15º Domingo Comum

11 de Julho de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eu venho, Senhor – M. Cartageno, CEC (II), pg77

cf. Salmo 16, 15

Antífona de entrada: Eu venho, Senhor, à vossa presença: ficarei saciado ao contemplar a vossa glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Caímos facilmente numa visão redutora da nossa vocação cristã, vendo nela uma questão exclusivamente pessoal, de tal modo que achamos que ninguém tem nada a ver com a nossa vida, nem nós com a das outras pessoas. 

Este modo de pensar vai contra os planos de Deus que nos salva pessoalmente, um a um, mas dentro de uma comunidade corresponsável a que chamamos Igreja. Também a sociedade civil está organizada numa base de corresponsabilidade em que todos ajudam a todos.

Nós compreendemos já a corresponsabilidade quando se trata da Igreja triunfante e gloriosa e da Igreja que está em purificação. Pedimos ajuda aos santos do Céu e sufragamos as almas do Purgatório.

Precisamos de alargar esta corresponsabilidade à Igreja militante, constituída por todos quantos vamos a caminho do Céu. A isto nos convida a Liturgia da Palavra deste 15.º Domingo do Tempo Comum.

 

Ato penitencial

 

Temos necessidade de lutar contra o individualismo na nossa vivência da fé, mas nem sempre o fazemos. Fingimos que não vemos as dificuldades e problemas dos outros, para não termos de os ajudar.

O Senhor pede-nos que abramos o nosso coração, para auxiliar todas as pessoas e nós queremos pedir perdão, porque, muitas vezes, não o temos feito.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

•    Senhor Jesus: Mesmo quando rezo, tenho uma visão egoísta da vida cristã,

     porque me lembro só dos meus problemas e interesses e esqueço os ouros.

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

•    Cristo: Porto-me com indiferença quando as pessoas sofrem grandes provas,

     todavia, fico sobressaltado quando a dor me bate à porta ou à dos familiares.

     Cristo, tende piedade de nós!

 

     Cristo, tende piedade de nós!

 

•    Senhor Jesus: Custa-me o ter presente que sou um enviado por Jesus Cristo

     ao encontro daquelas pessoas que precisam da mim, quando as posso ajudar.

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Amós, enviado por Deus ao reino da Samaria, para chamar aquele povo à conversão e emenda de vida, é mal recebido pelas autoridades religiosas.

Fiel à sua missão, o profeta diz que a iniciativa não é sua, mas de Quem o enviou e que, portanto, cumprirá a sua missão até ao fim.

 

Amós 7,12-15

Naqueles dias, 12Amasias, sacerdote de Betel, disse a Amós: «Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias. 13Mas não continues a profetizar aqui em Betel, que é o santuário real, o templo do reino». 14Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. 15Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’».

 

A leitura é tirada da 3ª parte do livro de Amós, «o ciclo das visões proféticas» (7,1 – 9,10). Com a visão do fio-de-prumo (7,6-9), que precede esta passagem, o Profeta tinha denunciado a falta de rectidão e corrupção que grassava no Reino do Norte, que se encontrava como uma parede desaprumada, a ameaçar ruína iminente. O sacerdote Amasias, apaniguado do rei Joroboão II, vê no profeta uma ameaça para a sua privilegiada situação e por isso previne o rei contra o profeta que anunciava a sua morte e a destruição do Reino do Norte (vv. 10-11) e dá ordens a Amós para que se retire para o Reino de Judá (vv. 12-13), chamando-lhe «vidente», um outro nome dado aos profetas. Amós confessa que era um simples trabalhador, mas que Deus inesperadamente o chamou e enviou a profetizar (vv. 14-15): «Eu não era profeta nem filho de profeta». Temos aqui a única alusão à sua vocação. Este texto deixa ver a genuinidade do carisma profético de Amós, que não era um mero elemento dum grupo profético, ou um profeta profissional ou cortesão, ao serviço dos homens.

 

Salmo Responsorial      Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: Deus manifesta-nos o Seu Amor também por aqueles que manda ao nosso encontro para nos indicarem o caminho da Salvação e da santidade.

Sejamos agradecidos aos que nos fazem correção fraterna, vendo neles a voz do Senhor e procuremos emendar-nos dos nossos defeitos e pecados.

 

Refrão:         Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor

                      e dai-nos a vossa salvação.

 

Ou:               Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis

e a quantos de coração a Ele se convertem.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom,

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na Carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, S. Paulo escreve, um belíssimo texto no qual canta a riqueza da nossa filiação divina, com todas as suas consequências.

Lembremo-nos muitas vezes desta verdade de fé, sobretudo quando necessitarmos de vencer a tristeza e o desânimo que às vezes nos assaltam.

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

*Forma longa: Efésios 1,3-14                 Forma breve: Efésios 1,3-10

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, de sua livre vontade, para sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para que fosse enaltecida a glória da sua graça, com a qual nos favoreceu em seu amado Filho. 7N’Ele, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados. Segundo a riqueza da sua graça, 8que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência, 9deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade: segundo o beneplácito que n’Ele de antemão estabelecera, 10para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra.

[11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para servir à celebração da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo. 13Foi n’Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito Santo prometido, 14que é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.]

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas. A primeira parte (vv. 3-10), exalta as bênçãos que encerra o projecto divino de salvação em Cristo, por isso é chamada o benedictus paulino. Assim se exprime Bento XVI: «Cada semana, a Liturgia das Vésperas apresenta à oração da Igreja o solene hino de abertura da Carta aos Efésios… Pertence ao género das «berakot», ou seja, as «bênçãos», que já aparecem no A. T. e que terão uma ulterior difusão na tradição judaica. Trata-se, portanto, de uma constante cadeia de louvor elevada a Deus, que na fé cristã é celebrado como «Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo»» (Audiência geral de 23-XI-2005).

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede aos homens, após o pecado, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus. Estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2Pe 1,4; Rom 12,1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8,15-29; Gal 4,5-7; 1Jo 3,1-3). A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 20,20-22), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1Pe 2,5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos; e não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4,23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7,10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

7 «Pelo seu Sangue temos a Redenção». A salvação que Cristo nos traz não é uma mera libertação; é apresentada como um resgate, uma remissão dos pecados (cf. Col 1,14), que custou o Sangue de Cristo, a sua vida oferecida em sacrifício pelos pecados (cf. Ef 1,14; 1Tes 5,9; 1Cor 6,2; 7,23; GaI 3,13; 4,5. 1Pe 2,9; 2Pe 2,1; Act 20,28; Apoc 5,9; 14,3).

9 «O mistério da sua vontade» é o plano redentor que Deus tem guardado para salvar todos os homens: tendo permanecido oculto durante muito tempo, foi-nos revelado agora em Cristo (cf. Col 1,26).

10 «Instaurar todas as coisas em Cristo», ou «Reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas». O verbo grego «anakêfalaiôsasthai», é de significação bastante discutida e difícil de traduzir. Assim a Vulgata, preferiu o sentido de «instaurare omnia in Christo», (tradução mantida na actual tradução litúrgica), decidindo-se pela ideia de «restaurar todas as coisas», fazendo voltar ao princípio, à santidade original toda a Criação transtornada pelo pecado (assim, é dado à partícula aná, que entra na composição do verbo grego um sentido iterativo). Porém outros, apoiando-se no elemento central da palavra, «kêfaláion» – «resumo», «ponto principal» –, traduzem por «concentrar ou reunir todas as coisas em Cristo», enquanto que Ele é o centro de convergência, o principio de unidade, ou o cume de toda a Criação, cabeça do Corpo místico. Finalmente, outros, atendendo ao contexto (v. 22; 4,15; 5,23; Col 1,18; 2,10.19), onde Cristo é apresentado como «Cabeça», em grego, «kêfalê», preferem traduzir por: «reunir sob a chefia de Cristo». Nesta linha parece estar a Nova Vulgata ao traduzir «recapitulare». Entretanto, parece-nos que o sentido literal não se fica somente no aspecto de fazer com que tudo tenha a Cristo por Cabeça, mas que visa também o aspecto de reunir. Também a tradução por «reunir sob a chefia de Cristo» não parece suficientemente expressiva. De facto, todos os seres criados estão desconjuntados e desunidos tanto entre si, como relativamente a Deus; pela Redenção de Cristo voltam a unir-se entre si e com Deus, em Cristo, ao unirem-se a Cristo e ao serem vivificados por Ele, constituído como cabeça de toda a Criação. A verdade é que este primado e capitalidade de Cristo por enquanto só é universal «de direito»; para que o seja «de facto» são os homens chamados a uma missão co-redentora, esforçando-se por «pôr Cristo no cume de todas as actividades humanas, dando forma a tudo segundo o espírito de Jesus, colocando Cristo no âmago de todas as coisas» (S. Josemaria, Cristo que passa, n.º 105).

 

Aclamação ao Evangelho           cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: A Palavra de Deus enche de luz e verdadeiro otimismo o nosso caminho para a felicidade eterna.

Cantemos esta felicidade, aclamando o Evangelho que nos ensina tão consoladoras verdades e que vai ser proclamado para nós.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Simões, NRMS, 9

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 6,7-13

Naquele tempo, 7Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros 8e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; 9que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. 10Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. 11E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». 12Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, 13expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.

 

Esta missão dos 12 é restrita aos judeus e vai ser uma espécie de estágio ou treino para a missão universal, após a Ressurreição (cf. Mc 16,15). Entre as recomendações de Jesus sobressai a do desprendimento; com efeito, o pregador há-de pregar sobretudo com o exemplo da sua vida.

11 «Sacudi o pó...» Gesto habitual dos judeus ao entrarem na Terra Santa, para não a contaminarem com a terra dos gentios, que se tenha colado às sandálias. Com tal gesto mostrava-se que consideravam como gentios aqueles que os não recebessem.

13 «Ungiam com óleo numerosos doentes». Aqui aparece insinuado o Sacramento da Unção dos Enfermos, que o Senhor terá instituído talvez mais adiante e que mais tarde foi recomendado e promulgado aos fiéis. na epístola de S. Tiago 5,14 ss. 

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus procura-nos

• Somos enviados por Jesus

 

1. Deus procura-nos

 

Deus quer precisar de cada um de nós para que a Sua Mensagem de Amor e Salvação chegue ao coração de cada pessoa e dê frutos de boas obras.

Ele, Criador e Senhor de todas as coisas, submete-Se assim à vontade dos homens, na aceitação ou não aceitação do envio, para anunciar, e no acolhimento à mensagem que deve levar à conversão pessoal.

Disponibilidade para a missão. Amós viva tranquilo na sua terra como pastor de gado e cultivador de sicómoros. O sicómoro é uma espécie de figueira que se cultiva na Terra Santa há milénios. Assim ganhava a vida o profeta, até que o Senhor o enviou ao reino da Samaria, para chamar aquela parcela do Povo de Deus à conversão.

Deus chama algumas pessoas a deixar de lado a vida que levavam antes, para se dedicarem em pleno à evangelização e dá-lhes as graças necessárias para se desprenderem da vida que levavam e mesmo enfrentarem a oposição ao seu trabalho de evangelizadores.

De resto, qualquer vocação exige de nós um esquecimento próprio e uma entrega generosa. Vamos para servir, e não para ser servidos.

Mas todos os batizados, afinal, são chamados a anunciar a salvação em Jesus Cristo. Um falsa visão que temos do nosso cristianismo leva-nos a pensar que cada um cuida de si mesmo, sem se preocupar com os outros. Deus foi o primeiro a dar o exemplo de vir ao nosso encontro para nos ajudar no caminho da salvação eterna.

Os enviados do Senhor. Recebem esta chamada de Deus para ajudar os outros, os pais aos filhos, em primeiro lugar. Deus confia-lhos para que, pela palavra, pelo ambiente e pelo exemplo, os ensinem e ajudem a seguir o caminho do Céu. Quando os pais se desinteressam de batizar os filhos logo que nascem, com a desculpa de que são eles que devem escolher mais tarde, tratam os filhos com crueldade. Quando se trata de alimentação, medicamentos, etc., os pais não esperam que os filhos o escolham e peçam.

Também os educadores nas diversas idades das crianças e dos jovens devem preocupar-se com a salvação eterna dos que lhes estão confiados.

Todos os cristãos, afinal, são enviados ao encontro das outras pessoas, para as ajudarem a palmilhar o caminho do Céu. Amós recebeu o chamamento de Deus no meio das atividades comuns que levava. O mesmo acontece connosco.

Os meios de evangelização. Amós apresentou-se diante das pessoas de Betel com o seu cajado de pastor e proclamando em voz alta aquilo que lhe parecia ser a vontade do Senhor.

Nós transmitimos a mensagem de Deus, em primeiro lugar, pela vida, pelo esforço generoso em viveremos fiéis a Deus; e logo pela palavra oportuna: pelo conselho amigo, pela corajosa correção paterna, ou filial.

Como acolher a mensagem de Deus. O sacerdote Amasías recebeu mal a mensagem de Amós. Deus começa por ser incómodo na nossa vida, quando ouvimos a Sua voz. Começa por pedir, e nós gostamos mais de receber.

O profeta enfrenta com fortaleza a situação e mostra-se resolvido a continuar a fazer a vontade de Deus.

Como recebemos os avisos de Deus na pregação, ou num conselho de uma pessoa amiga?

Cada vez que o Senhor Se dirige a cada um de nós, por meio dos nossos irmãos, usa de misericórdia para connosco.

Em Jesus Cristo, o Pai «nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença

 

2. Somos enviados por Jesus

 

Temos uma visão deformada da nossa vida e da forma como vivemos o nosso cristianismo. Entendemo-lo, na prática, como um compromisso individual que só a cada um de nós diz respeito, sem nenhuma ligação com as outras pessoas.

Uma aventura em comunhão. Desde há séculos, assistimos a uma luta subterrânea para afastar Deus do coração do homem. Agora luta-se para O proibir de entrar na vida comunitária da família e da sociedade, reduzindo a vida de fé ao foro privado, sem nenhuma implicação nas relações com as outras pessoas.

Segundo estes, cada um há-de viver o seu cristianismo individualmente, sem se preocupar com os outros, como se não fôssemos membros da mesma família solidária e, portanto, corresponsáveis uns pelos outros.

A nossa vocação eterna é a comunhão na Verdade e no Amor com a Santíssima Trindade, com Maria Santíssima e com toda a Corte Celestial. Mas esta vida é já uma experiência dessa comunhão.

Para a começarmos a viver desde já, Deus envia-nos ao encontro das outras pessoas, para as ajudar no caminho do Céu.

Todos são enviados. Os Doze Apóstolos foram os primeiros enviados por Jesus a evangelizar, ainda durante a Sua Vida Pública.

Mas, pouco depois, enviou os setenta e dois discípulos dois a dois, a preparar a passagem de Jesus pelas cidades e aldeias.

Finalmente, antes de subir ao Céu, aos quinhentos discípulos que se encontravam no Monte das Oliveiras, mandou-os evangelizar todos os povos de todas as nações, ensinando-os a fazer tudo o que Ele tinha ensinado e batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

 Na verdade, se o maior dos Mandamentos é o Amor a Deus e ao próximo, como poderíamos descurar a salvação eterna, que é fundamental na vida?

Os poderes que recebemos. Quando procuramos ajudar as pessoas, encaminhando-as ao encontro de Jesus, podemos dizer como S. Paulo: «Vivo, não já eu, vive Cristo em mim.» É Ele que fala, que sorri, que acaricia os doentes e conforta todos os que sofrem, por meio de mim. Cristo atua visivelmente com a visibilidade que Lhe “empresta” cada cristão. O Evangelho faz notar que Jesus, antes de enviar os Apóstolos, «Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros

Recomendações para o caminho. Jesus prepara os Doze com algumas recomendações para esta missão.

Desprendimento. Está concretizado na recomendação que lhes faz: «ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro

 Mas há outros apegos contra os quais nos havemos de precaver: o cuidado da própria imagem, o medo do que dirão e a ambição da glória pessoal tiram a eficácia a qualquer ação apostólica.

Dignidade. O apresentarem-se calçados com sandálias é uma alusão à dignidade com que havemos de nos apresentar. Não têm razão de ser os complexos de inferioridade. Não pedimos um favor, mas oferecemos um dom.

Mensageiros da paz. Em todo o tempo e lugar, junto de todas as pessoas, havemos de ser mensageiros da paz e não da intriga. Levamos a paz às consciências, não a angústia; a paz às famílias, ajudando-as a organizar a sua vida de acordo com a vontade de Deus.

Como se devem ter sentido confortadas as pessoas que encontram Nossa Senhora nos caminhos da vida, em Nazaré, primeiro, em Caná, depois, em Jerusalém e em Éfeso, finalmente!

Procuremos, quando nos sentimos perturbados, uns momentos de oração na sua presença, para que sintamos a paz e a alegria que Ela soube levar aos que encontrava nos caminhos desta vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«É precisamente o Batismo que nos torna missionários.

Um batizado que não sentir a necessidade de anunciar o Evangelho, de anunciar Jesus, não é um bom cristão.»

O Evangelho de hoje (cf. Mc 6, 7-13) narra o momento no qual Jesus envia os Doze em missão. Depois de os ter chamado pelo nome um por um, «para andarem com Ele» (Mc 3, 14) ouvindo as suas palavras e observando os seus gestos de cura, convocava-os agora para os «enviar dois a dois» (6, 7) às aldeias que Ele se preparava para visitar. É uma espécie de “aprendizagem” daquilo que serão chamados a fazer depois da Ressurreição do Senhor com o poder do Espírito Santo.

O trecho evangélico analisa o estilo do missionário, que podemos resumir em dois pontos: a missão tem um centro; a missão tem um rosto.

O discípulo missionário tem antes de mais um seu centro de referência, que é a pessoa de Jesus. A narração indica isto usando uma série de verbos que têm a Ele como sujeito — «chamou», «enviou-os», «dava-lhes poder», «ordenou», «dizia-lhes» (vv. 7.8.10) — de modo que o ir e o agir dos Doze aparecem como o irradiar-se de um centro, o repropor-se da presença e da obra de Jesus na sua ação missionária. Isto manifesta que os Apóstolos nada têm de seu para anunciar, nem capacidades próprias para demonstrar, mas falam e agem porque foram «enviados», enquanto mensageiros de Jesus.

Este episódio evangélico refere-se também a nós, e não só aos sacerdotes, mas a todos os batizados, chamados a testemunhar, nos vários ambientes de vida, o Evangelho de Cristo. E também para nós esta missão é autêntica apenas a partir do seu centro imutável que é Jesus. Não é uma iniciativa dos fiéis individualmente nem dos grupos, nem sequer das grandes agregações, mas é a missão da Igreja inseparavelmente unida ao seu Senhor. Cristão algum anuncia o Evangelho «por conta própria», mas unicamente enviado pela Igreja que recebeu o mandato do próprio Cristo. É precisamente o Batismo que nos torna missionários. Um batizado que não sentir a necessidade de anunciar o Evangelho, de anunciar Jesus, não é um bom cristão.

A segunda característica do estilo do missionário é, por assim dizer, um rosto, que consiste na pobreza dos meios. O seu equipamento responde a um critério de sobriedade. Com efeito, os Doze receberam a ordem de «que nada levassem para o caminho a não ser um cajado: nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto» (v. 8). O Mestre quis que eles fossem livres e ligeiros, sem apoios nem favores, com a única certeza do amor d’Aquele que os envia, fortalecidos unicamente pela sua palavra que vão anunciar. O cajado e as sandálias são o equipamento dos peregrinos, porque eles são mensageiros do reino de Deus, não empresários omnipotentes, não funcionários rigorosos nem estrelas em tournée. Pensemos, por exemplo, nesta Diocese da qual eu sou o Bispo. Pensemos nalguns Santos desta Diocese de Roma: São Filipe Neri, São Bento José Labre, Santo Aleixo, Beata Ludovica Albertoni, Santa Francisca Romana, São Gaspar del Bufalo e muitos outros. Não eram funcionários nem empresários, mas trabalhadores humildes do Reino. Tinham este rosto. E a este “rosto” pertence também a maneira como a mensagem é acolhida: com efeito, pode que acontecer não sejamos acolhidos nem ouvidos (cf. v. 11). Também isto é pobreza: a experiência da falência. A vicissitude de Jesus, que foi rejeitado e crucificado, antecipa o destino do seu mensageiro. E só se estivermos unidos a Ele, morto e ressuscitado, conseguiremos encontrar a coragem da evangelização.

A Virgem Maria, primeira discípula e missionária da Palavra de Deus, nos ajude a levar ao mundo a mensagem do Evangelho numa exultação humilde e radiante, além de qualquer rejeição, incompreensão ou tribulação.

   Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 15 de julho de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos: Supliquemos a Deus Pai,

por mediação de Jesus Cristo, Seu Filho,

que nos manifeste a Sua misericórdia

e dê a salvação eterna à santa Igreja.

Oremos (cantando), de coração sincero:

 

     Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

1. Pelo Santo Padre e por todos os Bispos, Presbíteros e Diáconos,

     para que celebrem os mistérios de Jesus Cristo com alegria e fé,

     oremos, irmãos.

 

     Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

2. Pelos apóstolos que Jesus continua a enviar pelo mundo inteiro,

     para que, sem dinheiro e sem ambições, anunciem a conversão,

     oremos, irmãos.

 

     Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

3. Pelos que têm fome e pelos doentes, pelos rejeitados e oprimidos,

     para que encontrem alívio junto de Deus e de cada um de nós,

     oremos, irmãos.

 

     Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

4. Por todos aqueles que Deus abençoou, escolheu e chamou à fé,

     para que sejam santos e irrepreensíveis na Sua divina presença,

     oremos, irmãos.

 

     Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

5. Por todos nós aqui reunidos a celebrar esta Eucaristia dominical,

     para que Deus nos dê o perdão e a fidelidade aos mandamentos,

     oremos, irmãos.

 

     Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

6. Pelos familiares, amigos e conhecidos chamados à Vida Eterna,

     para que o Senhor lhes perdoe os pecados e os acolha no Céu,

     oremos, irmãos.

 

     Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

que nos destes a conhecer a vossa vontade

de renovar todas as coisas em Jesus Cristo,

iluminai os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

Por Cristo Senhor nosso.

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois do convite que o Senhor nos fez, para que sejamos Seus enviados no mundo que O espera ansiosamente, Ele mesmo vai agora preparar, pelo ministério do sacerdote, o Alimento divino que nos fortalecera nesta caminhada pelo mundo até ao Céu.

 

Cântico do ofertório: As vossas palavras Senhor  C.  Silva, OC, pg 36

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons da vossa Igreja em oração e concedei aos fiéis que os vão receber a graça de crescerem na santidade. Por Nosso Senhor.

 

Santo: A. Cartageno – COM, pg 189

 

Saudação da Paz

 

Se todos nos dermos as mãos fraternalmente, combatendo a soberba e a ambição, teremos a verdadeira paz.

Ajudemo-nos mutualmente a instaurá-la e fortalecê-la entre todas as pessoas de boa vontade.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Como poderia o Senhor enviar-nos para, durante a semana que hoje começa, anunciarmos a todas as pessoas a Boa Nova, sem antes nos alimentar?

Por isso, ele mandou que todos os Domingos ouvíssemos a Sua Palavra e comungássemos o Seu Corpo e Sangue.

Quem não participa na Missa Dominical fica privado do Alimento indispensável para caminhar durante a semana.

 

Cântico da Comunhão: Quem come deste pão –– C.  Silva, OC, pg 216

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Ou

Jo 6, 57

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei a bondade do Senhor – J. Santos, NRMS, 62

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor envia-nos ao encontro de pessoas concretas, para lhes indicarmos o caminho da verdadeira felicidade. São os nossos familiares, companheiros de trabalho e demais amigos.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo – J. Santos, NRMS, 59

 

 

Homilias Feriais

 

15ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-VII: O seguimento de Cristo e a Cruz.

Ex 1, 8-14. 22 / Mt 10, 34-11, 1

Quem não toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim.

Como o Senhor afirma, o mais importante da vocação cristã é o seguimento de Jesus (EV). Este seguimento exige uma conversão constante que, por sua vez, está ligada à luta interior: Não penseis que eu tenha vindo trazer a paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada (EV).

O povo de Deus, exilado no Egipto, sofreu imenso, devido às medidas do novo faraó: trabalhos mais duros e o lançamento ao rio de todos os filhos que nascessem (LT). Mas o Senhor ajudou o seu povo: Salvamos a vida e ficámos livres (SR).

 

3ª Feira, 13-VII: Aproveitamento das graças de Deus.

Ex 2, 1-5 / Mt 11, 20-24

Jesus começou a censurar duramente as cidades em que tinha realizado a maioria dos seus milagres, por não terem feito penitência.

Os habitantes destas cidades não corresponderam às graças recebidas de Deus e os seus corações endureceram (EV). O mesmo aconteceu com o faraó do Egipto, apesar das muitas coisas realizadas pelo povo de Deus escravizado (LT).

O coração do homem é pesado e endurecido: Sou pobre e miserável, Senhor (SR). Precisamos que o Senhor nos dê um coração novo. A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus. Convertei-nos e ficaremos convertidos. Como temos estado a aproveitar as muitas graças que o Senhor nos concede?

 

4ª Feira, 14-VII: Para Deus nada é impossível.

Ex 3, 1-7. 9-12 / Mt 11, 25-27

Moisés: Mas quem sou eu para ir à presença do faraó e levar os filhos de Israel para fora do Egipto?

Quando Deus nos encarrega de alguma missão, que parece impossível, também nos há-de dar os meios necessários para levá-la a cabo: Eu estarei contigo (LT). E Deus esteve constantemente ao lado do seu povo, até chegar à terra prometida, revelou os seus caminhos a Moisés (SR). Lembremo-nos também desta presença constante de Deus junto de nós para chegarmos ao Céu.

É necessário que sejamos muito humildes, porque só aos humildes é que Ele se revela (EV). Nossa Senhora disse que Deus tinha feito grandes coisas nela porque viu a humildade da sua serva.

 

5ª Feira, 15-VII: Deus omnipotente e humilde.

Ex 3, 13-20 / Mt 11, 28-30

Eu sei que o rei do Egipto não vos deixará partir. Mas eu estenderei a minha mão, para fustigar o Egipto.

Deus vem libertar o seu povo: Estenderei a minha mão (LT), para levar a cabo o seu desígnio. Também quer libertar-nos das nossas escravidões, perdoando os nossos pecados. Ele recorda a Aliança, a palavra dada a mil gerações (SR).

Além da Omnipotência, é também um exemplo de humildade: O Verbo fez-se carne para ser o nosso modelo de santificação: Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (EV). Muito embora seja muito exigente, não impõe um fardo pesado: O meu jugo é suave e a minha carga é leve (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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