4º Domingo Comum

30 de Janeiro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  A terra inteira cante ao Senhor – B. salgado, NRMS, 5

 

Salmo 105, 47

Antífona de entrada: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e reuni-nos de todas as nações, para dar graças ao vosso santo nome e nos alegrarmos no vosso louvor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Todos se admiravam e davam testemunho em seu favor, mas ficaram confundidos porque Se apresentava de condição humilde. Esta cena, no início da missão de Jesus, vai-nos dando o tom para a rejeição que sobre Ele se irá abater.

Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho. Nada nem ninguém O podem impedir de cumprir a vontade do Pai e a sua total fidelidade à missão.

A nossa relação com Deus, mais do que nos causar admiração, deve levar-nos a estabelecermos com Ele um vínculo afetivo e efetivo, acolhendo e aceitando a sua Pessoa e Missão, e comprometendo-nos no mesmo caminho e tarefa.

Na Eucaristia Jesus está connosco numa humildade ainda maior. Temos de encontrá-Lo, acolhê-Lo e seguir com ele como autênticos discípulos.

 

Oração colecta: Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus encoraja o profeta para uma árdua e difícil tarefa. Ele deve confiar, não temer, mas ser coluna de ferro e muralha de bronze.

 

Jeremias 1,4-5.17-19

No tempo de Josias, rei de Judá, 4a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações. 17Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar. Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença. 18Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze, diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes, diante dos sacerdotes e do povo da terra. 19Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar».

 

O texto refere a vocação divina do Profeta de Anatot, em que se evidenciam três elementos: a eleição, a missão e a protecção divinas, que tornam possível a superação da incapacidade humana e de todas as dificuldades; por isso, Deus diz: «Não temas…», «Eu estou contigo…». A vocação do Profeta dá-se no tempo de Josias, que reinou entre 640 e 609 a. C..

5 «Antes de te formar» (à letra: «moldar», o verbo hebraico, yatsar, indica mesmo a acção do oleiro ao modelar o barro; cf. Gn 2,7-8). «Eu te escolhi» (à letra: «Eu te conheci»). Trata-se de um conhecimento de Deus, não meramente intelectual, mas que envolve um acto de amor: o escolher e predestinar em ordem a uma missão determinada (cf. Am 3,2; Rom 8,29: quos præscivit, et prædestinavit); de facto, com o chamar à vida, Deus já tem um projecto eterno, particular e gratuito para cada uma das suas criaturas; ninguém é fruto do acaso. «Eu te consagrei» (ou santifiquei, o verbo hebraico qadax), isto é, te separei do profano, reservando-te para Mim, para o meu serviço: «te constituí profeta». Notar como toda a vocação divina engloba chamamento e missão, consagração (dom) e missão, um tema a meditar e aprofundar pelos sacerdotes. «Entre as nações» (cf. v.10), uma expressão que deixa ver o alcance universal de uma vocação, como a de Jeremias, cuja acção se havia de repercutir nas nações do Médio Oriente, não apenas na história do seu povo.

 

Salmo Responsorial     Sl 70 (71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab.17 (R. cf. 15ab)

 

Monição: Deus é o nosso refúgio seguro. Responda eu com a mesma confiança do salmista.

 

Refrão:        A minha boca proclamará a vossa salvação.

 

Em Vós, Senhor, me refugio,

jamais serei confundido.

Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um refúgio seguro,

a fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio:

meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a vossa justiça,

dia após dia a vossa infinita salvação.

Desde a juventude Vós me ensinais

e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Não há tarefa dura ou impossível que o amor, a caridade, não consiga ultrapassar.

 

Forma longa: 1 Coríntios 12,31 – 13,13;                              forma breve: 1 Coríntios 13,4-13

Irmãos: [31Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados. Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo: 1Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine. 2Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a plenitude da fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. 3Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita.]

4A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; 5não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; 6não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; 7tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca. 9De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos. 10Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. 11Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil. 12Agora vemos como num espelho e de maneira confusa, depois, veremos face a face. Agora, conheço de maneira imperfeita, depois, conhecerei como sou conhecido. 13Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade.

 

S. Paulo, ao falar dos diversos carismas tão ambicionados pelos cristãos de Corinto, quer despertar os fiéis para o dom fundamental, sem o qual todos os carismas perdem valor. Este texto paulino é o mais sublime elogio da caridade jamais feito, uma das páginas mais belas de toda a Bíblia, que tanto entusiasmava Teresa de Lisieux. Nos vv. 1-3 temos a exaltação da caridade acima dos carismas mais elevados; nos vv. 4-7, o elogio da caridade, apontando o que ela exclui e o que ela engloba; nos vv. 8-12, a exposição de como, ao contrário dos carismas e da própria fé e esperança, ela não acaba nunca; daí a sua perfeição e superioridade.

12 «Agora», isto é, nesta vida terrena; «depois», isto é, na eterna bem-aventurança do Céu. «Com num espelho», a saber, de maneira indirecta e confusa (à letra: «como coisa enigmática»); com efeito, na época, os espelhos, mesmo os melhores, como eram os de Corinto, não permitiam observar a imagem com toda a nitidez como sucede agora com os nossos espelhos. «Face a face»: assim será no Céu a nossa visão de Deus, pois «vê-lo-emos tal como Ele é» (1Jo 3,2), à maneira de «como sou conhecido» (por Deus), numa contemplação cheia de amor e directa, através daquilo que os teólogos chamam o «lumen gloriæ».

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 4, 18

 

Monição: Somos convidados a ser dóceis ao Espírito Santo e à voz do Pai.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (II)

 

O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres,

a proclamar aos cativos a redenção.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 4,21-30

Naquele tempo, 21Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». 22Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: «Não é este o filho de José?» 23Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum». 24E acrescentou: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. 25Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. 27Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã». 28Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. 29Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. 30Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

 

Temos hoje a conclusão do Evangelho do Domingo anterior: o resultado da pregação de Jesus na sinagoga de Nazaré.

22 «Todos davam testemunho em seu favor». Esta foi a primeira reacção, uma reacção positiva. Algum autor, porém, traduziu, numa leitura libertacionista:, «todos se declaravam contra», o que não parece correcto. Com efeito, embora o verbo grego possa indicar tanto um testemunho a favor, como um testemunho contra, a verdade é que o contexto não autoriza uma tal tradução, tanto os lugares paralelos (Mt 13,54; Mc 6,2), como o contexto próximo, que sugere o passar duma atitude de admiração para uma atitude de repulsa (v. 22 e v. 28); o facto de não ser citado mais texto de Isaías (61,2), onde se fala do «dia da vingança do Senhor», não é razão suficiente para concluir que todos se declaravam contra pelo facto de não ter levado mais adiante a citação; o texto de Lucas (criticamente seguro) não diz que a reacção foi devida a citar «só» «as palavras da graça» (a tradução litúrgica diz «cheias de graça», uma interpretação aceitável, como na proposta da nova tradução da Bíblia da CEP: «palavras de graça»).

«Não é este o filho de José?». Lucas não tem qualquer escrúpulo de usar esta expressão posta na boca do povo, que ignora a origem divina de Jesus, pois já tinha antes deixado bem clara a sua concepção virginal. S. Marcos, porém, no lugar paralelo, escreve «o filho de Maria», pois, não tendo relatado a concepção virginal de Jesus, parece ter querido evitar qualquer mal-entendido dos seus leitores.

23 «O que ouvimos dizer…». Isto é uma prova de que esta pregação na sinagoga de Nazaré não foi o primeiro momento da pregação de Jesus; Lucas adopta uma ordem lógica ou teológica, não necessariamente uma ordem cronológica (ver nota 16 ao Evangelho do passado Domingo).

30 «Seguiu o seu caminho», isto é, não fugiu, como tentaria fazer um falso profeta. A serenidade majestosa de Jesus é suficiente para deixar paralisados os que se Lhe opunham movidos pelo ressentimento, desconfiança e desdém.

 

Sugestões para a homilia

 

Se admiravam das palavras cheias de graça

Levantaram-se e expulsaram Jesus da cidade

Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho

Vou mostrar-vos um caminho de perfeição

 

Se admiravam das palavras cheias de graça.

Diante da beleza da estatura humana de Cristo e na maneira bela, sábia e intensa com que as suas palavras saíam cheias de graça, eles ficaram verdadeiramente admirados. Eram palavras e gestos cheios de profundidade, verdade que os tocou e interpelou profundamente.

Esta admiração era a reação à presença da Pessoa de Jesus. Dele irradiava imenso encanto, sabedoria e misteriosa presença, que para eles era difícil de aceitar - e os intrigava - devido à Sua maneira simples, e da aparente origem, filho de José.

Na lógica deste povo, eivado de ignorância das escrituras, de ideias deturpadas sobre o Messias, e até talvez alguma inveja, ciúme, não O quiseram aceitar, e não aceitar o seu programa de vida e de missão! Jesus proclamou Isaías e assumiu essa profecia.

Mas o testemunho que se esperaria dos seus conterrâneos, mais que admiração, seria o acolhimento, a aceitação, a alegria pela presença do Messias e do compromisso concreto pessoal e comunitário.

Deus não precisa tanto da nossa admiração, da sensação calorosa, mas sim do nosso acolhimento, comunhão, participação e missão. Muitas vezes estamos para admirar, gostar, sentir emoções, mas não para assumir a conversão e o compromisso.

 

Levantaram-se e expulsaram Jesus da cidade.

O profeta Jeremias foi confortado com palavras de incentivo, de fortaleza, de verdades profundas sobre o desígnio da sua vida e missão a fim de encontrar força e coragem para a sua árdua tarefa. Ele é o “anúncio”, pela sua experiência sofredora, do verdadeiro Messias, Cristo.

Cristo inicia a sua actividade na sua terra, em Nazaré, cumprindo a profecia de Isaías. É já o anúncio da tarefa dolorosa, da sua missão, da sua paixão, rejeição e morte. Aparece já bem notório que é Ele que oferece a sua vida: “ninguém me tira a vida, sou Eu que a dou livremente”.

Entre os seus conterrâneos, na sua terra e entre os seus, não encontrou acolhimento: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam”. Por isso segue no mais genuíno veio profético ao citar as experiências realizadas com os profetas Elias e Eliseu que operaram maravilhas em pessoas fora do âmbito do povo da aliança. Tal ainda provocou mais a ira dos seus que O levaram ao cimo da colina e tentaram precipita-Lo dali abaixo. É pois o anúncio tão gráfico do seu futuro linchamento e crucifixão.

 

Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

O dinamismo invencível do amor que nasce da profunda relação com Deus levou o profeta Jeremias a ser intrépido mensageiro da vontade de Deus. Deus ajudou-o a perceber a profundidade misteriosa da sua vida, da sua vocação e missão para a qual foi armado como cidade fortificada, coluna de ferro e muralha de bronze. O profeta travará batalhas, mas não ficará vencido porque sabe e crê da presença contínua de Deus na sua vida.

Esse dinamismo de amor e de vida dá-se em plenitude em Jesus Cristo, Ele é o próprio Deus. O seu alimento é fazer a vontade do Pai. Ele se apresentará como enviado do Pai, como Filho de Deus. Vem em condição de simplicidade, de serviço, de dar a vida. A sua missão será de libertar, curar, acolher os pobres e os pecadores, revelar o verdadeiro rosto de Deus e trazer ao Homem a dignidade de filho de Deus. 

O Deus que Jesus apresenta e oferece é surpreendente, próximo, amigo, misericordioso, que coloca a pessoa no centro do seu amor. Um Deus que sorri e faz o céu sorrir ao encontrar o filho prodigo, que acolhe a prostituta, que come com pecadores. Tal novidade e revelação de Deus lhe vai acarretar uma obra trabalhosa de dar permanentemente a vida, sem perder serenidade, a fidelidade e o amor a todos, mesmo com aqueles que o irão trespassar e crucificar. O seu amor será eloquente e vitorioso.

 

Vou mostrar-vos um caminho de perfeição

Pelo Batismo somos profetas. Fomos escolhidos de forma tão amorosamente misteriosa. Temos uma vocação assinalada pela fortaleza da presença de Deus em nós. Somos enviados aos irmãos e a esta sociedade. Podem alguns sentir alguma admiração por nós enquanto não exercemos a essência do nosso profetismo, mas quando o anunciamos, por palavras e pela vida, também encontraremos rejeição e tentativas de nos fazer calar, humilhar ou até perseguir.

Hoje precisamos de profetas como a terra ressequida precisa de água. O pecado parece reinar no mundo e nas suas formas mais violentas e devastadoras: o ódio contra a vida e contra Deus, as tentativas de destruição da Igreja, a poluição moral, a injustiça, a pobreza gritante…e tantas outras formas. 

Precisamos de profetas que assumam o caminho de perfeição que Paulo maravilhosamente apresenta e partilha: a Caridade. A vivência da caridade ou do verdadeiro amor já de si é uma potente barreira contras a forças destruidoras do demónio. E hoje, diante das dificuldades tão acrescidas, só a vivência da caridade, nas suas multifacetadas formas e maneiras, é capaz de renovar, de fazer reflorescer uma sociedade mais humana, e fazer transparecer o verdadeiro rosto de Deus, da Igreja e do Homem.

 

Fala o Santo Padre

 

«O ministério público de Jesus começa com uma rejeição e com uma ameaça de morte por parte dos seus concidadãos. Mas Ele vai em frente pela sua estrada, confiando no amor do Pai.»

No domingo passado a liturgia propôs-nos o episódio da sinagoga de Nazaré, onde Jesus lê um trecho do profeta Isaías e no final revela que aquelas palavras se cumprem “hoje”, n’Ele. Jesus apresenta-se como aquele sobre o qual se pousou o Espírito do Senhor, o Espírito Santo que o consagrou e o enviou para cumprir a missão de salvação a favor da humanidade. O Evangelho de hoje (cf. Lc 4, 21-30) é a continuação daquela narração e mostra-nos a admiração dos seus concidadãos ao ver que um habitante da sua aldeia, «o filho de José» (v. 22), pretende ser Cristo, o enviado do Pai.

Jesus, com a sua capacidade de penetrar as mentes e os corações, entende imediatamente o que pensam os seus conterrâneos. Eles julgam que, sendo Ele um deles, deve demonstrar esta sua estranha “pretensão” realizando milagres ali, em Nazaré, como fez nos povoados vizinhos (cf. v. 23). Mas Jesus não quer e não pode aceitar esta lógica, porque não corresponde ao plano de Deus: Deus quer a fé, eles querem os milagres, os sinais; Deus quer salvar todos, e eles desejam um Messias para a própria vantagem. E para explicar a lógica de Deus, Jesus cita o exemplo de dois grandes profetas antigos: Elias e Eliseu, que Deus tinha enviado para curar e salvar pessoas não judias, de outros povos, mas que tinham confiado na sua palavra.

Diante deste convite a abrir os seus corações à gratuidade e à universalidade da salvação, os cidadãos de Nazaré revoltam-se e chegam a assumir uma atitude agressiva, que degenera a tal ponto que «se levantaram e o lançaram fora da cidade; e conduziram-no até ao alto do monte [...] a fim de o precipitarem dali abaixo» (v. 29). A admiração do primeiro instante transformou-se numa agressão, numa rebelião contra Ele.

E este Evangelho mostra-nos que o ministério público de Jesus começa com uma rejeição e com uma ameaça de morte, de forma paradoxal exatamente por parte dos seus concidadãos. Vivendo a missão que lhe foi confiada pelo Pai, Jesus sabe bem que deve enfrentar o cansaço, a rejeição, a perseguição e a derrota. Um preço que, tanto ontem como hoje, a profecia autêntica é chamada a pagar. Mas a dura rejeição não desencoraja Jesus, nem impede o caminho e a fecundidade da sua ação profética. Ele vai em frente pela sua estrada (cf. v. 30), confiando no amor do Pai.

Também hoje, o mundo tem necessidade de ver nos discípulos do Senhor profetas, ou seja, pessoas corajosas e perseverantes em responder à vocação cristã. Pessoas que seguem o “impulso” do Espírito Santo, que as envia para anunciar esperança e salvação aos pobres e aos excluídos; pessoas que seguem a lógica da fé e não do miraculismo; pessoas dedicadas ao serviço de todos, sem privilégios nem exclusões. Em poucas palavras: pessoas que se abrem a acolher em si mesmas a vontade do Pai e se comprometem a testemunhá-la fielmente aos outros.

Oremos a Maria Santíssima, para podermos crescer e caminhar no mesmo ardor apostólico pelo Reino de Deus, que animou a missão de Jesus.

    Papa Francisco, Angelus, Panamá, 3 de fevereiro de 2019

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Com fé e confiança na bondade do Senhor,

façamos subir até Ele as nossas súplicas

pelo bem da santa Igreja e de todos os homens,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Ouvi, Senhor, a nossa oração.

Ou: Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

1. Para que os fiéis e os catecúmenos da Igreja

sejam solidários com os homens que mais sofrem

e os ajudem em suas carências e tristezas,

oremos.

 

2. Para que os ministros do Evangelho

e todos os cristãos perseguidos por causa da fé

sintam que Deus está com eles e lhes dá força,

oremos.

 

3. Para que os povos ainda não evangelizados

possam ouvir o anúncio da Palavra

e glorifiquem connosco a Jesus Cristo,

oremos.

 

4. Para que os esposos separados pela discórdia

voltem a descobrir o sentido cristão da vida

e a bondade do nosso Pai, que está nos Céus,

oremos.

 

5. Para que todos nós aqui reunidos na casa de Deus,

reconhecendo as graças que o Senhor nos dá,

cresçamos cada vez mais em caridade,

oremos.

 

Fazei-nos experimentar, Senhor,

o vosso amor e o vosso perdão,

porque a vossa bondade não tem fim

e a vossa misericórdia é maior do que o nosso coração.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório:  No Senhor Omnipotente – M. Faria, NRMS, 1 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Apresentamos, Senhor, ao vosso altar os dons do vosso povo santo; aceitai-os benignamente e fazei deles o sacramento da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

A nossa grande sabedoria e riqueza é acolhermos Jesus com fé e amor. Ele vem ao nosso encontro, nos faz propostas de vida e de salvação.

Que não me escandalize pela maneira tão simples e humilde com que Ele se nos entrega como Pão da Vida. Ele se nos dá em Eucaristia, expressão máxima de caridade e dinamismo pessoal de transformação.

Que me esforce sempre para nunca me afastar dEle e muito menos o rejeitar. Que O siga na valentia do meu testemunho de profeta, missão recebida no dia do batismo. Que contagiemos outros corações.

 

Cântico da Comunhão: Brilhe a vossa luz diante dos homens – M. Simões, NRMS, 63

 

Salmo 30, 17-18

Antífona da comunhão: Fazei brilhar sobre mim o vosso rosto, salvai-me, Senhor, pela vossa bondade e não serei confundido por Vos ter invocado.

 

Ou

Mt 5, 3-4

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra prometida.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor – M. Valença, NRMS, 60.

 

Oração depois da comunhão: Fortalecidos pelo sacramento da nossa redenção, nós Vos suplicamos, Senhor, que, por este auxílio de salvação eterna, cresça sempre no mundo a verdadeira fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará”.

Vai e vive esta dimensão importante que traduz a autenticidade do nosso ser, participação e missão de cristão.

 

Cântico final: Confiarei no meu Deus – F. Silva, NRMS, 106

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 31-I: Aproveitar bem as «infelicidades»

2 Sam 15, 13-14. 30; 16, 5-13 / Mc 5, 1-20

Narraram o que tinha sucedido ao possesso e o que se passara com os porcos. Começaram então a pedir a Jesus que se retirasse do seu território.

Os gerasenos pedem a Jesus que se retire do seu território porque, para salvar dois homens, tinham morrido dois mil porcos (EV). Pelo contrário, o rei David aceita todas as pedradas e insultos que lhe são dirigidos, como permitidos por Deus (LT). Não temo a multidão que me cerca (SR). Jesus também aceita as maldições recebidas na Cruz.

É muito frequente que a lógica de Deus não coincida com a dos homens. Só a fé nos ajudará a descobrir a mão de Deus, por detrás do que chamamos males humanos. Aproveitemo-los para sermos mais felizes aqui na terra e na vida eterna.

 

3ª Feira, 1-II: Nós também «tocamos» no Senhor.

2 Sam 18, 9-10. 14. 24-25. 30; 19, 3 / Mc 5, 21-43

Pois dizia consigo: se, ao menos, lhe tocar nas veste, ficarei curado.

A oração dirigida a Jesus por esta mulher, foi por Ele atendida no seu ministério público. Ele atendia a oração expressa em palavras, como a de Jairo, ou a feita em silêncio, como a da hemorroissa (EV). E responde sempre à oração, se é feita com fé. Inclinai, Senhor, os vossos ouvidos e escutai-me (SR).

O Senhor também nos toca através dos Sacramentos, especialmente na Eucaristia e na Penitência. Ele toca–nos para nos curar. E nós tocamos no Senhor, quando O recebemos na Comunhão e, doutras maneiras, quando trabalhamos, rezamos, sofremos.

 

Celebração e Homilia:       Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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