Baptismo do Senhor

9 de Janeiro de 2022

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Cristo desceu às águas do Jordão – J. F. Silva, NRMS, 80

 

cf. Mt 3, 16-17

Antífona de entrada: Depois do Baptismo do Senhor, abriram-se os Céus. Sobre Ele desceu o Espirito Santo em figura de pomba e fez-Se ouvir a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a solenidade do baptismo de Jesus por São João Baptista, nas margens do Jordão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se às demais observâncias legais, pois essa era a vontade do Pai.

Com o baptismo de Jesus ficou preparado o baptismo cristão, directamente instituído por Jesus Cristo. Por isso, nesta celebração façamos memória do baptismo de cada um de nós.

 

Acto Penitencial

 

Proponho que, em substituição do acto penitencial, se faça o rito de aspersão da água benta, fazendo uma breve admonição, seguida da bênção e aspersão, acompanhada por um cântico próprio para este rito, terminando com a oração proposta no Missal Romano (p.1365).

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adoptivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus omnipotente, cujo Filho Unigénito Se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, concedei-nos que, reconhecendo-O exteriormente semelhante a nós, sejamos por Ele interiormente renovados. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus escolheu para o Seu povo, o seu eleito, Jesus Cristo, depositando n’Ele o Seu espírito de justiça e de paz com a missão específica de levar a justiça e a paz às nações e libertar os oprimidos. 

 

Isaías 42,1-4.6-7

Diz o Senhor: 1«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. 2Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; 3não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: 4proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. 6Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, 7para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

 

Este texto pertence ao primeiro dos quatro «cantos do Servo de Yahwéh», dispersos pelo Segundo Isaías (Is 40 – 55), mas que, na origem, talvez fizessem parte de um único poema.

«Eis o meu servo». Trata-se de um mediador através do qual Deus levará a cabo o seu plano de salvação. Torna-se difícil determinar quem é designado em primeiro plano, se é uma personalidade individual (um rei de Judá, o profeta, ou o messias), ou uma colectividade (todo o povo de Israel ou parte dele), ou um indivíduo como símbolo de todo o povo. O nosso texto deixa ver uma personagem deveras misteriosa, humilde (vv. 2-3) e poderosa (vv. 4.7), escolhida por Deus e com uma missão universal (vv. 1.6). Pondo de parte a complexa e discutida questão da personalidade originária deste magnífico poema, o certo é que o Novo Testamento está cheio de ressonâncias deste texto, vendo mesmo nesta figura singular um anúncio do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus. Assim temos v. 1: cf. Mt 3,17 e Lc 9,35; vv. 2-4: cf. Mt 12,15-21; v. 6: Lc 1,78-79 e 2,32 e Jo 8,12 e 9,5; v. 7: Mt 11,4-6 e Lc 7,18-22. É evidente que foi escolhida esta leitura para hoje porque é assim que Deus, pelo Profeta, apresenta o seu servo «enlevo da minha alma», sobre quem «fiz repousar o meu espírito»; é por isso que também no Jordão Jesus é apresentado (cf. Evangelho de hoje e paralelos).

 

Salmo Responsorial     Sl 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

 

Refrão:        O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como Rei eterno.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus não faz discriminação de pessoas, desde que O amem e pratiquem a justiça. Foi esta a mensagem que Jesus veio trazer após o Seu baptismo. Pelo baptismo todos somos chamados a incorporamo-nos em Cristo, fortalecidos pelo espírito do Senhor. 

 

Actos dos Apóstolos 10,34-38

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. 36Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

 

Temos aqui uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio em Cesareia, quando recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem serem obrigados a judaizar. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10,17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107,20); «anunciando a paz» (cf. Is 52,7); v. 38 «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61,1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico. Por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas», e que a «paz» – a súmula de todos os bens messiânicos – Deus a destina a toda a humanidade.

O discurso tem um carácter kerigmático evidente. E Lucas – o historiador-teólogo –, ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista, mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

38 «Ungiu do Espírito Santo». Estamos aqui em face de uma expressão simbólica tipicamente hebraica, alusiva à união misteriosa com o Espírito Santo (algo que pertence ao mistério trinitário, o verdadeiro ser e missão de Jesus, que se torna visível na sua Humanidade, na teofania do Jordão). É clara a referência a textos do A. T. de grande densidade messiânica, como Is 11,2; 61,1 (cf. Lc 2,18).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Mc 9, 6

 

Monição: Neste evangelho vemos que Jesus quer cumprir totalmente a vontade do Pai, tornando-se solidário com a humanidade pecadora. Submete-se, pois, ao baptismo de penitência de João, num gesto de humildade. O Pai, porém, proclama que Ele é Seu Filho.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (III)

 

Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Lucas 3, 15-16.21-22

Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias. 16João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu baptizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». 21Quando todo o povo recebeu o baptismo, Jesus também foi baptizado; e, enquanto orava, o Céu abriu-se 22e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do Céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

 

Notar como na leitura litúrgica o texto não é seguido, para que fique claro que quem baptiza Jesus é João. Com efeito Lucas narra o baptismo já depois da prisão do Baptista, sem dizer por quem é Jesus baptizado, segundo a sua técnica de composição literária chamada «de eliminação» (acumular toda a actuação da personagem em cena, eliminando uma sua intervenção posterior; assim Maria regressa a casa antes de João nascer, o qual vai para o deserto antes do nascimento de Jesus, etc.). A maior brevidade do relato de Lucas (apenas dois versículos) parece indicar que todo o acento vai para a declaração da identidade de Jesus (v. 22). Na estrutura do III Evangelho o baptismo de Jesus aparece como a charneira entre o ministério do Baptista e o ministério de Jesus.

16 «Não sou digno…» Os criados (escravos) dos judeus, entre os seus trabalhos, tinham o de tirar («desatar», Mateus diz «transportar») as sandálias dos seus senhores, para eles entrarem no templo, para comerem, etc.; assim se entende bem a humildade que revela esta exclamação de João. (Ver a nota ao Evangelho do III Domingo do Advento).

21 «Enquanto orava»: é um pormenor exclusivo de Lucas, que gosta de mostrar Jesus em oração nos momentos importantes; é bem significativo que mostre o ministério de Jesus a começar com a oração, e assim como também os começos da Igreja (cf. Act 1,14; 2,42). Orar é, mais que tudo, abrir o coração à acção do Espírito Santo.

21-22 O que sucede no baptismo de Jesus é descrito com elementos do género apocalíptico, que continuam a ser expressivos para nós como sinais da inauguração da absolutamente nova relação de Deus com a Humanidade: «O Céu abriu-se»: a imagem parte de que o firmamento era tido como uma superfície esférica de cristal compacto, a separar a terra do céu, por isso, para o Espírito descer, o céu tinha que se abrir; mas já S. Jerónimo (in Math I,3) advertia que «não são os elementos que se abrem, mas sim os olhos do espírito»; este «abrir dos Céus» é o prelúdio da nova relação de Deus com o homem. «O Espírito Santo desceu… como uma pomba»: no A. T. e no Antigo Médio Oriente sempre a pomba foi associada ao mundo divino, um símbolo bem adequado para indicar a inauguração dos novos tempos; o relato não quer dizer-nos que antes o Espírito Santo estaria ausente de Jesus, mas quer revelar-nos quem é Jesus, por isso: «Fez-se ouvir uma voz…», que identifica quem é Jesus: o Filho de Deus, em quem está presente o Espírito Santo. Desde a exegese patrística até a autores modernos, tem-se visto, no baptismo de Jesus, uma revelação do mistério trinitário.

Esta narrativa é um convite para reconhecer quem é Jesus e para avaliar o valor do baptismo, semelhante ao de Jesus, mas diferente do de João; tenha-se em conta o paralelismo desta perícope com a fórmula baptismal trinitária do final de Mateus (28, 18). No baptismo de Cristo podemos apreciar como actua em nós o Sacramento, pois para nós se abrem os Céus fechados pelo pecado; desce o Espírito Santo com a sua graça, que nos renova e torna templos seus; ficamos a ser filhos de Deus muito amados.

Ninguém põe em dúvida que o baptismo de Jesus é um facto histórico. O relato não é uma invenção literária para transmitir uma ideia sobre Jesus: é algo que se encontra na tradição primitiva, bem documentado no N. T.: Act 1,21-22; 4,27; 10,38; Jo 1,26-34; Mt 13,17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22. O próprio facto de o baptismo de Jesus ser uma coisa difícil de compreender pelas primeiras comunidades abona a favor do seu valor histórico.

 

Sugestões para a homilia

 

Obra do Espírito

A festa de hoje, com a qual se conclui o tempo do Natal, dá-nos a oportunidade de ir, como peregrinos em espírito, às margens do Jordão, para participar num acontecimento misterioso: o baptismo de Jesus por João Baptista. Ao anunciar o Messias, João Baptista disse: “Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”. Essas palavras contêm uma mensagem válida para toda a história dos homens. O fogo é o símbolo bíblico do amor de Deus, que queima e purifica de todo pecado; o Espírito Santo indica a vida divina, que Jesus trouxe por meio da "graça". Quando Jesus foi baptizado no Jordão, desceu o Espírito Santo, em forma de pomba, sobre ele. Este sinal não só evoca a figura do Espírito que pairava sobre as águas primordiais da criação, mas significa também que Jesus é como que o “ninho”, o lugar do Espírito.

No meio do povo que caminha para as margens do Jordão, Jesus também vai e quando recebeu o baptismo - escreve São Lucas – “estava em oração”. Este é um detalhe exclusivo de Lucas, que o repete ao narrar a Transfiguração do Senhor. É no contexto de oração no qual os factos se sucedem. Jesus fala com o Pai. E, deste modo, temos a certeza de que ele não só falou por si, mas também falou de nós e por nós.

 

“Tu és o meu Filho muito amado”

Com estas palavras, que ressoaram na liturgia de hoje, o Pai revela a identidade e missão de Jesus. No Jordão, além da manifestação de Jesus, há a manifestação da natureza trinitária de Deus: Jesus, a quem o Pai designa como seu Filho “muito amado” e o Espírito Santo que desce e permanece sobre ele.

No baptismo cristão, o Pai celestial também repete essas palavras referindo-se a cada baptizado. Ele diz-nos: "Tu és o meu Filho". No baptismo somos adoptados e incorporados à família de Deus, em comunhão com a Santíssima Trindade, em comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. É precisamente por isso que o baptismo deve ser administrado em nome da Santíssima Trindade. Estas palavras não são apenas uma fórmula; elas são uma realidade. Elas marcam o momento daqueles que são baptizados e renascem como filhos de Deus. Biologicamente aqueles que são apresentados no baptismo são filhos de pais humanos, mas, pelo baptismo, eles tornam-se filhos de Deus. Neste sacramento recebemos o Espírito que nos permite invocar a Deus como pai. É o novo nascimento da graça.

 

Incorporação à Igreja

A adopção como filhos de Deus, do Deus trinitário, é ao mesmo tempo incorporação na família da Igreja, inserção como irmãos na grande família dos cristãos. O baptismo iniciou-nos na vida cristã, integrados numa grande família que é a Igreja, povo de baptizados.

Na Igreja ninguém é cristão isolado. A partir do nosso baptismo, o cristão passa a fazer parte de um povo, e a Igreja apresenta-se como a verdadeira família dos filhos de Deus. Ora, o baptismo é a porta por onde se entra na Igreja. Pertencentes à Igreja, precisamente pelo baptismo, somos todos chamados à santidade, cada um no seu próprio estado e condição. O chamamento à santidade e a consequente exigência de santificação pessoal são universais: todos, sacerdotes e leigos, estamos chamados à santidade e todos recebemos, com o baptismo, as primícias dessa vida espiritual que, por sua própria natureza, tende à plenitude.

Outra verdade intimamente unida a esta, a da condição de membros da Igreja, é a do carácter sacramental do baptismo, impresso na alma. É como um selo que exprime o domínio de Cristo sobre a alma do baptizado. Cristo tomou posse da nossa alma no momento em que fomos baptizados, resgatando-nos do pecado e da morte.

 

Fala o Santo Padre

 

«Este amor do Pai, que todos nós recebemos no dia do nosso Batismo,

é uma chama que foi acesa no nosso coração, e deve ser alimentada mediante a oração e a caridade.»

Hoje, na conclusão do Tempo litúrgico do Natal, celebramos a festividade do Batismo do Senhor. A liturgia convida-nos a conhecer mais plenamente Jesus, cujo nascimento há pouco celebramos; e por isso, o Evangelho (cf. Lc 3, 15-16.21-22) ilustra dois elementos importantes: o relacionamento de Jesus com o povo e a relação de Jesus com o Pai.

Na narração do Batismo, conferido por João Batista a Jesus nas águas do Jordão, vemos antes de tudo o papel do povo. Jesus está no meio do povo. Ele não é unicamente um pano de fundo para o cenário, mas constitui um componente essencial do acontecimento. Antes de se imergir na água, Jesus “imerge-se” na multidão, une-se a ela assumindo plenamente a condição humana, compartilhando tudo, exceto o pecado. Na sua santidade divina, cheia de graça e de misericórdia, o Filho de Deus fez-se carne precisamente para assumir sobre si e tirar o pecado do mundo: assumir as nossas misérias, a nossa condição humana. Por isso, também a de hoje é uma Epifania porque fazendo-se batizar por João, no meio das pessoas penitentes do seu povo, Jesus manifesta a lógica e o sentido da sua missão.

Unindo-se ao povo que pede a João o Batismo de conversão, Jesus compartilha também o seu profundo desejo de renovação interior. E o Espírito Santo que desce sobre Ele «em forma corpórea, como uma pomba» (v. 22), é o sinal de que com Jesus tem início um novo mundo, uma “nova criação” da qual fazem parte todos aqueles que aceitam Cristo na própria vida. Também a cada um de nós, que renascemos com Cristo no Batismo, são dirigidas as palavras do Pai: «Tu és o meu Filho muito amado: em ti ponho a minha afeição» (v. 22). Este amor do Pai, que todos nós recebemos no dia do nosso Batismo, é uma chama que foi acesa no nosso coração, e deve ser alimentada mediante a oração e a caridade.

O segundo elemento ressaltado pelo evangelista Lucas é que, depois da imersão no povo e nas águas do Jordão, Jesus “imerge-se” na oração, ou seja, na comunhão com o Pai. O Batismo é o início da vida pública de Jesus, da sua missão no mundo, como enviado pelo Pai para manifestar a sua bondade e o seu amor pelos homens. Esta missão é realizada em união constante e perfeita com o Pai e com o Espírito Santo. Também a missão da Igreja e de cada um de nós, para ser fiel e fecunda, é chamada a “inserir-se” na missão de Jesus. Trata-se de regenerar continuamente na oração a evangelização e o apostolado, para dar um claro testemunho cristão, não segundo os projetos humanos, mas em conformidade com o plano e o estilo de Deus.

Estimados irmãos e irmãs, a festa do Batismo do Senhor constitui uma ocasião propícia para renovar com gratidão e convicção as promessas do nosso Batismo, comprometendo-nos a viver diariamente em coerência com ele. Como eu vos disse várias vezes, é muito importante também saber a data do nosso Batismo. Poderia perguntar: “Quem de vós sabe a data do próprio Batismo?”. Certamente, nem todos! Se algum de vós não a sabe, quando voltar para casa, pergunte-a aos seus pais, aos avós, aos tios, aos padrinhos, aos amigos de família... Pergunte: “Em que data fui batizado, batizada?”. E depois, não a esqueça: que seja uma data conservada no coração, para a celebrar todos os anos.

Jesus, que nos salvou não pelos nossos méritos, mas para pôr em prática a imensa bondade do Pai, nos torne misericordiosos para com todos. A Virgem Maria, Mãe de Misericórdia, seja a nossa guia e o nosso modelo.

    Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 13 de janeiro de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Recordando o Baptismo de Jesus, o Filho muito amado de Deus Pai,

oremos pelos homens e pelas mulheres de toda a terra,

dizendo (ou: cantando), confiadamente:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Iluminai, Senhor, a terra inteira.

Ou: Confirmai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

1. Pela santa Igreja, mãe dos cristãos,

pelos ministros da Palavra e do Baptismo

e pelos que renascem da água e do Espírito, oremos.

 

2. Pelos que têm sede da água viva,

pelos que crêem em Jesus, Filho de Deus,

e por aqueles a quem a fé não ilumina, oremos.

 

3. Pelos homens perseguidos e humilhados,

pelos que perderam a coragem de lutar

e por aqueles que os defendem e animam, oremos.

 

4. Pelos doentes que perderam a esperança,

pelas crianças que perderam os seus pais

e por aquelas a quem falta o amor e um lar, oremos.

 

5. Por todos nós que recebemos o Baptismo,

pelos que estão em graça e paz com Deus

e por aqueles que entre nós vivem nas trevas, oremos.

 

(Outras intenções: os que vão ser baptizados na Páscoa; fiéis defuntos ...).

 

Senhor, nosso Deus, reavivai em nós, pelo Espírito Santo,

o dom e a alegria do Baptismo, para que Vos chamemos nosso Pai

e nos sintamos, de verdade, vossos filhos. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A voz do Senhor ressoa sobre as águas – S. Marques, NRMS, 80

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que a Igreja Vos oferece, ao celebrar a manifestação de Cristo vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se transforme naquele sacrifício perfeito que lavou o mundo de todo o pecado. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio

 

O Baptismo do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Baptismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. F. Santos – BML, 12

 

Monição da Comunhão

 

O baptismo é a porta da salvação, a porta dos sacramentos, porque nos faz nascer para Deus. Na verdade, Deus apodera-se de nós e começa a actuar com a Sua graça santificante, que, por sua vez, irá aumentando na medida em que participarmos no banquete do Corpo e Sangue de Cristo.  

 

Cântico da Comunhão: Abriram-se os Céus – Az. Oliveira, NRMS, 80

 

Jo 1, 32.34

Antífona da comunhão: Eis Aquele de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Águas das fontes, louvai o Senhor – A. Cartageno, NRMS, 80

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este dom sagrado, ouvi benignamente as nossas súplicas e concedei-nos a graça de ouvirmos com fé a palavra do vosso Filho Unigénito para nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Aproveitemos esta semana para tomar maior consciência da nossa condição de Filhos de Deus, pedindo auxilio para, com fidelidade e coragem, confessarmos a Cristo como Senhor da nossa vida, para sermos membros conscientes e activos na Igreja, povo de baptizados.

 

Cântico final: Este é aquele de quem João dizia – C. Silva, OC, (pg 98)

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

1ª SEMANA

 

Segunda-Feira, 10-I: Implantação na terra do reino dos Céus.

1 Sam 1, 1-8 / Mc 1,14-20

Ao passar ao longo do mar da Galileia, viu Simão seu irmão André. Disse-lhes: Vinde após mim e farei de vós pescadores de homens.

A missão de Nossa Senhora foi preparada, ao longo do Antigo Testamento, pela missão de santas mulheres, entre as quais se conta Ana, mãe de Samuel (LT).

Jesus escolhe igualmente para Apóstolos, que são considerados como incapazes e fracos, para O ajudarem na sua missão (EV). Como hei-de agradecer ao Senhor tudo quanto fez por mim? (SR). Assim começa a implantação do reino dos Céus para levar os homens a participarem na vida divina. Este acontecimento é também considerado como o início da Igreja, que é o princípio do reino de Deus.

 

Terça-Feira, 11-I: Colaboração na obra da Redenção.

1 Sam 1, 9-20 / Mc 1, 21-28

Ana orou ao Senhor: se vos dignardes conceder-me um filho varão, eu hei-de consagrá-lo ao serviço do Senhor por toda a vida.

Conforme prometera, Ana consagrou o seu filho Samuel ao Senhor, colocando-o no Templo ao serviço do Sumo sacerdote Eli (LT).

Também Jesus coloca toda a sua vida ao serviço da Redenção. Este mistério está presente em todos os momentos da sua vida: na Encarnação, na Vida oculta, nas palavras que dirige aos seus ouvintes, nas curas e expulsões dos demónios (EV). Abre-se a minha boca porque me alegro com a vossa salvação (SR). Colaboremos na obrada da Redenção com a nossa vida de trabalho e de oração, os nossos sacrifícios e orações.

 

Quarta-Feira,12-I: Disposição e disponibilidade para a oração.

1 Sam 3, 1-10. 19-20 / Mc 1, 29-39

De manhãzinha, ainda muito cedo, Jesus levantou-se e saiu. Retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar.

Samuel não sabia distinguir a voz de Deus das vozes humanas. Por isso, o sacerdote Eli teve que ensiná-lo a dizer: falai, Senhor que o vosso servo escuta (LT). Jesus também nos dá exemplo de dedicação à oração e logo de manhãzinha (EV)

Peçamos ao Senhor que nos aumente o nosso desejo de orar, pois é na oração que escutaremos o que Ele espera de nós, como aconteceu com Samuel. Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade (SR), Como ele, manifestaremos mais disponibilidade, pois várias vezes se levantou de noite, sempre disposto a ouvir a voz de Deus.

 

Quinta-Feira, 13-I: Significado da Arca da Aliança e das curas.

1 Sam 4, 1-11 / Mc 1, 40-45

Vamos buscar a Silos a Arca da Aliança do Senhor; que Ele venha para o meio de nós e nos salve das mãos dos inimigos.

Já no Antigo Testamento, Deus utilizou as imagens que conduziriam à salvação pelo Verbo Encarnado como, por exemplo, a Arca da Aliança (LT). Esta correspondia ao compromisso de defesa do povo de Deus. Pela vossa misericórdia, salvai-nos, Senhor (SR).

Do mesmo modo, o significado das curas (EV), anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte, mediante a Páscoa. Assim, os Sacramentos da Penitência e da Eucaristia curam as nossas feridas e revestem-nos da santidade de Deus. A misericórdia de Deus para com o seu povo é ampliada por Jesus para toda a história dos homens.

 

Sexta-Feira, 14-I: Cristo, Rei e Médico divino.

1 Sam 8, 4-7. 10-22 / Mc 2, 1-12

Que é mais fácil dizer ao paralítico, os teus pecados são perdoados, ou dizer: levanta-te e anda?

Os Anciãos de Israel manifestaram a Samuel o desejo de ter um Rei. Será quem há-de governar-nos e comandar-nos em combate (LT). E o Senhor aceitou que assim fosse, com o vosso favor se exalta a nossa valentia (SR),

Jesus é também Rei, pois as curas que vai realizando indicam que o reino de Deus está próximo. Ele vem curar o homem na sua totalidade, alma e corpo (EV). Dirige-se pessoalmente a cada um dos pecadores: os teus pecados são-te perdoados. Como médico, inclina-se para cada um dos doentes. Na confissão encontramos esta faceta do Senhor.

 

Sábado, 15-I: A salvação dos pecadores.

1 Sam, 9, 1-4. 17-19; 10, 1  / Mc 2,13-17

Tu, Saúl, é que hás-de reger o povo de Senhor e o salvarás dos inimigos que o rodeiam.

Samuel ungiu Saul para uma missão de salvação dos inimigos (LT). Cristo é também ungido para o cumprimento de uma missão divina (EV). Vós o revestistes de esplendor e majestade (SR). A sua missão divina consiste na salvação dos pecadores: Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores (EV).

 Na sua vida, Jesus, vai ao encontro dos pecadores, o que causa uma certa dúvida aos escribas e fariseus. Mas Jesus aproveita esses encontros para esclarecer o motivo da sua vinda à terra (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Bruno Barbosa

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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