Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa da Vigília

24 de Dezembro de 2021

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 24 de Dezembro, antes ou depois das Vésperas I do Natal.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Sabei que o nosso Deus – M. Simões, NRMS, 24 

 

cf. Ex 16, 6-7

Antífona de entrada: Hoje sabereis que o Senhor vem salvar-nos. Amanhã vereis a sua glória.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Irmãos, finalmente chegamos ao Natal. Na plenitude dos tempos vemos cumpridas as profecias. “Quando a noite ia a meio do seu curso”, em Belém de Judá, o Filho de Deus nasceu como uma simples criança. A Igreja celebra jubilosamente o nascimento de Jesus. Aquele que existe, eternamente, no seio do Pai, nasce, no tempo, da Virgem Maria. Na Missa da Vigília lemos o Evangelho da genealogia de Jesus Cristo, Filho de Deus, mas também Filho de Abraão, filho de David, filho de José, esposo de Maria: “Os profetas anunciaram que o Salvador havia de nascer da Virgem Maria.”

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que todos os anos nos alegrais com a esperança da salvação, concedei-nos a graça de vermos sem temor vir um dia como Juiz Aquele que em alegria recebemos como Redentor, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Serás a predilecta do Senhor.” Is 62, 1-5

Todas as promessas de felicidade e de salvação feitas por Deus ao seu povo ao longo dos séculos, encontraram finalmente a sua realização em Seu Filho, que Se fez homem e habitou entre nós.

 

Isaías 62,1-5

2Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. 2Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis da terra a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. 4Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta»; mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predilecta do Senhor e a tua terra terá um esposo. 5Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

 

Neste breve texto temos a mensagem centra da terceira parte de Isaías. É um belo canto à Jerusalém (Sião), que o Profeta anseia por ver renovada após a prova do exílio de Babilónia.

1 «A sua justiça», ao aparecer paralela a «a sua salvação» (1b) e a «a tua glória» (v. 2), vê-se que se trata duma justiça que visa mais a acção de Deus que salva e glorifica Jerusalém, do que o simples restabelecimento dos direitos espezinhados. Esta «justiça que desponta como a aurora» é o prenúncio e a figura da vinda de Jesus Cristo à terra, o «Sol da Justiça» (cf. Mal 3,20). A Vulgata (já não assim a Nova Vulgata) tinha personificado (na linha da Septuaginta) esta justiça e esta salvação, traduzindo por «justo» e «salvador» (iustus eius et salvator eius). Se o profeta, em primeira intenção, visa a restauração de Jerusalém após o exílio, a profecia tem o seu pleno cumprimento com a vinda do Messias.

4-5 «Abandonada»: Jerusalém, durante o exílio, é comparada a uma esposa abandonada. Este anúncio feliz tem um cumprimento imediato e imperfeito com o regresso do cativeiro de Babilónia, mas o seu pleno cumprimento dá-se na Igreja, a nova Jerusalém (cf. Apoc 21,2), a fiel «Esposa» de Cristo, «santa e imaculada» (Ef 5,27).

«O teu Construtor te desposará»: a Nova Vulgata, contra o que seria de esperar, manteve a tradução da Vulgata: «os teus filhos te desposarão», mas não assim as traduções modernas em geral (apesar da pontuação massorética); a confusão deve-se a que as mesmas consoantes hebraicas de bnyk, podem traduzir-se das duas maneiras, conforme as vogais adoptadas; a tradução grega dos LXX optou pela versão que fazia mais sentido, «o teu construtor», na linha tradicional de apresentar Deus como esposo do seu povo.

 

Salmo Responsorial     Sl 88 (89), 4-5.16-17. 27 e 29 (R. 2a)

 

Monição: “Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor!”

Este salmo tem como base as promessas de Deus feitas à casa de David e orientam o nosso pensamento para Jesus, o Salvador prometido. “Conservarei a tua descendência para sempre. Estabelecerei o teu trono por todas as gerações.”

Ao chegar a plenitude dos tempos, o Anjo Gabriel anunciou a Maria: “Conceberás e darás à luz um Filho ao qual porás o nome de Jesus. O Senhor Deus dar-lhe-á o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim.” Lucas 1, 31-33

Com o salmista cantemos um hino de louvor ao nosso Deus:

 

Refrão:        Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

 

Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

 

Feliz o povo que sabe aclamar-Vos

e caminha, Senhor, à luz do vosso rosto.

Todos os dias aclama o vosso nome

e se gloria com a vossa justiça.

 

Ele me invocará: ‘Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador’.

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: “Da descendência de David, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel.” Este é o testemunho de São Paulo acerca de Jesus Cristo, Filho de David. O Apóstolo, ao apresentar a sua fé, faz um apanhado da história da salvação e mostra como toda ela se encaminhava para Jesus. (Actos 13, 16-17.22-25)

 

Actos 13,16-17.22-25

Naqueles dias, 16Paulo chegou a Antioquia da Pisídia. Uma vez em que ele estava na sinagoga, levantou-se, fez sinal com a mão e disse: «Homens de Israel e vós que temeis a Deus, escutai: 17O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos pais e fez deles um grande povo, quando viviam como estrangeiros na terra do Egipto. 22Depois, com seu braço poderoso, tirou-os de lá. Por fim, suscitou-lhes David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. 23Da sua descendência, Deus fez nascer, segundo a sua promessa, um Salvador, Jesus. 24João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. 25Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’».

 

Temos aqui um pequeno extracto do primeiro discurso de Paulo em Actos: uma breve síntese da história da salvação, que culmina em Jesus Cristo. Foi seleccionada a parte do texto que põe em evidência que, de acordo com as promessas de Deus, «Jesus, é o Salvador de Israel», sendo «da descendência de David» (v. 23); o último elo da corrente profética que prepara a sua vinda é João.

16 Os «tementes a Deus» eram os gentios simpatizantes do judaísmo, que aderiam ao seu monoteísmo e esperança messiânica; embora não se sujeitassem às práticas da lei judaica, frequentavam a liturgia sinagogal.

22 «Encontrei David...» A citação profética não é literal, mas feita a partir do que se lê em 1Sam 13,14; 16,12-13; Salm 89(88),21.

25 «João dizia...» O testemunho do Baptista era de suma importância dada a sua fama de santidade, um testemunho posto em evidência por todos os evangelistas: Mt 3,11; Mc 1,7; Lc 3,16 e sobretudo por S. João (Jo 1,6-7.15.20-27).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O Evangelho apresenta-nos a genealogia de Jesus. Ao iniciarmos a solenidade do Natal, a liturgia demonstra que Jesus é o Messias prometido, anunciado e esperado pelo povo de Israel, ao longo dos séculos. A lista dos antepassados de Jesus revela a fidelidade de Deus às suas promessas. Jesus veio para salvar toda a humanidade, por isso não recusou ter entre os seus antepassados homens santos e pecadores.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – C. Silva, OC (pg 534)

 

Amanhã cessará a malícia na terra

e reinará sobre nós o Salvador do mundo.

 

 

Evangelho

 

Forma longa São Mateus 1,1-25. Forma breve: São Mateus 1,18-25

[1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão; 4Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naásson; Naásson gerou Sálmon; Sálmon gerou, de Raab, Booz; 5Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. 6David, da mulher de Urias, gerou Salomão; 7Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; 9Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, durante o desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor; 4Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob; 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 17Assim, todas estas gerações são: de Abraão a David, catorze gerações; de David ao desterro de Babilónia, catorze gerações; do desterro de Babilónia até Cristo, catorze gerações].

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». 24Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa. 25E não a tinha conhecido, quando Ela deu à luz um filho, a quem ele pôs o nome de Jesus.

 

1-17 S. Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de S. José (S. Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (=Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pelo marido, é a de José que é apresentada. Os elos são seleccionados para que apareçam três séries de 14 nomes, obedecendo a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17), sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais), que dão o número catorze ([D=4]+[V=6]+[D=4]=14). A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é logo anunciada na genealogia, que precede imediatamente a leitura de hoje, pois, para todos os seus elos, se diz «gerou», quando para o último elo não se diz que «gerou», mas: «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16, à letra «da qual foi gerado – entenda-se, por Deus – Jesus»).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (Lc 1,26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo» (v. 19), por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… (ou não teria tido alguma iluminação divina acerca da profecia de Isaías 7,14?…). Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julgava não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo» (v. 19), evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela a esclarecer o assunto? É que pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7,14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».

Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de S. João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. [...] Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

25 «E não a tinha conhecido...». S. Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexivo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz» (assim na nova tradução da CEP, em preparação), em vez de: «quando Ela deu à luz». De qualquer modo, esta afirmação não significa que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera, como é o caso de Jo 9,18.

 

Sugestões para a homilia

 

ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho ao mundo.” Gal 4, 4

Na Missa da manhã, deste dia 24 de Dezembro a Liturgia rezava assim na antífona de entrada: “Apressai-Vos, Senhor Jesus e não tardeis: dai conforto e esperança àqueles que acreditam no vosso amor.” Na primeira leitura Deus promete ao rei David um descendente que reinará eternamente sobre a casa de Jacob. Esta profecia aparece confirmada no Salmo que acabámos de ouvir: “Fiz um juramento a David meu servo: Conservarei a tua descendência para sempre.”

 

Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David 

Ainda conservamos a alegria do Ano 2021, dedicado à família, o Ano de São José, protector do Deus Menino e Sua mãe, protector da Santa Igreja. “Salve guardião do Redentor e esposo da Virgem Maria. A vós Deus confiou o seu Filho; em vós, Maria depositou a sua confiança; convosco Cristo fez-Se homem.” O Natal reaviva em nós esta alegria. Jesus quis ter uma família. Uma mãe cheia de ternura para o acolher. Um pai cheio de coragem para o proteger. São Mateus centra o relato do nascimento de Jesus na pessoa de “São José, filho de David”, para apresentar Jesus como o Messias, descendente do rei David, segundo a profecia de Natã. Como a linha genealógica passava pelo esposo, é a de São José que é apresentada. A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras, “eis que uma virgem conceberá e dará a luz um filho, chamado Emanuel” (Mat 1, 18-25), é já aludida na genealogia, pois para todos os seus elos se diz «gerou.» Mas quando chegamos ao último elo não se diz “José gerou”, mas “Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus.» 

 

Maria encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo

 Ao dizer «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai. O Espírito Santo é puro espírito.  Na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus é criador.

«Mas José, seu esposo…» Partindo do facto indiscutível da concepção virginal de Jesus, apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. Do texto parece depreender-se que a Virgem Maria nada tinha revelado a São José acerca do mistério que nela se passava. São José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações recebidas. Aquilo que deveria ser para ele uma grande alegria, tornou-se motivo de um grande sofrimento. São José era um homem justo e, conhecendo a santidade singular da sua esposa, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, também sentido por santa Isabel. Então pensou em deixá-la, para não se intrometer num mistério, em que julga não lhe competir ter parte alguma. “José resolveu deixá-la em segredo», evitando «difamá-la» ou simplesmente «tornar público» o mistério da sua maternidade. Podemos perguntar porque razão a Virgem Maria não contou a São José. Mas como é que ela podia explicar o Mistério da Encarnação? Como podia provar a São José a Anunciação do Anjo? A Virgem Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que São José iria passar por sua causa. Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da concepção de Jesus, poderia igualmente vir a revelá-lo a São José. De tudo isto fica para nós o exemplo: não admitir suspeitas temerárias, mas confiar sempre em Deus.

Não temas receber Maria, tua esposa. Deus revela-se aos humildes. São José deveria pressentir algo de divino e misterioso, por isso julga-se indigno e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. São Bernardo diz que São José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério.» Entretanto, Deus enviou um Anjo que não só elucidou São José, como também lhe indicou a missão a cumprir no mistério da Encarnação.

 Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade. O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

«Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías o verbo está no singular feminino, referido à virgem, que é a que põe o nome: «e ela chamará». São Mateus usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a São José. Assim é posta em evidência a missão de São José, como pai «legal» de Jesus. São Mateus, em face do papel providen­cial desempenhado por São José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Deste modo confirma as palavras do Anjo do Senhor «e tu, José, dar-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo de seus pecados».

Eis ainda mais este belo texto de São João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José:

«Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti. Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer.» (Celebração Litúrgica, nota exegética de P Geraldo Morujão)

A Igreja, ao celebrar o mistério do Natal, festeja a primeira vinda de Cristo, mas tem já presente a Sua vinda gloriosa no fim dos tempos: “Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, ensinando-nos a renunciar à impiedade e desejos mundanos para vivermos com temperança, justiça e piedade, aguardando a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.» (Tito 2,11-14)

 

Fala o Santo Padre

 

«Não obstante os “nãos” do homem, Deus diz para sempre «sim»: será para sempre Deus connosco. 

E, para que a sua presença não provoque medo, faz-Se um terno menino.»

Juntamente com Maria sua esposa, José subiu «à cidade de David, chamada Belém» (Lc 2, 4). Nesta noite, também nós subimos a Belém, para lá descobrir o mistério do Natal.

1. Belém: o nome significa casa do pão. Hoje, nesta «casa», o Senhor marca encontro com a humanidade. Sabe que precisamos de alimento para viver. Mas sabe também que os alimentos do mundo não saciam o coração. Na Sagrada Escritura, o pecado original da humanidade aparece associado precisamente com o ato de tomar alimento: «…agarrou do fruto, comeu» – diz o livro do Génesis (3, 6). Agarrou e comeu. O homem tornou-se ávido e voraz. Para muitos, o sentido da vida parece ser possuir, estar cheio de coisas. Uma ganância insaciável atravessa a história humana, chegando ao paradoxo de hoje em que alguns se banqueteiam lautamente enquanto muitos não têm pão para viver.

Belém é o ponto de viragem no curso da história. Lá Deus, na casa do pão, nasce numa manjedoura; como se quisesse dizer-nos: Estou aqui ao vosso dispor, como vosso alimento. Não agarra, oferece de comer; não dá uma coisa, mas dá-Se a Si mesmo. Em Belém, descobrimos que Deus não é alguém que agarra a vida, mas Aquele que dá a vida. Ao homem, habituado desde os primórdios a agarrar e comer, Jesus começa a dizer: «Tomai, comei. Este é o meu corpo» (Mt 26, 26). O corpo pequenino do Menino de Belém lança um novo modelo de vida: não devorar e acumular, mas partilhar e dar. Deus faz-Se pequeno, para ser nosso alimento. Nutrindo-nos d’Ele, Pão de vida, podemos renascer no amor e romper a espiral da avidez e da ganância. A partir da «casa do pão», Jesus traz o homem de regresso a casa, para que se torne familiar do seu Deus e irmão do seu próximo. Diante da manjedoura, compreendemos que não são os bens que alimentam a vida, mas o amor; não a voracidade, mas a caridade; não a abundância ostentada, mas a simplicidade que devemos preservar.

O Senhor sabe que precisamos de nos alimentar todos os dias. Por isso, ofereceu-nos todos os dias da sua vida, desde a manjedoura de Belém até ao cenáculo de Jerusalém. E ainda hoje, no altar, faz-Se pão partido para nós: bate à porta, para entrar e cear connosco (cf. Ap 3, 20). No Natal, recebemos Jesus, Pão do céu na terra: trata-se de um alimento cuja validade é ilimitada, fazendo-nos saborear já agora a vida eterna.

Em Belém, descobrimos que a vida de Deus corre nas veias da humanidade. Se a acolhermos, a história muda a partir de cada um de nós; com efeito, quando Jesus muda o coração, o centro da vida já não é o meu «eu» faminto e egoísta, mas Ele, que nasce e vive por amor. Nesta noite, chamados a ir até Belém, casa do pão, interroguemo-nos: Qual é o alimento de que não posso prescindir na minha vida? É o Senhor ou outra coisa qualquer? Depois, entrando na gruta, ao vislumbrar na terna pobreza do Menino uma nova fragrância de vida, a da simplicidade, perguntemo-nos: Será verdade que preciso de tantas coisas, de receitas complicadas para viver? Quais são os contornos supérfluos de que consigo prescindir para abraçar uma vida mais simples? Em Belém, ao pé de Jesus, vemos pessoas que caminharam, como Maria, José e os pastores. Jesus é o Pão do caminho. Não Se compraz com as digestões lentas, longas e sedentárias, mas pede que nos levantemos rapidamente da mesa a fim de servir como pães partidos para os outros. Perguntemo-nos: No Natal, reparto o meu pão com aqueles que estão sem ele?

2. Depois de Belém, casa do pão, reflitamos sobre Belém, cidade de David. Lá David, na sua adolescência, era pastor e, como tal, foi escolhido por Deus, para ser pastor e guia do seu povo. No Natal, na cidade de David, são precisamente os pastores que acolhem Jesus. Naquela noite, quando «a glória do Senhor refulgiu em volta deles – diz o Evangelho –, tiveram muito medo» (Lc 2, 9), mas o anjo disse-lhes: «Não temais» (2, 10). Reaparece muitas vezes no Evangelho esta frase «não temais»: parece o refrão de Deus à procura do homem. Porque o homem desde o princípio, por causa do pecado, tem medo de Deus: «…cheio de medo, escondi-me» (Gn 3, 10) – diz Adão, depois do pecado. Belém é o remédio para o medo, porque lá, não obstante os «nãos» do homem, Deus diz para sempre «sim»: será para sempre Deus connosco. E, para que a sua presença não provoque medo, faz-Se um terno menino. A frase «não temais» não é dirigida a santos, mas a pastores, pessoas simples que então não primavam por garbo nem devoção. O Filho de David nasceu no meio dos pastores, para nos dizer que doravante ninguém estará sozinho; temos um Pastor que vence os nossos medos e nos ama a todos, sem exceção.

Os pastores de Belém mostram-nos também como ir ao encontro do Senhor. Velam durante a noite: não dormem, mas fazem aquilo que Jesus nos pedirá várias vezes: vigiar (cf. Mt 25, 13; Mc 13, 35; Lc 21, 36). Permanecem vigilantes; aguardam, acordados, na escuridão; e a glória de Deus «refulgiu em volta deles» (Lc 2, 9). O mesmo vale para nós. A nossa vida pode ser uma expetação, em que a pessoa, mesmo nas noites dos problemas, se confia ao Senhor e O deseja; então receberá a sua luz. Ou então uma pretensão, na qual contam apenas as próprias forças e meios; mas, neste caso, o coração permanece fechado à luz de Deus. O Senhor gosta de ser aguardado e não é possível aguardá-Lo no sofá, dormindo. De facto, os pastores movem-se: «foram apressadamente» – diz o texto (2, 16). Não ficam parados como quem sente ter chegado a casa e não precisa de nada; mas partem, deixam o rebanho indefeso, arriscam por Deus. E depois de terem visto Jesus, embora sem grande habilidade para falar, vão anunciá-Lo, de modo que «todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores»"(2, 18).

Esperar acordado, ir, arriscar, contar a beleza são gestos de amor. O bom Pastor, que vem no Natal para dar a vida às ovelhas, na Páscoa dirigirá a Pedro, e através dele a todos nós, a pergunta determinante: «Tu Me amas?» (Jo 21, 15). Da resposta, dependerá o futuro do rebanho. Nesta noite, somos chamados a responder, dizendo-Lhe também nós: «Sou deveras teu amigo». A resposta de cada um é essencial para todo o rebanho.

«Vamos a Belém…» (Lc 2, 15): assim disseram e fizeram os pastores. Também nós, Senhor, queremos vir a Belém. O caminho, ainda hoje, é difícil: é preciso superar os cumes do egoísmo, evitar escorregar nos precipícios da mundanidade e do consumismo. Quero chegar a Belém, Senhor, porque é lá que me esperas. E dar-me conta de que Tu, colocado numa manjedoura, és o pão da minha vida. Preciso da terna fragrância do teu amor, a fim de tornar-me, por minha vez, pão repartido para o mundo. Toma-me sobre os teus ombros, bom Pastor: amado por Ti, conseguirei também eu amar tomando pela mão os irmãos. Então será Natal, quando Te puder dizer: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que eu sou deveras teu amigo!» (Jo 21, 17).

 Papa Francisco, Homilia, Basílica Vaticana, 24 de dezembro de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs em Cristo:

O Evangelho da genealogia de Jesus lembrou-nos as gerações

 que esperaram o Salvador.

Como elas, também nós oramos a Deus, pedindo:

 

R. Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

 1. Pelos pastores e fiéis da santa Igreja,

pelos Judeus que ainda esperam o Messias

e pelos homens a quem falta a luz da fé, oremos.

 

 2. Pelas nações que vivem em paz e a promovem,

pelas que sofrem com a guerra e com a fome

e por aquelas que as procuram ajudar, oremos.

 

3. Pelos casais que se amam e respeitam,

pelas famílias novas sem crianças

e por aquelas onde o amor desapareceu, oremos.

 

4. Pelos pais que perderam os seus filhos,

pelos filhos que não conhecem os seus pais

e pelos que neste Natal não têm lar, oremos.

 

5. Pelas famílias da nossa comunidade (paroquial),

por nós todos que aqui nos reunimos

 e por aqueles que o Senhor chamou para Si, oremos.

 

Escutai, Senhor, as nossas preces

e concedei a saúde da alma e do corpo

 aos que amanhã vão ver a glória do vosso Filho, que nos vem salvar.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Santa Maris Senhora da Luz – M. Simões, NRMS, 14

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, ao vosso povo a graça de celebrar com renovado fervor a vigília da grande solenidade, na qual nos revelais o princípio da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria: Reunidos na vossa presença.

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

“O Verbo fez-Se carne,” a carne fez-se Pão.

peçamos à Virgem Maria

 que nos ajude a receber Jesus,

com os mesmos sentimentos de amor e de fé com que ela o recebia.

 

Cântico da Comunhão: Anjos do Céu a cantarM. Faria, 20 cânticos para a Missa

cf. Is 40, 5

Antífona da comunhão: Brilhará a glória do Senhor e toda a terra verá a salvação de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Feliz és Tu porque acreditaste – C. Silva, OC

 

Oração depois da comunhão: Fortalecei, Senhor, os vossos fiéis na celebração do nascimento do vosso Filho Unigénito, que neste divino sacramento Se fez nossa comida e nossa bebida, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Manifestou-se a bondade de Deus nosso salvador e o seu amor pelos homens, para que justificados pela sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna.”[1]

Santa Teresa do Menino Jesus festejava todos os anos, com a maior piedade, o dia 25 de Março, porque, dizia ela: “É o dia em que Jesus, no seio de Maria, foi mais pequenino.” Amava de modo muito particular o mistério do presépio. Foi aí que o Menino Jesus lhe revelou os segredos sobre a simplicidade e o abandono. Sentia-se atraída pelo aniquilamento de Nosso Senhor, que se fez pequenino por nosso amor. Escrevia com prazer, nos santinhos de Natal que pintava, este texto de São Bernardo: “Jesus, quem vos fez tão pequenino? - O Amor!” 

Como Santa Teresinha podemos rezar: “Ó Menino Jesus, meu único tesouro, não quero outra alegria senão a de te fazer sorrir. Imprime em mim a tua graça, para que os Anjos e os santos reconheçam que eu sou (nome) do Menino Jesus.” [2]

 

Cântico final: Por vós esperamos - M. Faria, 20 cânticos para a Missa

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       José Roque

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 



[1] Tito 3,4-7

[2] Santa Teresa do Menino Jesus, Conselhos e Lembranças, Edições Paulistas, p. 44


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