1º Domingo da Quaresma

25 de Fevereiro de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vamos todos guiados pela esperança, F. da Silva, NRMS 14

Salmo 90, 15-16

Antífona de entrada: Quando me invocar, hei-de atendê-lo; hei-de libertá-lo e dar-lhe glória. Favorecê-lo-ei com longa vida e lhe mostrarei a minha salvação.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Iniciámos na Quarta-feira última, com o rito penitencial da imposição das Cinzas o Tempo da Quaresma.

A Igreja propõe-nos, neste tempo forte da Liturgia, uma caminhada que nos levará até à Páscoa da Ressurreição do Senhor. É um espaço de luta ascética em que vamos preparar o Baptismo ou — se já o recebemos — renovar as suas graças por uma profunda conversão pessoal. Contamos, para esta renovação interior, com a ajuda imprescindível da Graça de Deus.

 

Antes do trato íntimo com o Senhor que se concretiza no acolhimento da Sua Palavra e na comunhão do Seu Corpo e Sangue, reconheçamos humildemente a nossa condição de pecadores. São muitas as nossas infidelidades à Lei de Deus e as faltas de generosidade ao que Ele nos vai pedindo. Examinemo-nos, peçamos perdão e prometamos emenda de vida, ajudados pela Sua Graça.

 

(Apresentamos sugestões para o esquema do rito penitencial C)

 

– Pela nossa tibieza em que facilmente nos deixamos cair,

limitando-nos a cumprir os Vossos Mandamentos sem Amor,

Senhor, tende piedade de nós.

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

– Pela rotina em que nos deixamos aprisionar facilmente,

louvando-Vos com palavras e mantendo longe de Vós o coração,

Cristo, tende piedade de nós.

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

– Pela nossa indiferença perante o afastamento dos nossos irmãos

necessitados urgentemente de ajuda material ou espiritual na sua vida,

Senhor, misericórdia.

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O texto do Livro do Deuteronómio proclamado na primeira leitura era a fórmula da apresentação dos dons usada pelos Israelitas e equivalia a uma verdadeira profissão de fé.

Nela são recordadas três verdades de fé: a eleição dos Patriarcas; a permanência no Egipto e o Êxodo; e doação da Terra Prometida.

Todas estas intervenções salvíficas de Deus pedem uma resposta da nossa parte, concretizada na conversão pessoal.

 

 

Deuteronómio 26, 4-10

Moisés falou ao povo, dizendo: 4«O sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra e colocá-las-á diante do altar do Senhor teu Deus. 5E diante do Senhor teu Deus, dirás as seguintes palavras: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egipto com poucas pessoas, e aí viveu como estrangeiro até se tornar uma nação grande, forte e numerosa. 6Mas os egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos e sujeitaram-nos a dura escravidão. 7Então invocámos o Senhor Deus dos nossos pais e o Senhor ouviu a nossa voz, viu a nossa miséria, o nosso sofrimento e a opressão que nos dominava. O Senhor fez-nos sair do Egipto com mão poderosa e braço estendido, 8espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios. 9Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, uma terra onde corre leite e mel. 10E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’. Então colocarás diante do Senhor teu Deus as primícias dos frutos da terra e te prostrarás diante do Senhor teu Deus».

 

A nossa leitura é tirada da parte final do chamado «Código Deuteronómico» (Dt 12 – 26) e contém a oração ritual a recitar no momento da oferta ao Santuário dos primeiros frutos da terra, as primícias. Esta oração contém o que Gerhard von Rad classificou de «Credo histórico», isto é um resumo do núcleo da fé de Israel, que é fundamentalmente uma confissão de fé nas intervenções salvadoras de Yahwéh na história deste povo, centradas na libertação da escravidão do Egipto e na instalação em Canaã, a terra prometida. Podem ver-se outras profissões de fé semelhantes em: Dt 6, 20-24; Jos 24, 1-13; Ne 9, 6-37; Jr 32, 17-25; Salm 136 (135).

5 «Um arameu errante». Trata-se de Jacob, que personifica a era dos patriarcas, assim chamado quer pelo facto de a migração de Abraão estar ligada com as movimentações de tribos de arameus na zona do Médio Oriente, mas também em razão de ter muitas relações de parentesco com a Mesopotâmia, onde vivia o seu tio Labão, o arameu (Gn 28,1-5), e onde passou longos anos em Aran com as suas mulheres (cf. Gn 29 – 30). Jacob, bem como Isaac e Abraão, levou uma vida semi-nómada, acabando por se estabelecer no Egipto «com uma família pouco numerosa», isto é, um grupo de 70 pessoas (Gn 46, 26-27; cf. Ex 1, 1-5).

9-10 «Deu-nos esta terra… E agora…» O gesto de oferecer as primícias tem esse sentido de gratidão de quem quer corresponder a tanto amor de Deus com a oferta simbólica, os primeiros frutos da terra. Por outro lado, era uma confissão de fé em Jahwéh, o único que concede a fertilidade, e ao mesmo tempo era uma forma de abjurar os sedutores cultos idolátricos da fertilidade – tão característicos de Canaã – da deusa Astarté. A oração também põe em evidência o forte contraste entre o pobre arameu errante, sem leira nem beira, e o agricultor a desfrutar livremente duma terra ideal – onde corre leite e mel – dada por Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 90 (91), 1-2.10-15 (R. cf. 15b)

 

Monição: Queremos afirmar ao Senhor, ao fazer do salmo 90 a nossa oração pessoal, a firme confiança de que Ele nunca nos faltará com a Sua ajuda de Pai.  

É uma oração para rezarmos muitas vezes ao longo desta Quaresma, especialmente quando nos sentirmos ameaçados pelo desânimo.

 

Refrão:         estai comigo, senhor, no meio da adversidade.

 

Tu que habitas soba a protecção do Altíssimo

e moras à sombra do Omnipotente,

diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:

meu Deus, em Vós confio».

 

Nenhum mal te acontecerá

nem a desgraça se aproximará da tua tenda,

porque Ele mandará os seus Anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Na palma das mãos te levarão,

para que não tropeces em alguma pedra.

Poderás andar sobre víboras e serpentes,

calcar aos pés o leão e o dragão.

 

Porque em Mim confiou, hei-de salvá-lo;

hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.

Quando me invocar, hei-de atendê-lo,

estarei com ele na tribulação,

hei-de libertá-lo e dar-lhe glória.

 

Segunda Leitura

 

Monição: No texto da sua carta aos fiéis de Roma, hoje proclamado, S. Paulo ensina-nos qual a natureza da confissão da fé cristã que salva e o conteúdo dessa mesma confissão. E acrescenta: «Se com os lábios confessares que Jesus é o Senhor, se com o teu coração acreditares que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo

 

Romanos 10, 8-13

Irmãos: 8Que diz a Escritura? «A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração». Esta é a palavra da fé que nós pregamos. 9Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação. 11Na verdade, a Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido». 12Não há diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam. 13Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

 

A citação do Deuteronómio com que começa o trecho desta leitura, refere-se à proximidade da revelação da salvação de Deus (cf. Dt 30, 12-14), ao dizer que não é preciso cruzar os mares nem subir às alturas para a encontrar. Para Israel ela estava encerrada na Thoráh; para os cristãos ela está patente na pregação apostólica da Igreja, e só nos resta aderir a ela interiormente e professá-la externamente. Mas S. Paulo vai mais longe, pois pretende mostrar que a salvação divina é uma realidade acessível a todos, sem distinção de raça ou nação, apenas se exige «crer» (e cita Is 28, 16) «e invocar o nome do Senhor» (cita Joel 3, 5), o Senhor, que é Jesus.

9 «Se confessares… que Jesus é o Senhor», isto é, que Jesus é Deus. Senhor – Kyrios – é a tradução dos LXX para o nome divino de Yahwéh; daí que aplicar este nome a Jesus é fazer uma profissão de fé na sua divindade; este frequente procedimento do N. T. é chamado um deraxe cristológico (uma actualização do A. T. para exprimir quem é Jesus, o mistério da sua pessoa). Note-se como, para ser salvo, se exige uma fé que não se reduz a uma mera confiança – fé fiducial – na obra salvadora de Jesus, pois implica crer naquilo que Ele é objectivamente: Ele salva pelo facto de que é Deus que vem, feito homem, para nos salvar. Doutra forma, a fé seria vazia, por carecer de um fundamento real sólido; que sentido teria então aderir a Cristo sem ter a certeza daquilo que Ele é na realidade? Seria cair num fideísmo idealista e subjectivista, numa fé que não iria para além dum vago e instável sentimento religioso. S. Paulo fala de «crer com o coração» (v. 10), usando a palavra «coração» no sentido semítico, próprio da citação bíblica anterior (v. 8): é a interioridade do ser humano, mais que a mera afectividade, engloba a sua mente (a inteligência e a vontade).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: Sentimos a necessidade de sermos alimentados pela Palavra de Deus, este alimento não pode ser substituído por nenhum outro.

Por isso manifestamos o nosso contentamento – embora de modo menos expansivo, neste tempo quaresmal – ao acolher o Evangelho que vai ser proclamado para nós.

 

Louvor a Vós, Cristo,             Repete-se.

Palavra de Deus.

 

Cântico: Não só de pão vive o homem, M. Luis, NCT 106

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 4, 1-13

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O diabo disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o demónio levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.

 

Uma consideração superficial desta narrativa poderia levar o leitor a cair numa de duas tentações de pólos opostos: ou a de ficar na literalidade do relato, que parece descrever umas tentações de gula, de ambição do poder, de vaidade e presunção, ou então a de não querer ver nada para além da teologia do evangelista. Quem olhar para o relato imbuído do preconceito de que não existe o diabo, nem a tentação diabólica, não terá mais remédio do que refugiar-se na fácil solução da negação do seu valor histórico, apelando para a teologia do evangelista, para o simbolismo e significado teológico destas tentações. Por outro lado, quem se aferrar a uma mentalidade fundamentalista para salvar a todo o custo o sentido histórico literal de cada pormenor da narrativa, partindo de que esta é uma crónica jornalística, adoptará uma posição redutora da riqueza teológica do texto e virá a cair em interpretações pueris e até incoerentes, como, por ex., a de imaginar Jesus a ser transportado pelo diabo para um ponto donde pudesse ver todos os reinos da terra (v. 4), como para o pináculo do Templo, onde «o colocou», segundo reza o texto (v. 9).

É indiscutível que Jesus foi sujeito à tentação (cf. Hbr 4, 15). Na Escritura a palavra «tentação» tem dois sentidos, tanto em grego, como em hebraico – peirasmós/massá –, a saber, o de «sedução» para praticar o mal, e o de «provação» que põe à prova a virtude e a fidelidade da criatura a Deus. Aqui, Jesus aparece claramente a ser tentado pelo demónio; muitas vezes, especialmente na hora da sua Paixão, é sujeito à prova (cf. Lc 22, 28. 40-46; 23, 35.37.49, etc.). Não obsta à realidade da tentação – a que Jesus não foi poupado – o significado simbólico dos elementos da narrativa, como o número «40» (tempo prolongado: cf. 1 Re 19, 8; Ex 16, 35; 24, 18; 34, 28…) e o «deserto» (lugar de solidão, abandono e perigo e também de encontro com Deus). Alguém escreveu que este relato recapitula toda a oposição, exterior e interior, que Jesus teve de enfrentar para cumprir a sua missão de acordo com a vontade do Pai.

Neste caso concreto, convém advertir que as tentações de Jesus aqui descritas não são de modo algum uma tentação ocasional, nem sequer um ataque mais violento; foram um duelo mortal e decisivo entre dois inimigos irredutíveis. Assim, estas tentações não vão dirigidas a fazer cair Jesus em meras faltas pessoais (gula, avareza, vaidade); mas são mesmo um ataque frontal, com o fito de fazer gorar toda a obra de Jesus. S. Lucas apresenta-nos o diabo a querer tirar a limpo até que ponto Jesus era o «Filho de Deus» (vv. 3 e 10), segundo lhe constaria da teofania do Jordão (cf. Lc 3, 23). Por outro lado, o maligno aparece a tentar Jesus precisamente no núcleo da sua missão messiânica, para tentar desviá-lo do plano divino para os seus planos diabólicos, de modo a que esta missão acabasse por vir a ser desvirtuada. Tentemos agora ver o alcance destas tentações:

3-4 Na primeira tentação, Jesus aparece tentado a enveredar pelo caminho da satisfação das esperanças materialistas do povo, que esperava um messias que lhe trouxesse bem-estar, riqueza, prosperidade, fertilidade, pão e prazer.

5-6 Na segunda tentação, Jesus é tentado a mover-se na linha das esperanças populares num messias político, vitorioso, dominador dos opressores romanos e senhor do mundo inteiro; trata-se da tentação que Jesus sentiu de se desviar do plano do Pai, a instauração do Reino de Deus, para se dedicar à instauração dum reino temporal, um plano aparentemente mais eficaz e bem mais sedutor.

9-12 Na terceira tentação, com aquele «atira-te daqui abaixo», é feito a Jesus um apelo diabólico a ir atrás da expectativa judaica, que pensava que o messias desceria espectacularmente do céu, à vista de todo o povo. Mas Jesus renuncia decididamente à fácil tentação de ser um messias milagreiro e espectacular, e diz que não à proposta de uma actuação com base no triunfo pessoal, no mero êxito humano.

Não devemos estranhar que S. Lucas inverta a ordem de S. Mateus para as duas últimas tentações, o que em nada diminui o valor do relato. A fonte pode ser a mesma, mas parece que Lucas coloca a última tentação em Jerusalém devido ao alto valor simbólico que quer dar à Cidade Santa e ao Templo no seu Evangelho. Ninguém foi testemunha das tentações de Jesus, pois se trata de coisas que se passaram apenas no seu espírito; mas também é compreensível que Jesus abrisse o seu coração aos discípulos, quando lhes falava da natureza do Reino de Deus e lhes explicava em particular as parábolas (cf. Mc 4, 34: seorsum autem discipulis suis disserebat omnia). O que é certo é que, para além das hipóteses que possam formular os críticos, ninguém poderá provar que estamos em face de meras criações teológico-narrativas dos evangelistas.

O alcance teológico desta narrativa nos três Sinópticos (em Marcos há apenas uma brevíssima alusão: 1, 12-13) é grande. Com efeito, as grandes personagens bíblicas foram «tentadas» e também o povo de Israel, no seu conjunto, especialmente durante a sua peregrinação pelo deserto, a caminho da terra prometida. Ora, em Jesus cumpre-se tudo o que estava em toda a Escritura (cf. Lc 24, 44); por outro lado, a vida de Jesus torna-se também um modelo para os cristãos e para toda a Igreja, que virá a ser tentada pelos poderes diabólicos, que nunca deixarão de pôr à prova a sua fidelidade e de os seduzir para o mal; os caminhos da Igreja não podem ser nunca os da glória terrena e do êxito fácil, mas os da humildade e do sacrifício, os árduos e escondidos caminhos da santidade.

13 «O diabo... retirou-se… até certo tempo». É uma observação exclusiva de Lucas, e foi no momento da Paixão de Jesus (sem podermos excluir outros) quando em força avançou o diabo, o poder das trevas (cf. Lc 22, 53. E também foi então a grande derrota do demónio e a vitória definitiva do Senhor, que nos mereceu a graça de também podermos sair vitoriosos das nossas tentações. S. João Crisóstomo comenta: «uma vez que o Senhor tudo fazia e sofria para o nosso ensinamento, também quis ser conduzido ao deserto e ali travar combate contra o diabo, a fim de que os baptizados, se, depois do Baptismo vierem a sofrer as piores tentações, não se perturbem com isso, como se se tratasse de uma coisa que não era de esperar. Não, não há que se perturbar com isso, mas sim permanecer firmes e suportá-lo generosamente como a coisa mais natural do mundo» (Homilia sobre S. Mateus, 13).

 

Sugestões para a homilia

 

– O amor de Deus para connosco pede-nos correspondência

Eleitos de Deus

Da escravidão para a liberdade

A vida nossa tem um sentido

– A luta interior

A tentação, uma prova a vencer

Os três rostos de tentação

O amor de Deus para connosco pede-nos correspondência

Moisés ensina ao Povo de Deus a fórmula da apresentação dos dons ao Senhor. Nela se resumem as verdades fundamentais da fé que devemos professar.

 

Eleitos de Deus. A eleição dos Patriarcas recorda-nos a eleição que o Senhor fez de cada um de nós, ao chamar-nos à Igreja, pelo Baptismo. Para aqueles que o receberam, foi o acontecimento mais importante da sua vida; para os que o preparam será também um passo inesquecível.

Talvez nos habituemos demasiado a esta eleição que o Senhor fez de nós e a sua riqueza se vá apagando aos nossos olhos.

O Tempo da Quaresma é um espaço propício para avivarmos em nós a recordação desta verdade: somos eleitos de Deus para a felicidade eterna.

É uma felicidade cristãos, membros da Igreja, quando aceitamos viver generosamente as exigências desta vida.

Quantas vezes ao dia me lembro de agradecer a filiação divina e a felicidade inimaginável a que o Senhor me chamou, sem merecimento algum da minha parte?

 

Da escravidão para a liberdade. A permanência no Egipto e o Êxodo evoca a escravidão que o pecado, a tibieza e a mediocridade de vida causam em nós e o desânimo em que tantas vezes nos deixamos apanhar

E como Deus nunca desiste de nos salvar, seja qual for a situação em que nos encontrarmos, Ele vem ao nosso encontro com solicitude, vindo em nosso auxiliando-nos com a luz da Sua palavra e a ajuda imprescindível dos Sacramentos.

O Senhor levantou-nos da humilhação a que o pecado nos reduziu; e nós regressamos a ela com uma teimosia infantil, sem atentarmos nos riscos em que ela nos coloca.

Por isso, a Igreja faz da Quaresma um verdadeiro espaço catecumenal em que as pessoas são instadas a preparar intensamente o baptismo, ou a renovar as suas promessas na noite da Vigília Pascal.

Estou convencido de que o pecado é uma verdadeira escravidão que, com a sua repetição ou permanência nele, vai criando uma teia de cada vez mais forte que me imobiliza na caminhada para a liberdade?

 

A vida nossa tem um sentido. A doação da Terra Prometida lembra-nos que a nossa vida tem um sentido: vamos a caminho do Céu, porque o Senhor conduz-nos – contando com o nosso esforço – a viver, na terra, a alegria dos filhos de Deus; e a participar eternamente no Céu da comunhão feliz com a Santíssima Trindade e com todos os bem-aventurados.

Nunca podemos perder de vista este ponto de referência para a nossa vida: a Pátria onde viveremos eternamente é o Céu. Se não chegássemos até lá, a nossa vida seria o maior dos fracassos.

Mais do que a oferta dos frutos da terra – aludidos na primeira leitura – o Senhor pede-nos a oferta do nosso coração, sem qualquer reserva ou limite de tempo.

São estas as disposições fundamentais com que a Igreja nos convida a percorrer os caminhos desta Quaresma.

Com toda a sinceridade com que devo apresentar-me diante do Senhor, estou interiormente disponível para me converter? Reconheço, com toda a sinceridade, que tenho urgente necessidade de o fazer?

A luta interior

Deus pede-nos um esforço responsável de fidelidade, de mãos dadas com Ele, para que tenhamos merecimento e recompensa. Sem responsabilidade não há liberdade, e sem esta, não há merecimento. São três aspectos inseparáveis da minha caminhada na terra.

A proposta da Liturgia da Palavra deste Domingo é a luta contra as tentações, no seguimento do exemplo de Cristo. «Jesus, (…) Foi conduzido pelo Espírito Santo através do deserto e tentado pelo demónio durante quarenta dias

 

A tentação, uma prova a vencer. Em si mesma, a tentação não é um mal, nem um bem. É como uma competição desportiva em que nos apresentamos com o desejo de a ganhar.

Não deixa de ser curioso notar que Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto onde foi tentado.

Outra nota a ter em conta, é que Jesus é tentado depois de ter estado a fazer uma coisa boa: a orar e a jejuar durante quarenta dias.

Muitas pessoas teimam em ver nas tentações com que são provadas um sinal do desagrado de Deus em relação a elas. Nada mais errado. Ele permite a provação para que tenhamos oportunidade de Lhe manifestarmos o nosso amor fiel.

Algumas tentações têm origem na nossa fragilidade pessoal, acentuada pela inclinação doentia para a desordem moral: na preguiça e recusa de qualquer esforço, na sensualidade e na gula, ou na cultura orgulhosa da própria glória. As tentações de Jesus não podiam ter esta origem, porque a Sua natureza não estava desequilibrada como a nossa, por causa do pecado original.

Outras, vêm do demónio, quer directamente, pelas suas sugestões, quer porque se serve das pessoas com quem vivemos para nos dar maus exemplos e nos aliciar a segui-los. No caso de Jesus – como se declara no Evangelho –, a tentação veio do demónio que resolveu, pessoalmente, experimentá-l’O: Ele não saberia que estava na presença do Messias.

É uma dolorosa realidade que podemos constatar a cada momento: a organização do mal, como a imoralidade, a morte criminosa, o ódio, têm um inspirador, um dirigente desta orquestra da iniquidade.

 

Os três rostos de tentação. Nas três propostas que o Inimigo do homem faz a Jesus estão resumidas todas as tentações com que somos provados.

– «Disse-Lhe o Demónio: ‘Se és o filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em pão’.» À primeira vista, encontramos uma certa lógica nesta proposta: «Nesses dias, (Jesus) não comeu nada e, quando eles terminaram, sentiu fome». Era, pois, natural, que procurasse alimentar-Se.

Mas a proposta que o Inimigo Lhe faz é, nem mais nem menos, que usar o Seu poder divino ao serviço das coisas materiais.

Não falta quem deseje ver a Igreja que Ele fundou empenhada num projecto político, misturando os dois mundos – como acontece no fundamentalismo islâmico e noutros credos.

Também na Igreja há quem se envolva a tempo inteiro em projectos de trabalho, de iniciativas sociais, e não guarde tempo para a oração e sacramentos.

É igualmente a doença de algumas famílias de hoje: os pais empenham-se a tal ponto nas preocupações económicas que não encontram tempo para educar os filhos nas virtudes humanas e transmitir-lhes a fé.

Estamos perante a cedência à concupiscência dos olhos, à ambição do ter mais, ocupando o lugar do ser mais. A resposta é-nos ensinada por Jesus: «nem só de pão vive o homem».

– «Dar-te-ei todo este, e a glória destes reinos, porque me foram confiados». Qual a condição para usufruir de tanta liberalidade? «Se Te prostrares, para me adorar, todo esse poder será teu

Ela uma tentação falaciosa: em vez de um trabalho cansativo de evangelização, com um prodígio destes, toda a gente se converteria, e os reinos ficavam a fazer parte do Reino que Jesus vinha fundar.

Esta sugestão diabólica envolve, mais uma vez, algo reprovável: o abuso da liberdade das pessoas. Tem a sua versão actual na falta de liberdade religiosa, em muitos lugares e modos. Acontece até que, a pretexto de liberdade neste campo, se priva as pessoas dela, proibindo ou dificultando o ensino religioso nas escolas, apelando para ela, como se qualquer religião fosse boa e não houvesse, da parte do homem, a obrigação de procurar a verdadeira religião ensinada por Jesus Cristo, como lembrou o Concílio.

Jesus ensina-nos a lutar contra esta tentação: «Ao Senhor, teu Deus, é que hás-de adorar, só a Ele prestarás culto.» E um culto que Deus muito aprecia é o respeito pelas pessoas.

– «O Demónio levou-O depois a Jerusalém, colocou-O no cimo do Templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus atira-Te daqui abaixo. Pois está escrito: ’Deus mandou aos Seus Anjos a respeito de Ti, para que eles Te guardem. '»

Fala-se muito em tentar a Deus. Este desvio consiste em querer que Deus faça tudo, mas sem contar com o que podemos fazer.

Não faltam pais que gostariam que os filhos fossem melhores, mas não fazem o que está ao seu alcance para o conseguir: rezar por eles, dar-lhes bom exemplo, ensiná-los e corrigi-los.

Também na nossa vida pessoal acontece isto mesmo: queremos melhorar espiritualmente, mas não encontramos tempo para a oração, declinamos sempre o convite para meios de formação espiritual, deixamos de lado as boas leituras e tantos outros meios que o Senhor deixou ao nosso alcance.

«Jesus respondeu-lhe:’ Não tentarás o Senhor, teu Deus.’»

Na Celebração da Eucaristia de cada Domingo, procuramos fortalecer-nos contra todas estas seduções. Só o atleta que se alimenta convenientemente e se mantém esclarecido sobre as dificuldades que vai enfrentar na sua competição desportiva pode sonhar com a vitória.

Confiamos na ajuda de Nossa Senhora, a vencedora do Dragão, para responder com generosidade ao convite que o Senhor nos apresenta nesta Quaresma.

 

Fala o Santo Padre

 

«Nós, como Cristo, somos chamados a uma luta forte e convicta contra o demónio.»

 

1. «Jesus... foi conduzido pelo Espírito através do deserto. Ali, foi tentado pelo demónio durante quarenta dias» (Lc 4, 1-2). A narração dos quarenta dias transcorridos por Jesus através do deserto, no início da vida pública, ajuda-nos a compreender melhor o valor do «tempo forte» da Quaresma, que há pouco teve início.

Enquanto empreendemos o itinerário quaresmal, olhamos para Cristo que jejua e luta contra o demónio. Com efeito, também nós, ao preparar-nos para a Páscoa, somos «conduzidos» pelo Espírito através do deserto da oração e da penitência, para nos alimentarmos intensamente com a Palavra de Deus. Também nós, como Cristo, somos chamados a uma luta forte e convicta contra o demónio. Somente assim, com uma renovada adesão à vontade de Deus, podemos permanecer fiéis à nossa vocação cristã: ser arautos e testemunhas do Evangelho.

5. […] O Apóstolo Paulo recorda-nos: «Pois se confessas com a boca que Jesus é o Senhor, e acreditas com o coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo» (Rm 10, 9). Este é o núcleo da fé, que sois chamados a proclamar com a vossa existência: Jesus morto e ressuscitado por nós! Esta é a verdade fundamental a que fazeis referência para o vosso crescimento espiritual, que deve ser constante, e para a vossa missão apostólica. […]

 

João Paulo II, Vaticano, 28 de Fevereiro de 2004

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Nesta Quaresma, que ensaia os primeiros passos,

queremos assumir um comportamento de bons filhos,

que encaram com espírito desportivo o convite do Senhor.

Peçamos, por Jesus, ao Pai, a fortaleza necessária,

Para nos conduzirmos com generosidade e valentia.

Oremos todos (cantando):

Convertei, Senhor, as nossas vidas!

 

1.  Para que o Santo Padre, Bispos e seus colaboradores

encontrem nesta Quaresma as graças de que precisam

na missão que o Senhor lhes confiou de guiar os fiéis,

oremos, irmãos:

 

Convertei, Senhor, as nossas vidas!

 

2.  Para que os pais e mães de família e demais educadores

ensinem, com a palavra oportuna e com o exemplo vivo,

os mais jovens a fazer desta Quaresma um bom combate,

oremos, irmãos:

 

Convertei, Senhor, as nossas vidas!

 

3.  Para que nas nossas famílias se viva com alegria

o apelo da Igreja, nesta Quaresma, à conversão,

na fidelidade aos desígnios do Senhor sobre ela,

oremos, irmãos:

 

Convertei, Senhor, as nossas vidas!

 

4.  Para que o Senhor conceda à Igreja muitas vocações

sacerdotais, religiosas, missionárias e matrimoniais

que vivam em toda a sua exigência a luz o Evangelho,

oremos, irmãos:

 

Convertei, Senhor, as nossas vidas!

 

5.  Para que todos os doentes, crucificados pelo sofrimento,

encontrem nesta Quaresma uma mais perfeita identificação

com Jesus crucificado e ressuscitado, e vivam confortados,

oremos, irmãos:

 

Convertei, Senhor, as nossas vidas!

 

6.  Para que os fiéis defuntos que ainda são purificados

das manchas que contraíram na sua passagem pela terra,

pela intercessão de Maria, entrem quanto antes no Céu,

oremos, irmãos:

 

Convertei, Senhor, as nossas vidas!

 

Senhor, que nos concedeis mais esta graça

de vivermos um tempo de graça e purificação,

nesta Quaresma há dias começada:

ajudai-nos a corresponder com generosidade

aos constantes apelos da Vossa misericórdia.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Admonição

 

O Senhor purificou-nos com a Sua Palavra, para que agora possamos tomar parte da Liturgia Eucarística.

Nela renova Jesus sobre o altar a transubstanciação do pão e do vinho no Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tão e perfeitamente como está no Céu. Actualiza o gesto da noite de Quinta-Feira Santa, na qual antecipou a Sua imolação no Calvário, na tarde de Sexta-Feira Santa.

Avivemos a nossa fé, devoção e Amor, ao participarmos em tão maravilhoso acontecimento.

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Fazei que a nossa vida, Senhor, corresponda à oferta das nossas mãos, com a qual damos início à celebração do tempo santo da Quaresma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

As tentações do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Jejuando durante quarenta dias, Ele santificou a observância quaresmal e, triunfando das insídias da antiga serpente, ensinou-nos a vencer as tentações do pecado, para que, celebrando dignamente o mistério pascal, passemos um dia à Páscoa eterna.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Admonição

 

A Quaresma é um tempo favorável para a reconciliação com Deus e com os irmãos.

Demo-nos as mãos, num gesto de paz, aceitando este apelo do Senhor.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A primeira condição para travar um bom combate, é cuidar a alimentação.

Para que possamos sair vitoriosos das lutas e cada dia, O Senhor oferece-nos como alimento o Seu Corpo e Sangue.

Procuremos recebê-lo com as necessárias disposições.

 

Cântico da Comunhão: Nem só de pão vive o homem, F. da Silva, NRMS 29

Mt 4, 4

Antífona da comunhão: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.

 

ou

Salmo 90, 4

O Senhor te cobrirá com as suas penas, debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

Cântico de acção de graças: Hóstia Santa, penhor de salvação, M. Simões, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Saciados com o pão do Céu, que alimenta a fé, confirma a esperança e fortalece a caridade, nós Vos pedimos, Senhor: ensinai-nos a ter fome de Cristo, o verdadeiro pão da vida, e a alimentar-nos de toda a palavra que da vossa boca nos vem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sejamos, ao longo desta semana, em todos os meios que vamos frequentar, mensageiros de que Deus nos ama, nos perdoa e nos chama à santidade.

 

Cântico final: Troquemos o instante pelo eterno, M. Simões, NRMS 61

 

 

Homilias Feriais

 

1ª SEMANA

 

feira, 26-II: Os caminhos da salvação.

1 Lev. 19, 1-2. 11-18 / Mt. 25, 31-46

Vinde benditos de meu Pai, recebei como herança o Reino, que vos está preparado desde a criação do mundo.

Quem quiser receber a herança do Reino, há-de viver os mandamentos (cf. Leit.) «O Decálogo… as ‘dez palavras’ indicam as condições duma vida liberta da escravidão do pecado. O decálogo é um caminho de vida» (CIC, 2057).

A 2ª parte do Decálogo refere-se ao amor ao próximo (cf. Leit. e Ev.), que se pode concretizar nas obras de misericórdia. Durante a Quaresma procuremos viver melhor as espirituais (instruir, aconselhar, consolar, confortar…) e também as corporais (dar de comer a quem tem fome, cuidar dos doentes…).

 

feira, 27-II: A vontade de Deus e o perdão.

Is. 55, 10-11 / Mt. 6, 7-15

Orai, pois, deste modo: Pai-nosso, que estais nos Céus…

Devemos rezar confiadamente a oração que o Senhor nos ensinou, o Pai-nosso (cf. Ev.), que contém tudo o que podemos pedir a Deus, e que é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho (cf. CIC, 2761).

As leituras de hoje recordam-nos duas petições. A 1ª «seja feita a vossa vontade», que exige que acolhamos a palavra que sai da boca de Deus e que a cumpramos (cf. Leit.). A 2ª «perdoai-nos as nossas ofensas». «O perdão é a condição fundamental da reconciliação dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si» (CIC, 2844).

 

feira, 28-II: Conversão e confissão.

Jonas 3, 1-10 / Lc. 11, 29-32

Ergue-te e vai à grande cidade de Nínive e proclama-lhe a mensagem que te direi.

Os habitantes da cidade de Nínive aceitaram bem o pedido de conversão, que lhes foi dirigido pelo Senhor, através do profeta Jonas (cf. Leit. e Ev.).

Podemos aceitar este apelo nos dias da Quaresma, através da recepção de um sacramento: «É o chamado sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão e o esforço de regressar à casa do Pai, do qual o pecador se afastou pelo pecado. É o chamado sacramento da penitência, porque consagra uma caminhada pessoal e eclesial da conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador» (CIC, 1423).

 

feira, 1-III: A conversão e a oração.

Est. 14, 1. 3-5. 12-14 / Mt. 7, 7-12

Pedi, e dar-vos-ão. Procurai, e achareis. Batei, e hão-de abrir-vos.

A oração é uma das formas de vivermos a penitência no tempo da Quaresma, juntamente com o jejum e a esmola. «O coração, assim decidido a converter-se, aprende a orar na fé… Ele (Jesus) pode pedir-nos que ‘procuremos’ e ‘batamos à porta’ (cf. Ev.), porque Ele próprio é a porta e o caminho».

A rainha Ester é o melhor exemplo desta oração: «Vinde socorrer-me, que eu estou só e só em vós tenho auxílio, pois sinto ao alcance da mão o perigo que me espreita» (Leit.). Na oração, peçamos ao Senhor que nos socorra nas tentações (cf. Leit.).

 

feira, 2-III: A paz com Deus e com os irmãos.

Ez. 18, 21-28 / Mt. 5, 20-26

Se o pecador se arrepender de todas as faltas que tiver cometido… há-de viver e não morrerá.

A Quaresma é um tempo de conversão, de arrependimento, um caminho de vida (cf. Leit.).

A conversão do coração tem muito que ver com a caridade, pois devemos reconciliar-nos com o irmão antes de apresentarmos a nossa oferta no altar (cf. Ev.). «Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (CIC, 2845).

 

Sábado, 3-III: Caminhos de santidade.

Deut. 26, 16-19 / Mt. 5, 43-48

Haveis, pois, de ser perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celeste.

Nesta caminhada da Quaresma ouvimos o que o Pai do céu espera de nós: a santidade (cf. Ev.).

Um dos caminhos para alcançar a santidade é o cumprimento dos mandamentos: «tens de seguir os seus caminhos, cumprir a suas leis, preceitos e sentenças, e escutar a sua voz» (Leit.). O outro caminho é a vivência heróica da caridade: amar os inimigos e rezar por eles (cf. Ev.). «No sermão da Montanha… acrescenta a proibição da ira, do ódio, da vingança. Mais ainda: Cristo exige do seu discípulo que ofereça a outra face, que ame os seus inimigos (cf. Ev.)» (CIC, 2262).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia: Fernando Silva

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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