Imaculado Coração de Maria

12 de Junho de 2021

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Coração Imaculado da Virgem Santa Maria – M. Faria, NRMS, 33-34

cf. Salmo 12, 6

Antífona de entrada: O meu coração exulta em Deus meu Salvador. Cantarei ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A devoção ao Imaculado Coração de Maria é conhecida desde há muito tempo. Com as Aparições de Nossa Senhora, na Cova da Iria, em Fátima, em 1917, esta devoção passou a ter uma grande importância na vida espiritual de muitos crentes. “Consagre-se o mundo na esperança que um dia o salve um milagre da Virgem Maria.” No dia 13 de Outubro de 1942, quando a Segunda Guerra mundial provocava sofrimento e destruição, o Papa Pio XII, correspondendo ao desejo de Nossa Senhora de Fátima, consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que preparastes no coração da Virgem Santa Maria uma digna morada do Espírito Santo, transformai-nos, por sua intercessão, em templos da vossa glória. Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Exulto de alegria no Senhor e a minha alma rejubila no meu Deus.” Isaías 61,10

O Profeta fala da situação histórica do povo Hebreu, no cativeiro, em Babilónia. Ao mesmo tempo que anuncia a libertação, aponta já para os tempos futuros, em que os sinais de tristeza e de aflição serão transformados numa coroa de felicidade e de glória. “Então todo o teu povo será constituído de pessoas justas, e possuirá a terra para sempre, a fim de manifestar ao mundo a minha Glória.” (Isaías 60,21) “Exulto de alegria no Senhor.” A Igreja aplica estas passagens bíblicas à Mãe de Jesus: Aquilo que Deus quer realizar em todos nós já aconteceu em Maria, Mãe do Senhor e sua colaboradora. A obra da redenção já se completou nela: Elevada ao Céu em corpo e alma e sentada ao lado de Cristo, Ela aparece no Céu como um sinal grandioso. Ela é a mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés, tendo na cabeça uma coroa de doze estrelas.

 

Isaías 61,9-11

A linhagem do povo de Deus será conhecida entre os povos e a sua descendência no meio das nações. Quantos os virem terão de os reconhecer como linhagem que o Senhor abençoou.

Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante das nações.

 

O Terceiro Isaías (Is 56 – 66) não se cansa de cantar as glórias de Jerusalém, em especial nos capítulos 60 a 64, donde é extraído o trecho da leitura. Jerusalém é uma figura da Igreja e a Liturgia, como acontece frequentemente, aplica à Virgem Maria o que se diz da Igreja de quem ela é Mãe, modelo e tipo (cf. LG 53).

10 «A minha alma rejubila… com as vestes da salvação». O capítulo 61 de Isaías canta as alegrias do regresso do exílio, mas com um profundo sentido messiânico, como consta do discurso de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4,16-22). É por isso que os Padres gostavam de identificar estas “vestes da salvação” com o manto de Sol da Mulher do Apocalipse (cf. Apoc 12,1): Cristo é o Sol da Justiça que purifica de toda a mancha a sua Mãe desde o primeiro instante da sua concepção (cf. o artigo de Karol Wojtyla na obra colectiva: “Im Gewande des Heils”, Essen, 1979).

 

Salmo Responsorial     1 Sam 2, 1.4-5.6-7.8abcd (R. 1a)

 

Monição: “Exulta o meu coração no Senhor.” Ana, esposa de Elcana, depois de oferecer o seu filho Samuel ao Senhor, agradece a Deus que a libertou da esterilidade. Ana celebra a grandeza e a benignidade de Deus, que “levanta os abatidos” e faz maravilhas em favor daqueles que O amam. Este cântico tem uma grande afinidade com o Magnificat de Nossa Senhora: “Deus enche de bens os humildes. A sua misericórdia permanece de geração em geração.”

 

Refrão:         O meu coração exulta no Senhor, meu Salvador.

 

Exulta o meu coração no Senhor,

no meu Deus se eleva a minha fronte.

Abre-se a minha boca contra os inimigos,

porque me alegro com a vossa salvação.

 

A arma dos fortes foi destruída

e os fracos foram revestidos de força.

Os que viviam na abundância andam em busca de pão

e os que tinham fome foram saciados.

A mulher estéril deu à luz muitos filhos

e a mãe fecunda deixou de conceber.

 

É o Senhor quem dá a morte e dá a vida,

faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.

É o Senhor quem despoja e enriquece,

é o Senhor quem humilha e exalta.

 

Levanta do chão os que vivem prostrados,

retira da miséria os indigentes

fá-los sentar entre os príncipes

e destina-lhes um lugar de honra.

 

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 2, 19

 

Monição: Rezemos com o Arcanjo São Gabriel: Ave, Maria, cheia de graça!

 Rezemos com toda a Igreja: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Bendita seja a Virgem Santa Maria,

que conservava a palavra de Deus, meditando-a em seu coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2,41-51

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-no no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. 51Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração.

 

Segundo a Mixnáh (Niddáh, V, 6), depois dos 13 anos, o rapaz israelita começava a ser “bar-hamitswáh”, “filho-da-lei”, isto é, passava ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém, mas os pais piedosos costumavam antecipar um ano ou dois o cumprimento deste dever. Os judeus tinham por hábito deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, podendo as crianças fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. Para o leitor, a atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? Mas não faz sentido buscar a explicação do episódio relatado numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para S. Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição; é por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém» (Lc 9,51 – 19,27), onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24,26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas em todos os passos da sua vida actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O Menino perdido não aparece como um simples menino, é apresentado como um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou, em Jerusalém, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento próprio e dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24,50-51).

41 «Os pais de Jesus. Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A expressão tá toû Patrós mou tanto pode significar “a casa de meu Pai”, como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». Sendo assim, o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso mesmo, me deveria encontrar aqui no Templo)?

50 “Eles não entenderam”. A resposta do Menino envolve um sentido muito profundo que ultrapassa uma simples justificação da sua independência. O evangelista sublinha que não alcançam ver até onde poderia ir este «estar nas coisas do Pai», mas também deixa ver que não se atrevem a fazer mais perguntas, o que evidencia a sua extrema delicadeza e reverência, ditada por uma profunda fé. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus, perante mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2,34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

Maria guardava todas estas palavras, meditando-as em seu Coração.

O Coração Imaculado de Maria é o refúgio dos pecadores.

 

A memória litúrgica do Imaculado Coração de Maria é comemorada no Sábado seguinte à Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. A origem desta devoção remonta aos tempos da Igreja primitiva, pois tem as suas raízes na Sagrada Escritura. No Evangelho, que acabámos de escutar, São Lucas, fazendo esta referência ao Coração de Maria, escreveu: “Sua mãe guardava todas estas coisas meditando-as em seu coração.” (Lucas 2, 19)

O Evangelho de hoje recorda-nos que São José e Nossa Senhora iam, todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Jesus tinha doze anos e ficou no Templo, sem que seus pais o soubessem. Podemos imaginar a solicitude de São José e de Nossa Senhora, procurando Jesus entre os parentes e conhecidos que se encontravam na caravana. Não O tendo encontrado voltaram a Jerusalém e encontram-no no Templo.  Maria pergunta: “Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura.” Jesus respondeu com outra pergunta: “Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia ocupar-me nas coisas de meu Pai?” Jesus mostra o zelo pela vontade do Pai celeste. Agora, sabemos que a obra de Deus consiste na Redenção da humanidade, que Jesus havia de consumar, mais tarde. Enquanto não chegou a sua hora, viveu uma vida oculta, em Nazaré. “Jesus voltou para Nazaré com seus pais e era-lhes submisso. “Maria guardava todas estas palavras em seu Coração.” (Lucas 2,51)

Quando Jesus iniciou a sua vida pública, tinha cerca de trinta anos.  Um dia, uma mulher no meio da multidão, fez este elogio: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram. E Jesus respondeu: “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.”  (Lucas 11,27-28) E ainda noutra passagem: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha Palavra e acredita naquele que me enviou, tem a vida eterna.” (João 5,24) Sendo assim, podemos dizer que a festa que hoje celebramos enaltece a Virgem Maria, a mulher de Coração Imaculado, humilde e obediente, que ouvia a Palavra de Deus e lhe dava prioridade sobre todas as outras “vozes”, corrigindo a infidelidade de Eva. Essa fidelidade à escuta da Palavra de Deus é uma das manifestações do seu Coração Imaculado. A sua resposta ao Anjo Gabriel, “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”, é a manifestação, naquela circunstância concreta, da atitude habitual e permanente de quem escuta sempre a Palavra de Deus e a “medita em seu Coração.”[1]

 

O Coração Imaculado de Maria é o refúgio dos pecadores.

Ao longo dos tempos, muitos Santos foram desenvolvendo esta devoção ao Imaculado Coração de Maria. São João Eudes foi um grande pregador desta devoção. Em 1648, obteve do Bispo de Autun, França, a aprovação da festa em honra do Coração de Nossa Senhora. Este santo dizia que a misericórdia divina reinava tão perfeitamente no Coração de Maria, que nós a podemos invocar com o nome de Rainha e de Mãe de misericórdia. Ela que ofereceu o seu divino Filho, no Templo e no Calvário, poderá recusar a sua ajuda aos pecadores?

Nos séculos passados alguns teólogos compararam a Virgem Maria à lua, o astro da noite, “testemunha fiel no firmamento do Céu.”[2] Assim como a lua reflecte a luz do sol e ilumina a noite, também a Virgem Maria ilumina, com a luz de Jesus, o pecador, que caminha na noite dos seus pecados. A Igreja reza todas as manhãs o cântico “Benedictus” de São Lucas, agradecendo a bondade do “Coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como o sol nascente.” O sol, criado para brilhar durante o dia, é a figura de Jesus, cuja luz alegra os justos que vivem no grande dia da graça divina. A lua, criada para iluminar a noite, é imagem da Virgem Maria, cuja luz ilumina os pecadores, mergulhados na noite do pecado. 

 São Bernardo convida-nos a olhar para Nossa Senhora, cheios de confiança na sua maternal protecção: «Se alguém se encontra em tentação, levante os olhos para o astro da noite e invoque Maria!»[3]

Maria é “saúde dos enfermos.”  Podemos esperar tudo da generosidade do seu Coração: a cura do corpo e a da alma. Muitas vezes os seus benefícios têm o brilho de um milagre e nós conhecemos inúmeros exemplos, que testemunha a sua misericórdia. Maria é invocada na doença, no sofrimento, na provação. Os ex-votos dos nossos santuários dizem quanto ela é prestável. A Virgem Maria é um oceano de misericórdia.  O seu Coração Imaculado é a esperança de todos os aflitos.

 Por toda a parte os fiéis, confiantes e reconhecidos, ergueram santuários sob os títulos graciosos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Maria Auxiliadora, Consoladora dos aflitos, Nossa Senhora dos Remédios…

Durante a sua vida terrena, Maria exerceu este ministério de misericórdia ao correr para assistir a sua prima Isabel, ao ajudar os esposos nas bodas de Caná, ao assumir o encargo de prestar a São João os seus cuidados maternais. Em Caná, é a protectora das famílias. Adoptando São João, assume a tutela e o cuidado do sacerdócio e da Igreja, representados pelo discípulo amado. A Igreja canta em honra da Virgem Maria este hino de confiança: «Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida e doçura, esperança nossa, salve!» [4]

 

Por fim o Meu Coração Imaculado triunfará

De Maio a Outubro de 1917, Nossa Senhora apareceu em Fátima, aos Pastorinhos e manifestou-se como Mãe preocupada com os seus filhos que lutam neste “vale de lágrimas.” Ainda estão no nosso ouvido as palavras da homilia de São João Paulo II, proferidas na sua visita a Fátima, no dia 13 de Maio de 1982: “Poderá a Mãe que quer a salvação de todos, poderá ficar calada acerca daquilo que mina as bases da salvação? Não, não pode!” A Senhora da Mensagem, veio recordar-nos o convite à conversão feito por de Jesus, nas terras da Palestina: “Arrependei-vos. Convertei-vos. Acreditai no Evangelho.”

Na aparição de 13 de Julho de 1917, depois de mostrar o inferno aos pastorinhos, Nossa Senhora disse: Viestes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Sabemos também que Nossa Senhora pediu: rezem, rezem muito. Há muitas almas se perdem, porque não há quem se sacrifique e reze por elas. Ensinou esta oração pequenina, que os pastorinhos repetiam com frequência: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados contra o Imaculado Coração de Maria.

“Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. Depois haverá um tempo de paz.”

Esta mensagem, cheia de optimismo, alenta a nossa esperança. As tribulações do tempo presente são como as dores do parto da mulher, que está prestes a ser mãe. A alegria originada pela vida nova supera tudo. São Paulo afirma que “o sofrimento da vida presente não tem comparação com a glória futura.” (Romanos 8,18) A promessa do triunfo do Coração Imaculado de Maria faz-nos pensar nos novos Céus e na nova Terra.  São João, no Apocalipse, coloca na boca de Jesus ressuscitado estas palavras: “Eu sou o princípio e o fim. Eu estive morto, mas agora vivo para sempre. Eis que renovo todas as coisas. Eu sou o rebento de David, a estrela resplandecente da manhã.” (Apocalipse 1,17-18.21,5.22,16) Com a ressurreição de Jesus cumpriram-se as profecias: “Então todo o teu povo será constituído de pessoas justas e possuirá a terra para sempre. Ele é o rebento que plantei, obra das minhas próprias mãos, a fim de manifestar ao mundo a minha Glória… Em verdade, eis que vou criar novos céus e uma nova terra; e todos os eventos passados não serão mais lembrados. Jamais virão à mente!” (Isaías, 60,21. 65,17)

“Uma vez que todas as coisas serão destruídas, como deve ser santa a vossa vida, enquanto esperamos e apressamos o Dia da vinda do Senhor. Os céus dissolver-se-ão e todos os elementos, ardendo, se dissiparão com o ardor do fogo. Nós, porém, segundo a promessa do Senhor, esperamos novos céus e nova terra onde habitará a justiça. (2 Pedro 3, 11-13)

Por fim o Coração Imaculado de Maria triunfará, reinará a paz entre os homens e “Deus será tudo em todos!” (1Cor 15,28)

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos, para que a Igreja e toda a humanidade

Participem da plenitude das graças e bênçãos com que Deus

enriqueceu a Virgem Maria, rezando com fé:

 

Santa Maria, rogai por nós.

 

 

1.  Pela Santa Igreja que faz caminho com o mundo

para que medite na Palavra de Deus, como a Virgem Maria

e conforme a sus vida com o que anuncia, oremos, irmãos.

 

2.     Pelas virgens consagradas a Deus, para que com Maria

se sintam servas do Senhor, oremos.

 

3.     Pelos que visitam quem está triste,

 pelos que se põem ao serviço dos mais pobres

para que o façam com os sentimentos da virgem Maria, oremos.

 

4.     Por todos nós aqui presentes,

para que o Senhor nos ensine a glorificá-l’O com fé e confiança, oremos.

 

5.     Pelo triunfo do Coração Imaculado de Maria,

pelos novos Céus e nova terra,

para que Deus seja tudo em todos, oremos.

 

Senhor, nosso Deus, nas palavras do Magnificat escutai a voz confiante da Igreja,

que faz subir até Vós os anseios da humanidade. Libertai-nos de toda a violência

e ensinai-nos a construir um mundo mais fraterno.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Maria, Mãe de Jesus – J. Santos, NRMS, 101

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, as orações dos vossos fiéis e aceitai os dons que Vos oferecemos, ao celebrar a memória da Virgem Mãe de Deus, para que esta oblação Vos seja agradável e nos obtenha o auxílio da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Maria, sinal de consolação e de esperança

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Nós Vos louvamos e bendizemos por Jesus Cristo vosso Filho, na memória de Nossa Senhora do Rosário. Humilde serva acolheu a vossa Palavra e guardou-a no seu coração. Admiravelmente unida ao mistério da Redenção, perseverou com os Apóstolos em oração, esperando a vinda do Espírito Santo. Agora resplandece no caminho da nossa vida como sinal de consolação e de firme esperança. Por isso com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo…

 

Santo: C. Silva - OC pg 537

 

Monição da Comunhão

 

Jesus Cristo, Verbo eterno, fez-se carne no seio de Maria e nasceu em Belém, a casa o Pão: “O Verbo fez-se carne, a carne fez-se Pão.” Senhor Jesus, aceitai a nossa gratidão pelo alimento do Vosso Corpo e Sangue. Senhor, olhai o mundo perturbado pelas alterações climáticas e pela pandemia “Covid 19.” Senhor, lembrai-Vos de que sois o nosso Salvador, o nosso Bom Pastor. «Vós sois o Caminho, a Verdade e Vida do mundo.» (Jo 14, 6)

 

Cântico da Comunhão: Bendita seja a Virgem Maria – M. Luis, CNPL, 243 

Lc 2, 19

Antífona da comunhão: Maria guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração.

 

Cântico de acção de graças: O meu coração exulta – M. Faria, NRMS, 10

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos fizestes participar no sacramento da redenção eterna, concedei que, ao celebrarmos a memória da Mãe do vosso Filho, nos alegremos com a plenitude da vossa graça e sintamos crescer continuamente em nós os frutos de salvação. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Devoção dos primeiros Sábados

Na aparição de treze de Junho, Nossa Senhora ao ver o sofrimento que a Lúcia vivia diante da incompreensão dos seus familiares, que não acreditavam na aparição do dia treze de Maio, consolou-a com estas palavras: “Minha filha, tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Coração será o teu refúgio e o caminho seguro que te conduzirá até Deus.” Os pastorinhos viram Nossa Senhora com um coração na mão, cercado de espinhos e compreenderam que era o seu Coração Imaculado Maria, ofendido pelos pecados da humanidade.

Na aparição do dia 13 de Julho, Nossa Senhora concedeu às três crianças uma experiência extraordinária. Viram o inferno e as almas dos condenados, que gemiam de dor e desespero. Depois dessa visão assustadora, a Virgem Maria disse-lhes: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros Sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz.” 

 

 Finalmente, no dia 10 de Dezembro de 1925, Nossa Senhora apareceu com o Menino Jesus à Irmã Lúcia, em Pontevedra, Espanha e falou assim: “Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todo o momento me cravam com blasfémias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar e diz que todos aqueles que, durante cinco meses, no primeiro Sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem o Terço e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação das suas almas.”[5]

 

Cântico final: Imaculado Coração Maria – M. Faria, SP

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 



[1] Sé Patriarcal de Lisboa, 8 de Dezembro de 2011. D. José Policarpo.

[2] Salmo 88, 38 (89,37)

[3] Youtube, Regarde l’Étoile, invoque Marie. (São Bernardo)

[4] Cf. Portal Dehoneanos, Leão Dehon, OSP 3, 670 . Coração Imaculado de Maria, 12 de Junho 2021

[5] Memórias da Irmã Lúcia


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