10º Domingo Comum

6 de Junho de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor é minha Luz salvação – M. Faria, NRMSL, 16

 

Salmo 26, 1-2

Antífona de entrada: O Senhor é minha luz e salvação: a quem temerei? O Senhor é protector da minha vida: de quem hei-de ter medo?

 

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Como seres inteligentes que somos, queremos optar e seguir pelos caminhos mais acertados da nossa existência. O mesmo o deseja nosso Pai do Céu. Para que tal aconteça é necessário não nos deixarmos enganar nos caminhos da vida. Precisámos de ser iluminados pelo Evangelho, onde se encontram os conselhos do melhor dos pais, que além de ser infinitamente bom é também omnipotente, misericordioso e sábio.  Só com o seu sustento, teremos a clarividência e as forças necessárias e suficientes para vencer os caminhos do erro e assim pertencer à verdadeira Família de Deus. Eis o motivo pelo qual mais uma vez aqui nos encontramos. Vamos estar atentos aos ensinamentos do Senhor.

 

Oração colecta: Deus, protector dos que em Vós esperam: sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus fez tudo muito bem. O homem, embriagado pela sua auto suficiência, cometeu o erro de fazer escolhas arbitrárias, afastando-se do Senhor, arruinando-se no pecado. Esta derrota não foi definitiva, pois Deus, na Sua Bondade infinita, anunciou que Alguém, da descendência da mulher, havia de esmagar a cabeça da serpente enganadora.

 

Génesis 3, 9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

A leitura é extraída do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítulo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida humana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não é um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor perante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projecto divino, a que não escapa o enigma das origens.

Se perdêssemos de vista este plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade científica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda. A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridícula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens. à maneira dos mitos antigos.

10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». Deste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; esta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão tinha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontrolo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primeiro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).

Não resistimos a citar algumas palavras da profunda reflexão antropológica de João Paulo II, nas audiências gerais de Maio de 1980: «Por meio destas palavras (v. 10) desvela-se certa fractura constitutiva no interior da pessoa humana, quase uma ruptura da original unidade espiritual e somática do homem. Este dá-se conta pela primeira vez de que o seu corpo cessou de beber da força do espírito, que o elevava ao nível da imagem de Deus. A sua vergonha original traz em si os sinais duma específica humilhação comunicada pelo corpo. [...] O corpo não está sujeito ao espírito como no estado da inocência original, tem em si um foco constante de resistência ao espírito e ameaça de algum modo a unidade do homem pessoa. [...] A concupiscência, em particular a concupiscência do corpo, é ameaça específica à estrutura da auto-posse e do autodomínio, por meio do qual se forma a pessoa humana».

14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a sentença é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentador; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72),9; Is 49,23; Miq 7,17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17).

15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova da salvação que se lê na Bíblia. Não se limita esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potências diabólicas – «a tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela». É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Nova Vulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a tradução «esmagará»), ao passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida leve, daí a tradução «atingirás»).

Mas, pergunta-se, a quem é que designa o pronome «esta» (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mulher. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que em grego se diz com a palavra neutra, sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem vence o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradição cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa conteret caput tuum, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se tivesse querido designar a descendência – semen – teria empregado o neutro ipsum, e não o feminino ipsa).

Eis como se costuma explicar o sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, todos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: é que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pio IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluindo o original.

 

Salmo Responsorial     Sl 129 (130),1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

 

Monição: O Salmo lembra-nos a misericórdia de Deus, ensina-nos a reconhecer as nossas misérias e a clamar cheios de confiança e humildade: No Senhor está a misericórdia e a abundante Redenção.

 

Refrão:         No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

 

Ou:                No Senhor está a misericórdia,

no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,

Senhor, escutai a minha voz.

Estejam os vossos ouvidos atentos

à voz da minha súplica.

 

Se tiverdes em conta as nossas faltas,

Senhor, quem poderá salvar-se?

Mas em Vós está o perdão,

para Vos servirmos com reverência.

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma espera na sua palavra.

A minha alma espera pelo Senhor

mais do que as sentinelas pela aurora.

 

Porque no Senhor está a misericórdia

e com Ele abundante redenção.

Ele há-de libertar Israel

de todas as suas faltas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Apesar das dificuldades físicas que Paulo sente, tem consciência que a “ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória”. É esta a certeza que a todos nos deve animar.

 

2 Coríntios 4,13 – 5,1

13Diz a Escritura: «Acreditei; por isso falei». Com este mesmo espírito de fé, também nós acreditamos, e por isso falamos, 14sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d'Ele. 15Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as acções de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. 16Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. 17Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. 18Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. 51Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.

 

Esta passagem é tirada da 1ª parte da 2ª Carta aos Coríntios (2Cor 1,12 – 7,16), em que S. Paulo faz a defesa do seu ministério em face das acusações dos seus inimigos; vem a afirmar que, no meio das suas tribulações que acaba de referir, ele está animado pela fé em Jesus que o leva a acreditar e a falar (vv.13-15), por isso não desanima, ao ver que se vai arruinando, pois dessa maneira é que se renova interiormente (v. 16). Mais ainda, ele está animado pela esperança na recompensa eterna que tem garantida no Céu.

1 «Esta tenda...». S. Paulo insiste no provisório que é esta vida terrena com o recurso à imagem da tenda (cf. Is 38,12; 2Pe 1,13), própria dos nómadas, que não têm morada fixa, para apelar ao destino eterno a que estamos chamados, o Céu, «uma habitação eterna». Se se perde o sentido último da vida na terra, toda a vida fica transtornada radicalmente. 

 

Aclamação ao Evangelho           Lc 7, 16

 

Monição: Jesus, nosso Redentor, convida-nos a cumprir fielmente a vontade do eterno Pai.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – C. Silva, OC pg 534

 

Chegou a hora em que vai ser expulso

o príncipe deste mundo, diz o Senhor;

e quando Eu for levantado da terra,

atrairei todos a Mim.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 3,20-35

Naquele tempo, 20Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer. 21Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois diziam: «Está fora de Si». 22Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». 23Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? 24Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. 25E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode aguentar-se. 26Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. 27Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. 28Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; 29mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado eterno». 30Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro». 31Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos que, ficando fora, mandaram-n'O chamar. 32A multidão estava sentada em volta d'Ele, quando Lhe disseram: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura». 33Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?» 34E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. 35Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».

 

Neste trecho do Evangelho de hoje temos dois tipos de incompreensão de Jesus. Por um lado, a dos parentes que não só «não criam n’Ele» (Jo 7,5), pois para eles não passava de um carpinteiro, mas também O querem resgatar duma vida que julgavam ser a dum louco – «está louco!» (v 21 numa tradução literal do verbo grego), pois aquilo não era vida que se levasse e nem sequer tinha tempo para comer (v. 20). Assim continuarão a ser considerados loucos os que tomam a sério todas as exigências do Evangelho, ao longo dos séculos.

Por outro lado, temos a incompreensão mais grave dos doutores da Lei, vindos de Jerusalém, que, sabendo dos milagres que Jesus realiza, concretamente o da expulsão dos demónios (cf. 1,23-27.34.39; 3,11-12), os atribuem ao poder do chefe dos demónios (v. 22). Jesus mostra-lhes o contrassenso em que estão a incorrer (vv. 23-27), e faz um aviso muito sério: a extrema gravidade de um pecado contra o Espírito Santo, que consiste em contradizer a verdade conhecida como tal. Não é que Deus, que é misericórdia infinita, não possa perdoar qualquer pecado, por mais grave que seja; é o pecador, que, ao não querer pôr-se ao alcance do perdão, pela sua orgulhosa pertinácia e obcecação, «fica réu de eterno pecado» (v. 29).

Finalmente (vv. 31-35), quando avisam Jesus de que a sua família, Mãe e irmãos, estão lá fora à sua procura, Ele tem uma afirmação revolucionária, que ainda hoje escandaliza o rabino Neusner, um grande simpatizante da pessoa de Jesus, ao pensar que Ele deita abaixo o 4º mandamento da Torah. Com efeito, Jesus anuncia uma nova família e uma nova ordem social, que já não está baseada na genealogia carnal, mas na adesão ao próprio Jesus. Como escreve Bento XVI/Ratzinger, Neusner constata: «Agora dou-me conta de que só Deus pode exigir de mim o que Jesus pede» E Bento XVI conclui: «Se Jesus é Deus, tem poder e título para tratar a Torah da forma como o faz» (Jesus de Nazaré, I, pp. 158-159). Jesus não destrói a Lei, mas leva-a ao seu pleno cumprimento (cf. Mt 5,17).

 

Sugestões para a homilia

 

1.     “No Senhor está a misericórdia e a abundante Redenção”.

2.     Cuidados a ter para conseguir a nossa tão desejada salvação.

3.     Meios a que podemos e devemos recorrer.

 

1.     “No Senhor está a misericórdia e a abundante Redenção”.

 

O demónio, pai da mentira, conseguiu enganar os nossos primeiros pais e ao longo da história da humanidade tem continuado, com suas artimanhas, tentar seduzir os homens. Frente a tanto engano, logo após a primeira queda, Deus, nosso Pai bondosíssimo, prometeu Alguém, que da descendência da mulher, haveria de esmagar a cabeça da serpente enganadora. E a promessa foi cumprida com a criação de Maria Imaculada, a bendita entre todas as mulheres, que viria a ser a Mãe puríssima de Jesus, Redentor da Humanidade. Apoiados n’Ele e na intercessão valiosíssima de Nossa Senhora, sempre encontraremos as graças necessárias para resistir às tentações do mundo, do demónio e da carne. Em Jesus e só n’Ele está a misericórdia e a abundante Redenção.

 

2.     Cuidados a ter para conseguir a nossa tão desejada salvação.

 

Não foi fácil enganar os nossos primeiros pais. Neles ainda não existiam inclinações para o mal. Apesar disso, o demónio conseguiu vencê-los levando-os a duvidarem do AMOR que Deus lhes tinha e neles fazer despertar o orgulho das suas importâncias, a tal ponto que passaram a ver no Senhor, não um Amigo, como sempre foi e é, mas como um rival.

O demónio, que existe, mesmo para aqueles que o queiram esquecer ou mesmo negar, com maior facilidade nos tenta apontando-nos caminhos errados da vida. Conta com as nossas inclinações para o mal. Como pai da mentira que é, estimula os enganos do poder, do orgulho pessoal, da vaidade, do ódio, da sensualidade. Para a divulgação destas mentiras, recorre tantas vezes aos meios poderosíssimos da comunicação social que hoje existem. Em tal aproveitamento se comprovam as afirmações de Jesus, quando, a propósito, nos diz que “os filhos das trevas são mais prudentes, que os filhos da luz”.

Para obtermos a salvação, por nós tão desejada, não nos deixemos enganar pelo pai da mentira, que é o demónio.

 

3.     Meios a que podemos e devemos recorrer.

 

Jesus, nosso amantíssimo Redentor, não nos deixou sós nos caminhos da vida. Ele mesmo continua connosco. Está verdadeiramente presente na Santíssima Eucaristia e identifica-se com todos os nossos irmãos, a começar pelas crianças, pobres, marginalizados, doentes e presos. Ter fé, para O ver e encontrar, deve ser uma preocupação constante da nossa vida. Com Ele, omnipotente e infinitamente bom, todas as dificuldades, por maiores que sejam, serão vencidas. Para a conservação e aumento desta virtude fundamental da fé, que ilumina e dá sentido ao nosso viver, é necessário e sempre urgente recorrer à oração, à intercessão da Santíssima Virgem, Mãe de Deus e também nossa terna Mãe do Céu, à escuta e meditação da Palavra de Deus, à frequência dos Sacramentos, nomeadamente da Penitência e da Eucaristia, ao jejum, à esmola, à aceitação dos sacrifícios que a vida nos proporcione, numa total conformidade com a vontade do Senhor. Jesus chega a afirmar que “Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão. minha irmã e minha Mãe”. Como é importante imitar Nossa Senhora!

Nossa Senhora em Fátima veio a todos lembrar, estes meios evangélicos, a que devemos lançar mão de uma forma convicta e constante: oração e penitência, que foi e é o Seu apelo constante. Vale bem a pena seguir tão bons conselhos desta Mãe, que tanto nos ama. Ela só quer verdadeiramente o nosso bem terreno e eterno. Com uma correspondência atenta e generosa a estes tão repetidos apelos maternais, estaremos também a agradecer a Nossa Senhora, Jesus, o bendito fruto de Seu Ventre, no Qual está a misericórdia e a abundante Redenção.

 

Fala o Santo Padre

 

«Todos aqueles que acolherem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si.»

O Evangelho deste domingo (cf. Mc 3, 20-35) mostra-nos dois tipos de incompreensão que Jesus teve que enfrentar: a dos escribas e a dos seus próprios familiares.

A primeira incompreensão. Os escribas eram homens instruídos nas Sagradas Escrituras e encarregados de as explicar ao povo. Alguns deles são enviados de Jerusalém à Galileia, onde a fama de Jesus começava a difundir-se, a fim de o desacreditar aos olhos do povo; para desempenhar a função de linguarudos, desacreditar o outro, privar da autoridade, que coisa feia! E eles foram enviados para fazer isto. Estes escribas chegam com a acusação clara e terrível — eles não poupam meios, vão ao centro e dizem o seguinte: «Ele tem Belzebu, é pelo príncipe dos demónios que expulsa os demónios» (v. 22). Ou seja, é o chefe dos demónios que O impele; que equivale a dizer mais ou menos: “ele é um endemoninhado”. Com efeito, Jesus curava muitos doentes, e eles pretendem fazer crer que não o faz com o Espírito de Deus — como fazia Jesus — mas com o do Maligno, com a força do diabo. Jesus reage com palavras fortes e claras, não tolera isto, pois aqueles escribas, talvez sem se darem conta, estão a cair no pecado mais grave: negar e blasfemar o Amor de Deus que está presente e age em Jesus. E a blasfema, o pecado contra o Espírito Santo, é o único pecado imperdoável — assim diz Jesus — porque parte de um fechamento do coração à misericórdia de Deus que age em Jesus.

Mas este episódio contém uma admoestação que serve a todos nós. Com efeito, pode acontecer que uma grande inveja pela bondade e pelas boas obras de uma pessoa possa levar a acusá-la falsamente. Há nisto um grande veneno mortal: a maldade com que, de maneira intencional se pretende destruir a boa fama do outro. Deus nos livre desta terrível tentação! E se, examinando a nossa consciência, nos apercebemos que esta erva daninha está a germinar dentro de nós, vamos imediatamente confessá-lo no sacramento da Penitência, antes que se desenvolva e produza os seus efeitos malvados, que são incuráveis. Estai atentos, pois esta atitude destrói as famílias, as amizades, as comunidades e até a sociedade.

O Evangelho de hoje fala-nos também de outra incompreensão, muito diversa, em relação a Jesus: a dos seus familiares. Eles estavam preocupados, porque a sua nova vida itinerante lhes parecia uma loucura (cf. v. 21). Com efeito, Ele mostrava-se muito disponível com o povo, sobretudo com os doentes e os pecadores, a ponto de não ter tempo nem sequer para comer. Jesus era assim: primeiro as pessoas, servir o povo, ajudar o povo, ensinar ao povo, curar as pessoas. Era para as pessoas. Não tinha tempo nem sequer para comer. Por conseguinte, os seus familiares decidem reconduzi-lo a Nazaré, a casa. Chegam ao lugar onde Jesus está a pregar e mandam chamá-lo. Disseram-lhe: «Estão ali fora, Tua mãe e Teus irmãos que te procuram» (v. 32). Ele respondeu: «Quem são Minha mãe e Meus irmãos?», e olhando para as pessoas que estavam em seu redor a ouvi-lo, acrescentou: «Aí estão Minha mãe e Meus irmãos. Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe» (vv. 33-34). Jesus formou uma nova família, já não baseada nos vínculos de sangue, mas na fé n’Ele, no seu amor que nos acolhe e nos une, no Espírito Santo. Todos aqueles que acolherem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si. Acolher a palavra de Jesus torna-nos irmãos entre nós, faz de nós a família de Jesus. Falar mal dos outros, destruir a fama dos outros, torna-nos a família do diabo.

Aquela resposta de Jesus não é uma falta de respeito para com a sua mãe e os seus familiares. Aliás, para Maria é o maior reconhecimento, pois precisamente ela é a discípula perfeita que obedeceu em tudo à vontade de Deus. Que a Virgem Mãe nos ajude a viver sempre em comunhão com Jesus, reconhecendo a obra do Espírito Santo que age n’Ele e na Igreja, regenerando o mundo para a vida nova.

   Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 10 de junho de 2018

 

Oração Universal

 

Oremos Irmãos e irmãs, a Deus Pai de misericórdia

que quer salvar todos os homens,

e peçamos-Lhe que saibamos resistir

às promessas enganadoras da serpente,

suplicando com toda a confiança:

R.  Ouvi-nos, Senhor.

 

1.     Para que todos acreditem em Jesus ressuscitado

e falem d’ Ele com o desassombro de São Paulo,

oremos, irmãos,

    

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

2.     Para que os homens creiam em Deus que os criou,

não se deixem enganar por Satanás,

mas escutem a voz da sua consciência retamente formada,

oremos, irmãos,

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

3.     Para que Deus multiplique os frutos da Terra

dê aos mais pobres o pão de cada dia,

e os ensine a ser discípulos de Seu Filho,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos Senhor.

 

4.     Para que os pecadores se convertam,

os doentes recuperem a saúde e a alegria

e os defuntos recebam nos céus a vida eterna,

oremos, irmãos.

 

R.  Ouvi-nos, Senhor.

 

5.     Para que os membros da nossa assembleia

procurem sempre fazer a vontade de Deus Pai,

e a Ele recorram em todas as suas necessidades,

 oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

dai-nos a audácia de sermos santos

e de proclamarmos com alegria e confiança

a abundância da redenção.

Tudo isto Vos pedimos, por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho

que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Aceitai, Senhor, a nossa humilde oferta – M. Faria, NRMS, 7 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que recebemos da vossa generosidade e trazemos ao vosso altar, e fazei que estes sagrados mistérios, por obra da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam às alegrias eternas. Por Nosso Senhor.

 

Santo: A. Cartageno – COM, pg 189

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, o nosso amantíssimo Redentor, o Filho de Deus Pai, nascido da Virgem Maria, vai entrar no nosso coração pela sagrada Comunhão. Recebamo-Lo com muita fé, amor e profunda gratidão, pedindo-Lhe também que ilumine sempre os caminhos da nossa vida.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, Vós sois o caminho – C. Silva, OC, pg 240

 

Salmo 17, 3

Antífona da comunhão: Sois o meu protector e o meu refúgio, Senhor; sois o meu libertador; meu Deus, em Vós confio.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Deus é amor. Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele.

 

Cântico de acção de graças: Aclamai o Senhor, terra inteira  - J. Santos, NRMS, 98

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a acção santificadora deste sacramento nos liberte das más inclinações e nos conduza a uma vida santa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados com a Palavra de Deus, vamos partir com mais certezas para não nos deixarmos enganar pelo demónio e podermos ser construtores de um mundo melhor. Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Ao Deus do Universo – J. Santos, NRMS, 1

 

 

Homilias Feriais

 

10ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-VI: A recompensa dos que sofrem.

2 Cor 1, 1-7 / Mt 5, 1-12

Felizes os pobres. Felizes os que choram. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos Céus a vossa recompensa.

As bem-aventuranças (EV) são um retrato do rosto de Jesus. São promessas que sustentam a esperança no meio das tribulações, que anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas.

Para aqueles que sofrem, Deus é um Pai cheio de misericórdia e Deus de todas as consolações (LT). Ele vela sobre a tua vida (SR). Se somos atribulados, seremos confortados e salvos. Além disso, se Ele permite as tribulações e as aceitarmos por amor, serão para nós fonte de frutos abundantes, entre os quais a vida eterna.

 

3ª Feira, 8-VI: Viver da fé.

2 Cor 1, 18-22 / Mt 5, 13-16

Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus

A luz a que Jesus se refere (EV) é a luz da fé, que deve estar bem viva em cada um de nós, para podermos dar testemunho aos outros, para que assim eles possam glorificar a Deus.

É Deus que nos torna firmes, a nós e a vós (LT), também no campo da fé. Quando fomos baptizados, marcou-nos com o seu Selo e depôs as garantias do Espírito em nossos corações (LT). Uma fé sem obras é uma fé morta. Por isso, só será eficaz se se reflectir nas nossas obras. A vossa palavra é luz, a sabedoria dos simples (SR).

 

4ª Feira, 9-VI: Precisamos da ajuda de Deus.

2 Cor 3, 4-11 / Mt 5, 17-19

Nós temos esta certeza, por Cristo, diante de Deus; por nós próprios não temos direito de atribuir-nos, seja o que for, como se viesse de nós.

Temos uma necessidade absoluta da ajuda de Deus para cumprirmos bem os nossos deveres (LT). Todas as nossas boas obras, a santidade, o apostolado, pertencem a Deus.  A nós compete-nos corresponder para alcançarmos os nossos objectivos.

O nosso modelo de comportamento é Jesus Cristo que não veio revogar a Lei, mas a cumpri-la plenamente (EV). Ele lembra-nos que, sem Ele, nada podemos fazer. Assim é, porque, junto com as boas tendências, podem aparecer outras menos boas. Daí a necessidade de pedir ajuda a Deus para escolhermos sempre o bem.

 

5ª Feira, 10-VI: O Anjo da Guarda de Portugal.

Dan 10, 2. 5-6. 12-14 /  Lc 2, 8-14

O Anjo do Senhor disse aos pastores: Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria.

Os pastores em Belém tiveram a visita de um Anjo (EV), quando nasceu Jesus. Os pastorinhos de Fátima também tiveram a visita do Anjo de Portugal, antes das aparições de Nossa Senhora.

No Antigo Testamento apareceu um Anjo a Daniel, dizendo-lhe que, tendo ele se humilhado diante de Deus, as suas palavras foram ouvidas pelas dificuldades que tinha na luta com o chefe do reino da pérsia. E conseguiu a ajuda de S.Miguel Arcanjo para vencer a contenda. Nossa Senhora apareceu a três pastorinhos humildes e confiou-lhes a receita para vencer os males do mundo: a conversão dos pecadores.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                     José Miguel Ferreira Martins

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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