Visitação de Nossa Senhora

31 de Maio de 2004

Festa


RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Ditosa Virgem, Cheia de Graça, J. Santos, NRMS 75

cf. Salmo 65, 16

Antífona de entrada: Servos do Senhor, vinde e ouvi: vou contar-vos tudo o que Ele fez por mim. (T. P. Aleluia.)


Introdução ao espírito da Celebração


Neste último dia do mês de Maria, a Igreja recorda a Visitação de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel. Duas mulheres benditas pelo fruto dos seus ventres: a Virgem de Nazaré, enquanto Mãe de Deus; a esposa de Zacarias, porque o seu filho será chamado o maior entre os nascidos de mulher (cf. Mt 11, 11). Que esta celebração nos leve a agradecer a Deus o dom da maternidade e a pedir por quantas mulheres experimentam os gozos e as dores de dar filhos à Igreja e ao mundo.


Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que inspirastes à Virgem Santa Maria o desejo de visitar Santa Isabel, levando consigo o vosso Filho Unigénito, tornai-nos dóceis à inspiração do Espírito Santo, para podermos, com ela, cantar sempre as vossas maravilhas. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: A alegria contagiante e comunicativa provém da experiência da presença libertadora de Deus no mais profundo do coração do homem, impelindo-o àquele zelo de amor ardente, que não o deixa indiferente perante a verdadeira felicidade do outro.


Sofonias 3, 14-18

14Clama jubilosamente, filha de Sião solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. 15O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Deus de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. 16Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. 17O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa». 18Afastei para longe de ti a desventura, a humilhação que te oprimia, Jerusalém.


O texto profético visa directamente e em primeiro plano a restauração de Israel (Sof 3, 9-20; cf. Is 54; 60; 62), a partir de um «resto», humilde e pobre», que permanece fiel (Sof 3, 12-13; cf. Lc 1, 48, do Evangelho de hoje) e constitui um belíssimo canto de esperança (pouco importa a discussão acerca da época da redacção do texto, se a de Josias – Sof 1, 1 –, se a do terceiro Isaías). A Liturgia, na linha dos Padres da Igreja, aplica este texto à Virgem Maria, pois de ninguém como dela se pode dizer com tanta verdade: «O Senhor, teu Deus, está no meio de ti» (v. 17; cf. Lc 1, 28). E as expressões com que se relata a Anunciação no Evangelho de S. Lucas fazem eco às palavras proféticas: «avé (khaire/alegra-te) = exulta, rejubila» (Lc 1, 30; Sof 3, 16); «não temas» (Lc 1, 28; Sof 3, 14); = «o Senhor é convosco» = «o Senhor está no meio de ti» (Lc 1, 28; Sof 3, 17). A «Filha de Sião» (v. 14) a personifica os habitantes de Jerusalém, noutros lugares chamada «virgem filha de Sião», tornou-se uma figura da Virgem Santa Maria.


Salmo Responsorial Is 12, 2.3-4bcd.5-6 (R. 6b)


Monição: A melhor forma de evangelizar consiste no anúncio aos outros das maravilhas que Deus operou em nosso favor: «Que o saiba a Terra inteira»!


Refrão: Exultai de alegria,

porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.


Deus é o meu Salvador,

Tenho confiança e nada temo.

O Senhor é a minha força e o meu louvor.

Ele é a minha salvação.


Tirareis água com alegria das fontes da salvação.

Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome

anunciai aos povos a grandeza das suas obras,

proclamai a todos que o seu nome é santo.


Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,

anunciai-as em toda a terra.

Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,

porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.


Aclamação ao Evangelho cf. Lc 1, 45


Monição: Como Maria e Isabel, precisamos de aprender a partilhar com os outros as maravilhas operadas pelo Todo-Poderoso na nossa pequenez, incessantemente por nós experimentada.


Aleluia


Bendita sejais, ó Virgem Santa Maria,

que acreditastes na palavra do Senhor.


Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)



Evangelho


São Lucas 1, 39-56

Naqueles dias, 39Maria pôs-Se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. 48Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.


Os exegetas descobrem neste relato uma série de ressonâncias vétero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma bela povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas, fruto duma luz sobrenatural que lhe fez ver que o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas que «exultou de alegria» para saudar também o Messias e sua Mãe.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente se poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação: tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe num magnífico hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35, 9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat, e também nos nossos dias, mas também é conhecida a abordagem libertadora, em clave marxista de luta de classes, utópica e de cariz materialista, falsificadora do genuíno sentido bíblico, de que se faz eco a Bíblia Pastoral (São Paulo), ao dizer: «Deus assume o partido dos pobres e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e os poderosos são depostos e despojados e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direcção dessa nova história». No pólo oposto está o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, n.º 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».


Sugestões para a homilia


Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho

Bendita és Tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre

A minha alma enaltece o Senhor e o meu espírito exulta de alegria


Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho

Pela Anunciação do Anjo São Gabriel, Maria sabe que vai ser Mãe de Deus e fica também ciente de que sua prima, Isabel, vai igualmente dar à luz um filho. Nossa Senhora compreende que nela se realizou a promessa messiânica e sente a imperiosa necessidade de partilhar a Boa Nova.

A experiência da maternidade é um momento inesquecível para cada família e para cada mulher. Ser mãe é, sem dúvida, uma enorme graça e, por isso, a esterilidade era considerada quase como um castigo divino. Com efeito, Isabel, «que se dizia estéril» (Lc 1, 37), fica em acção de graças quando lhe é concedido conceber: «Isto é uma graça que me fez o Senhor – afirma – nos dias em que me olhou para tirar o opróbrio de entre os homens» (Lc 1, 25).

Importa recordar a dignidade ímpar de ser mãe e honrar a amorosa dedicação de tantas mulheres aos frutos dos seus ventres abençoados por Deus. Urge fomentar em quantas são chamadas, pelo caminho do matrimónio, à propagação da família humana, o santo orgulho da sua bendita maternidade.


Bendita és Tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do Teu ventre

Depois de saudada por Maria, Isabel, «cheia do Espírito Santo» (Lc 1, 41), abençoa a Mãe do seu Senhor. Por especial revelação divina, a Mãe de João Baptista pôde conhecer a verdadeira identidade do Filho de Maria. A alegria humana pelo nascimento de um homem para o mundo (Jo 16, 21) acresce o imenso júbilo, que na alma piedosa de Isabel provoca o conhecimento da vinda do Salvador.

À grandeza do dom da maternidade corresponde uma enorme responsabilidade. Se é imensa a dita de ser mãe, é também grande a culpa diante de Deus de quantos, por egoísmo, impedem a bênção de uma nova vida, por vezes recorrendo para o efeito a meios ilícitos. Mais grave é ainda dar morte ao filho não nascido: nenhum motivo nem circunstância alguma poderá jamais justificar esse horrível crime que, infelizmente, é prática corrente, em muitos países.

«A mulher, quando dá à luz, está em sofrimento, porque chegou a sua hora» (Jo 16, 21). Nessa altura difícil, a que vai ser mãe deve contar com todo o apoio da sua família e amigos, de toda a comunidade cristã. Este gesto de solidariedade é particularmente necessário em relação às mães que padecem graves necessidades de ordem física, psíquica, económica ou social, como por exemplo, no caso das que vão dar à luz sendo solteiras ou esperam filhos deficientes. Toda a família dos filhos de Deus se deve alegrar pelo dom da vida e deve viver esse júbilo manifestando-o com actos concretos de serviço, como Maria, que deixou tudo e empreendeu uma demorada viagem, para socorrer Isabel no momento em que esta deveria dar à luz o seu filho.


A minha alma enaltece o Senhor e o meu espírito exulta de alegria

A alegria de Nossa Senhora não é apenas a satisfação que lhe produz a sua maternidade: é, sobretudo, a felicidade com que Deus premeia aqueles que são fiéis à sua palavra. Seria admissível em Maria uma certa preocupação pelo nascimento próximo do seu Filho, na medida em que iria transtornar a sua vida e não o poderia receber com todo o decoro que à sua dignidade convém. Mas, na donzela de Nazaré, o amor vence o temor e a riqueza da sua fé e do seu amor supera a escassez de meios materiais e, por isso, porque confia no Senhor, o seu «espírito exulta de alegria em Deus» (Lc 1, 47).

«Na caridade não há temor; a caridade perfeita lança fora o temor; (...) aquele que teme, não é perfeito na caridade» (1 Jo 4, 18).

Peçamos a Deus que todos os esposos cristãos saibam amar-se verdadeiramente e cumprir sem medo as suas obrigações conjugais, nomeadamente no que concerne à transmissão da vida. Que floresçam nas nossas comunidades cristãs muitas famílias numerosas, na alegria de uma plena fidelidade ao Senhor!


Oração Universal


Oremos, irmãos, a Deus Todo poderoso,

por intermédio de Cristo e de Maria:


1. Pela Igreja, para que Ela se converta em cada um de nós,

em lugar de encontro dos que acreditam em Cristo,

afim de que, impulsionados pelo Seu Espírito,

saibam ver e agradecer as maravilhas,

que a Sua misericórdia opera nas suas vidas,

oremos, irmãos.


2. Pelo Santo Padre, Sacerdotes e Diáconos,

para que incansavelmente estejam ao serviço da santificação dos homens

confiados ao seu cuidado pastoral,

oremos, irmãos.


3. Pelos que vivem separados e em guerra,

para que descubram o caminho do progresso e da paz,

na Pessoa de Jesus Cristo,

oremos, irmãos.


4. Pelas benditas almas do Purgatório,

para que a Mãe da Igreja as visite

com o orvalho do Espírito consolador

do Seu muito amado Filho,

oremos, irmãos.


Tudo isto, Senhor, vo-lo pedimos, pelo Vosso Filho Jesus Cristo,

que é Deus conVosco, na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: O Pão da Vida Eterna Prometida, B. Salgado, CT 74


Oração sobre as oblatas: Senhor, que aceitastes com agrado a caridade da Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, aceitai também estes dons que Vos oferecemos e transformai-os para nós em sacrifício de salvação. Por Nosso Senhor...


Prefácio de Nossa Senhora II [e na Visitação]: p. 487


Santo: F. dos Santos, NTC 201


Monição da Comunhão


Na Comunhão recebemos Cristo no nosso coração, não para ficarmos com Ele só para nós, mas para O levarmos aos outros. Eis o segredo para que Ele cresça em nós!


Cântico da Comunhão: Eu Confio Senhor (Cantarei ao Senhor), F. da Silva, NRMS 70

cf. Lc 1, 48-49

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas e santo é o seu nome. (T. P. Aleluia.)


Cântico de acção de graças: Deixai-me Saborear, F da Silva, NRMS 17


Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que a vossa Igreja Vos glorifique pelas maravilhas que realizastes em favor dos vossos fiéis e, assim como São João Baptista exultou ao pressentir o Salvador ainda oculto, também o vosso povo O reconheça com alegria sempre VIVO neste sacramento.



Ritos Finais


Monição final


A presença real e verdadeira de Jesus no ventre imaculado de Sua Mãe explica o zelo de Maria, a sua diligência amorosa, o seu decidido e sacrificado empenho em servir. Enriquecidos com o mesmo Dom, pois também na Santíssima Eucaristia se recebe o bendito fruto do ventre de Maria, procuremos imitar a exemplar caridade de Maria num renovado empenho de amor a Deus e serviço ao próximo.


Cântico final: Exulta de Alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21



Homilias Feriais


TEMPO COMUM


9ª SEMANA


3ª feira, 1-VI: Os novos céus e a nova terra.

2 Ped 3, 12-15 / Mc 12, 13-17

Mas, de acordo com a promessa d’Ele, nós esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça.

«A esta misteriosa renovação, que há de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama os ‘novos céus e a nova terra’ (Leit. do dia). Será a realização definitiva do desígnio divino de reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há no céu e na terra» (CIC, 1043).

Neste sentido, «o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o ‘Senhor’ (cf. Ev. do dia)» (CIC, 450). Além disso, «Deus já está a agir para renovar o mundo; a Páscoa de Cristo...renova e transforma a história» (INE, 106).


4ª feira, 2-VI: O Evangelho e a nossa ressurreição.

2 Tim 1, 1-3. 6-12 / Mc 12, 18-27

Ele não é Deus de mortos, mas de vivos!

Jesus ensina claramente a nossa ressurreição. «E aos saduceus, que a negavam responde: ‘Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus’ (Ev. do dia). A fé na ressurreição assenta na fé em Deus, que ‘não é um Deus de mortos mas de vivos’ (Ev. do dia)» (CIC, 993).

E liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa: «Eu sou a Ressurreição e a Vida » (Jo. 11, 25). O Evangelho é o meio de que Jesus se serve para fazer brilhar a imortalidade: «Ele destruiu a morte, e fez brilhar a vida e a imortalidade, por meio do Evangelho» (Leit.). A Palavra de Deus é um alimento para a vida eterna.


5ª feira, 3-VI: Uma vida sem Deus.

2 Tim 2, 8-15 / Mc 12, 28-34

(O escriba): Muito bem Mestre! Disseste a verdade: Deus é único e não há outro além d’Ele.

«O próprio Jesus confirma que Deus é ‘o único Senhor’ e que é necessário amá-l'O com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com todas as forças (cf. Ev. do dia)» (CIC, 202). Não há pois outro Deus. O pior é que nós pretendemos ocupar esse lugar (cf. tentação do pecado original: ‘sereis como deuses’).

A terrível consequência de colocar o homem como centro da realidade é a ‘apostasia silenciosa’ que se verifica na cultura europeia: «a cultura europeia dá a impressão de uma ‘apostasia silenciosa’ por parte do homem, que vive como se Deus não existisse» (INE, 9).


6ª feira, 4-VI: A finalidade das provações.

2 Tim 3, 10-17 / Mc 12, 35-37

Que perseguições não tive que suportar!... Aliás, todos os que desejam viver com piedade em Jesus Cristo hão de ser perseguidos.

Perante as tentações e provações é necessário discernir as que ajudam a crescer na virtude e as que conduzem à morte: «O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior (cf. Leit. do dia) em vista duma virtude ‘comprovada’, e a tentação que conduz ao pecado e à morte. Devemos também distinguir entre ‘ser tentado’ e ‘consentir’ na tentação. Finalmente, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, o seu objecto é 'bom, agradável à vista, desejável', quando, na realidade, o seu fruto é a morte» (CIC, 2847).


Sábado, 5-VI: Santidade, renúncia, combate.

2 Tim 4, 1-8 / Mc 12, 38-44

E não só desviarão os ouvidos da verdade como hão de voltar-se para as fábulas.

Seguir a verdade é muito exigente. É mais fácil seguir ou fazer o que todos fazem, o que está na moda, etc. «Mas o caminho da perfeição passa pela cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual (‘combati o bom combate’: Leit. do dia). O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças» (CIC, 2015).

A viúva pobre deitou duas pequenas moedas na caixa. Na sua penúria renunciou a tudo e foi louvada por Jesus (cf. Ev.).







Celebração e Homilia: Gonçalo Portocarrero

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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