2.º Domingo dA QUARESMA

28 de Fevereiro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: No tempo favorável que nos dais – M. Faria (20 cânticos), IC, pg 934

Salmo 26, 8-9

Antífona de entrada: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

 

Ou

cf. Salmo 24, 6.3.22

Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Iniciámos a Quaresma há uma semana. Hoje a Santa Igreja, mãe e educadora da fé, coloca-nos diante dos olhos o mistério da Morte e Ressurreição de Jesus. É esse o objetivo final de toda a Quaresma – entender o mistério de Jesus no Calvário como expressão do amor de Deus a todos e a cada um de nós. É o domingo da Transfiguração do Senhor ou festa do Divino Salvador, que se repetirá em 6 de Agosto.

A Transfiguração do Senhor no alto do Monte Tabor, que o Evangelho de hoje nos relata, lembra-nos que, através do esforço quaresmal no seguimento de Jesus Cristo na Sua Paixão, chegaremos também à alegria da Sua Ressurreição gloriosa. Tal acontecerá se sempre formos iluminados pela luz da fé.

 

Ato penitencial

 

    Porque tantas vezes nos afastamos dos apelos amorosos do Senhor, trocando-os, por ignorância, engano e pouca fé, por outras seguranças terrenas tão enganadoras, comecemos por LHE pedir perdão.

 

    (Tempo de silêncio, ou em alternativa a sugestão que se segue)

 

    Senhor Jesus,

que, por leviandade, com tanta facilidade nos afastamos de Vossa amável companhia, e de apelos tão ternos e claros que nos fazeis, tende misericórdia.

 

    Cristo, misericórdia!

 

    Jesus Cristo, que nos revelastes o Amor infinito do Pai do Céu

    e n’Ele tão pouco temos meditado e correspondido, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor Jesus, que não quereis que o pecador viva triste e se condene,

    mas que se arrependa e viva para sempre, cheio de alegria, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia! 

 

    Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

    perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaac, o filho muito amado de Abraão, é figura de Jesus Cristo, Filho único de Deus – ele foi poupado à morte, Jesus não o foi: Deus entregou-O para morrer por todos nós.

 

Génesis 22,1-2.9a.10-13.15-18

 

1Naqueles dias, Deus quis pôr à prova Abraão e chamou-o: «Abraão!» Ele respondeu: «Aqui estou». 2Deus disse: «Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à terra de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar. 9aQuando chegaram ao local designado por Deus, Abraão levantou um altar e colocou a lenha sobre ele. 10Depois, estendendo a mão, puxou do cutelo para degolar o filho. 11Mas o Anjo do Senhor gritou-lhe do alto do Céu: «Abraão, Abraão!» «Aqui estou, Senhor», respondeu ele. 12O Anjo prosseguiu: «Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum. Agora sei que na verdade temes a Deus, uma vez que não Me recusaste o teu filho, o teu filho único». 13Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro, preso pelos chifres num silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do filho. 15O Anjo do Senhor chamou Abraão do Céu pela segunda vez 16e disse-lhe: «Por Mim próprio te juro – oráculo do Senhor – já que assim procedeste e não Me recusaste o teu filho, o teu filho único, 17abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar, e a tua descendência conquistará as portas das cidades inimigas. 18Porque obedeceste à minha voz, na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra».

 

Como observa The New Jerome Biblical Commentary, p 25, «esta história é uma obra-prima, ao apresentar Deus como o Senhor cujas exigências são absolutas, cuja vontade é inescrutável e cuja palavra final é benevolência. Abraão deixa ver a grandeza moral do fundador de Israel, em face de Deus, ao querer obedecer à palavra de Deus em toda a sua misteriosa severidade. Não há aqui as volúveis evasivas de Abraão (cf. cap. 13 e 21); ele mantém-se silenciosamente confiado e obediente».

1 «Deus quis pôr à prova Abraão». Deus não podia pretender a morte de Isaac (cf. v. 12), fazendo com que Abraão seguisse os bárbaros costumes cananeus; apenas quer «pôr à prova», isto é, aquilatar a fé, a obediência e o amor do seu eleito. Não se pense que esta prova era disparatada. Com efeito, inseria-se nos hábitos selvagens da religião cananeia, como se conta em 2Re 3,27: Mesa, rei de Moab, imolou o filho herdeiro para obter do seu deus Kemóx a libertação da sua cidade atacada pelos israelitas. E não poderia Deus ter para com Abraão uma exigência desta natureza? No entanto, a ordem divina era, humanamente vistas as coisas, simplesmente absurda: não era certo que Deus lhe prometera uma enorme descendência a partir de Isaac? Até este ponto chega a fé de Abraão: o mesmo Deus que lhe dera milagrosamente o filho tinha pleno direito de lho exigir e, se quisesse manter a sua promessa, podia vir a restituir-lho vivo (cf. Hebr 11,19). Pode ver-se, a propósito, o belo comentário do Catecismo da Igreja Católica, nº 2572.

9 «Colocou a lenha sobre ele». Os Padres viram no sacrifício de Isaac, entregue à morte pelo seu próprio pai e carregando às costas a lenha do sacrifício, uma figura de Cristo, levando a cruz para o monte Calvário, o novo monte Moriá do sacrifício da Nova Lei (segundo se diz em 2Cr 3,1, o Templo erguia-se neste monte). Deus, que poupou o filho de Abraão, «não poupou o seu próprio Filho»! (Rom 8,32: cf. 2.ª leitura).

 

Salmo Responsorial    Sl 115(116), 10-15,16-17, 18-19

 

Monição: O Salmo responsorial que vamos meditar lembra-nos que a nossa confiança em Deus e na Sua misericórdia deve ser absoluta e total.

 

Refrão:        Andarei na presença do Senhor

                     sobre a terra dos vivos.

 

Ou:               Caminharei na terra dos vivos

                na presença do Senhor.

 

Confiei no Senhor, mesmo quando disse:

«Sou um homem de todo infeliz».

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

 

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

 

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor

na presença de todo o povo,

nos átrios da casa do Senhor,

dentro dos teus muros, Jerusalém.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo lembra-nos o infinito amor que Deus nos demonstrou, entregando-nos o Seu amado Filho, para ser sacrificado por nós.

 

Romanos 8, 31b-34

Irmãos: 31bSe Deus está por nós, quem estará contra nós? 32Deus, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas? 33Quem acusará os eleitos de Deus? Deus, que os justifica? E quem os condenará? 34Cristo Jesus, que morreu, e mais ainda, que ressuscitou e que está à direita de Deus e intercede por nós?

 

A leitura foi escolhida pela provável referência ao sacrifício de Isaac relatado na 1.ª leitura: Deus, que poupara o filho de Abraão, não poupa à morte o seu próprio Filho: «Deus não poupou o seu próprio Filho» (v. 32). É a máxima prova do amor de Deus para connosco (cf. Jo 3,16), e o máximo motivo da nossa esperança. A esperança não nos pode jamais vir a deixar confundidos (Rom 5,5): eis até que ponto «Deus está por nós (v. 31)! Repare-se na expressiva insistência – três vezes neste pequenino trecho –, «por nós». Chamamos a atenção para o facto de que S. Paulo, ao falar assim, não quer dizer que o Pai desejava a morte do seu Filho (Abraão também não a desejava!), mas adopta uma linguagem impressionante para falar do misterioso dom do seu Filho para vir realizar a obra da nossa salvação, à custa da sua própria vida; longe de nós imaginar Deus Pai a descarregar a sua ira sobre o seu Filho para tirar vingança dos nossos pecados, como alguém poderia pensar.

34 «Quem os condenará?» Pela parte de Deus, infinitamente fiel, misericordioso e poderoso, podemos estar seguros da salvação: a esperança é certa e firme. No entanto, pela nossa parte, temos que trabalhar pela nossa salvação «com temor e tremor» (Filp 2,12), dado que temos a possibilidade de não corresponder à graça de Deus, usando mal a liberdade, acabando por vir a ser desclassificados ou condenados (cf. 1Cor 9,25-27).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt. 17,5

 

Monição: A salvação do mundo é obra do próprio Deus que, na fidelidade à Aliança com Abraão, enviou primeiro Moisés e Elias, e finalmente o Seu próprio Filho.

 

Cântico: Louvor e glória a Vós, J. Santos, NRMS, 40

 

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9,2-10

Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. 3As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. 4Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 5Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». 6Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. 7Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». 8De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. 9Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. 10Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

 

A cena da Transfiguração situa-se nos inícios da segunda parte do Evangelho de Marcos. A primeira parte (Mc 1,1 – 8,29) parece querer ser a resposta à incompreensão das pessoas que se interrogam – «quem é este homem?» – sem atinarem com a resposta certa, culminando com a confissão de Pedro: «Tu és o Cristo!» (8,29). Mas perante a revelação da natureza da obra messiânica de Jesus, que passa pela aparente derrota da Paixão e da Cruz, surge a incompreensão dos próprios discípulos, a começar pelo próprio Pedro (8,31-33). É assim que a visão antecipada da glória do Messias na Transfiguração serve de correctivo para aqueles que ficaram confundidos com o primeiro anúncio da Cruz como meio de salvação (8,31 – 9,1). Para nós, é também uma visão antecipada da vinda gloriosa de Cristo, a encher-nos de esperança (cf. Filp 3,21). A Transfiguração do Senhor nada tem a ver com os mitos gregos das metamorfoses. O próprio S. Lucas, melhor conhecedor da cultura grega, teve o escrupuloso cuidado de evitar o verbo grego usado por S. Marcos – metamorfôthê, transfigurou-Se – substituindo-o por um circunlóquio: «ao rezar, ficou outro o aspecto do seu rosto». Nos mistérios gregos, chegava-se progressivamente à transformação da natureza – a metamorfose –, através duma iniciação mistagógica, ao passo que esta transfiguração de Jesus foi repentina e passageira, uma manifestação do que Jesus já era antes.

2 Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gal 2, 9) particularmente firmes, também testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mc 14,33), diríamos, uma espécie de núcleo duro dos Doze. «A um alto monte»: Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré, segundo uma antiga tradição já referida por Orígenes. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes. «E transfigurou-Se diante deles»: o acontecimento é descrito, não como uma visão, mas como uma epifania, pois foi Ele mesmo a «manifestar» a sua própria glória divina, enquanto estava com eles. O facto deveras notável não foi tanto a visão de Moisés e Elias, mas a da glória de Jesus.

3 «As vestes… resplandecentes…» S. Marcos não faz referência ao rosto de Jesus que ficou brilhante como o Sol (Mt 17,2). O Evangelista não precisava de pormenorizar mais, pois a referência da brancura sobrenatural das vestes era o suficiente para que o leitor tomasse consciência da personalidade celestial de Jesus (cf. Dan 7,9; Act 1,10; Apoc 3,4-5; 4,4; 7,9).

4 «Moisés e Elias». A sua presença à volta de Jesus deixa ver como a Lei e os Profetas convergem para Ele, uma vez que tinham preparado e anunciado a sua vinda. A própria tradição rabínica falava de Moisés como precursor do Messias, e Malaquias anunciara a vinda de Elias nos tempos messiânicos (Mal 3,23).

5-7 «Três tendas». Assim se prestava Pedro a facilitar que se prolongasse aquele êxtase paradisíaco. Fala de três e não de um único refúgio, tendo em conta a desigual dignidade de cada uma das pessoas. «Não sabia o que dizia»: Pedro, tomado de assombro, pensa em categorias de um messianismo glorioso e pretende que aquela situação extraordinária se prolongue e mantenha, totalmente alheado da realidade do dia a dia. «Veio então uma nuvem»: mas esta não era uma resposta à sugestão de Pedro para construir um abrigo; a nuvem – a tenda de Deus (cf. 2Sam 22,12; Salm 18(17),12), que cobriu e envolveu Jesus «com a sua sombra» –, era sobretudo um sinal bíblico da presença de Deus, que simultaneamente O revelava e O ocultava (cf. Ex 13,22; 19,9; 24,15-16; 33,9; Lv 16,2; Nm 9,15-23; 11,25). De acordo com Lc 9,32, este prodígio deve-se ter verificado de noite, enquanto o Senhor fazia oração (Lc 9,29). Mas não consta que Jesus se tenha elevado, levitando no ar, como O pintou Rafael. «Este é o meu Filho». Com estas palavras a cena atinge o apogeu: a voz vinda do Céu é mais uma confirmação divina da anterior confissão da fé de Pedro (Mc 8,29). S. Tomás comenta: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa». «Escutai-O!», assim comenta Bento XVI: «No monte Sinai, Moisés tinha recebido a Toráh, a palavra com o ensinamento de Deus. Agora, referindo-se a Jesus, é-nos dito: «ouvi-O». Hartmut Gese comentou esta cena com sagaz propriedade: “Jesus tornou-se a própria Palavra divina da revelação. Os Evangelhos não podem apresentar isto de modo mais claro e majestoso: Jesus é a própria Toráh”. E assim terminou a aparição; o seu significado mais profundo está resumido nesta última palavra. Os discípulos devem voltar a descer com Jesus e aprender sempre de novo: “Ouvi-O”» (Jesus de Nazaré, p. 392)

9 «Ordenou-lhes que não contassem…» Esta ordem pertence à chamada disciplina do segredo messiânico – a que Marcos dá especial ênfase pela preocupação teológica de fazer ressaltar a incompreensão perante Jesus, a ser superada pelos seus só após a glória da Ressurreição –, visa evitar possíveis agitações populares, que só contribuiriam, para perturbar e dificultar a missão de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

1.     “Andarei na presença do Senhor, sobre a terra dos vivos”.

2.     A fé dos Apóstolos.

3.     Lições a tirar para as nossas vidas.

 

1.     “Andarei na presença do Senhor, sobre a terra dos vivos”.

 

Felizes seremos se sempre pudermos afirmar: “andarei na presença do Senhor sobre a terra dos vivos”.

Deus, nosso Pai amorosíssimo, sempre quer estar connosco, mas nós só andaremos com Ele, na medida em que n’Ele verdadeiramente acreditarmos. Como pois é importante a virtude sobrenatural da fé!

É sobretudo da fé que as Leituras da Misa de hoje especialmente nos falam. Fé é acreditar em tudo o que o Senhor nos revelou e a Santa Igreja nos ensina.

Abraão é chamado, com razão, nosso pai na fé. Mostrou com a sua vida que acreditava verdadeiramente no Senhor. Por isso deixou a sua terra, Ur, os seus amigos, o aconchego de sua casa e partiu, chamado por Deus para terras desconhecidas. Deus, depois de lhe ter prometido uma geração tão numerosa como as estrelas do Céu, pede-lhe o sacrifício de seu próprio e único filho. Este chamamento de Deus ter-se-á concretizado com um dos seus convencimentos interiores. Era então bastante generalizado sacrificar os filhos, ou o que se tivesse de melhor em honra dos deuses pagãos. Com tais atos, julgavam os povos pagãos e mesmo os reis de então, que atrairiam a benevolência divina para a solução de problemas com que se debatiam ou ainda para agradecer graças julgadas recebidas.

A forma como é apresentado o sacrifício de Isaac é também uma maneira de revelar como Deus, não concorda com sacrifícios humanos. Ele e só Ele é o Senhor da vida.

Assim foi posta à prova até ao fim a fé de Abraão. Como sabemos ele não sacrificou o seu filho. Em sua vez, sacrificou um carneiro, que entretanto um anjo lhe indicara.

Deus, nosso Senhor, o compensou tornando-se, através de Isaac, pai de todos os israelitas e de Ismael, filho da escrava Agar, pai de todos os árabes. Verdadeiramente Abraão teve uma geração como as estrelas do céu.

 

 

2.     A fé dos Apóstolos.

 

 A fé dos Apóstolos também iria ser posta à prova.  No jardim das oliveiras iriam ver o Senhor Jesus suar sangue de aflição, flagelado, coberto de Sangue, coroado de espinhos, cair com o peso da cruz a caminho do Calvário, ser crucificado... Perante espetáculos tão degradantes poderiam imaginar estarem enganados acerca da identidade de Jesus. Por isso, diante destes três Apóstolos, que iriam ser testemunhas especiais de Sua Agonia no Horto das Oliveiras, Ele quis revelar-lhes a Sua própria divindade. Esta certeza os levará mais tarde a dar e vida por Ele. E S. João tem coragem para estar a Seu lado no alto do Calvário.

 

3.     Lições a tirar para as nossa vidas.

 

Perante as dificuldades da vida, por maiores que sejam, nunca devemos recuar, fraquejar. Ele está connosco e como S. Paulo nos diz na segunda Leitura da Missa de hoje, se Ele está connosco quem poderá estará contra nós. A certeza desta presença amorosa é de grande importância para a nossa vida e de verdadeiro alimento espiritual para a nossa oração. Quaresma é especialmente convite à oração.

Foi muito a sério que Jesus nos salvou. É com toda a seriedade que devemos corresponder a tanto Amor. Como é importante levar a vida a sério. O problema da salvação é o único verdadeiramente digno deste nome e só cada um o poderá resolver. Amor com amor se paga. Cumpramos sempre a vontade de Deus, expressa tão claramente nos Seus mandamentos. Façamos tudo para Sua maior honra e glória. Só assim andaremos” na presença do Senhor sobre a Terra dos vivos”. E para que o desânimo nunca nos atinja, peçamos ao Senhor que aumente a nossa fé. Sentindo a presença do Senhor, que nunca nos abandona e sempre nos quer ajudar. Depois deste vale de lágrimas em que porventura vivamos, chegaremos à felicidade eterna onde, à semelhança de Pedro, teremos a possibilidade de, cheios de alegria, dizer também “como é bom estarmos aqui!”

 

Fala o Santo Padre

 

«A Transfiguração ajuda os discípulos, e também nós, a entender que a paixão de Cristo

é um mistério de padecimento, mas é sobretudo um dom de amor, de amor infinito por parte de Jesus.»

O Evangelho de hoje, segundo Domingo de Quaresma, convida-nos a contemplar a Transfiguração de Jesus (cf. Mc 9, 2-10). Este episódio deve ser relacionado com o que aconteceu seis dias antes, quando Jesus tinha revelado aos seus discípulos que em Jerusalém deveria «padecer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e morrer, mas ressuscitar depois de três dias» (Mc 8, 31). Este anúncio tinha posto em crise Pedro e todo o grupo dos discípulos, os quais recusavam a ideia de que Jesus fosse rejeitado pelos chefes do povo e depois morto. Com efeito, eles esperavam um Messias poderoso, forte e dominador; ao contrário, Jesus apresenta-se humilde e manso, Servo de Deus e dos homens, que deverá oferecer a sua vida em sacrifício, passando através do caminho da perseguição, do sofrimento e da morte. Mas como poder seguir um Mestre e Messias, cuja vicissitude terrena se teria concluído daquele modo? Assim pensavam eles. E a resposta chega precisamente da Transfiguração. Em que consiste a Transfiguração de Jesus? É uma aparição pascal antecipada.

Jesus tomou consigo os três discípulos, Pedro, Tiago e João, e «conduziu-os para um alto monte» (Mc 9, 2); e ali, por um momento, mostrou-lhes a sua glória, a glória do Filho de Deus. Assim, este acontecimento da Transfiguração permite que os discípulos enfrentem a paixão de Jesus de maneira positiva, sem ser arrebatados. Viram-no como Ele será depois da paixão, glorioso. É assim que Jesus os prepara para a provação. A Transfiguração ajuda os discípulos, e também nós, a entender que a paixão de Cristo é um mistério de padecimento, mas é sobretudo um dom de amor, de amor infinito por parte de Jesus. O acontecimento de Jesus que se transfigura no monte leva-nos a compreender melhor inclusive a sua Ressurreição. Para entender o mistério da cruz, é necessário saber antecipadamente que Aquele que sofre e é glorificado não é apenas um homem, mas é o Filho de Deus, que nos salvou com o seu amor fiel até à morte. É assim que o Pai renova a sua declaração messiânica sobre o Filho, já feita nas margens do Jordão, depois do batismo, exortando: «Escutai-o!» (v. 7). Os discípulos são chamados a seguir o Mestre com confiança e esperança, não obstante a sua morte; a divindade de Jesus deve manifestar-se precisamente na cruz, exatamente no seu morrer «daquele modo», a ponto que aqui o evangelista Marcos põe nos lábios do centurião esta profissão de fé: «Este homem era realmente o Filho de Deus!» (15, 39).

Dirijamo-nos agora em oração à Virgem Maria, a criatura humana transfigurada interiormente pela graça de Cristo. Recomendemo-nos confiantes à sua ajuda maternal para prosseguir com fé e generosidade o caminho da Quaresma.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 25 de fevereiro de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

como o pobre e cego Bartimeu, em Jericó,

que pedia a Jesus: “Senhor, que eu veja!”

imploremos, com profunda fé e humildade,

que Ele conduza a nossa vida pela Sua luz

Rezemos:

 

R. Senhor, aumentai a nossa fé.

 

1.      Pelo Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e Diáconos

para que nos iluminem com a luz da doutrina do Evangelho,

oremos, irmãos.

 

R. Senhor, aumentai a nossa fé.

 

2      Pelos pais, primeiros e principais catequistas dos filhos

para que se empenhem, pelo exemplo, na sua formação,

oremos, irmãos.

 

R.  Senhor, aumentai a nossa fé.

 

3      Pelos catequistas, mensageiros de Deus para as crianças,

para que lhes ensinem as verdades que procuram viver,

oremos, irmãos.

 

R.  Senhor, aumentai a nossa fé.

 

4      Pelos que vivem atormentados pelas dúvidas contra a fé,

para que peçam humildemente ao Senhor a Sua ajuda,

oremos, irmãos.   

 

R.  Senhor, aumentai a nossa fé.

 

5      Pelos que não creem e vivem sem orientação na vida,

para que, Jesus, Médico divino, os cure desta cegueira,

oremos, irmãos.

 

R.  Senhor, aumentai a nossa fé.

 

    6.  Pelos nossos irmãos que partiram ao encontro da Luz

para que, purificados, comunguem da felicidade eterna,

oremos, irmãos.

 

R. Senhor, aumentai a nossa fé.

 

Senhor, que nos fazeis caminhar alegremente na fé,

ao encontro de Vós, que sois a única Verdade:

ajudai-nos a seguir-vos docilmente em cada dia

para vos contemplarmos no esplendor da glória.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Jesus tomou consigo – C. Silva, OC pg 145

 

Oração sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A transfiguração do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Depois de anunciar aos discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua paixão alcançaria a glória da ressurreição.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Monição da Comunhão

 

Porque nunca poderemos merecer o dom da Sagrada Comunhão, repetimos como o centurião de Cafarnaum “Senhor eu não sou digno...”. Com muita fé, humildade, amor e gratidão, vamos receber Jesus, onde encontraremos sempre a força para, com generosidade, venceremos todas as dificuldades da vida.

 

Cântico da Comunhão: Habitarei para sempre – C. Silva, OC pg

Mt 17, 5

Antífona da comunhão: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Cântico de acção de graças: Sois o meu refúgio – M. Simões, NRMS, 29

 

Oração depois da comunhão: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Durante a Quaresma pratiquemos o piedoso exercício da Via Sacra, que conjuga o mistério da morte e da ressurreição de Jesus, e constitui uma devoção da tradição cristã, muito recomendada pela santa Igreja. Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final:  A Cruz fizera – J. F. Silva, NRMS, 29

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 1-III: Viver a misericórdia.

Dan 9, 4-10 / Lc 6, 36-38

Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.

Para sermos misericordiosos, como Jesus nos pede (EV), precisamos, em primeiro lugar, reconhecer os nossos pecados e a misericórdia do Pai. Assim o recorda Daniel na sua oração: nós pecámos, deixámos os vossos mandamentos e as vossas leis (LT). Venha ao nosso encontro a vossa misericórdia, porque somos tão miseráveis (SR).

Recebamos com frequência o sacramento da misericórdia. Deste modo somos levados a ser misericordiosos como Ele. E finalmente, recebamos a Eucaristia, pois fortifica a caridade que, na vida quotidiana, tende a enfraquecer.

 

3ª Feira, 2-III: A conversão e as boas obras.

Is 1, 10. 16-20 / Mt 23, 1-12

Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não procedais segundo as suas obras, pois eles dizem e não fazem.

Jesus, o Mestre divino, começou a fazer e depois a ensinar. Por isso, contrasta o seu modo de actuar com o dos escribas e fariseus (EV). Estes impunham um fardo pesado, que eles não carregavam. E Jesus carrega com os nossos pecados sobre os ombros.

A nossa conversão está intimamente ligada às boas obras pois, caso contrário, os nossos propósitos serão estéreis. É necessária uma aprendizagem: aprendei a fazer o bem (LT). Honra-me quem me oferece um sacrifício de louvor (SR). A conversão do coração, no entanto, deve ser acompanhada por sinais visíveis, gestos e obras de penitência.

 

4ª Feira, 3-III: Um convite para a Quaresma.

Jer 18, 18-20 / Mt 20, 17-28

Prestai-me ouvidos, Senhor... Assim é que se paga o bem com o mal? Pois abriram uma cova para atentarem contra a minha vida.

Jeremias queixa-se de o que quererem maltratar, apesar do bem que tinha feito (LT). O mesmo aconteceu a Jesus pois, apesar de passar pela terra a fazer o bem, querem condená-lo à morte (EV). Coligaram-se contra mim e decidiram tirar-me a vida (SR).

Para alcançar um lugar no reino dos Céus, Jesus convida-nos, como a Tiago e a João: Podeis beber o cálice que eu estou para beber? (EV). É um bom convite para vivermos melhor a Quaresma. Cumpramos os nossos deveres, aceitemos melhor as contrariedades, vivamos bem a caridade, servindo os outros. Jesus não veio para ser servido, mas para servir (EV).

 

5ª Feira, 4-III: Por uma sociedade mais justa.

Jer 17, 5-10 / Lc 16, 19-31

Então, ó Pai, rogo-te que mandes Lázaro à minha casa paterna, pois tenho cinco irmãos. Que ele os previna.

O homem rico desta parábola, bem como os seus cinco irmãos, nunca se lembraram de Deus nem dos pobres (EV). E Lázaro representa a multidão dos seres humanos sem pão, sem tecto. Tenhamos confiança em Deus (LT). É como a árvore plantada à beira das águas (SR).

Precisamos viver melhor a virtude da solidariedade, para ajudarmos mais os que passam mal na vida. E esforcemo-nos por ajudar a criar uma ordem social mais justa, dentro das nossas capacidades, em que as tensões possam ser resolvidas e os conflitos encontrem mais facilmente uma boa saída.

 

6ª Feira, 5-III: Responsabilidade na Paixão e Cristo.

Gen 37, 3-4. 12-13. 17-28 / Mt 21, 33-43. 45-46

Mas, ao verem o filho, disseram entre si: este é o herdeiro, vamos matá-lo.

A parábola dos agricultores (EV), bem como os maus tratos infligidos a José pelos seus irmãos (LT) é um prenúncio dos sofrimentos de Cristo na sua Paixão, que culminaram na sua morte. Recordai as maravilhas do Senhor (SR).

Não esqueçamos a nossa responsabilidade na Paixão de Cristo, pois foram os nossos pecados que o crucificaram. Procuremos lutar para afastarmos as ocasiões de pecado, acolhamos melhor o Senhor e o próximo, aceitemos melhor as contrariedades. Vivamos com maior intensidade e agradecimento a Santa Missa, que actualiza a sua Paixão e Morte.

 

Sábado, 6-III: As nossas misérias e a misericórdia de Deus.

Miq 7, 14-15. 18-20 / Lc 15, 1-3. 11-32

Qual o deus semelhante a vós que perdoa o pecado e absolve a culpa deste resto da vossa herança?

Este retrato de Deus do profeta Miqueias (LT) coincide perfeitamente com o apresentado na parábola do filho pródigo (EV). Ele perdoa todos os teus pecados e cura as tuas enfermidades (SR).

Em vez de ficarmos desanimados com os nossos pecados, recorramos mais à misericórdia de Deus. A conversão e a penitência ficaram muito bem descritas na parábola do filho pródigo, cujo centro é o pai misericordioso: o arrependimento e o considerar-se culpado, o acolhimento por parte do pai, etc, são uma ajuda para o nosso processo de conversão.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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