4º Domingo da Páscoa

DIa MUndial De oração pelas vocações

25 de Abril de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: A bondade do Senhor – A. Cartageno, CEC, pg 139

Salmo 32, 5-6

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Quarto Domingo da Páscoa é chamado Domingo do Bom Pastor. Jesus Cristo é o único e verdadeiro Pastor que conhece intimamente o Pai e transmite esse conhecimento aos seus… Conhece, também, de perto, a condição humana e oferece a sua vida pela salvação de todos.

Porque veio para ser o “Bom Pastor” de todos os homens, que chama e cuida das suas ovelhas, Jesus Cristo quis que o seu ministério pastoral fosse prolongado no espaço e no tempo. Assim, na pessoa de Pedro e dos outros Apóstolos, Jesus põe à frente da sua Igreja o Papa e os Bispos, a fim de que, estando ao serviço dos irmãos, possam conduzi-los para o redil de Cristo. Com os bispos, e sob a sua autoridade, colaboram os presbíteros e os diáconos.

Neste Domingo, Dia Mundial de Oração pelas Vocações, rezamos especialmente por aqueles que na Igreja são chamados “pastores” e para que eles nunca faltem à sua Igreja.

 

 

Ato Penitencial

Que a abundância do amor de Deus, derramado em nossos corações, se faça sentir na água batismal com que vamos ser aspergidos… (aspersão e cântico batismal).

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus continua presente no mundo, operando maravilhas em favor dos homens, agora por meio dos Apóstolos.

Apesar de estar sob prisão, Pedro, diante do Sinédrio, após ter curado em nome de Jesus um paralítico de nascença, aproveita a ocasião para proclamar que aquele Jesus, rejeitado e condenado por eles, é o único Salvador de toda a humanidade.

 

Actos dos Apóstolos 4,8-12

Naqueles dias, 8Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, 9já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado, 10ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. 11Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular. 12E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos».

 

Temos aqui a resposta de Pedro aos chefes judeus que o interrogaram acerca do milagre da cura do coxo de nascença, que mendigava junto à porta chamada Formosa, que, do átrio dos gentios, dava para o recinto das mulheres, no Templo.

11 «Jesus é a pedra desprezada (...) pedra angular». É uma alusão ao Salmo 117 (118), de acordo com os LXX. Em Mt 21,42-44, Jesus aplica a Si o texto do Salmo, cujo sentido mais profundo é messiânico, mesmo que o Salmista não pensasse em mais do que no pequenino povo de Israel, desprezado por todos, mas um povo donde viria a salvação através do Messias (sentido típico).

12 «Não há salvação em nenhum outro (nome)», isto é, em nenhuma outra pessoa. O próprio nome de Jesus – Yexúah –, escolhido por Deus, significa: Yahwéh é Salvação. Mesmo aqueles que se salvaram antes de Cristo vir à terra puderam chegar à salvação pelos méritos de Jesus. Toda a graça depois do primeiro pecado chega ao homem pela mediação de Cristo.

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 1 e 8-9.21-23.26.28cd.29 (R. 22)

 

Monição: Louvemos com alegria a pedra rejeitada que se tornou para nós Pedra Angular, fonte de misericórdia e salvação.

 

Refrão:        A pedra que os construtores rejeitaram

                     tornou-se pedra angular.

 

Ou:               Aleluia

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Mais vale refugiar-se no Senhor,

do que fiar-se nos homens.

Mais vale refugiar-se no Senhor,

do que fiar-se nos poderosos.

 

Eu Vos darei graças porque me ouvistes

e fostes o meu Salvador.

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

 

Bendito o que vem em nome do Senhor,

da casa do Senhor nós vos bendizemos.

Vós sois o meu Deus: eu vos darei graças.

Vós sois o meu Deus: eu Vos exaltarei.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A vida divina trazida por Cristo, fruto do amor de Deus, começa no Baptismo. A partir daí, somos filhos de Deus em Cristo, mas ainda se não manifestou totalmente o que havemos de ser. Só se manifestará em todo o seu esplendor no dia em que formos semelhantes a Deus, quando O virmos face a face.

 

1 São João 3,1-2

Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é.

 

No coração da 1ª Carta de João está o apelo a viver como filhos de Deus (cap.3); a uma tão grande dignidade e a um tão grande dom não se pode ficar indiferente, é forçoso romper de vez com o pecado (vv. 3-10) e corresponder com obras de amor (vv. 11-24).

1 «E somo-lo de facto». Não se diz apenas que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para um semita entender para quem o ser chamado (por Deus) equivalia a ser. Trata-se duma realidade sobrenatural fundamental, mas que o mundo sem fé não pode captar nem apreciar.

2 «Seremos semelhantes a Deus, porque O veremos...». Há quem pretenda ver nesta expressão a referência a uma ideia corrente na religião helenística, segundo a qual o conhecimento de Deus diviniza aqueles que chegam a alcançá-lo. A Teologia explicita que «agora» a filiação divina já nos capacita para a glória do Céu, não se tratando de algo meramente legal e extrínseco, à maneira da adopção humana de um filho; trata-se de algo sobrenatural, que implica uma participação da natureza divina (cf. 2Pe 1,4). «O veremos tal como Ele é», isto é, não apenas indirectamente através das suas obras, mas contemplando-o face a face (cf. 1Cor 13,12).

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 10, 14

 

Monição: Perante tantos governantes do povo que perseguem somente o seu interesse pessoal, Jesus define-Se como o Bom Pastor: verdadeiro, autêntico e único. Só Ele conhece e ama realmente os seus, até dar a vida por eles. Este conhecimento cria comunhão de vida, relação pessoal, activa, amorosa e recíproca.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10,11-18

Naquele tempo, disse Jesus: 11«Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. 12O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa. 13O mercenário não se preocupa com as ovelhas. 14Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, 15Do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a vida pelas minhas ovelhas. 16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. 17Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. 18Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai».

 

Todos os anos no 4º Domingo de Páscoa – o Domingo do Bom Pastor, dia mundial de oração pelas vocações –, a leitura evangélica é tirada do capítulo 10º de S. João. No ano passado, ano A, leram-se os primeiros dez versículos, onde aparecia a parábola do pastor e do ladrão; este ano temos, na sua sequência, a parábola do pastor bom e do mercenário, as únicas parábolas que aparecem em todo o 4.° Evangelho, se bem que se trata antes de uma alegoria, em que os seus elementos não são mero adorno, mas se revestem de significado. Para a sua compreensão devem ter-se presentes os costumes da época; durante o dia, os vários rebanhos pertencentes a distintos donos – os pastores – dispersavam-se pelas escassas pastagens da região; ao cair da noite, todos os rebanhos recolhiam a um recinto comum fechado por uma sebe ou um muro baixo – o redil – em pleno descampado, onde eram defendidos das feras e dos ladrões por um guarda – o porteiro –, que podia ser contratado – um mercenário – pelos donos; de manhã, cada pastor voltava e, da porta do recinto, chamava as suas próprias ovelhas, que já conheciam o seu grito habitual e o seguiam a caminho das pastagens; os ladrões não entravam pela porta vigiada, mas saltavam pela vedação, pois o seu objectivo não era apascentar, mas dizimar os rebanhos, roubar e matar.

11-18 «Eu sou o Bom Pastor»: a descrição da figura do Bom Pastor não é original, mas decalcada em Ezequiel 34,1-31 e 37,16ss; a novidade está em dar a vida pelas suas ovelhas (vv. 11 e 15). Assim, Jesus aparece a revelar-se como Deus incarnado, dando cumprimento ao anúncio profético: Eu próprio cuidarei do meu rebanho e velarei por ele (cf. Ez 34,11.12-13.15.16.20.22.31). Deus aparece frequentemente na Escritura como o Pastor de Israel (cf. Gn 49,24; Salm 23; 78,52; 80,2; Is 40,11; Jer 31,10…). Jesus como o Bom Pastor é uma das mais comovedoras revelações do Novo Testamento (cf. Mt 18,12-14; Lc 15,4-7; 1Pe 2,25; 5,4...).

12 «O mercenário». A propósito desta figura, pergunta e responde Santo Agostinho: «Quem é o mercenário que vê vir o lobo e foge? É o que procura os seus interesses, e não os que pertencem a Jesus Cristo. São os que se não atrevem a repreender desassombradamente o que peca. […] Ó mercenário, viste vir o lobo, e fugiste. […] Debandaste, porque calaste; calaste, porque receaste. O temor é a fuga da alma» (In Jo. Ev. Tractatus, LXVI, 8).

16 «Tenho ainda outras ovelhas». São certamente os gentios, não os judeus da diáspora. Também a elas se dirige a missão de Jesus através dos seus mensageiros que há-de enviar a todo o mundo (cf. Mt 28,19-20). Estes enviados – lembrar que é hoje o dia mundial de oração pelas vocações – permitirão que se venha a constituir um só rebanho: a Igreja universal (católica) que congregue todos os redimidos dos quais Jesus é o Senhor, o único Pastor.

 

Sugestões para a homilia

 

O quarto Domingo da Páscoa, “Domingo do Bom Pastor” e Dia Mundial de Oração pelas Vocações faz chegar-nos, à mente e ao coração, esta grande alegria: Deus preocupa-se com o homem a ponto de considerar cada homem mais importante que Ele próprio: por isso dá a Sua vida. A Sua vida pela minha vida...

 

O Pastor conhece...

Tal como os pastores são artífices de atenção, sabem de olhares e paisagens únicos, distinguem os perfumes da terra e estão impregnados do odor do rebanho, escutam os silêncios e reconhecem a voz ímpar de cada uma das suas ovelhas..., também Jesus Cristo, o “Bom” e “Belo” Pastor, conhece cada uma das suas ovelhas: as alegrias e canseiras, os sonhos, as fragilidades e as esperanças...; e tem, com cada uma, uma relação pessoal e única, ama cada uma e apascenta-as com delicadeza e desvelo...

Por isso devemos fixar o nosso olhar em Jesus Cristo a pedra rejeitada mas que para nós, pela sua morte e ressurreição, se torna a pedra angular, a pedra base desse amor admirável que Deus tem por cada um de nós.

 

O Pastor dá a vida

O Deus de Jesus Cristo não se sente bem nos Céus, enquanto cada um dos seus filhos não estiver bem na terra. E, então, desce, envolve-se e faz-se dom, luta e alento..., faz-se amor até ao limite de arriscar tudo, dando a vida pelas suas ovelhas.

Ele não engana nem se aproveita do outro… A Ele não o move o interesse nem o comove o dinheiro. Ele não procura tratar da sua “vidinha” e depois, quando o lobo, “a dificuldade” ou o perigo espreita, abandona a missão... Gosta, tanto e de tal modo, daqueles que a Ele se confiam, que segue à sua frente arriscando e dando a vida, por um só que seja, mostrando-nos que só dando a vida é que podemos salvá-la.

É esta, desde sempre e para sempre, a obra de Deus: oferecer vida... É este o tesouro escondido e o mistério revelado: Deus vem para dar vida, a Sua Vida, e nos oferecer as coisas que fazem viver, o suplemento de vida que nos ajuda a bater os lobos que amam a morte...

Aceitar a vida que o Bom Pastor oferece e fazer da vida um dom ao pequeno rebanho confiado ao nosso coração: a família, os amigos, aqueles que confiam em nós, a comunidade..., é o segredo da verdadeira felicidade. Pois ninguém tem maior amor, do que aquele que dá a vida.

 

O Pastor conhece as ovelhas e elas seguem-no

Ele não ama multidões, mas ama “as suas”, cada uma pessoalmente. Aqueles a quem Jesus se dá, têm um nome, uma história, uma vida conhecida e partilhada por Jesus. Ele não é um Deus distante, demasiado grande e importante, para se ocupar das nossas insignificâncias. Mas, porque Ele é grande, a nossa vida, a vida de cada pessoa humana, não é uma coisa pequena, é algo de grande e digno de todo o seu amor… Ele preocupa-se connosco, porque somos seus. E, deste modo, podemos confiar-nos sem reservas aos seus braços, deixarmo-nos conduzir aos seus ombros, pois são braços de amor e ombros de ternura.

 

As minhas ovelhas escutam a minha voz

São tantas e infinitas as vozes que enchem a nossa vida: conselhos, pareceres, comentários, boatos... Temos sempre o sinal aberto, a rede ligada, os dados móveis ativados, a debitar constantemente informações... Mas será que escutamos a voz do Senhor? 

A atitude de escuta não é apenas atenção às palavras, é, sobretudo, um inclinar-se para o Outro e para os outros, disponibilizando-se para acolher o dito e o não dito, a palavra divina e o grito humano... Sem uma boa escuta, que faz conhecer, não pode haver uma boa resposta... Sem disponibilidade para ouvir não pode haver disponibilidade para responder e sair de si mesmo ao encontro dos outros...

 

A vocação é hoje

Neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações é belo ter consciência de que como cristãos, somos parte essencial de um grande sonho de amor. Todos os dias e em cada dia, Jesus Cristo chama-nos à perfeição do amor do Pai; a fazer da nossa vida, um dom a Deus e um dom para os outros!

Não temos de esperar que sejamos perfeitos para Lhe dizer “Eis-me aqui”, nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor, de coração aberto... E depois testemunhar aos outros a sua vida dada, o seu amor sem limites, a sua alegria de caminhar à nossa frente para que juntos formemos um só rebanho com um só pastor.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

PARA O 58º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

[25 de abril de 2021 - IV Domingo da Páscoa]

«São José: o sonho da vocação»

 

 Queridos irmãos e irmãs!

No dia 8 de dezembro passado, teve início o Ano especial dedicado a São José, por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal (cf. Decreto da Penitenciaria Apostólica, 8 de dezembro de 2020). Da parte minha, escrevi a carta apostólica Patris corde, com o objetivo de «aumentar o amor por este grande Santo» (concl.). Trata-se realmente duma figura extraordinária e, ao mesmo tempo, «tão próxima da condição humana de cada um de nós» (introd.). São José não sobressaía, não estava dotado de particulares carismas, não se apresentava especial aos olhos de quem se cruzava com ele. Não era famoso, nem se fazia notar: dele, os Evangelhos não transcrevem uma palavra sequer. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus.

Deus vê o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e, em São José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias. O Senhor deseja moldar corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes para fortalecer as esperanças. Disto mesmo têm necessidade o sacerdócio e a vida consagrada, particularmente nos dias de hoje, nestes tempos marcados por fragilidades e tribulações devidas também à pandemia que tem suscitado incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida. São José vem em nossa ajuda com a sua mansidão, como Santo ao pé da porta; simultaneamente pode, com o seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.

A vida de São José sugere-nos três palavras-chave para a vocação de cada um. A primeira é sonho. Todos sonham realizar-se na vida. E é justo nutrir aspirações grandes, expectativas altas, que objetivos efémeros como o sucesso, a riqueza e a diversão não conseguem satisfazer. Realmente, se pedíssemos às pessoas para traduzirem numa só palavra o sonho da sua vida, não seria difícil imaginar a resposta: «amor». É o amor que dá sentido à vida, porque revela o seu mistério. Pois só se tem a vida que se , só se possui de verdade a vida que se doa plenamente. A este propósito, muito nos tem a dizer São José, pois, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom.

Os Evangelhos falam de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Apesar de serem chamadas divinas, não eram fáceis de acolher. Depois de cada um dos sonhos, José teve de alterar os seus planos e entrar em jogo para executar os misteriosos projetos de Deus, sacrificando os próprios. Confiou plenamente. Podemos perguntar-nos: «Que era um sonho noturno, para o seguir com tanta confiança?» Por mais atenção que se lhe pudesse prestar na antiguidade, valia sempre muito pouco quando comparado com a realidade concreta da vida. Todavia São José deixou-se guiar decididamente pelos sonhos. Porquê? Porque o seu coração estava orientado para Deus, estava já predisposto para Ele. Para o seu vigilante «ouvido interior» era suficiente um pequeno sinal para reconhecer a voz divina. O mesmo se passa com a nossa vocação: Deus não gosta de Se revelar de forma espetacular, forçando a nossa liberdade. Transmite-nos os seus projetos com mansidão; não nos ofusca com visões esplendorosas, mas dirige-Se delicadamente à nossa interioridade, entrando no nosso íntimo e falando-nos através dos nossos pensamentos e sentimentos. E assim nos propõe, como fez com São José, metas elevadas e surpreendentes.

Na realidade, os sonhos introduziram José em aventuras que nunca teria imaginado. O primeiro perturbou o seu noivado, mas tornou-o pai do Messias; o segundo fê-lo fugir para o Egito, mas salvou a vida da sua família. Depois do terceiro, que ordenava o regresso à pátria, vem o quarto que o levou a mudar os planos, fazendo-o seguir para Nazaré, onde precisamente Jesus havia de começar o anúncio do Reino de Deus. Por conseguinte, em todos estes transtornos, revelou-se vitoriosa a coragem de seguir a vontade de Deus. Assim acontece na vocação: a chamada divina impele sempre a sair, a dar-se, a ir mais além. Não há fé sem risco. Só abandonando-se confiadamente à graça, deixando de lado os próprios programas e comodidades, é que se diz verdadeiramente «sim» a Deus. E cada «sim» produz fruto, porque adere a um desígnio maior, do qual entrevemos apenas alguns detalhes, mas que o Artista divino conhece e desenvolve para fazer de cada vida uma obra-prima. Neste sentido, São José constitui um ícone exemplar do acolhimento dos projetos de Deus. Trata-se, porém, de um acolhimento ativo, nunca de abdicação nem capitulação; ele «não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte» (Carta ap. Patris corde, 4). Que ele ajude a todos, sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre surpreende e nunca desilude!

Uma segunda palavra marca o itinerário de São José e da vocação: serviço. Dos Evangelhos, resulta como ele viveu em tudo para os outros e nunca para si mesmo. O Povo santo de Deus chama-lhe castíssimo esposo, desvendando assim a sua capacidade de amar sem nada reservar para si próprio. Libertando o amor de qualquer posse, abriu-se realmente a um serviço ainda mais fecundo: o seu cuidado amoroso atravessou as gerações, a sua custódia solícita tornou-o patrono da Igreja. Ele que soube encarnar o sentido oblativo da vida, é também patrono da boa-morte. Contudo o seu serviço e os seus sacrifícios só foram possíveis, porque sustentados por um amor maior: «Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração» (Ibid., 7).

O serviço, expressão concreta do dom de si mesmo, não foi para São José apenas um alto ideal, mas tornou-se regra da vida diária. Empenhou-se para encontrar e adaptar um alojamento onde Jesus pudesse nascer; prodigalizou-se para O defender da fúria de Herodes, apressando-se a organizar a viagem para o Egito; voltou rapidamente a Jerusalém à procura de Jesus que tinham perdido; sustentou a família trabalhando, mesmo em terra estrangeira. Em resumo, adaptou-se às várias circunstâncias com a atitude de quem não desanima se a vida não lhe corre como queria: com a disponibilidade de quem vive para servir. Com este espírito, José empreendeu as viagens numerosas e muitas vezes imprevistas da vida: de Nazaré a Belém para o recenseamento, em seguida para Egito, depois para Nazaré e, anualmente, a Jerusalém, sempre pronto a enfrentar novas circunstâncias, sem se lamentar do que sucedia, mas disponível para dar uma mão a fim de reajustar as situações. Pode-se dizer que foi a mão estendida do Pai Celeste para o seu Filho na terra. Assim não pode deixar de ser modelo para todas as vocações, que a isto mesmo são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos seus filhos e filhas.

Por isso gosto de pensar em São José, guardião de Jesus e da Igreja, como guardião das vocações. Com efeito, da própria disponibilidade em servir, deriva o seu cuidado em guardar. «Levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe» (Mt 2, 14): refere o Evangelho, indicando a sua disponibilidade e dedicação à família. Não perdeu tempo a cismar sobre o que estava errado, para não o subtrair a quem lhe estava confiado. Este cuidado atento e solícito é o sinal duma vocação realizada. É o testemunho duma vida tocada pelo amor de Deus. Que belo exemplo de vida cristã oferecemos quando não seguimos obstinadamente as nossas ambições nem nos deixamos paralisar pelas nossas nostalgias, mas cuidamos de quanto nos confia o Senhor, por meio da Igreja! Então Deus derrama o seu Espírito, a sua criatividade sobre nós; e realiza maravilhas, como em José.

Além da chamada de Deus – que realiza os nossos sonhos maiores – e da nossa resposta – que se concretiza no serviço pronto e no cuidado carinhoso –, há um terceiro aspeto que atravessa a vida de São José e a vocação cristã, cadenciando o seu dia a dia: a fidelidade. José é o «homem justo» (Mt 1, 19) que, no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos seus desígnios. Num momento particularmente difícil, detém-se «a pensar» em tudo (cf. Mt 1, 20). Medita, pondera: não se deixa dominar pela pressa, não cede à tentação de tomar decisões precipitadas, não segue o instinto nem se cinge àquele instante. Tudo repassa com paciência. Sabe que a existência se constrói apenas sobre uma contínua adesão às grandes opções. Isto corresponde à laboriosidade calma e constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13, 55), pela qual inspirou, não as crónicas da época, mas a vida quotidiana de cada pai, cada trabalhador, cada cristão ao longo dos séculos. Porque a vocação, como a vida, só amadurece através da fidelidade de cada dia.

Como se alimenta esta fidelidade? À luz da fidelidade de Deus. As primeiras palavras recebidas em sonho por São José foram o convite a não ter medo, porque Deus é fiel às suas promessas: «José, filho de David, não temas» (Mt 1, 20). Não temas: são estas as palavras que o Senhor dirige também a ti, querida irmã, e a ti, querido irmão, quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças por seguir diariamente a sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao longo do itinerário da chamada, retornas ao primeiro amor. São as palavras que, como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na fidelidade de cada dia.

Esta fidelidade é o segredo da alegria. Como diz um hino litúrgico, na casa de Nazaré reinava «uma alegria cristalina». Era a alegria diária e transparente da simplicidade, a alegria que sente quem guarda o que conta: a proximidade fiel a Deus e ao próximo. Como seria belo se a mesma atmosfera simples e radiosa, sóbria e esperançosa, permeasse os nossos seminários, os nossos institutos religiosos, as nossas residências paroquiais! É a alegria que vos desejo a vós, irmãos e irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para O servir nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria. São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!

Papa Francisco, Roma, São João de Latrão, 19 de março de 2021, Solenidade de São José

 

Oração Universal

 

 

Irmãos e irmãs: Unidos aos cristãos de toda a terra,

oremos a Jesus ressuscitado para que dê muitos pastores à sua Igreja,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

Ou: Cristo ressuscitado, ouvi-nos.

Ou: Rei da glória, ouvi a nossa oração.

 

1.      Para que o Papa, os bispos e os presbíteros

se dêem todos às ovelhas que apascentam

e aproximem aquelas que andam longe, oremos.

 

2.      Para que os responsáveis pelo governo das nações

sejam verdadeiros servidores dos outros homens,

na liberdade, na justiça e no respeito, oremos.

 

3.      Para que os jovens que o Bom Pastor chama a segui-l’O

saibam servir o seu rebanho como Ele serviu

e abrir os corações ao dom do Espírito, oremos.

 

4.       Para que os fiéis da nossa assembleia sigam a Cristo com amor e fidelidade

e reconheçam que é Ele quem lhes fala, oremos.

 

5.       Para que os pastores que adormeceram no Senhor

sejam eternamente felizes junto de Cristo,

com os cristãos que eles guiaram para o Céu, oremos.

 

6.      Para que mais vocações sacerdotais, religiosas e missionárias

se sintam interpeladas por Jesus, o Bom Pastor,

escutem a Sua voz e sigam o Seu exemplo, cuidando, alimentando

e guiando todos os que lhes são confiados, oremos irmãos.

 

Senhor Jesus Cristo, Bom Pastor, que nos chamais a ir convosco, dai fortaleza à nossa fé tão vacilante, abri os nossos ouvidos ao vosso apelo e reuni num só rebanho os que Vos seguem. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A Messe é Grande – C. Silva, NRMS, 94

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio Pascal V e Oração Eucarística II ou Oração Eucarística V/B

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

O Bom Pastor é também o Cordeiro de Deus, porque não hesitou em entregar a vida por nós.

 

Cântico da Comunhão: O Eterno é meu Pastor – M. Faria, CT

 

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai, louvai o Senhor – J. F. Silva, NRMS, 85

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Bom Pastor é também o Cordeiro de Deus, porque não hesitou em entregar a vida por nós.

 

Cântico final: Povos batei palmas – CS, NRMS, 48

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira: 26-IV: As tarefas do Bom Pastor.

Act 11, 1-18 / Jo 10, 1-10

O Pastor chama as ovelhas pelos seus nomes e leva-as para fora. Caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no.

Deus chama-nos pelo nosso nome (EV), que é sagrado aos seus olhos. E convida-nos a uma maior intimidade com Ele, confere-nos mais graças, compromete-se a ajudar-nos como filhos muito amados.

Jesus pede a Pedro que continue a sua missão de Bom Pastor, a seguir à Ressurreição: apascenta as minhas ovelhas (LT). E, um dia, pede-lhe que se ocupe dos pagãos, contra a vontade dele (LT). Quanto a nós: que a luz e a verdade do Senhor sejam o nosso guia e nos conduzam à sua montanha santa (SR).

 

3ª Feira, 27-IV:  A Cruz de Cristo em todos os lugares.

Act 11, 19-26 / Jo 10, 22-30

A mão do Senhor estava com eles e foi grande o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor.

Depois de Jerusalém, passaram a Antioquia, onde passaram a chamar-se cristãos (LT). A Igreja teve uma rápida expansão e assim há-de continuar. Para isso, contamos sempre com a ajuda do Senhor: As minhas ovelhas escutam a minha voz, e ninguém as há-de arrebatar da minha mão (EV).

Temos que continuar a levar a cruz de Cristo a todas as pessoas, como fizeram os primeiros cristãos. Procuremos despertar os que estão acomodados, para que na sociedade se recuperem os valores cristãos e todos possam louvar o Senhor (SR).

 

4ª Feira, 28-IV: Os pilares da nossa actuação.

Act 12, 24-13, 5 / Jo 12, 44-50

Então, depois de terem jejuado. Impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir.

A Igreja sempre se apoiou sobre estes dois pilares: a oração e a penitência (LT), imprescindíveis para o seu crescimento. O Espírito Santo, prometido por Cristo, iluminará os caminhos que se hão-de percorrer.

Através da oração descobriremos a presença do Senhor; receberemos a luz, para que se dissipem as trevas da nossa vida e possamos compreender os acontecimentos (EV); escutaremos o Espírito Santo, para que nos oriente sobre o que devemos fazer para anunciar a palavra de Deus aos outros, para que todos os povos aclamem o Senhor (SR).

 

5ª Feira, 29-IV: Santa Catarina de Sena, Padroeira da Europa.

1 Jo 1, 5-2, 2 / Mt 11, 25-30

Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andarmos nas trevas mentimos e não procedemos segundo a verdade.

Sta Catarina de Sena (século XIV), teve uma grande influência na unidade da Igreja e na paz e concórdia entre países e cidades da Europa. É por isso, a sua Padroeira.

A cultura europeia anda realmente nas trevas (LT), e precisa da luz de Cristo e dos cristãos. Santa Catarina, apesar da sua pouca instrução, enviou abundantes cartas às autoridades para voltarem ao bom caminho. Verificaram-se as palavras de Cristo: porque revelaste estas verdades aos pequeninos (EV). O Senhor é clemente e compassivo e compadece-se dos que O temem (SR).

 

6ª Feira, 30-IV: Revelação da vida íntima da Santíssima Trindade.

Act 13, 44-52 / Jo 14,7-14

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.

É importante esta revelação da vida íntima da Santíssima Trindade. Acreditai-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim (EV). Deste modo, as palavras de Cristo, os seus actos e sofrimentos, a maneira de ser e falar, dão a conhecer o Pai.

Outra revelação do Pai é o desejo que todos os homens se salvem, incluídos os pagãos. Assim nos pediu o Senhor: Fiz de ti a luz das nações para levares a salvação até aos confins da terra (LT). Compete-nos, a cada um de nós, continuar esta missão, procurando chegar a todos, para que terra inteira aclame o Senhor (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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