Epifania do Senhor

2 de Janeiro de 2022

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Levanta-te Jerusalém, eis a tua luz – A. F. Santos, BML, 9

 

cf. Mal 3, 1; 1 Cron 19, 12

Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a festa Litúrgica da Epifania do Senhor que significa manifestação. Deus fez-Se Homem, nasceu em Belém e manifestou-Se a todos os povos do mundo representados por um grupo de homens importantes que vieram de várias terras, guiados por uma estrela, até Belém, para O visitar e prestar-Lhe homenagem.

É também neste dia de festa que os cristãos do Oriente celebram a solenidade do Natal.

Caminhemos com estes Reis Magos em espírito até Belém, para adorarmos o Menino e lhe ofertarmos o nosso coração.

 

Acto penitencial

 

Peçamos perdão ao Senhor por causa das ofertas de má qualidade que lhe temos oferecido: o ouro falsificado do nosso trabalho, feito sem amor e sem perfeição; o incenso das nossas orações distraídas e frias; e a mirra da nossa fuga contínua daquilo que nos custa sacrifício.

Peçamos ajuda ao Senhor para começarmos a lutar por uma vida mais agradável aos Seus olhos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos a sugestão do esquema A)

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

Glória a Deus nas alturas.

 

Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías, numa visão profética, descreve-nos Jerusalém situada num alto monte iluminada por uma luz celeste, enquanto o mundo inteiro se encontra mergulhado na escuridão.

Povos de todas as raças e nações caminham de noite ao encontro dessa luz, procurando a Salvação na nova Jerusalém que é a igreja.

 

Isaías 60,1-6

1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.

 

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21,2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

 

Salmo Responsorial     Sl 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13(R. cf. 11)

 

Monição: O Espírito Santo, convida-nos a entoar, como resposta à interpelação que nos fez no texto do profeta Isaías, um salmo no qual se proclama a divindade e realeza de Jesus.

Quando formos tentados a olhar com pessimismo a Igreja e o mundo, façamos deste salmo a nossa oração.

 

Refrão:        Virão adorar-Vos, Senhor,

                     todos os povos da terra.

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade.

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra.

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir.

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta aos fiéis da igreja de Éfeso, diz-lhes que os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

Agradeçamos humildemente ao Senhor que nos tenha chamado a receber também esta herança de filhos de Deus.

 

Efésios 3,2-3a.5-6

Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

 

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e cristãos de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser co-herdeiros («recebem a mesma herança que os judeus», assim temos a tradução litúrgica), com-corpóreos (traduzido por: «pertencem ao mesmo Corpo», o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja una), e com-participantes (traduzido por: «beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 2, 2

 

Monição: Também nós queremos aproximar-nos do Presépio, com humildade e devoção, para adorarmos o Senhor.

Que a nossa aclamação do Evangelho exprima este nosso desejo de adorar Jesus e seguir os Seus ensinamentos.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 114)

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor.

 

 

 

Evangelho

 

São Mateus 2,1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos gentios para Cristo, o simbolismo das ofertas, a fé e a perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura, o sentido de procura do caminho, etc.

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém, assim em Is 60 e Salm 72(71),10. Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8,11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7,42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento.

Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew) que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente provável: o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados.

Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Nm 24,17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos. A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio dos Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também o italiano G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Cristo.

Bento XVI também afirma que as semelhanças da narrativa de Mateus com a Hagadá de Moisés que se conta em Flávio Josefo, posterior ao Evangelho, «não bastam para tornar a narrativa de Mateus uma simples variante cristã da hagadá de Moisés» (A Infância de Jesus, p. 93).

Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que havia uma estrela a deslocar-se de Norte para Sul até parar sobre a casa.

 

 

Sugestões para a homilia

 

• A Luz de Deus brilha para nós

• Com os Magos, vamos a Belém

 

1. A Luz de Deus brilha para nós

 

Deus incarnou para salvar todas as pessoas. De cem, interessam-Lhe cem, porque ama infinitamente a cada uma delas. Fez de cada um de nós filhos Seus e ama-nos infinitamente.

Por isso, a festa da Epifania é especialmente para nós, que fomos chamados a fazer parte da Igreja, vindos, não do mundo judaico, mas dos gentios. Estamos representados nestes homens corajosos que vieram das suas terras até Belém.

Cristo, sinal e razão da nossa alegria. Às vezes, quando falamos da situação do mundo e do seu afastamento de Deus, dos males que vemos, falamos em tais termos como se Deus tivesse sido definitivamente derrotado e posto fora do mundo; ou então, como se Ele tivesse desistido de nos salvar e nos tivesse abandonado nas mãos do Inimigo. É uma atitude contrária à fé, porque o nosso Deus não perde batalhas nem nos abandonará nunca nesta vida, sejam quais forem os nossos pecados.

O nascimento de Jesus inaugurou um tempo de alegria e otimismo que nunca mais terá fim. O profeta Isaías anima-nos a encarar com otimismo e alegria a nossa vida na terra. «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor

A noite cobre o mundo à espera de Deus. De facto, a sensação que temos, quando olhamos o mundo. é de que uma grande escuridão o cobre. São muitos os que se desorientam caminho e na escolha dos verdadeiros bens.

Vale a pena guardar para ti bens que não te pertencem, se saciar a ambição com as coisas que nada valem é como tentar matar a sede com água salgada?

Vale a pena odiar, difamar e matar, se ao fim o ódio e o mal estar é ainda maior?

Somos estrelas na noite do mundo. O profeta imagina uma grande escuridão a cobrir o mundo e as multidões caminhando ao encontro da luz que brilha na cidade santa de Jerusalém, situada num alto.

«Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe, e as tuas filhas são trazidas nos braços.»

A luz de Cristo, da Verdade, da Alegria, do Amor, brilha na face da Igreja (Lumen Gentium). E como nós somos o rosto da Igreja no mundo, a luz de Cristo deve brilhar também no nosso rosto, nas nossas palavras e obras.

Acorrem os tesouros de Deus. Os homens procuram dinheiro e outros bens materiais com que possam assegurar estabilidade à sua vida.

Deus não precisa de dinheiro, porque foi Ele Quem criou todas as riquezas do mundo e pode criar ainda mais. Para Ele, a verdadeira fortuna são as pessoas a viverem na Sua amizade, e caminhando para uma eternidade feliz.

É à luz desta verdade que havemos de ler o texto sagrada do hoje: «a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá

Privilegiados de Deus. Não sabemos o que é passar séculos a suspirar pela vinda do Redentor e não ter humanamente a quem pedir ajuda.

A desorientação era de tal ordem, que a virtude se condenava e louvava-se o vício. Chegaram a adorar como deuses o deus dos ladrões, a deusa da sensualidade e outros.

Nós nascemos no tempo de Jesus que nos ilumina, anima e alimenta. Pede-nos apenas que aceitemos os Seus dons.

Vive connosco esta aventura de amor na terra e espera apenas que Lhe peçamos ajuda. Não precisamos de O ir procurar a terras distantes, como fazemos para os bens da terra, quando saímos do país à procura de melhores condições de vida.

 

2. Com os Magos, vamos a Belém

 

Um corajoso grupo de homens, procedendo de terras distantes entre si, encaminhou-se para Belém, guiados por uma estrela. Foi a estrela que deu norte às suas vidas e acabou por juntá-los no mesmo ideal, quando estavam já próximos do berço do Salvador, mas sem o saberem.

Renunciar ao sofá e calçar as sapatilhas. Estes homens viviam bem, humanamente falando. Tinham bens e gastavam o seu tempo no estudo dos astros. Foi precisamente no seu trabalho de cada dia que o Senhor os desafiou.

Deus chama-nos, porque tem uma missão para cada um de nós. Se a não realizarmos, ficará por fazer.

Precisamos de andar perto de Deus, pela oração e sacramentos, para descobrirmos o que Ele quer de nós.

Além disso, precisamos de disponibilidade para fazer o que Deus quer de nós, espírito de sacrifício. Muitos e muitas dão cabo da sua fé, porque se deixam colar ao sofá. O Santo Padre desafia-nos a deixá-lo, e a caminhar ao encontro dos outros, com a sapatilhas calçadas.

Manifestamo-l’O pela nossa vida. Foi uma estrela que conduziu estes homens corajosos até junto do berço de Jesus. Cada um de nós tem de ser, de algum modo, esta estrela que guia as outras pessoas até junto de Jesus, para que O conheçam, amem e sigam.

Quando temos as mesmas dificuldades que todos os outros, ou possivelmente até maiores, porque não temos privilégios e, a pesar disso, somos capazes de sorrir e de ter esperança, levamos as pessoas à descoberta de Cristo que é o segredo da nossa esperança e alegria.

Quando, depois de ofendidos e prejudicados, somos capazes, a pesar disso, de perdoar e amar quem nos ofendeu ou prejudicou, somos a estrela que ilumina e guia.

Quando, a pesar de termos tanto ou mais trabalho do que os outros e encontramos tempo para rezar e frequentar os sacramentos, iluminamos o caminho dos que andam desorientados.

Modos de ser estrela. Em primeiro lugar, somo-lo pela vida que levamos, porque não rastejamos pela lama dos caminhos, mas brilhamos nas alturas da graça.

Fazemo-lo pela nossa perseverança na prática da vida cristã, e não apenas durante alguns momentos na vida. A estrela brilha continuamente.

Quando damos um bom conselho que orienta quem tinha perdido o sentido da vida, também desempenhamos este papel.

Recomeçar o caminho. Depois de realizados alguns esforços, alguns deixam-se cair com desânimo, logo que encontram as primeiras dificuldades. Talvez isto tenha acontecido connosco.

A Liturgia da Palavra deste Domingo anima-nos a recomeçar o nosso caminho até ao Céu.

Se o Senhor nos traz à memória o dia da primeira comunhão, a profissão de fé ou qualquer outro momento em que nos parecia que estávamos mais perto de Deus – vimos uma estrela – e agora nos parece que a vida não tem sentido, é porque Deus nos está a chamar.

Pedir ajuda. Os magos pediram ajuda a quem lhes foi possível fazê-lo e Deus serviu-se de um homem mau – Herodes – para voltar a colocá-los no caminho certo.

Nós não precisamos de recorrer a Herodes, porque Jesus Cristo fundou a Igreja e nela encontramos sempre ajuda para nos orientar. Peçamos ajuda aos pastores da Igreja ou a um amigo com bom critério, quando nos sentirmos desorientados no caminho do Céu.

Generosidade. Podemos, como os magos, oferecer o ouro do nosso trabalho, o incenso da nossa oração e a mirra dos sacrifícios que a vida nos pede para sermos fieis ao Senhor.

Estas ofertas ao Menino aproximam-nos cada vez mais d’Ele, porque nos libertam das dificuldades que nos tolhem e fazem crescer a nossa amizade com Ele.

Encontrar Maria. Os Magos encontraram Maria e, com Ela, Jesus. Quando encontramos Maria no nosso caminho, pela visita a um Santuário Mariano, contemplação da sua imagem, reza do terço ou qualquer outra devoção, podemos ter a certeza de que junto d’Ela encontraremos Jesus e recobraremos a alegria e a coragem. Maria foi e será sempre o caminho mais fácil e seguro para Jesus.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cada vez que um homem ou uma mulher encontra Jesus,

muda de caminho, passa a viver de maneira diferente, volta renovado, “por outro caminho”.»

Hoje, solenidade da Epifania do Senhor, é a festa da manifestação de Jesus, simbolizada pela luz. Nos textos proféticos, esta luz é promessa: promete-se a luz! Com efeito, Isaías dirige-se a Jerusalém com estas palavras: «Levanta-te, sê radiosa, eis que vem a tua luz! A glória do Senhor resplandece sobre ti» (60, 1). O convite do profeta — a levantar-se, porque vem a luz — parece surpreendente, porque se insere imediatamente depois do difícil exílio e das numerosas vexações que o povo tinha experimentado.

Hoje este convite ressoa também para nós que celebramos o Natal de Jesus e encoraja-nos a deixar-nos alcançar pela luz de Belém! Também nós somos convidados a não limitar-nos aos sinais exteriores do acontecimento, mas a recomeçar a partir dele e a percorrer em novidade de vida o nosso caminho de homens e de crentes.

A luz que o profeta Isaías tinha prenunciado está presente e encontra-se no Evangelho. E Jesus, nascendo em Belém, cidade de David, veio para trazer a salvação aos próximos e distantes: a todos! O evangelista Mateus mostra vários modos como podemos encontrar Cristo e corresponder à sua presença. Por exemplo, Herodes e os escribas de Jerusalém têm um coração duro, que se obstina e rejeita a vinda daquele Menino. É uma possibilidade: fechar-se à luz. Eles representam quantos, inclusive nos nossos dias, têm medo da vinda de Jesus e fecham o coração aos irmãos e às irmãs que precisam de ajuda. Herodes receia perder o poder e não pensa no verdadeiro bem do povo, mas na própria vantagem pessoal. Os escribas e os chefes do povo têm medo porque não sabem olhar além das próprias certezas, e assim não conseguem compreender a novidade ínsita em Jesus.

Ao contrário, a experiência dos Magos é muito diferente (cf. Mt 2, 1-12). Vindos do Oriente, eles representam todos os povos distantes da fé judaica tradicional. E no entanto, deixam-se guiar pela estrela e enfrentam uma viagem longa e perigosa, para alcançar a meta e conhecer a verdade sobre o Messias. Os Magos estavam abertos à “novidade”, e a eles revela-se a maior e mais surpreendente novidade da história: Deus que se fez homem. Os Magos prostram-se diante de Jesus e oferecem-lhe dons simbólicos: ouro, incenso e mirra, porque a busca do Senhor implica não só a perseverança no caminho, mas também a generosidade do coração. E finalmente voltaram «para a sua terra» (v. 12); e o Evangelho diz que regressaram por “outro caminho”. Irmãos e irmãs, cada vez que um homem ou uma mulher encontra Jesus, muda de caminho, passa a viver de maneira diferente, volta renovado, “por outro caminho”. Voltaram «para a sua terra» levando consigo o mistério daquele Rei humilde e pobre; nós podemos imaginar que contaram a todos a experiência vivida: a salvação oferecida por Deus em Cristo é para todos os homens, próximos e distantes. Não é possível “apoderar-se” daquele Menino: Ele é um dom para todos!

Também nós façamos um pouco de silêncio no nosso coração e deixemo-nos iluminar pela luz de Jesus, que provém de Belém. Não permitamos que os nossos receios fechem o nosso coração, mas tenhamos a coragem de nos abrirmos a esta luz, que é mansa e discreta. Então, como os Magos, sentiremos «uma profunda alegria» (v. 10), que não poderemos conservar para nós. Que nos ampare neste caminho a Virgem Maria, Estrela que nos conduz a Jesus, e Mãe que mostra Jesus aos Magos e a todos aqueles que se aproximam dela!

   Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 6 de janeiro de 2019

 

Oração Universal

 

Caríssimos cristãos:

Oremos juntos ao Pai, que está nos céus,

pedindo-Lhe que faça brilhar sobre os homens

a sua luz da Verdade, da Vida e da Alegria.

Oremos (cantando), com alegria:

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

1. Pela santa Igreja de Cristo, una católica e apostólica e seus filhos,

    para que sejam luz que ilumina, ao proclamarem a glória de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

1.         Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros, Diáconos e ministérios,

para que tornem o rosto da Igreja atraente nas suas palavras e obras,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

3. Pelos que ainda não conhecem a Cristo, não O amam nem O seguem,

    para que, seguindo o testemunho que lhes damos, adorem o Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

4. Por todos aqueles que, com generosidade e alegria trabalham pela paz,

para que a vejam a reconciliação das pessoas e da s famílias em Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

5. Por todos nós que aqui nos reunimos hoje a celebrar a Santa Missa,

para que aprendamos a amar cada vez mais a oração e a vida cristã,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

6. Pelos nossos parentes e amigos que partiram ao encontro de Deus,

    para que neste tempo feliz do Natal o Senhor lhes dê a eterna paz,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

a quem os homens não procurariam,

se antes não Vos tivessem encontrado,

fazei que a nossa maneira de viver

nos leve a contemplar a vossa glória.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Também nós quisemos imitar o gesto dos Magos, levando ao altar as nossas oferendas.

Jesus Cristo, pelo ministério do sacerdote, vai transubstanciar o pão e o vinho por nós oferecido, no Seu Corpo e Sangue, para nosso Alimento.

 

Cântico do ofertório: Ó vós que andais buscando, M. Simões, NRMS, 47

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 195)

 

Saudação da Paz

 

Aproximemo-nos humildemente, e em espírito, do Presépio para implorarmos o dom inestimável da paz.

Peçamo-lo para todas as pessoas de boa vontade e comprometamo-nos também a sermos construtores da verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Vamos receber sacramentalmente o verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, tão real e perfeitamente como está no Céu.

Imitemos o gesto dos Magos, entregando-Lhe toda a nossa vida, para que a salvação chegue a todos os povos.

 

Cântico da Comunhão: Vimos a sua estrela – F. Silva, NRMS, 68

cf. Mt 2, 2

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: O Verbo fez-se carne – Az. Oliveira, NRMS, 47 e 52

 

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deus quer contar connosco para revelar a muitas pessoas, por meio da nossa vida, o Seu Amor.

 

Cântico final: Uns Magos vindos do além – J. F. Silva, NRMS, 76

 

 

Homilias Feriais

 

SEMANA DEPOIS DA EPIFANIA

 

Segunda-Feira, 3-I: Santo Nome de Jesus.

1 Jo 2, 29.3-6 / Jo 1, 29-34

João Baptista viu Jesus, que lhe vinha ao encontro, e exclamou: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo.

Celebramos a memória do Santíssimo Nome de Jesus, nome que lhe foi imposto no momento da circuncisão.

João Baptista mostrou que Jesus é o Cordeiro Pascal, símbolo da Redenção de Israel na primeira Páscoa (EV). E S. João: Bem sabeis que Jesus se manifestou para tirar os pecados (LT). No Nome de Jesus está a esperança do perdão, a esperança da indulgência. Ele concede o perdão, renova os costumes. Todos os que têm devoção a este Nome encontram a glória e a salvação (S. Bernardino de Siena).

 

Terça-feira, 4-I: O amor de Deus para connosco.

1 Jo 4, 7-10 / Mc  6, 34-44

Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Ele que nos amou primeiro.

O amor de Deus para connosco manifestou-se deste modo: Enviou ao mundo o seu Filho Unigénito para que vivamos por Ele (LT), Esse amor manifesta-se também na compaixão pelos nossos pecados (LT). Ele salva os indigentes (SR).

E também se manifestará em coisas materiais como, matando a fome através da instituição e multiplicação dos pães e dos peixes (EV). Ele governará os vossos pobres com equidade (SR). Este milagre prefigura a instituição da Eucaristia, pela qual Jesus manifesta até ao extremo o seu amor pela humanidade, por cuja salvação se oferece em sacrifício.

 

Quarta-Feira, 5-I: Deus é Amor

1 Jo 4, 11-18 / Mc 6, 45-52

Deus é Amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.

S. João afirma que a essência de Deus é o Amor. Ao enviar o seu Filho Unigénito, revela o seu segredo mais íntimo. Quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele (LT). Deus, que criou o homem por amor, também o chama ao amor, porque foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é Amor.

Não nos devemos deixar levar pelo medo a Deus, pois quem teme não é perfeito no amor (LT). No entanto, os discípulos tiveram medo, porque julgavam ver um fantasma. Mas Jesus tranquilizou-os: Sou eu, não temais (EV). Ele socorrerá quem pede auxílio (SR).

 

Quinta-Feira, 6-I: Não separemos o amor de Deus e o amor ao próximo

1 Jo 4, 19- 5,  4 / Lc 4, 14-22

É este o mandamento que recebemos dele: quem ama a Deus, ame igualmente o seu irmão.

Jesus deu-nos um exemplo deste amor, ao dar a vida por todos. Por isso, nos pede que, como Ele, amemos os outros, incluídos os inimigos e os pobres. Enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres (EV). Ele governará os pobres com equidade (SR).

 Se alguém disser: Amo a Deus e odiar o seu irmão, é mentiroso (LT). Ao recusar perdoar os irmãos, o nosso coração endurece e torna-se impermeável ao amor misericordioso do Pai. Por outro lado, o nosso amor a Deus aumentará se amarmos mais os outros. Por isso procuremos melhorar o nosso relacionamento com quem convivemos.

 

Sexta-Feira, 7-I: O sentido do pecado, da dor e do sofrimento.

1 Jo. 5, 5-13 / Lc 5, 12-16

Jesus estendeu a mão e tocou-lhe dizendo: Quero, fica curado.

 

Qual a atitude de Jesus perante o sofrimento? Fica comovido com tanto sofrimento. Eu quero, fica curado, diz ao leproso (EV). Mas não cura todos os doentes. As curas servem como sinal para uma cura mais radical, a vitória sobre o pecado e a morte. Deus deu-nos a vida eterna e quem tem o Filho tem a vida (LT).

No entanto, Deus deu um valor novo ao sofrimento, através da sua paixão e morte. Assim podemos imitá-lo e unir-nos à sua Paixão redentora, através dos nossos sofrimentos. Ele reforçou as tuas portas e abençoou os teus filhos (SR)

 

Sábado, 8-1: O combate com o Maligno

1 Jo 5, 14-21 / Jo 3, 22-30

Foi Jesus com os discípulos para o território da Judeia, onde se demorou com eles a baptizar.

Sabemos que somos de Deus, mas o mundo inteiro fica sujeito ao Maligno (LT). O Senhor ama o seu povo. Por isso, ao conferir o Baptismo, todos os nossos pecados são perdoados. Jesus foi com os seus discípulos até à Judeia, onde aparecia muita gente (EV).

Mas. apesar disso, permanecem em nós tendências para o pecado, a que se chama concupiscência. Como o Maligno se aproveita dessas fraquezas, a nossa vida será sempre um grande combate. Temos que lutar sem descanso todos os dias para conseguirmos alcançar o bem, mas temos Jesus, para que nos ajude a conhecer o que é Verdadeiro (LT).

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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