Ascensão do Senhor

D. M. das Comun. Sociais

29 de Maio de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Aclamai Jesus Cristo – J. F. Silva, NRMS, 65

cf. Actos 1, 11

Antífona de entrada: Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Como vistes Jesus subir ao céu, assim há-de vir na sua glória. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quarenta dias depois da Sua Ressurreição gloriosa, Jesus elevou-Se triunfalmente ao Céu, no Jardim das Oliveiras, a pouca distância da agonia que ali sofrera, antes da Paixão.

No decurso destes quarenta dias, Jesus apareceu muitas vezes aos Apóstolos e multiplicou os esforços para os reconduzir à fé e à intimidade com Ele.

Com a Sua Ascensão gloriosa, Jesus não Se retirou da nossa companhia, mas inaugurou junto de nós uma Presença invisível.

Celebremos, pois, este mistério da vida de Cristo, certos de que Ele, como nos prometeu, foi preparar para nós um lugar na Casa do Pai.

 

Acto penitencial

 

(Sugere-se, no Tempo Pascal, que o Ato penitencial seja substituído pela aspersão da assembleia com a água lustral, como evocação do Batismo)

 

Ou:

 

Temos cometido dois desvios na nossa vida cristã: ou olhamos demasiado para o alto, como os Apóstolos e discípulos depois da Ascensão; alheando-nos da nossa missão no mundo; ou prendemos o nosso olhar na terra, numa vida materialista, como se nada mais esperássemos, depois desta vida.

Peçamos humildemente perdão e peçamos forças ao Senhor para mudarmos de vida.

 

Oração colecta: Deus omnipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial acção de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os Atos dos Apóstolos narram com toda a simplicidade como se deu a Ascensão de Jesus ao Céu.

Duas verdades nos ensina esta narração: Cristo foi mas ficou connosco; agora chegou a nossa hora de evangelizar o mundo.

 

Actos 1,1-11

1No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio 2até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. 3Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. 4Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. 5Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». 6Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» 7Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; 8mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». 9Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. 10E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, 11que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

Lucas começa o livro de Actos com a referência ao mesmo facto com que tinha terminado o seu Evangelho; a Ascensão desempenha assim na sua obra um papel de charneira, pois assinala tanto a ligação como a distinção entre a história de Jesus, que se realiza aqui na terra (o Evangelho), e a história da Igreja que então tem o seu início (Actos).

3 «Aparecendo-lhes durante 40 dias». Esta precisão do historiador Lucas permite-nos esclarecer algo que no seu Evangelho não tinha ficado claro quanto ao dia da Ascensão, pois o leitor poderia ter ficado a pensar que se tinha dado no dia da Ressurreição. A verdade é que a Ascensão faz parte da glorificação e exaltação de Jesus; por isso S. João parece pretender uni-la à Ressurreição, nas palavras de Jesus a Madalena (Jo 20,17), podendo falar-se duma ascensão invisível na Páscoa de Jesus, sem que em nada se diminua o valor do facto sucedido 40 dias depois e aqui relatado, a Ascensão visível de Jesus, que marca um fim das manifestações visíveis aos discípulos, «testemunhas da Ressurreição estabelecidas por Deus». A Ascensão visível engloba também uma certa glorificação acidental do Senhor ressuscitado, «pela dignidade do lugar a que ascendia», como diz S. Tomás de Aquino (Sum. Theol., III, q. 57, a. 1). Há numerosas referências à Ascensão no Novo Testamento: Jo 6,62; 20,17; 1Tim 3,26; 1Pe 3,22; Ef 4,9-10; Hbr 9,24; etc.. Mas a Ascensão tem, além disso, um valor existencial excepcional, pois nos atinge hoje em cheio: Cristo, ao colocar à direita da glória do Pai a nossa frágil natureza humana unida à sua Divindade (Cânon Romano da Missa de hoje), enche-nos de esperança em que também nós havemos de chegar ao Céu e diz-nos que é lá a nossa morada, onde, desde já, devem estar os nossos corações, pois ali está a nossa Cabeça, Cristo.

4 «A Promessa do Pai, da qual Me ouvistes falar». Na despedida da Última Ceia, Jesus não se cansou de falar aos discípulos do Espírito Santo: Jo 14,16-17.26; 16,7-15.

5 «Baptizados no Espírito Santo», isto é, inundados de enorme força e luz do Espírito Santo, cheio dos seus dons, dez dias depois (cf. Act 2,1-4).

8 «Minhas Testemunha em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra». Estas Palavras do Senhor são apresentadas por S. Lucas para servirem de resumo temático e estruturante do seu livro de Actos. O que nele nos vai contar ilustrará como a fé cristã se vai desenvolver progressivamente seguindo estas 3 etapas geográficas: Jerusalém (Act 2 – 7); Judeia e Samaria (8 – 12); até aos confins da Terra (13 – 28).

 

Salmo Responsorial     Sl 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R. 6)

 

Monição: O Salmista entoa um hino de aclamação a Jesus Cristo Ressuscitado que sobe gloriosamente ao Céu.

Unamos também a nossa voz a este cântico de louvor e pensemos que, à semelhança de Jesus, também nós seremos glorificados.

 

Refrão:         Por entre aclamações e ao som da trombeta,

                      ergue-Se Deus, o Senhor.

 

Ou:                Ergue-Se Deus, o Senhor,

em júbilo e ao som da trombeta.

 

Ou:                Aleluia

 

Povos todos, batei palmas,

aclamai a Deus com brados de alegria,

porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,

o Rei soberano de toda a terra.

 

Deus subiu entre aclamações,

o Senhor subiu ao som da trombeta.

Cantai hinos a Deus, cantai,

cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

 

Deus é Rei do universo:

cantai os hinos mais belos.

Deus reina sobre os povos,

Deus está sentado no seu trono sagrado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, faz um apelo à nossa esperança.

O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz [...] para compreenderdes a esperança a que fostes chamados.

 

Efésios 1,17-23

Irmãos: 17O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente 18e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos 19e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força 20que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, 21acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. 22Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, 23que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.

 

Neste texto temos um dos principais temas da epístola: a Igreja como Corpo (místico) de Cristo. A Igreja é a plenitude de Cristo, «o Cristo total» (S. Agostinho). A Igreja recebe da sua Cabeça, Cristo, não só a chefia, mas o influxo vital, a graça; com efeito, ela vive a vida de Cristo. Jesus sobe ao Céu, mas fica presente no mundo, na sua Igreja.

17 «O Deus de N. S. J. Cristo». «O Pai é para o Filho fonte da natureza divina e o criador da sua natureza humana: assim Ele é, com toda a verdade, o Deus de N. S. J. C.» (Médebielle). «O Pai da glória», isto é, o Pai a quem pertence toda a glória, toda a honra intrínseca à sua soberana majestade. «Vos conceda um espírito», o mesmo que um dom espiritual. Não se trata do próprio Espírito Santo; dado que não tem artigo em grego, trata-se, pois, de uma graça sua.

20-23 Temos nestes versículos a referência a um tema central já tratado em Colossenses: a supremacia absoluta de Cristo, tendo em conta a sua SS. Humanidade, uma vez que pela divindade é igual ao Pai. A sua supremacia coloca-O «acima de todo o nome», isto é, acima de todo e qualquer ser, qualquer que seja a sua natureza e qualquer que seja o mundo a que pertença. Mas agora a atenção centra-se num domínio particular de Cristo, a saber, na sua Igreja, da qual Ele é não apenas o Senhor, mas a Cabeça. A Igreja é o «Corpo de Cristo»; ela é o plêrôma de Cristo (v. 23), isto é, o seu complemento ou plenitude: a Igreja é Cristo que se expande e se prolonga nos fiéis que aderem a Ele. (Alguns autores preferem entender o termo plêrôma no sentido passivo: a Igreja seria plenitude de Cristo, enquanto reservatório das suas graças e merecimentos que ela faz chegar aos homens).

23 «Aquele que preenche tudo em todos». A acção de Cristo é sem limites, especialmente na ordem salvífica; a todos faz chegar a sua graça, sem a qual ninguém se pode salvar. No entanto, é mais corrente preferir, com a Vulgata, outro sentido a que se presta o original grego: a Igreja é a plenitude daquele que se vai completando inteiramente em todos os seus membros. Assim, a Igreja completa a Cristo, e Cristo é completado pelos seus membros (é uma questão de entender como passivo, e não médio, o particípio grego plêrouménou, de acordo com o que acontece em outros 87 casos do N. T.).

 

Pode utilizar-se outra, como 2ª leitura:

Hebreus 9,24-28; 10,19-23

24Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. 25E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no santuário, com sangue alheio; 26nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. 27E como está determinado que os homens morram uma só vez – e a seguir haja o julgamento –, 28assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem aparência de pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam. 19Tendo nós plena confiança de entrar no santuário por meio do sangue de Jesus, 20por este caminho novo e vivo que Ele nos inaugurou através do véu, isto é, o caminho da sua carne, 21e tendo tão grande sacerdote à frente da casa de Deus, 22aproximemo-nos de coração sincero, na plenitude da fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado na água pura. 23Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel.

 

A leitura é respigada do final da primeira parte de Hebreus, em que o autor sagrado expõe a superioridade do sacrifício de Cristo sobre todos os sacrifícios da Lei antiga (8,1 – 10,18). Aqui Jesus é apresentado como o novo Sumo Sacerdote da Nova Aliança, em contraste com o da Antiga, que precisava de entrar cada ano – «com sangue alheio» –, no dia da expiação (o Yom Kippur: cf. Ex 16) «num santuário feito por mãos humanas», ao passo que Jesus entra «no próprio Céu» (v. 24), não precisando de o fazer cada ano – «muitas vezes» (v. 25-26) –, pois, «uma só vez» bastou «para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo» (v. 26), por meio do seu próprio Sangue. Como habitualmente, o autor aproveita a exposição doutrinal para fazer ricas exortações práticas; apela, um pouco mais adiante (10,19-23), para a virtude da «esperança», uma esperança de que também nós podemos chegar ao Céu, apoiados na certeza das promessas de Cristo. A «água pura» do v. 22 é certamente a do Baptismo (cf. 1Pe 3,21), que não pode ser encarado à margem da e da pureza da consciência. Notar como a SS. Humanidade de Jesus – «o caminho da sua carne» (v. 20) – é focada como o «véu» do Templo, o que bem pode evocar a nuvem da Ascensão, que ao mesmo tempo esconde e revela a presença invisível de Cristo ressuscitado.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 28, l9a.20b

 

Monição: Cristo não Se limita a impor-nos um encargo, mas promete-nos a Sua assistência pessoal enquanto estivermos na terra.

Alegremo-nos com tão consoladora promessa e aclamemos O Evangelho que a proclama.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 113)

 

Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24,46-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 46«Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia 47e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois testemunhas disso. 49Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». 50Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. 52Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. 53E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

 

Estes versículos finais do Evangelho de Lucas encerram como que uma síntese de todo o Evangelho: Jesus cumpre as profecias com a sua Paixão e Ressurreição, com que nos obtém o perdão dos pecados; e é isto que tem de ser pregado a todos os povos, a partir de testemunhas credenciadas, e com a força do Espírito Santo.

49 «Aquele que foi prometido», à letra, a Promessa do meu Pai, o Espírito Santo, segundo se diz em Act 2,23 (cf. Jo 15,26). Não deixa de ser curioso notar que, só pela leitura do Evangelho de S. Lucas poderíamos ser levados a pensar que a Ascensão se deu no Domingo de Páscoa. No entanto, possuímos dados suficientes, a partir de todos os restantes Evangelhos, para saber que não foi assim. O próprio S. Lucas, em Actos, diz que Jesus foi aparecendo durante 40 dias (Act 1,3).

50 «Até junto de Betânia». A discordância com Act 1,12, que fala do Monte das Oliveiras como o lugar da Ascensão, é só aparente, pois Betânia fica na vertente oriental do dito monte.

52-53 «Voltaram para Jerusalém». A terminar o seu Evangelho, Lucas mais uma vez deixa ver a importância teológica de Jerusalém: onde tinha começado a sua narração, com o anúncio do nascimento do Baptista; aqui culmina a obra salvadora de Jesus, com a sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão aos Céus, por isso Ele, «quando estava para se cumprir o tempo da sua partida, decidiu firmemente caminhar rumo a Jerusalém» (Lc 9,51); daqui hão-de partir os discípulos para levar a boa-nova até aos confins da terra.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Jesus foi preparar-nos um lugar

 

Depois de ter confirmado os Apóstolos na fé da Sua Ressurreição, aparecendo-lhes ao longo de quarenta dias, e de lhes ter dado, pelo Espírito Santo, as Suas instruções sobre o Reino de Deus que iriam expandir na face da terra, recomendou-lhes que não partissem para a evangelização do mundo, sem terem recebido o Espírito Santo, promessa do Pai.

Prometeu-lhes que seriam batizados no Espírito Santo dentro de poucos dias.

E para que não nos custasse tanto a aparente separação, prometeu que iria preparar para cada um de nós um lugar na Casa do Pai.

O Reino de Deus. Enquanto os Onze continuavam a sonhar com a restauração do reino de David, um reino temporal triunfalista, Jesus pediu-lhes que esperassem pela vinda do Espírito Santo, que iria descer sobre eles, para receberem d’Ele a força.

A Igreja é instrumento universal de Salvação eterna, é a barca na qual nos salvamos do naufrágio do pecado e chegamos ao Céu. É a família dos filhos de Deus que, partindo da fonte batismal, caminha na vida até ao Céu.

Começamos a fazer parte dela pelo Batismo, porque nele nos tornamos filhos de Deus, membros do Corpo Místico de Cristo e herdeiros do Céu.

Nunca agradeceremos suficientemente ao Senhor a graça de termos sido levados ao Batismo pelos nossos pais e assim caminharmos na vida terrena até ao Céu.

•  Jesus está no Céu e connosco. Com a Sua Ascensão gloriosa, inaugurou a Presença invisível na terra.

Ocultou-Se aos nossos olhos, mas continua junto de cada um de nós, porque Ele prometeu-O solenemente: «Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.»  (S. Mateus 28, 20).    

Precisamos da luz da fé para O reconhecermos durante o nosso caminho, como os dois discípulos que iam a caminho de Emaús, na mesma tarde do Domingo da Ressurreição.

Encontra-Se connosco todos os domingos – ou todos os dias – na celebração da Santa Missa. Ele mesmo preside, fala-nos consagra o pão e o vinho, como no Cenáculo e dá-se a cada um de nós como Alimento divino.

 Permanece nos Sacrários dos nossos templos noite e dia, à espera que Lhe peçamos a ajuda. Não podia ficar mais perto, sem invadir o espaço da nossa liberdade.

A nuvem que O escondeu ao olhar dos cerca de quinhentos discípulos, significa a fé. Ocultou-Se aos olhos corporais, mas não aos dos crentes.

Jesus confia-nos os destinos do mundo. Os Apóstolos ficaram a olhar para o alto, como que à espera de que Jesus Se arrependesse e voltasse para trás, para continuar com a Evangelização.

Dois anjos vieram acordá-los deste sonho que não fazia parte dos planos de Deus. «E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu”.»

Era como se lhes dissesse: a partir de agora, vós sois no mundo o rosto visível de Cristo, na construção de um mundo novo.

Queremos um mundo novo, justo, seguro e de acordo com a lei de Deus. Que fazemos para que isto se torne realidade?

Os pais gostariam que Jesus viesse diretamente educar e corrigir os seus filhos, fazendo deles santos. Mas o Senhor diz-lhes: dai-lhes vós o exemplo e os bons conselhos e Eu converterei o vosso esforço em bom fruto, como converti a água em vinho, nas Bodas de Caná.

Entrego-vos a orientação dos países, pelo vosso voto responsável; a linha de instrução dos filhos na escola, pela vossa participação.

É preciso, como diz o Papa, renunciar a ficar sentado no sofá, calçar as sapatilhas e partir para a missão dos nossos deveres.

Jesus caminha ao nosso lado. A presença de Jesus ao nosso lado, no caminho da fonte batismal até ao Paraíso, não é um mito, mas uma verdade de fé.

Como na tarde do Domingo de Páscoa, a caminho de Emaús, com os dois discípulos desanimados, Ele caminha connosco, embora muitas vezes não O reconheçamos. Basta que nos recolhamos um momento para Lhe falar, pedir conselho ou ajuda, e logo Ele nos responde.

 

2. Caminhemos com Ele na vida

 

O evangelho transmite-nos algumas palavras ditas por Cristo Ressuscitado na tarde do Domingo de Páscoa, aos dois discípulos a caminho de Emaús. São as algumas das Suas últimas instruções antes de subir gloriosamente ao Céu.

Jesus despede-Se da Sua presença visível. Depois de alimentar uma familiaridade crescente com os Apóstolos, Jesus não quer fazê-los sofrer, com um afastamento, um desaparecer aos olhos mortais, mas prepara-os para isso.

Explica-lhes que aquilo que acontecera na Paixão não foi uma fatalidade, uma desgraçada derrota sem remédio, mas o modo que Deus escolheu para nos resgatar.

É verdade que bastaria um só ato de amor de Jesus Cristo para nos resgatar. Mas Ele quis mostrar-nos o Seu Amor infinito, sofrendo todos os tormentos e padecendo de morte ignominiosa. Para isso, falou a única linguagem que nós seríamos de compreender.

«Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém

•  Testemunhas de Jesus Cristo. O novo Reino de Deus – a Igreja de Cristo – seria implantada mediante o testemunho de cada um deles: «sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra».

Devemos testemunhar que Jesus Cristo vive glorioso, nos ama e nos resgatou da escravidão do pecado.

A testemunha de que aqui se fala não se limita a afirmar uma verdade, mas garante com a vida o testemunho pessoal.

Quem nos vê sair da Missa dominical indiferentes e tristes, falando de tudo menos daquilo em que acabamos de tomar parte, ficará convencido de que somos uns felizes resgatados a caminho do Céu?

A promessa de irmos para lá, se nos comportarmos como bons filhos, aviva a nossa esperança e ajuda-nos a ter prioridades na vida?

No entanto, Jesus continua a dizer-nos, esperando que o façamos verdade na nossa vida: «Vós sois testemunhas disso.»

Iluminados e fortalecidos pelo Espírito Santo. Sem a ajuda do Espírito Santo, não poderemos fazer nada de útil na Igreja. Muitas vezes, a nossa ação apostólica nada consegue, porque não contamos com Ele. Fiamo-nos nas nossas forças e queremos ser auto-suficientes.

Também nós devemos “permanecer na cidade” – na oração e escuta atenta do que Deus quer de nós, antes de nos lançarmos na atividade pastoral.

Os Apóstolos, muitos discípulos e santas mulheres, com Nossa Senhora no coração daquele Igreja nascente, permaneceram dez dias em oração e meditação da Palavra de Deus, antes de se lançarem à conquista do mundo.

Que tempo damos à oração, antes de nos lançarmos em qualquer atividade apostólica? Antes de falar às pessoas acerca de Deus, é preciso falar a Deus acerca dessas pessoas.

Só depois daquela manhã do Pentecostes saíram as portas do Cenáculo em direção a todos os caminhos do mundo.

Cristo, nossa Esperança. A nossa vida é um caminhar com Jesus Cristo para uma felicidade que não tem fim. Os que se deixam transviar neste caminho, pagarão caro o seu desleixo e rebeldia, se não mudarem para o bom caminho a tempo.

Todas as esperanças passageiras que alimentamos na terra – de saúde, bens terrenos, amizades – devem centrar-se nesta esperança única que é Jesus Cristo.

Por isso, o Apóstolo S. Paulo, na sua carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, pede para nós «um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes

Com Nossa Senhora, a imitação dos Apóstolos depois da Ascensão, recolhamo-nos em espírito, com Maria, no Cenáculo, em oração, aguardando a vinda do Espírito Santo.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

PARA O LVI DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

 

Escutar com o ouvido do coração

 

 Queridos irmãos e irmãs!

No ano passado, refletimos sobre a necessidade de «ir e ver» para descobrir a realidade e poder narrá-la a partir da experiência dos acontecimentos e do encontro com as pessoas. Continuando nesta linha, quero agora fixar a atenção noutro verbo, «escutar», que é decisivo na gramática da comunicação e condição para um autêntico diálogo.

Com efeito, estamos a perder a capacidade de ouvir a pessoa que temos à nossa frente, tanto na teia normal das relações quotidianas como nos debates sobre os assuntos mais importantes da convivência civil. Ao mesmo tempo, a escuta está a experimentar um novo e importante desenvolvimento em campo comunicativo e informativo, através das várias ofertas de podcast e chat audio, confirmando que a escuta continua essencial para a comunicação humana.

A um médico ilustre, habituado a cuidar das feridas da alma, foi-lhe perguntada qual era a maior necessidade dos seres humanos. Respondeu: «O desejo ilimitado de ser ouvidos». Apesar de frequentemente oculto, é um desejo que interpela toda a pessoa chamada a ser educadora, formadora, ou que desempenhe de algum modo o papel de comunicador: os pais e os professores, os pastores e os agentes pastorais, os operadores da informação e quantos prestam um serviço social ou político.

Escutar com o ouvido do coração

A partir das páginas bíblicas aprendemos que a escuta não significa apenas uma perceção acústica, mas está essencialmente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade. O «shema’ Israel – escuta, Israel» (Dt 6, 4) – as palavras iniciais do primeiro mandamento do Decálogo – é continuamente lembrado na Bíblia, a ponto de São Paulo afirmar que «a fé vem da escuta» (Rm 10, 17). De facto, a iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-O; e mesmo este escutar fundamentalmente provém da sua graça, como acontece com o recém-nascido que responde ao olhar e à voz da mãe e do pai. Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegie precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a vista, deixando consequentemente mais livre o ser humano.

A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra, por isso «inclina o ouvido» para o escutar.

O homem, ao contrário, tende a fugir da relação, a virar as costas e «fechar os ouvidos» para não ter de escutar. Esta recusa de ouvir acaba muitas vezes por se transformar em agressividade sobre o outro, como aconteceu com os ouvintes do diácono Estêvão que, tapando os ouvidos, atiraram-se todos juntos contra ele (cf. At 7, 57).

Assim temos, por um lado, Deus que sempre Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, o homem, a quem é pedido para sintonizar-se, colocar-se à escuta. O Senhor chama explicitamente o homem a uma aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão do amor.

Por isso Jesus convida os seus discípulos a verificar a qualidade da sua escuta. «Vede, pois, como ouvis» (Lc 8, 18): faz-lhes esta exortação depois de ter contado a parábola do semeador, sugerindo assim que não basta ouvir, é preciso fazê-lo bem. Só quem acolhe a Palavra com o coração «bom e virtuoso» e A guarda fielmente é que produz frutos de vida e salvação (cf. Lc 8, 15). Só prestando atenção a quem ouvimos, àquilo que ouvimos e ao modo como ouvimos é que podemos crescer na arte de comunicar, cujo cerne não é uma teoria nem uma técnica, mas a «capacidade do coração que torna possível a proximidade» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 171).

Ouvidos, temo-los todos; mas muitas vezes mesmo quem possui um ouvido perfeito, não consegue escutar o outro. Pois existe uma surdez interior, pior do que a física. De facto, a escuta não tem a ver apenas com o sentido do ouvido, mas com a pessoa toda. A verdadeira sede da escuta é o coração. O rei Salomão, apesar de ainda muito jovem, demonstrou-se sábio ao pedir ao Senhor que lhe concedesse «um coração que escuta» ( 1 Rs 3, 9). E Santo Agostinho convidava a escutar com o coração ( corde audire), a acolher as palavras, não exteriormente nos ouvidos, mas espiritualmente nos corações: «Não tenhais o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração» [1]. E São Francisco de Assis exortava os seus irmãos a «inclinar o ouvido do coração» [2].

Por isso, a primeira escuta a reaver quando se procura uma comunicação verdadeira é a escuta de si mesmo, das próprias exigências mais autênticas, inscritas no íntimo de cada pessoa. E não se pode recomeçar senão escutando aquilo que nos torna únicos na criação: o desejo de estar em relação com os outros e com o Outro. Não fomos feitos para viver como átomos, mas juntos.

A escuta como condição da boa comunicação

Há um uso do ouvido que não é verdadeira escuta, mas o contrário: o espionar. De facto, uma tentação sempre presente, mas que neste tempo da social web parece mais assanhada, é a de procurar saber e espiar, instrumentalizando os outros para os nossos interesses. Ao contrário, aquilo que torna boa e plenamente humana a comunicação é precisamente a escuta de quem está à nossa frente, face a face, a escuta do outro abeirando-nos dele com abertura leal, confiante e honesta.

Esta falta de escuta, que tantas vezes experimentamos na vida quotidiana, é real também, infelizmente, na vida pública, onde com frequência, em vez de escutar, «se fala pelos cotovelos». Isto é sintoma de que se procura mais o consenso do que a verdade e o bem; presta-se mais atenção à audience do que à escuta. Ao invés, a boa comunicação não procura prender a atenção do público com a piada foleira visando ridicularizar o interlocutor, mas presta atenção às razões do outro e procura fazer compreender a complexidade da realidade. É triste quando surgem, mesmo na Igreja, partidos ideológicos, desaparecendo a escuta para dar lugar a estéreis contraposições.

Na realidade, em muitos diálogos, efetivamente não comunicamos; estamos simplesmente à espera que o outro acabe de falar para impor o nosso ponto de vista. Nestas situações, como observa o filósofo Abraham Kaplan [3], o diálogo não passa de duólogo, ou seja um monólogo a duas vozes. Ao contrário, na verdadeira comunicação, o eu e o tu encontram-se ambos «em saída», tendendo um para o outro.

Portanto, a escuta é o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação. Não se comunica se primeiro não se escutou, nem se faz bom jornalismo sem a capacidade de escutar. Para fornecer uma informação sólida, equilibrada e completa, é necessário ter escutado prolongadamente. Para narrar um acontecimento ou descrever uma realidade numa reportagem, é essencial ter sabido escutar, prontos mesmo a mudar de ideia, a modificar as próprias hipóteses iniciais.

Com efeito, só se sairmos do monólogo é que se pode chegar àquela concordância de vozes que é garantia duma verdadeira comunicação. Ouvir várias fontes, «não parar na primeira locanda» – como ensinam os especialistas do oficio – garante credibilidade e seriedade à informação que transmitimos. Escutar várias vozes, ouvir-se – inclusive na Igreja – entre irmãos e irmãs, permite-nos exercitar a arte do discernimento, que se apresenta sempre como a capacidade de se orientar numa sinfonia de vozes.

Entretanto para quê enfrentar este esforço da escuta? Um grande diplomata da Santa Sé, o cardeal Agostinho Casaroli, falava de «martírio da paciência», necessário para escutar e fazer-se escutar nas negociações com os interlocutores mais difíceis a fim de se obter o maior bem possível em condições de liberdade limitada. Mas, mesmo em situações menos difíceis, a escuta requer sempre a virtude da paciência, juntamente com a capacidade de se deixar surpreender pela verdade – mesmo que fosse apenas um fragmento de verdade – na pessoa que estamos a escutar. Só o espanto permite o conhecimento. Penso na curiosidade infinita da criança que olha para o mundo em redor com os olhos arregalados. Escutar com este estado de espírito – o espanto da criança na consciência dum adulto – é sempre um enriquecimento, pois haverá sempre qualquer coisa, por mínima que seja, que poderei aprender do outro e fazer frutificar na minha vida.

A capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia. A grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à «informação oficial», causou também uma espécie de «info-demia» dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação. É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades económicas.

A própria realidade das migrações forçadas é uma problemática complexa, e ninguém tem pronta a receita para a resolver. Repito que, para superar os preconceitos acerca dos migrantes e amolecer a dureza dos nossos corações, seria preciso tentar ouvir as suas histórias. Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias! Depois cada qual será livre para sustentar as políticas de migração que considerar mais apropriadas para o próprio país. Mas então teremos diante dos olhos, não números nem invasores perigosos, mas rostos e histórias de pessoas concretas, olhares, expetativas, sofrimentos de homens e mulheres para ouvir.

Escutar-se na Igreja

Também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros. Nós, cristãos, esquecemo-nos de que o serviço da escuta nos foi confiado por Aquele que é o ouvinte por excelência e em cuja obra somos chamados a participar. «Devemos escutar através do ouvido de Deus, se queremos poder falar através da sua Palavra» [4]. Assim nos lembra o teólogo protestante Dietrich Bonhöffer que o primeiro serviço na comunhão que devemos aos outros é prestar-lhes ouvidos. Quem não sabe escutar o irmão, bem depressa deixará de ser capaz de escutar o próprio Deus [5].

Na ação pastoral, a obra mais importante é o «apostolado do ouvido». Devemos escutar, antes de falar, como exorta o apóstolo Tiago: «cada um seja pronto para ouvir, lento para falar» (1, 19). Oferecer gratuitamente um pouco do próprio tempo para escutar as pessoas é o primeiro gesto de caridade.

Recentemente deu-se início a um processo sinodal. Rezemos para que seja uma grande ocasião de escuta recíproca. Com efeito, a comunhão não é o resultado de estratégias e programas, mas edifica-se na escuta mútua entre irmãos e irmãs. Como num coro, a unidade requer, não a uniformidade, a monotonia, mas a pluralidade e variedade das vozes, a polifonia. Ao mesmo tempo, cada voz do coro canta escutando as outras vozes na sua relação com a harmonia do conjunto. Esta harmonia é concebida pelo compositor, mas a sua realização depende da sinfonia de todas e cada uma das vozes.

Cientes de participar numa comunhão que nos precede e inclui, possamos descobrir uma Igreja sinfónica, na qual cada um é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.

 Papa Francisco, Roma, São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2022.

 [1] «Nolite habere cor in auribus, sed aures in corde» ( Sermo 380, 1: Nova Biblioteca Agostiniana 34, 568).

[2] Carta à Ordem inteiraFontes Franciscanas, 216.

[3] Cf. «The life of dialogue» , in J. D. Roslansky (ed.), Communication. A discussion at the Nobel Conference (North-Holland Publishing Company – Amesterdão 1969), 89-108.

[4] D. Bonhöfffer, La vita comune (Queriniana – Bréscia 2017), 76.

[5] Cf. ibid., 75.

 

Oração Universal

 

Caríssimos fiéis:

Por Jesus Cristo, nosso único Mediador,

que subiu hoje gloriosamente ao Céu

sem deixar de estar connosco na terra,

elevemos ao Pai celeste as nossas súplicas.

Oremos (cantando), com alegria pascal:

 

     Cristo, elevado ao Céu, atendei a nossa prece.

 

1. Pelas Igrejas do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,

     para que sejam fiéis à missão de evangelizar toda a terra

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, elevado ao Céu, atendei a nossa prece.

 

2. Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos,

     para que sintam que Jesus está com eles no ministério,

oremos, irmãos.

 

     Cristo, elevado ao Céu, atendei a nossa prece.

 

3. Pelos que buscam a Deus olhando o Céu, como os Apóstolos,

     para que O reconheçam também presente nos mais pobres e sós,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, elevado ao Céu, atendei a nossa prece.

 

4. Por aqueles que ainda não conhecem a Cristo como o Amigo,

     para que a luz da fé os ilumine e recebam o Espírito Santo,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, elevado ao Céu, atendei a nossa prece.

 

5. Por todos nós aqui reunidos a Celebrar a Eucaristia dominical,

     para que Deus nos chame um dia a contemplar Jesus na Glória

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, elevado ao Céu, atendei a nossa prece.

 

6. Pelos nossos irmãos na fé que já deixaram esta terra de exílio,

     para que Jesus glorioso os introduza condigo na Glória do Céu,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, elevado ao Céu, atendei a nossa prece.

 

Ouvi, Senhor, as nossas súplicas

e fazei que os nossos corações

se voltem para Aquele que, neste dia,

subiu ao Céu e entrou na vossa glória,

de onde constantemente nos atrai.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Com o coração cheio de alegria pelas promessas que o Senhor nos fez, antes de subir ao Céu, aumenta a nossa felicidade a certeza de que Ele, pelo ministério do sacerdote, vai preparar para nós o Alimento divino do Seu Corpo e Sangue, para que não desfaleçamos nesta caminhada para o Céu.

 

Cântico do ofertório: Por entre aclamações – J. F. Silva, NRMS, 2 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, o sacrifício que Vos oferecemos ao celebrar a admirável ascensão do vosso Filho e, por esta sagrada permuta de dons, fazei que nos elevemos às realidades do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Ascensão: p. 474 [604-716]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Saudação da Paz

 

Antes de subir gloriosamente ao Céu, Jesus Cristo deixou-nos como testamento a verdadeira paz fundada no Seu Amor.

Acolhamos cuidadosamente este dom e façamo-lo chegar aos corações de todas as pessoas.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Vamos receber sacramentalmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Senhor Jesus que sobe triunfalmente ao Céu.

Cada comunhão bem feita é penhor de que um dia, À semelhança de jesus, também seremos glorificados.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou sempre convosco – C. Silva, OC pg 101

Mt 28, 20

Antífona da comunhão: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai, Louvai ao Senhor – J. F. Silva, NRMS, 85

 

Oração depois da comunhão: Deus eterno e omnipotente, que durante a nossa vida sobre a terra nos fazeis saborear os mistérios divinos, despertai em nós os desejos da pátria celeste, onde já se encontra convosco, em Cristo, a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Ascensão de Jesus diz-nos que devemos ter os nossos corações no Céu e os pés na terra, para cumprirmos o encargo que Ele nos confiou.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo – J. Santos, NRMS, 59

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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