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O CÉU

 

 

 

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

 

Se o Inferno nos horroriza e o Purgatório nos angustia, embora sabendo que o seu sofrimento vai de par com a felicidade crescente da chegada à Glória eterna, «imaginar» a felicidade celestial perturba-nos.

«O homem não é capaz de muita realidade», na célebre frase de Eliot. O nosso conceito de felicidade é tão diferente da eterna alegria do Amor divino, que, em comparação, mais parece angústia do que paz. Aqui na terra, que significa ser feliz, senão escapar a dificuldades, resolver problemas, defender-nos de perigos, superar provações, e tudo à pressa, porque o tempo corre e em breve termina?

É certo que conhecemos também o amor, e pelo amor humano pressentir o divino. E, com a graça de Deus, integrá-lo em Cristo. Então a alma distingue claramente o que pode esperar desta vida, compreender o seu único sentido e, através de quaisquer circunstâncias, esperar em paz, não o fim, mas a plenitude das suas mais íntimas aspirações. E quando o mundo parece um imenso manicómio governado pelos próprios enfermos, apercebe-se de que por ele corre a graça divina em almas sem conta, e que esse, afinal, é o verdadeiro mundo, o que permanece, o que vale.

O desconcerto dos Apóstolos perante a condenação, a crucifixão e a morte do Senhor, pela sua Ressurreição e Ascensão converteu-se numa indizível alegria. E no empenho de anunciá-Lo ao mundo inteiro.

Com fé, o homem «é capaz de muita realidade». É capaz de ver, através de tantas loucuras pessoais e sociais, incontáveis almas rectas, generosas, perseverantes no bem. Talvez nos pareçam constituir um sub-mundo, mas é o verdadeiro mundo, o que subsiste, o que permanece eternamente. 

 

 

 

 

 

 

 

 


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