6.º Domingo da Páscoa

22 de Maio de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:   Cantemos, cantemos… – M. Faria, NRMS, 68

cf. Is 48, 20

Antífona de entrada: Anunciai com brados de alegria, proclamai aos confins da terra: O Senhor libertou o seu povo. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao celebrarmos a Eucaristia, presença de Cristo Ressuscitado, na qual Ele continua na sua Igreja a edificar, a renovar, a unir e a encher de vitalidade. Cristo nos propõe uma relação amorosa no acolhimento da Sua Palavra, que manifesta a morada de Deus em nós e se exprime no dom do Seu Espírito. O Espírito Santo suscita uma verdadeira relação com Deus Pai e Deus Filho, suscita um verdadeiro relacionamento com a Igreja Corpo de Cristo e nos coloca em situação privilegiada para a construção do mundo na paz.

No meio de novas realidades, de dificuldades, de possíveis desorientações e tentações de divisão, o Espírito Santo, mobiliza-se para que sejamos capazes de acolher a Palavra de Deus com total sabedoria, transparência e docilidade. Mobiliza- se para que façamos um autêntico caminho de unidade com Pedro e os Apóstolos. Disponibiliza- se para nos recordar o que ficou esquecido do Evangelho. Ele também nos cura da nossa possível cegueira, nos dinamiza na coragem do evangelho, nos une no diálogo fraterno e no estilo de vida à maneira de Jesus. Ele suaviza e abre nossas mentes e corações diante das novas realidades a fim de colocarmos o testemunho de Cristo.

Não podemos abafar o Espírito do Senhor que renova a face da terra e não nos quer só admiradores, mas cooperadores na sua permanente renovação e unidade. Sejamos dóceis à sua ação de nos guiar e conduzir de acordo com Jesus e Deus Pai.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura fala-nos de uma verdadeira atmosfera sinodal. Na fidelidade aos Apóstolos e ao Espírito de Deus foi possível encontrar a verdadeira atmosfera/ambiente ao estilo de Jesus.

 

Actos dos Apóstolos 15,1-2.22-29

Naqueles dias, 1alguns homens que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos de Antioquia: «Se não receberdes a circuncisão, segundo a Lei de Moisés, não podereis salvar-vos». 2Isto provocou muita agitação e uma discussão intensa que Paulo e Barnabé tiveram com eles. Então decidiram que Paulo e Barnabé e mais alguns discípulos subissem a Jerusalém para tratarem dessa questão com os Apóstolos e os anciãos. 22Os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja, decidiram escolher alguns irmãos e mandá-los a Antioquia com Barnabé e Paulo. Eram Judas, a quem chamavam Barsabás, e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. 23Mandaram por eles esta carta: «Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia. 24Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, 25resolvemos, de comum acordo, escolher delegados para vo-los enviarmos juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, 26homens que expuseram a sua vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. 27Por isso vos mandamos Judas e Silas, que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões. 28O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor mais nenhuma obrigação, além destas que são indispensáveis: 29abster-vos da carne imolada aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isso. Adeus».

 

O nosso texto limita-se a referir a «discussão intensa» e mesmo «muita agitação» (v. 2) levantada por alguns cristãos vindos do judaísmo, do grupo dos chamados judaizantes, que defendiam a necessidade das práticas judaicas, incluindo a própria circuncisão. A questão motivou a reunião do Sínodo de Jerusalém, presidido pelo próprio Pedro. A leitura, porém, suprime tudo o que se refere ao desenrolar do chamado Concílio dos Apóstolos (vv. 6-21), referindo apenas a embaixada a Antioquia da Síria com decreto apostólico final. A questão era especialmente grave, pois estava em causa tanto a catolicidade da Igreja, como a sua unidade; com efeito, se, para se ser cristão, fosse preciso judaizar, o cristianismo teria, ao fim e ao cabo, de se confinar ao círculo restrito, internacionalmente mal visto, o dos judeus com os seus prosélitos; se, por outro lado, na Igreja transigisse com a existência de dois tipos de cristãos, os circuncidados e o incircuncisos, seria inevitável um cristianismo classista e dividido, pois uns seriam os cristãos de primeira (os da circuncisão), e outros, em esmagadora maioria, os cristãos de segunda (os do prepúcio). O Sínodo de Jerusalém não teve dificuldade, assistido pelo Espírito Santo (cf. v. 28), em velar decididamente pela catolicidade e pela unidade da Igreja; com efeito, uma questão destas, aparentemente disciplinar, tinha raízes dogmáticas profundas e enormes consequências pastorais.

28-29 «Nenhuma obrigação além destas». Descartada totalmente a necessidade de judaizar para se ser um cristão perfeito, o Sínodo, no entanto, aprovou as chamadas «cláusulas de Tiago», medidas disciplinares restritas ao tempo e lugares em que fosse conveniente facilitar a boa conivência entre os cristãos vindos do judaísmo com os cristãos vindos directamente da gentilidade; estes deveriam abster-se de «carne imolada aos ídolos» e depois vendidas ao público, bem como de comer «sangue» e «carnes sufocadas» (entenda-se, de animais estrangulados e não sangrados), uma vez que se tratava duma coisa altamente abominável para os judeus, pois o sangue era a vida, pertença exclusiva de Deus (cf. Gn 9,4; Lv 17,14). Também ficavam proibidos certos casamentos com determinados impedimentos legais que faziam com que as relações matrimoniais fossem consideradas «porneia», isto é, «relações imorais», ao serem tidas por incestuosas e ilícitas, devido a certos graus de parentesco (cf. Lv 18,6-18). Esta é a interpretação que considero a mais plausível e é hoje a mais habitual; assim, não parece que neste caso «porneia» designe a prostituição ou a fornicação, como às vezes se traduz. Note-se que este decreto ocasional, que data dos anos 49-50, não chegou a vigorar em Corinto (cf. 1Cor 8 – 10), cidade evangelizada por S. Paulo pelo ano 50-51.

 

Salmo Responsorial     Sl 66 (67), 2-3.5.6.8 (R. 4 ou Aleluia)

 

Monição: Quando vivemos o amor de Deus resplandece em nós a luz do Seu rosto, constroem-se caminhos de amor e louvor que chegam aos confins da terra.

 

Refrão:         Louvado sejais, Senhor,

                      pelos povos de toda a terra.

 

Ou:                Aleluia.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os vossos caminhos

e entre os povos a vossa salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu louvor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Que bela é a cidade que desce do Céu! Todos os que a construíram nesta terra exultam na sua plena beleza e santidade.

 

Apocalipse 21,10-14.22-23

10Um Anjo transportou-me em espírito ao cimo de uma alta montanha e mostrou-me a cidade santa de Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, 11resplandecente da glória de Deus. O seu esplendor era como o de uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe cristalino. 12Tinha uma grande e alta muralha, com doze portas e, junto delas, doze Anjos; tinha também nomes gravados, os nomes das doze tribos dos filhos de Israel: 13três portas a nascente, três portas ao norte, três portas ao sul e três portas a poente. 14A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes e neles doze nomes: os dos doze Apóstolos do Cordeiro. 22Na cidade não vi nenhum templo, porque o seu templo é o Senhor Deus omnipotente e o Cordeiro. 23A cidade não precisa da luz do sol nem da lua, porque a glória de Deus a ilumina e a sua lâmpada é o Cordeiro.

 

A parte final do Apocalipse, apresenta-nos, em linguagem figurada, o triunfo definitivo da Esposa do Cordeiro, a Igreja. A visão dos vv. 10-14 utiliza a linguagem de Ezequiel com que se refere a Jerusalém e ao Templo restaurados (Ez 40 – 42), mas com a particularidade de se tratar duma realidade «que descia do Céu», pondo assim em relevo a iniciativa divina. Com os nomes das 12 tribos de Israel unidos aos dos 12 Apóstolos mostra-se como a novidade da Igreja de Cristo está na continuidade do antigo Povo de Deus. Apraz registar aqui os comentários espirituais de Santo Agostinho:

10 «A montanha é Cristo. A Igreja é a cidade santa edificada na montanha; é a esposa do Cordeiro. Foi edificada na montanha, quando foi conduzida aos ombros do pastor, como foi conduzida ao redil a própria ovelha (cf. Lc 15,5)».

12 «As doze portas e os doze Anjos são os Apóstolos e os Profetas, segundo o que está escrito (Ef 2,20). Isto está de harmonia também com o que o Senhor disse a Pedro (Mt 1618). (...) Diz-se que os Apóstolos são portas que, com a sua doutrina, abrem a porta da vida eterna».

13 «Porque a cidade descrita é a Igreja difundida por todo o orbe, mencionam-se três portas em cada uma das quatro partes do mundo, pois na Igreja, nas quatro partes do mundo, anuncia-se o mistério da Trindade».

22 «Na cidade não vi nenhum templo»: «assim é, porque em Deus está a Igreja, e na Igreja está Deus», «porque o seu templo é o Senhor» (cf. Jo 2,19-22; 4,23-24).

23 «Não precisa da luz do Sol». «A Igreja não é orientada pela luz, nem pelos elementos do mundo; é conduzida por Cristo, o eterno Sol, por entre as trevas do mundo (cf. Jo 8,12; 1,9)».

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 14, 23

 

Monição: Acolher e guardar a Palavra de Deus torna-nos Sua morada. Morada bela que torna a nossa vida presença de Jesus.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Se alguém Me ama, guardará a minha palavra.

Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.

 

 

Evangelho

 

São João 14,23-29

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23«Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. 24Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. 25Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. 26Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. 27Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. 29Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis»

 

Estas palavras pertencem à resposta de Jesus à pergunta de Judas: «Porque Te hás-de manifestar a nós, e não Te manifestarás ao mundo?» (v. 22). Poderia parecer uma evasiva de Jesus, pois nega-se a fazer uma demonstração inequívoca e esmagadora do seu poder à humanidade hostil a Deus (o mundo), como esperavam os judeus e como desejam os crentes em geral. Jesus insiste no que acabava de dizer (vv. 19-21), a saber, que se manifesta já, mas individualmente, às almas bem dispostas, a quem Lhe tem amor, através de uma presença íntima e reconfortante. O Antigo Testamento já tinha falado da «morada» de Deus no meio do seu povo (cf. Ex 29,45; Lv 26,11; Ez 37,26-27), mas Jesus fala duma inabitação distinta, perfeitamente individualizada, de forma permanente e única, diferente da ubiquidade divina, na alma de cada fiel. É também neste sentido, o de uma presença de Deus em cada cristão, que S. Paulo fala em 1Cor 6,19 e Rom 8,11.

26 «O Paráclito», em grego, paraklêtós, era o advogado de defesa e, por extensão, o protector. A tradução latina por Consolador é deficiente, embora corresponda ao contexto do discurso do adeus. «Que o Pai enviará em meu nome», quer dizer: «por vontade de Jesus, como seu representante e a pedido seu; cf. Jo 14,16» (Wikenhauser). A passagem deixa ver claramente a distinção real das Três Pessoas da SS. Trindade.

27 «Deixo-vos a paz, dou-Vos a minha paz. Não vo-la dou corno a dá o mundo…». Era corrente desejar a paz como saudação ou despedida. Mas Jesus não se limita a desejá-la, Ele mesmo a paz aos seus! E uma paz que não é a que o mundo oferece ou anela, uma paz que é sinónimo de prosperidade ou segurança terrena. A paz que Jesus deixa de forma permanente nos seus é a paz de se saberem filhos de Deus (cf. Jo 1,12), salvos por Ele, uma paz que lhes transmite confiança em Deus, ao ponto de afastar tudo o que seja medo e perturbação (cf. Jo 14,1; 16,33).

28 «O Pai é maior do que Eu». Esta expressão foi o célebre cavalo de batalha da heresia ariana. Jesus não considera aqui a sua natureza divina: como homem, é de facto inferior ao Pai. Com efeito, Jesus está a falar da sua ida para o Pai, e é em razão da sua natureza humana que vai para o Pai. No entanto, Santo Agostinho, ao longo da sua célebre obra «De Trinitate» diz que esta expressão também insinua a geração eterna: «nativitas ostenditur»; e Santo Hilário de Poitiers precisa: «est enim Pater maior Filio, sed ut Pater Filio, generatione, non genere» (PL 9, 801).

 

Sugestões para a homilia

 

Despedida com promessas maravilhosas.

No Evangelho Jesus prepara os seus discípulos para a sua partida. Ele revela algo de maravilhoso para os seus. Ele consola os seus corações, a comunidade e cada um dos seus membros, desafiando para o acolhimento de um dom excelente que o Pai enviará em seu nome: O Paráclito, o Espírito Santo.

Deus reclama o ser humano para si. Ele quer comunidades, homens e mulheres, atraídos pelo seu amor, que se tornem a sua mais bela e atraente morada, dando ao mundo um sentido de profunda unidade e paz.

Há pois algo de tão maravilhosamente novo. Deus escolhe uma morada: o coração de todos aqueles que amorosamente acolhem a Sua Palavra. O coração de cada discípulo será assim morada da Trindade que se visibiliza na capacidade de dialogar, unir, de amar e de servir à maneira de Jesus.

 

Um Espírito que nos ensina.

O Espírito Santo é o grande Mestre. Ele nos leva a conhecer a profundidade e ternura de Deus Pai. Ele nos convida a bebermos da sua presença e relação amorosa. Ele nos permite dizer Abbá, Paizinho, Papá, pois só se pode viver essa relação de filiação pela sua ação. Consequentemente nessa profunda e misteriosa filiação nos leva a descobrir o Seu rosto que resplandece em cada homem e em cada e mulher, seus amados filhos, e nossos irmãos! Aceitar o amor, a compaixão e a misericórdia do Pai é dinamismo fundamental de fraternidade pura e fecunda. É construção da paz. É partilha de vida!

O Espírito nos conduz a contemplar Cristo. A contemplarmos o seu Rosto de Filho bem-amado de Deus Pai, contemplar e acolher a sua Palavra e seu projeto, contemplar o despojamento total de amor e serviço. Ele nos convida à gratidão da Sua Encarnação, Morte e Ressurreição, a contemplarmos Sua presença viva e activa nos Sacramentos, na Sua Igreja e nos sinais dos tempos.

O Espírito nos conduz à Igreja de Cristo, à Comunidade! Ele nos atrai para as realidades da unidade, do amor profundo, do perdão, da construção onde todos somos fundamentais. Ele nos aperfeiçoa destruindo as nossas vaidades, interesses e egoísmos que corroem a beleza do Corpo de Cristo. Ele incendeia o nosso coração para amarmos a Igreja que um dia aparecerá cheia de beleza e santidade.

O Espírito nos conduz e ensina para a grandeza e dignidade de toda a criação na qual o nosso pecado perverte aquelas dimensões onde mais se revela a presença divina: o ser humano. Um coração sem artimanhas e sem manhas que elabora uma imagem desfigurada de Deus, de tudo e de todos.

O Espírito do Senhor conhece o que de mais íntimo há em nós. Ele nos ensina a conhecermo-nos a nós mesmos em sabedoria, verdade e humildade. Nos ensina a aceitarmos a relação que Deus nos oferece e a construção de verdadeiras relações com os irmãos.

 

A arte do quotidiano ao estilo do Evangelho.

O nosso quotidiano necessita de estar alicerçado na Palavra de Deus. Essa Palavra viva e eficaz, Jesus Cristo Palavra do Pai, oferece-nos a certeza do amor incondicional de Deus que faz em nós a sua morada.

Nunca ficamos órfãos porque o Espírito de Deus nos trará sempre a presença do Pai e de Jesus Cristo. O mesmo Espírito nos oferece uma série de carismas, dons e frutos para uma vida feliz, fecunda e divina. Também nos ensinará os caminhos da verdade, do amor e daquele dinamismo que permite à Sua Igreja estar no mundo e saber falar a linguagem de Jesus e levar a liberdade de Jesus. Uma Igreja que diante dos desafios aparece com a simplicidade do Evangelho e com o estilo de Jesus, que não vem condenar mas reconciliar e salvar.

O Espírito nos vai ensinando que ser Cristão e ser Igreja não é um peso que oprime e atormenta mas uma maneira de Deus escrever de forma actualizada o seu amor incondicional, o desejo que transpareça no rosto dos cristãos e no rosto da sua igreja um “amor que não se cansa nem cansa”. Assim se poderia também dizer que ser cristão é ser um artista que com o Espírito faz novas todas as coisas.

 

Fala o Santo Padre

 

«Durante a sua vida terrena, Jesus já transmitiu tudo o que queria confiar aos Apóstolos.

A tarefa do Espírito Santo consiste em fazer recordar, isto é, fazer compreender plenamente

e levar a praticar de maneira concreta os ensinamentos de Jesus.»

O Evangelho deste 6º Domingo de Páscoa apresenta-nos um trecho do discurso que Jesus dirigiu aos Apóstolos na última Ceia (cf. Jo 14, 23-29). Ele fala da obra do Espírito Santo e faz uma promessa: «O Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse» (v. 26). Enquanto se aproxima o momento da Cruz, Jesus garante aos Apóstolos que não permanecerão sozinhos: com eles estará sempre o Espírito Santo, o Paráclito, que os apoiará na missão de levar o Evangelho ao mundo inteiro. Na língua original grega, o termo “Paráclito” significa Aquele que se põe ao lado, para apoiar e consolar. Jesus volta ao Pai, mas continua a instruir e a animar os seus discípulos mediante a ação do Espírito Santo.

No que consiste a missão do Espírito Santo, que Jesus promete como dom? É Ele mesmo quem o diz: «Ele ensinar-vos-á tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse». Durante a sua vida terrena, Jesus já transmitiu tudo o que queria confiar aos Apóstolos: levou a cumprimento a Revelação divina, ou seja, tudo o que o Pai queria dizer à humanidade com a Encarnação do Filho. A tarefa do Espírito Santo consiste em fazer recordar, isto é, fazer compreender plenamente e levar a praticar de maneira concreta os ensinamentos de Jesus. É precisamente esta também a missão da Igreja, que a realiza através de um estilo de vida específico, caracterizado por algumas exigências: a fé no Senhor e a observância da sua Palavra; a docilidade à ação do Espírito, que torna continuamente vivo e presente o Senhor Ressuscitado; o acolhimento da sua paz e o testemunho a ela dado com uma atitude de abertura e de encontro com o outro.

Para realizar tudo isto, a Igreja não pode permanecer estática mas, com a participação ativa de cada batizado, é chamada a agir como uma comunidade a caminho, animada e sustentada pela luz e pela força do Espírito Santo que renova todas as coisas. Trata-se de se libertar dos vínculos mundanos, representados pelos nossos pontos de vista, pelas nossas estratégias, pelos nossos objetivos, que muitas vezes dificultam o caminho de fé, e de nos pormos em dócil escuta da Palavra do Senhor. Deste modo, é o Espírito de Deus quem nos guia e orienta a Igreja, a fim de que ela faça resplandecer o autêntico rosto, bonito e luminoso, desejado por Cristo.

Hoje o Senhor convida-nos a abrir o coração ao dom do Espírito Santo, para que nos guie pelas sendas da história. Ele educa-nos dia após dia para a lógica do Evangelho, a lógica do amor acolhedor, “ensinando-nos todas as coisas” e “recordando-nos tudo o que o Senhor nos disse”. Maria, que neste mês de maio veneramos e oramos com devoção especial como nossa Mãe celeste, proteja sempre a Igreja e a humanidade inteira. Ela que, com fé humilde e corajosa, cooperou plenamente com o Espírito Santo para a Encarnação do Filho de Deus, nos ajude também a nós, a deixar-nos educar e guiar pelo Paráclito, a fim de podermos acolher a Palavra de Deus e de a testemunhar com a nossa vida.

 Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 26 de maio de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Oremos a Deus, nosso Pai,

para que nos envie a sua paz e o seu Espírito

e nos ensine a permanecer no seu amor,

dizendo (ou: cantando), com fé:

R. Mandai, Senhor, o vosso Espírito.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Abençoai, Senhor, a vossa Igreja.

 

1. Pela Igreja, templo santo de Deus vivo,

esposa de Cristo, resplandecente de beleza e de graça,

que ensina aos homens o caminho da verdade,

oremos.

 

2. Pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

pelos fiéis que dão testemunho do Evangelho

e pelos que estão atentos à voz do Espírito,

oremos.

 

3. Pelos que lutam pela paz em toda a terra,

pelos que acreditam que ela é possível

e por aqueles que a imploram sem cessar,

oremos.

 

4. Pelos que guardam a palavra de Jesus,

por todos os que O amam e O adoram

e por aqueles que se perturbam e têm medo,

oremos.

 

5. Pelos que acreditam que a violência pode ser vencida,

pelos que buscam a paz de Cristo e a dão aos outros

e por todos aqueles que a não têm,

oremos.

 

6. Pelo povo ucraniano,

perseguido na sua terra e disperso pelo mundo,

para que o Senhor atenda as nossas preces,

os esforços das pessoas de boa vontade

e lhe conceda a paz e o regresso a suas casas,

oremos

 

7- Pelas vítimas da Covid e dos tempos de pandemia,

para que o Senhor atenda as nossas aflições e angústias,

conceda o eterno descanso aos que morreram,

conforto aos que choram, cura aos doentes, paz aos moribundos,

força aos que trabalham na saúde,

sabedoria aos nossos governantes

e coragem para vencermos esta provação,

oremos.

 

Deus fiel e cheio de misericórdia,

que prometestes vir habitar com o vosso Filho

no coração dos que guardam a sua palavra,

dai-nos a graça de nos sentirmos, desde agora,

cidadãos da nova Jerusalém, cidade santa.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Recebestes um Espírito – C. Silva, CNPL, pg 855

 

Oração sobre as oblatas: Subam à vossa presença, Senhor, as nossas orações e as nossas ofertas, de modo que, purificados pela vossa graça, possamos participar dignamente nos sacramentos da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor.

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação

que sempre Vos louvemos,

mas com maior solenidade neste tempo,

em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.

Ele Se oferece continuamente por nós

e nos defende com a sua intercessão.

Foi imolado sobre a cruz, mas não morrerá jamais;

foi morto, mas agora vive para sempre.

Por isso, na plenitude da alegria pascal,

exultam os homens por toda a terra

e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória,

cantando numa só voz:

 

Santo: A. F. Santos – BML, 27

 

Monição da Comunhão

 

A Eucaristia é o grande dom que o Pai nos oferece e que o Espírito Santo torna presente. Comungar a Palavra, comungar o Corpo de Cristo e Seu Sangue é também comungar o Seu Corpo que é a Igreja.

A Eucaristia, Vivida com fé e coerência é a experiência alta de comunhão com Deus e com os irmãos.

Celebremos e saboreemos a eucaristia com gratidão, com fé, com amor e com a vontade firme de a levar para vida.

 

Cântico da Comunhão: Vós sereis meus amigos – M. Luís, CEC I, pg 151

cf. Jo 14, 15-16

Antífona da comunhão: Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando, diz o Senhor. Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará o Espírito Santo, que permanecerá convosco para sempre. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente ao Senhor M. Luís, NRMS, 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor Deus todo-poderoso, que em Cristo ressuscitado nos renovais para a vida eterna, multiplicai em nós os frutos do sacramento pascal e infundi em nós a força do alimento que nos salva. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos para a vida com alegria e com entusiasmo. Sabemos que amando Jesus e acolhendo a Sua Palavra, o Pai faz em nós a sua morada.

O Pai e o Filho nos oferecem o Espírito Santo para nos ensinar, para nos conduzir pelos caminhos da comunhão, da unidade e da oferta da nossa vida à maneira de Cristo.

Deus ao fazer em nós a Sua morada torna visível na nossa vida a Sua presença, ensinamento acessível a todos.

Maria nossa Mãe seja também a nossa Mestra que sempre nos conduz a Deus.

 

Cântico final: Glória ao Senhor, louvor em terra e Céus – M. Faria, (dos 20 cânticos), IC pg 835

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 23-V: A actuação do Espírito Santo

Act 16, 11-15 / Jo 15, 26- 16, 4

Quando vier o Paráclito, que Eu hei-de enviar lá do Pai, o Espírito de Verdade…

Jesus promete o envio do Espírito Santo, a quem chama Paráclito, isto é, o Consolador, que ajuda Jesus, temos necessidade dEle, sobretudo nos momentos difíceis, para não sucumbirmos (EV).

É no momento do Baptismo e, depois na Confirmação, que recebemos este dom de Deus. Assim aconteceu com Lídia, ao receber o Baptismo juntamente com os seus familiares (LT). Exultemos de alegria (SR), porque o Espírito Santo apaga a mancha do pecado original, dá-nos a graça santificante, e torna-nos membros da Igreja.

 

3ª Feira, 24-V: A verdade sobre a família.

Act 16, 22-34 / Jo 16, 5-11

O carcereiro logo recebeu o Baptismo, juntamente com todos os seus. E encheu-se de alegria com toda a família.

O carcereiro, depois da sua conversão, pediu aos Apóstolos para irem a sua casa, e todos receberam o Baptismo (LT). Estas famílias passaram a ser pequenas ilhas num mundo descrente, porque o Espírito Santo actuou, tal como Jesus tinha prometido (EV).

Muitos factores estão a contribuir actualmente para esta crise profunda da família. É importante que se proclame a verdade sobre a família, apesar das leis iníquas. E que se mantenha a prática tradicional de baptizar, quanto antes, as crianças. Recorramos a Nossa Senhora, Rainha da Família, e à Sagrada Família de Nazaré, pela instituição familiar.

 

4ª Feira, 25-V: O despertar da religiosidade

Act 17, 15. 22- 18, 1 / Jo 16, 12-15

Atenienses, vejo que sois os mais religiosos dos homens. Encontrei um altar com esta inscrição: Ao Deus desconhecido.

O homem procura sempre a Deus através de crenças e comportamentos religiosos. Como estas expressões são universais, podemos dizer que o homem é um ser religioso, porque, na verdade, Deus não está longe de nós (LT). O Céu e a terra proclamam a vossa glória. Louvem todos o nome do Senhor (SR).

Em muitos casos pode ser que a religiosidade esteja oculta. Podemos aproveitar as ocasiões para falarmos de Deus, como fez S. Paulo (LT) e, invoquemos a ajuda do Espírito Santo: Ele vos guiará para a verdade plena (EV)) e também a da Rainha do Universo.

 

5ª Feira, 26-V: As Rogações: A construção de um mundo melhor.

Act 18, 1-8 / Jo 16, 16-20

Paulo foi procurá-los, ficou em casa deles, e começou a trabalhar. Tinha a profissão de fabricante de tendas.

Neste dia das Rogações, elevemos a Deus as nossas preces para que Ele nos ajude a levar à prática o seu projecto a respeito do mundo e dos homens. Queremos colaborar no projecto de Deus sobre a criação, através do trabalho, como S. Paulo (LT).

O trabalho humano é realizado por pessoas, criadas à imagem e semelhança de Deus, para prolongar a obra da criação. O trabalho pode ser um instrumento adequado para que as realidades terrenas se impregnem do espírito de Cristo. Cantai ao Senhor um cântico novo pelas maravilhas que Ele operou (SR).

 

6ª Feira, 27-V: Oração e sentido de eternidade

Act 18, 9-18 / Jo 16, 20-23

Haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo se há-de alegrar. Mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.

Esta profecia (EV) é sempre actual. Parece que os indiferentes em relação à religião, se divertem e gozam a vida, e prosperam, enquanto outros, que procuram a Deus, não têm tanto sucesso. Chorareis e lamentar-vos-eis enquanto o mundo se alegra (EV)

O Senhor conforta-nos, como a S. Paulo. Não tenhas receio, que Eu estou contigo (LT). Mostra-nos como o verdadeiro sentido da vida não está confinado com o horizonte terreno, mas abre-se à eternidade. Deus subiu entre aclamações (SR). É o sentido das bem-aventuranças, vivido por Cristo e Nossa Senhora.

 

Sábado, 28-VI: A importância da oração

Act 18, 22-38 / Jo 16, 23-28

O que pedirdes ao Pai, Ele vo-lo dará em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

Por sermos filhos de Deus, ousamos pedir ao Pai, como Jesus nos ensinou (EV), pois a oração dominical contém tudo o que precisamos e é o resumo do Evangelho. A oração é como a respiração do cristão (S. João Paulo II). Tudo o que fazemos há-de ser transformado em oração.

A oração leva-nos a conhecer melhor o Senhor, porque o Espírito Santo nos recorda os ensinamentos de Jesus. Priscila e Áquila ajudaram Apolo a entender melhor o caminho. A Deus correspondem todos poderes da terra. Maria é mestra de oração.

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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