Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa da Aurora

25 de Dezembro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Chegou a hora mais alta – M. Faria, NRMS, 44

 

cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Antífona de entrada: Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Jesus é o Verbo de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Ele veio habitar entre nós. Está aqui connosco.

Avivemos a nossa fé, para O acolher com amor e alegria.

 

O pecado afasta-nos de Deus, fecha-nos a Ele. Comecemos a Santa Missa, pedindo perdão.

 

Oração colecta: Concedei, Deus todo-poderoso, que, inundados pela nova luz do Verbo Encarnado, resplandeça em nossas obras o que pela fé brilha em nossos corações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías proclama a chegada do Salvador. Ele vem fundar um povo santo. Que não defraudemos a Jesus.

 

Isaías 62,11-12

11Eis o que o Senhor proclama até aos confins da terra: «Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador. Com Ele vem o seu prémio e precede-O a sua recompensa. 12Serão chamados ‘Povo santo’, ‘Resgatados do Senhor’; e tu serás chamada ‘Pretendida’, ‘Cidade não abandonada’».

 

A leitura recolhe dois versículos do III Isaías, referidos à Jerusalém restaurada após o exílio. «Até aos confins da terra»: a perspectiva universalista típica da última parte de Isaías corresponde bem à realidade de um «Natal para todos».

«Filha de Sião, Filha de Jerusalém», forma poética de o profeta se dirigir aos habitantes da cidade, e mesmo a todos os israelitas (como aqui sucede). A Igreja é o novo «Israel de Deus», «o monte Sião» (Gal 4,26; 6,16; Hebr 12,22; Apoc 14,1; 21). «Sião» (etimologicamente lugar seco) era a cidadela da capital, Jerusalém. Inicialmente designava a fortaleza conquistada por David aos jebuseus, a colina oriental de Jerusalém (Ofel), que começou a ser chamada «cidade de David», para onde este transladou a Arca da Aliança. Quando Salomão construiu o Templo, a Norte de Sião, e para lá levou a arca, também se começou a dar a esse lugar o nome de Sião. Depois veio a designar o conjunto da cidade de Jerusalém, ou todos os seus habitantes e mesmo todo o povo de Israel. Na tradição cristã, veio a dar-se uma confusão acerca da localização topográfica do monte Sião, ao situá-lo no Cenáculo, na colina ocidental da cidade alta. Esta confusão parece ter origem em que o Cenáculo foi considerado a sede da primitiva Igreja de Jerusalém, o novo «monte Sião», segundo Hebr 12,22 e Apoc 14,1. Actualmente a Arqueologia veio esclarecer estes locais.

 

Salmo Responsorial     Sl 96 (97), 1 e 6.11-12

 

Monição: O salmo convida-nos a cantar com nova alegria o Natal de Cristo.

 

Refrão:        Hoje sobre nós resplandece uma luz:

                     nasceu o Senhor.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

A luz resplandece para os justos

e a alegria para os corações rectos.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O cristão recebeu pelo Baptismo a salvação que Jesus veio trazer à terra. Por ele derramou sobre nós o Seu Espírito e nos tornou herdeiros da vida eterna.

 

Tito 3,4-7

Caríssimo: 4Ao manifestar-se a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos, 5não pelas obras justas que praticámos, mas em virtude da sua misericórdia, pelo baptismo da regeneração e renovação do Espírito Santo, 6que Ele derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, 7para que, justificados pela sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna.

 

Esta belíssima síntese soteriológica bem podia ser uma espécie de fórmula de fé corrente na Igreja primitiva que tenha sido inserida na Carta.

5 O «banho de regeneração e renovação do Espírito Santo» é o Baptismo, que nos faz nascer de novo (Jo 3,3.5) e que nos torna «nova criatura» (Gal 6,15; 2Cor 5,17). O Natal é ocasião propícia para meditar também no nosso natal, o Baptismo, e para daí tirar consequências práticas: «reconhece, ó cristão, a tua dignidade; tornado participante da natureza divina, não regresses à antiga baixeza duma vida depravada; lembra-te de que Cabeça e de que Corpo és membro. Pelo Baptismo, tornaste-te templo do Espírito Santo» (S. Leão Magno, Homilia para o dia de Natal).

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 2, 14

 

Monição: Vamos aprender com Maria a ouvir e fixar as palavras que nos vêm de Jesus.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 113)

 

Glória a Deus nas alturas

e paz na terra aos homens por Ele amados.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2,15-20

15Quando os Anjos se afastaram dos pastores em direcção ao Céu, começaram estes a dizer uns aos outros: «Vamos a Belém, para vermos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer». 16Para lá se dirigiram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria guardava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado.

 

A leitura mostra a reacção dos pastores perante o anúncio do nascimento de Jesus que bem pode marcar a atitude do cristão ao tomar consciência do Natal de Jesus: a decisão (tão presente nos nossos vilancetes), de ir a Belém, apressadamente, sem delongas nem escusas ao encontro pessoal com Jesus, Maria e José

18 Os «pastores» contaram as maravilhas daquela noite, mas os conterrâneos não os deveriam tomar muito a sério. Como poderia o Messias revelar-se a gente tão miserável, malconceituada e tida por pecadora?

19 «Maria» ensina-nos a viver o mistério do Natal no recolhimento, ponderação e intimidade com Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

1)- Habitou entre nós

S.João, no Evangelho da 3ª missa, apresenta-nos uma bela e profunda meditação sobre a vinda de Jesus à terra, que celebramos neste Natal . Veio habitar entre nós. Fez-se menino. Nasceu, há 2000 anos, na humildade duma gruta. Ele, o Senhor do Céu e da terra, estava ali como criança inerme, que precisa que lhe façam tudo.

Na Eucaristia continua a ser o Emanuel -o Deus connosco, anunciado pelo profeta.

É nosso hóspede em tantos lugares da terra. Está aqui connosco.

Com os anjos vamos manifestar-Lhe também a nossa alegria. Uma alegria que nos vem da fé e que tem de se renovar em cada Natal.

Abramos os olhos para Jesus na Eucaristia.

Deus mandou os anjos a anunciar aos pastores o Natal de Jesus. Também hoje nos ajudarão a vós e a mim a adorar o Senhor, a louvá-Lo, a agradecer-Lhe.

É muito bonita a festa de Natal. Mas temos de vivê-la em profundidade. E ter cuidado de não a deixar roubar. Muitos querem apoderar-se dela apenas para fazer negócios.

Podemos também nós correr o perigo de deixá-la diluir em compras, presentes e reuniões de família ou ficar só na poesia do presépio.

Enchamo-nos de alegria, avivando a nossa fé e o nosso amor a Jesus, que nasce de algum modo de novo no meio de nós, na Santa Missa. Porque, pela consagração, muda o pão no Seu Corpo e o vinho no Seu sangue sobre o altar, o mesmo corpo e o mesmo sangue nascidos da Virgem em Belém. E fica depois nos sacrários das nossas igrejas.

Podemos visitá-Lo, estar com Ele, e adorá-Lo como os pastores.

Que bonito ver, em algumas terras, organizarem-se para que Jesus tenha visitas todos os dias!

Francisco, o pastorinho de Fátima, é exemplo deste amor a Jesus escondido, como ele gostava de dizer. E como passava horas a fio junto dEle, para O consolar!

 

2)-Regressaram glorificando a Deus

 O apóstolo explica-nos no Evangelho da terceira missa que Jesus é o Verbo de Deus, que existe com o Pai desde toda a eternidade. É Deus de Deus, da mesma natureza que o Pai. É o Filho Unigénito. É a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Por Ele o Pai criou todas as coisas. E tudo subsiste por Ele.

E, apesar disso, fez-se Menino no presépio e está escondido na Eucaristia. Sem perder nada do Seu poder e da Sua majestade. Que saibamos adorá-Lo na hóstia consagrada. Interiormente, quando se levanta a hóstia e o cálice, na Santa Missa.

Que O adoremos exteriormente nas ocasiões sugeridas pela Igreja, como as procissões eucarísticas.

O Sagrado Lausperene procura levar as dioceses a manterem-se em permanente velada em honra de Jesus na Hóstia consagrada. Animemos a todos a participar nele

Aproveitemos também as exposições solenes, ou a tradicional bênção do Santíssimo para mostrar que temos fé na presença viva de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.  Em Roma, nas grandes basílicas, encontramos todos os dias o Senhor solenemente exposto nalguma das suas capelas. E há por ali muita gente a rezar. Em muitos outros lugares do mundo as grandes catedrais estão a copiar esta bela iniciativa.

Aproveitemos ainda para nos examinarmos sobre o respeito e silêncio com que estamos na igreja.   

Ensinemos as crianças desde pequeninas a visitar Jesus, a entrar na igreja, a estar na missa. E isso é um trabalho sobretudo das boas mães.

Aproveitemos neste Natal a graça que o Senhor nos oferece. Ele vem até nós mais uma vez para nos encher da Sua graça.

Ele que é cheio de graça e verdade (Ev.). Ele é a fonte, o trono da graça (Heb 4,16). Da Sua plenitude todos nós recebemos (Ev.).

Abastecidos dessa energia, saberemos renunciar à impiedade e aos desejos mundanos para vivermos, no tempo presente, com temperança justiça e piedade (2ª leit.-missa da noite). Ele quer que sejamos um povo purificado, zeloso das boas obras (ibid).

E, como os pastores, iremos depois contar aos que nos rodeiam a nossa alegria e contagiá-los com a nossa fé.

 

3)- Falou-nos por Seu Filho

 Jesus é o Verbo de Deus, veio falar-nos, como proclamava a 2ª leitura da missa do dia. Deus falou antigamente pelos profetas. Nestes dias, que sãos os últimos, falou-nos por Seu Filho.

E o Evangelho dizia que o Verbo era a luz verdadeira que ilumina todo o homem. E ainda: a graça e verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.

A Igreja e cada um de nós tem de o lembrar a todos à nossa volta. Em primeiro lugar àqueles que pensam fazer uma religião à sua medida. Depois àqueles que sonham com uma religião tipo salada russa, a mistura de todas as que existem.

Temos de aceitar plenamente aquilo que Jesus ensinou e continua a ensinar-nos na Sua Igreja.

O Evangelho deixava uma queixa sempre actual: a luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. O Verbo…veio para o que era Seu e os Seus não O receberam (Ev.)

Que saibamos acolher em cada missa a palavra de Jesus. “Àqueles que O receberam e acreditaram no Seu nome deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem mas de Deus” ( Ev.).

Avivemos o desejo de O ver, repitamos o acto de fé do apóstolo que duvidava da ressurreição: -Meu Senhor e meu Deus (Jo 20,28).

Que oração tão bela para estes dias de Natal! Ou então aquela de S.Tomás de Aquino: ”Adoro-Te com amor , Deus escondido “(Adoro Te de devote, latens Deitas)

Há anos, no Peru, um miúdo estava em risco de não ser admitido à primeira comunhão, pois o pároco duvidava se ele saberia o suficiente. O bispo, que estava ali, interrogou o rapazito. E, na igreja, perto do sacrário, perguntou-lhe: -Olha lá, onde é que está Jesus?

O pequeno respondeu apontando para a cruz: -Ali parece que está mas não está. Mais abaixo parece que não está mas está.

O bispo disse ao pároco: -pode admiti-lo à primeira comunhão sem receio.

Que bela lição na sua simplicidade!

Temos de procurar a Jesus cada dia na Santa Missa, na comunhão e no sacrário das nossas igrejas.

Que A Virgem, que soube ouvir a Palavra de Deus, que acolheu em Si o Verbo de Deus, a Palavra viva e eterna do Pai, nos ensine a dá-Lo ao mundo que nos rodeia e que vive em tantos lugares ainda nas trevas do velho ou dum novo paganismo.

 

 

Oração Universal

 

Ao celebrar o nascimento de Jesus, os Seus anos, trouxemos-Lhe as nossas prendas.

Mas Ele quer dar-nos muito mais. Manda-nos pedir tudo o que precisamos para nós e para todos os homens. Oremos:

 

1-Pela Santa Igreja

    -enchei-a, Senhor, da Vossa graça, sobretudo na celebração da Eucaristia.

Ouvi-nos, Senhor

 

2-Pelo Santo Padre

    -confortai-o com a Vossa fortaleza e a Vossa Sabedoria no governo de todo o Povo de Deus.

 Ouvi-nos, Senhor

 

3-Pelos bispos, sacerdotes e diáconos

    -fazei deles mensageiros audazes e fiéis da Boa Nova e arautos da Eucaristia.

Ouvi-nos, Senhor

 

4-Por todo o povo cristão, por todos nós aqui reunidos

-fazei que saibamos encontrar-vos no Sacramento do Vosso amor.

Ouvi-nos, Senhor

 

5-Por todos os que sofrem a solidão, a pobreza, a doença, a marginalização

    -consolai-os, Senhor, neste Natal, com a luz do Vosso Amor e a caridade dos que os rodeiam.

Ouvi-nos, Senhor

 

6-Pelas crianças e jovens do mundo inteiro

    -que Vos conheçam e Vos procurem, decididos a seguir-Vos em toda a sua vida.

Ouvi-nos, Senhor

 

7-Pelas famílias de todo o mundo

-fazei delas oásis de paz, de amor, de fé, de união.

Ouvi-nos, Senhor

 

Senhor, que em Vosso Amado Filho nos enchestes de todos os bens, dai-nos o que não sabemos pedir.

Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Resplandece a luz divina – S. Marques, NRMS, 76

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a nossa oblação nesta santa noite de Natal e fazei que, pela admirável permuta destes dons, participemos na divindade do vosso Filho que a Vós uniu a nossa natureza humana, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Monição da Comunhão

 

O Verbo de Deus fez-se carne e veio habitar em nossa terra. Mais ainda, quis vir ao nosso coração, ser hóspede de cada um de nós. Vamos tu e eu acolhê-Lo bem!

 

Cântico da Comunhão: Vamos todos a Belém – Az. Oliveira, NRMS, 15

 

Jo 1, 14

Antífona da comunhão: O Verbo fez-Se carne e nós vimos a sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Hoje nasceu Jesus Cristo – J. F. Silva, NRMS, 44

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos dais a alegria de celebrar o nascimento do nosso Redentor, dai-nos também a graça de viver uma vida santa, a fim de podermos um dia participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A luz brilha nas trevas e as trevas não a dominaram" - dizia-nos o Evangelho. A luz de Cristo é mais forte que as trevas. Sejamos optimistas e levemos essa luz por toda a parte.

 

Cântico final: Cantava em nossas campinas – (Glória in exelsis Deo), CT

 

 

Celebração e Homilia:       Celestino Ferreira R. Correia

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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