Apresentação do Senhor

02 de Fevereiro de 2022

Festa

 

BÊNÇÃO E PROCISSÃO DAS VELAS

 

 

Primeira forma: Procissão

 

1.   À hora marcada, reúnem-se os fiéis numa igreja secundária ou noutro local apropriado, fora da igreja para a qual se dirigirá a procissão. Os fiéis têm nas mãos as velas apagadas.

 

2.   O sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, revestido com paramentos brancos como para a Missa. Em vez da casula pode levar o pluvial, que deporá no fim da procissão.

 

3.   Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona: O Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos. Aleluia, ou outro cântico apropriado.

 

4.   O sacerdote saúda a assembleia como habitualmente e em seguida faz uma breve admonição para exortar os fiéis a celebrarem activa e conscientemente este rito festivo.

 

5.   Terminada a admonição, o sacerdote procede à bênção das velas, dizendo de mãos juntas:

 

Oremos:

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a luz, que neste dia mostrastes ao santo velho Simeão a luz que veio para se revelar às nações, humildemente Vos suplicamos: santificai com a vossa + bênção estas velas e ouvi a oração do vosso povo que se reuniu para as levar solenemente em honra do vosso nome, de modo que, seguindo sempre o caminho da virtude, chegue um dia à luz que jamais se extingue. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou então

 

Oremos:

Senhor Deus, fonte e origem da luz eterna, infundi no coração dos fiéis a claridade da luz que não tem ocaso, para que todos nós, iluminados no vosso templo santo pelo esplendor destas luzes, mereçamos chegar um dia à luz da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

E asperge as velas com água benta sem dizer nada.

 

6.   Seguidamente, o sacerdote recebe a vela que está preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:

 

Caminhemos em paz ao encontro de Cristo.

 

7.   Durante a procissão, canta-se a seguinte antífona com o respectivo cântico, ou outro cântico apropriado:

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Os meus olhos viram a salvação

que oferecestes a todos os povos.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

8.   Ao entrar a procissão na igreja, canta-se a antífona de entrada da Missa. O sacerdote, depois de chegar ao altar, faz a devida reverência e, se parecer oportuno, incensa-o. Depois vai para a sua sede; ali, depõe o pluvial (se foi usado na procissão) e veste a casula.

 

Segue-se o canto do Glória, depois do qual, como de costume, diz a Oração Colecta. A Missa continua na forma habitual.

 

 

Segunda forma: Entrada Solene

 

9.   Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas na mão. O sacerdote, revestido de paramentos brancos, acompanhado dos ministros e de uma representação da assembleia, dirige-se para o lugar mais conveniente, à porta da igreja ou dentro dela, onde ao menos uma grande parte dos fiéis possa ver facilmente o rito e participar nele.

 

10. Quando o sacerdote tiver chegado ao lugar destinado para a bênção das velas, acendem-se as velas, enquanto se canta a antífona O Senhor virá com poder, ou outro cântico apropriado.

 

11. Em seguida, o sacerdote, depois da saudação e da admonição, procede à bênção das velas, como acima se indica (nn. 4-5). Segue-se a procissão em direcção ao altar, durante a qual se canta a antífona própria ou um cântico apropriado (nn. 6-7). Para a Missa, observe-se o que está indicado no n. 8.

 

 

Cântico de entrada:  Hoje ao templo do Senhor – A. Cartageno, NRMS, 88

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja celebra quarenta dias depois do Natal a festa da Apresentação do Senhor no templo. Também é conhecida a festa com o nome de Nossa Senhora da Purificação, Senhora da Luz, das Candeias ou Candelária, por formar parte da celebração uma procissão de velas que precede à missa. Na igreja oriental é designada como a festa do encontro, em referência ao encontro de Jesus com o santo velho Simeão, e a profetiza Ana.

Jesus é a Luz do mundo, levemos sempre essa luz na nossa alma, para que em todos os nossos encontros com as pessoas, elas encontrem Jesus e a luz de Cristo se acenda, também, nas suas almas.

 

Ato penitencial

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição:  Escutemos as palavras do Profeta Malaquias que se cumprem plenamente em Nosso Senhor e nos preparam para compreender, com toda a sua riqueza, a passagem do Evangelho que será proclamada a seguir.

 

Malaquias 3,1-4

1Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem–diz o Senhor do Universo –. 2Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. 3Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça. 4Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.

 

A leitura é um pequeno extracto da passagem (2,17 – 3,5) relativa aos tempos escatológicos – o dia do Senhor –, em que se dará uma radical purificação do sacerdócio («os filhos de Levi», v. 3). A ária do Messias de Händel, But who may abide seguida do coro destaca genialmente esta vinda para purificar.

1 «O mensageiro» e o «Anjo da Aliança». Este texto, que poderia ter várias interpretações no original, vem a ser decodificado no Novo Testamento. Em Mc 1,2; 11,10; 7,27, «o mensageiro» é Elias como a figura do Baptista. Por outro lado, «o Senhor», «o Anjo da Aliança por quem suspirais», é Jesus (Lc 2,22-40), cuja Apresentação no Templo hoje festejamos; a Liturgia também dá a Cristo o titulo de Santo Anjo (cânone romano). Tenha-se em conta que, por vezes, no Antigo Testamento, se designa com o nome de Anjo o próprio Deus que se manifesta: assim em Gn 16,7.13 e Ex 3,2, etc.. Nestes casos, «anjo» não tem o sentido corrente de enviado de Deus, mas o de presença ou manifestação visível de Deus.

 

Salmo Responsorial     Sl 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)

 

Monição: Por primeira vez, no dia da Apresentação do Senhor, o templo de Jerusalém acolhe a presença real de Deus. Rezemos o salmo dando graças ao Senhor pelos templos cristãos onde Ele se encontra verdadeiramente presente

 

Refrão:        O Senhor do Universo é o Rei da glória.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

 

Segunda Leitura

 

Hebreus 2,14-18

14Uma vez que os filhos dos homens têm o mesmo sangue e a mesma carne, também Jesus participou igualmente da mesma natureza, para destruir, pela sua morte, aquele que tinha poder sobre a morte, isto é, o diabo, 15e libertar aqueles que estavam a vida inteira sujeitos à escravidão, pelo temor da morte. 16Porque Ele não veio em auxílio dos Anjos, mas dos descendentes de Abraão. 17Por isso devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irmãos, para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, e assim expiar os pecados do povo. 18De facto, porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação.

 

Este trecho de Hebreus – para ser lido nos anos em que a festa coincide com um domingo – foi escolhido tendo em vista que em Jesus se cumpre plenamente o anúncio de Malaquias (cf. 1ª leitura) de uma renovação radical do sacerdócio, com a instituição da nova aliança com o seu sangue, tendo já entrado de uma vez para sempre no santuário (8,1-2), figurado no Templo. A apresentação de Jesus no Templo tem um profundo significado simbólico.

18 Aqui está uma ideia em que se insiste na Epístola aos Hebreus: Jesus Cristo, sujeitando-se à provação e padecendo, tomando sobre Si todas as nossas fraquezas, excepto o pecado (4,15), está em condições de nos prestar ajuda a nós que sofremos as mesmas contrariedades. É este um extraordinário motivo de confiança em Jesus Cristo, na sua ajuda omnipotente, na sua mediação em que concilia a misericórdia para connosco com a fidelidade para com o Pai, na sua missão de expiar os pecados do povo (v. 17).

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 2, 32

 

Monição: Jesus é a Luz do mundo que santifica as nossas almas e ilumina as nossas inteligências. Essa luz se torna mais luminosa em cada Eucaristia. Escutemos atentamente as palavras de Nosso Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. Berthier, COM, (pg 112)

 

Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

 

Evangelho *

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2,22-40           Forma breve: São Lucas 2,22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor, é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (1Sam 1,11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13,2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12,28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19,5-6; Lv 19,2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29,13; Mt 15,7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotes), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5,34; 22,3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1,26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» (de que «se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem (de que «muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a longa viuvez de Ana, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2,23, mas Lucas não relata a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

A festa da Apresentação

A Apresentação do Senhor e a Santa Missa

 

A festa da Apresentação

Caríssimos irmãos e irmãs:

O profeta Malaquias proclama: “Entrará no seu templo o Senhor a quem buscais”. Essas palavras cumpriram-se quando o Senhor, Jesus, entrou no Templo de Jerusalém, levado por Nossa Senhora e S. José. É a festa que hoje celebramos. Quarenta dias depois do nascimento dum filho, a Lei de Moisés prescrevia o rito da purificação da mãe antes de participar nos atos de culto. Nossa Senhora não estava submetida a esse preceito, mas num ato de humildade receberia a aspersão com a água lustral, no adro das mulheres, e entregaria as duas rolas para os dois sacrifícios prescritos na lei. Nada diz S. Lucas do resgate do primogénito, mas Maria e José terão cumprido, também, o gesto ritual de entregar os 57 gramas de prata. Era uma oferta, em agradecimento a Deus, por preservar os primogénitos dos judeus na última praga no Egito, antes da libertação. Possivelmente o terão feito num outro momento, pois podia realizar-se entregando a oferta a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica.

Mas a festa que celebramos hoje, não faz referência a esses preceitos judaicos, mas sim a um fato diferente. É que Maria e José, com ocasião da cerimónia da purificação da mãe, procedem a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar Menino ao Senhor no templo de Jerusalém. É um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Jesus é oferecido ao Pai pelas mãos de Maria e José, no seu templo, e a essa oferta unem a oferta das suas próprias vidas, ao serviço do Senhor. É isto o que hoje celebramos.

 

A Apresentação do Senhor e a Santa Missa

A apresentação de Jesus no templo tem um profundo significado simbólico: Jesus é o Eterno Sacerdote de que fala a Epistola aos Hebreus, que dá início a Nova Aliança, ao novo sacerdócio cristão e ao novo sacrifício, que neste momento estamos a celebrar. É o seu sacrifício redentor realizado na Cruz, que se torna presente em cada Missa. Por isso podemos dizer que pelas mãos de Maria e José se realiza o ofertório da Missa que durará toda a vida de Jesus e que chega ao seu momento culminante no Calvário, que na Missa é o momento da consagração. Maria e José, como farão depois todos os sacerdotes, oferecem o sacrifício de Jesus ao Pai. É o que faz o celebrante na Missa e a essa oferta unimos nós também toda nossa vida, com as suas alegrias e as suas dores, o nosso trabalho, a nossa família, as nossas preocupações, todas as necessidades do Mundo e da Igreja, e tudo isso, com o pão e o vinho é incorporado ao sacrifício de Nosso Senhor e oferecido ao Pai. E Deus Pai acolhe, em Cristo, todas as nossas ofertas e petições, purificadas pela oferta de Jesus, que as apresenta ao Pai. Que grandiosa é a S. Missa! Que grandioso é, por pequeno e pobre que seja, o templo onde ela se celebra! Que comunhão com a Liturgia celeste nos envolve em cada Missa!...Se o Santo velho Simeão se dirige a Deus dizendo “agora Senhor podes levar-me já deste mundo, porque os meus olhos viram a vossa salvação”, com muita mais razão o deveríamos dizer nós depois de participar numa só Missa.

Hoje podemos pedir a Nossa Senhora que nos apresente também a nós ao Pai, que nos ofereça, gesto que realizam muitas mães depois do batizado dos seus filhos, e que nos ajude a viver com profundidade o mistério que celebramos na Santa Missa.

Recordemos brevemente as suas partes:  Primeiro os ritos introdutórios, que são purificação. As Leituras, Liturgia da Palavra, iluminação. O ofertório é a nossa doação. A oração Eucarística é oração e petição. A consagração é adoração. A comunhão é união, com Deus e com os irmãos. Os ritos de ação de graças é gratidão. E mesmo que não demos conta, no fim da missa o que acontece na nossa alma é exultação e missão.

Procuremos, pois, vir “ao templo” todos os Domingos, pela mão de Maria e José para renovar a oferta das nossas vidas ao Senhor e deixar-nos envolver pelo Amor e a graça de Deus, para viver no dia a dia como filhas e filhos de Deus.

Assim seja.

 

Fala o Santo Padre

 

«Seguir Jesus não é uma decisão tomada uma vez por todas; é uma opção diária.

E o Senhor não Se encontra virtualmente, mas diretamente, encontrando-O na vida concreta.»

Hoje a Liturgia mostra Jesus que vai ao encontro do seu povo. É a festa do encontro: a novidade do Menino encontra a tradição do templo; a promessa encontra cumprimento; Maria e José, jovens, encontram Simeão e Ana, idosos. Enfim, tudo se encontra, quando chega Jesus.

Que significa isto para nós? Antes de mais nada, que também nós somos chamados a acolher Jesus, que vem ao nosso encontro. Encontrá-Lo: o Deus da vida deve ser encontrado todos os dias da vida; não ocasionalmente, mas todos os dias. Seguir Jesus não é uma decisão tomada uma vez por todas; é uma opção diária. E o Senhor não Se encontra virtualmente, mas diretamente, encontrando-O na vida, na vida concreta. Caso contrário, Jesus torna-Se apenas uma bela recordação do passado. Mas, quando O acolhemos como Senhor da vida, centro de tudo, coração pulsante de todas as coisas, então Ele vive e revive em nós. E acontece, também a nós, o que sucedeu no templo: ao redor d’Ele tudo se encontra, a vida torna-se harmoniosa. Com Jesus, reencontra-se a coragem de avançar e a força de permanecer firme. O encontro com o Senhor é a fonte. Então é importante voltar às fontes: percorrer com a memória os encontros decisivos que tivemos com Ele, reavivar o primeiro amor, talvez escrever a nossa história de amor com o Senhor. Fará bem à nossa vida consagrada, para que não se torne tempo que passa, mas seja tempo de encontro.

Se recordarmos o nosso encontro fundante com o Senhor, dar-nos-emos conta de que não surgiu como uma questão privada entre nós e Deus. Não! Desabrochou no povo crente, ao lado de tantos irmãos e irmãs, em tempos e lugares concretos. Assim no-lo diz o Evangelho, mostrando como o encontro tem lugar no povo de Deus, na sua história concreta, nas suas tradições vivas: no templo, segundo a Lei, no clima da profecia, com os jovens e os idosos juntos (cf. Lc 2, 25-28.34). O mesmo se passa com a vida consagrada: desabrocha e floresce na Igreja; se se isolar, murcha. Aquela amadurece quando os jovens e os idosos caminham juntos, quando os jovens reencontram as raízes e os idosos acolhem os frutos. Mas estagna quando se caminha sozinho, quando se permanece fixado no passado ou se salta para a frente para tentar sobreviver. Hoje, festa do encontro, peçamos a graça de redescobrir o Senhor vivo, no povo crente, e de fazer encontrar o carisma recebido com a graça do dia de hoje.

O Evangelho diz-nos também que o encontro de Deus com o seu povo tem um ponto de partida e uma meta. Começa-se da chamada ao templo, e chega-se à visão no templo. A chamada é dupla. Há uma primeira chamada «segundo a Lei» (2, 22). É a de José e Maria, que vão ao templo para cumprir o que prescreve a Lei. Quase como um refrão, aparece assinalado quatro vezes no texto (cf. 2, 22.23.24.27). Não se trata de constrangimento: os pais de Jesus não vão forçados, nem para satisfazer um cumprimento meramente externo; vão para responder à chamada de Deus. Há depois uma segunda chamada, segundo o Espírito. É a de Simeão e Ana. Também esta é evidenciada com insistência: relativamente a Simeão, fala-se três vezes do Espírito Santo (cf. 2, 25.26.27) e termina com a profetisa Ana que, inspirada, louva a Deus (cf. 2, 38). Dois jovens acorrem ao templo chamados pela Lei; dois idosos, movidos pelo Espírito. Que diz à nossa vida espiritual e à nossa vida consagrada esta dupla chamada: da Lei e do Espírito? Que todos somos chamados a uma dupla obediência: à lei – no sentido daquilo que confere boa ordem à vida – e ao Espírito, que faz coisas novas na vida. Assim, nasce o encontro com o Senhor: o Espírito revela o Senhor, mas, para O acolher, é necessária a constância fiel de cada dia. Os próprios carismas mais elevados, sem uma vida ordenada, não dão fruto. Por outro lado, as melhores regras não são suficientes sem a novidade do Espírito: lei e Espírito andam juntos.

Para compreender melhor esta chamada, que vemos hoje nos primeiros dias de vida de Jesus no templo, podemos ir aos primeiros dias do seu ministério público em Caná, onde transforma a água em vinho. Lá também há uma chamada à obediência, quando Maria diz: «Qualquer coisa que [Jesus] vos diga, fazei-a» (cf. Jo 2, 5). Qualquer coisa. E Jesus pede uma coisa singular... Não faz imediatamente uma coisa nova, não tira do nada o vinho que falta – poderia fazê-lo –, mas pede uma coisa concreta e exigente: pede para encher seis grandes ânforas de pedra para a purificação ritual (que nos recordam a Lei). Significava acarretar cerca de seiscentos litros de água do poço: tempo e fadiga que pareciam inúteis, porque o que faltava não era água, mas o vinho! Contudo é precisamente daquelas ânforas cheias «até acima» (2, 7) que Jesus tira o vinho novo. O mesmo se passa connosco: Deus chama-nos a encontrá-Lo através da fidelidade a coisas concretas – é sempre no concreto que se encontra Deus –, ou seja, a oração diária, a Missa, a Confissão, uma caridade verdadeira, a Palavra de Deus em cada dia, a proximidade sobretudo aos mais necessitados espiritual e corporalmente. São coisas concretas, como na vida consagrada a obediência ao Superior e às Regras. Se se praticar esta lei com amor – com amor! –, sobrevem o Espírito e traz a surpresa de Deus, como no templo e em Caná. Então a água da quotidianidade transforma-se no vinho da novidade; e a vida, que parece mais presa, na realidade torna-se mais livre. Neste momento, vem-me à mente uma Irmã, humilde, cujo carisma era precisamente fazer-se próximo dos padres e seminaristas. Anteontem, foi introduzida aqui, na diocese [de Roma], a sua causa de beatificação. Uma Irmã simples: não tinha grandes iluminações, mas possuía a sabedoria da obediência, da fidelidade e de não temer a novidade. Peçamos que o Senhor, através da Irmã Bernardete, dê a todos nós a graça de caminhar por esta estrada.

O encontro, que nasce da chamada, culmina na visão. Simeão diz: «Os meus olhos viram a Salvação» (Lc 2, 30). No Menino que vê, contempla a salvação. Não vê o Messias que realiza prodígios, mas um menino pequenito. Não vê nada de extraordinário, mas Jesus com os pais, que trazem ao templo duas rolas ou duas pombas, ou seja, a oferta mais humilde (cf. 2, 24). Simeão vê a simplicidade de Deus, e acolhe a sua presença. Não procura algo de diferente; nada mais pede nem pretende. Basta-lhe ver o Menino e tomá-Lo nos braços: «Nunc dimittis… agora podes deixar-me ir» (cf. 2, 29). Basta-lhe Deus como é. N’Ele, encontra o sentido último da vida. É a visão da vida consagrada, uma visão simples e, na sua simplicidade, profética, onde se tem o Senhor diante dos olhos e Se estreita nas mãos e não precisa de mais nada. A vida é Ele, a esperança é Ele, o futuro é Ele. A vida consagrada é esta visão profética na Igreja: é olhar que vê Deus presente no mundo, embora a muitos passe despercebido; é voz que diz: «Deus basta, o resto passa»; é louvor que brota apesar de tudo, como manifesta a profetisa Ana: era uma mulher já muito idosa, que vivera tantos anos viúva, mas não era sorumbática, nostálgica nem fechada em si mesma; pelo contrário, chega, louva a Deus e só fala d’Ele (cf. 2, 38). Apraz-me pensar que esta mulher «tagarelava bem», e seria uma boa padroeira para nos converter do mal das bisbilhotices; com efeito, Ana ia dum lado para outro limitando-se a dizer: «[O Messias] é aquele! É aquele menino! Ide vê-lo». Apraz-me imaginá-la como a vizinha informada do lugar.

Eis a vida consagrada: louvor que dá alegria ao povo de Deus, visão profética que revela aquilo que conta. Quando assim é, floresce e torna-se para todos um apelo contra a mediocridade: contra as quedas de altitude na vida espiritual, contra a tentação de jogar por baixo com Deus, contra a adaptação a uma vida cómoda e mundana, contra a reclamação, insatisfação e lamento da própria sorte – as queixinhas! -, contra o habituar-se a «fazer aquilo que se pode» e ao «sempre se fez assim». Estas não são frases segundo Deus. A vida consagrada não é sobrevivência, não é preparar-se para «ars bene moriendi»: esta é a tentação de hoje face ao declínio das vocações. Não! Não é sobrevivência, é vida nova. «Mas... somos poucas!» É vida nova. É encontro vivo com o Senhor no seu povo. É chamada à obediência fiel de cada dia e às surpresas inéditas do Espírito. É visão daquilo que importa abraçar para ter a alegria: Jesus.

     Papa Francisco, Homilia, Basílica Vaticana, 2 de fevereiro de 2019

 

Oração Universal

 

Convocados pelo Espírito Santo

para celebrar a Apresentação do Senhor,

unamo-nos a Maria e a José,

a fim de sermos nós também apresentados a Deus Pai,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

R. Iluminai-nos, Senhor, com a luz de Cristo.

Ou: Iluminai, Senhor, o vosso povo.

 

1. Para que a Igreja, templo santo do Senhor

e sinal do encontro entre Deus e o homem,

leve às nações o Evangelho e a luz de Cristo,

oremos.

 

2. Para que Maria, mulher atenta à voz de Deus,

Esposa dedicada e Mãe solícita,

nos ensine a ser fiéis como ela,

oremos.

 

3. Para que os responsáveis pelas nações e suas leis

respeitem a igualdade dos cidadãos

e promovam o bem-estar de todos,

oremos.

 

4. Para que os idosos das nossas comunidades (paroquiais)

vejam em Cristo a salvação que Deus nos deu

e recebam o carinho dos seus filhos,

oremos.

 

5. Para que as jovens mães cristãs de todo o mundo

saibam oferecer os seus filhos ao Senhor

e ser para eles o que Maria foi para Jesus,

oremos.

 

6. Para que os membros da nossa família paroquial

e os que já partiram deste mundo

cantem sempre os louvores do Rei da glória,

oremos.

 

(Outras intenções).

 

Senhor, nosso Deus,

que em vosso Filho, apresentado no templo,

manifestastes ao mundo a luz das nações,

fazei que a vossa Igreja, iluminada pelo Espírito Santo,

cresça em santidade e se encha de sabedoria.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Pão da vida eterna prometido – B. Salgado, C. T.

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

Cristo, luz das nações

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje o vosso Filho, eterno como Vós, é apresentado no templo e proclamado pelo Espírito Santo glória de Israel e luz das nações.

Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Saudação da paz

 

Monição da Comunhão

 

Roguemos a Nossa Senhora, Templo vivo de Deus, que nos ajude a sermos nós também, sacrário e templo vivo onde possa ser recebido dignamente Nosso Senhor

 

Cântico da Comunhão: Os meus olhos viram a salvação – S. Marques, NRMS, 88

 

Lc 2, 30-31

Antífona da comunhão: Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos.

 

Cântico de acção de graças: Hoje a Virgem Maria – C. Silva, OC, pg 386

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que respondestes à esperança do santo Simeão, confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois de participar no Sacrifício redentor de Cristo, continuemos unidos a Nosso Senhor na nossa vida quotidiana, com a ajuda que a Santa Mãe de Deus nos alcança desde o Céu.

 

Cântico final: Senhor Tu és a luz – J. F. Silva, NRMS, 6

 

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 3-II: Para que são as doenças e os doentes.

1 Re 2,1-4. 10-12 / Mc  6, 7-13

 Os Apóstolos pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Expulsavam muitos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos.

Ao seguirem Jesus, os Apóstolos adquirem uma nova dimensão das doenças e dos doentes. Jesus associa-os à sua vida pobre e servidora. E fá-los participar do seu ministério de compaixão e cura.

O rei David, ao ver aproximar-se o dia da sua morte, quis deixar um testamento ao filho. Guarda os mandamentos do Senhor (LT). Preocupemo-nos também com os nossos doentes. Além da nossa presença, animemo-los a receberem a Unção dos Enfermos, se tiverem doenças graves ou idade avançada (EV). Na vossa mão está o poder e a força(SR).

 

6ª Feira, 4-II: Como aproveitar os talentos recebidos.

Sir 47, 2-13 / Mc 6, 14-29

David foi escolhido entre os filhos de Israel… Em todas as obras homenageou o Altíssimo.

David recebeu abundantes talentos, que utilizou sempre para o bem: defendeu o seu povo, derrotando Golias, governou com grande sabedoria o seu povo, quando foi escolhido com Rei, etc. (LT). Concedeste grandes vitórias ao nosso Rei (SR).

Pelo contrário, o Rei Herodes era muito poderoso, mas era muito desregrado. Mandou matar João Baptista (EV). Mas acabou mal. Podemos aproveitar estes dois exemplos para vermos como empregamos os nossos talentos: no trabalho, no relacionamento com Deus, na família, etc. Disso depende o nosso destino final.

 

Sábado, 5-II: O Ofício do Bom Pastor.

1 Reis 3, 4-13 / Mc 6, 30-34

Jesus encheu-se de compaixão por aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor.

Para que as pessoas não se perdessem no seu caminho, Jesus dedica-lhes imenso tempo (EV). Não me deixeis afastar dos vossos mandamentos (SR). E, mais tarde, derrama o seu Sangue para terem vida. Salomão, para governar bem o seu povo pede ao Senhor o que é mais importante: um coração inteligente, para discernir o bem do mal (LT).

Pelo Sangue, que derramou na Cruz, Cristo é o grande Pastor. Ao meditarmos na sua entrega, procuremos cumprir sempre a sua vontade. E não esqueçamos que nos compete também participar desta tarefa do Bom Pastor, para ajudarmos os outros.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Carlos Santamaria

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 

 

 

 

 

 

5º Domingo Comum

6 de Fevereiro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Vinde, prostremo-nos em terra – Az. Oliveira, NRMS, 48

 

Salmo 94, 6-7

Antífona de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. O Senhor é o nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No interior do Templo, no pó da estrada, ou à beira-mar, Deus surpreende-nos, sempre, com a suavidade da sua presença. Provoca-nos e desafia-nos, no seu amor. Chama-nos e convoca-nos para Ele. Converte-nos a Ele e resgata-nos para si. Para, depois, nos enviar, de novo e renovados, aos nossos irmãos, de perto ou de longe. Diante do Senhor, reconheçamos humildemente, como Isaías, como Paulo, como Pedro, a nossa pequenez e o nosso pecado:

 

Ato Penitencial

 

Meu Senhor e meu Deus: sou, como Isaías, um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros. Mas, na vossa misericórdia, abris os meus olhos para que Eu vos possa ver e anunciar! Senhor, que chamais os pecadores, tende piedade nós!

Senhor, tende piedade de nós!

 

Cristo, meu Senhor: posso dizer, ao jeito de São Paulo, que sou o mais pequeno dos Apóstolos. Mas Vós dais-me a graça de anunciar a todos os Povos o vosso Evangelho. Cristo, que chamais os pecadores, tende piedade de nós!

Cristo, tende piedade de nós!

 

Meu Senhor e meu Deus: sinto-me como Pedro, irmão de André, amigo de Tiago e de João. Sou um homem pecador. Mas, na vossa bondade, Vós me chamais a ser pescador de homens. Senhor, que chamais os pecadores, tende piedade de nós!

Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na primeira leitura, de uma forma simples e questionadora, apresenta-se o modelo de um homem que é sensível aos apelos de Deus e que tem a coragem de aceitar ser enviado.

 

Isaías 6,1-2a.3-8

1No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. 2aÀ sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um 3e clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!» 4Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. 5Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». 6Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. 7Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». 8Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

 

É curioso que o relato da vocação de Isaías não apareça, como em Jeremias e Ezequiel, no início do livro, mas aqui, como a abertura do chamado «livro do Emanuel» (Is 7 –12). Isto deve-se a que os livros proféticos, tais como os temos, foram precedidos, em geral, de colecções parciais que, depois, vieram a unir-se num só volume, bastante desordenadamente. «No ano da morte do rei Osias». Julga-se que foi no ano 740 (ou no ano 738) a. C., mas ainda em vida deste rei (cf. Is 1,1).

2 «Serafins». Considerados seres angélicos. É a única vez que são nomeados em toda a Sagrada Escritura. O nome, que significa «Ardentes» ou «Abrasadores» (semelhantes ao fogo), pode indicar tanto o fervor para com Deus (vv. 3-4), como o papel que um deles desempenha de purificar com o fogo (v. 6) o próprio profeta.

3 «Santo, Santo, Santo», isto é, santo no grau mais elevado: para exprimir o superlativo, em hebraico é frequente repetir duas vezes o adjectivo; aqui repete-se três vezes! Os Padres viram neste triságio uma alusão ao mistério da SSª Trindade.

Esta experiência mística única, no início da vocação do profeta, havia de marcar toda a sua vida; ele vem a ser o profeta por excelência da santidade e transcendência divina e tem o seu modo próprio de designar Deus, o «Santo de Israel» (1,4; 5,19.24; 10,17.20; 41,14.16.20; etc., ao todo umas 26 vezes, quando no resto da Bíblia se diz apenas 5 vezes); a própria Liturgia havia de fazer seu este texto no Sanctus da Santa Missa.

5 «Ai de mim...» Perante a revelação da sublime grandeza de Deus, Isaías fica deveras estarrecido, ao tomar consciência do abismo da sua pequenez e indignidade, para poder estar diante da sua santíssima presença (pensava-se mesmo que não se podia ver a Deus sem morrer), e sente mais vivamente a sua indignidade precisamente naquele ponto no qual Deus se queria apoiar para o transformar em seu arauto: os seus lábios.

«Senhor do Universo, em hebraico», Yahwéh tseba’ôth, «Senhor dos Exércitos», indica a Deus enquanto Rei, isto é, chefe, não só dos exércitos de Israel, mas também dos exércitos celestes, que incluem não só os anjos, mas também os astros, todo o Universo; daí que actualmente tenhamos adoptado uma tradução que, por um lado é inteligível (Tsabaot não nos diz nada) e, por outro lado, evita todo o aspecto bélico, e, além disso, tem em conta a correspondente tradução grega: Pantocrátor.

8 «Quem enviarei? Quem irá por nós?» É significativa esta passagem do singular ao plural, nós: quem dá a vocação é só Deus, mas Deus digna-se associar os Anjos (aqui, os Serafins) à execução dos seus planos (mas não se trata propriamente duma revelação expressa do mistério da SS. Trindade).

«Eis-me aqui: podeis enviar-me». É extraordinária esta afoiteza do profeta, após aquela primeira sensação de pavor. A cena passa-se no Templo (v. 1, em hebraico no hekal, isto é, na sala que precede o debir, ou Santo dos Santos, quer dizer, o lugar mais santo de todos).

 

Salmo Responsorial     Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5.7c-8 (R. 1c)

 

Monição: Com os anjos e os santos, louvemos o Senhor

 

Refrão:        Na presença dos Anjos,

                     eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A carta aos Coríntios recorda-nos que, com a sua ação libertadora – que continua a ação de Jesus e que renova o mundo – o discípulo sabe que está a dar testemunho da ressurreição de Cristo.

 

1 Coríntios Cor 15,1-11;         forma breve: 1 Coríntios 15,3-8.11

[1Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis 2e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão.]

3Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, 4segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, 5e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 6Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. 7Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. 8Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo.

[9Porque eu sou o menor dos Apóstolos e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus. 10Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte,] 11tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.

 

1-7 Temos aqui uma das mais ricas passagens do Novo Testamento onde se contém o kérigma primitivo, o núcleo da própria pregação apostólica em ordem a chamar à fé os ouvintes, e que depois servia de base à catequese dos neófitos. Este testemunho de excepcional valor acerca da ressurreição de Cristo, escrito uns 25 anos após, é condizente com os testemunhos posteriores dos quatro Evangelhos. Não podia, pois, tratar-se de uma mistificação, só possível a longo prazo, demais que as testemunhas se contavam às centenas e, então, «a maior parte ainda vive» (v. 6). E a fé pregada por S. Paulo não é nenhuma teoria à mercê de gostos ou caprichos, tem um conteúdo objectivo, que tem de ser conservado na sua integridade, para levar à salvação: «Sereis salvos, se o conservardes como eu vo-lo anunciarei» (v. 2). E a ressurreição de Jesus não é uma ideia, algo vago, mas um evento real, verificado, «ao terceiro dia» (v. 4).

3 «Morreu pelos nossos pecados». Este é um ponto capital da fé: a morte de Cristo tem valor redentor. «Segundo as Escrituras»: isto é dito tanto da Morte como da Ressurreição de Jesus (cf. Lc 24,25-27); para a Morte, ver Is 53; Salm 22 (21); para a Ressureição, ver Salm 16 (15),8-11 (cf. Act 2,25-32); e também Os 6,2 (texto de referência possível, embora não citado explicitamente no N. T.).

7 «Apareceu a Tiago». Só desta aparição é que não temos mais testemunhos no Novo Testamento. Este seria «o primo (irmão) do Senhor», chefe da Igreja de Jerusalém, cuja identidade com o Apóstolo Tiago Menor é muito discutida. Terá sido só após a Ressurreição que os familiares («irmãos») de Jesus começaram a acreditar n’Ele, pois antes não acreditavam (cf. Jo 7,5), o que não era o caso dos Apóstolos.

8 «Como o abortivo». De facto Paulo veio à luz da fé de modo anormal e violento. A nava tradução da CEP propõe: nascido fora do tempo. Pode ser que o Apóstolo fale aqui com certa ironia, tendo em conta esta maneira com que os adversários o apodariam para o desacreditar. De qualquer modo, a expressão vinca bem o milagre da sua conversão, que não foi fruto duma evolução lenta e progressiva do seu pensamento, como pensam alguns, o que esbate a força do estrondoso milagre moral duma conversão que é um poderoso motivo de credibilidade a favor da verdade do cristianismo.

9-10 Aqui se vê a autêntica humildade do Apóstolo, que nada tem de deprimente complexo de inferioridade; é que Paulo tem uma consciência tão clara da sua indignidade (v. 9), como, por outro lado, da graça que nele actua: «pela graça de Deus sou aquilo que sou»  (v. 10).

11 «Tanto eu como eles assim é que pregamos». Fica clara a identidade entre a pregação de Paulo e a dos Apóstolos – «transmiti-vos o que eu mesmo recebi» (v. 3) –; na passagem paralela de 1Cor 11,23, também diz, a propósito da Eucaristia: «eu recebi do Senhor o que precisamente vos transmiti», o que indica um ensino recebido da tradição da Igreja primitiva, com origem no Senhor (em grego apó toû Kyríou), não necessariamente do próprio Jesus (então diria melhor: pará toû Kyríou).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 4, 19

 

Monição: Lucas apresenta um grupo de discípulos que partilharam a barca com Jesus, que acolheram as propostas de Jesus, que souberam reconhecê-l’O como seu “Senhor”, que aceitaram o convite para ser “pescadores de homens” e que deixaram tudo para seguir Jesus… Neste quadro, reconhecemos o caminho que os cristãos são chamados a percorrer.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Vinde comigo, diz o Senhor,

e farei de vós pescadores de homens.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 5,1-11

Naquele tempo, 1estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré 2e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. 3Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». 5Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». 6Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. 7Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. 8Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». 9Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. 10Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». 11Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

 

Após esta pesca milagrosa, que antecipa simbolicamente a futura missão apostólica dos discípulos, Lucas apresenta, só agora e sinteticamente, o seu chamamento – centrado na pessoa de Simão Pedro –, os quais «deixaram tudo e seguiram Jesus» (v. 11), ao passo que os outros Sinópticos narram esse chamamento com mais pormenor e logo no início do ministério público do Senhor (Mc 1,18-22; Mt 4,16-20; cf. Jo 1,35-51).

4. «Faz-te apo largo». A nova tradução da CEP, numa tradução mais literal, propõe afaste-te para as águas profundas; mas duc in altum é o lema que São João Paulo II propôs para o novo milénio: Novo millennio ineunte, nº 1 e 15.

5. «Já que o dizes». Se alguém sabia de pesca era Pedro, mas obedece e deu-se o incrível prodígio! O valor da obediência! Com razão diz o ditado popular: «manda quem pode, obedece quem tem juízo».

8 «Afasta-te de mim». Isto não quer dizer que Simão queira que Jesus fuja dele, apenas pretende expressar o sentimento de humildade de quem se sente indigno de estar na presença do Senhor; Pedro começa a dar conta da maneira singular como Deus está presente em Jesus, por isso sente tão ao vivo a sua condição de pecador. Esta reacção tão natural e tão sobrenatural é semelhante à de Isaías, perante o divino – tremendum et fascinans – da 1.ª leitura.

10 «Serás pescador de homens». O episódio tem um quê de paradigmático. Esta vai ser a missão da Igreja (cf. Mt 28,18-20) – «fazer-se ao largo e lançar as redes para a pesca» (cf. v. 4) –, mas, como então, os discípulos, se trabalharem em nome próprio, afadigam-se «sem apanhar nada» (v. 5a); se, porém, lançam as redes em nome do Senhor – «já que o dizes» ( v. 5b) –, então o resultado será deveras maravilhoso (vv. 6-7).

 

Sugestões para a homilia

 

1.  Todos discípulos missionários!

2.  Todos em missão

3.  Chamamento a todos

4. Uma Igreja sinodal e missionária

 

1.  Todos discípulos missionários

A Palavra de Deus neste domingo ressalta a vocação missionária da Igreja e, por isso, como constantemente nos exorta o Papa Francisco, todos somos discípulos missionários.

Nesse sentido, a liturgia apresenta-nos três grandes protagonistas: Isaías, Paulo e Pedro. Foram escolhidos e chamados, no templo, na estrada ou junto ao mar. De Isaías, o Senhor serviu-Se para o enviar em Seu nome aos seus irmãos. A Paulo, Cristo agarrou-o, para transmitir a todos a Boa Nova do Reino. E, por fim, a Pedro, Jesus desafia a fazer-se ao mar, para o repescar e fazer dele e dos seus companheiros pescadores de homens. Cada um deles chamado e enviado em missão, todos eles discípulos missionários!

 

2.  Todos em missão

É de notar que, estando todos eles em missão, partem com o que têm e não têm. Todos eles exibem as suas feridas e boas desculpas para se descartar da missão: Isaías sente-se um homem de lábios impuros; Paulo considera-se o menor dos Apóstolos, quase um «abortivo»; Pedro reconhece-se um grande pecador. Mas nada disso os dispensa da missão. Todos eles são chamados a dar aos outros o testemunho pessoal do amor com que o Senhor os chamou, salvou e enviou, sem olhar às suas imperfeições. Tal significa, nas palavras do Papa Francisco, que “a nossa imperfeição não deve ser desculpa; pelo contrário, a missão é um estímulo constante para não nos acomodarmos na mediocridade, mas continuarmos a crescer” (EG 121). Por isso, nem sequer os males do mundo ou da Igreja podem servir de pretexto para reduzir a nossa entrega e ardor na missão. A medida da missão é a medida do amor, como fizeram os Apóstolos: deixaram tudo e seguiram Jesus.

 

3.  Chamamento a todos

O chamamento e envio de Isaías, de Paulo e de Pedro é também para todos nós. Ninguém está dispensado e nada nos pode servir de desculpa. “Não deixemos que as limitações, as fraquezas e mesmo os pecados nos bloqueiem e impeçam de viver a missão, porque Deus chama-nos a fazer o que podemos... e a pedir o que não podemos, sabendo que o seu amor nos agarra e transforma progressivamente” (Papa Francisco). Na nossa fraqueza, basta-nos a graça de Deus para lançarmos as redes e sermos todos !

 

4. Uma Igreja sinodal e missionária

“Jesus pede a todos nós, e a ti também, que sejamos discípulos missionários. Estás preparado?” Esta é a pergunta que o Papa Francisco fez na vídeo-mensagem com a intenção de oração para o mês de outubro. Segundo o Papa, a missão a que todos nós batizados somos chamados centra-se, sobretudo, em “estarmos disponíveis ao seu chamamento e vivermos unidos ao Senhor nas coisas mais quotidianas, no trabalho, nos encontros, nas ocupações diárias, nas casualidades de cada dia, deixando-nos sempre guiar pelo Espírito Santo”.

Entretanto, começou já o caminho sinodal da Igreja, um apelo a caminhar juntos, como “Povo de Deus peregrino e missionário”. Uma Igreja sinodal caminha junta a anunciar a alegria do Evangelho de que é herdeira. “Se Cristo te move, se fazes as coisas porque Cristo te orienta, os outros notarão isso facilmente. E o teu testemunho de vida provocará admiração, e a admiração fará com que os outros se perguntem: “Como é possível que seja assim?” ou “De onde esta pessoa tira o amor com que trata os outros, a amabilidade, o bom humor?”

Peçamos na nossa oração “para que cada batizado participe na evangelização e que cada batizado esteja disponível para a missão através do seu testemunho de vida. E que este testemunho de vida tenha o sabor do Evangelho”.

 

Fala o Santo Padre

 

«Trata-se de uma pesca milagrosa, sinal do poder da palavra de Jesus:

quando nos colocamos com generosidade ao seu serviço, Ele realiza maravilhas em nós.»

O Evangelho de hoje (cf. Lc 5, 1-11) propõe-nos, na narração de Lucas, a chamada de São Pedro. O seu nome — sabemos — era Simão, e ele era pescador. Na margem do lago de Galileia, Jesus vê-o a consertar as redes, juntamente com outros pescadores. Encontra-o cansado e desiludido, porque naquela noite nada tinham pescado. E Jesus surpreende-o com um gesto imprevisto: entrou no seu barco e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra porque queria ensinar dali ao povo — havia muita gente. Assim Jesus senta-se no barco de Simão e ensina à multidão reunida ao longo das margens. Mas as suas palavras voltam a abrir à confiança também o coração de Simão. Então Jesus, com outro “gesto” surpreendente, diz-lhe: «Faz-te ao largo; e, vós lançai as redes para a pesca» (v. 4).

Simão responde com uma objeção: «Mestre, trabalhámos durante toda a noite e nada apanhamos...». E, como pescador perito, teria podido acrescentar: “Se nada apanhamos de noite, muito menos apanharemos de dia”. Ao contrário, inspirado pela presença de Jesus e iluminado pela sua Palavra, diz: «...mas porque Tu o dizes, lançarei as redes» (v. 5). É a resposta da fé, que também nós somos chamados a dar; é a atitude de disponibilidade que o Senhor pede a todos os seus discípulos, sobretudo a quantos desempenham tarefas de responsabilidade na Igreja. E a obediência confiante de Pedro gera um resultado prodigioso: «Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixes» (v. 6).

Trata-se de uma pesca milagrosa, sinal do poder da palavra de Jesus: quando nos colocamos com generosidade ao seu serviço, Ele realiza maravilhas em nós. Assim age em relação a cada um de nós: pede-nos que o recebamos no barco da nossa vida, para voltar a partir com Ele e sulcar um novo mar, que se revela cheio de surpresas. O seu convite a nos fazermos ao largo no mar da humanidade do nosso tempo, para ser testemunhas de bondade e de misericórdia, confere um novo sentido à nossa existência, que muitas vezes corre o risco de se nivelar sobre si mesma. Às vezes podemos ficar surpreendidos e hesitantes diante da chamada que o Mestre divino nos dirige, e sentimo-nos tentados a rejeitá-la por causa da nossa inaptidão. Também Pedro, depois da inacreditável pesca, disse a Jesus: «Senhor, afasta-te de mim porque sou pecador» (v. 8). É bonita esta oração humilde: “Senhor, afasta-te de mim porque sou pecador”. Mas disse-o de joelhos, diante d’Aquele que já reconhece como “Senhor”. E Jesus encoraja-o, dizendo: «Não temas; doravante serás pescador de homens» (v. 10) porque, se confiarmos em Deus, Ele liberta-nos do nosso pecado e abre à nossa frente um novo horizonte: colaborar para a sua missão.

O maior milagre feito por Jesus para Simão e os demais pescadores desiludidos e cansados, não é tanto a rede cheia de peixes, quanto o facto de os ter ajudado a não ser vítimas da desilusão e do desencorajamento, diante das derrotas. Abriu-os para que se tornassem anunciadores e testemunhas da sua palavra e do reino de Deus. E a resposta dos discípulos foi imediata e total: «Depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram-no» (v. 11). A Virgem Santa, modelo de adesão imediata à vontade de Deus, nos ajude a sentir o fascínio da chamada do Senhor, e nos torne disponíveis a colaborar com Ele para difundir por toda a parte a sua palavra de salvação.

       Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 10 de fevereiro de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãos: Confiemos a Deus e à palavra da sua graça, as preces do seu Povo. Invoquemo-lo, dizendo:

 

R. Senhor, aumenta a nossa fé.

 

1.  Senhor, Tu falaste, com finura e delicadeza, a Pedro dizendo-lhe: peço-te, não temas, serás pescador de homens. Dá a todos os homens e mulheres da Igreja, porventura abatidos pelo desânimo, uma palavra de confiança, na sua missão.

 

2.  Senhor, Tu confirmaste Pedro na sua missão, apesar da sua pouca fé. Nos momentos difíceis, de desânimo e fraqueza, dá-nos, pessoas que, como tu, nos transmitam esperança e energia, para ousar o futuro.

3.  Senhor, as nossas redes vazias enchem-se, porque Tu dás uma profundidade única, a tudo o que dizemos, fazemos e pensamos. Dá-nos também aquela confiança, em nós próprios, que muitas vezes não nos atrevemos a ter, por causa dos nossos pecados.

 

4.  Senhor, em vez de peixes, Tu dás-nos pessoas, dás-nos a possibilidade de encontros que preenchem a nossa vida. Não nos deixes impressionar pelos meus defeitos nem tenhas medo dos meus pecados, mas repete-me: “podes fazer algo de belo, de grande, pelos homens e por Mim”.

 

P- Escuta, Senhor, as nossas orações e enche-nos da Tua graça, para proclamarmos que o Teu nome é santo e nos colocarmos inteiramente ao serviço do Evangelho. Por Cristo Senhor Nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A mão do Anjo tutelar – M. Simões, NRMS, 38

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para auxílio da nossa fraqueza concedei que eles se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio:

 

Prefácio Dominical I; Oração Eucarística I

 

(Pode-se escolher a Oração Eucarística I, que recorda o nome dos apóstolos de que fala o Evangelho e na Carta de Paulo. As palavras “na presença da tua glória sobre o teu altar celeste” evocam, de certo modo, o clima da primeira leitura)

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

xxxx

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Como a Isaías, a Simão, a Paulo, uma palavra forte é dita a cada um de nós: “Não tenhas medo…” Participemos da Comunhão com a certeza de que não estou sozinho, mas “a graça de Deus está comigo!”

 

Cântico da Comunhão: A minha boca proclamará – M. F. Borda, NRMS, 43

 

Salmo 106, 8-9

Antífona da comunhão: Dêmos graças ao Senhor pela sua misericórdia, pelos seus prodígios em favor dos homens, porque Ele deu de beber aos que tinham sede e saciou os que tinham fome.

 

Ou

Mt 5, 5-6

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

 

Cântico de acção de graças: Dêmos graças ao Senhor – A. Cartageno, CEC II, (pg 27)

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que nos fizestes participantes do mesmo pão e do mesmo cálice, concedei que, unidos na alegria e no amor de Cristo, dêmos fruto abundante para a salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Quem enviarei? Quem irá por nós?» Cada um de nós se faça ao largo da missão (Lc 5,4), com uma resposta bem simples: «Eis-me aqui: podeis enviar-me» (Is.6,8).

 

Cântico final: Minha alma exulta de alegria no Senhor – J. F. Silva, NRMS, 32

 

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-II; As cinco Chagas do Senhor.

Is 53, 1-10 / Jo 19,. 28-37 ou Jo 20, 24-29.

O castigo que nos salva caiu sobre Ele e, por causa das suas Chagas, é que fomos curados.

A Festa das Cinco Chagas do Senhor, isto é, das feridas que recebeu na Cruz, recorda-nos que Ele sofreu este castigo por causa das nossas faltas. A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo Sofredor (LT). Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo Sofredor.

Aceitemos o convite do Senhor para nos aproximarmos das suas Chagas, tal como fez Tomé (EV.) Este curou as suas dúvidas com um acto de fé e um acto de profunda contrição.  Aproveitemos o momento da Comunhão sacramental.

 

3ª Feira, 8-II: O desagrado de Deus por certas tradições.

1 Re 8, 22-23. 27-30 / Mc 7, 1-13

Oxalá estejam abertos dia e noite, os vossos olhos sobre esta Casa, sobre este lugar, do qual dissestes: Aí estará o meu nome.

Salomão levou a cabo a construção do Templo de Jerusalém. A oração da dedicação do templo apoia-se na promessa de Deus e na sua Aliança. O rei levanta então as mãos para o Céu e suplica ao Senhor para que todas as nações saibam que Ele é o único Deus e o coração do seu povo lhe pertença todo (CIC, 2580).

Mas o coração do povo nem sempre pertenceu inteiramente a Deus, faltando com frequência à Aliança estabelecida. Jesus desaprova certas ‘tradições` humanas dos fariseus, que anulam a própria palavra de Deus (EV).

 

4ª Feira, 9-II: A limpeza interior.

1 Re 10, 1-10 / Mc 7, 14-23

O que sai do homem é que o torna impuro.  Pois do interior do coração dos homens é que saem os pensamentos perversos.

A Rainha de Sabá foi ter com o rei Salomão para resolver alguns problemas difíceis e apreciou a sua Sabedoria (LT). É sábia a boca do justo, pois traz no coração a lei do Senhor (SR). As multidões iam ter com Jesus para se curarem e ouvirem os seus ensinamentos. Então falou-lhes da necessidade de purificar o interior do homem (EV).

 É do interior do homem que saem os maus pensamentos, as críticas às pessoas, as imaginações, etc. É necessária uma boa limpeza, pois Deus garante que os limpos de coração verão a Deus. Não descuidemos esta limpeza, sempre que for necessária.

 

5ª Feira, 10-II; Fé e idolatria.

1 Re 11, 4-13 / Mc 7, 24-30

Quando Salomão envelheceu, as suas mulheres desviaram-lhe o seu coração para outros deuses, e o seu coração deixou de pertencer inteiramente a Deus.

Salomão perdeu todos os dons que Deus lhe tinha concedido e foi desviado para outros deuses (LT).  Pelo contrário, uma mulher cananeia, que era pagã, pediu a Jesus, com uma grande fé, que  curasse a filha (EV).

Se descuidarmos a vivência da nossa fé podemos cair nalguma idolatria. Acontece, por exemplo, quando o homem presta reverência a uma criatura, material ou não, em lugar de a Deus. O nosso coração não pertence inteiramente a Deus, por exemplo, por causa da preguiça, da sensualidade, do comodismo, do apego aos bens materiais, etc.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Nuno Westwood

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 

 

 

nossa senhora de lurdes

DIa MUndial Do doente

11 de Fevereiro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  A Cheia de Graça – M. Faria – NRMS, 4 (I)

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste dia de Nossa Senhora de Lourdes, somos convidados a acolher os rios de paz que o Senhor Deus faz brotar para Jerusalém, isto é, para a Igreja. Esta paz é profunda e duradoura; prevalece mesmo no meio do sofrimento, mesmo quando a doença parece ofuscar a nossa vida. Deixemo-nos inundar por este rio de paz!

 

Oração colecta: Vinde em auxílio da nossa fraqueza, Senhor de misericórdia, e concedei que, celebrando a memória da Imaculada Mãe de Deus, sejamos purificados dos nossos pecados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Pela boca do profeta Isaías, a paz é prometida a todos os crentes, mesmo àqueles cuja fé é como a de meninos de peito. Saibamos acolher a paz que Deus nos promete!

 

Isaías 66,10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. 14Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos».

 

O  texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe, que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11).

12-14 “A paz como um rio” é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à “nova Jerusalém” que é “nossa Mãe”, a Igreja (cf. Gal 4,26-27), “o Israel de Deus” (Gal 6,16). “Meninos levados ao colo e acariciados…” À Virgem Maria, “tipo e figura da Igreja” (LG 63), aplicam-se com verdade estas palavras proféticas: Ela é Mãe que acaricia, anima, consola e alegra os seus meninos, necessitados e desvalidos.

 

Salmo Responsorial    Jt 13, l8bcde.19 (R. 15, 9d ou Lc 1, 42)

 

Monição: Maria, nossa Mãe e imagem da Igreja de Cristo, é aqui aclamada, de forma prefigurada por este cântico de Judite. Deixemos que este cântico toque o nosso coração de filhos!

 

Refrão:        Tu és a honra do nosso povo.

Ou:               Bendita sois Vós entre as mulheres.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 45

 

Monição: O Senhor convida-nos, com os seus gestos, a uma conversão profunda de vida. Tal como a água é transformada em vinho, assim a nossa vida se há-de configurar à de Cristo. Neste caminho de conversão, contamos com a preciosa intercessão da nossa querida Mãe!

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 113)

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

Ver atrás notas de comentário, no 2º Domingo Comum

 

 

Sugestões para a homilia

 

«Tu guardaste o vinho bom até agora» (Jo 2, 10)

 

1.       Faltar o vinho numa festa de casamento é algo muito constrangedor! Diante daquela situação embaraçosa, em que se encontraram de repente aqueles noivos, a Virgem Maria antecipou-se a interceder por eles, junto de Jesus. Assim, eles conservaram o vinho bom até ao fim, porque convidaram as pessoas certas: Jesus e Maria. O vinho é símbolo das virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade.

 

2.      Para nos conservarmos firmes na fé, na esperança e na caridade, é preciso convidarmos Jesus e Maria para a nossa vida. Eles anteciparão as nossas necessidades e nos tornarão perseverantes, mesmo no meio das maiores dificuldades.

 

3.      Este dia é também o dia mundial dos doentes. É no meio da doença e do sofrimento que somos desafiados a guardar o «vinho bom» da fé, da esperança e do amor! Sozinhos não seremos capazes. Mas unidos a Maria e a Jesus, , tal como a água se transformou em vinho, também os nossos medos se transformarão em fé; os nossos anseios se tornarão esperança; as nossas revoltas se mudarão em amor!

 

4.      Que a Virgem Maria interceda por nós junto de seu Filho Jesus, para que todos os que estão doentes descubram no seu sofrimento um caminho para chegar a Deus!

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Maria Santíssima é o sinal maravilhoso

do que podemos ser quando nos abrimos

à palavra do Senhor e ao Seu projecto.

Por sua intercessão invoquemos a Deus, nosso Pai,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

Ou: Interceda por nós a Virgem Imaculada.

Ou: Interceda por nós a Santa Mãe da Igreja.

 

1.  Pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que, seguindo o caminho da fé,

à maneira de Maria Santíssima,

irradiem confiança, alegria e disponibilidade,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos jovens das nossas Dioceses

que sentem o chamamento de Jesus,

para que, dóceis aos apelos de Maria,

escutem a voz  de Cristo e O sigam,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos cristãos, para que,

na fidelidade aos pedidos de Nossa Senhora,

tenham Cristo no centro das suas vidas, actividades e opções;

sejam acolhedores, serviçais e vivam em comunhão eclesial,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos governos de todo o mundo,

por todos os  que se dedicam à investigação científica

e pelos profissionais de saúde;

para que perscrutando as preocupações de Maria

em favor dos pequeninos: as crianças no ventre de suas mães,

os doentes, os que querem desistir de viver,

aceitem o Evangelho de Jesus Cristo,

e sejam defensores da vida humana,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos que se entregam ao serviço dos mais pobres,

para que sintam em Maria estimulo a mais generosidade,

e por Ela, o Senhor lhes dê o seu Espírito

e a perseverança na caridade,

oremos, irmãos.

 

6.  Por todos nós que celebramos a festa

da nossa querida Mãe do Céu,

para que vivamos no cumprimento

de tudo o que Jesus nos pede,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor, que fizeste da Virgem Santa Maria

a Mulher forte, sempre ao lado do seu Filho

e das dificuldades dos Povos,

concedei-nos também a nós a graça

de colaborarmos generosamente

na obra da redenção da humanidade.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Gloriosa Mãe de Deus - M. Carneiro, 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem; Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora: p. 486 [644-756] e pp. 487-490

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus quer celebrar as suas bodas de amor connosco. Abramos as portas do nosso coração ao seu amor ardente, pois Ele quer cear connosco.

 

Cântico da Comunhão: É celebrada a vossa glória – A. F. Santos, BML, 33

 

cf. Lc 11, 27

Antífona da comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor alimenta J. F. Silva, NRMS, 23 

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste sacramento celeste, fazei que, celebrando com alegria a festa da Virgem Santa Maria, imitemos as suas virtudes e colaboremos generosamente no mistério da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Tendo participado nas bodas do Cordeiro, deixemos que a nossa vida se encha do vinho novo do seu amor!!

 

Cântico final: - Desde toda a eternidade – M. Carneiro, NRMS, 18

 

 

 

Homilia Ferial

 

Sábado, 12-II: Adoração a Deus, presente na Eucaristia.

1 Re 12, 16-32; 13, 33-34 / Mc 8, 1-10

Jeroboão mandou fazer dois bezerros de ouro e disse: Israel, aqui estão os teus deuses, que te fizeram sair da terra do Egipto.

Volta a repetir-se a cena do bezerro de ouro do tempo de Moisés, mas agora com Jeroboão (LT). Fizeram um bezerro de ouro e adoraram um ídolo de metal fundido (SR). Os bezerros seriam a causa da saída do Egipto, omitindo a actuação de Deus.

Jesus teve pena da multidão que O seguia e realizou o milagre da multiplicação dos pães (EV). Na Eucaristia adoramos a Deus presente sob as espécies sacramentais. Manifestemos a adoração de alguma maneira: uma genuflexão pausada ao passar diante do Sacrário, algum sinal quando comungamos (genuflexão ou inclinação de cabeça).

 

 

Celebração e Homilia:       Tiago Varanda

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial