4º Domingo do Advento

19 de Dezembro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Desce o orvalho sobre a terra – M. Simões, NRMS, 64

 

Is 45, 8

Antífona de entrada: Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ultimam-se os preparativos para a festa do Natal em família e fazem-se exames à memória, para que nada de importante esqueça.

Procuremos que da lista das nossas preocupações faça parte uma boa confissão, a preparar um verdadeiro Natal do Senhor.

Celebrá-lo com ruído exterior, mas deixando de lado a vida em graça, a nossa relação com Deus, é como vestir um fato novo com o corpo sujo, porque não se tomou banho.

Por isso, aqui estamos, para um último esforço em ordem a preparar bem este Natal que se aproxima.

 

Acto penitencial

 

Peçamos ao Senhor perdão de todos os pecados e faltas de generosidade, especialmente dos cometidos desde há um ano para cá. E, confiados no Senhor, prometamos emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A)

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Miqueias, alguns séculos antes do Nascimento de Jesus, anuncia que ele vai nascer em Belém.

Peçamos ao Senhor que o coração de cada um de nós seja uma nova cidade de Belém onde Jesus queira nascer.

 

Miqueias 5,1-4a

1Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança; após a ruína virá a restauração, que se fará por meio dum descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…». Tanto a tradição judaica (cf. Rut 4,11; 1Sam 16,1-13; 17,12; e o Talmud: Pesahim 51,1; Nedarim 39,2) como a cristã (cf. Mt 2,4-6; Jo 7,40-42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a de outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…». S. Mateus (Mt 2,4-6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre esta profecia de Miqueias. Para isso recorre ao deraxe: um recurso de actualização próprio da hermenêutica judaica (aqui o chamado al-tiqrey: «não leias»), que tem em conta que em hebraico não se escreviam as vogais: assim, a palavra hebraica com que se diz «as cidades de» (alfey) é lida com outras vogais de modo a significar «as principais (príncipes) de» (al-lufey). Como bem observa Alejandro Díez-Maco, assim Mateus pode dizer, não falseando o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá».

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9,5.

2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar numa alusão à célebre profecia de Isaías 7,14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2,14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Salmo Responsorial     Sl 79 (80), 2ac.3b.15-16.18-19 (R.4)

 

Monição: O Espírito Santo coloca em nossos lábios uma prece ardente, pedindo ao Senhor que venha ao mundo quanto antes e não nos faça esperar mais.

Procuremos cantá-lo com profunda sinceridade, desejando de todo o coração que o Senhor transforme as nossas vidas neste Natal.

 

Refrão:        Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,

                     mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

 

Ou:               Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto

                     e seremos salvos.

 

Pastor de Israel, escutai,

Vós estais sobre os Querubins, aparecei.

Despertai o vosso poder

e vinde em nosso auxílio.

 

Deus dos Exércitos, vinde de novo,

olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;

protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,

o rebento que fortalecestes para Vós.

 

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,

sobre o filho do homem que para Vós criastes.

Nunca mais nos apartaremos de Vós,

fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Autor da Carta aos Hebreus coloca nos lábios de Cristo, ainda no seio materno palavras de inteira disponibilidade à vontade do Pai: Então Eu disse: «Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’».  

Que bela oração para repetirmos quando nos custa mais fazer a vontade do Pai que está nos Céus!

 

Hebreus 10,5-10

Irmãos: 5Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifício nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». 8Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor inspirado aplica a Cristo, «ao entrar no mundo» (bela maneira de designar a sua Incarnação), o Salmo 40 (39), que, literalmente, não é considerado um salmo messiânico, mas em que ele descobre um sentido oculto (que se pode chamar um sentido típico ou plenário, e não mera acomodação) que, ao fim e ao cabo, exprime não só a atitude interior de Cristo, mas também o alcance redentor da sua vinda ao mundo. Com efeito, Cristo sabe que aquilo que é exterior ao homem (como era o caso do sangue dos animais oferecidos no culto levítico) tem uma ineficácia radical para agradar a Deus e salvar do pecado a Humanidade (cf. v. 11). Por isso Ele intervém, de modo definitivo, oferecendo-Se a si mesmo em sacrifício, numa homenagem de obediência livre e plena, «de uma vez para sempre» (v. 10) – «eis-me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade» (v. 9). Foi assim que «aboliu o culto antigo» (centrado na oferta de animais a Deus), «para estabelecer o segundo» e novo culto sempre vivo a actuante na Liturgia da Igreja, que na Eucaristia torna presente o único sacrifício de Cristo.

5 «Formaste-me um corpo»: Como habitualmente em Hebreus, a citação do Salmo também é feita segundo a versão grega dos LXX, que, embora substancialmente idêntica ao original hebraico («abriste-me me os meus ouvidos»), é muito mais expressiva para designar o mistério da Incarnação.

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 1, 38

 

Monição: Aprendamos com Maria como havemos de responder quando O Senhor nos pede alguma coisa.

Aclamemos o Evangelho da Salvação, manifestando a nossa disponibilidade para fazermos sempre a vontade de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Eis a escrava do Senhor:

faça-se em mim segundo a vossa palavra.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1,39-45

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

 

Os exegetas descobrem neste relato uma série de ressonâncias vétero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1,43 com 2Sam 6,9 e Lc 1,56 com 2Sam 6,11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1,42 com Jdt 13,18-19) e qual nova Ester (Lc 1,52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma bela povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de viagem de Nazaré (uns 150 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses» Se Lucas diz que «regressou a sua casa» antes de relatar o nascimento de João, isso deve-se a uma técnica de composição literária chamada «de eliminação» (arrumar um assunto de vez antes de passar a outro, independentemente da sucessão real dos factos), do gosto de São Lucas (ver tb. Lc 1,80 e 2,7; 3,20 e 21; 22,15-18 e 22,19-20, sem a interrupção que aparece nos outros Sinópticos: vv. 21-23).

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel aparecem como proféticas, fruto duma luz sobrenatural que faz ver que o mexer-se do menino no ventre (v. 41) não era casual, mas que «exultou de alegria» para saudar o Messias e sua Mãe. É natural que esta reflexão de fé já circulasse nas fontes familiares dos Evangelhos da Infância.

 

Sugestões para a homilia

 

• Esperamos a chegada de Jesus

• Maria ensina-nos a acolhê-l’O

 

1. Esperamos a chegada de Jesus

 

Ao longo dos séculos, o Senhor foi dando sinais ao Seu Povo, pelos Patriarcas e Profetas, para que pudessem reconhecer o Messias, quando Ele chegasse à terra. O último dos sinais, antes do Natal é o de que nascerá em Belém, filho de Maria sempre Virgem.

Nascido em Belém. Como David, Jesus nascerá em Belém. Foi ali que veio profeta Samuel em segredo, para o ungir rei de Israel, em substituição de Saúl que tinha caído em desgraça.

A lembrança deste rei era muito grata para Israel. Lembrava um reinado de vitórias, de glória, de justiça e de paz. Conquistou a cidade santa de Jerusalém e fez dela a capital do reino e deixou tudo preparado, antes de morrer, para que ali fosse construído um Templo magnífico.

Estava anunciado que Jesus seria descendente de David mas, ao nascer em Belém, a ligação de Jesus com David tornava-se mais clara. «De ti, Belém-Efratá,

pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos

Filho de uma Virgem. Em Isaías 7, 14, anunciava-se que o Messias seria filho de uma Virgem, antes do parto, no parto e depois do parto. De algum modo, esta profecia volta agora, de algum modo, a ser recordada.

Maria, anúncio da reconciliação com Deus. Mais uma vez a presença de Maria aparece como um retomar da normalidade de relações entre Deus e o Seu Povo, anunciando a reconciliação. «Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe».

De facto, Nossa Senhora aparece aqui como um sinal da bênção, de reconciliação, de recomeço do idílio de Amor de Deus para o Seu Povo.

Também para cada um de nós, o aproximarmo-nos de Maria, por uma devoção mais intensa, significa invariavelmente um passo decisivo para nos reconciliarmos com Deus ou nos aproximarmos mais d’Ele.

Nosso Bom Pastor. Jesus vem para nos ajudar, nos conduzir e defender, como o bom Pastor às ovelhas.

Por isso, podemos confiar inteiramente nele, confiar-Lhe as nossas dificuldades e pedir a Sua ajuda. Para que nos aproximemos d’Ele com maior confiança, tornou-se nosso irmão.

«Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus

Com Jesus Cristo, a segurança. Estamos dominados por uma vida insegura. Não podemos garantir mais um segundo da nossa existência e vemo-nos cercados de ameaças por todos os lados.

Com jesus virá a nossa segurança, pois sabemos que nada nos pode acontecer sem que Ele o consinta. E quando isto acontece, é porque se nos oferece uma possibilidade de tirarmos daí um grande proveito.

A razão disto é que Ele vem restituir-nos a filiação divina roubada pelo pecado e Deus é para cada um de nós o melhor dos pais. «Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».

Deus está connosco para nos ajudar, porque nos ama. Não nos podemos deixar levar pelas aparências. Na Cruz, parece que a derrota é total e irreversível. Os Seus inimigos conseguiram a vingança completa. E, no entanto, sabemos que não foi assim, porque depois da morte houve o triunfo da Ressurreição gloriosa e hoje beijamos com amor e reverência o crucifixo.

 

2. Maria ensina-nos a acolhê-l’O

 

Maria ensina-nos como havemos de preparar a vida de Jesus Cristo, presente em cada um dos nossos irmãos.

Soube pela Arcanjo S. Gabriel que Isabel ia ser mãe, depois de passado o tempo útil, segundo as previsões humanas. Viu neste anúncio não só o sinal de que a Aparição que tivera vinha de Deus, mas que Ele A chamava para uma missão em Aim Karim.

Com urgência, no serviço aos irmãos. Nenhuma palavra está por acaso na Sagrada Escritura, como acontece tantas vezes no que escrevemos. O Espírito Santo faz que tudo ali tenha peso e medida. O Evangelho diz que «Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá.»

Saudou Isabel carinhosamente e felicitou-a pelo dom que o Senhor lhe concedera. A caridade para com os irmãos chama-se amizade, carinho e comunhão nas alegrias e tristezas. Maria viveu estas virtudes humanas para com Isabel e seu marido, S. Zacarias.

Deus fez dar fruto este gesto humano e divino de Nossa Senhora. «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo».

Revelou-se o mistério. Até ao encontro com Isabel, o mistério da maternidade divina de Maria estava escondido no seu Coração Imaculado.

Foi o Espírito Santo quem o revelou a Isabel e ela deu-o a conhecer aos que estavam presentes. «exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor

S. José e S. Zacarias podem ter sido as únicas testemunhas desta maravilhosa revelação.

Naquele encontro memorável, Isabel proclama Maria como Mãe de Deus, a Mãe do meu Senhor.

Levamos Deus connosco. Maria levava consigo Jesus no seu seio virginal e até Àquele momento vivera-o na intimidade. A partir de agora, vai ser diferente.

Maria não desmente a maravilha que Isabel acaba de revelar, mas irrompe num hino de ação de graças ao Senhor.

Precisamente porque Ele traz Jesus consigo, operam-se aqui maravilhas: Isabel ficou cheia do Espírito Santo e o menino – João Batista – fica livre do pecado original e recebe a graça santificante, ainda no seio materno.

Maria, Mestra da fé. Isabel proclama Maria Mestra da fé. «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

Precisamos de aprender com Ela, nesta preparação última do natal, a trazer a fé para a vida de cada dia, abraçando todas as suas exigências, e não nos limitando a umas aparências de fé.

A fé leva Maria a aceitar a maternidade divina, a visitar Isabel e a entregar-se ao serviço daquela casa como a mais humilde empregada doméstica.

Que influência tem a fé na nossa vida de família, no nosso trabalho e na convivência social? Ela não pode ser como um impermeável ou guarda chuva que deixamos à entrada para o trabalho ou para casa.

Uma graça que havemos de pedir a Nossa Senhora, neste final do Advento, é que a fé que recebemos no Batismo e que a igreja alimenta com a Palavra de Deus, influencie toda a nossa vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«Teria podido ficar em casa para preparar o nascimento do seu filho,

mas ao contrário, preocupa-se primeiro pelos outros e não por si,

demonstrando com os factos que já é discípula daquele Senhor que leva no seio.»

A liturgia deste quarto domingo de Advento põe em primeiro plano a figura de Maria, a Virgem Mãe, na expectativa de dar à luz Jesus, o salvador do mundo. Fixemos o olhar sobre ela, modelo de  e de caridade; e podemos perguntar-nos: quais eram os seus pensamentos nos meses da expectativa? A resposta provém precisamente do trecho evangélico de hoje, a narração da visita de Maria à sua idosa prima Isabel (cf. Lc 1, 39-45). O anjo Gabriel tinha revelado que Isabel esperava um filho e já estava no sexto mês (cf. Lc 1, 26.36). E então a Virgem, que acabara de conceber Jesus por obra de Deus, partiu à pressa de Nazaré, na Galileia, para chegar aos montes da Judeia, e se encontrar com a sua prima.

Diz o Evangelho: «Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel» (v. 40). Certamente congratulou-se com ela pela sua maternidade, assim como por sua vez Isabel se congratulou com Maria dizendo: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (vv. 42-43). E imediatamente louva a sua : «Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor» (v. 45). É evidente o contraste entre Maria, que teve fé, e Zacarias, o marido de Isabel, o qual duvidara, e não acreditara na promessa do anjo e por isso permanece mudo até ao nascimento de João. É um contraste.

Este episódio ajuda-nos a ler com uma luz muito particular o mistério do encontro do homem com Deus. Um encontro que não acontece com prodígios espetaculares, mas antes no sinal da  e da caridade. Com efeito, Maria é bem-aventurada porque acreditou: o encontro com Deus é fruto da fé. Ao contrário, Zacarias, o qual duvidou e não acreditou, permaneceu surdo e mudo. Para crescer na fé durante o longo silêncio: sem fé permanece-se inevitavelmente surdos à voz confortadora de Deus; e também incapazes de pronunciar palavras de consolação e de esperança para os nossos irmãos. E nós vemos isto todos os dias: as pessoas que não têm fé ou que têm uma fé muito tíbia, quando devem aproximar-se de uma pessoa que sofre, dirigem-lhe palavras de circunstância, mas não consegue chegar ao coração porque não têm força. Não têm força porque não têm fé, e se não têm fé não lhes saem as palavras que chegam ao coração dos outros. A fé, por sua vez, alimenta-se na caridade. O evangelista narra que «Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa» (v. 39) para a casa de Isabel: à pressa, não com ansiedade, não ansiosa, mas à pressa, em paz. “Pôs-se a caminho”: um gesto cheio de solicitude. Teria podido ficar em casa para preparar o nascimento do seu filho, mas ao contrário, preocupa-se primeiro pelos outros e não por si, demonstrando com os factos que já é discípula daquele Senhor que leva no seio. O evento do nascimento de Jesus começou assim, com um simples gesto de caridade: de resto, a caridade autêntica é sempre fruto do amor de Deus.

O Evangelho da visita de Maria a Isabel, que ouvimos hoje na Missa, prepara-nos para viver bem o Natal, comunicando-nos o dinamismo da fé e da caridade. Este dinamismo é obra do Espírito Santo: o Espírito de Amor que fecundou o seio virginal de Maria e que a levou a apressar-se ao serviço da prima idosa. Um dinamismo cheio de júbilo, como se vê no encontro entre as duas mães, que é um hino de alegre exultação no Senhor, o qual realiza grandes coisas com os pequeninos que confiam n’Ele.

A Virgem Maria nos obtenha a graça de viver um Natal extrovertido, mas não dispersivo. Extrovertido: que no centro não esteja o nosso “eu”, mas o Tu de Jesus e o tu dos irmãos, sobretudo daqueles que têm necessidade de uma ajuda. Então daremos espaço ao Amor que, também hoje, se quer fazer carne e vir habitar entre nós.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 23 de dezembro de 2018

 

Oração Universal

 

Caríssimos fiéis:

Elevemos a nossa oração a Jesus Cristo,

que nos veio trazer a sua Paz e a Salvação,

e roguemos pela Igreja e pelos homens.

Oremos (cantando), com toda a confiança:

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

1. Pelo Santo Padre e pelos Bispos da Igreja do mundo inteiro,

    para que, meditando na atitude de Maria, acolhamos Jesus,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

2. Pelos povos que há muito estão em guerra, ou são oprimidos,

    para que as tréguas do Natal façam nascer as condições da paz,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

3. Pelos doentes, pelos pobres e pelos isolados e sem família,

    para que, nas festas do Natal, encontrem compreensão e paz,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

4. Pelos que se encontram longe de seus lares e das famílias,

para que voltem com saúde, amor e alegria às suas casas,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

5. Por todos nós e pelas mães que mais trabalham nestes dias,

    para que sirvamos o Senhor com alegria e vivamos em paz,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

6. Pelos que partiram, chamados pelo Senhor à vida eterna,

    para que o Pai do Céu os acolha quanto antes na Sua Casa,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

Senhor Jesus Cristo,

que viestes ao mundo para fazer a vontade do Pai,

enchei-nos do vosso Espírito de amor e obediência,

para que, como Isabel e como a Virgem Maria,

Vos sirvamos naqueles que mais precisam.

Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois da Palavra de Deus que nos foi ministrada na Mesa da Palavra, Jesus prepara agora, pelo ministério do sacerdote, o pão e o vinho que vai transubstanciar no Seu Corpo e Sangue, para nosso Alimento.

Agradeçamos de todo o coração ao Senhor esta Luz e Força que nos ajudará a caminhar até ao Céu.

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor anunciou a Maria – M. Simões, NRMS, 31

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento II: p. 455 [588-700]

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

Deus coloca a paz à nossa disposição, desde que aceitemos que Ele venha reinar plenamente na nossa vida?

Estamos dispostos a aceitar todas as suas amorosas exigências, tomando a sério a nossa vocação cristã?

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Sem o sim generoso de Maria, na manhã da Anunciação, nunca poderíamos comungar o Corpo e Sangue do Senhor.

Agradeçamos-lhe tão precioso dom e peçamos-lhe ajuda para fazermos uma comunhão que agrade ao Senhor.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor virá com poder – S. Marques, NRMS, 39

cf. Is 7, 14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um filho. O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

 

Cântico de acção de graças: Magnificat – Terreiro Nascimento - CT

 

Oração depois da comunhão: Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o mistério do Natal do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Nestes últimos momentos de preparação para o Natal não nos esqueçamos daqueles que não têm Natal, porque não querem ou não podem.

 

Cântico final: Vinde depressa Senhor – B. Salgado, GAP

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 20-XII. Com Nossa Senhora no Advento (I)

Is 7, 10-14 / Lc 1, 26-38

Há-de a Virgem conceber e dar à luz um filho, a quem porá o nome de Emanuel.

Esta profecia, já anunciada no Proto-Evangelho, vai realizar-se na Virgem Maria (EV). E Isaías profetiza o acontecimento, prestes a realizar-se, à espera do sim de Nossa Senhora. Com a Anunciação, começa o Advento de Nossa Senhora. Na sua companhia queremos viver o que nos resta do tempo do Advento.

Podemos imitar a sua disponibilidade para as obras de Deus: Eis a serva do Senhor; a sua obediência na fé: faça-se em mim segundo a vossa palavra; o seu sim, que contribuiu para a salvação da humanidade. O Senhor vai entrar (SR).

 

Terça-Feira, 21-XII: Advento com Nossa Senhora. (II)

Cant 2, 8-14 / Lc 1, 39-45

Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

O Emanuel já está no meio de nós (LT). Nossa Senhora cheia de alegria, dirige-se a casa de Santa Isabel, que a recebe com grandes louvores: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre (EV). Alegrai-vos no Senhor (SR).

Procuremos louvar a nossa Mãe, saboreando bem as palavras de cada Avé-Maria, ao rezarmos o Anjo do Senhor e a reza do Terço. Imitemos o seu exemplo de espírito de serviço e de entrega aos outros, como Ela viveu, procurando criar à nossa volta um ambiente de alegria e de paz.

 

Quarta-Feira, 22-XII: Advento com Nossa Senhora (III)

1 Sam 1, 24-28 / Lc 1, 46-56

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador

Ana leva o seu filho Samuel para o dedicar ao serviço do Senhor no Templo e o seu coração exulta de alegria (LT e SR). Nossa Senhora, transportando o Filho de Deus no seu ventre, eleva a Deus um cântico de louvor, o Magnificat (EV).

Nele diz que «a sua misericórdia se estende de geração em geração». Tais palavras, já desde o momento da Encarnação, abrem nova perspectiva na História da salvação. Maria, portanto, é a que conhece mais profundamente o mistério da misericórdia divina (S. João Paulo II). Aproveitemos esta lição ao aproximar-se o Natal.

 

Quinta-Feira, 23-XII: O nascimento de João Baptista (I).

Mal 3, 1-4, 23-24 / Lc 1, 57-66

Vou enviar o meu mensageiro, para desimpedir o caminho diante de ti..

A profecia de Malaquias diz respeito às missões de Elias e João Baptista (LT). As missões de ambos estão intimamente unidas: João termina o ciclo dos profetas, inaugurado por Elias. E João precede Jesus. Está perto a vossa salvação (SR). Mas João é o Precursor imediato do Senhor, enviado para lhe preparar o caminho. Preparemo-nos para receber o Senhor na Eucaristia, limpemos as nossas almas pelo sacramento da Penitência. E ajudemos os nossos amigos e conhecidos a prepararem-se, pensando igualmente nas prendas que cada um pode oferecer a Jesus recém-nascido.

 

Sexta-Feira, 24-XII: Nascimento de João Baptista (II).

2 Sam 7, 1-5. 8-12 / Lc 1, 67-79

Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo, e nos fez surgir poderosa salvação na família do seu servo David.

O profeta Natã comunica a David que a sua casa e a sua realeza permanecerão para sempre (LT). Zacarias, ao recordar o juramento feito por Deus a Abraão, afirma que haverá salvação na família de David (EV). Conservarei a tua linhagem para sempre (SR).

O homem desfigurado pelo pecado, fica privado da graça de Deus. Mas Deus promete uma descendência, que restaurará a santidade e a justiça. A missão de João é dar a conhecer ao povo a salvação, pela remissão dos pecados. E que Deus virá iluminar os que andam nas trevas e nas sombras da morte, e guiar os passos no caminho da paz (EV).

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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