7º Domingo Comum

20 de Fevereiro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Eu confio, Senhor, na vossa bondade – J. F. Silva, NRMS, 70

cf. Salmo 12, 6

Antífona de entrada: Eu confio, Senhor, na vossa bondade. O meu coração alegra-se com a vossa salvação. Cantarei ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No sétimo Domingo do tempo comum, somos convidados a escutar Jesus, o divino Mestre que nos ensina a amar, a fazer o bem e a perdoar mesmo aos inimigos. A Palavra de Deus contida nas leituras da missa de hoje, ajudam-nos a celebrar a misericórdia divina, que recompensará o amor que praticamos neste mundo, com a felicidade eterna, na casa do Pai celeste: “Então será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo.”

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, meditando continuamente nas realidades espirituais, pratiquemos sempre, em palavras e obras, o que Vos agrada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «O Senhor entregou-te nas minhas mãos,

mas eu não quis atentar contra ti.» 1 Sam 26, 2.7-9.12-13.22-23

A Sagrada Escritura é revelação de Deus, mas é uma revelação progressiva. O que Evangelho ensina acerca dos desígnios de misericórdia e salvação de Deus, já se encontra no Antigo Testamento. Acabámos de ler o exemplo de David: A sua atitude bondosa e pacífica antecipa a palavra de Jesus: “Vós, porém, amai até os vossos inimigos.”

 

1 Samuel 26,2.7-9.12-13.22-23

Naqueles dias, 2Saul, rei de Israel, pôs-se a caminho e desceu ao deserto de Zif com três mil homens escolhidos de Israel, para irem em busca de David no deserto. 7David e Abisaí penetraram de noite no meio das tropas: Saul estava deitado a dormir no acampamento, com a lança cravada na terra à sua cabeceira; Abner e a sua gente dormia à volta dele. 8Então Abisaí disse a David: «Deus entregou-te hoje nas mãos o teu inimigo. Deixa que de um só golpe eu o crave na terra com a sua lança e não terei de o atingir segunda vez». 9Mas David respondeu a Abisaí: «Não o mates. Quem poderia estender a mão contra o ungido do Senhor e ficar impune?» 12David levou da cabeceira de Saul a lança e o cantil e os dois foram-se embora. Ninguém viu, ninguém soube, ninguém acordou. Todos dormiam, por causa do sono profundo que o Senhor tinha feito cair sobre eles. 13David passou ao lado oposto e ficou ao longe, no cimo do monte, de sorte que uma grande distância os separava. 22Então David exclamou: «Aqui está a lança do rei. Um dos servos venha buscá-la. 23O Senhor retribuirá a cada um segundo a sua justiça e fidelidade. Ele entregou-te hoje nas minhas mãos e eu não quis atentar contra o ungido do Senhor».

 

Este episódio, de que a leitura respiga alguns versículos, mostra a coragem de David e a sua benevolência e magnanimidade para com Saúl, que o perseguia de morte; tem bastantes semelhanças com o que é relatado no capítulo 24, mas sucedido na caverna de Engadi, parecendo mesmo a alguns tratar-se dum duplicado. «Zif» fica no Néguev, a Sudoeste do Mar Morto.

7   «Com a lança cravada na terra». Como insígnia de poder e comando, ainda hoje é usada por tribos árabes. «Abner», comandante das tropas de Saúl e seu grande apoiante.

 

Salmo Responsorial     Sl 102 (103), 1-2.3-4.8.10.12-13 (R. 8a)

 

Monição: Este salmo é um poema de louvor e traduz a alegria dos crentes, que fazem a experiência da misericórdia divina. É um poema ao amor e grandeza do perdão de Deus. A fragilidade humana aparece simbolizada nas imagens do pó e da erva em contraste com a estabilidade do amor de Deus, que permanece para sempre. 

 

Refrão:        O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

Ou:               Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

 

Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades;

salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade;

não nos tratou segundo os nossos pecados,

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

 

Como o Oriente dista do Ocidente,

assim Ele afasta de nós os nossos pecados;

como um pai se compadece dos seus filhos,

assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «Assim como trazemos em nós a imagem do homem terreno,

procuremos também trazer em nós a imagem do homem celeste.»1 Cor 15, 45-49

São Paulo fala sobre a ressurreição, estabelecendo o confronto entre o primeiro homem, Adão e o novo Adão, Jesus Cristo, “o Primogénito de toda a criatura.” (Col 1,15) O Apóstolo coloca lado a lado, o primeiro Adão e o último e nós, que levamos as marcas do primeiro, mas também as do último. A imagem de Jesus ressuscitado prevalecerá em nós, por obra e graça de Deus. (D. António Couto, Mesa de Palavras)

 

 

1 Coríntios 15,45-49

Irmãos: 45O primeiro homem, Adão, foi criado como um ser vivo; o último Adão tornou-se um espírito que dá vida. 46O primeiro não foi o espiritual, mas o natural; depois é que veio o espiritual. 47O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o segundo homem veio do Céu. 48O homem que veio da terra é o modelo dos homens terrenos; o homem que veio do Céu é o modelo dos homens celestes. 49E assim como trouxemos em nós a imagem do homem terreno, procuremos também trazer em nós a imagem do homem celeste.

 

S. Paulo, ao falar da ressurreição, estabelece um paralelo com a antítese entre Adão – «primeiro homem» (em hebraico adam significa «homem») – e Cristo, o «último Adão». O «primeiro» é simplesmente um ser vivo, em contraste com o «segundo», que dá a vida. Depois de acentuar as diferenças – alguns autores pensam que, ao dizer que «o primeiro não foi o espiritual», quis rebater as ideias de Filon de Alexandria, que falava dum Adão celeste, espiritual e assexuado, anterior ao primeiro homem de que fala a Bíblia –, S. Paulo exorta os Coríntios a identificarem-se com o modelo (imagem) do «homem celeste», Jesus Cristo (v. 49).

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 13, 34

 

Monição. Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso.

Aclamemos Jesus Cristo, que nos ensina como deve ser o nosso comportamento para com aqueles que nos rodeiam: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (II)

 

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:

amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 6,27-38

Naquele tempo, Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: 27«Digo-vos a vós que Me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; 28abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam. 29A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica. 30Dá a todo aquele que te pedir e ao que levar o que é teu, não o reclames. 31Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também. 32Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam. 33Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. 34E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. 35Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus. 36Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. 38Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».

 

Temos hoje a segunda parte do chamado «sermão da planície» (v. 17, correspondente ao da «montanha» em Mt 5,1ss), que contém ensinamentos sobre o amor aos inimigos (vv. 27-36) e um apelo à magnanimidade e generosidade (vv. 37-38). Em Mateus, estes ensinamentos apareciam em confronto com a Lei antiga: «ouvistes o que foi dito…, mas Eu digo-vos…» (cf. Mt 5,38-42.43-48), tendo em atenção aos destinatários do seu Evangelho, vindos do judaísmo, ao passo que para os destinatários de Lucas (vindos do mundo gentio) essa antítese não tinha interesse. Estes ensinamentos constituem o núcleo da mensagem de Cristo sobre o amor e a misericórdia, a grande originalidade dos seus ensinamentos, em face do ensino moral não só dos rabinos, como de todos os grandes líderes religiosos de todos os tempos.

27-28 O amor e o perdão aos inimigos. Por mais incompreensível que pareçam estas palavras, elas constituem a base mais sólida para evitar de raiz a violência e a guerra. Não é uma utopia, mas um programa de acção (é também a tese do autor judeu Pinchas Lapide, que lamenta que se tenha atenuado e adocicado o que de radical e exigente há em The Sermon on the Mount). Não se trata de uma «ética para os fracos», pois exige-se muitíssimo mais força de ânimo para perdoar do que para alimentar desejos de vingança. E o próprio Lucas sublinha o exemplo de Jesus, sobretudo ao perdoar aos que O crucificavam (cf. Lc 23,34).

29-30 «Apresentar a outra face… deixar também a túnica… não reclamar». Trata-se de expressões chocantes, que visam a força expressiva através do efeito de contraste, bem ao gosto semítico; indicam graficamente qual é o espírito de Cristo, sintetizado no v. 31: o perdão completo, a magnanimidade, a caridade que se deve sobrepor à reclamação dos direitos (o que não significa que sempre tenhamos de renunciar ao que nos é devido).

31 «Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós…» É a preciosa regra de ouro da caridade cristã, simples e prática, a ter sempre em conta.

35-38 Uma interpretação fundamentalista do v. 35 levou, a que, noutros tempos, alguns pensassem que era contrário ao Evangelho cobrar juros do dinheiro emprestado, como se sempre se tratasse de usura. O espírito de generosidade e magnanimidade permanece válido para sempre, tendo como referência a misericórdia de Deus a imitar (v. 36). Trata-se dum comportamento que não é sem contrapartida, mas essa não é terrena: «a grande recompensa» (v. 35) será na outra vida. E essa retribuição de Deus remunerador tem uma «medida»: «a que usardes com os outros será usada [isto é, «Deus usará» – o chamado passivo divino] também convosco» (v. 38).

 

Sugestões para a homilia

 

“Digo-vos a vós que Me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam;

abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam.”

 

“Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso.

Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados.

Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco.”

 

São Lucas é o evangelista que nos acompanha ao longo deste ano litúrgico. Nascido numa família pagã e convertido à fé, foi discípulo do Apóstolo São Paulo, de cuja pregação é reflexo o Evangelho que escreveu. No prólogo do seu Evangelho, apresentou-se como um discípulo que não conheceu pessoalmente o divino Mestre. É um crente da segunda geração, por isso está próximo dos acontecimentos que nos vai apresentar. Certamente conhecia o Evangelho de São Marcos e de São Mateus. Afirmou que consultou aqueles que foram testemunhas oculares e transmitiu-nos aquilo que ele mesmo recebeu, com uma finalidade: “Informei-me cuidadosamente de tudo, desde a origem a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído.” Lucas 1, 1-4

No Domingo passado escutámos as bem-aventuranças. Jesus, erguendo os olhos para os discípulos começou a dizer-lhes: “Felizes de vós os pobres! Ai de vós os ricos!” Hoje continuamos a escutar: “Digo-vos a vós que me escutais: Amai. Fazei bem. Abençoai. Rezai por aqueles que vos caluniam.” Transcrevi algumas frases do Evangelho, porque é bom ler, escutar de novo, guardar no coração, meditar e praticar o que Jesus ensinou. Jesus pede-nos para que o amor ocupe o primeiro lugar no nosso comportamento quotidiano. Hoje escutamos a segunda parte do chamado «sermão da planície», correspondente ao “sermão da montanha» em Mateus 5, que contém os ensinamentos sobre o amor aos inimigos e um apelo à magnanimidade e generosidade dos seus discípulos.

Amar e perdoar não é uma doutrina nova. O Antigo Testamento já pedia o amor ao próximo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Lev 19, 18) Mas o amor ao próximo era limitado aos compatriotas e àqueles a quem estavam ligados por laços familiares ou religiosos. Jesus ensina que é preciso amar a todos, mesmo os inimigos e aqueles que nos “caluniam.” O amor é a única forma de vencer o ódio e a violência.

 

O que quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também”.

Esta frase de Jesus costuma ser chamada a “regra de ouro” da caridade cristã. Enquanto S. Mateus vê na regra de ouro a síntese da Lei e dos Profetas, isto é o resumo da revelação do Antigo Testamento, S. Lucas afirma que a Lei e os Profetas são essencialmente as profecias de Jesus. Só quem faz o bem de forma gratuita e sem esperar nada em troca, pode ser “filho de Deus”: “Então será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus.”

Jesus convida-nos a imitar o nosso Pai celeste: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.” A nossa bondade deve manifestar-se em comportamentos concretos: não julgar, não condenar, perdoar, dar: “Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco.”

Para ilustrar o ensinamento do Evangelho de hoje, a Liturgia apresentou-nos na primeira leitura a bela história que narra a magnanimidade do futuro rei David. Tendo a oportunidade de se vingar, não usou a força contra Saul, mas poupou-lha a vida: “Saul estava deitado a dormir no acampamento, com a lança cravada na terra à sua cabeceira; Abner e a sua gente dormia à volta dele. Então Abisaí disse a David: «Deus entregou-te hoje nas mãos o teu inimigo. Deixa que de um só golpe eu o crave na terra com a sua lança. Mas David respondeu: não o mates.”

 

Fala o Santo Padre

 

«Ele sabe muito bem que amar os inimigos vai além das nossas possibilidades, mas foi por esta razão que se fez homem:

não para nos deixar tal como somos, mas para nos transformar em homens e mulheres

capazes de um amor maior, aquele do seu e do nosso Pai.»

O Evangelho deste domingo (cf. Lc 6, 27-38) diz respeito a um ponto central e que carateriza a vida cristã: o amor pelos inimigos. As palavras de Jesus são claras: «Digo-vos, porém, a vós que me escutais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam» (vv. 27-28). Não é um optional, é uma ordem. Não é para todos, mas para os discípulos, aos quais Jesus chama “vós que escutais”. Ele sabe muito bem que amar os inimigos vai além das nossas possibilidades, mas foi por esta razão que se fez homem: não para nos deixar tal como somos, mas para nos transformar em homens e mulheres capazes de um amor maior, aquele do seu e do nosso Pai. Este é o amor que Jesus doa a quem “o escuta”. E então isso torna-se possível! Com Ele, graças ao seu amor, ao seu Espírito, podemos amar também aqueles que não nos amam, até quantos nos ofendem.

Deste modo, Jesus quer que em cada coração o amor de Deus triunfe sobre o ódio e o rancor. A lógica do amor, que culmina na Cruz de Cristo, é o distintivo do cristão e incentiva-nos a ir ao encontro de todos com coração de irmãos. Mas como é possível superar o instinto humano e a lei mundana da retaliação? A resposta é dada por Jesus na mesma página evangélica: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (v. 36). Quem escuta Jesus, quem se esforça para o seguir mesmo se é difícil, torna-se filho de Deus e começa a assemelhar-se deveras ao Pai que está nos céus. Tornamo-nos capazes de coisas que nunca teríamos imaginado poder dizer ou fazer, e das quais aliás nos teríamos envergonhado, mas que agora, ao contrário, nos proporcionam alegria e paz. Já não precisamos de ser violentos, com as palavras e com os gestos; descobrimo-nos capazes de ternura e de bondade; e sentimos que tudo isto não provém de nós mas d’Ele!, e portanto não nos vangloriamos por isso, mas só lhe estamos gratos.

Não há nada de maior e mais fecundo que o amor: ele confere à pessoa toda a sua dignidade, enquanto o ódio e a vingança a desvaloriza, deturpando a beleza da criatura feita à imagem de Deus.

Este mandamento, de responder ao insulto e à ofensa com o amor, gerou no mundo uma nova cultura: a «cultura da misericórdia — devemos aprender e praticar bem esta cultura da misericórdia — que dá vida a uma verdadeira revolução» (Carta. ap. Misericordia et misera, 20). É a revolução do amor, em que os protagonistas são os mártires de todos os tempos. E Jesus garante-nos que o nosso comportamento, caraterizado pelo amor em relação a quantos nos ofendem, não será vão. Ele diz: «perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado […], pois a medida que usardes com os outros será usada convosco» (vv. 37-38). Isto é bom. Será algo bom que Deus nos concederá se formos generosos e misericordiosos. Devemos perdoar porque Deus nos perdoou e nos perdoa sempre. Se não perdoarmos totalmente, não poderemos pretender ser perdoados totalmente. Ao contrário, se os nossos corações se abrirem à misericórdia, se o perdão for selado com um abraço fraterno e se estreitarmos os laços de comunhão, nós proclamaremos ao mundo que é possível vencer o mal com o bem. Às vezes recordamos mais facilmente as injustiças que nos fizeram e os males dos quais fomos vítimas e não as coisas boas; a ponto que há pessoas que têm este hábito que se torna uma doença. São “colecionadores de injustiças”: só se recordam das coisas desagradáveis que lhes fizeram. E não é este o caminho. Devemos fazer o contrário, diz Jesus. Recordar as coisas boas e quando alguém coscuvilhar e falar mal dos outros é preciso dizer: “sim, talvez... mas tem isto de bom...”. Inverter a situação. Esta é a revolução da misericórdia.

A Virgem Maria nos ajude a deixar-nos tocar o coração por esta palavra santa de Jesus, ardente como o fogo, que nos transforma e nos torna capazes de fazer o bem sem recompensa, fazer o bem sem recompensa, testemunhando em toda parte a vitória do amor.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 24 de fevereiro de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos, irmãos e irmãs,

ao Pai do Céu, que é misericordioso para com todos,

 e abramos o nosso coração às dimensões daquela oração

 que Jesus nos ensinou, suplicando humildemente:

R. Abençoai, Senhor, o vosso povo.

Ou: Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.

 

1. Pela santa Igreja que se estende pelo mundo inteiro,

para que, vencendo a tentação de julgar e condenar,

manifeste sempre e em tudo a misericórdia de Jesus, oremos.

 

2. Pelos crentes de todas as religiões da terra,

para que amem aqueles que os não amam

 e perdoem àqueles que os perseguem, oremos.

 

3. Pelos povos e países mais pobres,

para que as nações mais poderosas deste mundo

respeitem os seus direitos e destinos, oremos.

 

4. Pelos homens violentos, como Saul,

 e pelos pacíficos, como David,

para que não se deixem dominar pela vingança, oremos.

 

 5. Pelos membros da nossa assembleia,

para que, por palavras e por obras,

perdoem e façam o bem que agrada a Deus, oremos.

 

 Senhor, nosso Deus,

 ensinai-nos a compreender as palavras do vosso Filho

e a seguir o seu exemplo,

para que o vosso amor em nós acolha todos os homens como irmãos.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Onde há caridade e amor – M. Luís, CNPL, 766   

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que celebremos dignamente estes divinos mistérios, de modo que os dons oferecidos para vossa glória sejam para nós fonte de eterna salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Nascendo da Virgem Maria, Ele renovou a antiga condição humana; com a sua morte na cruz destruiu os nossos pecados; com a sua ressurreição conduziu-nos à vida eterna e na sua ascensão abriu-nos as portas do céu. 

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

Conduzi-me, Senhor pela senda dos vossos mandamentos,

porque neles estão as minhas delícias. (Salmo 118,35)

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o Amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Senhor Jesus, que vieste trazer à terra o fogo ardente da eterna caridade, fazei que, inflamados no vosso amor, Vos amemos sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

 

Cântico da Comunhão: Dou-vos um mandamento novo – F. Silva, NRMS, 71-72

Salmo 9, 2-3

Antífona da comunhão: Cantarei todas as vossas maravilhas. Quero alegrar-me e exultar em Vós. Cantarei ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Ou

cf. Jo 11, 27

Senhor, eu creio que sois Cristo, Filho de Deus vivo, o Salvador do mundo.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor – M. Valença, NRMS, 60 .

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus omnipotente, que este sacramento de salvação seja para nós penhor seguro de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Santo Padre, Papa Francisco: Fratelli Tutti

1. FRATELLI TUTTI escrevia São Francisco de Assis, dirigindo-se a seus irmãos e irmãs para lhes propor uma forma de vida com sabor a Evangelho. Destes conselhos, quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; nele declara feliz quem ama o outro, «o seu irmão, tanto quando está longe, como quando está junto de si». Com poucas e simples palavras, explicou o essencial duma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas.

2. São Francisco sentia-se irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram da sua própria carne. Semeou paz por toda a parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados, dos últimos.

3. Na sua vida, há um episódio que nos mostra o seu coração sem fronteiras, capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião: é a sua visita ao Sultão Malik-al-Kamil, no Egito. A mesma exigiu dele um grande esforço, devido à sua pobreza, aos poucos recursos que possuía, à distância e às diferenças de língua, cultura e religião. Aquela viagem, num momento histórico marcado pelas Cruzadas, demonstrava ainda mais a grandeza do amor que queria viver, desejoso de abraçar a todos. A fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs. Sem ignorar as dificuldades e perigos, São Francisco foi ao encontro do Sultão com a mesma atitude que pedia aos seus discípulos: sem negar a própria identidade, quando estiverdes «entre sarracenos e outros infiéis (...), não façais litígios nem contendas, mas sede submissos a toda a criatura humana por amor de Deus». É impressionante que, há oitocentos anos, Francisco recomende evitar toda a forma de agressão ou contenda e também viver uma «submissão» humilde e fraterna, mesmo com quem não partilhasse a sua fé.

32. A pandemia do Covid-19 despertou, por algum tempo, a consciência de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos. Recordamo-nos de que ninguém se salva sozinho, que só é possível salvar-nos juntos. Com a tempestade ficou a descoberto esta pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.

CARTA ENCÍCLICA FRATELLI TUTTI DO SANTO PADRE FRANCISCO

SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL

 

Cântico final: Se vos amardes uns aos outros – F. Silva, NRMS, 22

 

 

Homilias Feriais

 

 

7ª SEMANA

 

2ª Feira, 21-II: A eficácia da oração feita com fé.

Tg 3, 13-18 / Mc 9, 14-29

Jesus replicou-lhe: Se podes?! Tudo é possível a quem acredita.

Do mesmo modo que Jesus ora ao Pai e lhe dá graças antes de receber os seus dons, assim também nos ensina esta audácia filial: tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes. Tal é a força da oração: tudo é possível a quem crê (EV), com uma fé que não hesita. São duas qualidades da oração que aqui se sublinham: a audácia e a fé.

A oração é também importante para alcançarmos a sabedoria de Deus, para vivermos como Deus quer (LT).. O testemunho do Senhor é a sabedoria dos simples (SR).

 

3ª Feira, 22-II: Cadeira de S. Pedro. Apoiar o Papa.

1 Ped, 5, 1-4 / Mt 16, 13-19

Eu também te digo a ti Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

Esta festa da Cadeira de S. Pedro é uma boa oportunidade para vivermos melhor a unidade à volta do Papa. É esta uma vontade expressa do Senhor (EV).

Cristo, que é a pedra angular, garante à Igreja, edificada sobre Pedro, o triunfo sobre o demónio (EV). Apoiemos o Papa com as nossas orações e sacrifícios, sigamos fielmente os seus ensinamentos e ajudemos todos a viver a unidade da doutrina da fé. Rezemos por todos os pastores de almas: Apascentai o rebanho de Deus, velai por ele, como Deus quer. Não para dominardes os fiéis, mas para serdes modelos do rebanho (LT).

 

4ª Feira, 23-II: A evangelização em Cristo e por Cristo.

Tg 4, 13-17 / Mc 9, 38-40

Vós dizeis: hoje ou amanhã iremos a tal cidade e passaremos lá um ano. Envaideceis-vos com as vossas jactâncias.

Nas tarefas de evangelização, não podemos esquecer que devemos contar sempre com Deus, pois somos apenas instrumentos, e todo o fruto é dado pelo Senhor (LT). O que é mais importante é proclamar a verdade sobre Cristo e sobre o homem.

Além disso devemos alegrar-nos por o Senhor ser anunciado de modos muito diferentes, consoante os vários carismas. O que importa é que seja conhecido e amado. Em vez de criticarmos os modos de actuar dos outros, peçamos pelos frutos da evangelização: quem não é contra nós é a nosso favor (EV).

 

 

5ª Feira, 24-II: Os caminhos de conversão para a vida eterna.

Tg 5, 1-6 / Mc 9, 41-50

 Se a tua mão for para ti ocasião de pecado, corta-a. É melhor entrares mutilado na vida eterna

 O Senhor dá-nos conselhos para nos garantir a vida eterna: Jesus fala muitas vezes da geena do fogo que não se apaga (EV), reservada aos que recusam até ao fim da vida acreditar e converter-se. Um modo de conversão consiste em cortar, evitar tudo aquilo que for ocasião de pecado (EV).

O outro modo é o bom uso dos bens materiais: felizes os pobres de espírito (SR), pois deles é o reino dos Céus (uma vida regalada enquanto outros sofrem). (LT).

 

6ª Feira, 25-II: Deus, o matrimónio e a família.

Tg 5, 9-12 / Mc 10, 1-12

Mas, no princípio da criação, fê-los Deus homem e mulher. O homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher, e os dois passarão a ser um só.

Jesus remete para o princípio da criação, manifestando a vontade de Deus sobre o matrimónio, com as suas propriedades (EV). Infelizmente há uma grande campanha contra o matrimónio e a família. S.Tiago aconselha: constância e fidelidade aos compromisso (LT).

Um bom exemplo de constância: o de Job (LT). Suportou todas as contrariedades que teve e recebeu do Senhor uma bela recompensa. E também a fidelidade, para a qual é preciso que o sim seja sempre para toda a vida, sem que se passe ao não por motivos puramente humanos ou de grandes dificuldades (LT).

 

Sábado, 26-II: Como entrar no reino dos Céus

Tg 5, 13-20 / Mc 10, 13-16

Está doente alguém entre vós. Mande chamar os anciãos da Igreja, e estes que orem sobre eles, dando-lhe a unção com óleo em nome do Senhor.

S. Tiago recomenda o sacramento da Unção dos doentes para os enfermos. O Senhor poderá devolver-lhes a saúde e/ou perdoar-lhes os pecados. Recomenda também que se reze pelos doentes da alma, se alguém entre vós se extraviar da verdade. É muito consolador que diga: quem fizer voltar um pecador do seu descaminho, salvará de morte a sua alma e obterá o perdão de muitos pecados (LT).

O reino dos Céu pode ser também pelos que se fazem como crianças (EV). É uma consequência da filiação divina, pois o Pai tem uma especial ternura pelas crianças.

 

 

Celebração e Homilia:       José Roque

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial