5º Domingo Comum

6 de Fevereiro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Vinde, prostremo-nos em terra – Az. Oliveira, NRMS, 48

 

Salmo 94, 6-7

Antífona de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. O Senhor é o nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No interior do Templo, no pó da estrada, ou à beira-mar, Deus surpreende-nos, sempre, com a suavidade da sua presença. Provoca-nos e desafia-nos, no seu amor. Chama-nos e convoca-nos para Ele. Converte-nos a Ele e resgata-nos para si. Para, depois, nos enviar, de novo e renovados, aos nossos irmãos, de perto ou de longe. Diante do Senhor, reconheçamos humildemente, como Isaías, como Paulo, como Pedro, a nossa pequenez e o nosso pecado:

 

Ato Penitencial

 

Meu Senhor e meu Deus: sou, como Isaías, um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros. Mas, na vossa misericórdia, abris os meus olhos para que Eu vos possa ver e anunciar! Senhor, que chamais os pecadores, tende piedade nós!

Senhor, tende piedade de nós!

 

Cristo, meu Senhor: posso dizer, ao jeito de São Paulo, que sou o mais pequeno dos Apóstolos. Mas Vós dais-me a graça de anunciar a todos os Povos o vosso Evangelho. Cristo, que chamais os pecadores, tende piedade de nós!

Cristo, tende piedade de nós!

 

Meu Senhor e meu Deus: sinto-me como Pedro, irmão de André, amigo de Tiago e de João. Sou um homem pecador. Mas, na vossa bondade, Vós me chamais a ser pescador de homens. Senhor, que chamais os pecadores, tende piedade de nós!

Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na primeira leitura, de uma forma simples e questionadora, apresenta-se o modelo de um homem que é sensível aos apelos de Deus e que tem a coragem de aceitar ser enviado.

 

Isaías 6,1-2a.3-8

1No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. 2aÀ sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um 3e clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!» 4Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. 5Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». 6Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. 7Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». 8Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

 

É curioso que o relato da vocação de Isaías não apareça, como em Jeremias e Ezequiel, no início do livro, mas aqui, como a abertura do chamado «livro do Emanuel» (Is 7 –12). Isto deve-se a que os livros proféticos, tais como os temos, foram precedidos, em geral, de colecções parciais que, depois, vieram a unir-se num só volume, bastante desordenadamente. «No ano da morte do rei Osias». Julga-se que foi no ano 740 (ou no ano 738) a. C., mas ainda em vida deste rei (cf. Is 1,1).

2 «Serafins». Considerados seres angélicos. É a única vez que são nomeados em toda a Sagrada Escritura. O nome, que significa «Ardentes» ou «Abrasadores» (semelhantes ao fogo), pode indicar tanto o fervor para com Deus (vv. 3-4), como o papel que um deles desempenha de purificar com o fogo (v. 6) o próprio profeta.

3 «Santo, Santo, Santo», isto é, santo no grau mais elevado: para exprimir o superlativo, em hebraico é frequente repetir duas vezes o adjectivo; aqui repete-se três vezes! Os Padres viram neste triságio uma alusão ao mistério da SSª Trindade.

Esta experiência mística única, no início da vocação do profeta, havia de marcar toda a sua vida; ele vem a ser o profeta por excelência da santidade e transcendência divina e tem o seu modo próprio de designar Deus, o «Santo de Israel» (1,4; 5,19.24; 10,17.20; 41,14.16.20; etc., ao todo umas 26 vezes, quando no resto da Bíblia se diz apenas 5 vezes); a própria Liturgia havia de fazer seu este texto no Sanctus da Santa Missa.

5 «Ai de mim...» Perante a revelação da sublime grandeza de Deus, Isaías fica deveras estarrecido, ao tomar consciência do abismo da sua pequenez e indignidade, para poder estar diante da sua santíssima presença (pensava-se mesmo que não se podia ver a Deus sem morrer), e sente mais vivamente a sua indignidade precisamente naquele ponto no qual Deus se queria apoiar para o transformar em seu arauto: os seus lábios.

«Senhor do Universo, em hebraico», Yahwéh tseba’ôth, «Senhor dos Exércitos», indica a Deus enquanto Rei, isto é, chefe, não só dos exércitos de Israel, mas também dos exércitos celestes, que incluem não só os anjos, mas também os astros, todo o Universo; daí que actualmente tenhamos adoptado uma tradução que, por um lado é inteligível (Tsabaot não nos diz nada) e, por outro lado, evita todo o aspecto bélico, e, além disso, tem em conta a correspondente tradução grega: Pantocrátor.

8 «Quem enviarei? Quem irá por nós?» É significativa esta passagem do singular ao plural, nós: quem dá a vocação é só Deus, mas Deus digna-se associar os Anjos (aqui, os Serafins) à execução dos seus planos (mas não se trata propriamente duma revelação expressa do mistério da SS. Trindade).

«Eis-me aqui: podeis enviar-me». É extraordinária esta afoiteza do profeta, após aquela primeira sensação de pavor. A cena passa-se no Templo (v. 1, em hebraico no hekal, isto é, na sala que precede o debir, ou Santo dos Santos, quer dizer, o lugar mais santo de todos).

 

Salmo Responsorial     Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5.7c-8 (R. 1c)

 

Monição: Com os anjos e os santos, louvemos o Senhor

 

Refrão:        Na presença dos Anjos,

                     eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A carta aos Coríntios recorda-nos que, com a sua ação libertadora – que continua a ação de Jesus e que renova o mundo – o discípulo sabe que está a dar testemunho da ressurreição de Cristo.

 

1 Coríntios Cor 15,1-11;         forma breve: 1 Coríntios 15,3-8.11

[1Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis 2e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão.]

3Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, 4segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, 5e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 6Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. 7Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. 8Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo.

[9Porque eu sou o menor dos Apóstolos e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus. 10Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte,] 11tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.

 

1-7 Temos aqui uma das mais ricas passagens do Novo Testamento onde se contém o kérigma primitivo, o núcleo da própria pregação apostólica em ordem a chamar à fé os ouvintes, e que depois servia de base à catequese dos neófitos. Este testemunho de excepcional valor acerca da ressurreição de Cristo, escrito uns 25 anos após, é condizente com os testemunhos posteriores dos quatro Evangelhos. Não podia, pois, tratar-se de uma mistificação, só possível a longo prazo, demais que as testemunhas se contavam às centenas e, então, «a maior parte ainda vive» (v. 6). E a fé pregada por S. Paulo não é nenhuma teoria à mercê de gostos ou caprichos, tem um conteúdo objectivo, que tem de ser conservado na sua integridade, para levar à salvação: «Sereis salvos, se o conservardes como eu vo-lo anunciarei» (v. 2). E a ressurreição de Jesus não é uma ideia, algo vago, mas um evento real, verificado, «ao terceiro dia» (v. 4).

3 «Morreu pelos nossos pecados». Este é um ponto capital da fé: a morte de Cristo tem valor redentor. «Segundo as Escrituras»: isto é dito tanto da Morte como da Ressurreição de Jesus (cf. Lc 24,25-27); para a Morte, ver Is 53; Salm 22 (21); para a Ressureição, ver Salm 16 (15),8-11 (cf. Act 2,25-32); e também Os 6,2 (texto de referência possível, embora não citado explicitamente no N. T.).

7 «Apareceu a Tiago». Só desta aparição é que não temos mais testemunhos no Novo Testamento. Este seria «o primo (irmão) do Senhor», chefe da Igreja de Jerusalém, cuja identidade com o Apóstolo Tiago Menor é muito discutida. Terá sido só após a Ressurreição que os familiares («irmãos») de Jesus começaram a acreditar n’Ele, pois antes não acreditavam (cf. Jo 7,5), o que não era o caso dos Apóstolos.

8 «Como o abortivo». De facto Paulo veio à luz da fé de modo anormal e violento. A nava tradução da CEP propõe: nascido fora do tempo. Pode ser que o Apóstolo fale aqui com certa ironia, tendo em conta esta maneira com que os adversários o apodariam para o desacreditar. De qualquer modo, a expressão vinca bem o milagre da sua conversão, que não foi fruto duma evolução lenta e progressiva do seu pensamento, como pensam alguns, o que esbate a força do estrondoso milagre moral duma conversão que é um poderoso motivo de credibilidade a favor da verdade do cristianismo.

9-10 Aqui se vê a autêntica humildade do Apóstolo, que nada tem de deprimente complexo de inferioridade; é que Paulo tem uma consciência tão clara da sua indignidade (v. 9), como, por outro lado, da graça que nele actua: «pela graça de Deus sou aquilo que sou»  (v. 10).

11 «Tanto eu como eles assim é que pregamos». Fica clara a identidade entre a pregação de Paulo e a dos Apóstolos – «transmiti-vos o que eu mesmo recebi» (v. 3) –; na passagem paralela de 1Cor 11,23, também diz, a propósito da Eucaristia: «eu recebi do Senhor o que precisamente vos transmiti», o que indica um ensino recebido da tradição da Igreja primitiva, com origem no Senhor (em grego apó toû Kyríou), não necessariamente do próprio Jesus (então diria melhor: pará toû Kyríou).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 4, 19

 

Monição: Lucas apresenta um grupo de discípulos que partilharam a barca com Jesus, que acolheram as propostas de Jesus, que souberam reconhecê-l’O como seu “Senhor”, que aceitaram o convite para ser “pescadores de homens” e que deixaram tudo para seguir Jesus… Neste quadro, reconhecemos o caminho que os cristãos são chamados a percorrer.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Vinde comigo, diz o Senhor,

e farei de vós pescadores de homens.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 5,1-11

Naquele tempo, 1estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré 2e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. 3Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». 5Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». 6Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. 7Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. 8Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». 9Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. 10Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». 11Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

 

Após esta pesca milagrosa, que antecipa simbolicamente a futura missão apostólica dos discípulos, Lucas apresenta, só agora e sinteticamente, o seu chamamento – centrado na pessoa de Simão Pedro –, os quais «deixaram tudo e seguiram Jesus» (v. 11), ao passo que os outros Sinópticos narram esse chamamento com mais pormenor e logo no início do ministério público do Senhor (Mc 1,18-22; Mt 4,16-20; cf. Jo 1,35-51).

4. «Faz-te apo largo». A nova tradução da CEP, numa tradução mais literal, propõe afaste-te para as águas profundas; mas duc in altum é o lema que São João Paulo II propôs para o novo milénio: Novo millennio ineunte, nº 1 e 15.

5. «Já que o dizes». Se alguém sabia de pesca era Pedro, mas obedece e deu-se o incrível prodígio! O valor da obediência! Com razão diz o ditado popular: «manda quem pode, obedece quem tem juízo».

8 «Afasta-te de mim». Isto não quer dizer que Simão queira que Jesus fuja dele, apenas pretende expressar o sentimento de humildade de quem se sente indigno de estar na presença do Senhor; Pedro começa a dar conta da maneira singular como Deus está presente em Jesus, por isso sente tão ao vivo a sua condição de pecador. Esta reacção tão natural e tão sobrenatural é semelhante à de Isaías, perante o divino – tremendum et fascinans – da 1.ª leitura.

10 «Serás pescador de homens». O episódio tem um quê de paradigmático. Esta vai ser a missão da Igreja (cf. Mt 28,18-20) – «fazer-se ao largo e lançar as redes para a pesca» (cf. v. 4) –, mas, como então, os discípulos, se trabalharem em nome próprio, afadigam-se «sem apanhar nada» (v. 5a); se, porém, lançam as redes em nome do Senhor – «já que o dizes» ( v. 5b) –, então o resultado será deveras maravilhoso (vv. 6-7).

 

Sugestões para a homilia

 

1.  Todos discípulos missionários!

2.  Todos em missão

3.  Chamamento a todos

4. Uma Igreja sinodal e missionária

 

1.  Todos discípulos missionários

A Palavra de Deus neste domingo ressalta a vocação missionária da Igreja e, por isso, como constantemente nos exorta o Papa Francisco, todos somos discípulos missionários.

Nesse sentido, a liturgia apresenta-nos três grandes protagonistas: Isaías, Paulo e Pedro. Foram escolhidos e chamados, no templo, na estrada ou junto ao mar. De Isaías, o Senhor serviu-Se para o enviar em Seu nome aos seus irmãos. A Paulo, Cristo agarrou-o, para transmitir a todos a Boa Nova do Reino. E, por fim, a Pedro, Jesus desafia a fazer-se ao mar, para o repescar e fazer dele e dos seus companheiros pescadores de homens. Cada um deles chamado e enviado em missão, todos eles discípulos missionários!

 

2.  Todos em missão

É de notar que, estando todos eles em missão, partem com o que têm e não têm. Todos eles exibem as suas feridas e boas desculpas para se descartar da missão: Isaías sente-se um homem de lábios impuros; Paulo considera-se o menor dos Apóstolos, quase um «abortivo»; Pedro reconhece-se um grande pecador. Mas nada disso os dispensa da missão. Todos eles são chamados a dar aos outros o testemunho pessoal do amor com que o Senhor os chamou, salvou e enviou, sem olhar às suas imperfeições. Tal significa, nas palavras do Papa Francisco, que “a nossa imperfeição não deve ser desculpa; pelo contrário, a missão é um estímulo constante para não nos acomodarmos na mediocridade, mas continuarmos a crescer” (EG 121). Por isso, nem sequer os males do mundo ou da Igreja podem servir de pretexto para reduzir a nossa entrega e ardor na missão. A medida da missão é a medida do amor, como fizeram os Apóstolos: deixaram tudo e seguiram Jesus.

 

3.  Chamamento a todos

O chamamento e envio de Isaías, de Paulo e de Pedro é também para todos nós. Ninguém está dispensado e nada nos pode servir de desculpa. “Não deixemos que as limitações, as fraquezas e mesmo os pecados nos bloqueiem e impeçam de viver a missão, porque Deus chama-nos a fazer o que podemos... e a pedir o que não podemos, sabendo que o seu amor nos agarra e transforma progressivamente” (Papa Francisco). Na nossa fraqueza, basta-nos a graça de Deus para lançarmos as redes e sermos todos !

 

4. Uma Igreja sinodal e missionária

“Jesus pede a todos nós, e a ti também, que sejamos discípulos missionários. Estás preparado?” Esta é a pergunta que o Papa Francisco fez na vídeo-mensagem com a intenção de oração para o mês de outubro. Segundo o Papa, a missão a que todos nós batizados somos chamados centra-se, sobretudo, em “estarmos disponíveis ao seu chamamento e vivermos unidos ao Senhor nas coisas mais quotidianas, no trabalho, nos encontros, nas ocupações diárias, nas casualidades de cada dia, deixando-nos sempre guiar pelo Espírito Santo”.

Entretanto, começou já o caminho sinodal da Igreja, um apelo a caminhar juntos, como “Povo de Deus peregrino e missionário”. Uma Igreja sinodal caminha junta a anunciar a alegria do Evangelho de que é herdeira. “Se Cristo te move, se fazes as coisas porque Cristo te orienta, os outros notarão isso facilmente. E o teu testemunho de vida provocará admiração, e a admiração fará com que os outros se perguntem: “Como é possível que seja assim?” ou “De onde esta pessoa tira o amor com que trata os outros, a amabilidade, o bom humor?”

Peçamos na nossa oração “para que cada batizado participe na evangelização e que cada batizado esteja disponível para a missão através do seu testemunho de vida. E que este testemunho de vida tenha o sabor do Evangelho”.

 

Fala o Santo Padre

 

«Trata-se de uma pesca milagrosa, sinal do poder da palavra de Jesus:

quando nos colocamos com generosidade ao seu serviço, Ele realiza maravilhas em nós.»

O Evangelho de hoje (cf. Lc 5, 1-11) propõe-nos, na narração de Lucas, a chamada de São Pedro. O seu nome — sabemos — era Simão, e ele era pescador. Na margem do lago de Galileia, Jesus vê-o a consertar as redes, juntamente com outros pescadores. Encontra-o cansado e desiludido, porque naquela noite nada tinham pescado. E Jesus surpreende-o com um gesto imprevisto: entrou no seu barco e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra porque queria ensinar dali ao povo — havia muita gente. Assim Jesus senta-se no barco de Simão e ensina à multidão reunida ao longo das margens. Mas as suas palavras voltam a abrir à confiança também o coração de Simão. Então Jesus, com outro “gesto” surpreendente, diz-lhe: «Faz-te ao largo; e, vós lançai as redes para a pesca» (v. 4).

Simão responde com uma objeção: «Mestre, trabalhámos durante toda a noite e nada apanhamos...». E, como pescador perito, teria podido acrescentar: “Se nada apanhamos de noite, muito menos apanharemos de dia”. Ao contrário, inspirado pela presença de Jesus e iluminado pela sua Palavra, diz: «...mas porque Tu o dizes, lançarei as redes» (v. 5). É a resposta da fé, que também nós somos chamados a dar; é a atitude de disponibilidade que o Senhor pede a todos os seus discípulos, sobretudo a quantos desempenham tarefas de responsabilidade na Igreja. E a obediência confiante de Pedro gera um resultado prodigioso: «Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixes» (v. 6).

Trata-se de uma pesca milagrosa, sinal do poder da palavra de Jesus: quando nos colocamos com generosidade ao seu serviço, Ele realiza maravilhas em nós. Assim age em relação a cada um de nós: pede-nos que o recebamos no barco da nossa vida, para voltar a partir com Ele e sulcar um novo mar, que se revela cheio de surpresas. O seu convite a nos fazermos ao largo no mar da humanidade do nosso tempo, para ser testemunhas de bondade e de misericórdia, confere um novo sentido à nossa existência, que muitas vezes corre o risco de se nivelar sobre si mesma. Às vezes podemos ficar surpreendidos e hesitantes diante da chamada que o Mestre divino nos dirige, e sentimo-nos tentados a rejeitá-la por causa da nossa inaptidão. Também Pedro, depois da inacreditável pesca, disse a Jesus: «Senhor, afasta-te de mim porque sou pecador» (v. 8). É bonita esta oração humilde: “Senhor, afasta-te de mim porque sou pecador”. Mas disse-o de joelhos, diante d’Aquele que já reconhece como “Senhor”. E Jesus encoraja-o, dizendo: «Não temas; doravante serás pescador de homens» (v. 10) porque, se confiarmos em Deus, Ele liberta-nos do nosso pecado e abre à nossa frente um novo horizonte: colaborar para a sua missão.

O maior milagre feito por Jesus para Simão e os demais pescadores desiludidos e cansados, não é tanto a rede cheia de peixes, quanto o facto de os ter ajudado a não ser vítimas da desilusão e do desencorajamento, diante das derrotas. Abriu-os para que se tornassem anunciadores e testemunhas da sua palavra e do reino de Deus. E a resposta dos discípulos foi imediata e total: «Depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram-no» (v. 11). A Virgem Santa, modelo de adesão imediata à vontade de Deus, nos ajude a sentir o fascínio da chamada do Senhor, e nos torne disponíveis a colaborar com Ele para difundir por toda a parte a sua palavra de salvação.

       Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 10 de fevereiro de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãos: Confiemos a Deus e à palavra da sua graça, as preces do seu Povo. Invoquemo-lo, dizendo:

 

R. Senhor, aumenta a nossa fé.

 

1.  Senhor, Tu falaste, com finura e delicadeza, a Pedro dizendo-lhe: peço-te, não temas, serás pescador de homens. Dá a todos os homens e mulheres da Igreja, porventura abatidos pelo desânimo, uma palavra de confiança, na sua missão.

 

2.  Senhor, Tu confirmaste Pedro na sua missão, apesar da sua pouca fé. Nos momentos difíceis, de desânimo e fraqueza, dá-nos, pessoas que, como tu, nos transmitam esperança e energia, para ousar o futuro.

3.  Senhor, as nossas redes vazias enchem-se, porque Tu dás uma profundidade única, a tudo o que dizemos, fazemos e pensamos. Dá-nos também aquela confiança, em nós próprios, que muitas vezes não nos atrevemos a ter, por causa dos nossos pecados.

 

4.  Senhor, em vez de peixes, Tu dás-nos pessoas, dás-nos a possibilidade de encontros que preenchem a nossa vida. Não nos deixes impressionar pelos meus defeitos nem tenhas medo dos meus pecados, mas repete-me: “podes fazer algo de belo, de grande, pelos homens e por Mim”.

 

P- Escuta, Senhor, as nossas orações e enche-nos da Tua graça, para proclamarmos que o Teu nome é santo e nos colocarmos inteiramente ao serviço do Evangelho. Por Cristo Senhor Nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A mão do Anjo tutelar – M. Simões, NRMS, 38

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para auxílio da nossa fraqueza concedei que eles se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio:

 

Prefácio Dominical I; Oração Eucarística I

 

(Pode-se escolher a Oração Eucarística I, que recorda o nome dos apóstolos de que fala o Evangelho e na Carta de Paulo. As palavras “na presença da tua glória sobre o teu altar celeste” evocam, de certo modo, o clima da primeira leitura)

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

xxxx

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Como a Isaías, a Simão, a Paulo, uma palavra forte é dita a cada um de nós: “Não tenhas medo…” Participemos da Comunhão com a certeza de que não estou sozinho, mas “a graça de Deus está comigo!”

 

Cântico da Comunhão: A minha boca proclamará – M. F. Borda, NRMS, 43

 

Salmo 106, 8-9

Antífona da comunhão: Dêmos graças ao Senhor pela sua misericórdia, pelos seus prodígios em favor dos homens, porque Ele deu de beber aos que tinham sede e saciou os que tinham fome.

 

Ou

Mt 5, 5-6

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

 

Cântico de acção de graças: Dêmos graças ao Senhor – A. Cartageno, CEC II, (pg 27)

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que nos fizestes participantes do mesmo pão e do mesmo cálice, concedei que, unidos na alegria e no amor de Cristo, dêmos fruto abundante para a salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Quem enviarei? Quem irá por nós?» Cada um de nós se faça ao largo da missão (Lc 5,4), com uma resposta bem simples: «Eis-me aqui: podeis enviar-me» (Is.6,8).

 

Cântico final: Minha alma exulta de alegria no Senhor – J. F. Silva, NRMS, 32

 

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-II; As cinco Chagas do Senhor.

Is 53, 1-10 / Jo 19,. 28-37 ou Jo 20, 24-29.

O castigo que nos salva caiu sobre Ele e, por causa das suas Chagas, é que fomos curados.

A Festa das Cinco Chagas do Senhor, isto é, das feridas que recebeu na Cruz, recorda-nos que Ele sofreu este castigo por causa das nossas faltas. A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo Sofredor (LT). Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo Sofredor.

Aceitemos o convite do Senhor para nos aproximarmos das suas Chagas, tal como fez Tomé (EV.) Este curou as suas dúvidas com um acto de fé e um acto de profunda contrição.  Aproveitemos o momento da Comunhão sacramental.

 

3ª Feira, 8-II: O desagrado de Deus por certas tradições.

1 Re 8, 22-23. 27-30 / Mc 7, 1-13

Oxalá estejam abertos dia e noite, os vossos olhos sobre esta Casa, sobre este lugar, do qual dissestes: Aí estará o meu nome.

Salomão levou a cabo a construção do Templo de Jerusalém. A oração da dedicação do templo apoia-se na promessa de Deus e na sua Aliança. O rei levanta então as mãos para o Céu e suplica ao Senhor para que todas as nações saibam que Ele é o único Deus e o coração do seu povo lhe pertença todo (CIC, 2580).

Mas o coração do povo nem sempre pertenceu inteiramente a Deus, faltando com frequência à Aliança estabelecida. Jesus desaprova certas ‘tradições` humanas dos fariseus, que anulam a própria palavra de Deus (EV).

 

4ª Feira, 9-II: A limpeza interior.

1 Re 10, 1-10 / Mc 7, 14-23

O que sai do homem é que o torna impuro.  Pois do interior do coração dos homens é que saem os pensamentos perversos.

A Rainha de Sabá foi ter com o rei Salomão para resolver alguns problemas difíceis e apreciou a sua Sabedoria (LT). É sábia a boca do justo, pois traz no coração a lei do Senhor (SR). As multidões iam ter com Jesus para se curarem e ouvirem os seus ensinamentos. Então falou-lhes da necessidade de purificar o interior do homem (EV).

 É do interior do homem que saem os maus pensamentos, as críticas às pessoas, as imaginações, etc. É necessária uma boa limpeza, pois Deus garante que os limpos de coração verão a Deus. Não descuidemos esta limpeza, sempre que for necessária.

 

5ª Feira, 10-II; Fé e idolatria.

1 Re 11, 4-13 / Mc 7, 24-30

Quando Salomão envelheceu, as suas mulheres desviaram-lhe o seu coração para outros deuses, e o seu coração deixou de pertencer inteiramente a Deus.

Salomão perdeu todos os dons que Deus lhe tinha concedido e foi desviado para outros deuses (LT).  Pelo contrário, uma mulher cananeia, que era pagã, pediu a Jesus, com uma grande fé, que  curasse a filha (EV).

Se descuidarmos a vivência da nossa fé podemos cair nalguma idolatria. Acontece, por exemplo, quando o homem presta reverência a uma criatura, material ou não, em lugar de a Deus. O nosso coração não pertence inteiramente a Deus, por exemplo, por causa da preguiça, da sensualidade, do comodismo, do apego aos bens materiais, etc.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Nuno Westwood

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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