11º Domingo Comum

13 de Junho de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Caminhamos para o vosso altar – M. Luis, CNPL, Nº 265

Sl 26, 7.9

Antífona de entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica. Vós sois o meu refúgio: não me abandoneis, meu Deus, meu Salvador.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando se fala sobre a situação do mundo, aqueles e aquelas que têm uma certa preocupação de que as coisas melhorem, caem, por vezes, num pessimismo e desânimo profundos, dizendo: “Não há nada a fazer! Está tudo perdido!”

Este pessimismo é uma arma perigosa do demónio, porque nos leva a cruzar os braços e a nada fazer para melhorar as coisas.

A Liturgia da Palavra deste 11.º Domingo do Tempo Comum é uma proclamação de esperança e optimismo, que nascem da fé e da confiança em Deus. É indispensável que cada um de nós faça o que está ao seu alcance para melhorar o mundo e depois confie inteiramente na Omnipotência e Bondade infinita de Deus, nosso Pai do Céu.

 

Acto penitencial

 

O pessimismo e o desânimo são uma tentação cómoda para nós porque, se não vale a pena fazer nada, já não temos trabalho para melhorar o mundo.

Nós temo-nos deixado apanhar neste engano, cruzando os braços, em vez de fazermos o que está nas nossas mãos para tornar o mundo melhor.

Peçamos perdão desta atitude incompatível com a nossa fé e amor de Deus e prometamos fazer um esforço generoso para mudarmos de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

•    Senhor Jesus: A nossa falta de fé e de confiança em Deus,

     leva-nos a sermos pessimistas e a vivermos sem esperança.

     Senhor, misericórdia!

 

     Senhor, misericórdia!

 

•    Cristo: Andamos, por vezes, na vida, tristes e preocupados,

     esquecidos de que temos sempre em Vós o melhor dos pais.

     Cristo, tende misericórdia!

 

     Cristo, tende misericórdia!

 

•    Senhor Jesus: Quando sentimos dificuldades na nossa vida,

     esquecemo-nos de orar e de implorar a Vossa ajuda amiga.

     Senhor, misericórdia!

 

     Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus misericordioso, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício as nossas súplicas; e, como sem Vós nada pode a fraqueza humana, concedei-nos sempre o auxílio da vossa graça, para que as nossas vontades e acções Vos sejam agradáveis no cumprimento fiel dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Com uma parábola cheia de beleza, nos tempos conturbados do exílio de Babilónia, o profeta Ezequiel procura chamar à esperança o Povo de Deus.

E como a palavra de Deus é sempre viva e atual, este chamamento à esperança é também para nós.

 

Ezequiel, 17,22-24

22Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do grande cedro, dos seus ramos mais altos, Eu próprio vou colher um ramo novo, vou plantá-lo num monte muito alto. 23Na elevada montanha de Israel o hei-de plantar. Ele há-de lançar ramos e dar frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. 24E todas as árvores do campo hão-de saber que Eu sou o Senhor; abato a árvore elevada e elevo a arvore abatida, faço que seque a árvore verde e reverdesça a árvore seca. Eu, o Senhor, o afirmei e o hei-de realizar.»

 

O Profeta Ezequiel, após a denúncia das infidelidades do seu povo sujeito ao duro castigo do exílio babilónico, fala agora em nome do Senhor Deus, anunciando a restauração final do povo exilado, como obra do próprio Deus. De um simples ramo – outra forma de referir o resto de Israel – Ele fará surgir um cedro majestoso, a dar frutos, e em cujos ramos «farão ninho todas as aves» (v. 23), numa visão universalista escatológica, que preanuncia a universalidade do Reino de Deus, que Jesus descreve na parábola do grão de mostarda do Evangelho de hoje.

 

Salmo Responsorial     Salmo 91 (92) 2-3. 13-14. 15-16. (R. cf. 2a)

 

Monição: O salmo divinamente inspirado que nos é proposto, como resposta à interpelação do profeta Ezequiel, convida-nos a olhar a vida com esperança.

Nunca nos esqueçamos, sobretudo nos momentos mais sombrios, de que temos no Céu a velar por nós o melhor dos pais.

 

Refrão:         É bom louvar-vos Senhor

 

É bom louvar o Senhor

e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,

proclamar pela manhã a vossa bondade

e durante a noite a vossa fidelidade.

 

O justo florescerá como a palmeira,

crescerá como o cedro do Líbano;

plantado na casa do Senhor,

florescerá nos átrios do nosso Deus.

 

Mesmo na velhice dará o seu fruto,      

cheio de seiva e de vigor,

para proclamar que o Senhor é justo:

n'Ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: Mais uma vez, S. Paulo, na Segunda Carta aos fiéis da Igreja de Corinto, convida-nos a vivermos cheios de confiança em Deus.

Levantemos o olhar para Céu, onde Jesus foi preparar-nos um lugar, para comungarmos eternamente da Sua felicidade.

 

2 Coríntios 5,6-10

Meus irmãos: 6Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como que exilados, longe do Senhor, 7pois caminhamos pela fé e não vemos claramente. 8E, com a mesma confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para habitarmos junto do Senhor. 9Por isso nos empenhamos em Lhe ser agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de afastar-nos dele. 10Todos nós devemos aparecer a descoberto perante o tribunal de Cristo, a fim de cada qual receber a sua paga, pelas obras feitas durante a vida corporal, conforme as tiver praticado, boas ou más.

 

Na primeira parte da 2ª Carta aos Coríntios (cap. 1 a 7), S. Paulo, depois de fazer a sua defesa perante as acusações dos adversários, faz a apologia do seu ministério apostólico; e, no meio de tribulações sem conta (4, 7-12), é a fé em Jesus ressuscitado e a esperança no Céu que o leva a não desfalecer (4, 13 – 5, 10). O desejo de se «exilar do corpo», isto é, de deixar esta vida terrena, «para habitar junto do Senhor» no Céu (v. 8) leva-o ao empenho em lutar por Lhe agradar (v. 9).

E não deixa de aproveitar a ocasião para expor aos fiéis uma verdade de fé fundamental que nos responsabiliza, a saber, que todos havemos de ser julgados por Deus no fim desta vida. É a este mesmo «tribunal de Cristo» (v. 10) que se refere o nº 1022 do Catecismo da Igreja Católica: «Cada homem recebe, na sua alma imortal, a retribuição eterna logo depois da sua morte, num juízo particular que põe a sua vida na referência de Cristo, quer para entrar imediatamente na felicidade do Céu, quer para entrar imediatamente na felicidade do Céu, quer através duma purificação, quer para se condenar imediatamente para sempre».

Chamamos a atenção para o modelo antropológico grego que S. Paulo aqui adopta: habitar no corpo (v. 9) e exilar-se do corpo (v.8). Como bom comunicador, costuma lançar mão da linguagem que mais se presta a ser bem compreendido pelos destinatários.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Deus nosso Senhor não se cansa de lançar dentro de nós a semente da Sua Palavra, para que germine e dê frutos de boas obras na nossa vida.

Colhamo-la, uma vez mais, com grande alegria, e aclamemos o Evangelho que a proclama para todos nós. 

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS, 46

 

A semente é a Palavra de Deus, Cristo é o semeador;

todo aquele que O encontra, encontra a vida eterna. Refrão

 

 

Evangelho

 

São Marcos 4, 26-34

Naquele tempo, 26dizia Jesus às multidões: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. 27Dorme e levanta-se, de noite e de dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. 28A terra produz por si, primeiro o pé, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. 29E, mal o trigo o permite, logo ele mete a foice; a seara está pronta. 30Jesus dizia também: «A que havemos de comparar o Reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? 31É como o grão de mostarda que, ao ser semeado no terreno, é a menor de todas as sementes que há na terra. 32Mas, depois de semeado, começa a crescer, torna-se a maior de todas as plantas da horta e deita ramos tão grandes que as aves do céu vêm abrigar-se à sua sombra.» 33Jesus pregava-lhes a palavra Deus com muitas parábolas destas, conforme eram capazes entender. 34E não lhes falava senão por meio de parábolas, e, em particular, tudo explicava aos discípulos.

 

Após a interrupção com o tempo da Quaresma e da Páscoa, retomamos hoje a sequência da leitura do evangelista do ano, S. Marcos, com duas parábolas do Reino de Deus no final do cap. 4, a saber, a do germinar e crescer da semente e a do grão de mostarda. A primeira (vv. 26-29) é uma das poucas passagens exclusivas de S. Marcos; ela apresenta o processo do desenvolvimento da semente, deveras misterioso sobretudo para os antigos, pois tudo acontece sem que o semeador saiba como e sem que ele intervenha de qualquer modo: «Dorme e levanta-se, de noite e de dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como» (v. 27). O Reino de Deus cresce não pela virtude, preocupação ou mérito do pregador, mas pela sua energia interna, pela força da graça de Deus que actua onde, como e quando quer. São Paulo dirá aos Coríntios, ufanos em grupos à volta dos diversos pregadores do Evangelho: «Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento. Assim, nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas só Deus, que faz crescer» (1Cor 3,6-7). Também se pode fazer uma leitura espiritual (lectio divina) da parábola aplicando-a à acção da graça na alma: Deus faz que brotem dentro de nós, sem sabermos como, santas inspirações, boas resoluções, fidelidade, maior entrega… Ele realiza em nós e à nossa volta aquilo que nem sequer podíamos sonhar, desde que lancemos a semente e não estorvemos a obra de Deus.

30-32 A pergunta retórica com que a parábola do grão de mostarda é introduzida – «a que havemos de comparar o Reino de Deus? – é um recurso bem semítico destinado a atrair a atenção dos ouvintes. O grão de mostarda era a semente mais pequena então conhecida, que pode em pouco tempo vir a dar uma planta de cerca de três metros. Esta parábola põe em evidência a desproporção entre a insignificância dos começos do Reino de Deus e a sua vasta e rápida expansão. O livro de Actos dos Apóstolos sublinha constantemente o crescimento progressivo da Igreja; por sua vez, em S. Lucas, Jesus anima-nos a não temer a insignificância dos começos: «Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino» (Lc 12,32).

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus nunca desiste de nos ajudar

• Lancemos a semente da Verdade e do Bem

 

1. Deus nunca desiste de nos ajudar

 

Ezequiel, o profeta da Esperança, exerceu o seu ministério na Babilónia, no meio do Povo de Deus, triste e desanimado (593-586 a C).

Começou por destruir as falsas esperanças dos hebreus, fiados em que o cativeiro era apenas um passeio até Babilónia e em breve estariam de regresso. Ezequiel recomenda-lhes que organizem a vida, construam casas e casem as filhas, porque o exílio vai durar setenta anos.

Além disso, denuncia a multiplicação das infidelidades a Jahwéh por parte desses membros do Povo de Deus que escaparam ao primeiro exílio e que ficaram em Jerusalém.

É neste contexto que o profeta expõe uma parábola cheia de significado.

Uma lição da história do Povo de Deus. Fala de uma “águia” que será, provavelmente, o rei Nabucodonosor. Diz que “veio do Líbano comer a ponta do cedro. Apanhou o ramo mais elevado” – possível alusão ao rei de Israel Jeconias – e levou-o para o país dos comerciantes –  para Babilónia – e, no lugar dele, no seu trono, plantou outra árvore – alusão ao novo rei Sedecias–, e acrescenta que esta árvore, uma “videira”, todavia, não irá prosperar, apesar das tentativas de aliança com o Egipto. Mais, será levado prisioneiro para a Babilónia e lá morrerá (Ez 17,10). De facto, assim veio a acontecer pouco depois.

A mensagem destas palavras enigmáticas é clara: os exilados não devem alimentar ilusões de êxito, ao ver as jogadas políticas do rei Sedecias, aliado com os egípcios. A política de Sedecias, em Jerusalém, não vai trazer a libertação dos exilados, mas, pelo contrário, conduzirá a uma segunda deportação de pessoas.

Mensagem de esperança. Estará então tudo terminado? Não. Já não há esperança? Apesar das dramáticas circunstâncias do tempo presente, Deus não abandonou o seu Povo, mas irá construir com ele uma história nova, de salvação e de graça.

Passamos a vida a lamentar que o ambiente da política, da economia, da sociedade e da religião está mal e que este mundo é um caso perdido. Dizemos que não vale a pena tentar melhorá-lo. Esta é a linguagem dos que não têm fé, nem esperança.

Deus Omnipotente não desiste de nos salvar. Quando não temos fé nem esperança, além de nada fazermos para modificar as coisas, falamos e pensamos como se Deus Se visse incapaz de mudar o rumo das coisas, porque Satanás tomou conta de tudo e Deus já não consegue fazer nada.

Ou então, aplicamos-lhe as nossas categorias de pessoas que se desiludem, desanimam e desistem, porque se cansaram de ajudar alguém. Para estes, Deus teria desanimado de nos salvar e abandona-nos à nossa sorte, depois ter tentado, em vão, salvar-nos.

Com este modo de pensar só lucra o Inimigo, porque nos leva a cruzar os braços e a nada fazer, manietados pela falta de esperança da vitória.

Deus nunca desiste, nunca desanima de nos salvar, nunca cruza os braços, incapaz perante as nossas infidelidades. Está sempre pronto a ajudar-nos. Fez connosco, na Cruz e pelo Batismo de cada um, uma Aliança de Amor para sempre, mesmo que nós sejamos infiéis. A última palavra só será dada depois da morte, com um respeito infinito pela nossa liberdade pessoal.

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade veio do Céu à terra para assumir a nossa natureza humana cheia de limitações e morreu por nós na Cruz, como poderia agora abandonar um tão grande investimento?

Deus nunca se põe fora da história dos homens, mas dirige-a com amor infinito, respeitando sempre a nossa liberdade. Continua a ser um mistério saber onde está o ponto de contacto entre a liberdade humana e a omnipotência divina.

Na Sexta Feira Santa à noite parecia que estava tudo pedido. No entanto, a manhã do Domingo de Páscoa estava apenas a algumas horas de distância.

Por que desanimamos? Não temos confiança no amor do nosso Deus por nós? Não acreditamos na Sua Omnipotência e Sabedoria infinitas?

 

2. Lancemos a semente da Verdade e do Bem

 

Para nos ajudar a compreender melhor estas verdades, o Senhor conta-nos diversas parábolas.

A semente. Num primeiro momento, lançar a semente à terra parece um disparate, uma loucura, porque para quem não tem experiência, leva a uma desilusão. É esbanjar as poucas sementes que temos, deixando-as desintegrar-se na terra.

O agricultor, porém, sabe que não é assim. Aquele gesto de desprendimento cheio de esperança resulta numa colheita abundante. Cada grão dá origem a uma espiga.

Para conseguir este resultado, é indispensável um gesto de desprendimento, como nos ensina Jesus: «Se o grão de trigo lançado à terra não morrer, fica ele só. Mas, se morrer, dá muito fruto

Deus não engana. Trazendo a parábola do Mestre para a nossa vida de cada dia, vemos que parece, às vezes, mais eficaz, não arriscar, fazendo a vontade de Deus, mas resolver os problemas da vida à luz de um critério meramente humano sem a dimensão da fé e da esperança. A vida dos santos ensina-nos o contrário.

Os pais de famílias numerosas acolhidas com generosidade fazem inveja, pela sua felicidade, aos casais egoístas que se fecham à vida; os que fazem da vida uma canção de amor, como santa Teresa de Calcutá, sorriem-nos numa vida alegre e feliz.

•  A tentação do egoísmo. Render-se ao menor esforço, ao egoísmo, à preguiça e ao sofá parecem a solução mais conforme com aquilo que desejamos mas não é.

O Santo Padre convida os jovens a abandonar o sofá e a calçar as sapatilhas, para se lançarem à conquista do mundo e da felicidade.

O sonho de arrumar para o lado todas as dificuldades e dar preferência ao que alimenta as paixões já deu o seu fruto: a limitação da natalidade e a noite desertificada em que vive a sociedade; o permissivismo ensinado pelos pais aos filhos, torna-se uma fonte de desgostos para eles; o não se preocupar em cumprir os deveres religiosos, acaba por envolver a vida em graves complicações.

O grão de mostarda. A semente de mostarda é das mais pequeninas. No nosso meio, podíamos também falar da semente de eucalipto.

É muito pequenina e escapa-se facilmente da mão, sendo difícil, depois, de encontrar. Mas, uma vez lançada à terra cresce até se tornar uma árvore frondosa.

Nós queremos semear as boas ações e ver imediatamente o efeito: E, se isso não acontecesse, deixar-nos-iamos cair no pessimismo. Somos como a criança que mete na terra do jardim uma planta pequenina e no dia seguinte, levanta-se cedo e corre para o jardim à espera de ver uma planta crescida, grande. Mas como isso não acontece, arranca-a.

Também acontece isto na nossa santificação pessoal, na correção de defeitos e pecados.  Confessamo-nos uma vez e como voltamos a precisar de confissão, desanimamos; caímos no desânimo também nos estudos, quando um exame não corre bem...

O importante é fazer a vontade de Deus e não gastar muito tempo a examinar os resultados. O Senhor pede-nos esforço e não triunfos.

Não tenhamos pressa de ver o efeito da boa sementeira: educação cristã dos filhos com todas as suas amorosas exigências; do nosso progresso na vida espiritual, depois começarmos a frequentar os sacramentos e a orar com assiduidade.

Foi numa vida humilde e silenciosa, procurando fazer sempre e em tudo a vontade de Deus, que Maria Santíssima, com S. José, se santificou.

Hoje, os dois sorriem-nos do Céu, a dizer que vale a pena lutar pela santidade pessoal, o único tesouro que podemos levar deste mundo.

 

Fala o Santo Padre

 

«Nos momentos de escuridão e de dificuldade não devemos desanimar,

mas permanecer ancorados na fidelidade de Deus, na sua presença que salva sempre.

Recordai-vos disto: Deus salva sempre.»

Na hodierna página evangélica (cf. Mc 4, 26-34), Jesus fala às multidões sobre o Reino de Deus e os dinamismos do seu crescimento, e fá-lo narrando duas breves parábolas.

Na primeira (cf. vv. 26-29), o Reino de Deus é comparado com o crescimento misterioso da semente, que é lançada à terra e depois germina, cresce e produz a espiga, independentemente do cuidado do agricultor, que quando ela estiver madura se ocupará da colheita. A mensagem que esta parábola nos ensina é a seguinte: mediante a pregação e a ação de Jesus, o Reino de Deus é anunciado, irrompe no campo do mundo e, como a semente, cresce e desenvolve-se por si mesmo, pela sua força e segundo critérios humanamente não decifráveis. No seu crescer e germinar dentro da história, ele não depende tanto da obra do homem, mas é sobretudo expressão do poder e da bondade de Deus, da força do Espírito Santo que leva por diante a vida cristã no Povo de Deus.

Por vezes a história, com as suas vicissitudes e os seus protagonistas, parece caminhar em sentido contrário ao desígnio do Pai celeste, que quer para todos os seus filhos a justiça, a fraternidade e a paz. Mas nós somos chamados a viver estes períodos como estações de provação, de esperança e de expetativa vigilante da colheita. Com efeito, tanto ontem como hoje, o Reino de Deus cresce no mundo de maneira misteriosa, surpreendente, revelando o poder escondido do pequeno grão, a sua vitalidade vitoriosa. Nos meandros de vicissitudes pessoais e sociais que por vezes parecem marcar o naufrágio da esperança, é preciso permanecer confiante no agir de Deus, delicado mas poderoso. Por isso, nos momentos de escuridão e de dificuldade não devemos desanimar, mas permanecer ancorados na fidelidade de Deus, na sua presença que salva sempre. Recordai-vos disto: Deus salva sempre. É o salvador.

Na segunda parábola (cf. vv. 30-32), Jesus compara o Reino de Deus com um pequeno grão de mostarda. É uma semente muito pequenina, mas desenvolve-se tanto que se torna a maior de todas as plantas da horta: um crescimento imprevisível, surpreendente. Não é fácil para nós entrar nesta lógica da imprevisibilidade de Deus e aceitá-la na nossa vida. Mas hoje o Senhor exorta-nos a ter uma atitude de fé que supera os nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões. Deus é sempre o Deus das surpresas. O Senhor surpreende-nos sempre. É um convite a abrir-nos com mais generosidade aos planos de Deus, quer a nível pessoal quer comunitário. Nas nossas comunidades é preciso prestar atenção às pequenas e grandes ocasiões de bem que o Senhor nos oferece, deixando-nos envolver nas suas dinâmicas de amor, de acolhimento e de misericórdia para com todos.

A autenticidade da missão da Igreja não deriva do sucesso nem da gratificação dos resultados, mas do ir em frente com a coragem da confiança e a humildade do abandono em Deus. Ir em frente na confissão de Jesus e com a força do Espírito Santo. É a consciência de sermos pequenos e débeis instrumentos, que nas mãos de Deus e com a sua graça podemos realizar obras grandes, fazendo progredir o seu Reino que é «justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17). A Virgem Maria nos ajude a ser simples, a estar atentos, a fim de colaborarmos com a nossa fé e com o nosso trabalho no desenvolvimento do Reino de Deus nos corações e na história.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 17 de junho de 2018

 

Oração Universal

 

Caríssimos fiéis em Jesus Cristo:

Aqui reunidos no Espírito Santo,

oremos com toda a confiança a Deus Pai,

pela mediação de seu Filho Jesus Cristo.

Peçamos (cantando), cheios de esperança:

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

1. Pelo Santo Padre, Cabeça visível de toda a Igreja de Jesus Cristo,

     pela nossa Conferência Episcopal e pelos Bispos e Presbíteros,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

2. Pelos cristãos que perderam a fé, pelo povo judeu, vinha de Deus,

     pelos crentes de todas as religiões e pelos cristãos desanimados,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

3. Pela semente da Verdade e da Amor lançada por Jesus nos corações,

     pelo crescimento da fé na Igreja de hoje e por todos os missionários,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

4. Por aqueles que já perderam a esperança, no meio das dificuldades,

     pelos que foram injustamente condenados ou vivem longe da pátria,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

5. Pela nossa Comunidade paroquial aqui reunida nesta Celebração,

     e por aqueles que não tiveram coragem ou generosidade para vir,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

6. Pelos nossos pais, irmãos e demais parentes que Deus chamou a Si,

     para que, pela misericórdia de Deus, sejam acolhidos na eterna paz,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

Pai de misericórdia e do perdão generoso,

que enviastes o vosso Filho e nosso Salvador

a semear a Palavra no coração dos homens,

fazei que ela germine e dê muito fruto,

para ser recolhido no celeiro do reino dos Céus.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor Jesus preparou o terreno do nosso coração com a Sua Palavra e quer agora lançar nele a semente divina da Eucaristia.

Pelo ministério do sacerdote, vai transubstanciar no Seu Corpo e Sangue o pão e o vinho que levamos ao altar.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei – J. Santos, NRMS, 70

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que pelo pão e o vinho apresentados ao vosso altar dais ao homem o alimento que o sustenta e o sacramento que o renova, fazei que nunca falte este auxílio ao nosso corpo e à nossa alma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: C. Silva - OC pg 537

 

Saudação da Paz

 

A verdadeira paz só nos pode vir do Alto do Céu e tê-la-emos na medida em que abrirmos o nosso coração aos desígnios do Altíssimo.

Como em Caná da Galileia aos serventes do banquete, Maria recomenda-nos, como caminho para a verdadeira paz: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Santíssima Eucaristia é a divina semente na qual Jesus Se nos dá como Alimento, para que dê nas nossas vidas frutos de santidade verdadeira.

Cada comunhão sacramental deve levar-nos a uma identificação progressiva com Jesus Cristo.

 

Cântico da Comunhão: É Cristo quem nos convida – C. Silva, OC, pg 82

Sl 26, 4

Antífona da comunhão: Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida.

 

ou

Jo 17, 11

Pai santo, guarda no teu nome os que Me deste, para que sejam em nós confirmados na unidade, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear – J F. Silva, NRMS, 17

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que a sagrada comunhão nos vossos mistérios, sinal da nossa união convosco, realize a unidade na vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Nunca temos razão para nos deixarmos cair no pessimismo, sejam quais forem as dificuldades, porque podemos contar sempre e em todas as horas com o nosso Pai do Céu.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor – C. Silva, OC, pg 54

 

 

Homilias Feriais

 

11ª SEMANA

 

2ª Feira, 14-VI: A caridade e o testemunho de vida.

2 Cor 6, 1-10 / Mt 5, 38-42

Ouvistes que foi dito aos antigos, olho por olho, e dente por dente. Pois eu digo-vos: Não resistais ao malvado.

Jesus pede-nos uma nova mentalidade no relacionamento com o próximo: É altura de acabar com a lei de Talião (EV). Agora deve prevalecer o amor ao próximo, que exige capacidade de humilhação, desprendimento do próprio eu, espírito de serviço desinteressado, ajuda aos mais necessitados (EV).

Também é altura de nos comportarmos como colaboradores de Deus, utilizando a sua graça para darmos um bom testemunho de vida, pela ciência e pela paciência, pela palavra da verdade e pela força de Deus (LT).

 

3ª Feira,15-VI: O amor aos que nos ofendem.

2 Cor 8, 1-9 / Mt 5,43-48

Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus.

Jesus faz-nos dois pedidos: O primeiro é uma extensão do mandamento novo: Amar os inimigos, como Ele fez, e não nos contentarmos em querer apenas aos que nos amam (EV). Precisamos descobrir que as pessoas que nos aborrecem, nos ajudam a santificar. O Senhor levanta os abatidos, dá vista aos cegos (SR).

O segundo é a generosidade para com o próximo, no que se refere aos bens materiais. S. Paulo recorda a generosidade dos fiéis de Corinto (LT). E temos o exemplo de Cristo que, sendo rico, se fez pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza.

 

4ª Feira, 16-VI: O enriquecimento aos olhos de Deus.

2 Cor 9, 6-11 / Mt 6, 1-6. 16-18

Quem semeia pouco, também colherá pouco e, quem semeia abundantemente, também colherá abundantemente.

Com esta imagem da sementeira, o Apóstolo anima-nos a semear com generosidade e alegria, tendo em conta que seremos enriquecidos em tudo (LT). Haverá em sua casa abundância e riqueza e felicidade: feliz o homem que espera no Senhor (SR).

A generosidade há-de notar-se nas formas de penitência, recomendadas pelo Senhor: a esmola, a oração e o jejum (EV), feitas unicamente para Deus, que nos dará a recompensa (EV). Procuremos também descobrir as formas de pobreza dos nossos dias: as pessoas doentes, a solidão dos idosos, as dificuldades dos desempregados, etc.

 

5ª Feira, 17-VI: Os tesouros do Pai-nosso.

2 Cor 11, 1-11 / Mt 6, 7-15

Quando orardes, não digais muitas palavras como os pagãos. Orai pois deste modo: Pai-nosso que estais nos Céus…

O Pai-nosso (EV) reúne, em poucas palavras, o que podemos pedir a Deus, na presença de Deus, nosso Pai, para o adorarmos, amarmos e bendizermos. O Espírito filial faz brotar dos nossos corações sete petições, que são sete bênçãos. As três primeiras, mais teologais, atraem-nos para a glória do Pai; as quatro últimas, como caminhos para Ele, expõem as nossas misérias à sua graça (CIC,2803).

Nos ensinamentos de S. Paulo aos Coríntios, ele anunciou o Evangelho de Deus (LT), no qual está contido o Pai-nosso. Os preceitos do Senhor são imutáveis (SR).

 

6ª Feira, 18-VI: Acumular tesouros no Céu

2 Cor 11, 18. 21-30 / Mt 6, 19-23

Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

O coração, em sentido bíblico, é o mais íntimo do nosso ser, em que nos decidimos ou não por Deus. Por isso,o Senhor pede que encontremos a nossa riqueza em Deus (EV). Na Missa dizemos: O nosso coração está em Deus. E o mesmo se poderia aplicar a outras acções que fazemos. Jesus pede-nos que acumulemos tesouros no Céu (EV). Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes (SR).

S.Paulo fala dos tesouros da sua vida, os seus sofrimentos:  trabalhos, prisões, açoites, perigos de morte, com o número de vezes acontecidas (LT).

 

Sábado, 19-VI: Modos de enriquecimento.

2 Cor 12, 1-10 / Mt 6, 24-34

Ninguém pode servir a dois senhores. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

Para levar a cabo este ensinamento, somos aconselhados a confiar na Providência divina: Não vos preocupeis como o dia de amanhã (EV). Os poderosos empobrecem e passam fome. E aos que procuram a Deus, não faltará riqueza alguma. Assim viveu Jesus, tal como aparece na bem-aventurança dos pobres de espírito!

Quando aparecem as nossas fraquezas, Deus diz-nos, como a S. Paulo: Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder (LT). E o Apóstolo revela o segredo da sua fraqueza: Porque, quando sou fraco, então sou forte.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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