qUARTA-FEIRA DE CINZAS

17 de Fevereiro de 2021

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eis o tempo favorável – M. Borda, NRMS, 53

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

De vez em quando, é preciso fazer uma revisão cuidadosa aos veículos, desde os de transportes coletivos aos particulares. Trata-se de garantir a segurança, evitar perigos de acidentes onde se perdem vidas e viajar com maior tranquilidade.

Nesta viagem que estamos a fazer da terra à felicidade eterna, o Senhor propõe-nos também uma revisão periódica em profundidade, um sério balanço ao modo como estamos a acautelar os nossos interesses.

Em cada ano, preparando a Páscoa da Ressurreição na qual recordamos especialmente a alegria do nosso Batismo e renovamos os seus compromissos, a Igreja convida-nos a celebrar a Quaresma. São quarenta dias nos quais nos é oferecido um programa para fazer esta revisão.

 

Acto penitencial

 

Quando se faz a imposição das Cinzas, é substituído por este rito.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Joel dirige-nos um chamamento veemente à conversão – à mudança de vida – de modo a que nos voltemos para o Senhor.

Esta conversão há-de levar-nos à renovação das promessas do nosso Batismo na Vigília Pascal.

 

Primeira Leitura

 

 

Joel 2,12-18

 

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

Começa a Quaresma com um forte apelo à conversão e de esperança no perdão do Senhor, extraído do final da primeira parte do livro do profeta Joel (1,2 – 2,17). Num estilo solene e apocalíptico, fala de uma invasão de gafanhotos medonhos, mas sem ficar claro se fala em sentido próprio ou figurado. Se a obra é anterior ao exílio de Babilónia, aludiria a invasões de exércitos inimigos; se é posterior, tratar-se-ia de alguma praga agrícola. Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante da enorme calamidade apresentada como castigo divino, o profeta apela para uma sincera conversão, a começar pela dos sacerdotes (1,13).

12-13 «Convertei-vos a Mm de todo o coração». Não é suficiente uma manifestação exterior de dor; rasgar as vestes (v. 13) era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus; rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura (cf. Gn 37,29; Mt 26,65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade da pessoa, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração, isto é, com todas as veras da nossa alma, e a rasgar o nosso coração, a dilacerá-lo pela contrição, que é essa profunda mágoa de ter ofendido ao Senhor, infinitamente bom. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo… rico de bondade.

«É clemente e compassivo, paciente e misericordioso». A Vulgata e a Nova Vulgata têm «benignus et misericors est, patiens et multæ misericordiæ». «Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem» (ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco. Assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação. Por seu lado, a expressão «misericordioso» (à letra, «de muita misericórdia») deixa ver que a misericórdia do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a bondade de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36,22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet», um amor que é fidelidade). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11,29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (João Paulo II em Fátima: 13.05.82; cf. Enc. Dives in misericordia).

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus, que sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças. O Profeta fala de Deus à maneira humana, ao dizer também que «Ele se encheu de zelo pela sua terra» (v. 18), em face do apelo feito ao brio do Senhor, numa súplica tão humilde como ousada da parte dos seus «ministros» (v. 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: Como resposta à interpelação que o Espírito Santo nos fez, pelas palavras do profeta Joel, a Liturgia convida-nos a rezar o salmo 50, do rei da David, o ato de contrição mais denso que encontramos em todo o Antigo Testamento.

Procuremos que ele seja também para nós um verdadeiro ato de contrição pelos nossos pecados.

 

Refrão:        Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:               Tende compaixão de nós, Senhor,

                     porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo chama os Coríntios, na segunda carta que lhes escreve, a uma sincera conversão a Deus.

Tomemos esta admoestação como dirigida pessoalmente a cada um de nós, para a vivermos durante esta Quaresma que hoje tem o seu início.

 

2 Coríntios 5,20 – 6,2

 

20Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

S. Paulo, ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5,14-15).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem vos exorta por nosso intermédio». Os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», não apenas «ao seu serviço», mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo»; o próprio texto original grego parece dá-lo a entender com a preposição hyper (em favor de Cristo), usada com o sentido do antí (em vez de: cf. Jo 11,50; Gal 3,13; etc.).

21 «Deus identificou-o com o pecado» (à letra, Deus fê-lo pecado), uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador. O que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral. Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (a raça humana), a fim de os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3,13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado. Isto, que podia parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado». Com efeito, pelo sacrifício de Cristo, tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

6,2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49,8, onde se classifica assim o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os israelitas do cativeiro. O Apóstolo insiste em que «agora» é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4,4-5). A tradução litúrgica não valorizou este advérbio «agora», repetido por duas vezes. S. Paulo actualiza a expressão grega de Isaías, «tempo favorável» (LXX), ao fazer ver que agora é que é o momento singularmente oportuno, em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. E a Liturgia pretende fazer aqui uma acomodação deste texto ao tempo santo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Sl 94, 8ab

 

Cântico:  – Louvor e glória a Vós – B. Salgado, NRMS, 32

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6,1-6.16-18

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

Os versículos da leitura são tirados do meio do Sermão da Montanha de S. Mateus; por focarem práticas tipicamente judaicas, estes versículos não têm paralelos nos outros evangelistas, que se dirigem a cristãos na sua maioria vindos dos gentios.

1 «As vossas boas obras» letra, a vossa justiça, como teremos na nova tradução da CEP), isto é, os actos tradicionais da boa piedade judaica, a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual. O que exige é que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma sincera piedade, com o fim de agradar a Deus, e não por ostentação, ou para se receber o aplauso humano.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós: «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um (nominatim: Jo 10,3). Com efeito, são imprescindíveis tanto a oração púbica, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. Por sua vez, Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, pois Ele próprio deu este mesmo exemplo (cf. Mt 14,23; Mc 1,35; Lc 5,16; 6,12; 9,18; 11,1.28-29), um exemplo que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Act 10,9). Também a experiência pessoal de todos os Santos e dos que tomam a sério a fé cristã nos diz que é imprescindível este tipo de oração, que consiste em se recolher para, a sós, falar com Deus, frequentemente. A esta oração recolhida e íntima nos convida hoje o Senhor e a Liturgia nesta Quaresma, que agora começa.

 

Sugestões para a homilia

 

• A Quaresma, uma carícia de Deus

• Com os olhos postos no Céu

 

1. A Quaresma, uma carícia de Deus

 

A Quaresma é um espaço de conversão que Deus abre na nossa vida, convidando-nos a entrar nele, para uma conversão profunda.

A Igreja quer que a aproveitemos para preparar a renovação das promessas do nosso Batismo, na noite da Vigília Pascal.

Conversão pessoal. A primeira tentação com que o Inimigo engana as pessoas que rezam, que frequentam os Sacramentos, é convencê-las de que não precisam de conversão. Devem pensar nela os que vivem muito afastados do caminho da Salvação.

Converter-se é voltar-se para Deus, renovar o desejo de fazer a sua vontade em tudo. É fazer como o condutor de um veículo na estrada que, além de segurar com atenção o volante, vai corrigindo os desvios do veículo, para que não desvie do caminho que deseja seguir.

Por isso, o convite do Senhor dirige-se a todos sem exceção: «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos»

Rasgar o coração. Os judeus mais zelosos da Lei de Moisés tinham o costume de arrancar com ruído umas tiras de pano que pregavam à roupa, para exprimirem a sua indignação pelos pecados que testemunhavam.

O profeta Joel convida-nos a rasgar o nosso coração pela contrição dos pecados, em vez de rasgar as vestes, isto é, a fixar mais a nossa atenção no nosso interior, pedindo perdão ao Senhor dos nossos pecados, do que no comportamento dos outros. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes,».

Deus acolhe-nos sempre. Todas as vezes que batemos à porta do Coração do Senhor, Ele abre-se em torrentes de misericórdia para connosco.

Não conta a distância do nosso afastamento dele, nem o número ou espécie de pecados. Ele é a misericórdia infinita.

Diz a profeta Joel: «convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia

O modo de falar do profeta é uma forma de chamar a nossa atenção, porque Deus atende-nos sempre, estejamos muito ou pouco afastados d’Ele.

«Quem sabe? Talvez Ele mude de ideia e volte atrás, deixando, ao passar, alguma bênção, para oferenda e libação ao Senhor vosso Deus

O jejum que nos pede. É fácil uma pessoa fazer mortificações na comida e na bebida, rezar muitas orações, mas não mortificar a língua ao falar do próximo. Este é o primeiro jejum que o Senhor nos pede.

Procuremos a mortificação no trabalho profissional ou doméstico bem feito, sem queixumes, na resposta com um sorriso, mesmo quando se trata de uma pessoa que não nos é simpática.

Podemos jejuar no uso do telemóvel, da televisão, ou mesmo na curiosidade de ver o que se passa.

E assim cumpriremos o mandato do Senhor anunciado pelo profeta: «Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada

A contrição dos pecados. Mas a penitência que Deus mais aprecia em nós é o reconhecimento dos nossos pecados e defeitos, em vez de andarmos constantemente à procura dos defeitos e faltas dos outros.

A Quaresma convida-nos a usar mais o espelho, substituindo-o por estar à janela da vida a olhar criticamente para os outros.

Procuremos lutar contra a tentação de nos justificarmos nas nossas falhas, de nos compararmos com os outros que nos parecem piores.

«Entre o pórtico e o altar chorem os sacerdotes, e digam os ministros do Senhor: «Tem piedade do teu povo, Senhor, não transformes em ignomínia a tua herança, para que ela não se torne o escárnio dos povos

A Quaresma, tempo favorável. Quando se trata da agricultura ou jardinagem, sabemos escolher a ocasião favorável, quer seja para as sementeiras, podar as vinhas e outras plantas ou outras diligências. Queremos um tempo favorável para férias.

S. Paulo, depois de nos urgir à reconciliação com Deus, diz-nos que a Quaresma é um tempo favorável em que o Senhor está particularmente disponível para nos perdoar e conceder as Suas graças. «É este o tempo favorável, é este o dia da salvação».

 

2. Com os olhos postos no Céu

 

Jesus dirige a Sua pregação a um público mais interessado em parecer do que em ser, voltado para o exterior, para os olhares das pessoas, para serem louvados por elas.

«Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu

Jesus indica-nos algumas práticas da Quaresma agradáveis a Deus, quando feitas devidamente.

Discretos. Jesus chama a nossa atenção para o espírito com que havemos de dar esmola ou fazer oração e ensina-nos uma coisa fundamental: fazer as coisas com os olhos em Deus, e não para seremos louvados e admirados pelos outros.

É que também nas coisas de Deus pode entrar a vaidade, a procura de elogios ou de consideração dos outros. O fazer tudo com o único desejo de agradar somente a Deus é essencial para que tenhamos merecimento.

A esmola. Dar esmola é partilhar com pessoas carenciadas algo que é nosso.

O mesmo jejum tem este sentido. Não o fazemos para juntar mais algumas economias, ou só por uma razão de saúde ou de estética, mas privamo-nos de algo para podermos dar aos outros.

É cómodo dar uma moeda a quem precisa e voltar o rosto, para não ver mais quem a recebeu. Podemos dar esmola de muitos modos: de tempo para escutar as pessoas; de atenção às carências de alguém que vive ao nosso lado: porque está doente, ou triste, ou precisa de ajuda...

«Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te

A oração. Jesus aconselha-nos a procurar o recolhimento do nosso quarto para falarmos à vontade com Deus.

Ele mesmo dá-nos o exemplo de se retirar para um lugar solitário, para fazer oração. Esteve quarenta dias e quarenta noites no Monte da Quarentena, depois do Batismo no Jordão e antes de começar a Vida Pública; retirava-Se para o monte, muitas vezes de noite e ali orava; as duas últimas horas antes da Paixão e Morte passou-as no Getsemani, um pouco afastado dos Apóstolos.

Jesus não proíbe nem condena a oração em comum, na família, nos templos ou santuários. Mas quer prevenir-nos para a vaidade que nos pode tocar, quando escolhemos um lugar à vista de todos, para fazer oração.

«Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.»

Discretos. O Mestre divino insiste na necessidade da discrição. Não andamos a jogar às escondidas. Mas é mais fácil conservar a intenção de agradar somente ao nosso Deus, quando fugimos dos olhares das pessoas.

De qualquer modo, ´uma boa pergunta a que devemos fazer a nós mesmos: procuro o olhar de Deus, ou o das pessoas para que pensem bem de bem e me louvem?

«Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te

Um programa para a Quaresma. O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Sagrada Liturgia, sugere-nos um programa.

“Ponham-se em maior realce, tanto na Liturgia como na catequese litúrgica, os dois aspectos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação ou preparação do Baptismo e pela Penitência, preparar os fiéis, que devem ouvir com mais frequência a Palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal.” (SC, n. 109). 

Procuremos fazer um programa concreto para a Quaresma: 

Procuremos ler todos os dias um pouco da Sagrada Escritura. Um bom programa poderia ser a leitura do Novo Testamento.

Concretizemos algum tempo diário de oração mental, e não apenas orações vocais.

A Via Sacra ou a meditação da Paixão de Jesus está especialmente indicada para a Quaresma.

Peçamos a Nossa Senhora, nossa Mãe, que nos ensine e ajude a viver esta Quaresma como a melhor de sempre.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quaresma: o tempo oportuno para voltar a casa do Pai.»

O tempo de Quaresma é propício para corrigir os acordes dissonantes da nossa vida cristã e acolher a notícia sempre nova, feliz e esperançosa da Páscoa do Senhor. Na sua sabedoria materna, a Igreja propõe-nos prestar especial atenção a tudo o que possa arrefecer e oxidar o nosso coração crente.

Múltiplas são as tentações, a que nos vemos expostos. Cada um de nós conhece as dificuldades que deve enfrentar. E é triste constatar, nas vicissitudes diárias, como se levantam vozes que, aproveitando-se da amargura e da incerteza, nada mais sabem semear senão desconfiança. E, se o fruto da fé é a caridade – como gostava de repetir Santa Teresa de Calcutá –, o fruto da desconfiança é a apatia e a resignação. Desconfiança, apatia e resignação: os demónios que cauterizam e paralisam a alma do povo crente.

A Quaresma é tempo precioso para desmascarar estas e outras tentações e deixar que o nosso coração volte a bater segundo as palpitações do coração de Jesus. Toda esta liturgia está impregnada por este sentir, podendo-se afirmar que o mesmo ecoa em três palavras que nos são oferecidas para «aquecer o coração crente»: para, olha e regressa.

Para um pouco, deixa esta agitação e este correr sem sentido que enche a alma de amargura sentindo que nunca se chega a parte alguma. Para, deixa esta obrigação de viver de forma acelerada, que dispersa, divide e acaba por destruir o tempo da família, o tempo da amizade, o tempo dos filhos, o tempo dos avós, o tempo da gratuidade... o tempo de Deus.

Para um pouco com essa necessidade de aparecer e ser visto por todos, mostrar-se constantemente «em vitrina», que faz esquecer o valor da intimidade e do recolhimento.

Para um pouco com o olhar altivo, o comentário ligeiro e desdenhoso que nasce de se ter esquecido a ternura, a compaixão e o respeito pelo encontro com os outros, especialmente os vulneráveis, feridos e até imersos no pecado e no erro.

Para um pouco com essa ânsia de querer controlar tudo, saber tudo, devassar tudo, que nasce de se ter esquecido a gratidão pelo dom da vida e tanto bem recebido.

Para um pouco com o ruído ensurdecedor que atrofia e atordoa os nossos ouvidos e nos faz esquecer a força fecunda e criativa do silêncio.

Para um pouco com a atitude de fomentar sentimentos estéreis e infecundos que derivam do fechamento e da autocomiseração e levam a esquecer de sair ao encontro dos outros para compartilhar as cargas e os sofrimentos.

Para diante do vazio daquilo que é instantâneo, momentâneo e efémero, que nos priva das raízes, dos laços, do valor dos percursos e de nos sentirmos sempre a caminho.

Para, para olhar e contemplar!

Olha os sinais que impedem de se apagar a caridade, que mantêm viva a chama da fé e da esperança. Rostos vivos com a ternura e a bondade de Deus, que age no meio de nós.

Olha o rosto das nossas famílias que continuam a apostar dia após dia, fazendo um grande esforço para avançar na vida e, entre muitas carências e privações, não descuram tentativa alguma para fazer da sua casa uma escola de amor.

Olha os rostos interpeladores das nossas crianças e jovens carregados de futuro e de esperança, carregados de amanhã e de potencialidades que exigem dedicação e salvaguarda. Rebentos vivos do amor e da vida que sempre conseguem abrir caminho por entre os nossos cálculos mesquinhos e egoístas.

Olha os rostos dos nossos idosos, enrugados pelo passar do tempo: rostos portadores da memória viva do nosso povo. Rostos da sabedoria operante de Deus.

Olha os rostos dos nossos doentes e de quantos se ocupam deles; rostos que, na sua vulnerabilidade e no seu serviço, nos lembram que o valor de cada pessoa não pode jamais reduzir-se a uma questão de cálculo ou de utilidade.

Olha os rostos arrependidos de muitos que procuram remediar os seus erros e disparates e, a partir das suas misérias e amarguras, lutam por transformar as situações e continuar para diante.

Olha e contempla o rosto do Amor Crucificado, que continua hoje, a partir da cruz, a ser portador de esperança; mão estendida para aqueles que se sentem crucificados, que experimentam na sua vida o peso dos fracassos, dos desenganos e das desilusões.

Olha e contempla o rosto concreto de Cristo crucificado por amor de todos sem exclusão. De todos? Sim; de todos. Olhar o seu rosto é o convite cheio de esperança deste tempo de Quaresma para vencer os demónios da desconfiança, da apatia e da resignação. Rosto que nos convida a exclamar: o Reino de Deus é possível!

Para, olha e regressaRegressa à casa de teu Pai. Regressa sem medo aos braços ansiosos e estendidos de teu Pai, rico em misericórdia (cf. Ef 2, 4), que te espera!

Regressa! Sem medo: este é o tempo oportuno para voltar a casa, a casa do «meu Pai e vosso Pai» (cf. Jo 20, 17). Este é o tempo para se deixar tocar o coração... Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa muito diferente, e bem o sabe o nosso coração. Deus não Se cansa nem Se cansará de estender a mão (cf. Bula Misericordiae Vultus, 19).

Regressa sem medo para experimentar a ternura sanadora e reconciliadora de Deus! Deixa que o Senhor cure as feridas do pecado e cumpra a profecia feita a nossos pais: «Dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um espírito novo: arrancarei do vosso peito o coração da pedra e vos darei um coração de carne» (Ez 36, 26).

Para, olha e regressa!

  Papa Francisco, Homilia, Basílica de Santa Sabina,14 de fevereiro de 2018

 

Bênção das cinzas

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Iniciamos a Quaresma com o rito litúrgico da imposição das cinzas sobre a fronte. Este rito, que tem raízes bíblicas, é um ato com profundo significado.

A cinza resulta das coisas que destruímos pelo fogo, por razões variadas.

Queimamos o que é inútil e que, não servindo para nada, nos iria complicar a vida, ocupando o lugar de coisas que nos são úteis; reduzimos a cinzas o que nos poderia causar dano à saúde e impedir de trabalhar.

Também o nosso corpo há-de passar por esta fase, depois da morte, até à ressurreição final.

Na Liturgia, receber as cinzas é um ato de profunda humildade pelo qual manifestamos ao Senhor a aceitação da nossa condição de fragilidade e disponibilizar-se a fazer penitência na presença do Senhor.

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

Cântico:  Perdão, Senhor, Perdão – M. Faria, NRMS, 13

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V.  Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V.  Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Ao darmos início ao tempo santo da Quaresma,

oremos para que todos os homens se convertam

e tomem parte na renovação pascal.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

1. Por todos os fiéis da santa Igreja, em especial pelos desta comunidade,

para que, nesta Quaresma, se reconciliem uns com os outros e com Deus,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

2. Por todos os homens que dedicaram a vida a governar as suas nações,

    para que sirvam lealmente o bem comum e façam esforços pela paz,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

3. Pelos discípulos de Jesus Cristo que vivem n as comunidades da terra,

    para que se convertam e sigam o Evangelho e vivam esta Quaresma,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

4. Pelos que sofrem por doença, por incompreensão, pobreza o solidão,

    para que tenham quem os socorra e alivie e se robusteçam na sua fé,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

5. Por nós reunidos em comunhão com a Igreja a celebrar a Eucaristia

    para que recebamos a graça de seguir a Cristo, na renovação pascal,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

6. Pelos familiares, e conhecidos que faleceram de há um ano para cá,

    para que o Senhor misericordioso lhes conceda o eterno descanso,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Salvador,

rico em misericórdia para com todos,

que nos chamais a converter o coração,

dai-nos a alegria de sermos salvos,

e guiai-nos, pela força do Espírito,

para a festa da Páscoa jubilosa.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Temos um desejo imenso de viver esta Quaresma como a melhor de sempre, em resposta ao convite que o Senhor nos dirigiu na Liturgia da Palavra.

O nosso Deus sabe que, sem o Alimento da Eucaristia, não podemos realizar este propósito salutar. Por isso, vai agora prepará-lo para nós.

 

Cântico do ofertório: Confesso o meu pecado – J. Santos, NRMS, 61

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

Um passo muito importante nesta Quaresma é a reconciliação com todos aqueles de quem nos encontramos afastados, por algum melindre ou ofensa.

Façamos o propósito de viver esta Quaresma numa reconciliação sincera com todas as pessoas.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

De cada um de nós diz Jesus como da multidão que O seguia. Se nos deixar partir sem o Alimento da Eucaristia, desfaleceremos pelo caminho.

Para não desfalecermos nesta caminhada quaresma, recebamos com amor e devoção o Alimento da Santíssima Eucaristia.

 

Cântico da Comunhão: Dai-me, Senhor, um coração puro, C. Silva, OC, pg 76

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Cântico de acção de graças: Tudo o que pedirdes – C. Silva, OC, pg 256

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Concretizemos um pequeno propósito a cumprir todos os dias nesta Quaresma.

Hoje é dia de jejum e abstinência.

 

Cântico final: Confiarei no meu Deus – J. F. Silva, NRMS, 106

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DA QUARESMA

 

CINZAS

 

5ª Feira, 18-II: O caminho da vida e o caminho da morte.

Deut 30, 15-20 / Lc 9, 22-25

E dizia a todos. Se alguém quiser vir após mim, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz todos os dias e siga-me.

Diante de nós temos dois caminhos: um que conduz à vida e outro que leva à morte (LT), Jesus deu-nos o exemplo, pegando na sua cruz, com muito amor, a caminho do Calvário. Pede-nos que nos decidamos o seguir o mesmo caminho (EV). Feliz o homem que põe a sua esperança no Senhor (SR).

Para isso, teremos que renunciar ao nosso eu, provocarmos uma rotura como o pecado, termos o desejo de mudar de vida, de perder o medo à pequena cruz de cada dia: as contrariedades, os sofrimentos físicos ou morais, etc., com um sorriso nos lábios e alegria.

 

6ª Feira, 19-II: O jejum agradável a Deus.

Is 58, 1-9 / Mt 9, 14-15

Será então jejum que me agrada mortificar-se um homem, durante um dia? O jejum que me agrada não será antes este...

O jejum que agrada ao Senhor (EV) é uma forma particular da oração dos sentidos: sobriedade nas comidas, bebidas, uso da TV e Redes sociais, o vencimento do comodismo e da preguiça, etc. Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido (SR).

Para que o jejum seja autêntico, deve ser sempre acompanhado pela caridade (LT). Um dos modos pode ser a vivência das obras de misericórdia, pelas quais procuramos ir ao encontro das necessidades materiais e espirituais do próximo. Deste modo haverá também mais luz na nossa vida e o Senhor curará as nossas feridas (LT).

 

Sábado, 20-II: Cristo, restaurador das «brechas».

Is 58, 9-14  / Lc 5, 27-32

Hão-de chamar-te 'reparador de brechas', 'restaurador' dos caminhos para as áreas habitadas'.

Jesus disse que não vinha chamar os justos, mas os pecadores, para que se arrependam (EV). Vem restaurar as 'brechas': os nossos pecados e misérias. Deixemos que o Médico divino trate das nossas feridas na Confissão sacramental.  O Senhor é misericordioso (SR).

Façamos um exame para ver estas brechas (LT), como o cuidado pelo Domingo, recuperando o significado profundo da sua Paixão, Morte e Ressurreição; vivendo a pontualidade na Santa Missa; procurando viver melhor a caridade, dedicando uma maior atenção à família e aos doentes.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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