16º Domingo Comum

18  de Julho de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio – J. F. Silva, NRMSL, 53 

Salmo 53, 6.8

Antífona de entrada: Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida. De todo o coração Vos oferecerei sacrifícios, cantando a glória do vosso nome.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Duas forças contrárias entre si exercem influência naquelas em que nos é dado viver.

O conforto fácil instalou as pessoas na vida e dá-lhes a ilusão de que podem isolar-se, porque não precisam de ninguém. Cada um tem em casa o mínimo de condições confortáveis e com que ocupar agradavelmente o seu tempo.

Mas há também um apelo constante à solidariedade que nos vem da fé e é recordado pelos acontecimentos e nos convidam a dar ajuda às pessoas mais carenciadas. São os migrantes que batem às portas das nações da Europa; tantas pessoas que vivem sós, especialmente idosos e que pedem os ajudemos a romper com a solidão; o próprio desporto anima-nos a sairmos de nós mesmos e celebrarmos com os outros as suas alegrias.

Também o Senhor, neste 16.º Domingo do Tempo Comum, volta a recordar-nos que não temos o direito de nos fecharmos em nós mesmos, com o nosso conforto e que os outros têm direito à nossa ajuda.

 

Acto penitencial

 

Perante os sofrimentos das outras pessoas, a primeira tentação que nos assalta é a de ceder ao egoísmo, encolhendo os ombros com indiferença e deixando que “cada um se arranje”.

Confessamos diante do Senhor que bastantes vezes temos cedido a esta tentação, fingindo que não vemos a necessidade que os outros têm de nós.

Queremos humildemente pedir perdão ao Senhor destas manifestações de egoísmo e implorar ajuda para mudarmos de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•    Senhor Jesus: Muitas vezes vemos as carências e problemas das outras pessoas,

     mas fingimos que não as vemos, para não termos que as ajudar a solucioná-las.

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

•    Cristo: Queixamo-nos da solidão e do egoísmo das outras pessoas que se isolam,

     mas nós também nos mostramos indisponíveis para ouvir as pessoas com amizade.

     Cristo, tende piedade de nós!

 

     Cristo, tende piedade de nós!

 

•    Senhor Jesus: Ensinai-nos a estar ao serviço das pessoas mais carecidas de tudo,

     vendo nelas Jesus Cristo pobre que espera pacientemente a nossa ajuda fraterna,

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Sede propício, Senhor, aos vossos servos e multiplicai neles os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem na fiel observância dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Jeremias diz-nos, em nome de Deus, que o Senhor quer pastores que não se sirvam do rebanho, mas o sirvam com generosidade e amor.

Na Igreja a que temos a graça de pertencer, rebanho de Jesus Cristo, somos ovelhas e pastores, ao mesmo tempo.

Revistamo-nos de sentimentos e misericórdia e procuremos servir-nos mutuamente no caminho para a felicidade eterna.

 

Jeremias 23,1-6

Diz o Senhor: 1«Ai dos pastores que perdem e dispersam as ovelhas do meu rebanho!» 2Por isso, assim fala o Senhor, Deus de Israel, aos pastores que apascentam o meu povo: «Dispersastes as minhas ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas. Vou ocupar-Me de vós e castigar-vos, pedir-vos contas das vossas más acções – oráculo do Senhor. 3Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens, para que cresçam e se multipliquem. 4Dar-lhes-ei pastores que as apascentem e não mais terão medo nem sobressalto; nem se perderá nenhuma delas – oráculo do Senhor. 5Dias virão, diz o Senhor, em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria; há-de exercer no país o direito e a justiça. 6Nos seus dias, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: ‘O Senhor é a nossa justiça’».

 

Jeremias, depois de ter anunciado o desterro (cap. 21 e 22), devido às infidelidades do povo e aos maus pastores, anuncia uma nova era, em que o próprio Deus tomará a seu cargo as suas ovelhas (vv. 2-3). «Dar-lhes-ei pastores» (v. 4) é a palavra de esperança de João Paulo II, a propósito das vocações sacerdotais, na célebre exortação apostólica com este mesmo título. O texto da leitura foi escolhido, tendo em conta as palavras de Jesus no Evangelho de hoje (Mc 6,34): Jesus é realmente Yahwéh a conduzir as suas ovelhas, isto é, o seu Povo; Ele é o rebento de David (v. 5) assim também anunciado em Isaías 11,1.

 

Salmo Responsorial      Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)

 

Monição: O salmista canta a misericórdia de Deus que se porta para com ele e para connosco como o melhor dos pastores.

Agradeçamos o desvelo com que Ele vela por nós, cuidando do nosso descanso, alimentação e segurança.

 

Refrão:         O Senhor é meu pastor:

                      nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça,

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo ensina-nos, na carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, que Jesus Cristo, o nosso Bom Pastor, fez de todas as nações um só povo.

Sejamos também construtores da verdadeira paz entre todas as pessoas, colaborando na missão do Bom Pastor.

 

Efésios 2,13-18

Irmãos: 13Foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao sangue de Cristo. 14Cristo é, de facto, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava, 15anulando, pela imolação do seu corpo, a Lei de Moisés com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros, Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. 16Pela cruz reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo, levando em Si próprio a morte à inimizade. 17Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto. 18Por Ele, uns e outros podemos aproximar-nos do Pai, num só Espírito.

 

Nesta leitura expõe-se um dos aspectos do plano salvífico (tema central da epístola): judeus e gentios, até agora separados, ficam unidos, ao participarem da mesma salvação trazida por Cristo, autor da paz: Cristo é de facto «a nossa paz» (v. 14).

14-16 Jesus, ao fazer de judeus e gentios um só povo, acabou com a inimizade e barreira que os separava. Cristo tornou nula a Lei de Moisés. Com efeito, por um lado, satisfez as exigências punitivas dessa Lei ao morrer pelos pecados; e, por outro lado, pela imolação do seu Corpo, alcançou o perdão dos pecados, tornando inútil uma lei punitiva, como era a de Moisés (cf. Rom 8,3; Gal 2,14). A Lei de Moisés era de facto uma grande barreira para a união entre judeus e não judeus. Se é verdade que ela tinha, até Cristo, contribuído para defender os israelitas do paganismo, agora já não faz sentido, uma vez que também os gentios são igualmente chamados à mesma salvação em Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho           Jo 10, 27

 

Monição: Entre o Bom Pastor e cada um de nós há um conhecimento mútuo que nos há-de levar a um amor crescente.

Alimentemo-nos com a Sua Palavra, que agora vai ser proclamada no Evangelho e aclamemo-lo com um cântico festivo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – C. Silva, OC pg 534

 

As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor;

Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 6,30-34

Naquele tempo, 30os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. 31Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. 32Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém. 33Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, que eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.

 

O Evangelho de hoje está na continuação da leitura do Domingo anterior, contando o regresso dos Apóstolos enviados a pregar (a Liturgia omite o relato intermédio do martírio do Baptista). Eles contaram a Jesus «tudo o que tinham feito e ensinado» (v. 30), um pormenor diríamos paradigmático, pois o apóstolo de todos os tempos não pode limitar-se à acção esquecendo o diálogo com o Senhor.

Também este episódio nos mostra como Jesus e os Apóstolos se entregavam inteiramente ao ministério, sem lhes sobrar tempo, faltando-lhes até tempo para comer. Assim ficou para sempre registado um exemplo de zelo apostólico. Por outro lado, fica patente o senso comum de Jesus ao não fazer nem exigir esforços absolutamente superiores à natureza: daqui o imperativo do descanso. Esta leitura presta-se a fazer uma homilia sobre o sentido cristão do descanso e do aproveitamento das férias.

 

Sugestões para a homilia

 

• Pastores e ovelhas do mesmo rebanho

• As pessoas procuram um bom pastor

 

1. Pastores e ovelhas do mesmo rebanho

 

Quando ouvimos falar de pastores e ovelhas no Reino de Deus pensamos imediatamente que estamos no grupo das ovelhas e que, portanto, não serão para nós as repreensões que o Senhor dá aos maus pastores.

Pastores e ovelhas. É verdade que o Senhor estabeleceu na Sua Igreja pessoas com especiais responsabilidades e depôs nas suas mãos os tesouros da Redenção: a palavra de Deus e os Sacramentos. São eles o Santo Padre, os Bispos e os Presbíteros.

Estão ainda neste grupo os pais, especialmente em relação aos filhos e os educadores nos diversos planos.

Com um olhar mais alargado ainda, podemos incluir nos pastores todas as pessoas que detêm algum poder de governo nas suas mãos, desde o governo central até às autarquias locais. Todo o poder vem de Deus e deve ser usado no serviço dos outros.

Mas o Senhor vai mais longe: cada um de nós participa na missão do Bom Pastor em relação àqueles que vivem à sua volta e temos a missão de os ajudar no caminho do Céu, na medida das nossas possibilidades.

Deste modo, cada um de nós é, ao mesmo tempo, ovelha e pastor do rebanho de Cristo, de tal modo que ninguém vive neste mundo só para receber ajuda.  Ele pode perguntar-nos como fez a Caim, em relação a Abel: «E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?» (Génesis, 4, 9).

Convite a um exame de consciência. Depois de termos dado este primeiro passo, o Senhor convida-nos, pelo profeta Jeremias, a um elementar exame de consciência: « “Ai dos pastores que perdem e dispersam as ovelhas do meu rebanho!” [...] “Dispersastes as minhas ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas. Vou ocupar-Me de vós e castigar-vos, pedir-vos contas das vossas más acções.”»

Se repararmos nas exigências da missão de um pastor, veremos que também nós podemos falhar na nossa missão de diversas maneiras:

– Omitindo a ajuda que deveríamos prestar de uma correção, um esclarecimento ou um bom conselho. Isto pode acontecer por preguiça, porque não nos queremos incomodar; ou porque temos demasiado apego à nossa imagem e queremos aparecer como “bondadosos” que estão sempre de acordo com tudo.

– Por vezes, os pais e outros educadores não corrigem oportunamente os que lhes estão confiados, e deixam-nos crescer cheios de defeitos que em breve se tornam vícios. As mães têm mais dificuldade em descobrir e reconhecer os defeitos e erros dos filhos. Tudo lhes parece bem neles.

– Pode acontecer também que aquele que devia ajudar, dá mau exemplo, ou mesmo maus conselhos.

Uma falsa humildade pode também tolhermos nesta missão, pensando que também temos defeitos e, portanto, falta-nos a autoridade para corrigir.

Ensinar e exigir dos outros o caminho da virtude sem a querer praticar é, de facto, hipocrisia; mas não o é se fazemos um sincero e generoso esforço para pôr em prática aquilo mesmo que aconselhamos.

Bons pastores e boas ovelhas. O Senhor promete que vai Ele mesmo em Pessoa reunir as ovelhas e apascentá-las. Trata-se de uma profecia messiânica. Jesus, nosso Deus e Senhor, vem apascentar-nos pessoalmente.

Fá-lo, porém, por meio de cada um de nós, de tal modo que procuremos ver Jesus Cristo em cada pessoa a pedir a nossa ajuda, implorando que limpemos o seu rosto conspurcado pelos pecados e defeitos; e sejamos nós mesmos instrumentos do Seu Amor junto de cada pessoa.

Na verdade, uma pergunta muito oportuna que podemos fazer junto de cada pessoa que parece necessitar da nossa ajuda é esta: que faria Jesus Cristo, se estivesse no meu lugar? Ou então: se em vez desta pessoa eu visse Jesus, como a trataria?

 

2. As pessoas procuram um bom pastor

 

À primeira vista, pode parecer-nos que vivemos num meio descristianizado em que as pessoas se afastaram de Deus e da Igreja definitivamente, mas não é verdade.

Tertuliano dizia que toda a pessoa é naturalmente cristã, porque todas procuram na Igreja a sua família. De facto, as pessoas tentam enganar-se a si mesmas, como se a dimensão religiosa não lhes fizesse falta. Na verdade, quando surge uma pequena ou grande crise, as pessoas não encontram respostas para a suas dúvidas, e sentem-se angustiadas.

As pessoas procuram Deus. Acontece hoje como nos tempos de Jesus. As pessoas querem que lhes ensinemos o caminho para a Casa do Pai. Pode parecer que não precisam, quando estão embriagadas no pecado. Mas quando passa a ilusão, querem ajuda.

O que se conta no evangelho deste domingo continua a acontecer. As pessoas são como ovelhas sem pastor à procura de ajuda.

Jesus, depois da missão dos Apóstolos dois a dois, ouviu a relação da sua aventura apostólica e procurou que descansassem, num lugar isolado.

Mas as pessoas, atentas, correram à sua procura. «De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer.»

A caridade nas palavras e atitudes, um sorriso acolhedor, são armas sempre válidas para atrair as pessoas a Cristo.

Anunciemos as verdades de sempre. Mostremos o verdadeiro rosto de Deus que é o melhor dos pais, sempre acolhedor e cuja maior alegria é perdoar.

A filiação divina é uma verdade de sempre a que as pessoas são sempre sensíveis, seja qual for a sua situação.

A compaixão de Cristo. Hoje, como ontem, o Senhor lê no coração de cada pessoa as angústias que as fazem sofrer e compadece-se delas. «Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, que eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas

Procuremos participar nesta compaixão de Jesus e renunciar a olhar o mundo e as pessoas com fria superficialidade.

Também nós temos sempre uma palavra a dizer que pode ser o lenitivo de quem sofre, iluminando as suas dúvidas. Ouvir as pessoas com atenção e iluminar as suas inteligências com a boa doutrina é uma obra de misericórdia.

É preciso lutar contra a tentação do sofá, que nos desafia para ficarmos instalados na nossa preguiça e comodismo, com o comando da TV na mão, em vez de nos disponibilizarmos para quem precisa de nós.

Cristo, nossa paz. S. Paulo, na carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, ensina-nos que Jesus Cristo veio ao nosso encontro, depois de ter assumido a nossa natureza humana, para nos restituir a graça que o pecado nos tinha arrebatado e ensinar-nos a viver como bons filhos de Deus.

Fez de todos os povos um só povo – o Povo de Deus da Nova Aliança – porque n’Ele somos irmãos, filhos do mesmo Pai que está no Céu. Ele é a nossa paz.

Vivemos todos a mesma aventura de Amor na terra, a caminho da felicidade do Paraíso que não terá fim.

Maria, nossa Mestra. Maria viveu como ninguém a sua atenção aos outros. Não consta que alguém lhe tenha pedido para recorrer a Jesus, remediando a falta de vinho. O seu olhar materno, sempre atento, como noutras vezes, não só descobriu a necessidade como fez tudo o que estava ao seu alcance para lhe encontrar uma solução.

Podemos ter a certeza que esta atitude de atenção e fazer o que estava nas suas possibilidades para remediar uma situação foi e ainda é uma constante da sua vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«A compaixão de Jesus não indica simplesmente uma reação emotiva perante uma situação de dificuldade das pessoas,

mas é muito mais: é a atitude e a predisposição de Deus para com o homem e a sua história.»

O Evangelho de hoje (cf. Mc 6, 30-34) narra-nos que os apóstolos, depois da sua primeira missão, voltaram para junto de Jesus e lhe contaram «tudo o que haviam feito e ensinado» (v. 30). Após a experiência da missão, certamente entusiasmante mas também cansativa, eles sentem a exigência de repousar. E Jesus, cheio de compreensão, preocupa-se em garantir-lhes um pouco de alívio e diz: «Vinde, retiremo-nos a um lugar deserto, e descansai um pouco» (v. 31). Mas desta vez a intenção de Jesus não se pode realizar, porque a multidão, intuindo o lugar solitário para onde se teria dirigido de barco, juntamente com os seus discípulos, apressou-se para estar lá antes da sua chegada.

O mesmo pode verificar-se também hoje. Por vezes não conseguimos realizar os nossos projetos, porque acontece um imprevisto urgente que altera os nossos programas e requer flexibilidade e disponibilidade em relação às necessidades dos outros.

Nestas circunstâncias, somos chamados a imitar o que Jesus fez: «Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas» (v. 34). Nesta breve frase, o evangelista apresenta-nos um flash de singular intensidade, fotografando os olhos do Mestre divino e o seu ensinamento. Observemos os três verbos deste fotograma: ver, compadecer-se, ensinar. Podemos chamá-los os verbos do Pastor. O olhar de Jesus não é neutro nem, pior ainda, frio e distante, porque Ele vê sempre com os olhos do coração. E o seu coração é tão terno e cheio de compaixão, que sabe sentir as necessidades inclusive as mais escondidas das pessoas. Além disso, a sua compaixão não indica simplesmente uma reação emotiva perante uma situação de dificuldade das pessoas, mas é muito mais: é a atitude e a predisposição de Deus para com o homem e a sua história. Jesus manifesta-se como a realização da solicitude e da bondade de Deus pelo seu povo.

Dado que Jesus se comoveu ao ver toda aquela gente necessitada de guia e de ajuda, esperaríamos que ele se preparasse para fazer algum milagre. Ao contrário, começou a ensinar-lhes muitas coisas. Eis o primeiro pão que o Messias oferece à multidão faminta e desorientada: o pão da Palavra. Todos nós precisamos da palavra da verdade, que guie e ilumine o caminho. Sem a verdade, que é o próprio Cristo, não é possível encontrar a orientação certa da vida. Quando nos afastamos de Jesus e do seu amor, ficamos desorientados e a existência transforma-se em desilusão e insatisfação. Com Jesus ao nosso lado é possível proceder com segurança, é possível superar as provações, progredir no amor a Deus e ao próximo. Jesus fez-se dom para os outros, tornando-se assim modelo de amor e de serviço para cada um de nós.

Maria Santíssima nos ajude a assumir os problemas, os sofrimentos e as dificuldades do nosso próximo, mediante uma atitude de partilha e de serviço.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 22 de julho de 2018

 

Oração Universal

 

Rezemos, irmãs e irmãos, pelo rebanho de Cristo,

para que a Igreja, com todos os povos da terra,

escute e siga sempre o seu verdadeiro Pastor,

que quer salvar todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando), com fé:

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1. Para que a Igreja una, santa, católica, apostólica e nossa mãe,

     glorifique Jesus Cristo, o seu Pastor, e anuncie o Evangelho,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

2. Para que os governantes e as autoridades de todas aas nações

     exerçam com justiça as suas funções e velem por todo o povo,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

3. Para que Jesus, o Mestre que nos ama e sabe cuidar de nós,

     Se compadeça de todos os que O não conhecem, nem amam,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

4. Para que o mundo novo inaugurado por Cristo, sem classes,

     seja a meta para onde caminhe esta humanidade redimida,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

5. Para que as comunidades vivam em união com os pastores,

     os amparem, com eles trabalhem e por eles rezem sempre,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

6. Por todas as pessoas que o Senhor chamou à vida eterna

     sejam livres das suas máculas e entrem na glória do Céu,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

Senhor Jesus Cristo, nosso Bom Pastor:

nós Vos pedimos por todos os pastores,

para que sejam diligentes e dignos de Vós,

e pelas ovelhas do rebanho que lhes confiastes,

para que tenham fome das vossas palavras.

Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Bom Pastor do rebanho de Deus, que prometeu cuidar de nós, alimentou a nossa inteligência com o Pão da Palavra.

Prepara agora, com as oferendas que levamos ao altar, o Pão da Eucaristia, para nos fortificar no caminho do Paraíso.

 

Cântico do ofertório: Aceitai, Senhor o pão e o vinho – Az. Oliveira, NRMS, 111

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que levastes à plenitude os sacrifícios da Antiga Lei no único sacrifício de Cristo, aceitai e santificai esta oblação dos vossos fiéis, como outrora abençoastes a oblação de Abel; e fazei que os dons oferecidos em vossa honra por cada um de nós sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor.

 

Santo: A. Cartageno – COM, pg 189

 

Saudação da Paz

 

Como poderiam viver as ovelhas de um rebanho em que todas estivessem umas contra as outras, em vez de se defenderem todas, como uma só, do lobo depredador?

A paz entre todas as ovelhas é a condição exigida por Jesus Cristo, para alcançarmos todos o Reino dos Céus.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A melhor pastagem a que nos pode conduzir o Bom Pastor é a Mesa da Santíssima Eucaristia onde Ele mesmo nos serve o Alimento do Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

Procuremos recebê-lo com a melhor das disposições, para que guarde a nossa alma para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: O Cordeiro de Deus é o nosso pastor – C. Silva, OC, pg 167

cf. Salmo 110, 4-5

Antífona da comunhão: O Senhor misericordioso e compassivo instituiu o memorial das suas maravilhas, deu sustento àqueles que O temem.

 

Ou

Ap 3, 20

Eu estou à porta e chamo, diz o Senhor. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, Vós sois o caminho – C. Silva, OC, pg 240

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Lembremo-nos, especialmente nas dificuldades, que Jesus Cristo é o nosso Bom Pastor e cuida sempre de nós. E cuidemos também das outras pessoas.

 

Cântico final: Irmãos, a missa não findou – F. Silva, NRMS, 4

 

 

Homilias Feriais

 

16ª SEMANA

 

2ª Feira, 19-VII: A palavra de Deus e as suas intervenções

Ex 14, 5-18 / Mt 12, 38-42

Os homens de Nínive levantar-se-ão no dia do Juízo com esta geração.

Jesus lembra com agrado o que fizeram os habitantes de Nínive: Arrependeram-se e abandonaram o mal que estavam a praticar, e aqui está quem é mais do que Jonas (EV). Procuraremos seguir o que nos diz Jesus, pois é quem tem mais autoridade. Por vezes seguimos os conselhos de qualquer pessoa, sem os confrontar com os de Jesus.

Também o Senhor disse a Moisés: Por que estás a bradar por mim? Diz aos filhos de Israel que se ponham em marcha (LT). Perante a hesitação do povo, foi necessária uma intervenção do Senhor. O Senhor é a minha força e a minha proteção (SR)

 

3ª Feira, 20-VII: A Palavra de Deus e a sua família.

Ex 14, 21- 15, 1 / Mt 12, 46-50

Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Agradeçamos ao Senhor que nos queira fazer parte da sua família. O discípulo de Jesus há-de procurar aceitar este convite, mas sem esquecer uma exigência fundamental, que é fazer a vontade de Deus (EV), tal como fez Jesus.

Também Deus defendeu o seu povo, quando abandonou o Egipto e fugiu da perseguição do faraó (LT). Todos os baptizados somos filhos de Deus e é natural que Ele nos proteja durante a nossa caminhada pela Terra. Mas é importante que, por nossa culpa, abandonemos o caminho, fazendo mais aquilo que nos agrada e não o que agrada a Deus.

 

4ª Feira, 21-VII: A Palavra de Deus é um tesouro.

Ex 16, 1-5. 9-15 / Mt 13, 1-9

O semeador saiu para semear. Quando semeava, caíram sementes à beira do caminho.

A semente é a Palavra de Deus, que é acolhida de muitas maneiras diferentes (EV). E não esqueçamos que Jesus Cristo é o Verbo (Palavra) de Deus que encarnou.

Na Antiga Aliança, Deus disse a Moisés o que era o maná: É o pão que o Senhor nos dá como alimento (LT). Na santa Missa recebemos igualmente a palavra de Deus e o Pão. Evitemos as distrações, para não perdermos uma só palavra, pois, em cada uma delas é Deus que nos fala: Um autêntico tesouro. Esta sementeira há-de chegar a muitos ambientes profissionais, familiares, culturais, etc.

 

5ª Feira, 22-VII: Santa Maria Madalena: procurar o Senhor.

Cant 3, 1-4 / Jo 20, 1. 11-18

No primeiro dia da semana, Maria de Magdala foi de manhãzinha, ainda escuro, ao túmulo do Senhor.

Procuremos também o Senhor desde o primeiro momento do nosso dia, como aconteceu com Maria de Magdala (EV). Sois o meu Deus: Com ardor vos procuro (SR). E ela procura aquele que o meu coração ama (LT).

A celebração eucarística deve levar-nos a exclamar, como os Apóstolos e Maria Madalena, depois de terem encontrado o Ressuscitado: Vimos o Senhor (EV).  Maria Madalena e as santas mulheres tiveram o privilégio de serem as primeiras mensageiras da Ressurreição e, que depois, o transmitiram aos discípulos.

 

6ª Feira, 23-VII: Santa Brígida: O rosto de Cristo na Europa.

Gal 2, 19-20 / Jo 15, 1-8

Quando alguém permanece em mim e Eu nele, esse é que dá muito fruto porque, sem mim, nada podeis fazer.

Santa Brígida é uma das padroeiras da Europa. Nasceu na Suécia, casou jovem e teve oito filhos. Fundou igualmente uma Ordem religiosa, depois da morte do marido. Mostrou o rosto de Cristo através de uma intensa vida contemplativa. E por isso teve abundantes frutos (EV).

S. Paulo chegou à identificação com Cristo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (LT). E Cristo fala de uma comunhão de vida mais íntima entre Ele e os que O seguem. Aproximemo-nos um pouco mais do Senhor na medida em que pudermos.

 

Sábado, 24-VII: Recordar a Aliança com Deus.

Ex 24, 3-8 / Mt 13, 24-30

O povo respondeu: Tudo o que o Senhor disse, nós o poremos em prática. Havemos de obedecer-lhe.

Depois de Moisés ter lido o Livro da Aliança (LT), aspergiu o povo com o sangue, para que ficassem bem gravados os compromissos da Aliança com Deus. Fica registado para sempre na história do povo: Cumpre as tuas promessas ao Altíssimo (SR).

No entanto, somos pecadores e o joio do pecado aparece misturado com a boa semente da palavra de Deus, até ao fim dos tempos (EV). Mas o nosso pecado foi expiado, de uma vez por todas, pelo Filho de Deus que, pela sua Ressurreição, nos libertou do pecado e da morte.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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