aCONTECIMENTOS eclesiais

 

DO MUNDO

 

 

Líbano:

Refeitório da Igreja alimenta mais de mil pessoas por dia

 

Refeitório da Igreja alimenta mais de mil pessoas por dia no Líbano, atendendo não apenas famílias cristãs, mas também muitos refugiados da Síria que tiveram de escapar da guerra em sua terra natal. Os próprios libaneses, no entanto, estão em situação crítica devido à crise política e econômica, agravada após a histórica explosão que devastou o porto da capital, Beirute, em agosto de 2020

No Vale de Bekaa, próximo da fronteira entre o Líbano e a Síria, a diocese católica greco-melquita de Zahlé tem procurado ajudar a população local e os refugiados com uma série de serviços, entre os quais um refeitório solidário que, diariamente, tem sido a principal fonte de alimentação para ao menos mil pessoas – e, em muitos casos, a única fonte.

Devido à pandemia de covid-19, a Igreja também organizou equipes de voluntários que entregam a refeição na casa de quem não se pode se deslocar até à Mesa Misericordiosa de São João, que é o nome do projeto.

A iniciativa conta com o apoio da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que, além das refeições, também vem auxiliando no pagamento do arrendamento de quartos ou casas para famílias cristãs desabrigadas, bem como na compra de medicamentos. Desde 2019, as ajudas de emergência da Fundação AIS para essas famílias libanesas e sírias já ultrapassa 3,6 milhões de euros, obtidos mediante donativos.

 

Emiratos Árabes:

Dois anos depois de Abu Dhabi, memórias em português de um católico e um muçulmano

 

Pedro Gil, católico, e Khalid Jamal, muçulmano, estiveram em Abu Dhabi a 4 de fevereiro de 2019, na assinatura da declaração sobre a fraternidade humana que uniu o Papa e o grande-imã de Al-Azhar, abrindo caminho à nova jornada da ONU.

A 21 de dezembro de 2020, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou unanimemente o dia 4 de fevereiro como Dia Internacional da Fraternidade Humana. A resolução convida os Estados-membros a celebrar este Dia para “promover o diálogo inter-religioso e intercultural”.

A iniciativa inspira-se na declaração católico-islâmica para a paz mundial e a convivência comum, um momento histórico

Pedro Gil, diretor do gabinete de imprensa do Opus Dei, recorda uma ocasião “histórica”, que acompanhou de perto, na primeira viagem de um Papa à Península arábica, que se tornou “muito especial”.

“Ao ouvir falar da declaração sobre a fraternidade humana, dei-me conta de que era um acontecimento fora do comum”, refere à Agência Ecclesia.

Para o responsável, a fórmula assumida e proposta em Abu Dhabi é a “do relacionamento e do encontro”, desenvolvida pelo Papa na encíclica ‘Fratelli Tutti’, de outubro de 2020.

“Há uma enorme clarificação e iluminação sobre qual é o caminho certo a percorrer”, aponta.

Pedro Gil admite a “surpresa” com a mobilização do país para receber o Papa Francisco, com bandeiras do Vaticano e mensagens de receção, levando-o a deixar de lado alguma “desconfiança” inicial.

“Da parte da cultura oferecida, institucionalmente, e da comunidade política, vi muito maior recetividade e agrado no acolhimento da fé cristã do que hoje em dia existe no Ocidente”, assinala o entrevistado.

Num país com 8 milhões de imigrantes, o português viu nos Emirados capacidade de “aceitação e adaptação” na sociedade, para encontrar “fórmulas agregadoras”.

Khalid Jamal, dirigente da Comunidade Islâmica de Lisboa, admite que, há dois anos, ninguém teria a noção completa do “impacto que esta visita iria ter”.

“Estamos aqui perante um facto absolutamente histórico”, que veio “reinaugurar, quase, as relações entre muçulmanos e católicos”, observa.

O responsável fala dos Emirados como um país de “expatriados”, no qual se tem feito o esforço de “assegurar que aqueles que lá vivem e não são muçulmanos têm condições para praticar a sua religião”.

Simbolicamente, a declaração de 2019 inclui a preocupação da proteção dos locais de culto e contra o uso da religião para justificar o terrorismo.

Para Khalid Jamal, este texto pretende ser “um poderoso instrumento de trabalho” em favor da paz e do diálogo.

“Eu e o Pedro íamos meio a férias, meio a passeio, à descoberta, no caso dele, e acabamos por presenciar um momento extraordinário, tão especial nas relações entre muçulmanos e católicos”, recorda.

Pedro Gil sublinha que esta mensagem “compromete ambas as partes por igual, com sinceridade”. “A cura das nossas relações, ou nasce de Deus ou não se consegue”, acrescenta.

Após a assinatura  da declaração de 2019, foi criado o Comité Supremo para a Fraternidade Humana para “traduzir as aspirações do documento em compromissos duradouros e ações concretas para fomentar a fraternidade, solidariedade, o respeito e a compreensão mútua”.

O Comité Supremo está a planear uma Casa da Família Abraâmica, que contempla uma sinagoga, uma igreja e uma mesquita na ilha Saadiyat, Abu Dhabi.

 

França:

Dr. Jerome Lejeune,

um santo para a causa da vida

Lejeune Foundation

 

Um defensor peculiarmente eloquente da santidade da pessoa humana em nossa época foi o pediatra e geneticista Dr. Jerôme Lejeune (1926-1994).

A sua história é contada mais adequadamente na comovente biografia “A vida é uma bênção”, escrita pela sua filha Clara Lejeune-Gaymard.

O feito mais importante de Lejeune foi revelar na base genética da Síndroma de Down a presença de um cromossoma extra no DNA da criança. A descoberta ajudou a transformar a vida de pacientes e de famílias que, durante décadas, tinham vivido sob um estigma moral injustificado: acreditava-se que a Síndrome de Down era um efeito colateral de sífilis da mãe, doença esta, por sua vez, que o imaginário popular associava com a prostituição.

Ao oferecer provas sólidas da raiz biológica da Síndrome de Down, Lejeune ajudou os pais dessas crianças a saírem das sombras. Lejeune descobriu também a base genética de outro defeito congénito devastador, a Síndrome Cri-du-Chat, e avançou na compreensão das causas da Síndrome do X Frágil. Ele também se antecipou em décadas ao resto da ciência médica ao insistir na importância do ácido fólico para reduzir o risco de muitos defeitos de nascença.

As descobertas de Lejeune valeram-lhe a aclamação académica desde cedo. Em 1962, foi homenageado pelo presidente John F. Kennedy com o primeiro Prêmio Kennedy. Lejeune foi nomeado como primeiro professor de Genética Fundamental na Faculdade de Medicina de Paris, em 1964, e, em 1969, recebeu a honraria mais prestigiosa da sua área, concedida pela Sociedade Americana de Genética Humana: o Prêmio William Allen.

Diferentemente de muitos cientistas de sua época, Lejeune via o seu trabalho como profundamente enraizado na relação com os pacientes e com as suas famílias. Referia-se aos pacientes com Síndrome de Down como “meus pequeninos” e trabalhava com as famílias para ajudá-las a encontrar oportunidades educacionais e de trabalho para os filhos. Para atender pacientes pobres na sua clínica privada, com baixos honorários, ele sacrificava tempo relevante de pesquisa, renunciando, assim, a incrementar os próprios rendimentos.

Ao longo dos 30 anos seguintes, a pesquisa de Lejeune concentrou-se nas causas de doenças genéticas e na busca de meios para tratá-las no seio materno e atenuar os seus efeitos em crianças e adultos, garantindo para cada paciente a melhor e mais completa vida possível. Lejeune viveu com seriedade religiosa a vocação médica e a ética em que ela se ampara desde Hipócrates: não fazer o mal, servir à causa da vida e colocar os interesses individuais do paciente em primeiro lugar (a propósito, na versão tradicional do Juramento de Hipócrates, os novos médicos prometiam especificamente não participar de abortos; em 1964, o Dr. Louis Lasagna, da Escola de Medicina da Universidade de Tufts, compôs uma versão “aguada” do juramento, especificamente para permitir o aborto; a sua adaptação é usada na maioria das escolas médicas laicas até hoje).

Lejeune observava com horror, nas décadas de 1960 e 1970, que os seus colegas, na maioria, rejeitavam elementos-chave dessa herança e abraçavam um hedonismo utilitarista que aceitava o aborto e via os “pequeninos” de Lejeune não como pacientes merecedores de tratamento, mas como problemas que deveriam ser evitados.

Numa amarga ironia, a pesquisa pioneira de Lejeune também levou ao desenvolvimento de testes de triagem pré-natal, usados hoje pelos médicos para detectar a Síndrome de Down em bebés ainda em gestação, a maioria dos quais, rotineiramente, é abortada. Lejeune denunciou esse abuso da ciência como “racismo cromossómico”. As primeiras leis que permitiram o aborto na França tinham como alvo precisamente os fetos “defeituosos”.

Lejeune “queimou” a maioria das suas relações profissionais e académicas ao tornar-se um dos poucos cientistas proeminentes na França a fazer resistência a essas leis. Em 1981, depôs perante um sub-comité jurídico do Senado dos EUA sobre a “questão” de quando a vida humana começa. Depois de apresentar evidências biológicas esmagadoras de que a resposta é a concepção, Lejeune revelou um pouco da ternura e da maravilha que a vida por nascer despertava nele.

O médico também passou a sofrer uma série de outros boicotes à sua carreira. Conforme os relatos de sua viúva, Birthe Lejeune, o Dr. Jérôme parou de receber apoios económicos para as suas pesquisas devido à sua oposição à liberação do aborto. Grandes meios de comunicação também pararam de publicar os seus artigos e de convidá-lo a programas de televisão. Também cessaram os convites para congressos internacionais, embora ele tivesse sido o palestrante principal em vários congressos anteriores.

A rejeição orquestrada em nome da ideologia foi motivo de muito sofrimento para o médico, principalmente por constatar que boa parte dos que passaram a boicotá-lo eram antes amigos próximos.

Lejeune voltaria aos Estados Unidos para testemunhar no caso do “embrião congelado” (Davis versus Davis) e afirmar que cada embrião deve ser tratado como um paciente, não como mercadoria. Ele previu, corretamente, o resultado de se tratar os seres humanos minúsculos como propriedade em vez de pessoas. Esse é o destino de centenas de milhares de embriões congelados que definham em limbos tecnológicos do mundo todo e que os cientistas estão ávidos para usar em pesquisas com células-tronco. Estes seres humanos infinitesimais vão ficar no congelador indefinidamente ou ser canibalizados em pedaços.

Como sua filha documenta: “Este é um homem que, por causa das suas convicções de médico que o impediam de seguir as tendências da sua época, foi banido pela sociedade, abandonado pelos amigos, humilhado, crucificado pela imprensa, proibido de trabalhar por falta de financiamento. Este homem se tornou, para certas pessoas, alguém a ser derrubado; para outros, alguém por quem não valia a pena pôr em risco a própria reputação; para outros ainda, um extremista incompetente.

O reconhecimento que Lejeune ainda recebia passou a vir de quem partilhava a sua preocupação com a santidade da vida. Em 1981, ele se encontrou com o papa São João Paulo II, poucas horas antes do atentado contra a vida do pontífice, e entrou para a Pontifícia Academia de Ciências. Em 1994, São João Paulo II quis nomear Lejeune como presidente da recém-criada Pontifícia Academia para a Vida. Lejeune não pôde assumir o posto. Ele já estava prestes a morrer de cancro. Depois de uma longa e agonizante doença, Lejeune morreu no domingo de Páscoa de 1994.

Um de seus últimos pedidos, relata a filha, foi que o seu funeral recordasse os seus “pequeninos”, os pacientes com síndrome de Down a quem ele amou tão verdadeiramente até o fim.

A causa de canonização do Doutor Lejeune está em andamento. Ele já foi reconhecido como “servo de Deus”. Talvez devêssemos reconhecê-lo como um verdadeiro amigo do homem.

Em 2007, já no pontificado de Bento XVI, teve início a causa de beatificação do Dr. Jérôme Lejeune.

A amizade entre o Papa da Família e o médico defensor da vida perdurou solidamente. Embora fosse 6 anos mais jovem que João Paulo II, o Dr. Jérôme partiu deste mundo 11 anos antes que ele, em 1994. Aliás, na Jornada Mundial da Juventude de 1997, em Paris, o Papa fez questão de visitar o túmulo do amigo.

 

Síria:

«Há já quem passe fome», alerta religiosa portuguesa

 

A irmã Maria Lúcia Ferreira (irmã Myri), religiosa portuguesa na Síria, disse que a “situação está cada vez pior” e “há já quem passe fome”, por causa do agravamento da crise económica que afeta toda a sociedade.

“Tudo está cada vez mais caro, é muito difícil viver”, referiu a religiosa da Congregação das Monjas da Unidade de Antioquia, ao secretariado português da Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Na informação enviada à Agência Ecclesia, a religiosa portuguesa explica que o agravamento da crise económica na Síria não é só resultado de uma década de guerra, mas também das sanções económicas impostas ao regime de Bashar al-Assad e às consequências da pandemia de Covid-19.

“A eletricidade às vezes passa 12 horas sem vir e quando vem às vezes é só por meia hora. Também é muito difícil encontrar gasolina. As pessoas estão na fila à espera e não encontram. O ‘mazut’ [óleo] para as pessoas aquecerem-se é muito difícil… Tudo o que é carburantes é muito difícil [de encontrar]”, exemplificou a freira que vive num mosteiro na vila de Qara, perto da fronteira com o Líbano.

Já ao secretariado britânico da AIS, a irmã Annie Demerjian disse que “o mundo começou a esquecer-se da Síria e isso é doloroso”, alertando que “as pessoas estão com fome, não têm o que comer”, e para as falhas no fornecimento da energia.

“Uma hora de eletricidade não é suficiente para aquecer uma casa. Não há gás suficiente para cozinhar alimentos”, observou a religiosa da Congregação de Jesus e Maria que é a responsável pelas campanhas da fundação pontifícia nas cidades de Alepo e Damasco há quase dez anos.

No contexto dos relatos das duas religiosas, a Fundação pontifícia AIS assinala que “ganha ainda mais relevo” o trabalho humanitário que promover na Síria e permite que as “famílias mais empobrecidas possam ter acesso a bens essenciais”, como leite para as crianças, alimentos, medicamentos, e “a cuidados de saúde e produtos de higiene pessoal”, atualmente 273 famílias em Alepo e mais de uma centena em Damasco.

“Com o inverno, compramos esterilizadores e medicamentos. Também ajudamos em algumas cirurgias essenciais. Às vezes isso inclui itens básicos, mas indispensáveis, como fraldas para incontinência para pessoas doentes e idosas”, exemplificou a irmã Annie Demerjian sobre a ajuda disponibilizada através da Fundação AIS.

O secretariado português da fundação pontifícia recorda ainda a oferta de “blusões a milhares de crianças” que vivem nas cidades de Damasco, Aleppo, Homs, Kameshli, Hassakeh, Swidaa e Horan, na campanha de Natal.

 

Suíça:

Cáritas apela à distribuição de vacinas em países pobres

 

A Confederação Internacional da Cáritas apelou, junto das Nações Unidas, à distribuição de vacinas contra a Covid-19 em países pobres, com programas que apostem na sua produção local. “É nossa firme convicção que o acesso às vacinas contra a pandemia é um direito básico, mas em muitos desses países não será automático”, advertiu Aloysius John, secretário-geral da ‘Caritas Internationalis’, falando na 46ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que decorre até 23 de março.

A confederação internacional de organizações católicas de solidariedade e ação humanitária defendeu medias que permitam levar a vacina às áreas mais remotas, “garantindo mecanismos de armazenamento”. Aloysius John sublinhou que é necessário, face à atual crise, “empreender a remissão da dívida dos países mais pobres e alocar fundos para fortalecer os seus sistemas nacionais de saúde”.

A ‘Caritas Internationalis’ desafiou governantes e responsáveis políticos a “colocar o respeito pelos direitos humanos e pela dignidade humana no centro da recuperação da pandemia, garantindo acesso fácil e igual às vacinas”.

A organização convida a “promover a produção local de vacinas na África, América Latina e Ásia nos próximos seis meses”.

“A colaboração técnica com as nações mais pobres e as questões relacionadas com as patentes, como um bem comum, devem ser tratadas com urgência”, assinalou o secretário-geral da ‘Caritas Internationalis’.

O responsável sublinhou ainda a necessidade de reforçar o papel das organizações da sociedade para garantir “uma consciencialização cuidadosa das comunidades locais sobre cuidados preventivos”.

 

Venezuela:

Papa envia mensagem à Igreja neste país,

destacando ação na pandemia

 

O Papa enviou uma mensagem em vídeo á Igreja Católica na pandemia para elogiar a sua ação durante a pandemia, evocando a “extrema pobreza e crise de saúde” que atingem o país sul-americano. “Agradeço o vosso testemunho de amor e serviço aos irmãos e irmãs venezuelanos, manifestado na vossa atenção aos doentes, aos quais trouxestes a força da palavra de Deus e da Eucaristia; manifestada no vosso acompanhamento ao pessoal médico, paramédicos e voluntários que auxiliam os pacientes nesta pandemia”, refere a intervenção, divulgada pelo Vaticano.

Francisco saúda a atividade das comunidades católicas “para ajudar os pobres e excluídos” e em favor dos que “não têm o necessário para sobreviver e seguir em frente com dignidade”. “Obrigado, obrigado por tudo isso. Com gratidão, asseguro-vos a minha proximidade e a minha oração por todos vós, para que avanceis na missão da Igreja na Venezuela, no anúncio do Evangelho e nas numerosas iniciativas de caridade para com os irmãos em extrema pobreza e crise de saúde”, assinala.

O Papa desafia os membros do clero a agir juntos, sem “agendas ocultas”.

A Conferência Episcopal da Venezuela promoveu dois dias de encontro virtual entre bispos, sacerdotes diocesanos e religiosos, sobre a experiência pastoral na pandemia. “Esta é uma oportunidade para partilhar, num espírito de fraternidade ministerial, as experiências sacerdotais, trabalhos, incertezas, assim como anseios e convicção de continuar o trabalho da Igreja, que é o trabalho do Senhor”, indica Francisco.

 “É necessário reviver na vida o desejo de imitar o Bom Pastor, e aprender a ser ‘servos’ de todos, em particular dos irmãos e irmãs menos afortunados, e tantas vezes descartados, e garantir que, neste momento de crise, eles se sintam acompanhados, apoiados e amados”, apela.

 

Peru:

Papa associou-se à campanha solidária «respira Peru»

 

O Papa Francisco pediu que “ninguém se sinta excluído ou abandonado” numa mensagem ao presidente da Conferência Episcopal Peruana, no âmbito da campanha solidária “Respira Peru”, que pretende acabar com a falta de oxigénio.

“Fazer com que a ternura de Deus chegue a todos através do cuidado, construindo uma sociedade mais humana e fraterna na qual nos esforcemos para que ninguém fique sozinho, que ninguém se sinta excluído ou abandonado”, pede o Papa Francisco.

A campanha ‘Respira Peru’ é uma maratona telefónica que pretende colmatar a falta de oxigénio no país, pretende angariar recursos para comprar respiradores e receber doações para a Conferência Episcopal peruana, bem como angariar equipamentos médicos e de proteção destinados ao tratamento de pacientes com Covid-19.

O Papa começa a mensagem com uma saudação aos organizadores e colaboradores desta iniciativa solidária, que estão a “fazer tanto bem em ajudar as pessoas que sofrem por causa da Covid-19 e as suas famílias”.

A Campanha ‘Respira Peru’ (segunda edição) foi organizada pela Conferência Episcopal Peruana, em colaboração com a Sociedade Nacional das Indústrias e com a Universidade Santo Inácio de Loyola, começa às 17h00 locais, através do canal Panamericana Televisión.

 

 

Espanha:

Explosão destrói edifício da Igreja Católica em Madrid

 

Uma explosão provocou o desmoronamento de parte de um edifício no centro de Madrid, pertencente à Igreja Católica, provocando pelo menos duas mortes e vários feridos.

As primeiras indicações apontam para uma possível fuga de gás como origem do incidente, dado que uma caldeira se encontrava em manutenção.

O edifício da paróquia de Nossa Senhora de La Paloma, junto à igreja local, tem andares onde residem sacerdotes, gabinetes de serviço e espaços da Cáritas, que foram destruídos.

Um dos sacerdotes presentes no local foi transportado para o hospital e outro encontra-se desparecido.

Junto ao edifício há um colégio e um lar de idosos, onde não se registaram feridos.

O cardeal Carlos Osoro Sierra, arcebispo de Madrid, deixou a sua solidariedade os fiéis da Paróquia de La Paloma.

“Rezo pela comunidade cristã nestes momentos de dificuldade e pelas vítimas”, escreveu.

O Ministério do Interior do governo espanhol anunciou a abertura de um inquérito à explosão.

“O Santo Padre, tendo tido conhecimento da dolorosa notícia da grave explosão que ocorreu num edifício da rua Toledo, em Madrid, deseja fazer chegar a vossa eminência, ao clero e a todos os filhos desse amado povo, a sua proximidade e afeto nestes momentos difíceis”, lê-se no texto dirigido ao cardeal Carlos Osoro Sierra, através do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

 “Sua Santidade eleva orações ao Senhor e encomenda de forma muito especial à sua misericórdia o eterno descanso das vítimas, assim como dos feridos e das suas famílias”, acrescenta a mensagem.

 

Libia:

Papa envia mensagem no aniversário do assassinato de 21 cristãos coptas,

«santos» de todas as Igrejas

 

O Papa associou-se, com uma mensagem em vídeo, à cerimónia evocativa do assassinato de 21 cristãos coptas, a 15 de fevereiro de 2015, mortos na Líbia por terroristas do autoproclamado Estado Islâmico.

“Eles são nossos santos, santos de todos os cristãos, santos de todas as confissões e tradições cristãs”, refere Francisco, dirigindo-se aos participantes do ‘Dia dos Mártires Contemporâneos’, organizado pela Diocese Copta Ortodoxa de Londres.

O Papa fala num “batismo de sangue” que une todos os cristãos que dão a vida por causa da sua fé, evocando os 21 coptas, emigrantes, “homens com dignidade de trabalhadores”, que “testemunharam Jesus Cristo.

“Degolados pela brutalidade do ISIS, eles morreram dizendo: ‘Senhor Jesus!’ Confessando o nome de Jesus”, recorda.

É verdade que se trata de uma tragédia, que essas pessoas deixaram assuas vidas na praia; mas também é verdade que a praia foi abençoada com o seu sangue”.

Francisco elogia a “fé simples” destes homens, capazes do “testemunho de Jesus Cristo” ao ponto de dar a própria vida.

“Agradeço a Deus nosso Pai por nos ter dado estes irmãos corajosos”, refere.

Uma semana após a notícia do massacre, o patriarca Tawadros II decidiu inscrever os 21 homens no ‘Synaxarium’, o livro dos mártires da Igreja Copta, estabelecendo que a sua memória fosse celebrada a 15 de fevereiro.

 

Colômbia:

Papa saúda-a pela concessão de estatuto temporário

de proteção para migrantes venezuelanos

 

O Papa saudou em 15 de fevereiro no Vaticano o Governo da Colômbia pela concessão de estatuto temporário de proteção para migrantes venezuelanos.

“Hoje, em particular, associo-me aos bispos da Colômbia, para exprimir o meu reconhecimento pela decisão das autoridades locais de implementar o estatuto de proteção temporária para os migrantes venezuelanos presentes no país, favorecendo o seu acolhimento, proteção e integração”, disse, no final da oração do ângelus, desde a janela do apartamento pontifício.

Francisco sublinhou que esta decisão partiu de “um país com tantos problemas, de desenvolvimento, de pobreza, de paz, com quase 70 anos de guerrilha” e não de um “país riquíssimo, superdesenvolvido”.

“Com estes problemas, teve a coragem de olhar para esses migrantes e dar-lhes este estatuto. Obrigado à Colômbia, obrigado”, concluiu.

Estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas tenham saído da Venezuela rumo ao território colombiano, desde 2015, devido à crise política, económica e social.

O Papa começou por agradecer a todos os que “trabalham em favor dos migrantes”.

 

China:

Papa deixa votos de paz e saúde pelo Ano Novo Lunar

 

O Papa deixou no Vaticano votos de paz às famílias do Extremo Oriente, que vivem as festividades do Ano Novo Lunar, celebrado a 12 de fevereiro, em contexto de pandemia.

“Neste momento particular, no qual são fortes as preocupações para enfrentar os desafios da pandemia – que toca não só o físico e a alma das pessoas, mas também influencia as relações sociais – formulo votos de que cada um possa gozar de plena saúde e de serenidade de vida”, disse, no final da audiência geral.

Numa transmissão online, desde a biblioteca do Palácio Apostólico, Francisco convidou a rezar “pelo dom da paz e de todos os bens”

“Recordo que eles se obtêm com a bondade, respeito, visão de longo prazo e coragem. Não se esqueçam nunca de ter um cuidado preferencial com os mais pobres e os mais fracos”, acrescentou.

O Ano Novo Lunar é assinalado por milhões de pessoas, tanto no Extremo Oriente como em várias comunidades asiáticas espalhadas pelo mundo, incluindo Portugal, sobretudo chineses, coreanos e vietnamitas.

Francisco desejou que este novo ano “traga frutos de fraternidade e solidariedade”.

O Papa evocou ainda a “calamidade” que atingiu o norte da Índia, onde a derrocada de um glaciar provocou uma “violenta inundação”.

 

Cáucaso:

Imagem peregrina vai visitar Arménia, Geórgia e Azerbaijão

 

O núncio apostólico na Arménia e na Geórgia, D. José Bettencourt, manifestou a sua alegria pela visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao Cáucaso, em setembro e outubro de 2021.

Segundo o representante diplomático do Papa, esta será a primeira vez que a imagem visita estes territórios da ex-União Soviética, passando ainda pelo Azerbaijão.

“Os católicos do Cáucaso alegram-se pela notícia da visita da Imagem de Nossa Senhora de Fátima à região”, refere o arcebispo, nascido nos Açores, em depoimento enviado à Agência Eclesia.

A imagem vai passar pelas paróquias e comunidades católicos dos três países.

José Bettencourt destaca a mensagem de “reconciliação e paz” representada por Nossa Senhora de Fátima.

No discurso que dirigiu ao Corpo Diplomático acreditado na Santa Sé, o Papa recordou “a situação no sul do Cáucaso, onde permanecem congelados vários conflitos, alguns reacesos no decurso do ano passado, que ameaçam a estabilidade e a segurança de toda a região”.

Feita segundo indicações da Irmã Lúcia, a primeira Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima foi oferecida pelo bispo de Leiria e coroada solenemente pelo arcebispo de Évora, em 13 de maio de 1947.

“A partir dessa data, a Imagem percorreu, por diversas vezes, o mundo inteiro, levando consigo uma mensagem de paz e amor”, explica o Santuário de Fátima.

A fim de dar resposta aos pedidos provenientes de todo o mundo, foram, entretanto, feitas várias réplicas da primeira Imagem Peregrina, num total de treze.

 

Brasil:

Cáritas Internacional alerta que «105 pessoas

morrem todos os dias» em Manaus

por falta de oxigénio e de «vontade política»

 

A ‘Caritas Internationalis’ alertou que “105 pessoas morrem todos os dias” em Manaus, no Brasil, “por falta de oxigénio”, criticando a “falta de vontade política para responder com eficácia à pandemia” de Covid-19.

“A situação em Manaus é trágica e continua a agravar-se. Nos primeiros dias de fevereiro, registamos uma média de 105 mortes por dia devido à Covid-19, enquanto em janeiro a média girava em torno de 70 por dia”, disse o padre Luis Moldino, porta-voz da arquidiocese brasileira, à organização católica.

Num comunicado enviado pela confederação internacional da Cáritas, o sacerdote explica que a desinformação e a falta de informação “agravaram ainda mais a situação” e observa que a pandemia “é uma questão política”.

“Eles preferem salvar as suas próprias políticas e interesses”, alerta o padre Luis Moldino, contabilizando que “o saldo de 2195 mortes por Covid-19”, desde o início de 2021, “é muito pesado” para uma cidade com pouco mais de 2,1 milhões de habitantes.

O porta-voz da Arquidiocese de Manaus apontava que a falta de oxigénio estava a condenar um número crescente de pessoas à morte por asfixia, embora “as autoridades estaduais e o governo brasileiro afirmem que existe oxigénio”. “É realmente angustiante ver equipas médicas e parentes de pacientes numa busca desesperada de oxigénio. Em tempos normais, o consumo médio de oxigénio em hospitais é de cerca de 15 a 17 mil metros cúbicos, o consumo atual é de cerca de 75-80 mil metros cúbicos de oxigénio e a capacidade de produção local é de 28 mil metros cúbicos”, desenvolve.

Segundo o padre Luis Moldino, a fila para ocupar uma cama no hospital “é muito longa” e, os casos menos graves, “começam a ser transferidos para outros estados”, mas os pacientes “estão apavorados” porque têm de “assinar o consentimento que em caso de morte os seus corpos não serão devolvidos às suas famílias”.

A Caritas Brasil e a região Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – que inclui o “Estado gravemente afetado de Roraima” – lançaram uma campanha solidária para a compra de cilindros de oxigénio e “máscaras, luvas e medicamentos”.

Os primeiros 101 cilindros de oxigénio chegaram no dia 26 de janeiro e foram distribuídos por vários municípios do Estado do Amazonas.

O Papa Francisco associou-se à campanha solidária e com outros responsáveis e instituições católicas que ofereceram à população de Manaus 20 concentradores de oxigénio e 50 ventiladores.

O padre Luis Moldino assinala ainda que a Igreja local também está a ajudar “as famílias mais pobres e sem-abrigo”, sublinhando o impacto da pandemia em “muitas pessoas que sobreviviam graças à economia informal, vendendo os seus produtos nas ruas”

 

Ucrânia:

Uma luta muito especial

 

Daniela Pukhalska e três outras irmãs enfrentam todos os dias o inimigo invisível e mortal, o coronavírus e que está a afectar a vida de e toda a humanidade. São enfermeiras e religiosas.

Em Odessa, no Mar Negro, Daniela não tem tido mãos a medir. Todos os dias lhe surgem casos novos de pessoas infectadas que precisam de ajuda para sobreviver naquela região da Ucrânia, tão marcada também pela pobreza e pela guerra.

Daniela é enfermeira e irmã. Cuida do corpo e trata também da alma dos que estão na sua enfermaria. Todos os minutos contam quando se trata de salvar vidas. “Há tanto trabalho para fazer que, no final do dia, sinto-me absolutamente exausta”. “Até alguns médicos entraram em pânico, e alguns foram embora”, acrescenta.

Daniela Pukhalska pertence à congregação do Imaculado Coração de Maria. A enfermeira Daniela sabe que corre o sério risco de poder ficar infectada. A irmã porém, tem a certeza de que nada lhe irá acontecer. “Sei que muitas pessoas estão a rezar por nós, pelos médicos e por toda a equipa, e somos muito gratas por isso.”

Sabe que ali, na enfermaria, é o rosto do carinho de Deus por todos os que sofrem, os que choram, os que se sentem abandonados. Em muitos países e em muitas regiões, como em Odessa, na Ucrânia, o aparecimento do coronavírus veio agravar ainda mais uma situação muito delicada, marcada pela guerra, o desemprego e a pobreza. A presença da Igreja junto dessas populações é essencial. Muitas vezes, não têm mais ninguém. A Igreja é como um porto de abrigo dos mais pobres e desprotegidos. Têm sido inúmeros os pedidos de ajuda que têm chegado à Fundação AIS vindos das mais diferentes latitudes. Índia, Ucrânia, Burkina Faso, Venezuela, Camarões, Síria, República Democrática do Congo, Haiti ou Nigéria são exemplos de países que já recebem ajuda directa da Fundação AIS.

 

Índia:

Alunos cristãos serão obrigados

a participar de rituais religiosos

e recitar fórmulas de orações hindus

 

Uma circular emitida pelas autoridades do território federal “Dadra e Nagar Haveli e Daman e Diu”, no oeste da Índia, estabelece que em todas as escolas, estudantes de todos os níveis, terão que celebrar o denominado Vasant Panchami, um festival próprio da religião hindu que marca a preparação para a chegada de primavera e durante o qual é adorada a divindade Saraswati, tida como a deusa do conhecimento.

É bom que se recorde que há dois anos, o mesmo governo tentou cancelar a Sexta-Feira Santa como feriado oficial: a comunidade cristã foi ao Tribunal Superior de Bombaim e teve a ordem anulada.

De acordo com as normas estabelecidas pelo governo, todas as escolas públicas e privadas, inclusive as cristãs, devem organizar o programa do festival, homenagear a divindade e, em seguida, apresentar um relatório acompanhado de fotografias dos eventos

Todos os colégios estão obrigados a incluir na programação das comemorações que os alunos recitem fórmulas de orações hindus e que participem também da realização de rituais hindus em todos os estabelecimentos escolares.

Trata-se de limitar a prática da fé, violar da liberdade religiosa e da liberdade de consciência. Segundo informações divulgadas pela Agência Fides, o “Fórum Cristão Unido” (UCF), organização que promove os direitos humanos e civis na Índia, pediu ao governo que retirasse as diretrizes que ordenam o culto às divindades hindus.

“A comunidade cristã de Dadra e Nagar Haveli e Daman e Diu sofre com a diretriz”, diz à Fides A.C. Michael, católico e Coordenador Nacional do UCF.

Os cristãos veem no decreto governamental “uma forma de limitar a prática da fé e uma violação da liberdade, bem como o direito de administrar as próprias instituições”, diz Michael, o líder leigo católico.

Para o dirigente do UFC, a conduta da administração “mina gravemente a liberdade de religião e a liberdade de estabelecer e administrar instituições educacionais, prerrogativas protegidas pela Constituição da Índia, como garantia de todas as minorias religiosas”.  (JSG)

 

Moçambique:

Apoios humanitários «acendem» a esperança em Cabo Delgado

– D. Luiz Fernando Lisboa

 

O bispo de Pemba, em Moçambique, escreveu uma mensagem a agradecer o apoio das organizações da Igreja Católica local, que ajudaram diretamente mais de 140 mil pessoas no país africano.

“Com os recursos recebidos a Diocese de Pemba (Moçambique), através da Cáritas e das Paróquias ajudou em 2020 e janeiro de 2021 mais de 140 mil pessoas diretamente e cerca de 500 mil, indiretamente”, referiu D. Luiz Fernando Lisboa, numa nota enviada à Agência Ecclesia.

O norte da Província de Cabo Delgado (Moçambique) tem sido palco, nos últimos anos, de conflitos armados que provocaram milhares de mortes e centenas de milhares de deslocados.

Segundo o bispo de Pemba, as “muitas mãos que se estendem” para apoiar estas pessoas “acendem” a esperança.

O apoio de várias pessoas e entidades religiosas e civis têm permitido “que milhares de pessoas tenham alimentos, casas, sanidade, apoio psicossocial e reconstruam seus sonhos”, assinala o responsável católico.

Simbolicamente, a Diocese de Pemba realizou “um gesto de comunhão” e as paróquias “plantaram uma árvore”.

“Uma forma de multiplicar na Casa Comum todo o bem que temos recebido” porque acreditam “na força da vida presente em todas as pessoas e que, essa força, contagiada, vence a morte”, finaliza D. Luiz Fernando Lisboa.

 

Alemanha:

O discernimento na estadista Angela Merkel

 

Mendo Castro Henriques, professor de Filosofia Política da Universidade Católica Portuguesa (UCP), encontra na chanceler alemã Angela Merkel uma “estadista” marcada pela discrição na assunção de pertenças cristãs e pelo discernimento ao longo da vida pública.

“O pragmatismo, realismo, compaixão e entendimento de que as sociedades às vezes estão por baixo, carentes e oprimidas, e o sentido evangélico está presente nas suas opções, apesar de não dizer publicamente «eu sou cristã»”.

 “O que diferencia um político de um estadista é que o último age por missão, que vai cumprir para servir a sua população. É o grande exemplo de Angela Merkel e que marcou muito os alemães”, acrescenta.

O docente destaca um episódio elucidativo do discernimento que acompanha a vida política da chanceler que a faz estar atenta aos movimentos sociais e procurar os caminhos para a preservação do bem-comum.

“Em 2015, todas as personalidades do seu partido, CDU, eram contra a entrada dos refugiados da Síria, mas há um episódio em que um contacto com uma jovem palestiniana muda a sua postura. Numa visita a uma escola, a jovem dá conta que não se podia encontrar com a família, Angela Merkel disse que ela descrevia muito bem a situação. Um mês depois, deu uma ordem discreta a dizer «Abram as fronteiras», o que permitiu a entrada de cerca de um milhão de pessoas”, conta.

Originária de Hamburgo, na Alemanha oriental, Angela Merkel foi viver para a Alemanha ocidental, devido ao pai ser um pastor luterano, e ali fez formação, quis ser professora e escolheu a área da Física.

“Ela viveu até aos 30 anos num país de regime comunista coletivista, com polícia política. Acabou por não seguir a carreira de professora porque eram obrigados a colaborar com a polícia e ela não queria. Acabou na área da Física Quântica”.

O entrevistado considera que a entrada de Angela Merkel na vida política decorre do seu compromisso social e cívico, inscrevendo-se “num pequeno partido, Despertar Democrático”.

“Merkel começa a aperceber-se que os elementos financeiros estão a ganhar um peso maior que a economia das famílias, vai tomar decisões duras, e opta por salvar o euro, para continuar a haver Europa”, explica.

Anos mais tarde, concretiza o docente, “para defender a Europa ela vai defender algo diferente na procura do bem comum, presente no pensamento social”, procurando a “mutualização das dívidas europeias, algo rejeitado antes”.

“Em 2016 vinha aí uma crise europeia, porque Merkel começou a assistir à atuação de Trump e da China, procurou o bem comum europeu e mudou a sua maneira de pensar económica preparando-se para o que vinha; e veio o Covid-19, em 2020, uma crise sanitária que se transformou em crise europeia, e conseguiu o compromisso dos fundos de cooperação”, sublinha.

 “Angela Merkel acha que não é seu dever dizer mas antes agir, segundo uma inspiração cristã, numa mistura de discrição e autenticidade. Oxalá possa continuar a dar contributos”, finaliza.

 

Etiópia:

Fundação AIS fala em «situação alarmante» no norte

 

A diretora de projetos da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) afirmou que a situação no norte da Etiópia “é alarmante” e que “centenas de cidadãos estão a ser mortos nos conflitos na região de Tigray”.

Sublinha, numa nota enviada hoje à Agência Ecclesia, que a comunicação “é muito precária e há quase três semanas que a região está totalmente isolada do resto do mundo, sem internet ou telefone”.

Segundo a responsável da AIS, apesar de se desconhecer o número de mortos na região de Tigray, situada na zona mais setentrional da Etiópia, “fala-se que há padres e líderes da Igreja entre eles”.

Depois de lojas, escolas, igrejas e conventos terem sido “roubados e destruídos”, “milhares de pessoas fugiram das suas casas” e “muitos atravessaram a fronteira para o Sudão”, indica Regina Lynch.

Há “a confirmação de uma série de mortes e ataques a pessoas inocentes em muitas partes da região e também na zona de Aksum”.

As eleições legislativas que deveriam ter ocorrido no final de agosto do ano passado foram adiadas por causa da pandemia do coronavírus; na região de Tigray, o partido nacionalista Frente Popular para a Libertação de Tigray (PFLT), organizou, sem autorização do governo central uma consulta popular, o que motivou uma crise política e levou à intervenção dos militares.

“Este é um problema político, mas aqueles que estão a pagar com a vida são os cidadãos e os civis, é uma situação terrível”, sublinha Regina Lynch.

 

Angola:

Organização ligada aos Dominicanos

denuncia cerco policial a ativistas dos Direitos Humanos

 

A polícia está a reter quatro ativistas dos Direitos Humanos na residência paroquial do Cafunfo (leste de Angola), denunciou o Mosaiko – Instituto para a Cidadania, uma organização católica ligada aos missionários Dominicanos.

Os membros do Mosaiko e da Rede de Defensores de Direitos Humanos (RDDH) permanecem sem sair da casa, vigiados pela polícia, desde a última quarta-feira.

Os ativistas deslocaram-se à vila mineira de Cafunfo, palco de incidentes entre a polícia e populares no último dia 30 de janeiro, de que resultaram um número indeterminado de mortos e feridos.

O Mosaiko e a RDHH estavam a levar a cabo contactos com a Comissão de Justiça e Paz da localidade, com quem trabalham há vários anos, e com missionários locais, quando, “vários agentes policiais entraram na casa paroquial, onde a equipa estava hospedada”, tendo permanecido o espaço sob vigilância, denunciou o Mosaiko, em mensagem divulgada através das suas redes sociais.

O Mosaiko é um Instituto angolano, sem fins lucrativos, que visa contribuir para uma cultura de Direitos Humanos em Angola; foi fundado em 1997, pelos Missionários Dominicanos (Ordem dos Pregadores).

Os bispos católicos da Província Eclesiástica de Saurimo (dioceses de Saurimo, Luena e Dundo) manifestaram a sua “consternação” com os incidentes, sublinhando a “frustração e a insatisfação crescente de um povo que sabe viver numa terra que produz riqueza, mas que não vê os benefícios”.

Sublinham ainda que “nenhum angolano devia morrer ou ser morto por pensar de maneira diferente” e defendem “uma investigação séria para apurar a verdade e responsabilizar os culpados, seja de que lado for”.

 

Myanmar:

Religiosa enfrentou polícia para proteger manifestantes

 

O jornal do Vaticano destaca na sua edição de hoje a “coragem da Irmã Ann”, destacando a Ordem de S. Francisco Xavier que enfrentou a polícia de Myanmar, no norte do país, para proteger manifestantes.

“Em nome de Deus, poupai aquelas jovens vidas. Levai a minha”, disse a irmã Ann Nu Thawng, da diocese de Myitkyina, no norte de Myanmar.

As forças de segurança de Myanmar intensificaram o uso de força para dispersar os manifestantes que protestam contra o golpe militar de 1 de fevereiro; a polícia disparou munições reais contra os manifestantes em várias cidades, provocando pelo menos 18 mortos e dezenas de feridos.

Segundo o jornal do Vaticano, em Myitkyina, capital do estado de Kachin, os manifestantes estão nas ruas há semanas.

No domingo, dia 28 de fevereiro, pelo menos 50 jovens foram presos na cidade, onde a polícia usou granadas de atordoamento e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

O ajuntamento chegou ao convento católico de S. Columbano, onde residem as irmãs de S. Francisco Xavier, que administram um dispensário e uma pequena clínica.

As religiosas abriram os portões para abrigar os manifestantes e a irmã Ann Nu Thawng foi ao encontro da polícia: “Não disparem, não matem sangue inocente. Se quiserem, atinjam-me a mim”.

“A coragem da Ir. Ann permitiu que pelo menos cem manifestantes encontrassem refúgio no convento das religiosas, enquanto 40 feridos foram conduzidos à clínica anexa, onde receberam os primeiros socorros”, acrescenta o jornal do Vaticano.

O periódico cita Patrícia Yadanar Myat Ko, uma das jovens que se abrigou no mosteiro: “Fomos salvos pela miraculosa intervenção da irmã. É uma verdadeira heroína. Devemos-lhe a vida”.

 

Amazónia:

Cavaleiros de Colombo enviam oxigênio para pacientes da

 

A Covid-19 tem atingido duramente a cidade brasileira de Manaus

Uma mulher chamada Thalita Rocha fez um apelo emocionado da cidade de Manaus, na Amazónia brasileira. “Estamos em uma situação deplorável”, disse ela. “Quem tiver disponibilidade de oxigénio o traga aqui para a policlínica. Muitas pessoas estão a morrer.”

Ela viu pacientes morrerem sufocados no hospital onde a sua sogra estava a ser tratada em meados de janeiro. Ela viu médicos chorarem, caiu de joelhos e rezou. “Parecia o fim do mundo”, disse ela, de acordo com o Washington Post.

A luta para salvar vidas nesta área isolada da Amazônia brasileira tornou-se um esforço desesperado para levar oxigênio aos hospitais.

O Papa Francisco ofereceu orações públicas pelas pessoas da região depois que um bispo local, o arcebispo Leonardo Steiner, implorou em 15 de janeiro: “Nós, bispos do Amazonas e de Roraima, fazemos um apelo: Pelo amor de Deus, enviem oxigênio”.

Em resposta a esse pedido urgente, os Cavaleiros de Colombo, com sede nos EUA, já enviaram mais de US$ 200.000 em dispositivos de oxigênio concentrado para as regiões amazônicas do Brasil e do Peru.

Isso inclui 200 tanques de 10 metros cúbicos para a região de Manaus.

“Sabemos que é um pequeno esforço, mas é um começo e esperamos que incentive outras pessoas a oferecerem apoio”, disse Caitlin Murphy, porta-voz dos Cavaleiros.

Com a ajuda da Igreja local no Brasil, os Cavaleiros de Colombo localizaram o oxigênio disponível num estado vizinho. Seria transportado por caminhão até Manaus, sob acompanhamento das autoridades. A cidade de 2,2 milhões de habitantes é de difícil acesso.

“Continuaremos em comunicação com nossos contatos na Amazônia e tentaremos ver se podemos ajudar mais”, disse Murphy. “Graças à nossa longa história na Igreja, os Cavaleiros de Colombo têm uma série de relacionamentos com oficiais da Igreja locais e comunidades religiosas presentes nesses locais.”

“Em solidariedade com nossos irmãos e irmãs da região amazónica, não poderíamos deixar de agir”, disse o Cavaleiro Supremo Carl Anderson. “Os Cavaleiros de Colombo, neste caso, tinham os recursos e as conexões apropriadas para responder rapidamente a essa necessidade crítica.”

 

Nigéria:

Igreja foi queimada e destruída por «bandidos armados» em Kaduna

 

A igreja católica da Sagrada Família na aldeia de Kikwari, no Estado de Kaduna, norte da Nigéria, foi “atacada, incendiada e destruída” por “bandidos armados”, informaram as autoridades locais, citadas pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Numa nota enviada hoje à Agência Ecclesia, a fundação pontifícia adianta que as autoridades pediram a elaboração de um relatório com os danos do ataque e as forças policiais intensificaram as medidas de segurança na região.

“Ao chegar ao local, os bandidos armados atearam fogo no edifício de culto e em duas casas”, explicou Samuel Aruwan, comissário de Segurança Interna de Kaduna, adiantando que não há vítimas.

O comissário acrescentou que foi pedido à população para considerarem o ataque e a destruição da igreja como “um ato perpetrado por inimigos da paz, da humanidade e da diversidade”, e que “serão derrotados, com a graça de Deus”.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre informa ainda que uma aldeia vizinha de Kikwari, no Estado de Kaduna, no norte da Nigéria, também foi atacada e, pelo menos, duas pessoas morreram e nove habitantes terão sido sequestrados.

A igreja incendiada na Nigéria fica na aldeia de Kikwari, no Estado de Kaduna, e era dedicada à Sagrada Família. Os incendiários eram bandidos armados que, no mesmo fim de semana, também atacaram outra aldeia da região, matando ao menos duas pessoas. Eles ainda sequestraram outros nove moradores. Além da igreja, os criminosos incendiaram mais duas casas.

 

Nossa Senhora das Flores chegou a Marte

 

No dia 18 de fevereiro de 2021, o robô Perseverance, da expedição “Mars 2020”, chegou a Marte para fazer estudos. Ele carregou 150 mil placas com diferentes nomes comuns na Terra. Os nomes, de facto, foram selecionados pela NASA depois de um concurso com sugestões aberto ao público. Entre as sugestões, estava a de Francisco Fernández, um sargento da Aeronáutica da Espanha que mora em Barcelona, mas leva a sua cidade Natal Álora (uma localidade da província de Málaga) e sua padroeira no coração.

“O objetivo é que, quando o robô deixar de funcionar, em seu interior estejam esses nomes, caso alguém encontre a máquina ou caso os humanos acabem de se instalar em Marte”, explicou Fernandes.

Quando soube do concurso, Fernández fez questão de sugerir o nome de Nossa Senhora das Flores, uma devoção mariana comum em Álora.

Ele não comentou isso com ninguém, até que a sua sugestão fosse aceita pela NASA. A agência, inclusive, enviou-lhe uma espécie de cartão de embarque para a Virgem de Álora.

“Não deixa de ser emocionante saber que daqui a anos o nome de Maria estará lá, no espaço, entre os vales e desertos de Marte”, comentou Fernández.

A devoção a Nossa Senhora das Flores começou em Álora no século XV, depois da conquista de Granada pelos reis católicos e a rendição da localidade. A rainha Isabel mandou construir uma capela e, em 1502, entronizou a imagem desta devoção mariana.

A capela transformou-se em santuário de Maria. A festa de Nossa Senhora das Flores celebra-se em 8 de setembro. Neste ano, certamente a celebração chegará até Marte!

 


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