aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

Paquistão:

Fundação pontifícia AIS denuncia rapto e assassinato

de duas cristãs

 A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) denunciou que duas mulheres paquistanesas foram raptadas, violadas e assassinadas no país, “por recusarem a converter-se ao Islão”.

“Duas irmãs, Sajida de 28 anos, e Abida, de 26, foram raptadas, violadas e assassinadas por terem recusado a conversão ao islão. Esta é mais uma história reveladora do clima de forte intimidação e violência contra a comunidade cristã paquistanesa”, indica a informação encaminhada pelo secretariado português da AIS.

Segundo a fundação católica, as duas mulheres, ambas casadas, foram vistas com vida pela última vez a 26 de novembro quando foram trabalhar numa fábrica de produtos farmacêuticos próxima das suas casas, num bairro residencial em Lahore.

Os seus corpos, mutilados, foram descobertos a 7 de dezembro, num canal de esgotos.

Joel Amir Sohatra, um antigo membro do Parlamento Provincial do Punjab, afirma, em mensagem enviada para Lisboa, que o assassinato destas duas mulheres é um sinal de “insegurança para todas as jovens pertencentes aos grupos minoritários, especialmente da comunidade cristã”.

Sohatra lembra que este odioso crime ocorreu em Lahore, a segunda maior cidade paquistanesa e capital da província do Punjab: “Alguém consegue imaginar até onde pode chegar a perseguição baseada no ódio em zonas rurais ou com menos população?”.

“Não há espaço nem respeito por nós”, alerta.

 

França

Muçulmanos querem trocar as leis civis pela lei islâmica

 

Isabelle de Gaulmyn, diretora do semanário católico francês La Croix, resumiu como “um desafio” os resultados de um estudo recente a respeito da percepção de parte dos habitantes da França sobre o estado laico: 46% dos muçulmanos estrangeiros residentes no país consideram que a lei francesa deveria ser substituída pela lei islâmica, a sharia, opinião compartilhada também por 18% dos muçulmanos já nascidos na França.

O desafio em questão é voltado à educação: como lidar com a possibilidade de uma transformação cultural dessa magnitude?

Para a diretora do La Croix, a sociedade francesa não entendeu que os esforços educacionais não conseguiram gerar nesses grupos de cidadãos uma identificação com a nação francesa e com o seu ordenamento jurídico.

 

Eslováquia:

Papa recebeu presidente

 

O Papa recebeu no Vaticano, em audiência privada, a presidente da Eslováquia, Zuzana Caputová, que se encontrou depois com o secretário para as relações com os Estados, D. Paul Richard Gallagher.

Segundo comunicado da Santa Sé, durante as conversas “foram tratados alguns temas de interesse recíproco, tais como o impacto da pandemia de Covid-19, justiça social e salvaguarda da criação”.

As duas partes destacaram as “boas relações bilaterais existentes” e discutiram questões regionais e internacionais, “como segurança, migrações e esforços multilaterais para prevenção e resolução de conflitos, com especial atenção aos desafios do presente e futuro da Europa”.

 

 

Moçambique:

Bispos portugueses manifestam solidariedade

à Diocese de Pemba

 

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou a sua solidariedade à Diocese de Pemba, no norte de Moçambique, após os recentes episódios de violência que se verificaram na província de Cabo Delgado.

“A situação da diocese de Pemba esteve presente nas preocupações e na oração desta Assembleia, que lhe expressa a sua solidariedade e apela ao governo de Moçambique e às instituições internacionais para a devida solução dos seus graves problemas”, refere o comunicado conclusivo da reunião dos bispos católicos, que decorreu em Fátima.

D. José Ornelas, presidente da CEP, disse aos jornalistas que é preciso travar a “progressão” da violência que se alastrou a partir de outros países africanos, por causa da “falta de presença efetiva de segurança, de meios de subsistência”.

“A nossa voz junta-se a outras, a nível da Igreja, e às diligências que estão a ser feitas para procurar encontrar soluções”, declarou.

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) classificou como “crítica” e “muito instável” a situação no distrito de Muidumbe, Cabo Delgado, de onde emergiram há uma semana relatos de assassinatos que incluem decapitações.

“A perceção que temos é que é uma situação bastante desoladora, que necessita de uma intervenção um pouco contundente para clarificar o que se passa, mas primeiramente há que encontrar um modo de acolher toda essa gente” em fuga do distrito, referiu D. João Carlos, bispo de Chimoio (capital provincial de Manica, centro de Moçambique), em conferência de imprensa, citado pela Lusa.

A crise humanitária no norte do país, com dois mil mortos e 435 mil deslocados, foi um dos principais temas da II Assembleia Ordinária Anual da CEM.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, mostrou-se “chocado” com os “recentes relatos de massacres perpetrados por grupos armados não estatais em várias aldeias na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, incluindo a decapitação e rapto de mulheres e crianças”.

 

Nigéria:

11 mortos, igreja incendiada e padre sequestrado

em ataque a aldeia cristã

 

O Boko Haram esteve particularmente ativo no Natal no nordeste da Nigéria, em especial nos estados de Borno e Adamawa. Num dos ataques realizados por este grupo terrorista à aldeia de Pemi, predominantemente cristã, situada no estado de Borno, pelo menos onze pessoas morreram e a igreja local foi incendiada, além de outras infraestruturas locais nomeadamente um posto de saúde. Além disso, um sacerdote foi também raptado pelos terroristas.

O ataque ocorreu na véspera de Natal e terá sido também roubada a comida que estava a ser preparada para a distribuição de Natal. Além do ataque a esta aldeia cristã, os terroristas deixaram também um rasto de morte e destruição em Garkida, no estado de Adamawa, onde pelo menos seis pessoas perderam a vida e três foram sequestradas.

Além disso, também durante as festividades do Natal, cerca de quatro dezenas de madeireiros foram raptados pelos terroristas na região florestal de Wulgo, perto da cidade de Gamboru.

No dia 25 de Dezembro, na mensagem de Natal, o Papa Francisco referiu expressamente a Nigéria lembrando “o sofrimento das populações”, assim como de outros países da região também atormentados pela violência terrorista, como é o caso do Burkina Faso, Mali, e Níger. O Santo Padre referiu-se ainda a Moçambique – por causa da violência em Cabo Delgado, palco também de insurgência jihadista. Que “o Deus Menino dê conforto aos habitantes da região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, vítimas da violência do terrorismo internacional”.

O Boko Haram é um grupo jihadista que procura implantar um ‘califado’ na região norte e nordeste da Nigéria, tendo iniciado uma campanha terrorista em 2009 que já se saldou em mais de trinta mil mortos e mais de dois milhões de deslocados, segundo dados das Nações Unidas.

No mais recente relatório produzido pela Fundação AIS sobre a perseguição aos cristãos, a Nigéria é referida como fazendo parte dos países de África que militantes islamitas transformaram em “reino de terror”.

Nesse relatório, “Perseguidos e esquecidos?”, sobre o período entre 2017 e 2019, pode ler-se que a Nigéria “é o país onde a maior parte dos Cristãos são assassinados, havendo relatos de 3.731 Cristãos mortos” só no ano de 2018. O Bispo Wilfred Anagbe, de Makurdi, que pertence à região conhecida como Middle Belt, disse à Fundação AIS que “há um objectivo claro” de islamização de “todas as áreas predominantemente cristãs” na Nigéria.

Segundo o relatório da Fundação AIS, a atuação do Boko Haram tem permanecido relativamente “imune à intervenção das forças de segurança e do Governo”. Além desta milícia islamita, os cristãos têm sido alvo também de vários ataques extremamente violentos por parte de grupos de pastores nómadas fulani.

 

China:

Com cristãos confinados, governo

continuou destruindo igrejas e cruzes

 

Mesmo durante a emergência sanitária provocada pela pandemia de covid-19, o Partido Comunista Chinês, que comanda o regime ditatorial do país, continuou implacável as demolições de igrejas e monumentos cristãos enquanto parte da população estava ou permanece em confinamento. A proibição de reuniões se tornou justificativa do governo para continuar e até intensificar o processo de fechamento forçado de templos e destruição de monumentos, sobretudo de cruzes.

O grupo de monitoramento China Aid registrou a demolição de mais uma igreja na cidade de Yixing, província de Jiangsu, em 11 de março.

Em 13 de março, a Irmandade Cristã Chinesa de Justiça documentou, em outro vídeo, o momento em que um guindaste arrancou a cruz de uma igreja de Guoyang, na província de Anhui.

Em uma igreja da cidade de Bengbu, província de Anhui, a cruz também foi removida no início de março de acordo com denúncias da International Christian Concern. Uma cristã local identificada apenas como “Yao” teria declarado a essa entidade que a remoção foi liderada pelo chefe do Departamento da Frente Unida local, órgão do Partido Comunista Chinês que regula assuntos religiosos.

 

Brasil:

Ladrões arrependem-se

após roubar barco de padre no Pará

 

Era uma situação comum: o padre Mateus Tavares de Santos pedia sempre emprestado um pequeno barco para ir celebrar a Missa na ilha de Marajó, no interior do estado do Pará.

Entretanto, no dia 7 de novembro de 2020, o sacerdote, que pertence à Paróquia de São Sebastião da Boa Vista, foi surpreendido por dois ladrões, que estavam armados. Segundo a polícia, quando o padre chegava ao destino, a sua lancha foi cercada por outra embarcação. Os dois criminosos, anunciaram, então, o assalto, tomaram a lancha e obrigaram o sacerdote a saltar para o rio. Depois, fugiram com a embarcação.

Entretanto, quando se aperceberam de que se tratava de um religioso, os homens arrependeram-se e voltaram atrás para salvar o padre.

Segundo a agência ACI Digital, os criminosos levaram o barco do padre, um telemóvel, R$ 500 em dinheiro e uma bolsa que continha todo o material para a celebração da Missa. Além disso, tiraram o colete salva-vidas do sacerdote quando o obrigaram a saltar para a água.

Depois de ficar cerca de 15 minutos na água, já sem forças para nadar, o padre começou a rezar. Logo em seguida, percebeu que a embarcação estava a regressar. Um dos assaltantes, então, perguntou: “Tu é [sic] padre mesmo?”

Após a confirmação, os bandidos ajudaram-no a sair do rio. Além disso, pediram ao piloto de uma outra embarcação que passava no local para levar o padre até à margem. Ali, alguns moradores da ilha de Jararaca socorreram-no.

A polícia ainda não tem pistas dos assaltantes.

 

Terra Santa:

Em Belém, a tradicional celebração dos Santos Inocentes

 

A Fraternidade franciscana de Belém e alguns membros de outras comunidades religiosas locais participaram nesta celebração. Foi na gruta dos Santos Inocentes que um anjo teria advertido José em sonho ordenando-lhe que fugisse para o Egito a fim de salvar Jesus do massacre ordenado por Herodes.

Também este ano foi celebrada na Terra Santa a solenidade dos Santos Inocentes. A liturgia, relata a Custódia da Terra Santa, realizou-se na segunda-feira, 28 de dezembro, em Belém, na gruta dos Santos Inocentes, adjacente à de São José, que por sua vez está ligada à gruta da Natividade por uma passagem, aberta somente por ocasião das celebrações oficiais.

No final, jamais é o mal que prevalece, mas o bem vence. "O Evangelho mostra-nos um rei e uma criança, o confronto entre o bem e o mal, a luz e as trevas", disse o guardião da Fraternidade franciscana de Belém, Frei Luis Enrique Segovia Marí.

“No final, jamais é o mal que prevalece, mas o bem vence. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que, ainda hoje, não têm uma mãe ou um pai ou que se encontram em um momento de dificuldade".

Proteger as crianças, "o futuro da comunidade". Hamas, da Palestina, limita "interações" dos muçulmanos com celebrações do Natal

O religioso disse em seguida que hoje, por causa da pandemia, há tanta pobreza, tantas situações difíceis, e que aqueles que mais sofrem são precisamente os menores, daí o convite a um compromisso renovado "para que estas atrocidades do passado não voltem a verificar-se" e para proteger a vida das crianças "que são o futuro da comunidade".

"Este lugar também nos faz recordar todas aquelas crianças que morreram sem saber por quê", continuou o franciscano Segovia Marí. "Elas são uma testemunha silenciosa da entrega da vida pela causa da fé", disse ainda.

 

Estados Unidos da América:

Conferência Episcopal envia mensagem ao novo presidente,

defendendo «santidade da vida» e liberdade religiosa

 

A Conferência Episcopal dos EUA divulgou uma nota, após o anúncio da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais do país, este sábado, desejando que a nação defenda a “santidade da vida” e a liberdade religiosa e de consciência.

O texto é assinado pelo arcebispo de Los Angeles e presidente da Conferência Episcopal norte-americana, D. José H. Gomez, que convida todos os habitantes do país a “trabalhar unidos para realizar a bela visão dos missionários e fundadores dos Estados Unidos: uma nação sob Deus”.

“Agradecemos a Deus pela bênção da liberdade. O povo americano manifestou-se nestas eleições. Agora, é o momento de os nossos líderes se unirem num espírito de unidade nacional e se disporem ao diálogo e ao compromisso pelo bem comum”, pode ler-se, na nota divulgada online.

Os bispos católicos convidam as comunidades a serem “agentes de paz”, capazes de “promover a fraternidade e a confiança recíproca”, rezando por um “renovado espírito de verdadeiro patriotismo” no país.

A democracia exige que todos nos comportemos como pessoas virtuosas e autodisciplinadas. Exige que respeitemos a livre expressão das opiniões e nos tratemos uns aos outros com caridade e civismo, mesmo que estejamos profundamente em desacordo nos nossos debates sobre questões de direito e de política pública”.

A Conferência Episcopal dos EUA reconhece que Joseph R. Biden “recebeu votos suficientes para ser eleito o 46.° presidente dos Estados Unidos da América”.

“Parabenizamos o senhor Biden e reconhecemos que se une a John F. Kennedy como segundo presidente dos Estados Unidos a professar a fé católica”, acrescenta a nota.

Os bispos saúdam também a senadora Kamala D. Harris, que se torna “a primeira mulher da história a ser eleita vice-presidente”.

 

Sahel:

Cáritas espera ajuda

numa das «crises humanas

de mais rápido crescimento do mundo»

 

A Cáritas Internacional pediu ajuda aos governos e líderes locais, para atuar na zona central do Sahel, em África, perante uma das “crises humanas de mais rápido crescimento do mundo”.

Em encontro online, organizado pela Dinamarca, Alemanha, ONU e UE, a organização católica lançou um alerta para a situação nesta região da África que se estende desde o Oceano Atlântico até ao Mar Vermelho, onde “há fatores que minam a coesão social como a desigualdade, a instabilidade dos governos, a venda de armamento, a violência entre as comunidades e os ataques terroristas”.

“Como consequência de tudo, mais de 13 milhões de pessoas necessitam urgentemente de assistência humanitária, no Burquina Faso, Mali e Nigéria”, refere um comunicado da confederação internacional da Cáritas.

Assim ficaram decididas cinco linhas de ação, sendo a primeira a promoção, sejam atividades de desenvolvimento, humanitárias e de pacificação, com o objetivo de abordar a “raiz da crise”.

“Não basta olhar os sintomas da crise, porque a crise em Sahel central tem as suas raízes nas questões de governo, na distribuição desigual da riqueza, na falta de acesso equitativo de recursos à educação e de oportunidade de vida para os mais pobres, uma vez que muitos jovens unem-se a grupos armados para fugir à pobreza e injustiça”, refere a Cáritas.

É urgente “focar temas como a proteção, coesão social, prevenção de conflitos e construção da paz,”; prestar atenção à realidade dos refugiados; exigir coordenação entre os agentes de ajuda humanitária e, por fim, formulação de políticas que reforcem a cooperação internacional, “centrada nas pessoas, pela paz e desenvolvimento sustentável”.

«É fundamental intensificar a ajuda, porque se não se aborda seriamente estas causas subjacentes, as necessidades humanitárias aumentarão e a população de Sahel central pagará o preço mais alto da crise”, afirmou o coordenador regional da Cáritas África.

 

Argentina:

Jornalista contrária ao aborto

foi demitida por canal de televisão

 

A jornalista argentina Amália Granata foi afastada do programa televisivo “Todas las tardes” por ter questionado nas redes sociais a atitude incoerente dos que promovem o aborto, mas não exigem prevenção mais eficiente contra o cancro de mama.

O contexto da postagem, feita no Twitter, foi o falecimento, por cancro, de mama, da filha de uma popular artista do país, María Eugenia Fernández de Laprida. Fazendo menção ao lenço verde que se tornou símbolo das ativistas pró-aborto, Amalia postou:

 “O cancro de mama é a primeira causa de morte de mulheres na Argentina. Não as vejo com o lenço verde exigindo do Estado mais prevenção e tomógrafos para as mais vulneráveis.

A própria família da jovem falecida já se tinha expressado com a mesma clareza contra o aborto, mas, ao demitirem Amália, diretores do canal Nueve usaram como desculpa justamente a família enlutada. Foi o caso de Diego Toni, gerente de conteúdos da emissora:

“Amalia fez um comentário infeliz num momento infeliz, especialmente para a família Laprida. Nós interpretamos esse tuíte da mesma forma que muitos meios de comunicação importantes e por isso achamos prudente afastar Amália momentaneamente. Espero que não seja para sempre, porque todos temos o direito de nos equivocar”.

É chamativo, como sempre, o uso de dois pesos e duas medidas. Outra apresentadora argentina, Maria Eugénia Lozano, expressou- e a favor do aborto de modo contundente, retuitando agressões contra ativistas pró-vida e etiquetando-os de “antidireitos”. Para quem defende o primeiro e mais óbvio dos direitos, que é o de nascer, ser tachado de “contrário aos direitos” é uma explícita ofensa, além de uma evidente mentira. Mas ninguém pediu a demissão de Maria Eugénia Lozano por ter feito essa acusação – nem a demissão de qualquer outro jornalista ou apresentador televisivo pró-aborto, apesar dos muitos que menosprezaram e tergiversaram os argumentos contrários à descriminalização dessa prática na Argentina.

Amália Granata, no entanto, não se pretende render aos autoproclamados “tolerantes” e “inclusivos” que alardeiam os direitos dos outros desde que esses outros concordem com eles. Ela avisou, com mais um tuíte: “Toda luta tem consequências… A minha custou o pão dos meus filhos. Não vou baixar os braços.

E concluiu: “Não me vão calar! Não me assustam. Pelo contrário, dão-me mais forças !SalvemosAsDuasVidas”.

A postura da comunicadora tem atingido enorme repercussão nas redes sociais, proporcionando-lhe grande apoio entre a população e entre alguns (poucos) jornalistas, como Mariano Obarrio, que denunciou o claro atentado contra a liberdade de expressão sofrido por Amália e resumiu assim a hipocrisia dos que a perseguem:

 “Parece que o aborto os torna autoritários”.

O Senado da Argentina prepara- se para debater uma lei que impediria os profissionais da saúde de se oporem a realizar abortos. Pelo projeto de lei já aprovado na Câmara e que agora depende dos senadores, os médicos do país serão obrigados a inscrever-se numa lista de objetores de consciência, caso não queiram praticar a eliminação de bebês em gestação – e ter o nome nessa lista dificilmente lhes permitirá chegar a cargos superiores em hospitais públicos.

Se mesmo sem essa lei os jornalistas da Argentina são demitidos por se manifestarem contra o aborto, tem-se uma ideia do nível de “liberdade de expressão” que é “tolerado” pelos “libertários” impositores do aborto mundo afora.

 

India:

Líderes católicos pedem ao governo

para proteger comunidades cristãs

dos ataques de grupos nacionalistas

 

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alerta que grupos nacionalistas na Índia têm promovido “campanhas contra as conversões religiosas, especialmente nas áreas habitadas pela população tribal”, que estão “a transformar-se numa ameaça para as comunidades cristãs”.

“Antes, tínhamos ataques esporádicos. Agora, isso acontece de forma regular, organizada e coordenada”, disse o bispo de Raipur, a capital do estado de Chhattisgarh, D. Henry Thakur, divulga a fundação pontifícia.

Na informação enviada à Agência Ecclesia, o secretariado português da AIS explica que as “campanhas intimidatórias” de grupos nacionalistas na Índia contra as conversões religiosas, “especialmente nas áreas habitadas pela população tribal”, estão a transformar-se numa ameaça para as comunidades cristãs e têm sido registadas em regiões florestais de Jharkhand, Orissa, Chhattisgarh e Madhya Pradesh.

 “Há uma máquina bem oleada em funcionamento: Dias antes de um ataque aos cristãos, começam a aparecer reportagens e notícias em jornais contra a conversão, seguidas de debates nas televisões onde nenhum cristão é convidado a defender a comunidade”, explica.

As redes sociais também “são usadas” nestas campanhas com “discursos de ódio” e “mobilização de pessoas para manifestações contra as conversões”.

“Quando o ambiente de ódio amadurece, o ataque ocorre”, explica Arun Pannalal, alertando que “o número de atrocidades contra os cristãos” no estado de Chhattisgarh “está a aumentar de forma alarmante”.

Um exemplo da intimidação às comunidades cristãs tribais é o ataque recente em Madanpur onde foi derrubada uma cruz para construírem um templo hindu.

Neste contexto, a AIS recorda a prisão do padre jesuíta Stan Swamy, de 83 anos de idade, há mais de um mês, 8 de outubro, por causa do seu trabalho de promoção dos povos indígenas e dos marginalizados, nomeadamente dos ‘dalits’ no estado de Jharkland.

 

Iraque:

Natal torna-se festa nacional

 

O Parlamento do Iraque decidiu “por unanimidade” que o Natal vai ser uma festividade nacional a partir deste ano, a poucos meses da viagem do Papa ao país.

“A festa de Natal chega ao Iraque, oficialmente e para sempre, após a votação unânime do Parlamento que implementou uma proposta já formulada nos últimos meses, divulgada durante um encontro entre o presidente iraquiano Barham Salih e o patriarca caldeu, cardeal Louis Raphael Sako, que expressou sua alegria e gratidão por uma decisão tão esperada”, lê-se no site ‘Vatican News’.

O cardeal Louis Raphael Sako divulgou uma mensagem na qual agradeceu ao presidente iraquiano, Barham Salih, ao presidente do Parlamento, Muhammad al Halbousi e a todos os parlamentares “pelo voto favorável”, invocando a bênção e a recompensa de Deus.

As autoridades políticas iraquianas já haviam assinalado para o reconhecimento da festa de Natal em 2008, mas não em todo o território nacional.

A notícia assume um “significado especial”, devido à viagem apostólica, anunciada, que o Papa Francisco fará ao Iraque de 5 a 8 de março de 2021

 

 

Síria:

Famílias cristãs resistem e celebram o Natal

 

240 famílias cristãs resistem e celebram o Natal na região de Idleb, Síria, que está “sob controlo” jihadista, apesar das proibições, realça uma nota da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Os frades franciscanos Hanna Jallouf e Luai Bshrarat descrevem como a comunidade cristã local viveu o tempo de Natal e falam em “sofrimento”, “homicídios”, “raptos”, “roubo” e “nostalgia”. Apesar destes momentos de dor, também existe “alguma esperança que nasce da fé”.

Ao contrário de praticamente todo o resto do país, esta “província está sob o total controlo da Hayet Tahrir Al-Sham, mais conhecida pelo nome Jabhet Al-Nussra, ou seja, os jihadistas islâmicos”.

A maioria da população é idosa, com mais de 65 anos, embora existam famílias jovens com filhos e a educação deles é uma das principais preocupações dos dois frades franciscanos.

“Temos 30 crianças e jovens, e ocupamo-nos da sua formação escolar, educativa e catequética, dado que a autoridade local não oferece um sistema escolar válido aos estudantes”, indicam os religiosos.

A proibição da expressão pública da fé é apenas um sinal do sofrimento que estas cerca de 240 famílias têm sofrido ao longo destes anos.

Na mensagem enviada ao secretariado português da AIS, Hanna Jallouf e Luai Bshrarat, descrevem como a vida quotidiana se transformou num autêntico “inferno” para os cristãos: “As nossas famílias sofrem, devido à sua fé em Cristo, a apreensão das suas heranças imobiliárias (terrenos, casas, etc.) por parte do Jabhet Al-Nussra; falsas acusações contra tantos dos nossos, de tal modo que muitos cristãos foram presos”.

A mensagem termina com a antevisão da Vigília de Natal, “celebrada com fé, mas com tanta dor causada pela guerra feroz que dividiu as famílias, imersas na nostalgia de poder ver os seus entes queridos, novamente”.

 

Venezuela:

Bispos católicos pedem «ato de coragem»

para mudança governativa no país

 

A Conferência Episcopal Venezuela apelou a “um ato de coragem” de mudança governativa, com transição democrática legal e pacífica, “diante da situação muito grave do país” alertando para violações dos Direitos Humanos.

“Acompanhando e interpretando o sentimento da maioria dos venezuelanos, mais uma vez insistimos que o país precisa de uma mudança radical na liderança política, que requer integridade, racionalidade e sentimento do governo, de amor à pátria para deter este mar de sofrimentos do povo venezuelano”, escrevem os bispos, numa exortação pastoral divulgada no encerramento da Assembleia Plenária Ordinária.

Os responsáveis católicos consideram que as eleições parlamentares do último dia 6 de dezembro ficaram marcadas por “graves irregularidades, pouco concorridas e não reconhecidas por um amplo setor internacional”, sustentando que os resultados “não expressam a vontade do povo, nem refletem o pluralismo social”.

Para o episcopado local, a mudança política requer “integridade, racionalidade e sentimento de amor ao país” porque a Venezuela sofre “as nefastas consequências de um modelo económico, imposto por um regime e uma ideologia comunista que empobreceu todos, especialmente os mais fracos”.

“É notório como se deteriorou a qualidade de vida, a educação, saúde, e serviços básicos. Estamos a sofrer com uma inflação imparável e uma desvalorização que empobreceu toda a população”, alerta a CEV.

Neste contexto, os bispos falam do aumento da emigração, considerando que, quando os venezuelanos decidem deixar o seu país é porque, “assediados pela precariedade, chegaram a uma situação extrema em que não têm outra forma que assumir o desafio e o risco de enfrentar o desconhecido”.

“Esta migração é a prova mais evidente do grande fracasso das políticas públicas implementadas pelo Governo”, indicam, defendendo o ‘Direito de Não Emigrar’, recordando a Encíclica do Papa Francisco ‘Fratelli Tutti’, de outubro de 2020.

A nota lamenta ainda que muitos dos que defendem os Direitos Humanos se tornem “vítimas de perseguição e desqualificação violenta e opressora, de assédio e extorsão”.

No novo documento, a Conferência Episcopal da Venezuela convoca um Dia Nacional de Oração, para 2 de fevereiro, para que todos os habitantes do país possam “resolver os conflitos de maneira pacífica”, e recordam a próxima beatificação do médico José Gregorio Hernández, modelo de serviço e opção pelos pobres.

 

República Centro-Africana:

Bispos alertam que grupos armados

controlam até 80% do território

 

Os bispos da República Centro-Africana afirmam, numa Carta Pastoral “Deixai sair o meu povo” que “há sinais de esperança” no país, mas alertam que “a contínua presença de grupos armados”, que controlam até 80% do território, “ameaça o futuro”, na Carta Pastoral ‘Deixai sair o meu povo’.

“Grupos estão envolvidos em crimes de guerra, crimes contra a humanidade, crimes ambientais e saques em larga escala dos nossos recursos minerais. Eles cometeram crimes de sangue contra pessoas inocentes em Bocaranga, Bohong, Bozoum, Besson, Bouar, Birao, Ndélé, Bria, Lemouna, Koudjili”, denunciam no novo documento, divulga o sítio online Vatican News.

 “Constatamos com amargura que 70%, ou até mesmo 80%, do nosso país é ocupado por grupos armados, alguns dos quais são liderados pelos mercenários atrozes”, explicam.

Os senhores da guerra tiram dividendos do Acordo político pela paz e a reconciliação, aproveitando as concessões que estes lhes oferecem, nomeadamente a plena liberdade de movimento. Impuseram o comércio da guerra, um modelo económico baseado no sangue humano”.

“Ainda não renunciaram ao plano de divisão do nosso país? Irão tentar conseguir isso interrompendo o processo eleitoral? Quais líderes serão capazes de tirar os habitantes da República Centro-Africana da opressão, da miséria e da ignorância?”, questionam no contexto das eleições presidenciais de dezembro.

Na carta pastoral é pedido aos jovens para serem “o recurso mais importante do nosso país” e não “um reservatório inesgotável” de soldados para a linha da frente e que se abstenham “contestação violenta” dos resultados na votação.

Os bispos dirigem-se também às mulheres e incentivam-nas a participar ativamente do processo eleitoral como “candidatas, eletricistas, educadoras e promotoras da não-violência em todos os níveis onde possam ser úteis ao nosso país”.

O documento contextualiza que “depois do golpe de Estado de março de 2013”, a República Centro-Africana foi dotada de “instituições democráticas, em março de 2016”, através do voto e das eleições “elaborou-se uma nova Constituição” e tiveram “autoridades legítimas”, e destacam o Acordo político para a Paz e a Reconciliação (APPRCA), assinado por 14 grupos armados com o governo, em 2019.

Na carta pastoral a mensagem, os bispos católicos da República Centro-Africana referem que quando “é assustador” quando se viaja pelo país “encontrar povoados inteiros forçados ao abandono” ou “incendiadas por criminosos impunes”. “As famílias preferem viver no exílio ou em campos para pessoas deslocadas, que às vezes ficam a 100 metros de suas casas”, acrescentam, divulga o portal ‘Vatican News’.

As Forças Armadas Portuguesas estão presentes na República Centro-Africana desde 2017, nomeadamente a 7.ª Força Nacional Destacada (FND), e a 12 de fevereiro 25 militares peregrinaram ao Santuário de Fátima e na celebração presidida pelo bispo do Ordinariato Castrense foi benzida uma imagem de Nossa Senhora que levaram para o país africano.

 

Brasil:

Uma celebração «quentinha e alegre»

 

A irmã Eugénia Rodrigues, da congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, em missão no Brasil, conta como é “quentinha e alegre” a celebração do Natal e deseja que este tempo contrarie a “instabilidade” em tempo de pandemia.

“O Natal que, como todos pensam, é com neve e gelo, aqui em Goiás é um Natal bem quentinho, na Missa e nas celebrações, estamos bem leves, de manga curta, é tempo de muito calor”.

No Estado de Goiás, no centro do Brasil, onde vive, a irmã Eugénia fala de muitas tradições diferentes, fruto da colonização do próprio país. 

“Como o Brasil foi colonizado por muitos povos europeus é rico e diverso, mesmo neste estado as tradições variam de uma cidade para outra, por causa da influência da colonização e com o que já existia”, refere. 

A religiosa fala de “uma mistura de culturas rica e diversificada” onde tem lugar as músicas muito alegres e ritmadas bem como as “folias dos Reis que se cantam depois do Natal”.

A jovem religiosa, no Brasil há oito anos, refere que este ano, apesar da pandemia, não haverá restrições na paróquia onde a comunidade ajuda e celebra, uma vez que não havendo casos, e com os “cuidados necessários”, o “pároco considera a Igreja um lugar seguro para ir agradecer em tempo de Natal”.

“A pandemia veio trazer a instabilidade e medo mas o Natal é para contrariar isso, traz esta alegria e aprendamos a confiar no Amor que vem ao nosso encontro, há que tomar os devidos cuidados mas sem perder o espírito de Natal nem a esperança”, assume.

 “É muito bonito porque, no clima festivo, a igreja inicia às escuras e quando vem o momento do glória fica tudo iluminado, tocam os sinos, canta-se e passa-se a imagem do Menino Jesus no meio do povo”, lembra. 

Com o calor do Brasil, também a tradição à mesa é bem diferente e a ceia de Natal consta de “frango ou pernil assado, feijão que não podem faltar, o arroz nesta época mais caprichado, depois o “pudim ou mousse e a fruta”.

 

Etiópia:

Mais de 500 cristãos etíopes teriam sido assassinados

em ataques porta a porta desde junho

 

A organização de ajuda cristã Barnabas Fund está relatando que desde junho mais de 500 cristãos etíopes foram assassinados em ataques porta a porta no estado de Oromia, na Etiópia.

De acordo com o relatório do grupo, “extremistas chegaram em carros e, armados com revólveres, facalhões, espadas e lanças, perseguiram e massacraram cristãos”. Os ataques teriam sido em retaliação ao suposto assassinato de um ativista político, Hachallu Hundessa.

Os terroristas pertencem ao grupo étnico Oromo, em grande parte muçulmano. Alguns dos militantes teriam listas de cristãos e procuraram matar qualquer um que tivesse sido particularmente ativo na Igreja.

Testemunhas disseram ao Barnabas Fund que a polícia local ficou parada e só observou enquanto os assassinatos eram cometidos, mas que alguns cristãos teriam sido salvos graças à intervenção de muçulmanos locais que os protegeram.

O Barnabas Fund informou que as empresas cristãs locais também foram incendiadas, vandalizadas ou destruídas.

Em Dera, uma testemunha descreveu como os assassinos profanaram cadáveres “dançando e cantando, carregando as partes cortadas dos corpos daqueles que massacraram”. Outra testemunha relatou como os corpos retalhados de um casal cristão idoso, que fora espancado até a morte em sua casa, foram arrastados pelas ruas em Gedeb Asasa.

O assassinato de Hundessa em 29 de junho desencadeou uma onda de protestos políticos e de violência em toda a região de Oromia. De acordo com o jornal The Guardian, o conflito mais mortal ocorreu em duas partes de Oromia – Bale e Arsi – onde a onda de violência assumiu uma dimensão anticristã, colocando Oromos muçulmanos e cristãos uns contra os outros.

 

Camarões:

Cardeal Tumi foi libertado após sequestro

por homens armados (atualizada)

 

O cardeal camaronês D. Christian Wiyghan Tumi, de 90 anos, foi libertado após ter sido sequestrado na quinta-feira anterior por um grupo de homens armados na região noroeste do país, informou o Vaticano.

O arcebispo de Douala, D. Samuel Kleda, anunciou a libertação de um dos promotores do diálogo num país em conflito, por causa da violência promovida pelo grupo separatista que quer criar um estado anglófono independente, no oeste dos Camarões.

Além do cardeal Tumi, tinha sido raptado o rei de Kumbio, Fon de Nso, uma autoridade moral tradicional, indica o portal Vatican News.

O grupo separatista assassinou oito crianças, num ataque armado a uma escola internacional, no último dia 24 de outubro.

O corajoso cardeal sequestrado aos 90 anos dá resposta retumbante aos raptores e impacta católicos do mundo todo, mesmo vários dias após o episódio. A violência foi perpetrada na noite de 5 de novembro e, no dia seguinte, os bandidos libertaram o cardeal – não sem antes ouvirem verdades que o idoso não teve medo de proclamar e que, até agora, continuam percorrendo as redes sociais.

Ele foi alvo da milícia separatista dos Ambazonenses, que, no cativeiro, tentaram forçá-lo a gravar uma mensagem em vídeo prestando-lhes apoio. O que o cardeal declarou, no entanto, deixou-os sem resposta.

A gravação mostra um sequestrador confrontando o cardeal por defender que o grupo largue as armas. Em seguida, ele manda o cardeal anunciar ao público a mensagem separatista, mas Tumi responde:

“Pregarei a verdade com convicção pastoral e convicção bíblica. Ninguém tem o direito de me mandar pregar o contrário, porque eu fui chamado por Deus. Quando falo, falo como um pastor e nunca posso deixar de fazer isso. Se eu deixar de fazer isso, não serei fiel a Deus Todo-Poderoso.

Sou um cidadão camaronês como você. Não faço parte do governo. Sou totalmente independente. Não sou o porta-voz do governo e não sou empregado do governo. Se você tiver feito o mal, eu direi que você fez o mal. Se o governo tiver feito o mal, eu direi que ele fez o mal”.

Os separatistas estão em conflito armado com o governo camaronês nas regiões noroeste e sudoeste do país. O cardeal Tumi defende ativamente uma solução pacífica mediante o diálogo.

 

Médio Oriente:

Líderes das comunidades cristãs de Jerusalém

publicam mensagem de Natal

 

Os chefes das Igrejas e comunidades cristãs em Jerusalém (Terra Santa) escreveram uma mensagem sobre o mistério da Natividade do Senhor, em tempos de pandemia, deixando uma palavra de esperança

“A presença de Deus connosco é uma fonte de encorajamento e consolo em todas as circunstâncias, especialmente nestes tempos excecionais marcados pela pandemia da COVID-19, a crise económica, tantas injustiças e o aumento da violência contra os vulneráveis e fracos”, sublinha o documento.

Os responsáveis realçam que a luz do Natal ajuda “a viver os acontecimentos presentes” e o “dom de Deus para estes tempos difíceis, traz esperança, renovação e encorajamento a toda a criação”, lê-se no site ‘Vatican News’.

Os patriarcas e chefes das Igrejas de Jerusalém expressam a sua solidariedade e proximidade “a todas as pessoas no mundo inteiro afetadas pela pandemia e as suas implicações em diferentes níveis, particularmente à população de Belém e seus arredores”.

O documento inclui uma referência ao recente ato incendiário perpetrado a 4 de dezembro, em Jerusalém, contra a Basílica da Agonia, junto ao Monte das Oliveiras.

“A recente profanação da Igreja da Agonia em Jerusalém não nos desencorajará de continuar a nossa missão pacífica e testemunho cristão”, concluem os signatários.

O patriarca latino de Jerusalém, D. Pierbattista Pizzaballa, que recuperou da Covid-19 e pôde presidir às celebrações de Natal em Belém, assinala na sua mensagem aos católicos da região que a pandemia “marcou a vida civil e religiosa”, convidando a descobrir os “sinais” que Deus vai deixando.

 

Arménia:

Catedral severamente danificada

em conflito com o Azerbaijão

 

A Igreja Armênia culpou os militares azerbaijanos pelo bombardeamento de uma catedral histórica no disputado território de Nagorno-Karabakh.

A Igreja, com sede em Etchmiadzin, Armênia, mostrou fotos da Catedral do Santo Salvador fortemente danificada na cidade de Shushi.

A Igreja na Armênia divulgou um comunicado lamentando os fatos. De facto, considera o bombardeamento um ato de “intolerância religiosa extrema”. Ainda exorta “os pastores de Igrejas, comunidades e organizações internacionais a levantarem uma voz em prol da suspensão da sangria, vida livre e independente do povo Artsakh”.

De acordo com um meio de comunicação da Índia, o Deccan Herald, a Armênia confirmou que as forças do Azerbaijão bombardearam a catedral e que jornalistas da AFP viram que a igreja havia sofrido sérios danos.

Na verdade, as notícias traziam fotos dos danos mencionados pela AFP. “Havia um buraco no telhado da Catedral Ghazanchetsots (Santo Salvador), um local icônico para a Igreja Apostólica Armênia,” relatou o Herald. Além disso, há escombros por todos os lados e parte do teto cedeu.

“O inimigo azerbaijano atingiu o símbolo de Shushi – a Catedral de Ghazanchetsots”, disse o porta-voz do ministério da defesa armênio Artsrun Hovhannisyan. Do mesmo modo, um residente local chamado Simeon disse à AFP: “não há militares, nada estratégico aqui, como você pode atacar uma igreja?”

 

Inglaterra:

Bispos reagem à proibição das celebrações comunitárias

 

A Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales emitiu um comunicado em reação á proibição das celebrações comunitárias, imposta pelo Governo do Reino Unido, para travar a propagação da Covid-19.

“Não se considera um ataque às crenças religiosas; no entanto, demonstram falta de compreensão perante o contributo essencial das comunidades crentes para o bem comum”.

O parlamento proibiu as “celebrações comunitárias nas Igrejas e outros espaços de culto”, apenas se mantendo abertas para “oração pessoal e outras ajudas necessárias”. Também as “missas e serviços fúnebres” se encontram suspensas.

“Apesar de profundas dúvidas, é importante que nós, como cidadãos responsáveis, observemos este regulamento, que tem força de lei”, referem os episcopados da Inglaterra e Gales.

Os bispos apelam à responsabilidade dos crentes em respeitarem e cumprirem estas regras e convidam à oração. 

“Que a cada dia, pelas 18h00, seja um momento de oração nacional, seja assumida como oração pelo fim da pandemia”, propõe a Conferência Episcopal.

 

Chile:

Paróquia de Assunção continua «serviço

em favor dos pobres», após incêndio na igreja

 

A Conferência Episcopal do Chile (CEC) manifestou em comunicado o seu repúdio dos contra igrejas na capital do país, num domingo de outubro, que destruíram um templo histórico de Santiago, na sequência de um incêndio.

“Esses grupos violentos contrastam com muitos outros que se manifestaram pacificamente. A grande maioria do Chile anseia por justiça e medidas eficazes que ajudem a superar as lacunas de desigualdade; as pessoas não querem corrupção ou abusos, mas esperam um tratamento digno, respeitoso e justo”, refere uma nota divulgada pela CEC.

A igreja da Assunção e outro templo na capital chilena – a igreja de São Francisco de Borja, utilizada regularmente pela polícia nas suas cerimónias institucionais – foram atacados por manifestantes que procuravam assinalar um ano de protestos contra o governo.

Por sua vez, o pároco de Assunção, capital do Chile, disse que continua “o serviço em favor dos pobres” e “não há sentimentos de vingança” mesmo com “a dor profunda” pelo incêndio que destruiu a histórica igreja.

“O serviço em favor dos pobres e necessitados continua a fazer parte da missão da Igreja”, referiu o padre Pedro Narbona, no programa ‘Perseguidos mas não esquecidos’, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) na Rádio Maria, em Espanha.

 O padre Pedro Narbona explicou que, sem a logística que existia no edifício paroquial, se torna mais difícil continuar este serviço de auxílio aos mais pobres.

“Não ter a paróquia dificulta a distribuição de alimentos ou combustível para poder passar o inverno. Esta zona tem também muitas pessoas idosas, com reformas muito pequenas e que dependem da nossa ajuda”, acrescentou.

 “A dor é profunda, mas ao mesmo tempo queremos oferecer ao Senhor este sacrifício para que Ele nos dê compreensão, reconciliação e que o amor vença o ódio para, uma vez mais, sermos um país de irmãos”, disse o sacerdote chileno, adiantando que têm de “reestruturar e repensar tudo porque neste momento a igreja está muito mais danificada”.

 

Paquistão:

Tribunal demorou 11 anos

a reconhecer a inocência de cristão

 

O dia 15 de Dezembro de 2020 será inesquecível para o cristão Imran Masih. Foi nessa terça-feira que o Tribunal de Relação de Lahore o absolveu das acusações que o levaram para a cadeia há 11 anos. Os juízes reconheceram que Masih estava inocente e que nunca teve o propósito de ferir os sentimentos dos muçulmanos, situação que está prevista no Código Penal e que tem sido usada em muitos casos de acusações de blasfémia.

A história deste caso remonta a Julho de 2009 quando Imran Masih foi condenado a prisão perpétua por ter, segundo testemunhos oculares, queimado livros contendo versos do Corão enquanto limpava a sua loja em Hajveri, Faisalabad.

O processo judicial – que durante os 11 anos em que Masih permaneceu na cadeia sofreu quase 70 adiamentos – ficou marcado por profundas contradições na forma como a acusação foi formulada.

O advogado de Imran Masih diz, em declarações à Fundação AIS, que é muito difícil a defesa dos acusados do crime de blasfémia no Paquistão. “Primeiro prendem o acusado e só mais tarde verificam as provas”, explica Khalil Tahir Sandhu. E foi isso que sucedeu precisamente neste caso.

O advogado diz sentir alívio por ter conseguido finalmente a libertação do seu cliente mas pede o apuramento de responsabilidades por todo o longo tempo em que Masih esteve detido na prisão central de Faisalabad. “É excelente que Imran tenha sido absolvido de todas as acusações, mas quem é o responsável por ele ter passado mais de 11 anos atrás das grades por um crime que nunca cometeu?”, pergunta Tahir Sandhu.

Uma responsabilidade que inclui também a morte dos pais de Masih. Segundo o causídico, eles “morreram de mágoa” por saberem que o seu filho estava na cadeia por um crime que não cometera.

O caso de Imran Masih é exemplo do clima persecutório em que se encontram as minorias religiosas no Paquistão. O facto de o tribunal ter demorado tantos anos a reconhecer a injustiça da prisão deste cristão de Faisalabad ajuda a compreender também, segundo este advogado, que muitos juízes temam a reacção hostil das multidões sempre que está em causa a possível libertação de alguém acusado de blasfémia e pertencente às comunidades cristã ou hindu, as duas principais minorias religiosas neste país.

A história de Imran Masih foi apresentada no passado mês de Novembro na campanha lançada a nível internacional pela Fundação AIS em favor da libertação dos cristãos presos injustamente por causa da sua fé. O caso de Asia Bibi é outro exemplo da intolerância religiosa. Condenada à morte por um crime que também não cometeu, esta mulher simples e mãe de cinco filhos passou, tal como Imran Masih, praticamente uma década da sua vida numa prisão minúscula no Paquistão à espera sempre que a levassem para se cumprir a sentença iníqua. Isso não aconteceu apenas porque o mundo se mobilizou pela sua libertação. A Fundação AIS foi das organizações que mais se bateram pela vida de Asia Bibi.

Mas, infelizmente, há muitas ‘asias bibi’ em muitos países. São mulheres e homens, por vezes ainda crianças, que veem as suas vidas amputadas por causa do fanatismo religioso. Um fanatismo que transforma seres humanos em inimigos, em coisas sem valor, em alvos a abater.

Em Novembro deste ano, quando foi lançada esta campanha, “Libertem os Prisioneiros”, a directora da Fundação AIS em Portugal disse que “esquecer estes cristãos” seria para todos eles como “uma segunda condenação”. “Por isso – acrescentou Catarina Martins de Bettencourt –, é imperativo ajudar a libertá-los. Apoie a Fundação AIS também nesta missão.”

A libertação de Imran Masih ao fim de 11 anos de prisão por um crime de blasfémia que não foi cometido é um exemplo de esperança que alimenta o trabalho de todos os dias da Ajuda à Igreja que Sofre.

 

Etiópia:

Missionário Comboniano

descobriu «a festa da luz»

 

O padre Joaquim Silva, Missionário Comboniano, esteve dez anos na Etiópia e partilhou com a Agência Ecclesia a redescoberta do verdadeiro sentido do Natal, designado como a “festa da luz”.

“Ali conheci o Natal nu e cru, a mensagem foi fazermos um trabalho de reflexão pessoal, esta gente que nunca ouviu falar do nascimento de Jesus, como íamos falar?”, recorda o sacerdote.

Chegou à Etiópia em 2010 e, enquanto na capital o Natal era uma “festa estrangeira e celebrada para estrangeiros”, onde as “luzes de natal iluminavam os cafés e hotéis”, a missão junto do povo gumuz começava a falar da celebração do Natal. 

“Lá o Natal é celebrado na festa do Batismo do Senhor, que coincide com o agradecimento do fim das colheitas; o Natal era celebrado como o nascimento, no sentido da festa da luz mas nada parecido do que celebramos aqui”, explica. 

Foi com a chegada dos missionários junto das aldeias gumuz que o Natal passou a ser uma festa a celebrar, mas “não com luzes, nem neve, nem frio”. 

O padre Joaquim Silva destaca, no entanto, que ali o desafio foi trabalhar a “dimensão da luz de outra maneira e perceber que Deus é relação que vem e muda as relações”.

“Os símbolos essenciais que tínhamos era a luz, porque Jesus aparece como luz das nações e a dimensão da paz, e, no último Natal que lá celebrei foi muito forte a dimensão da fraternidade, porque o povo sempre foi segregado e marginalizado, ainda hoje, e a dimensão de família, de sermos iguais, foi muito importante trabalhá-la”, refere. 

A dimensão natalícia passou a ser encarada com as imagens do presépio, que tiveram de explicar, e depois com as encenações e canções que faziam com as crianças da catequese falando do Natal.

“O presépio foi entrando como tradição e no meu segundo ano tínhamos um presépio em madeira pau preto e montámos uma aldeia do povo gumuz, não havia a poesia da celebração como aqui, mas havia a Noite Feliz cantada na sua língua”, recorda.

O missionário Comboniano, que vai mantendo contacto com a Etiópia, sabe que a situação não está fácil havendo “muita violência por ali, há lá guerrilhas, e mesmo entre eles, povo gumuz e o Natal deve tornar-nos mais humanos e mais fraternos”. 

 

Congo:

Missionário português denuncia

“situação desastrosa” naquele país

 

O padre Comboniano, José Arieira de Carvalho, a viver há mais de uma década na República Democrática do Congo, enviou uma mensagem para a Fundação AIS em Lisboa em que denuncia “a situação sociopolítica desastrosa” em que se encontra este país africano.

Na mensagem, o Padre Arieira descreve uma situação de crise, com “grupos rebeldes no nordeste do Congo e também noutros pontos do país, com pilhagens, mortes, pessoas que abandonam as suas aldeias e estradas principais que ligam províncias intransitáveis”.

Horas depois de ter enviado este alerta, a aldeia de Lisasa, na região de Beni, província do Kivu Norte, era palco de um ataque violento atribuído a grupos armados que atuam na região com relativa impunidade. O ataque de 30 de outubro causou pelo menos 21 mortos, entre os quais o catequista Richard Kisusi, além de que várias pessoas terão sido sequestradas.

Há relatos de que uma igreja católica foi também profanada, várias casas incendiadas e um posto de saúde saqueado.

O Bispo de Butembo-Beni, D. Sikuli Paluku exortou as forças das Nações Unidas presentes na região para “protegerem a população civil” dos ataques dos grupos armados

A extrema riqueza do subsolo da República Democrática do Congo fez com que certas regiões do país sejam palco de conflitos por parte de grupos armados que arrastam consigo ainda mais miséria e sofrimento para as populações.

Nessa iniciativa da Fundação AIS, o Arcebispo de Kinshasa disse que “já correu muito sangue no Congo” e lembrou “histórias de jovens mortos diante das igrejas, única e simplesmente porque em nome da sua fé exigiam o direito de viver como seres humanos, de viver como Deus quer”, e pediu a solidariedade para com o seu povo.

 

Sudão do Sul: 

«Acolher e cuidar sem escapar à realidade»

 

A missionária comboniana Joana Carneiro, médica em missão no Sudão do Sul, disse à Agência Ecclesia que está a “realizar um sonho”, ao acolher e cuidar “sem escapar à realidade”.

“Acolher, dar uma palavra, sem escapar da realidade mas sendo realista dando esperança àquilo que às vezes é um diagnóstico difícil é, na situação do Sudão do Sul, para mim a missão mais desafiadora”, refere. 

A religiosa passou pelo Médio Oriente, onde aprendeu árabe, e ficou “muito surpreendida” quando soube que o seu destino de missão seria o Sudão do Sul, onde está há dois anos.

“No Sudão do Sul onde temos uma missão, um dos apostolados é o trabalho no hospital, estamos na segunda cidade mais importante, com mais de 62 tipos de tribos diferentes com todas as maravilhas e desafios que isso traz e onde há uma necessidade da nossa presença como Igreja e Igreja missionária”, explica.

A irmã Joana Carneiro define o seu dia a dia como “um pouco a correr”, onde inicia bem cedo com a oração pessoal e passa a “maior parte do dia no hospital” a responder a emergências.

“Fazemos no dia-a-dia ações concretas, ali cuidar das pessoas, cuidar a maternidade, dar atenção às mulheres grávidas e crianças com menos de cinco anos, os mais frágeis, e depois cuidar dos doentes com malária, principal doença que encontramos no Sudão e que causa muita morbilidade”, aponta.

A entrevistada considera que o “espiritual tem de ser a base do estar” porque a parte técnica é muito limitada, e têm de “criar condições para que possam realizar plenamente na dignidade como seres humanos”.

Neste tempo de pandemia a missionária comboniana deixa o conselho para que “não troquem um rosto humano por um rosto virtual” uma vez que a “vida missionária passa pelo encontro com esses que ajudam a conhecer a si mesmo e a Deus”.

 

Rússia:

As tradições natalícias da Póvoa de Varzim

chegaram ao país dos sovietes Rússia

 

O jornalista e investigador José Milhazes considera que teve vivências natalícias “muito diferentes” ao longo da sua vida e que passou um Natal “completamente sozinho” num hospital da Rússia.

Nascido numa família católica e de pescadores, José Milhazes recorda o Natal “como uma festa muito especial”, disse no Programa Ecclesia, transmitido na RTP2.

“Comíamos sentados no chão, ainda hoje é costume entre os pescadores, onde se juntava a família toda”, realça o jornalista.

Os natais de infância ficaram na memória porque “era talvez a única vez que nos juntávamos todos porque eram pescadores de alto mar”.

Posteriormente, José Milhazes foi para a Rússia e, mesmo como comunista e por isso, “ateu militante” nessa altura, não prescindia do Natal.

“Os estudantes que lá estavam organizavam o Natal e sempre que possível vinha bacalhau de Portugal”. A festa natalícia existia na mesa, “eu fazia as rabanadas à poveira” e “tínhamos sempre muita alegria”, recordou.

“O natal era o símbolo da família” e foi “muito doloroso”, nos finais da década de 70, um “natal passado no hospital”, sublinhou. “Passei o Natal completamente sozinho porque os russos não festejavam o Natal, era uma festa proibida”, confidenciou.

Na altura, o regime soviético permitia assinalar o Natal “mas de uma maneira muito limitada”, acrescentou. As Igrejas “estavam abertas”, mas a “polícia controlava entradas e saídas”, realçou José Milhazes.

 

Áustria:

«Chega de violência», pede o Papa

após ataque terrorista em Viena

 

O Papa manifestou “dor e consternação” pelo ataque terrorista que atingiu Viena, capital da Áustria, na noite de 2 de novembro, rezando pelas vítimas e seus familiares.

“Chega de violência! Construamos juntos paz e fraternidade. Só o amor apaga o ódio”,

O arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schoenborn, defendeu que “o ódio não deve ser a resposta a este ódio cego”.

Pelo menos quatro pessoas foram mortas por um grupo de pessoas armadas, que deixou ainda vários feridos. “Continuamos no caminho da comunidade, da solidariedade e da preocupação. São estes os valores que moldaram a Áustria”, escreveu o cardeal Schoenborn, anunciando a celebração de uma Missa de sufrágio pelas vítimas, na Catedral de Santo Estêvão.

O Papa enviou um telegrama ao arcebispo de Viena, no qual expressa a sua “dor” pelas mortes e manifesta a sua proximidade às famílias que perderam entes queridos. O Papa mostrou-se “profundamente impressionado” com este ato de violência, e confiou as vítimas “à misericórdia de Deus”, implorando “que a violência e o ódio cessem e que seja promovida a coexistência pacífica”.

O presidente da República enviou mensagem de condolências e repúdio ao seu homólogo austríaco, Alexander Van der Bellen:

“Foi com choque e tristeza que tomei conhecimento do ataque que ontem teve lugar no centro de Viena e que provocou a morte de quatro pessoas e diversos feridos, entre estes últimos um jovem português”, refere Marcelo Rebelo de Sousa.

“Reitero o meu repúdio por todos os atos de violência, reafirmando a minha convicção de que estes não lograrão alcançar os seus objetivos”, assinala o texto divulgado pela Presidência da República.

Um dos autores do ataque era “um simpatizante” do Estado Islâmico, disse o ministro do Interior austríaco, Karl Nehammer, em conferência de imprensa.

O ataque começou com um tiroteio cerca numa rua do centro de Viena, onde fica a Sinagoga principal da capital austríaca, então fechada, próxima de uma área de bares.

 

Mali:

Sacerdote sequestrado

 

Foi libertado no Mali depois de ter sido sequestrado no Níger, em Fevereiro de 2018. Na primeira grande entrevista já em Itália, o padre Pier Luigi Maccalli recorda como tudo se passou. O rapto, o dia-a-dia em cativeiro, o silêncio do deserto, as ave-marias rezadas com um terço feito de cordas, e a libertação. Foram cerca de mil dias sob a ameaça de jihadistas. Um tempo impossível de esquecer…

Em cerca de trinta minutos, o padre fala do tempo de sequestro às mãos de um grupo terrorista no Mali. Libertado recentemente, o missionário italiano, de 59 anos de idade, reconhece estar ainda “um pouco confuso” com tanta alegria e emoção”. O rapto aconteceu a 17 de Setembro de 2018. Estava em casa, na paróquia, em Bomoanga. Ouviu barulho, foi investigar e deparou-se com homens armados. “Gritei, foi uma confusão.” Amarraram-lhe as mãos. Era o começo do cativeiro que iria prolongar-se até Outubro de 2020. “Preparei-me para morrer, mas disse para mim que talvez não fosse o caso. Respeitavam-me. Era o velho, chamavam-me ‘shébani’ – o velho – o objectivo era mais converter-me ao Islão.”

Ao fim de algum tempo, o padre Pier Luigi foi perdendo noção do local onde se encontrava. “A zona era deserta… sem nada… e eu pensava: ‘onde vamos? Onde estamos?’ E aí chorei.” [...] Senti-me perdido. Foi um momento de angústia e disse: ‘Senhor, onde estás?’” Apesar de tudo, o padre sentia o conforto da presença de Deus. “Estava… perdido. Mas, graças a Deus, nunca me senti abandonado. Sim, gritei com Deus, zanguei-me com Ele, mas sentia que Ele estava presente e que podia falar com Ele porque foi a Sua presença que me susteve em todas as horas.”

No cativeiro havia algumas rotinas. “O tempo era longo”, diz o missionário italiano. E começava com o raiar do sol. “Quando me tiravam as correntes que tinha nos pés durante a noite, levantava-me, fazia uma pequena ‘toilette’, podia andar um pouco, rezava o terço que tinha feito com uma corda, depois ia aquecer água, tínhamos uma pequena reserva de cebolas e outras coisas para cozinhar, e pronto, cuidávamos do lume e tínhamos… havia um outro refém – Nicolas – trocávamos algumas palavras, havia sempre qualquer coisa a dizer…”

Almoçavam cedo, descansavam do calor debaixo de alguma árvore… “Nunca tivemos outro tipo de abrigo…” “A tarde era ainda mais longa…” Depois, no serão, “rezava mais um terço até ao pôr-do-sol… o sol nascia, o sol punha-se, a noite era sempre um céu estrelado lindo, sobretudo no Sara, no deserto… e falávamos com as estrelas, punham-nos as correntes e esperávamos pelo dia seguinte.”

O anúncio da libertação aconteceu no dia 6 de Outubro. Dois dias depois, deixou o acampamento. “Fomos ter a um lugar com arbustos e aí encontrámos Sophie Petronin, a refém francesa e o senhor Soumaïla Cissé, um político do Mali que tinha sido raptado há seis meses.” Dali até ao aeroporto de Tessalit ainda apanharam uma tempestade de areia e chuva. No aeroporto estava já um avião militar que levou até Bamako, a capital do Mali, o padre Pier Luigi e o outro ex-refém italiano.

Chegaram a Roma na quinta-feira, 8 de Outubro. Nessa manhã o padre Pier Luigi voltou a celebrar a Eucaristia. Pier Luigi Maccalli agradece a solidariedade e as orações de todos pela sua libertação. E pede para se continuar a rezar pois há outras pessoas em cativeiro. É o caso da irmã Gloria Narvaez Argoti. A libertação do padre Pier Luigi foi uma vitória do bem contra o mal. Ajudar estes sacerdotes, estas irmãs, estes cristãos é a melhor maneira de agradecermos a coragem do padre Pier Luigi nestes dois anos e oito meses de cativeiro. (Sobre um texto de Paulo Aido)

 

China:

Aluno crê em Deus e, por isso,

é forçado a passar aulas em pé durante 1 mês

 

O relato de um missionário na China mostra o quanto é difícil e perigoso ser fiel à fé no regime ditatorial comunista, que é impositivamente ateu

Aluno chinês crê em Deus e é forçado a passar as aulas em pé durante 1 mês, denunciou a agência de notícias Asia News. O relato é do pe. Stanislaus, missionário na região noroeste da China.

O episódio de assédio moral do regime comunista chinês contra a liberdade religiosa e de opinião dos seus cidadãos demonstra que a intimidação sistemática não poupa nem a infância e a adolescência, visando moldar o pensamento da população conforme a visão de mundo imposta pelo comunismo, que é essencialmente materialista e, portanto, ateu.

O caso envolve um adolescente chamado Xiaoyu, que, na escola, foi obrigado a presenciar as aulas em pé durante mais de um mês porque declarou a sua crença em Deus e questionou a teoria da evolução, imposta pelo professor como fato indiscutível.

O testemunho do missionário baseia-se no relato do pai desse aluno. Segundo ambos, o professor de Xiaoyu afirmou: “A Bíblia diz que o homem foi criado por Deus, mas essa afirmação é incorreta. Deus não existe. O homem evoluiu a partir dos macacos. O que prova isto é a teoria da evolução de Darwin e os fósseis antropoides…”

Xiaoyu então perguntou: “Professor, eu não entendo. Por que ´é que a teoria da evolução provaria que Deus não existe? Mesmo que os humanos tenham evoluído a partir dos macacos, de onde vieram os macacos? Como é que se poderia provar que eles não foram criados por Deus? Como foi que começou tudo o que existe?”

Aluno e professor prolongaram a discussão durante boa parte da aula, deixando a turma atónita. Afinal, é muito incomum, na China, tamanha “ousadia” de um aluno em questionar o que os professores afirmam.

No dia seguinte, o professor perguntou a Xiaoyu se ele tinha entendido e, perante da resposta negativa, mandou-o passar a aula toda em pé. Aconteceu a mesma coisa no outro dia, e no outro, até que Xiaoyu ficou um mês inteiro assistindo às aulas sem poder sentar-se.

Ao voltar para casa, de acordo com os relatos do pai e do sacerdote, Xiaoyu perguntou à mãe o que fazer, já que não quer renegar a Deus nem pode continuar debatendo com o professor que “está nos impondo as verdades em que ele acredita e não admite dúvidas”.

Xiaoyu é um exemplo de que, mesmo sob décadas de brutal opressão ideológica, a fé em Deus persiste em incontáveis chineses fiéis à sua consciência – inclusive no âmbito escolar e universitário. Sim, existem alunos chineses que creem em Deus. E não são poucos. Mas também passa longe de ser pouco o sofrimento e os riscos que eles correm por causa da sua fé.

O pai do jovem perguntou ao sacerdote se a família não deve incentivar o filho a estudar mais o assunto. O padre respondeu: “Sim, devemos continuar estudando. Teoria é teoria. É possível responder de um ponto de vista mais objetivo. Por exemplo: qual é a base teórica da evolução segundo Darwin? Como podemos descrever a teoria atual do Big Bang sobre a origem do universo? Nada disto significa negar a fé. Este é o ambiente em que vivemos. Podemos continuar firmes na nossa fé, mas não precisamos criar discussões frontais”.

O sacerdote conclui o seu depoimento à Asia News dizendo sobre o adolescente chinês: “Coragem é a única coisa que ele tem. E ele está de pé!”

 

Azerbaijão:

deve proteger igrejas em território disputado com Armênia

 

Os armênios estão preocupados com o destino das igrejas, pois os termos do cessar-fogo incluem a transferência de terras. O Azerbaijão garantiu proteção e livre acesso a todas as igrejas e mosteiros cristãos em Nagorno-Karabakh.

A mudança ocorre no meio das preocupações com os locais de culto armênios nas regiões que serão administradas pelo Azerbaijão sob os termos de um cessar-fogo mediado pela Rússia.

No mês passado, a Sé Apostólica Armênia de Echmiadzin relatou profanação e ataques à catedral armênia em Shushi depois que as tropas do Azerbaijão assumiram o controle de Nagorno-Karabakh.

A pedido da população local, soldados russos enviados à região como “mantenedores da paz” estabeleceram uma guarnição militar no mosteiro de Dadivank, na região de Kelbecer, informa Fides.

No final de setembro, o Azerbaijão lançou uma campanha militar para tomar partes de Nagorno-Karabakh, um enclave étnico armênio localizado dentro das fronteiras do Azerbaijão.

O cessar-fogo exige que o exército armênio se retire de Nagorno-Karabakh. As tropas serão substituídas por soldados russos de manutenção da paz. O Azerbaijão manterá o território conquistado nos últimos combates. Isso inclui uma cidade estratégica, conhecida como Shusha para os azerbaijanos e Shushi para os armênios – a segunda maior cidade da região.

Mais uma vez esse povo cristão perseguido é forçado a fugir de sua terra, levando até os corpos de seus antepassados para que não sejam profanados

Armênia e Azerbaijão: um resumo sobre o que está ocorrendo contra os cristãos daquelas terras, que, mais uma vez perseguidos, estão sendo forçados a fugir levando até os corpos de seus antepassados para que não sejam profanados.

Durante grande parte do século XX, a Armênia e o Azerbaijão fizeram parte da falida União Soviética, um insustentável agregado de países antes independentes, com história e cultura completamente diferentes entre si, que passaram a ficar sujeitos ao governo central de Moscou. Ao longo desse período, o ditador comunista soviético Joseph Stalin promoveu o que chamava de “mistura de etnias”. Era uma forma de diluir as diversidades culturais, principalmente religiosas, e, supostamente, facilitar a homogeneização de todos os cidadãos soviéticos sob o modelo uniformista do comunismo. Com essa diretriz ideológica, Stalin colocou o território de Karabakh, histórica e culturalmente armênio e cristão, sob a administração da República Soviética do Azerbaijão, de população muçulmana.

Após a ruína e o desmembramento da União Soviética, os rancores nacionalistas explodiram em grande parte do antigo território soviético. No Azerbaijão, o sentimento antiarmênio levou a massacres contra a população armênia em várias cidades, incluindo a capital Baku. Neste cenário, a então região autônoma de Karabakh se autoproclamou independente do Azerbaijão, já que tinha não apenas uma população de maioria armênia, mas também toda uma história milenar ligada ao cristianismo. A independência não foi reconhecida pelo Azerbaijão, o que deu início a uma guerra entre esse país e a Armênia, apoiadora da independência de Karabakh.

Em 2020, Armênia e Azerbaijão voltaram à guerra pelo controle do território de Nagorno-Karabakh. Após semanas de conflito, mortes e destruição, os dois países assinaram um acordo, em 9 de novembro, mediado pela Rússia e pela Turquia.

 

República Centro-Africana:

Bispo de Bangassou revela que

«cidade está quase deserta» após ataque de rebeldes

 

O bispo de Bangassou, no sul da República Centro-Africana (RCA), denunciou que “há muitas crianças feridas por balas perdidas” e outras fogem da “violência para o Congo”, após os ataques dos rebeldes para controlar a cidade.

“A cidade está quase deserta agora. A noite correu bem. Não houve tiroteios. Vivemos numa calma tensa”, disse D.  Juan José Aguirre Muñoz, após o ataque. O Bispo indicou que muitos rebeldes são “mercenários e pessoas do Níger” e o ataque para controlar a cidade de Bangassou fez vários mortos e feridos.

D. Juan José acrescenta que, como consequência desses combates, “parte da população de Bangassou fugiu para o Congo”, civis que passaram o rio Mbomou para procurar refúgio na cidade de Ndu, do outro lado da fronteira.

“Há apenas os bandidos, os ladrões da cidade de Bangassou que saquearam algumas lojas. Está muito calmo. Talvez os rebeldes queiram perceber quem será o próximo governo e não queiram machucar as pessoas por enquanto”, acrescentou o bispo diocesano.

O ataque dos rebeldes a Bangassou realizou-se na véspera de serem divulgados os primeiros resultados da eleição presidencial de 27 de dezembro, os rebeldes atacaram Faustin Archange Touadéra, a 70 quilómetros de Bangui; no dia 19 de dezembro de 2020, uma coligação de grupos armados atacou a capital centro-africana para perturbar as eleições presidenciais e legislativas.

O bispo de Bangassou mantém contacto regular com os soldados de paz. “Os rebeldes controlam a cidade, estão em todo o lado”, confirmou o chefe do gabinete regional da Minusca, Rosevel Pierre Louis, à AFP, adiantando que as forças armadas do país e as forças do governo “abandonaram as suas posições” e estão na base da missão.

Portugal tem atualmente 243 militares na RCA, 188 integram a Minusca e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

 

Paquistão:

Cadeias de solidariedade

 

Na diocese de Lahore, no Paquistão, vivem-se tempos de incerteza. A pandemia do coronavírus atingiu fortemente a já estigmatizada comunidade cristã. Os pobres tornaram-se ainda mais pobres e a Igreja transformou-se num verdadeiro porto de abrigo. Mas, apesar de toda a incerteza, há quem olhe para o futuro com confiança. “O sofrimento torna-nos mais fortes…”, diz o padre Gulzar.

Não haverá região ou país que tenha passado imune à pandemia. O Paquistão foi um desses países. Os cristãos são uma comunidade minoritária e confundem-se quase sempre com os mais pobres dos pobres da sociedade e é assim em Lahore. A economia estagnou e muitos cristãos ficaram, quase de um dia para o outro, sem trabalho. E quase de um dia para o outro, muitas famílias ficaram sem pão na mesa.

O padre Francis Gulzar, o vigário-geral da Arquidiocese de Lahore, diz que foi “um pesadelo horrível” e que continua a atormentar a comunidade cristã que muitas vezes apenas consegue sobreviver realizando os trabalhos mais duros e mal pagos, nas limpezas, nos esgotos, no meio do lixo.

O governo tinha dado ordem para fechar tudo como forma para a contenção do coronavírus. “Começámos a receber chamadas do governo para fechar as igrejas”. Mas era preciso dar de comer a todos os que ficaram sem trabalho, sem sustento. E só na Arquidiocese de Lahore, havia mais de 500 famílias em grande necessidade contando, seguramente, mais de duas mil pessoas. Naqueles dias mais difíceis, as portas abertas das igrejas foram um oásis no meio do desespero. “Muitas pessoas passaram a ir à paróquia. Era o único lugar onde conseguiam encontrar alguma coisa para comer…”

Esta ajuda só se tornou possível graças à solidariedade que se estabeleceu rapidamente. A Fundação AIS foi uma das entidades responsáveis por alimentar esta cadeia de entreajuda. Houve também apoio que chegou de “amigos muçulmanos”, gente que se condoeu com o sofrimento dos vizinhos que ficaram de mãos vazias e impedidos de ganhar o sustento para os seus filhos. “Graças a Deus, nós, os cristãos, começamos a ser reconhecidos gradualmente como uma parte do Paquistão.” Já não são como estranhos e passaram a ser vizinhos.

A Igreja em Lahore tem procurado abrir caminho no diálogo com todas as religiões, criando laços, fortalecendo relações de amizade, estreitando os muros da indiferença. “Graças a Deus”, diz o padre Gulzar.

Claro que na memória de todos estão ainda os violentos ataques do Domingo de Páscoa de 2016, em que morreram 75 fiéis, ou os constantes atropelos à dignidade das famílias, os ignóbeis sequestros de raparigas cristãs, tantas vezes perante a indiferença das próprias autoridades, ou as conversões forçadas a quem pede apenas ajuda para sobreviver…

 

Espanha:

Abertura da Porta Santa

deu início a ano jubilar em Santiago Compostela

 

A abertura da Porta Santa na Catedral de Santiago de Compostela, Espanha, no dia 31 de dezembro, deu início ao Ano Santo Jacobeu de 2021.

Após a celebração foi projetado, na escadaria da Praça Quintana, naquela localidade da região da Galiza, um vídeo de boas-vindas ao Ano Santo de 2021, nos ecrãs no exterior da catedral, e ainda interpretada a ‘Muiñeira de Chantada’, uma música tradicional galega.

O ano santo de Compostela, ano jacobeu ou jubilar, é celebrado desde o século XII, quando o dia 25 de Julho, festa de São Tiago, coincide com um domingo.

O Papa Francisco enviou uma mensagem para este ano jubilar onde faz o convite “para um caminho de conversão e de solidariedade com os próprios companheiros de viagem”.

Para o Arcebispo de Santiago de Compostela, D. Julián Barrio Barrio, realça o “ano de graça e de perdão” a todos aqueles que desejam participar.

Por ocasião da abertura da Porta Santa, D. Julián recebeu uma mensagem do Papa Francisco, que expressa “carinho e proximidade a todos aqueles que participam neste momento de graça para toda a Igreja e, em particular, para a Igreja na Espanha e na Europa”.

Seguindo os passos do Apóstolo São Tiago, escreveu o Papa argentino “deixamos o nosso eu, aquelas certezas às quais nos agarramos, mas com um objetivo claro em mente, não somos seres errantes, sempre girando em torno de nós mesmos sem chegar a lugar algum”.

Para se colocar em caminho, devemos “desligar-nos das coisas que nos pesam” e depois, na vida, não caminhamos sozinhos” mas “confiar nos nossos companheiros sem suspeitas e desconfianças”

No final da viagem, escreve o Papa, “nos encontraremos com uma mochila vazia”, mas com “um coração cheio de experiências forjadas em contraste e em harmonia com a vida de nossos outros irmãos e irmãs que vêm de diferentes contextos existenciais e culturais”

 

Israel:

Pedra de 1.400 anos encontrada com inscrição mariana

 

Pedra de 1.400 anos com inscrição mariana foi encontrada em Israel, perto da fronteira com o Egito. A frase completa, em grego antigo, diz “Abençoada Maria, que viveu uma vida imaculada”.

Segundo a mídia israelense, a pedra foi achada no Parque Nacional Nitzana, que fica em pleno deserto de Neguev. Ela tem 25 centímetros de diâmetro e fazia parte da lápide de uma mulher que viveu naquela região cerca de 1.400 anos atrás.

Quem a encontrou foi um funcionário da manutenção do Parque Nacional. De acordo com informações da Autoridade de Antiguidades de Israel, o parque Nitzana é um local de grande relevância para as pesquisas sobre a transição do período bizantino para o período islâmico.

Há, porém, registros muito mais antigos sobre a atividade humana nessa área. Ainda no século III a.C., o local já era uma estação de passagem dentro de uma rota comercial importante do povo nabateu. Nos séculos V e VI d.C., Nitzana possuía uma fortaleza militar, igrejas, um mosteiro e essa estação de passagem de peregrinos cristãos que se dirigiam ao Monte Sinai.

A pedra funerária recém-encontrada é mais uma das muitas demonstrações históricas da veneração cristã a Nossa Senhora, enfatizando especialmente o seu aspecto imaculado, ou seja, sem a mancha do pecado.

ALÉM disso, como objeto arqueológico, ela pode ajudar os pesquisadores a identificarem melhor os limites dos cemitérios cristãos da região, o que contribui para a delimitação do próprio assentamento, que ainda é desconhecida.

 


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