via Abraão, não só pai do Povo Hebreu, Deus referia-se à Igreja, novo Povo de Deus.

A descendência era considerada um sinal da benevolência de Deus, uma bênção. Deus mostrava, por este meio, quanto amava o nosso Pai na Fé e como lhe agradara a confiança incondicional no Senhor que o levara a abandonar a família, os bens e a terra e partir para cerca de mil quilómetros de distância.

Hoje, o homem individualista não veria nesta promessa uma bênção. No entanto, continua a experimentar o desejo de se perpetuar nos filhos – com que alegria os pais e avós acarinham uma criança que nasce! – nos monumentos (estátuas, túmulos, etc.), nas ruas dedicadas e na literatura. Quer dizer que a aspiração a eternizar-se continua igual, embora com outras expressões.

 

Fé e entrega a Deus. Deus continua a lançar a cada pessoa o mesmo desafio de abandonar o que lhe é querido, confiando na promessa do Senhor. É este o repto lançado a todo aquele que segue uma vocação de castidade celibatária, por amor do Reino dos Céus: deixa os seus projectos humanos de constituir uma família, para amar mais a Deus presente nos irmãos; ao casal que deseja viver até às últimas consequências a sua fidelidade ao compromisso assumido, mesmo quando não recebe o dom dos filhos; ao missionário, quando joga todas as suas aspirações humanas nas mãos de Deus.

Este dar à vida uma rumo de eternidade feliz só se alcança pela fé vivida com fidelidade.

 

A Fé, virtude sobrenatural. Ter é confiar em Deus, fiar-se d’Ele, actuando em consequência com esta confiança. A fé não poderá, portanto, separar-se das obras.

A confiança de Abraão em Deus não é fruto dos esforços humanos do santo Patriarca, mas é puro dom de Deus.

Também nós somos tão pequeninos que não podemos oferecer seja o que for a Deus, sem que Ele coloque previamente esse dom em nossas mãos. Não temos, pois, razão para nos orgulharmos da nossa vocação cristã, da perseverança, nem autoridade para julgar seja quem for.

Por isso, os Apóstolos – e nós também – sentiam a necessidade de pedir ao Senhor que aumentasse a sua fé

Como o Apóstolo, podemos perguntar a nós próprios: «Que possuis que não tenhas recebido

 

As dúvidas contra a fé. Deus manda a Abraão que prepare um sacrifício cruento: Abraão espera até ao anoitecer que o Senhor se manifeste. Enquanto as aves de rapina adejam sobre o altar, tentando roubar a matéria do sacrifício, e um sono pesado o atormenta, Abraão sente-se tentado na confiança. Não será tudo aquilo um sonho?

Também nós experimentamos a fraqueza da carne, manifestada no sono profundo e na tentação de ceder à dúvida, abandonando tudo. Quem não passou alguma vez por esta provação de lhe parecer que tudo quanto arriscou por Deus na vida foi um mau negócio, porque não tem correspondência real?

As aves de rapina – o demónio e os maus exemplos que suscita na terra – tentam arrebatar-nos a matéria do sacrifício que é a nossa entrega. Não é pelo raciocínio que dissiparemos as dúvidas, pela oração humilde que nos alcança a graça de perseverar.

 

Deus nunca falta. Finalmente, um facho ardente – manifestação de Deus – passa entre as vítimas esquartejadas, segundo o rito usado naquele tempo. Os dois comprometidos – aqui só Deus Se compromete – passavam entre as metades das vítimas pronunciando uma frase tremenda: «o mesmo que aconteça a mim, se vier a faltar ao meu compromisso!»

Esta Aliança era uma figura da que o Pai fez, em Jesus, no Calvário, também de modo sangrento. O «archote» do Amor infinito com que Deus Se entregou por nós garante-nos que Ele nunca falta às Suas promessas.

Unimo-nos a esta Aliança de Amor, aceitando o Baptismo com todos os seus dons e maravilhas: purificação do pecado original, a filiação divina, com o chamamento a uma vida de comunhão com Deus e com toda a Igreja, a herança do Céu, com todas as bênçãos e graças na vida presente.

Mais do que uma descendência numerosa, o Senhor promete-nos uma família sem fronteiras, com a qual viveremos em comunhão feliz – a própria felicidade de Deus – para sempre!

A luta contra as tentações da fé

Jesus leva consigo ao alto de um monte três dos Seus Apóstolos: Pedro, Tiago e João. São os mesmos que testemunham a ressurreição da menina e que vão ficar perto d’Ele nas duas horas de agonia no Horto.

O Mestre ensina-nos, com este gesto, entre muitas outras coisas, a lutar pela superação das tentações contra a fé. Todas convergem, afinal, para uma única: a soberba, embora com diversas manifestações.

 

Queremos entender tudo. Esta tentação não é puramente intelectual, como se a fé nos pedisse alguma coisa contra a razão. Aparece, principalmente, quando as verdades da fé levam a um compromisso de vida: exigência de um comportamento moral, desprendimento dos nossos projectos, arriscar o invisível, largando o que já temos na mão…

Se assim fosse, onde ficaria espaço para a confiança em Deus? Quando eu vejo tudo, compreendo tudo, não fica lugar para a fé.

Havemos de procurar aprofundar os conhecimentos da razão até onde for possível, mas parar respeitosamente diante do mistério.

Deus leva-nos, por ela, a ver até onde a nossa inteligência não alcançaria, descobrindo horizontes nunca sonhados. Vemos mais longe e melhor. Ele transmite-nos a Sua capacidade de ver e de entender, tanto quanto o permite a nossa natureza criada.

 

A ignorância. «Disse-Lhe Pedro: ‘Mestre, que bom é estarmos aqui!’» Temos uma fé débil, e queremos uma vida segura que não arrisque em mais nada a nossa vida.

É preciso alimentar a nossa fé com uma formação contínua e bem orientada. Há meios de formação – retiros, recolecções, conferências – muitos e bons livros e alguém que nos ajude a orientar a nossa vida.

Reconheçamos que esta crise actual se alimenta de uma catequese deficiente, logo enfraquecida ou mesmo apagada por filmes, programas de TV, leituras, maus exemplos.

É muito fácil encontrar pessoas que realizam manifestações de religiosidade, mas se recusam teimosamente a qualquer espécie de compromisso de vida.

 

Procuramos uma vida sem o mistério da cruz. Teimamos em recusar um esquema de vida em que a cruz está presente. Revoltamo-nos contra qualquer doença ou contrariedade. Porque Deus sai dos nossos esquemas, entramos em crise de fé.

Pedimos ao Senhor que nos resolva um problema e teimamos como se Ele estivesse obrigado a submeter-Se aos nossos critérios. Quando Deus não nos atende logo, ou quer que aprofundemos a intimidade com Ele, por uma oração mais prolongada, ou tem guardado para nós um mimo superior ao que desejávamos.

Não é por acaso que, logo na descida do monte, depois de ter mostrado tantas maravilhas aos Apóstolos, Jesus começa a falar-lhes claramente do Mistério Pascal: a Sua Paixão, Morte e Ressurreição: Ele nunca separa, na catequese estes três passos. Tudo, na nossa vida, acabará em glória, mas depois de passar pela morte e sepultura.

No alicerce de toda a nossa confiança em Deus está a filiação divina recebida no Baptismo.

 

A Eucaristia, mistério de fé. No primeiro dia de cada semana – o Dia do Senhor, celebração da Páscoa semanal – somos levados pela mão a robustecer a nossa fé.

Alimentamo-la com a Palavra de Deus que é proclamada para nós; fortalecemo-la com a recepção do Corpo e Sangue do Senhor; exprimimo-la e testemunhamo-la diante dos nossos irmãos, rezando e cantando.

Partimos de cada Missa com o mandato de anunciar aos que não estiveram connosco as maravilhas do Senhor.

Santa Isabel aclama Nossa Senhora porque acreditou em tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor. Aprendamos com Ela a meditar a Palavra de Deus em nosso coração, para que a nossa fé cresça de cada vez mais e se exprima em obras de vida eterna.

 

Fala o Santo Padre

 

«A misteriosa voz do alto convida-nos a seguir docilmente a ´luz do mundo`.»

 

1. «Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu ao monte para orar» (Lc 9, 28). Começa assim o Evangelho da Transfiguração de Cristo, que caracteriza este segundo Domingo da Quaresma. O evangelista Lucas realça que Jesus se transfigurou «enquanto rezava» num monte alto, mergulhado no diálogo íntimo e profundo com Deus Pai. Da sua pessoa irradia-se uma luz resplandecente, a antecipação da glória da Ressurreição.

2. Todos os anos, em preparação para a Páscoa, a Quaresma nos convida a seguir Cristo no mistério da sua oração, fonte de luz e força no momento da provação. De facto, rezar significa mergulhar com o espírito em Deus numa atitude de adesão humilde à sua vontade. Deste abandono confiante em Deus provém a luz interior que transfigura o homem, fazendo dele uma testemunha da Ressurreição. Isto só pode verificar-se escutando Cristo e seguindo-O docilmente até à paixão e à cruz. Por conseguinte, é para Ele que devemos olhar, «porque só nele, Filho de Deus, há salvação». […]

João Paulo II, Angelus, 7 de Março de 2004

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Enriquecidos por tudo o que nos foi anunciado,

apresentemos, por Jesus, no Espírito Santo ao Pai,

as dificuldades dos nossos irmãos de todo o mundo

que, juntamente connosco, caminham na fé.

Oremos (cantando): Senhor, aumentai a nossa fé!

 

1.  Pelo Santo Padre, os Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que nos apresentem, com toda a beleza e exigência,

a Palavra de Deus que Jesus nos veio anunciar,

oremos, irmãos.

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

2.  Pelos cristãos perseguidos e privados de liberdade,

para que o Senhor os fortaleça e encha de alegria,

na sua caminhada heróica para as alegrias eternas,

oremos, irmãos.

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

3.  Pelos Catequistas e todos os que nos alimentam a fé,

para que o façam com generosa sentido de responsabilidade,

fiéis ao Magistério e com o testemunho das suas vidas,

oremos, irmãos.

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

4.  Por todos os pais que assumiram o Baptismo dos filhos,

para que na gozosa intimidade da família, igreja doméstica,

revelem aos filhos o verdadeiro rosto de Deus que nos ama,

oremos, irmãos.

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

5.  Por todos aqueles que nos precederam na confissão da fé,

para que, se e necessário, Deus abrevie o tempo de purificação

e possam contemplar, quanto antes a glória da Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

Senhor que nos concedestes gratuitamente o dom da fé,

chamando-nos, por ela, a participar da bem-aventurança:

ajudai-nos a viver com fidelidade a nossa vocação cristã,

para que Vos possamos contemplar um dia no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Que é Deus convosco, na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Admonição

 

Jesus Cristo vai renovar, pelas mãos e voz do sacerdote, a Sua entrega, por Amor a todos nós, que aconteceu no Cenáculo, na noite de Quinta-feira Santa, antecipando misteriosamente o que iria passar-se na tarde de Sexta-Feira Santa, no Calvário. Imola-Se e entrega-Se a cada um de nós como Alimento, pelo ministério do sacerdote.

Participemos neste grande acontecimento, profundamente recolhidos e com sentimentos de gratidão.

 

Cântico do ofertório: Atei os meus braços, M. Faria, NRMS 9 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A transfiguração do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Depois de anunciar aos discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua paixão alcançaria a glória da ressurreição.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Saudação da Paz

 

Viver da fé concretiza-se em nos comportarmos uns para com os outros como filhos que somos do mesmo Pai do Céu.

Ele amou-nos, até se entregar à morte por nós. Sacrifiquemos pequenos caprichos, perdoando-nos mutuamente.

Com estes sentimentos

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

É o Filho predilecto do Pai que vamos receber na Santíssima Eucaristia, depois de Se ter imolado por nós.

Peçamos a Sua ajuda para o recebermos como Ele deseja: na graça de Deus, guardando o jejum que a santa Igreja estabeleceu e, sobretudo, com grande fé, pureza, amor e devoção

 

Cântico da Comunhão: Aproximai-vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

Mt 17, 5

Antífona da comunhão: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Anunciemos com alegria por toda a parte que o Senhor nos ama e entregou-Se à morte para nos salvar.

Sejamos, por toda a parte, arautos deste Amor infinito de Deus por nós.

 

Cântico final: É dura a caminhada, M. Faria, NRMS 6 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

2ªSEMANA

feira, 5-III: Aprender a ser misericordiosos.

Dan. 9, 4-10 / Lc. 6, 36-38

Sede misericordiosos como o vosso Pai celestial é misericordioso.

Para sermos misericordiosos como Jesus nos pede (cf. Ev.), precisamos, em primeiro lugar, reconhecer que somos pecadores como os demais: «Nós pecámos… deixámos os vossos mandamentos e as vossas leis (cf. oração de Daniel)» (Leit.). Só assim seremos mais compreensivos com as faltas dos outros. Depois, recebendo com frequência o sacramento da misericórdia: «Recebendo com maior frequência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele (Ev.)» (CIC, 1458).

Não esqueçamos que «a medida (a misericórdia) que empregardes é que hão-de empregar para vós) (Ev.).

 

feira, 6-III: A alma pode ficar limpa.

Is. 1, 10. 16-20 / Mt. 23, 1-12

Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, ficarão tão brancos como a neve.

Na Quaresma desejamos que assim aconteça: a nossa alma ficar branca como a neve (cf. Leit.).

Para isso, vamos seguir o conselho do profeta: «Lavai-vos, purificai-vos, deixai de praticar o mal. Aprendei a fazer o bem» (Leit.). Recorramos à confissão, à contrição, à luta contra as tentações, procuremos viver as virtudes. O Senhor também nos aconselha a viver a rectidão de intenção. É mau o exemplo dos escribas e fariseus: «Fazem todos as suas obras para serem vistos pelos homens» (Ev.). Procuremos oferecer tudo a Deus: para Ele toda a glória.

 

feira, 7-III: Um convite para a Quaresma.

Jer. 18, 18-20 / Mt. 20, 17-28

Prestai-me ouvidos, Senhor… Assim é que se paga o bem com o mal, pois abriram uma cova, para atentarem contra a minha vida.

Queixa-se Jeremias de, apesar do bem que tinha feito, o quererem maltratar (cf. Leit.). O mesmo acontece a Jesus, pois, apesar de passar pela terra a fazer o bem, querem condená-lo à morte (cf. Ev.).

Para alcançarmos um lugar no reino dos céus já sabemos que temos que seguir os passos do Senhor. E Ele convida-nos, como a João e a Tiago: «Podeis beber o cálice que eu estou para beber?» É um convite para a Quaresma. Procuremos cumprir bem os nossos deveres diários, aceitemos bem as contrariedades de cada dia, vivamos bem a caridade com o próximo, etc.

 

feira, 8-III: Vivência da solidariedade.

Jer. 17, 5-19 / Lc. 16, 19-31

Maldito aquele que põe no homem a sua confiança, que toma por apoio um ser de carne e afasta do Senhor o seu coração.

Foi isso que fez o homem rico da parábola: «todos os dias tinha esplêndidas festas» (Ev.). E não se dava conta do esfomeado que estava à sua porta. Devemos pensar que à nossa volta há muitas pessoas necessitadas, como Lázaro.

Precisamos viver melhor a virtude da solidariedade: «A solidariedade manifesta-se, em primeiro lugar, na repartição dos bens, na remuneração do trabalho. Implica também o esforço por uma ordem social mais justa, em que as tensões possam ser resolvidas melhor e os conflitos encontrem mais facilmente uma saída negociada» (CIC, 1940).

 

feira, 9-III: A nossa responsabilidade na paixão de Cristo.

Gen. 37, 3-4. 12-13. 17-28 / Mt. 21, 33-43. 45-46

Mas, ao verem o filho, os agricultores disseram entre si: Este é o herdeiro. Vamos matá-lo.

A parábola dos agricultores (cf. Ev.), bem como os maus tratos infligidos a José pelos seus irmãos (cf. Leit.), é um anúncio dos sofrimentos de Jesus na sua Paixão, que culminaram na sua morte.

Não esqueçamos que temos a nossa parte de responsabilidade no suplício de Jesus: «Não foram os demónios que o pregaram na cruz, mas tu com eles O crucificaste, e ainda agora o crucificas quando te deleitas nos vícios e nos pecados» (S. Francisco de Assis, in CIC, 598). Lutemos decididamente por evitar os pecados e acolhamos melhor o Senhor e o nosso próximo.

 

Sábado, 10-III: As misérias e a misericórdia de Deus.

Miq. 7, 14-15. 18-20 / Lc. 15, 1-3. 11-32

Qual o deus semelhante a vós que tira o pecado e perdoa o delito… o deus que não mantém sempre a indignação…?

Este retrato de Deus da profecia de Miqueias (cf. Leit.) coincide perfeitamente com o traçado na parábola do filho pródigo (cf. Ev.).

Em vez de ficarmos tristes e abatidos pelos nossos pecados recorramos à misericórdia de Deus: «o dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do filho pródigo, cujo centro é o ‘pai misericordioso’ (cf. Ev.): …a miséria extrema…o arrependimento e a decisão de se declarar culpado…o caminho do regresso; o acolhimento generoso por parte do pai…eis alguns aspectos do processo de conversão» (CIC, 1439).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia: Fernando Silva

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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