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A  PAIXÃO  DA  JUVENTUDE

 

Hugo de Azevedo

 

A festa dos Ramos é o Dia Mundial da Juventude. A juventude é, de facto, uma festa de ramos, de verdes ramos, que esperam e prometem, mas ainda não dão fruto. E a juventude de hoje bem parece uma festa de ramos... em vésperas de paixão! Pois, que vê o jovem diante de si quando se considera preparado para entrar no mundo do trabalho e constituir família? Um terreno sáfaro, e já ocupado pelos que lutam por nele sobreviver! O emprego estável é para ele uma miragem, que aparece e desaparece como por desencanto; o lar, o doce lar, um oásis que nunca mais se alcança... E este mundo, um campo de jogo árduo e sem regras.

O engano está em considerar-se preparado para entrar nele pelo simples facto de arvorar um título académico. O que hoje conta, mais do que os títulos, é a própria juventude: o talante do aventureiro, disposto a saltar obstáculos, a contornar fracassos, a abrir caminhos novos. A criatividade, como se costuma dizer.

Mas nem isso basta, como não basta a um homem só a força de cotovelos para furar a multidão. Haverá sempre alguém com mais força, mais agressivo, ou mais desesperado, que lhe impedirá o avanço. Não pode ir sozinho; tem de unir-se a outros. E ainda isso é pouco, porque, acrescentando-se competição à competição, mais dura será ainda a vida colectiva em que se mergulha...

O que é mais vale na juventude é, afinal, o anseio de reformar o mundo, manifestado positivamente em grandes ideais e ideologias, e negativamente no seu incomodativo «espírito crítico». Aliás, um homem que não deseje melhorar o mundo não é homem; é animal gregário. E nesse idealismo reside precisamente a maior força juvenil, sempre ameaçada embora pelo egoísmo, que o converteria numa revolta estéril. O jovem tem direito e deve acreditar nos seus sonhos de justiça, de solidariedade, de paz, sem se deixar vencer pelo pessimismo. Já dizia T. S. Eliot que uma desilusão se pode converter facilmente ela mesma numa ilusão: neste caso, a da impossibilidade de modificar o mundo. O jovem que sonha, deve tentar tornar os seus sonhos realidade desde a escola, habituando-se a pensar: que posso fazer pelos outros? Que hei-de fazer para tornar o mundo mais humano e mais cristão? Que talentos Deus me concedeu para isso? Meu Deus, que esperas de mim?

«Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor...» («Caminho», nº 1) Se a justiça que pretende é a maior felicidade dos outros, seus irmãos, o jovem fomentará em si a generosidade, o espírito de serviço, e a jovialidade de alma e coração. E encontrará o seu sítio neste mundo, o papel que lhe cabe, e vencerá na vida.

Se a juventude de agora não pode sonhar com emprego fácil e casinha garantida, veja nisso a oportunidade providencial de sonhar mais alto, de recriar este mundo em novos moldes. E descobrirá um alegre e infatigável Companheiro: Nosso Senhor Jesus Cristo. 

 


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