13º Domingo Comum

27 de Junho de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Louvai, louvai  o Senhor, povos de toda a terra – F. Silva, NRMS 85

cf. Sl 46, 2

Antífona de entrada: Louvai o Senhor, povos de toda a terra, aclamai a Deus com brados de alegria.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

“Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele que era rico, fez-se pobre, por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza”. Hoje, somos desafiados a contemplar Jesus, que se esconde na pobreza do pão da Eucaristia, para nos impelir depois à partilha do Pão de cada dia.

Comecemos, por nos confiar à sua graça e invocar o dom da sua misericórdia.

 

Ato penitencial

 

P. Senhor, que pelo vosso mistério pascal, nos alcançastes a salvação, tende piedade de nós!

R. Senhor, tende piedade de nós!

 

P. Cristo, que renovais constantemente no meio de nós as maravilhas da vossa Paixão, tende piedade de nós!

R. Cristo, tende piedade de nós!

 

P. Senhor, que nos tornais participantes do sacrifício pascal pela comunhão do vosso Corpo, tende piedade de nós!

R. Senhor, tende piedade de nós!

 

oração colecta: Senhor, que pela vossa graça nos tornastes filhos da luz, não permitais que sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas permaneçamos sempre no esplendor da verdade. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro da Sabedoria fala da vocação eterna do Homem chamado à vida. A realidade da morte é obra da desordem humana. Deus, porém, criou-nos para ser incorruptíveis e felizes.

 

Sabedoria 1, 13-15; 2, 23-25 (23-24)

13Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra de os vivos perecerem. 14Pela criação, deu o ser a todas as coisas e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a Terra, 15pois a justiça é imortal. 23Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem do que Ele é em Si mesmo. 24A morte entrou no mundo pela inveja do Demónio, e os seus partidários sentem-lhe os efeitos.

 

A leitura contém cinco versículos respigados da 1ª parte do livro da Sabedoria, o mais recente dos livros do A. T. e escrito em grego. O autor inspirado mostra como a verdadeira felicidade consiste em fazer a vontade de Deus e disso depende a sorte de cada um após a morte, pois «a justiça (de Deus) é imortal» (v. 15), não deixa de haver uma retribuição justa pelo proceder de cada um. E Deus não quer a morte de ninguém, mas esta é consequência do pecado: «não foi Deus quem fez a morte» (v. 13).

Mais adiante (vv. 23-24) insiste-se na mesma ideia, depois de censurar os ímpios que perseguem o justo, cuja vida santa consideram para eles uma repreensão do seu mau proceder. Como pano de fundo do texto, temos a narrativa do Génesis (Gn 3), embora não citada expressamente; na origem do mal e da morte – «não foi Deus quem fez a morte» (v. 23) – está «a serpente antiga, chamada Diabo e Satanás, que seduz toda a humanidade» (Apoc 12,9), «assassino desde o princípio… mentiroso e pai da mentira» (Jo 8,44); notar que a tradução litúrgica utilizou uma expressão mais suave, «demónio», em vez do termo grego Diabo, que significa caluniador, acusador, a tradução do nome hebraico Satanás.

 

Salmo Responsorial      Sl 29 (30), 2.4.5-6.11.12a.13b (R. 2a)

 

Monição: Alegremo-nos e exultemos porque o Senhor se compadeceu de nós, concedendo-nos a sua bênção.

 

Refrão:         Eu Vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.

 

Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes

e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.

Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,

vivificastes-me para não descer ao túmulo.

 

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,

e dai graças ao seu nome santo.

A sua ira dura apenas um momento

e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas

e ao amanhecer volta a alegria.

 

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,

Senhor, sede Vós o meu auxílio.

Vós convertestes em júbilo o meu pranto:

Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda leitura escutamos o apelo de Paulo à partilha de bens com a comunidade de Jerusalém. É um sinal de comunhão com a Igreja-Mãe e de caridade para com os mais pobres, que tem como exemplo o próprio Cristo.

 

2 Coríntios 8,7.9.13-15

Meus irmãos: 7vós sois ricos em tudo: na fé, na eloquência, no conhecimento da doutrina, em toda a espécie de atenções e na caridade que recebestes de nós. Mostrai-vos também ricos em generosidade. 9Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza. 13Não se trata de vos sobrecarregar a vós, para aliviar os outros, trata-se de procurar a igualdade. 14Na presente ocasião, aquilo que vos sobra compensa o que falta aos vossos irmãos, para que um dia, o que venha a sobrar-lhes compense o que vier a faltar-vos. E assim haverá igualdade, como esta escrito: 15«A quem tinha muito não sobejou, e a quem tinha pouco não faltou.»

 

A leitura é tirada da segunda parte da Carta (2 Cor 8 – 9), escrita da Macedónia; contém um forte apelo do Apóstolo ao desprendimento e à generosidade dos fiéis de Corinto na esmola para socorrer os pobres de Jerusalém. No regresso da sua 3ª viagem missionária, Paulo vai passar por Corinto e ali recolher o fruto da colecta, já recomendada na sua 1ª Carta, a fazer «no primeiro dia da semana», certamente na Liturgia dominical (cf, 1Cor 16,2.5), como veio a ser um costume cristão, já referido por S. Justino no século II: «Desde o princípio, com o pão e o vinho para a Eucaristia, os cristãos trazem as suas ofertas para a partilha com os necessitados. Este costume, sempre actual, da colecta inspira-se no exemplo de Cristo, que Se fez pobre para nos enriquecer» (Catecismo da Igr. Cat., nº 1351; cf. S. Justino, Apol. I, 67, 6). A imitação de Cristo passa também pelo exercício das virtudes do desprendimento e da generosidade: «Ele, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza» (v. 9). S. Paulo faz ainda apelo a uma justa repartição de bens (vv. 13-15), recorrendo ao texto de Ex 16, 18, que se refere à recolha equitativa do maná no deserto.

 

Aclamação ao Evangelho           2 Tim 1, 10

 

Monição: No Evangelho, aparece-nos Jesus a libertar uma criança da morte. É um sinal do poder de Deus sobre a fragilidade humana, um prenúncio da vitória pascal de Cristo na Ressurreição. Cristo vem para que todos tenham vida e vida em abundância.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS, 87

 

Jesus Cristo, nosso Salvador, destruiu a morte

e fez brilhar a vida por meio do Evangelho.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Marcos 5,21-43.       Forma breve: São Marcos 5,21-24.35b-43

Naquele tempo, 21Jesus voltou a atravessar, de barco, para a outra margem do lago. Reuniu-se junto d'Ele grande multidão, e Ele permaneceu a beira-mar. 22Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, 23caiu-lhe aos pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe a mão, para que seja salva e viva.» 24Jesus foi com ele. Acompanhava-O tão grande multidão, que O comprimia. [25Certa mulher tinha hemorragias havia doze anos. 26Sofrera muito com grande número de médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado; antes piorava cada vez mais. 27Como tinha ouvido falar Jesus, veio por detrás, no meio da multidão, e tocou-Lhe na capa. 28Pois dizia consigo: «Se eu, ao menos, Lhe tocar nas vestes, ficarei curada.» 29No mesmo instante, estancou-se-lhe o sangue, e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. 30Jesus notou logo em Si mesmo que saíra d’Ele uma força. Voltou-Se no meio da multidão e perguntou: «Quem Me tocou nas vestes?» 31Diziam-Lhe os discípulos: «Tu vês a multidão que Te aperta e perguntas: «Quem Me tocou?» 32Mas Jesus olhou em volta, para ver aquela que o tinha feito. 33E a mulher, assustada e a tremer, por saber o que Lhe tinha sucedido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe toda a verdade. 34Jesus replicou-Lhe: «Minha filha, foi a tua fé que te salvou! Vai em paz e fica sarada do teu mal.»] 35Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?» 36Mas Jesus, que surpreendera as palavras proferidas, disse ao chefe da sinagoga: «Não tenhas receio. Crê somente.» 37E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. 38Chegaram a casa do chefe da sinagoga. E Jesus deparou com o reboliço e com a gente que chorava e gritava muito. 39Ao entrar, perguntou-lhes: «Porque estais nesta agitação a chorar? A criança não morreu, está a dormir!» 40E riam-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, tomou consigo o pai e a mãe da criança e os que vinham com ele, e entrou no local onde estava a criança. 41Pegou na mão da criança e disse-lhe: «Talitá qumi Menina, Eu te ordeno: levanta-te». 42Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E logo se encheram de grande pasmo. 43Jesus fez-lhes instantes recomendações, para que ninguém soubesse do caso, e mandou que dessem de comer à menina.

 

Voltamos hoje ao nosso Evangelho do ano, com mais dois milagres de Jesus (na forma longa da leitura). «O encadeamento destas duas narrações de milagres é tão íntimo e tão natural, que é impossível considerá-lo como obra do evangelista ou da tradição donde as tomou. Trata-se evidentemente da reprodução da realidade histórica. O carácter vivo e gráfico da descrição remete-nos mais uma vez para uma testemunha ocular, Pedro» (Josef Schmid).

22 «Um dos chefes da sinagoga», certamente uma pessoa importante na terra, responsável pela orientação da sinagoga, especialmente nas celebrações dos sábados e dias festivos; competia-lhe dirigir o canto e as orações, bem como designar o leitor e comentador dos sedarim (secções) em que estava dividido o Pentateuco na Palestina no tempo de Jesus, para ser lido por ciclos de três anos, em forma de lectio continua. É de notar como um homem importante recorre a Jesus numa situação extrema, com a filha a morrer. Marcos, com uma informação mais directa, não enfatiza a situação como Mateus, que fala de que a filha já estava morta (cf. Mt 9,18).

25 «Certa mulher tinha hemorragias havia doze anos». A hemorragia, constituía uma impureza legal da infeliz mulher, que também tornava impuro tudo e rodos os que ela tocasse. Já farta de sofrer – havia já 12 anos – e de ser maltratada pelos humilhantes métodos curativos rabínicos, atreve-se a recorrer a Jesus. É impressionante a fé humilde e delicada daquela mulher envergonhada, que pensa que não precisa de se sujeitar a expor o seu mal; mas também se considera indigna de tocar em Jesus e, do meio da multidão, sem que fosse notada, limita-se a tocar-lhe na capa pela parte detrás (v. 27). Sentindo-se curada, não o manifesta logo, e, ao ouvir de Jesus que tinha sido tocado (v. 30), fica confundida pelo seu atrevimento e, «assustada e a tremer… veio prostrar-se diante de Jesus e disse-lhe toda a verdade». Não foram, porém, palavras de censura as que ouviu do seu médico, mas o louvor da sua fé e a paz que lhe inundou a alma com a garantia dada duma cura definitiva: «Minha filha, foi a tua fé que te salvou! Vai em paz e fica sarada do teu mal» (v. 34).

36-40 «Não tenhas receio. Crê somente». Para quem crê, Jesus nunca chega demasiado tarde (cf. v. 35) e sobra-lhe o reboliço da gente, o choro e o grito das carpideiras… Jesus, ao fazer bem, não quer dar espectáculo nem provocar alarido que venha a perturbar o seu ministério, por isso só o pai e a mãe da menina hão-de presenciar o milagre, além de Pedro Tiago e João, de que Jesus que fazer como que o núcleo duro dos Doze, pois são os mesmos que hão-de presenciar a Transfiguração e a Agonia, em dois montes contrapostos.

41-43 «Menina, levanta-te!» A expressão original de Jesus «talitá qumi», são umas palavras que terão causado tal impacto nos ouvintes, que jamais se lhes apagaram da memória, e que a tradição conservou tal qual, mesmo quando o Evangelho passou a ser pregado e finalmente escrito na língua grega. Não deixa de ser interessante o pormenor tão realista e tão humano de Jesus ao mandar que dessem de comer à menina, mesmo depois de ela já ter começado a andar.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Dois pobres de Cristo correm atrás de Jesus.

2. E Jesus como reage?

3. Nos passos de São José

 

1. Dois pobres de Cristo correm atrás de Jesus.

 

Dois pobres de Cristo correm atrás de Jesus. Um homem de nome e uma mulher anónima. No centro da cena, está Jesus que passa, por entre a multidão! Mas o seu coração vê fundo e conhece por dentro a dor e a aflição, o gemido e a esperança de cada pessoa! Jesus não é um curandeiro ambulante; é o companheiro de viagem, sempre pronto a acompanhar, muito de perto, os passos aflitos de Jairo! Ele dá-se mesmo conta de um suave toque feminino, que lhe faz sair uma força de Si mesmo!

E que esperam ambos de Jesus? Jairo e a mulher hemorroísa, clamam pela sua misericórdia, pela sua compaixão. Jairo suplica a Jesus, que a sua filha, às portas da morte, seja salva e viva. A mulher, por sua vez, calada pela gritaria da multidão, separada pela sua impureza, toca furtivamente a orla do manto de Jesus, na esperança de que Ele a pudesse curar! Ela sofre de um fluxo imparável e incurável de sangue, já lá vão doze anos!

Ambos se esbarram com o limite intransponível das suas forças e tentam atravessar, pela fé, o limiar da esperança. E, na sua boa fé, esperam de Jesus, ao menos, uma cura, quiçá um milagre da sua bondade!

 

2. E Jesus como reage?

 

E Jesus como reage? Ele começa precisamente por atender ao grito da miséria humana, por satisfazer a necessidade imediata da cura. Mas – se bem reparais - a oferta da sua misericórdia vai mais longe do que dez reis de vida ou de saúde! Jesus vê a pessoa no seu todo! Sabe que na pessoa humana há uma miséria escondida, como há uma ânsia de Deus e do seu amor. E, por isso, Jesus não se contenta por resolver um mero problema de saúde; ele aproxima-se e procura saber quem o tocou; ele faz questão de entrar em casa de Jairo, de tocar amorosamente a mão da menina.

É neste encontro tão humano, tão íntimo e pessoal, com Jesus, que estes “dois pobres de Cristo”, que estes doentes terminais, conhecem o que é o olhar do coração de Deus, a ternura do Seu amor, a graça da salvação.

Assim, irmãos, o programa de Jesus, o programa do Bom Samaritano, como o programa do cristão é muito simples: é o de «um coração que vê». «Este coração vê onde há necessidade de amor, e atua em consequência» (DCE 31).

 

3. Nos passos de São José

 

Em pleno Ano de São José, somos convidados a acolher o desafio do Papa Francisco de não termos medo da ternura da misericórdia. Porque não seguir os passos de São José, pai na ternura e no acolhimento? Lembra-nos o Papa na carta apostólica Patris Corde: “O acolhimento de José convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são, reservando uma predileção especial pelos mais frágeis, porque Deus escolhe o que é frágil (cf. 1 Cor 1, 27), é «pai dos órfãos e defensor das viúvas» (Sal 68, 6) e manda amar o forasteiro. Posso imaginar ter sido do procedimento de José que Jesus tirou inspiração para a parábola do filho pródigo e do pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32).”

 

Fala o Santo Padre

 

«Eis as duas condições para ser curado, para ter acesso ao Coração de Jesus:

sentir-se necessitado de cura e confiar n´Ele.»

O Evangelho deste domingo (cf. Mc 5, 21-43) apresenta dois prodígios feitos por Jesus, descrevendo-os quase como uma espécie de marcha triunfal rumo à vida.

Primeiro, o Evangelista narra o episódio de um certo Jairo, um dos chefes da sinagoga, que vai ter com Jesus suplicando-o que vá à sua casa porque a filha de doze anos está a morrer. Jesus aceita e vai com Ele; mas, ao longo do caminho, chega a notícia de que a jovem tinha morrido. Podemos imaginar a reação daquele pai. Mas Jesus diz-lhe: «Não temas; crê somente!» (v. 36). Quando chegam à casa de Jairo, Jesus manda sair as pessoas que choram — havia também carpideiras, que gritavam — e entra no quarto só com os pais e os três discípulos e, dirigindo-se à defunta, diz: «Menina, ordeno-te: levanta-te!» (v. 41). E imediatamente a jovem se levanta, como se tivesse acordado de um sono profundo (cf. v. 42).

Na narração deste milagre, Marcos insere outro: a cura de uma mulher que sofria de hemorragias e fica sarada assim que toca no manto de Jesus (cf. v. 27). Aqui, impressiona o facto de que a fé desta mulher atrai — tenho vontade de dizer, “rouba” — o poder salvífico divino que há em Cristo, o qual, sentindo que uma força «tinha saído dele», procura entender quem era. E quando a mulher, com muita vergonha, vai em frente e confessa tudo, Ele diz-lhe: «Filha, a tua fé te salvou!» (v. 34).

Trata-se de duas narrações interligadas, com um único centro: a fé; e mostram Jesus como nascente de vida, como Aquele que restitui a vida a quem confia plenamente nele. Os dois protagonistas, ou seja, o pai da menina, e a mulher doente, não são discípulos de Jesus, e no entanto são atendidos devido à sua fé. Têm fé naquele homem. Disto compreendemos que no caminho do Senhor todos são admitidos: ninguém deve sentir-se um intruso, um ilegal ou alguém sem direitos. Para ter acesso ao seu coração, ao Coração de Jesus, só existe uma condição: sentir-se necessitado de cura e confiar nele. Pergunto-vos: cada um de vós sente necessidade de ser curado? De algo, de algum pecado, de algum problema? E, se sente isto, tem fé em Jesus? Eis as duas condições para ser curado, para ter acesso ao seu Coração: sentir-se necessitado de cura e confiar nele. Jesus sai para descobrir estas pessoas no meio da multidão, e tira-as do anonimato, liberta-as do medo de viver e de ousar. Fá-lo com um olhar e com uma palavra que os encaminha de novo, depois de tantos sofrimentos e humilhações. Também nós somos chamados a aprender e a imitar estas palavras que libertam e estes olhares que restituem, a quantos a perderam, a vontade de viver.

Nesta página evangélica entrelaçam-se os temas da fé e da vida nova que Jesus veio oferecer a todos. Quando entra na casa onde a menina jaz morta, Ele manda sair aqueles que se agitam e se lamentam (cf. v. 40), e diz: «A menina não morreu. Ela dorme!» (v. 39). Jesus é o Senhor, e diante dele a morte física é como um sono: não há motivo para desesperar. A morte que devemos recear é outra: a do coração endurecido pelo mal! Dessa sim, devemos ter medo! Quando sentimos que temos o coração empedernido, o coração que se endurece e, permiti-me a palavra, o coração mumificado, devemos temer isto. Esta é a morte do coração. Mas para Jesus até o pecado, até o coração mumificado nunca é a última palavra, porque Ele nos trouxe a misericórdia infinita do Pai. E mesmo que toquemos o fundo, somos alcançados pela sua voz terna e forte: «Eu digo-te, levanta-te!». É bom ouvir esta palavra de Jesus dirigida a cada um de nós: «Eu digo-te, levanta-te! Vai. Levanta-te, coragem, levanta-te!». E Jesus restitui a vida à menina, restitui a vida à mulher sarada: vida e fé a ambas.

Peçamos à Virgem Maria que acompanhe o nosso caminho de fé e de amor concreto, especialmente pelos necessitados. E invoquemos a sua intercessão maternal pelos nossos irmãos que sofrem no corpo e no espírito.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 1 de julho de 2018

 

Oração Universal

 

P. Irmãs e irmãos, supliquemos ao nosso Deus, que é rico em misericórdia, para que ouça as preces do Seu Povo, dizendo firmes na fé:

 

R. Ouvi-nos, Senhor!

 

1.  Pela Igreja de Jesus Cristo:

para que anuncie com eloquência a Palavra;

celebre com beleza os sacramentos;

e dê testemunho do amor na prática generosa da caridade, oremos.

 

2. Pelos que governam os povos:

para que promovam a igualdade de oportunidades entre os seus cidadãos,

e cuidem por aliviar a indigência dos pobres,

com a abundância daqueles a quem sobra, para além do necessário, oremos.

 

3. Pelas vítimas da cultura da morte:

para que sobre todos resplandeça a sabedoria e a luz do Evangelho da vida, oremos.

 

4. Por todas as instituições da Igreja, ao serviço da caridade:

para que atendam, com competência, e com a atenção do coração,

às necessidades da pessoa toda e de todas as pessoas, oremos.

 

5. Por todos nós aqui presentes:

para que, ao partilharmos o mesmo pão da Eucaristia,

saibamos partilhar o mesmo pão de cada dia, oremos.

 

P- Senhor, nosso Deus, que sempre nos ouvis quando vos invocamos,

atendei-nos generosamente ao que vos pedimos com fé. Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Aceitai, Senhor, a nossa alegria – M. Carneiro, NRMS, 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que assegurais a eficácia dos vossos sacramentos, fazei que este serviço divino seja digno dos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: C. Silva/A. Cartageno – COM, pg 194

 

Monição da Comunhão

 

«Quem me tocou», pergunta Jesus. Um gesto humano de proximidade e ternura tem a marca do agir divino. Unidos a Cristo, que o gesto da comunhão sacramental nos comprometa a tocar e a cuidar dos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou o Pão vivo – C. Silva, NRMS, 36

Sl 102, 1

Antífona da Comunhão: A minha alma louva o Senhor, todo o meu ser bendiz o seu nome santo.

Ou:    cf. Jo 17, 20-21

Pai santo, Eu rogo por aqueles que hão-de acreditar em Mim, para que sejam em Nós confirmados na unidade e o mundo acredite que Tu Me enviaste.

 

Cântico de acção de graças: Devotamente eu Te adoro – J. Santos, NRMS, 77-79

 

Oração depois da Comunhão: Concedei-nos, Senhor, que o Corpo e o Sangue do vosso Filho, oferecidos em sacrifício e recebidos em comunhão, nos dêem a verdadeira vida, para que, unidos convosco em amor eterno, dêmos frutos que permaneçam para sempre. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Erguidos do chão da nossa pobreza, vamos enriquecidos pelos dons de Deus, como fez São José que confiou no Deus que realiza os sonhos. Ide em paz...

 

Cântico final: Eu quero viver na tua alegria – H. Faria, NRMS, 11-12

 

 

Homilia FeriaL

 

13ª SEMANA

2ª Feira, 28-VI: O seguimento do Senhor.

Gen 18, 16-33 / Mt 8, 18-22

Se encontrar cinquenta justos na cidade de Sodoma, perdoarei por causa deles a toda essa terra.

Aproximaram-se de Jesus dois homens, dispostos a segui-lo, mas com exigências incomportáveis (EV). Como seguir o Senhor? Procurando seguir os seus exemplos, sendo mais generosos, não regateando as exigências.

Abraão acreditou em Deus e foi aprendendo a misericórdia do Senhor pelos homens. Ao saber o que Deus pensava dos habitantes das cidades de Sodoma e Gomorra, pediu-lhe para poupar os justos que lá houvesse, e Deus compadeceu-se de todos (LT). Ele é clemente e compassivo, não nos trata como as nossas ofensas merecem (SER).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                       Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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