3º Domingo do Advento

12 de Dezembro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Levanta-te Jerusalém – J. F. Silva, NRMS, 39

 

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Advento, tempo de preparação para o Natal, além de ser tempo de esperança, porque esperamos o Nascimento de Jesus, é também tempo de alegria cristã. Por isso, a Igreja, através da sua liturgia, exorta-nos a estar sempre alegres. Alegres porque Deus se aproximou dos homens. Alegres porque Deus nos ama e perdoa. Alegres porque Jesus, o Salvador, nos inspira confiança e paz. Alegres porque podemos experimentar nas nossas vidas a força da fé em Jesus.

Que esta condição de pessoas salvas nos ajude a iluminar aqueles que continuam sem encontrar motivos de esperança.

 

(Nota: se houver rito de acender as velas da Coroa do Advento, poderá, neste momento, acender-se a terceira vela)

 

 

Ato Penitencial

Peçamos perdão por tudo o que nos impede de viver alegres no Senhor.

 

Senhor, Deus Pai, que nos chamais a partilhar a alegria numa comunhão de amor.

Senhor, tende piedade de nós! 

 

Senhor, Deus Filho, que sois o Enviado do Pai, para ser o mensageiro da paz e da alegria, junto dos homens.

Cristo, tende piedade de nós!

 

Senhor, Deus Espírito Santo, que sois a luz dos humildes de coração e a consolação dos aflitos.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

A vinda de Jesus como Messias significou muito para a história da humanidade e foi motivo especial de alegria. É o que põem em destaque as leituras.

 

Primeira Leitura

 

Monição: É um convite à alegria, dirigido pelo profeta a Jerusalém e que está fundamentado nesta certeza consoladora: Deus, o Rei de Israel e Salvador, está presente no meio do seu Povo, apesar das desordens e pecados passados. Esta presença amorosa de Deus traz consigo o perdão, afasta o medo e o desalento e dá origem a uma renovação maravilhosa.

 

Sofonias 3,14-18a

 

14Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. 15O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. 16Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. 17O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, 18acomo nos dias de festa».

 

Magnífico hino de júbilo a Sião, um cântico de esperança de salvação dirigido ao «resto» (cf. v. 13) que pela sua fidelidade sobreviverá às tremendas calamidades que o profeta anuncia. Uma leitura cristã (lectio divina) do belíssimo texto enquadra-se às mil maravilhas nesta quadra litúrgica; por um lado, condiz com o tom de alegria deste Domingo, por outro, faz pensar nas palavras de Gabriel à Virgem Maria (cf. Lc  1,28.30.48); daí que condiz bem com este texto a tradução da saudação angélica «avé!» por «alegra-te!».

«Filha de Sião», «Filha de Jerusalém», forma poética de se dirigir aos habitantes da cidade, e mesmo a todos os israelitas (como aqui sucede). A Igreja é o novo «Israel de Deus», «o monte Sião» (cf. Gal 4,26; 6,16; Hbr 12,22; Apoc 14,1; 21).

«Sião» (etimologicamente lugar seco) era a cidadela da capital, Jerusalém. Inicialmente designava a fortaleza conquistada por David aos jebuseus, a colina oriental de Jerusalém (Ofel), que começou a ser chamada «cidade de David», para onde este transladou a arca da aliança. Quando Salomão construiu o Templo, a Norte de Sião, e para lá levou a arca, também se começou a dar a esse lugar o nome de Sião. Depois veio a designar o conjunto da cidade de Jerusalém, ou todos os seus habitantes e mesmo todo o povo de Israel. Na tradição cristã, veio a dar-se uma confusão acerca da localização topográfica do monte Sião, ao situá-lo no Cenáculo, na colina ocidental da cidade alta. Esta confusão parece ter origem em que o Cenáculo foi considerado a sede da primitiva Igreja de Jerusalém, o novo «monte Sião», segundo Hbr 12,22 e Apoc 14,1. A Arqueologia esclarece estes locais.

 

Salmo Responsorial     Is 12, 2-3.4bcd.5-6 (R. 6)

 

Monição: Este hino de louvor retirado de Isaías, deixa a nossa alma cheia de canções, fazendo-nos repetir: Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.

 

Refrão:        Exultai de alegria,

                     porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

 

Ou:               Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.

 

Deus é o meu Salvador,

Tenho confiança e nada temo.

O Senhor é a minha força e o meu louvor.

Ele é a minha salvação.

 

Tirareis água com alegria das fontes da salvação.

Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome;

anunciai aos povos a grandeza das suas obras,

proclamai a todos que o seu nome é santo.

 

Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,

anunciai-as em toda a terra.

Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,

porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.          

 

Segunda Leitura

 

Monição: A religião cristã, diz-nos São Paulo, é religião de alegria e tem o seu fundamento no facto de Cristo continuar a viver no meio de nós, pondo-nos em comunhão com Deus e com os irmãos.

 

Filipenses 4,4-7

Irmãos: 4Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. 5Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. 6Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. 7E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

 

A carta é um escrito da prisão, num tom muito familiar e predominantemente exortatório, incitando a perseverar na vida cristã, apresentada como um desporto sobrenatural (3,13-16). Ela tem aqui o «seu ponto culminante» (H. Schlier).

4 «Alegrai-vos sempre no Senhor». A alegria é uma nota típica desta epístola (cf. 1,3.18.25; 2,2.17.18.28-29; 3,1; 4,1.10) e da vida do cristão. É uma virtude para viver «sempre», pois não tem o seu fundamento em nada de efémero, mas «no Senhor», na certeza de que Deus é Pai providente, que «está próximo» – «no meio de ti» (cf. 1ª leitura); é uma alegria sobrenatural. A leitura, que fornece o mote do canto de entrada, deu origem à designação deste 3.º Domingo do Advento como Domingo Gaudete, com manifestações de alegria pela proximidade da vinda de Cristo: flores no altar, paramentos cor de rosa…

 

Aclamação ao Evangelho          Is 61, 1 (cf. Lc 4, 18)

 

Monição: E nós que devemos fazer? A alegria cristã não é um facto só interior mas está ligada à relação com o Senhor e tem um preço: a conversão, o nosso voltar-se para Deus que passa sempre pelos nossos gestos para com o próximo, nomeadamente pela partilha.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. Berthier, COM, (pg 112)

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 3,10-18

Naquele tempo, 10as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?» 11Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». 12Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?» 13João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». 14Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?» Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». 15Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, 16ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. 17Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». 18Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

 

Continuamos hoje a ouvir a pregação daquele que veio a preparar os caminhos do Senhor, a sua vinda. A sua pregação tinha provocado uma forte sacudidela nas consciências, por isso temos hoje, num trecho exclusivo de S. Lucas, uma repetida pergunta, muito do seu gosto: «Que devemos fazer?» (vv. 10.12.14; cf. Lc 10,25; 18,18; Act 2,37; 22,10). A conversão (pregada pelo Baptista) leva sempre a atitudes concretas de mudança de vida, vida nova que implica interrogar-se sobre deveres morais que se têm de cumprir, recorrendo a quem possa esclarecer a nossa consciência, uma vez que para actuar bem não basta actuar com «consciência certa, ou segura», mas é preciso actuar com «consciência verdadeira» (de acordo com a lei moral objectiva). Nesta formação da consciência para actuar segundo a vontade de Deus, devem-se ter muito em conta os deveres profissionais e do próprio estado, como é o caso aqui dos empregados do fisco (publicanos), dos soldados…

16 «Baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Os exegetas, em geral, pensam que João profetiza o Sacramento do Baptismo – que dá o Espírito Santo e que purifica – embora alguns, tendo em conta o contexto – «a pá» de joeirar, «limpar a eira, recolher o trigo, queimar a palha» (cf. Mt 13,42) – pensem que o Baptista não sai da perspectiva vétero-testamentária e que toma o baptismo em sentido figurado: seria o juízo escatológico anunciado pelos profetas, que o Messias levaria a cabo com a sua vinda no fim dos tempos. João Baptista, numa perspectiva do A.T., uniria a primeira à segunda vinda do Messias, a primeira em que veio como Salvador e a segunda em que virá como Juiz. Uma coisa é certa: João reconhece a insuficiência e o carácter transitório do seu baptismo, que não podia dar o Espírito Santo prometido em abundância para os dias do Messias, nem purificar a fundo as consciências. Por outro lado, na linguagem de Lucas, parece haver uma alusão ao Pentecostes (cf. Act 1,5; 2,3-4).

 

Sugestões para a homilia

 

O tema da alegria atravessa as leituras bíblicas deste III Domingo do Advento: alegria a que é convidada Jerusalém pela presença salvífica de Deus, o Rei de Israel e Salvador, no meio dela, que traz consigo o perdão, afasta o medo e o desalento para dar origem a uma renovação maravilhosa (1ª leitura); alegria a que são exortados os cristãos de Filipos perante o anúncio de que o Senhor está próximo, Ele, em Jesus Cristo continua a viver no meio de nós, pondo-nos em comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso, em qualquer circunstância podemos apresentar a Deus os nossos pedidos, as nossas necessidades, as nossas preocupações com orações e súplicas (2ª leitura); alegria presente na Boa Nova que João anuncia ao povo que aceita questionar-se: que havemos de fazer? E seguir o caminho da conversão (Evangelho).

Não se trata, como se percebe, da alegria do divertimento, do prazer, da distração, máscara do desespero, nem a alegria consumista e individualista, que atravanca o coração (GE 128); uma alegria, superficial, que dependa desta ou daquela vitória, da sorte ou do azar, da saúde ou da doença, das impressões ou das depressões. Trata-se sim, da alegria do amor que é de sempre e para sempre; é a alegria de saber que Deus nos ama para além das nossas falhas e fraquezas; que Ele não está longe, mas perto; está entre nós para nos oferecer o perdão, a alegria e a paz. Pois Ele não é indiferente, mas compassivo; não é alheio, mas um Pai misericordioso que nos segue amorosamente no respeito da nossa liberdade... É a alegria do fruto maduro e da boa colheita do coração que se abre para que a Palavra seja vida na nossa vida.

Então, se é a verdadeira alegria que nos chega do encontro com o Senhor, não podemos deixar de perguntar: Que devemos fazer para sermos coerentes com a nova realidade que estás a começar?

É esta pergunta que, segundo São Lucas, diversos grupos fizeram a João Batista. Tocados pela pregação que chamava à conversão e a uma vida mais fiel a Deus; que anunciava a vinda iminente do dia do Senhor, a chegada daquele que é maior que ele e que batizará no Espírito Santo e no fogo, as multidões, os publicanos e os soldados perguntavam: “Que devemos fazer?”

E a voz que clama no deserto, não os deixou sem resposta e sem uma proposta concreta de caminho de conversão. Ele começa por dizer: nenhuma pessoa, seja qual for a sua categoria ou profissão, está excluída de percorrer o caminho da conversão para alcançar a salvação. Deus não priva ninguém da possibilidade de se salvar. O que Ele deseja é que cada pessoa seja de outra maneira.

Assim, dirigindo-se à multidão, João, o profeta que se alimenta do nada que o deserto oferece, diz: o que é preciso fazer em vista da vinda do Senhor é partilhar. Ou seja, deixar de ver apenas a própria necessidade e olhar também a do outro, procurando repartir com ele aquilo que se tem: alimento, roupa e casa... e o que se é, sabendo que não há maior amor do que dar a vida pelos amigos. Quem fizer isto está, de facto, a converter-se, a mudar a sua vida para se encontrar com o Senhor que vem...

Dirigindo-se aos funcionários - publicanos, cobradores de impostos e colaboradores do poder opressor -, sempre tentados pelo abuso de poder, pela vexação financeira, pelo roubo ao exigir os impostos, João propõe a grande virtude da justiça...

E que propõe João aos militares? Não que desertem, porque na sua função há uma tarefa necessária, a de garantir a liberdade e a ordem de toda a convivência social. Pede que renunciem à violência. Como é fácil a violência para quem tem armas, como é fácil fazer denúncias fáceis, como é fácil – dado que os salários são normalmente baixos – prevalecer sobre as pessoas, usando a imunidade profissional concedida à polícia e às forças da ordem: quando se é mais forte, torna-se facílimo esmagar os pobres…

Ainda há tempo para, na nossa vida, fazer vir ao de cima, a alegria no dar, perdoar e amar... Fazer vir ao de cima um amor cheio de gestos... Ainda há tempo para fazer brilhar um olhar que veja os outros como irmãos para quem pedimos a paz... para fazer acontecer relações onde o egoísmo se transforma em partilha; as atitudes deixam de ser apenas exigência de tempo, disponibilidade, atenção e paciência para serem compreensão e respeito; e onde as mãos deixam de magoar e passam a acariciar e abraçar.

Tenhamos, então, a coragem de limpar a eira do nosso coração, de queimar tudo o que é inútil ou nos paralisa, para que o Senhor nasça em nós e assim a nossa alegria seja completa. E que a Virgem Maria nos estimule a fortalecer a nossa fé, para que saibamos acolher o Deus da Alegria, o Deus da misericórdia, que deseja habitar sempre no meio dos seus filhos, para que a nossa alegria, neste Natal, será completa.

 

Fala o Santo Padre

 

«O que devo fazer? Esta pergunta é o primeiro passo para a conversão que somos convidados

a realizar neste tempo de Advento. Cada um de nós se questione: o que devo fazer?»

Neste terceiro domingo de Advento a liturgia convida-nos à alegria. Ouvi bem: à alegria. O profeta Sofonias dirige-se com estas palavras à pequena porção do povo de Israel: «Solta gritos de alegria, ó filha de Sião! Solta gritos de júbilo, ó Israel! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém!» (3, 14). Gritar de alegria, exultar, alegrar-se: eis o convite deste domingo. Os habitantes da cidade santa são chamados a alegrar-se porque o Senhor revogou a sua condenação (cf. v. 15). Deus perdoou, não quis punir! Consequentemente para o povo não existe motivo de tristeza, já não há motivo de desânimo, mas tudo leva a uma gratidão jubilosa rumo a Deus, que deseja sempre resgatar e salvar aqueles que ama. E o amor do Senhor pelo seu povo é incessante, comparável com a ternura do pai pelo filho, do esposo pela esposa, como diz ainda Sofonias: «Ele exultará de alegria por causa de ti, ele te renovará pelo seu amor; ele dançará por ti com gritos de júbilo» (v. 17). Este — como é intitulado — é o domingo da alegria: o terceiro domingo do Advento, antes do Natal.

Este apelo do profeta é particularmente apropriado no tempo em que nos preparamos para o Natal, porque se aplica a Jesus, o Emanuel, o Deus connosco: a sua presença é a fonte da alegria. De facto, Sofonias proclama: «O Senhor é rei de Israel no meio de ti» e depois repete: «O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como poderoso salvador!» (vv. 15.17). Esta mensagem encontra o seu pleno significado no momento da anunciação a Maria, narrada pelo evangelista Lucas. As palavras dirigidas pelo anjo Gabriel à Virgem são como um eco daquelas do profeta. O que diz o arcanjo Gabriel?: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo» (Lc 1, 28). “Salve”, diz a Nossa Senhora. Numa aldeia isolada da Galileia, no coração de uma jovem desconhecida ao mundo, Deus acende a centelha da felicidade para o mundo inteiro.

E hoje o mesmo anúncio é dirigido à Igreja, chamada a receber o Evangelho para que se torne carne, vida concreta. Diz à Igreja, a todos nós: “Alegra-te, pequena comunidade cristã, pobre e humilde mas linda aos meus olhos porque desejas fervorosamente o meu Reino, tens fome e sede de justiça, teces com paciência redes de paz, não segues os poderosos de plantão mas permaneces fielmente ao lado dos pobres. E assim não tens medo de nada mas o teu coração está na alegria”. Se vivermos assim, na presença do Senhor, o nosso coração estará sempre na alegria. A alegria “de alto nível”, quando existe, plena, e a alegria humilde de todos os dias, isto é a paz. A paz é a menor alegria, mas é alegria.

Também São Paulo hoje nos exorta a não nos angustiarmos, a não desesperarmos por nada, mas em qualquer circunstância a apresentar a Deus os nossos pedidos, as nossas necessidades, as nossas preocupações «com orações e súplicas» (Fl 4, 6). A consciência de que nas dificuldades nos podemos sempre dirigir ao Senhor, e que Ele nunca recusa as nossas invocações, é um grande motivo de alegria. Nenhuma preocupação, nenhum medo conseguirá tirar a serenidade que vem não das realidades humanas, das consolações humanas, não, a serenidade que vem de Deus, do saber que Deus guia amorosamente a nossa vida, e fá-lo sempre. Até no meio dos problemas e dos sofrimentos, esta certeza alimenta a esperança e a coragem.

Mas para aceitar o convite do Senhor à alegria, é preciso ser pessoas dispostas a pôr-se em questão. O que significa isto? Precisamente como aqueles que, depois de terem ouvido a pregação de João Batista, lhe perguntam: tu pregas assim, e nós «o que devemos fazer?» (Lc 3, 10). O que devo fazer? Esta pergunta é o primeiro passo para a conversão que somos convidados a realizar neste tempo de Advento. Cada um de nós se questione: o que devo fazer? Algo pequenino mas “o que devo fazer?”. E a Virgem Maria, que é nossa mãe, nos ajude a abrir o nosso coração ao Deus que vem, para que Ele inunde de alegria toda a nossa vida.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 16 de dezembro de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Fiéis à recomendação de São Paulo

de não nos inquietarmos com coisa alguma,

mas de erguermos para Deus as nossas mãos,

peçamos (ou: cantemos), confiadamente:

 

R. Vinde, Senhor, e salvai-nos.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Vinde, Senhor Jesus.

 

1. Para que no rosto da Igreja e dos seus filhos

transpareça a alegria do Evangelho que os anima

e a bondade do Espírito que os conduz, oremos.

 

2. Para que os homens do poder e da riqueza

não pratiquem violências com ninguém,

mas sejam justos e repartam com os pobres, oremos.

 

3. Para que os que vão festejar este Natal

se disponham a uma verdadeira conversão

e se abram à paz que vem de Cristo, oremos.

 

4. Para que todos os que sofrem e desanimam

encontrem corações que os acolham

e mãos amigas que se lhes estendam, oremos.

 

5. Para que todos nós aqui presentes,

baptizados no Espírito Santo e no fogo,

sejamos trigo que Deus recolhe no seu celeiro, oremos.

 

(Outras intenções: factos relevantes da vida paroquial; catequistas ...).

 

Deus fiel e salvador, que encheis o nosso coração de santa alegria,

ouvi as preces destes vossos servos

e ensinai-os a matar a sede nas fontes da vossa salvação.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Quando virá Senhor o dia – Az. Oliveira, NRMS, 39

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Monição da Comunhão

 

Após a comunhão sacramental, pode voltar a entoar-se o Salmo responsorial.

 

Cântico da Comunhão: Vinde Senhor, vinde visitar-nos – J. F. Silva, NRMS, 56

 

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Cântico de acção de graças: Cantai um cântico novo – J. Santos, NRMS, 10

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Aproximamo-nos do Natal, que desejamos que seja, antes de mais, um Natal cristão. Que o Advento nos ajude a captar e a viver com alegria todo o significado que tem a vinda de Deus à nossa terra.

 

Cântico final: Desça o orvalho do alto do céu – J. Santos, NRMS, 15

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 13-XII: Cristo, Luz do mundo.

Num 24, 2-7. 15-17 / Mt 21, 23-27

Balaão: Eu vejo, mas não para já, mas não de perto: um Astro sai de Jacob e um ceptro que se ergue de Israel.

 

Balaão, inspirado pelo Senhor, profetiza o aparecimento de um Astro (LT), que virá a ser a estrela vista pelos Magos. A vinda dos Magos a Jerusalém mostra que eles procuram em Israel a luz messiânica da estrela de David (LT). O seu Nome durará tanto como a luz do Sol (SR).

Jesus é o Sol da Justiça e Nossa Senhora a Estrela do Mar. Deixemo-nos guiar pela luz de Deus, a fé, em todos os momentos da nossa vida. Algumas vezes perdemo-nos, mas basta que façamos o mesmo que os Magos: perguntemos a quem nos pode ajudar.

 

3ª Feira, 14-XII: Escutar os pedidos de Deus.

Sof 3, 1-2. 9-13 / Mt 21, 28-32

Ai da cidade rebelde e impura! Não escutou nenhum apelo, nem aceitou qualquer aviso! Não teve confiança no Senhor, nem se aproximou do seu Deus

O profeta Sofonias faz-nos chegar esta lamentação de Deus: não é escutado nem têm confiança nEle (LT). Mas o pobre clamou e o Senhor o ouviu (SR). Uma grande multidão de pecadores, publicanos e soldados, fariseus, saduceus e prostituas, vai ter com João Baptista para receberem o baptismo de penitência (EV).

Para entrar no reino de Deus é preciso ter confiança na palavra de Deus, arrepender-se. Além disso, para adquirir o reino, as palavras não bastam, exigem-se actos: como o filho que disse que não iria trabalhar na vinha do pai e arrependeu-se e foi (EV).

 

4ª Feira, 15-XII: O Messias virá fecundar a terra.

Is 45. 6-8. 18. 21-25 / Lc 7, 19-23

Ó céus, mandai o orvalho lá do alto, e as nuvens derramem a justiça, abra-se a terra, floresça a salvação.

Trata-se de uma profecia claramente messiânica (LT), tal como o Salmo: Ó céus dai-nos o justo, como orvalho (SR).

O Senhor dará o que é bom: o orvalho, a justiça; e a nossa terra (cada um de nós). dará o seu fruto (SR). A vinda do Messias é um sinal de grande esperança, tendo em conta a fecundidade das primeiras actuações do Messias contadas a João Baptista: os cegos vêm, os coxos andam, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam (EV). E mais ainda: o Senhor vem visitar-nos e trazer-nos a paz e a justiça,

 

5ª Feira, 16-XII: A mensagem de João Baptista.

Is 54, 1-10 / Lc 7, 24-30

Ainda que as montanhas se desloquem… o meu amor não te abandonará, a minha Aliança não será abalada.

Através do profeta, Deus oferece-nos uma promessa de fidelidade, estabelecendo connosco uma Aliança (LT). E, antes da sua vinda, envia-nos João Baptista para preparar os seus caminhos (EV). Louvarei o Senhor porque me salvou (SR)

A mensagem de João Baptista é um convite ao baptismo de penitência, que alguns receberam e outros rejeitaram. Não deixemos de abrir completamente as portas da nossa alma para a entrada do Senhor. Pensemos na conversão que o Senhor espera de nós neste tempo do Advento, talvez uma vida mais coerente com a sua doutrina

 

6ª Feira, 17-XII: A Santíssima Humanidade de Cristo.

Gen 49, 2. 8-10 / Mt 1, 1-17

Jacob: o ceptro não há-de fugir a Judá, até que venha aquele que lhe tem direito e a quem todos os povos lhe hão-de obedecer.

Jacob anuncia aos seus filhos a vinda do Messias (LT). E, na genealogia de Jesus Cristo, de David e filho de Abraão, aparece o nome de Jacob, logo no seu início (EV). O seu nome será eternamente bendito (SR).

Ele vem salvar todos. Nestas palavras tudo está contido: Deus e o homem e toda a economia da criação e da salvação, está presente nas orações: as que acabam com a fórmula ‘por nosso Senhor Jesus Cristo’; na Avé-Maria, que nos recorda o bendito fruto do vosso ventre, Jesus. Que Ele esteja sempre nas nossas orações e acções

 

Sábado, 18-XII: A vocação de S. José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-25

Dias virão em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com sabedoria.

O profeta Jeremias anuncia a vinda do Salvador, como descendente messiânico de David (LT). E S. José, descendente de David, recebe a mensagem do Anjo, que lhe comunica o nascimento de Jesus, a quem dará o nome, porque salvará o seu povo (SR).

O nome de José significa em Hebreu ‘Deus acrescentará’, isto é, aquele que cumpre a vontade do Senhor. E José fez como lhe ordenou o Anjo. Procuremos nós também integrar-nos diariamente nos planos de Deus e pedindo a S.José que proteja a Igreja, de quem é o Patrono principal.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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