aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

Terra Santa:

Custódia da Terra de Jesus,

800 anos a trabalhar pela tolerância e a paz

 

A Custódia da Terra Santa trabalha há 800 anos no Médio Oriente, em favor da tolerância e da paz, concretizando um sonho de São Francisco de Assis, com destaque para 15 escolas católicas, abertas a alunos de outras religiões e confissões.

“Há uma bela convivência e um belo diálogo ecuménico nas nossas escolas. Vivemos essa convivência praticamente todos os dias”, afirma frei Ibrahim Faltas, diretor das Escolas Terra Santa.

Em cinco países desta região do Médio Oriente, a Custódia gere 15 escolas frequentadas por 11 mil alunos e 1100 professores, e sendo católicas têm as portas abertas a muçulmanos, judeus e cristãos de diversas identidades.

“São instrumentos fundamentais para garantir à população local a possibilidade de acesso à ciência e à formação cristã que de outra forma seria impossível neste contexto… Ao mesmo tempo são a prova de que a convivência entre religiões e culturas não só é possível como é a única via para gerar desenvolvimento e bem-estar”, salientou o diretor das Escolas Terra Santa.

Uma das finalidades desta aposta na educação é permitir que os cristãos locais estudem na sua própria terra, e assim evitar que saiam do país para o exterior, contribuindo para a redução da já pequena comunidade cristã.

Todos os anos são concedidas 500 bolsas, mantidas por dois programas diferentes que cobrem a totalidade ou parte das despesas escolares.

A Custódia da Terra Santa é também uma vasta rede de apoio social em vários países como o Líbano, Síria, Israel, Palestina e Jordânia.

O apoio na obtenção de habitação, a reconstrução de casa destruídas pela guerra na Síria ou o auxílio às vítimas da explosão de agosta ocorrida em Beirute são, atualmente, prioridades dos franciscanos da Custódia da Terra Santa.

Ao ódio entre cristãos e muçulmanos, o santo de Assis contrapunha diálogo e paz, num gesto pacífico entre dois mundos culturais que seria também a norma de vida dos frades da Custódia.

Em 1219 abria-se no Médio Oriente uma porta para a paz que os franciscanos têm mantido aberta à conta de esforço sacrifício e da solidariedade dos cristãos de todo o mundo.

O mandato era claro: guardar – em nome da Igreja Católica – os Lugares Santos, testemunhas da vida, morte e Ressurreição de Jesus.

Os lugares onde Jesus viveu não são simples pedras evocativas, mas, acima de tudo, são um lugar onde se vive o Evangelho sendo minoria e querendo ser parte ativa numa sociedade onde a situação política, o diálogo com outras religiões e culturas, foi sempre um desafio à coragem e à convicção.

 

Nações Unidas:

Papa apela a desarmamento nuclear

e alerta para «erosão do multilateralismo»

 

O Papa apelou, no Vaticano, ao desarmamento nuclear e alertou para “erosão do multilateralismo”, numa intervenção em vídeo para a 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a decorrer em Nova Iorque.

“Temos de perguntar-nos se as principais ameaças à paz e à segurança, como a pobreza, epidemias e terrorismo, entre outras, podem ser efetivamente enfrentadas quando a corrida armamentista, incluindo às armas nucleares, continua a desperdiçar recursos preciosos”, referiu Francisco, numa intervenção em espanhol.

 “Estamos a testemunhar uma erosão do multilateralismo que é ainda mais grave à luz das novas formas de tecnologia militar”, advertiu Francisco, com referência específica aos sistemas de armas autónomas letais, “alterando irreversivelmente a natureza da guerra, separando-a ainda mais da ação humana”.

O uso de armas explosivas, especialmente em áreas povoadas, tem um impacto humano dramático, a longo prazo. Nesse sentido, as armas convencionais estão a tornar-se cada vez menos ‘convencionais’ e cada vez mais ‘armas de destruição em massa’, arrasando cidades, escolas, hospitais, locais religiosos, infraestrutura e serviços básicos para a população”.

Nos 75 anos da Organização das Nações Unidas, o Papa destacou a importância de trabalhar pela paz, “o que exige que os membros do Conselho de Segurança, especialmente os permanentes, atuem com maior unidade e determinação”.

A intervenção deixou várias denúncias a violações de “direitos fundamentais”, recordando as perseguições religiosas, “incluindo genocídio”.

“Devemos também admitir que as crises humanas se tornaram o status quo, onde os direitos à vida, à liberdade e à segurança pessoal não são garantidos”, disse.

 “A pandemia mostrou-nos que não podemos viver sem os outros, ou pior, uns contra os outros. As Nações Unidas foram criadas para unir as nações, para aproximá-las, como uma ponte entre os povos: vamos usá-la para transformar o desafio que enfrentamos numa oportunidade de construirmos juntos, mais uma vez, o futuro que desejamos”, concluiu.

Esta foi a segunda vez que o Papa se dirigiu à Assembleia Geral da ONU, depois de ter estado em Nova Iorque, a 25 de setembro de 2015.

Antes de Francisco, estiveram na sede das Nações Unidas Paulo VI (1964), João Paulo II (1979 e 1995) e Bento XVI (2008).

 

Etiópia:

Missão entre um «povo escravizado»

 

O padre Joaquim Silva, Missionário Comboniano, esteve durante dez anos em missão na Etiópia, junto de um povo “muito escravizado” e “desrespeitado nas muitas dignidades”. 

“Foi uma missão entre o povo gumuz, tribo que vive a 530 km da capital, um povo diferente da maior parte dos povos da Etiópia, que foi escravizado pelas tribos predominantes; sempre viveu um pouco à margem”, explica. 

O missionário recorda que o povo era “marginalizado e explorado até aos anos 30 e 40”, uma realidade ainda “muito presente na cultura e na vivência”.

“Sentem-se como um povo pequeno, que serve para o trabalho e, por isso, não é respeitado nas suas muitas dignidades”, refere. 

Os gumuz são considerados como um “povo daquelas fronteiras humanas que o Papa Francisco tanto fala” pelo religioso, que partiu em 2008 para a missão que “sempre tinha sonhado”.

Como missionário comboniano pensei: esta é a missão com a qual sempre sonhei, os marginalizados e esquecidos, a missão de Daniel Comboni, é o ADN do missionário comboniano, era um lugar comboniano”.

O sacerdote sentiu-se acolhido por “um povo muito simples mas de sorriso no rosto” e com eles tentou procurar caminhos, nomeadamente com os catequistas, para perceberem “sinais da presença de Deus na cultura”.

“Estava lá no ano da Misericórdia em que trabalhámos muitos esses aspetos, como povo era comum reagirem violentamente, a vingança, a morte, o vingar a morte de alguém era comum, e o desafio foi descobrir juntos que não vai de acordo ao que Jesus nos pede; assim querer e ser cristão, pede mudança na vida, adequar os costumes ao que Jesus ensina, não é caminho fácil de fazer mas foi muito bonito”, assume. 

O padre Joaquim Silva foi ainda acompanhando casais que se tinham convertido ao cristianismo, “fazendo a relação da cultura com a fé” e terminou a celebrar o matrimónio cristão e batismo dos filhos, “fruto de caminho que se ia assimilando e onde o Evangelho entrou e transforma”.  

Em 2019 chegava o momento de partir e deixar a Etiópia não foi fácil para o religioso que teve mesmo de fazer “quase um luto”. 

 

Estados Unidos da América do Norte:

Perante o aumento de católicos, abrem novo seminário.

 

A Diocese de Charlotte abriu um novo seminário para preparar os sacerdotes da área, por causa do rápido aumento do número de católicos na região.

A inauguração do Seminário de São José, realizada em 15 de setembro, iniciou-se com os seminaristas a cantar o “Salve Pater”, um hino latino que fala do cuidado amoroso da Sagrada Família. O Bispo de Charlotte, Mons. Peter Joseph Jugis, benzeu o novo edifício e manifestou a sua gratidão para com os 92 sacerdotes que atualmente servem na diocese.

“Embora tenhamos sido abençoados com muitos sacerdotes bons e santos, necessitamos de mais para satisfazer as necessidades do nosso rebanho em rápido crescimento”, disse Mons. Jugis num comunicado, segundo CNA, agência em inglês do Grupo ACI.

“Por isso, é essencial que façamos todo o possível para ajudar a formar os jovens a fim de que estejam preparados para servir nas nossas paróquias quando chegar o momento”, precisou.

 

Desde que foi nomeado bispo de Charlotte em 2003, o Prelado deu prioridade aos esforços para aumentar o número de sacerdotes na diocese. Presentemente, a diocese conta com 400 mil católicos, um número 10 vezes maior que quando se estabeleceu em 1972.

Com a inauguração, o seminário culminou la primeira fase do projeto de construção, que iniciou em 2018. “Faz dois anos, iniciámos o novo projeto do seminário durante um descanso providencial de tempestades violentas”, sublinhou, o seminário numa publicação do Facebook.

No ano passado, indicou o seminário, “instalámos uma cruz feita à mão ao lado do seminário, enquanto se construía. Hoje damos graças a Deus por cortar oficialmente a fita e benzer o nosso novo seminário com o bispo Jugis. Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!”.

Os seminaristas viviam num antigo convento e noutras vivendas próximas da da paróquia. Segundo Charlotte Observer, desde 2016, o número de inscritos triplicou-se.

“Esta é una estrutura duradoira que é tradicional e moderna, com beleza e funcionalidade, que esperamos inspire as futuras gerações de católicos no oeste da Carolina do Norte, a continuar a nossa missão de anunciar el Evangelho”, disse o P. Matthew Kauth, reitor do seminário de São José.

Compreende 40 salas para seminaristas, uma sala de conferências, uma sala de jantar e uma cozinha, aulas, secretarias administrativas, quartos para convidados, uma capela temporal e um corredor pelo claustro meditativo.

Os 27 seminaristas do Seminário de São José também assistiram às aulas no Belmont Abbey College.

 

Guiné-Bissau: 

Defender a vida

 

A irmã Bernardeta Sika, da Congregação de São José Cluny, esteve em missão 16 anos na Guiné-Bissau, e contou à Agência Ecclesia como deixou a “vaidade para se consagrar” e fazer da defesa da vida a regra do seu quotidiano.

“Formei líderes e senhoras para poder lançar a obras nas aldeias porque lá, tradicionalmente, a senhora é obrigada a não avançar com a gravidez de gémeos ou teria de falecer uma para ficar só uma criança, por causa do controle da natalidade, eu seguia essa gravidez até ao parto e depois um deles ficava com ele até aos seis anos e depois poderia ser adotado”, revelou. 

A consagrada fala de muitas crianças que ajudou a nascer, “sendo uma grande alegria”, sejam gémeos ou crianças com deficiência, “mulheres grávidas que sofriam desprezo” naquele país, incluindo a zona norte onde esteve.

“Tomei como prioridade cuidar da grávida, crianças desnutridas e orfãs e gémeos”, afirma. 

A irmã Bernardeta Sika, enfermeira de formação, passou por várias maternidades em Angola, seu país natal, até que foi enviada para a Guiné Bissau para fundar uma comunidade da congregação.

“Foi uma responsabilidade muito grande e a adaptação foi difícil, pela cultura em si e pelo calor, que é mais do que em Angola; foi uma vida de peripécias e difícil, ainda ajudei a construir mais um centro de saúde para educar e formar parteiras tradicionais, para que as mulheres não estejam a morrer na hora do parto, assim elas chegam e fazem o que podem levando depois para o hospital”, explica. 

 “Fui ter com a madre e disse que queria ser religiosa mas ela disse-me que eu era muito vaidosa… Mas passado um tempo perguntava a minha decisão novamente e eu pedi que me mandassem para um sítio para ajudar os meus irmãos e onde não me pudessem agradecer”, recorda. 

Depois da missão da Guiné a religiosa teve uma breve passagem por Angola, onde pensou ficar, mas em 2011 foi convidada para vir para Portugal “para cuidar das irmãs mais idosas e doentes.

 

Iraque:

Bispo de Mosul que salvou manuscritos preciosos,

finalista do Prêmio Sakharov

 

Um bispo iraquiano que protegeu cristãos em Mosul e ainda salvou mais de 800 manuscritos inestimáveis quando o Estado Islâmico invadiu a cidade é finalista do Prêmio Sakharov de 2020.

O Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento (em homenagem ao físico e dissidente político soviético Andrei Sakharov), é atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu. Nasceu em 1988 para homenagear indivíduos e organizações que defendem os direitos humanos e as liberdades fundamentais.

De fato, quando o ISIS chegou a Mosul no verão de 2014, o então padre dominicano Najeeb Michaeel (também conhecido como Najib Mikhael Moussa) garantiu a evacuação de cristãos siríacos e caldeus para o Curdistão iraquiano.

Além disso, ele protegeu mais de 800 manuscritos que datam do século 13 ao 19. Esses manuscritos foram posteriormente digitalizados e exibidos na França e na Itália. Depois, em dezembro de 2018, padre Michaeel, 65, foi eleito arcebispo caldeu de Mosul.

Dom Michaeel nasceu em Mosul e estudou para trabalhar na indústria do petróleo. Mas ele entrou para a Ordem dos Pregadores e seguiu para a França para fazer o noviciado. Posteriormente, foi ordenado sacerdote (16 de maio de 1987). Depois retornou a Mosul, onde fundou e dirigiu o Centro Digital para Manuscritos Orientais de Mosul (CNMO).

Também foi professor de teologia pastoral e comunicação no Babel College (Seminário Caldeu), primeiro em Bagdad e depois em Erbil. Enfim, ele passou vários meses nos Estados Unidos para continuar sua formação, depois voltou para Ankawa, o bairro cristão de Erbil.

Quando foi ordenado bispo há dois anos, disse à agência de notícias francesa AFP: “Nossa mensagem para o mundo inteiro, e para o povo de Mosul, é de coexistência, amor e paz entre todas as diferentes comunidades de Mosul; e o fim da ideologia que o Daesh (Estado Islâmico) trouxe aqui.”

O bispo iraquiano conseguiu a preservação de quase 850 manuscritos antigos em aramaico, árabe e outras línguas. De facto, ele também salvou cartas de 300 anos e cerca de 50.000 livros durante os anos em que serviu na Igreja de Al-Saa (Nossa Senhora dos Hora) em Mosul.

Em 2007, transferiu os arquivos para Qaraqosh, que já foi a maior cidade cristã do Iraque, para protegê-los durante uma insurgência islâmica que viu milhares de cristãos fugirem de Mosul.

Depois, quando o Estado Islâmico – que era famoso por desfigurar igrejas e destruir quaisquer artefactos considerados contrários à sua interpretação do Islã – varreu o Iraque, em 2014, Michaeel novamente entrou em ação.

Enquanto os jihadistas avançavam em direção a Qaraqosh, o frade dominicano encheu seu carro com manuscritos raros, livros do século 16 e registros insubstituíveis, e fugiu para o leste para a relativa segurança da região curda autónoma do Iraque.

Com dois outros frades de sua ordem dominicana, Michaeel também mudou o Centro de Digitalização de Manuscritos Orientais (OMDC), que digitaliza manuscritos danificados recuperados de igrejas e vilarejos no norte do Iraque.

Da capital curda, Arbil, ele e uma equipa de especialistas cristãos e muçulmanos copiaram digitalmente milhares de manuscritos caldeus, sírios, armênios e nestorianos.

Depois que as forças iraquianas recapturaram Mosul no verão de 2017, o bispo iraquiano Michaeel voltou à cidade. Na verdade, ele encontrou a sua igreja em ruínas, “com salas transformadas em oficinas de bombas e cintos explosivos e forcas no altar da igreja”.

 

Zâmbia: 

«Aprendi a ser missionário»

                        

O padre António Kusseta, Missionário da Boa Nova, esteve cinco anos em missão na República da Zâmbia e afirmou que lá aprendeu a ser missionário e ultrapassou o choque cultural de “comer com as mãos”. 

“Trouxe de lá muitas marcas, primeiro aprendi a ser missionário, foi a minha primeira missão, um mês depois de ordenação, lembro e conservo até hoje…”, lembra. 

O sacerdote, natural de Angola, foi em 2001 para a Zâmbia, numa atitude de viver o “desafio” e onde recebeu “um choque”.

“Eu fui de Angola, onde temos hábitos diferentes, nas coisas simples e práticas que me chocou no primeiro dia, que fiquei assustado, foi a cultura de comer com as mãos, eu pensava que comiam com talheres, lá é hábito comer com as mãos, a simplicidade que era e me marcou muito”, afirma. 

Recém ordenado o padre António Kusseta viveu, durante os cinco anos, momentos de visitas pastorais e experiências em pequenas aldeias, onde tinha “três paróquias numa vila” e mais 31 aldeias. 

“As aldeias distavam umas das outras, 5 ou 6 km, por estradas péssimas mas tínhamos pastoral de assistência espiritual e social; nas aldeias era mais ouvir e dar orientação até em termos de vida social e sobretudo vida cristã”, refere. 

Nas visitas pastorais que o missionário fazia, “quase todos os dias”, era necessário a catequização e a formação, mesmo “noções básicas de saneamento”, depois “ler e escrever a língua local”, sentindo sempre o povo cooperante.

 “Para nós é um desafio, a nossa presença é reconfortante porque eles admiram como é que um jovem, como eu na altura, deixava tudo e ia para a missão, sobretudo porque tínhamos de nos inculturar; seja a aprender cultura e aprender a língua…”, destaca. 

Depois daquele tempo o padre António regressou a Angola, à província que o viu nascer, a sul de Luanda, para a paróquia da Rainha Santa Isabel.

 

Cabo Verde:

«Não consigo estar a rezar no meu convento

e sentir que estão pessoas a bater à porta, com necessidades» –

 

A irmã Domingas Trindade, Missionária Reparadora do Sagrado Coração de Jesus, disse à Agência Ecclesia que Cabo Verde vive problemas sociais como a “toxicodependência e alcoolismo que levam à delinquência juvenil” e em tempo de pandemia a “pobreza aguda” das famílias, agora agravada pelo contexto da pandemia”.

A Missionária, em missão na cidade da Praia, na ilha de Santiago, Cabo Verde, conta que os pedidos de ajuda aumentaram muito em tempo de pandemia e que “procuram atender às pessoas articulando com o apoio do Estado”. 

“No nosso convento conseguimos apoio e distribuir cestas básicas às famílias, porque a gente sabe que as pessoas estão com fome, abalados, e em situação de angústia e incerteza; eu não consigo estar em casa, a rezar no meu convento e sentir que estão pessoas a bater à porta, com necessidades de apoios”, refere. 

A religiosa e assistente social vive esta realidade com muita preocupação e, com as colaboradoras do centro educativo da congregação, organizaram “visitas domiciliárias para perceber a verdadeira realidade dos pais das crianças”.

A irmã Domingas Trindade explicou ainda que o carisma da congregação é a “reparação” e a catequese é a grande aposta, uma vez que os desafios pastorais na ilha são muitos. 

“A cidade da Praia tem sido devastada pelas seitas, uma grande preocupação, por isso temos novas paróquias para concretizar uma pastoral de proximidade e não deixar os cristãos perderem a identidade; outro desafio são as famílias que, através do movimento Equipas de Nossa Senhora, trabalhamos na formação dos casais para empoderamento e aquisição de identidade cristã forte”, descreve.

Natural de Cabo Verde, e ali em missão, considera que é “um miminho que Deus” lhe deu e sabe, que em breve, partirá para outra ilha. 

 

Iraque:

Retorna ao altar um cálice

que o Estado Islâmico profanava para tiro ao alvo

"É como celebrar a Missa com o Corpo de Cristo atravessado por uma bala"

Foi resgatado pela igreja siro-católica de Qaraqosh, na planície iraquiana de Nínive, um cálice consagrado que os terroristas do Estado Islâmico tinham profanado para usar, pasmem, como alvo em treinamentos de tiro (!)

Novamente consagrado após sofrer essa indignante profanação, o cálice foi levado pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja Que Sofre (ACN) para a Espanha, onde voltou a ser usado em celebrações eucarísticas especialmente oferecidas pelos cristãos perseguidos.

A fundação pontifícia pretende levar o cálice a igrejas do mundo todo para ser usado em Missas celebradas por essa mesma intenção, a fim de “tornar visível a todos a perseguição religiosa que muitos cristãos continuam sofrendo atualmente e que existe desde os primeiros tempos da Igreja”.

O cálice, que traz marcas de entrada e saída de balas, é descrito por Ana María Aldea, porta-voz da ACN, como “um tesouro litúrgico”. Ela acrescenta uma comparação impactante:

“É como celebrar a Missa com o Corpo de Cristo atravessado por uma bala”.

 

Itália:

Carlo Acutis, «Génio» da informática foi beatificado em

 Carlo Acutis, que faleceu com 15 anos vítima de uma leucemia fulminante e o Papa Francisco apresenta como modelo de “santidade da porta ao lado”, foi beatificado, numa celebração em Assis.

“Não caiu na armadilha. Via que muitos jovens, embora parecendo diferentes, na verdade acabam por ser iguais aos outros, correndo atrás do que os poderosos lhes impõem através dos mecanismos de consumo e aturdimento”, escreveu Francisco, na exortação apostólica pós-sinodal ‘Christus Vivit’ (Cristo Vive).

O Papa refere aos jovens e a todo o povo de Deus que Carlo Acutis usou os meios digitais, “as novas técnicas de comunicação”, para “transmitir o Evangelho, para comunicar valores e beleza”, no documento que surgiu depois do Sínodo dos Bispos ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’, realizado em outubro de 2018.

Carlo Acutis nasceu em maio de 1991, em Londres onde os pais estavam a trabalhar, e faleceu em setembro 2006, em Monza (Itália), com 15 anos, vítima de uma leucemia fulminante, tendo sido apresentado desde logo como modelo de santidade e um “génio” da informática”.

O Papa Francisco aprovou o milagre atribuído à intercessão de Carlo Acutis, que abriu o caminho à sua beatificação, a 21 de fevereiro, e a cerimónia vai realizar-se este sábado, 10 de outubro, na Basílica de São Francisco em Assis (Itália), a partir das 16h30 locais (menos uma hora em Lisboa), e a celebração pode ser acompanhada em direto no sítio online do Vatican News.

Desde o dia 1 de outubro, após uma Missa presidida pelo bispo de Assis, D. Domenico Sorrentino, no Santuário do Despojamento, o túmulo de Carlo Acutis foi aberto, no contexto da beatificação, para um período de veneração que terminou em 17, de outubro.

Segundo o padre Ricardo Figueiredo, autor do livro publicado pela Paulus Editora, Carlo Acutis cresceu com um percurso “normal de vida”, é um “jovem normalíssimo na escola”, onde também “cuida da vida cristã” e em frente aos colegas “mostra o desejo de ter formação cristã”, por exemplo, num debate na sua turma, foi “o único contra o aborto”, revelou-se também “um grande informático” e, por isso, espera que o jovem venha a ser declarado como santo padroeiro dos informáticos, mostrando “como a informática é meio de santificação pessoal e também dos outros”.

 

Chile:

Bispos condenam ataques contra igrejas na capital do país

 

A Conferência Episcopal do Chile (CEC) manifestou em comunicado o seu repúdio contra os ataques a igrejas na capital do país, num domingo de outubro, que destruíram um templo histórico de Santiago, na sequência de um incêndio.

“Esses grupos violentos contrastam com muitos outros que se manifestaram pacificamente. A grande maioria do Chile anseia por justiça e medidas eficazes que ajudem a superar as lacunas de desigualdade; as pessoas não querem corrupção ou abusos, mas esperam um tratamento digno, respeitoso e justo”, refere uma nota divulgada pela CEC.

A igreja da Assunção e outro templo na capital chilena – a igreja de São Francisco de Borja, utilizada regularmente pela polícia nas suas cerimónias institucionais – foram atacados por manifestantes que procuravam assinalar um ano de protestos contra o governo.

“Nas democracias, expressamo-nos com o voto livre em consciência, não sob a pressão do terror e da força”, indicam os bispos católicos.

“Deixa cair, deixa cair”, foi o grito de alguns encapuzados que festejavam a queda da cúpula da Igreja da Assunção, já consumida pelas chamas, numa altura em que os bombeiros tentavam proteger as pessoas do colapso do edifício.

A Conferência Episcopal considera que as ações violentas “causam dor a indivíduos e famílias, prejudicando comunidades que não podem viver descansadas nas suas casas ou no trabalho, amedrontadas por aqueles que não procuram construir nada, mas antes destruir tudo”.

O arcebispo de Santiago, D. Celestino Aós, e os bispos auxiliares da diocese chilena visitaram a Paróquia da Assunção, criticando a violência e atos de vandalismo contra a igreja, datada de 1876.

“Este atentado não só ataca os bens materiais, mas atinge a alma dos chilenos e católicos”, referiu, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, especializada no tema da liberdade religiosa, recorda que em 2019 “algumas igrejas foram atacadas, nomeadamente a da Assunção”, então vandalizada, “com imagens retiradas do templo e destruídas, e com as paredes escritas com palavras de ordem contra a Igreja Católica”.

 

Bielorrússia:

«Número 2» da diplomacia do Vaticano visita este país

 

O secretário do Vaticano para as relações com os Estados, D. Paul Richard Gallagher, fez uma visita à Bielorrússia, onde se encontrou com autoridades civis e responsáveis católicos.

Segundo comunicado da sala de imprensa da Santa Sé, o ‘número 2’ da diplomacia do Vaticano quis “manifestar a atenção e a proximidade” do Papa à Igreja Católica e a todo o país.

A visita aconteceu um mês depois do início das manifestações na Bielorrússia contra a reeleição do presidente Alexandre Lukashenko para um sexto mandato, num escrutínio considerado fraudulento pela oposição.

A polícia bielorrussa deteve dezenas de milhares de pessoas, algumas das quais se queixaram depois de tortura, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

A 16 de agosto, o Papa apelou no Vaticano ao fim da violência da Bielorrússia, pedindo “respeito pela justiça e o Direito”.

 

Chade:

Perigo de islamização e perda da liberdade

 

Os cristãos são olhados cada vez mais como cidadãos de segunda no Chade. Isso vê-se nos negócios, no trabalho, na administração pública, nos casamentos e até forma desenfreada como se têm vindo a construir mesquitas por todo o lado. Até na estatística, o governo quer fazer crer que o país é muçulmano. Caminha-se para uma situação perigosa. O Padre Léandre Mbaydeyo lança palavras de alerta…

São inúmeros os sinais de tentativa de islamização do Chade, apesar de a comunidade cristã ultrapassar os 35 por cento. Isso vê-se nas mesquitas que foram sendo construídas em todo o lado mas sobretudo na forma subalterna como os cristãos são tratados pelo poder e são vistos pela sociedade.

O Padre Léandre Mbaydeyo sabe bem do que fala quando refere estas ameaças. Os seus pais tiveram de fugir por causa da guerra. Um espectro que o acompanhou desde sempre. A viver actualmente em Paris, na Paróquia de Saint Ambrose, graças a uma bolsa de formação patrocinada pela Fundação AIS, o coração deste sacerdote nunca deixou, porém, a sua terra, o seu país.

A ameaça que pesa sobre os cristãos pode perverter o futuro da própria comunidade. “Os jovens muçulmanos foram encorajados a casar com mulheres cristãs para convertê-las e terem filhos muçulmanos…”

O padre Léandre sublinha que as tentativas de islamização do Chade foram particularmente visíveis antes da morte de Muammar al-Gaddafi, em 2011, quando a Líbia patrocinava a construção de mesquitas. “Construíram-se mesquitas em quase todos os lugares, até mesmo nas cidades cristãs do sul”.

As fronteiras do Chade mostram uma realidade regional onde o jihadismo militante é já uma ameaça às populações cristãs e aos muçulmanos moderados. Além da Líbia, que já financiou as mesquitas, o Chade tem como vizinhos o Egipto, o Sudão, a República Centro-Africana, o Níger, a Nigéria e os Camarões.

Ninguém pode garantir que essas fronteiras porosas não sejam galgadas pelos homens de negro que fizeram da comunidade cristã um dos alvos a abater. “Todos estes países estão a atravessar tempos turbulentos…”, lembra o sacerdote.

Mas se essa ameaça ainda parece algo difusa, o que se passa já no dia-a-dia revela-se algo de bem real. E intimida. “No mundo do trabalho, em particular, é mais fácil promover contratos comerciais quando se é muçulmano”, diz Léandre. “Por outro lado, é muito difícil para um muçulmano converter-se ao cristianismo, e aqueles que dão esse passo muitas vezes acabam por ser rejeitados pelas suas famílias.”

A própria administração pública do Chade tende “a minimizar a importância” dos cristãos. “Na estatística oficial, o número de cristãos chadianos apresentados pelo governo baseia-se no censo de 1983. Eles querem que as pessoas acreditem que o Chade é um país muçulmano!”. Este sacerdote costuma dizer que nasceu na guerra. Os seus pais foram forçados a fugir da violência, dos combates fratricidas.

A Igreja Católica é ainda jovem neste país e revela, apesar de tudo, que é muito dinâmica, com muitos baptismos, por exemplo. É preciso cerrar fileiras.

(Sobre um texto de Paulo Aido).

 

China:

Secretários de Estado do Vaticano e EUA

debateram acordo entre Pequim e a Santa Sé

 

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Piro Parolin, recebeu a 1 de outubro em audiência Michael Pompeo, secretário de Estado dos EUA, analisando as posições das duas partes sobre o acordo que a Santa Sé está a negociar com Pequim.

Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do Vaticano assinalou que os dois responsáveis “apresentaram as respetivas posições quanto às relações com a República Popular da China”, num ambiente de “respeito” e “cordialidade”.

 “Como é sabido, nas últimas semanas algumas declarações do secretário de Estado Pompeo, contrárias ao Acordo Provisório assinado há dois anos entre a Santa Sé e a República Popular da China, suscitaram discussões nos meios de comunicação. A Santa Sé, como repetidamente afirmou o cardeal Parolin, pretende propor a renovação do acordo ainda de forma provisória, sublinhando o seu carácter genuinamente pastoral”, indica o portal ‘Vatican News’.

O cardeal Parolin destacou que defender e promover a liberdade religiosa é uma “marca distintiva da diplomacia da Santa Sé”.

Michael Pompeo tem criticado o acordo da Santa Sé com Pequim, pedindo uma posição mais crítica em relação às violações da liberdade religiosa no país asiático.

“Em nenhum outro lugar como na China a liberdade de culto é tão atacada”, disse o chefe da diplomacia norte-americana.

A Santa Sé vai propor à China a renovação de acordo sobre a nomeação de bispos, em vigor até 22 outubro.

Andrea Tornielli, diretor editorial da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, destaca, em nota explicativa, que o Acordo Provisório assinado a 22 de setembro de 2018 entre a Santa Sé e a República Popular da China, relativo à nomeação de bispos, previa uma duração experimental de dois anos, “antes de qualquer confirmação definitiva ou outra decisão”

 

Amazónia brasileira:

«A luta pela vida dos indígenas»

 

A irmã Felicidade Maria de Lurdes, Missionária da Consolata, partilhou com a Agência Ecclesia a realidade da sua “missão do coração”, na Amazónia brasileira, onde esteve quatro anos, “na luta pela vida dos indígenas”.

“A minha primeira missão, missão do coração, que foi na Amazónia brasileira, experiência diferente e particular, fui trabalhar com os povos indígenas do primeiro e difícil contacto, os Ianomâmis; estive lá quatro anos a trabalhar na defesa pela vida dos próprios indígenas, porque a zona é sempre invadida com vários interesses, como a exploração de recursos naturais, e vem contaminar a saúde deles”, conta. 

A religiosa, depois de ter estado a estudar em Itália, “não esperava esse destino de missão” que acolheu com susto pela “incógnita do que era a Amazónia”.

Quando cheguei foi um choque, pessoas diferentes que não vestiam, mas depois percebi que eram pessoas acessíveis, simples e afáveis e com muitos valores humanos e fui bem acolhida e me inseri bem”. 

A missionária da Consolata visitava as várias comunidades “dentro da floresta”, muito distantes umas das outras, por isso caminhavam entre 4 a 12 horas, ou chegavam através de via fluvial, para prestar atenção a duas grandes áreas: saúde e educação.

“Além de visitar as comunidades fazíamos atendimento sanitário e a parte da educação, com a alfabetização, na língua portuguesa, e a matemática; nisso também formávamos alfabetizadores e depois conseguimos o reconhecimento da escola indígena perante o governo”, refere. 

Outra área de missão é o diálogo inter-religioso, “as várias culturas que ali entram em contacto” e que provocam questões como: “quem são vocês ou porque estão aqui?”.

Quatro anos depois a religiosa foi convidada a uma nova missão no seu país natal, em Moçambique, e a partida foi difícil. 

“Se foi difícil inserir-me lá, foi muito difícil sair de lá, acho que me tinha enamorado do povo e daquela vida, tinha-me adaptado, aquilo já era meu… Era como se eu tivesse ido para sempre, fui lá para a vida e só quatro anos depois recebi noticia que tinha de partir”, afirma.

Desde 2010 em Moçambique a religiosa ocupa os seus dias na formação às jovens candidatas ao instituto, “numa nova missão”, onde aproveita para falar da experiência da Amazónia e sublinhar que missão hoje “é saber ser e estar com o diferente, e transmitir esta mensagem de consolação”.

 

Iraque:

Arcebispo de Mossul candidato ao «Prémio Sahkarov»

para a liberdade de pensamento

 

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre saudou a nomeação do arcebispo de Mossul, D. Najeeb Moussa Michaeel, para o Prémio Sahkarov 2020 pela defesa dos cristãos e pela salvaguarda de manuscritos históricos, durante a invasão jihadista do Iraque.

“Quando o Estado Islâmico chegou a Mossul, em agosto de 2014, garantiu a evacuação de cristãos, sírios e caldeus para o Curdistão iraquiano e salvaguardou mais de 800 manuscritos históricos que datam do século XIII ao século XIX. Mais tarde, estes manuscritos foram digitalizados e expostos em França e na Itália”, lê-se na nota dos nomeados ao Prémio Sakharov 2020, divulgada pelo Parlamento.

O secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) realça que D. Najeeb Moussa Michaeel teve “um papel determinante” na salvaguarda de 1300 “preciosos” manuscritos do século XIII ao século XIX, que são “um testemunho eloquente da cultura cristã no Iraque”, quando o líder do Daesh (autoproclamado Estado islâmico) proclamou o ‘Califado’ jihadista, a 29 de junho de 2014.

O Prémio Sakharov, para a Liberdade de Pensamento, foi criado pelo Parlamento Europeu, em 1988, e destaca personalidades ou organizações que se dedicam à defesa dos direitos humanos e das liberdades individuais.

Entre os vencedores deste prémio incluem-se o sul-africano Nelson Mandela, as Mães da Praça de Maio de Buenos Aires, na Argentina; o dissidente cubano Guillermo Farinas; o cineasta iraniano Jafar Panahi; Xanana Gusmão, de Timor-Leste; e, em 2019, Ilham Tohti, economista que luta pelos direitos da minoria uigure da China.

 

Índia:

84 padres renunciam ao salário

para ajudar os pobres

 

Na arquidiocese de Patna, situada no nordeste da Índia, 84 padres renunciaram nos últimos meses ao seu salário para que esse dinheiro pudesse ser utilizado na assistência aos mais pobres, ao fabrico e distribuição de máscaras de proteção e gel e ao lançamento de programas de consciencialização sobre o novo coronavírus, avançou o Vatican News.

No Estado de Bihar, onde se localiza a arquidiocese de Patna, cerca de 33% dos habitantes vivem abaixo do limiar de pobreza e em toda a região há mais de um milhão de trabalhadores migrantes internos que ficaram desempregados devido à pandemia.

Além da generosidade dos padres, os habitantes de Patna contaram ainda com o apoio da plataforma de solidariedade da Igreja Católica, denominada Sewa Kendra, que durante o período de confinamento distribuiu animais como ovelhas, galinha e patos às famílias de migrantes que ficaram sem trabalho. (foto de capa: arcebispo Bharanikulangara)

 

Líbano:

Histórias de cristãos forçados a emigrar

depois da explosão no porto de Beirute

 

O chefe de projetos da Fundação AIS, Reinhard Backes, esteve no Líbano após “a brutal explosão” no porto de Beirute (capital do país) e testemunhou várias histórias de cristãos a emigrar que “são de partir o coração”.

A visita ficou marcada pelas histórias das famílias que se encontram em “situação dramática” neste país que atravessa uma das “mais profundas crises económicas e políticas da sua história recente”.

O chefe de projetos da Fundação AIS, esteve no Líbano em visita de trabalho para se inteirar das necessidades principais com que se debate a comunidade cristã, especialmente após a brutal explosão no porto de Beirute no passado dia 4 de agosto.

“O encontro com Georges, pai de 4 filhos, que teve de deixar o Líbano emigrando para o Dubai porque já não conseguia sustentar financeiramente a sua família, foi de partir o coração”, diz, em jeito de balanço, Reinhard Backes, sublinhando o impacto terrível que a crise libanesa está a ter nas famílias.

“Isto é demasiado e o país está em grave declínio económico desde há anos e as pessoas já lutavam para sobreviver antes da explosão…”

No entanto, apesar das expectativas de futuro serem muito negras, o responsável de projetos da Fundação AIS encontrou sinais de esperança entre os mais novos.

“O encontro com os jovens católicos que não estão dispostos a desistir”, foi um dos momentos mais importantes da viagem da AIS ao Líbano.

A energia e a solidariedade dos jovens católicos libaneses não conseguiu esconder, porém, a dimensão trágica em que vive a comunidade nos dias de hoje.

“Outro momento muito comovente foi a visita às famílias libanesas mais pobres e aos refugiados sírios, em Beirute e Zahlé”, confessou ainda este responsável internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (FAIS)

 

Angola:

Missionário indiano

sente-se como «peixe na água»

 

O missionário do Verbo Divino, padre Ashwin Vaz, em Angola há 11 anos, partilhou com a Agência Ecclesia a missão onde se sente como “peixe na água” e afirma que, em tempo de pandemia, a “pobreza tem sido galopante”.

“Quando cheguei aqui foi tudo surpreendente mas fui enxugando as experiências, apesar de estar longe do que pensava ou estava mesmo fora da minha imaginação mas hoje sinto-me como peixe na água, nunca pensei deixar Angola desde que entrei”, confessa o missionário.

O religioso sente que não se pode estar em missão com a ideia de dar, colocando-se como algo superior”, mas em atitude de receber. 

“Eu sempre senti que estava a receber muitas coisas numa dimensão humana, estava a ser enriquecido, o que estava a receber das pessoas, muito amor e muito carinho; por onde passei sempre tive uma casa onde dormir e onde me tratam como família, a família não é só dar mas receber muito mais que dar, é necessário sentir a alegria desta receção para dar mais”, refere.

O sacerdote de origem indiana passou por Portugal na sua formação, onde aprendeu a língua portuguesa, uma mais valia para depois ser enviado para Angola, “país que não conhecia nada”.

O missionário está destinado a sair para estudar, nas Filipinas, realidade que ainda não aconteceu devido às limitações da pandemia, algo que está a afetar também a zona de Luanda.

“Mesmo com a pandemia Covid-19 temos as igrejas abertas, temos de estar lá, atender e ouvir as pessoas e também consciencializar as pessoas, cuidando de nós e das pessoas, angariar ajudas para chegar aos mais pobres, a pobreza é galopante, em Luanda sente-se muito porque as pessoas não têm ‘lavras’, no interior cada um tem sua lavra e não sentem a fome, aqui quem não tem trabalho não come”, explica.

O missionário do Verbo Divino, responsável pelo santuário de Santo António de Kifandongo, em Luanda, Angola, desde 2017, explicou que ali também é necessário “esclarecer as pessoas”.

“Há muita mistura de tradições com a própria espiritualidade cristãs, práticas culturais misturadas com a oração, não no sentido positivo e as crenças que nada tem a ver com a fé cristã, tenho de esclarecer as pessoas e houve experiências que não foram agradáveis”, assume.

Com “milhares de crianças na catequese e nos sacramentos” e oito capelas em construção, “onde já rezam muitas pessoas”, o padre Ashwin Vaz sente que esta é uma missão de “estar ao dispor” e seguirá para um tempo de estudo que o ajudará nesta missão.

 

Austrália:

Padres serão presos se não revelarem

o sigilo da Confissão

 

O Parlamento de Queensland, na Austrália, aprovou uma série de leis que visam forçar os sacerdotes católicos a quebrar o segredo de confissão e denunciar à polícia acusações de abusos sexuais relatados por fiéis penitentes no confessionário.

As novas leis foram aprovadas nos princípios de setembro com o apoio dos dois principais partidos australianos e apesar da forte oposição desenvolvida pela Igreja.

A legislação aprovada é o resultado de recomendações propostas e estimuladas pela “Comissão Real para Respostas Institucionais ao Abuso Sexual de Crianças”.

O não cumprimento da nova lei constitui crime que pode acarretar punição com uma pena de três anos de prisão.

A legislação aprovada será aplicada a confissões que sejam ouvidas a partir de agora, mesmo que se refiram a abusos ocorridos no passado.

Em uma apresentação formal a um inquérito parlamentar, o arcebispo de Brisbane, Mark Coleridge, disse que privar os católicos do sigilo da confissão torna os padres “menos servos de Deus do que agentes do estado”.

O prelado advertiu que a legislação levantava “questões importantes sobre a liberdade religiosa”. Ela baseia-se em “um conhecimento precário de como o sacramento realmente funciona na prática” entre os fiéis.

Padres e Bispos declararam publicamente que irão para a prisão antes de obedecer a essas leis.

Na Assembleia Legislativa de Queensland, o parlamentar do One Nation, James Andrew, expressou seu apoio aos líderes religiosos:

“Muitos sacerdotes e bispos declararam publicamente que irão para a prisão antes de obedecer a essas leis. Que certeza pode ter o povo de Queensland de que vive em uma democracia livre, aberta, governada por um Estado de Direito, se o Estado aprisiona seus Bispos?”

 

Moçambique:

Bispo de Pemba denuncia ataques

e aumento do número de deslocados

 

O bispo de Pemba, diocese na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, disse que, “infelizmente, os ataques continuam” na região e a população “continua a deslocar-se”, em fuga da violência.

“Não temos ainda acalmia, os ataques continuam, embora pequenas proporções, mas continuam atacando as aldeias, as ilhas, tanto que a população continua a se afastar, a deslocar-se, dos seus lugares de origem e a vir para outras regiões, para Pemba, para outras cidades”, assinalou D. Luiz Fernando Lisboa, em declarações ao portal ‘Vatican News’, publicadas hoje.

O bispo da diocese moçambicana de Pemba explicou que as pessoas que não foram “atingidas diretamente pelos ataques, pela invasão”, nas suas vilas, nas aldeias, ou ilhas também saem “preventivamente, por causa do medo”.

“Há uma espécie de pânico em alguns lugares onde as pessoas não querem mais ficar”, afirma, sobre os ataques dos grupos armados que reivindicam pertencer ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

D. Luiz Fernando Lisboa explica que a Igreja Católica continua ao lado da população e a responder à crise humanitária que vivem em Cabo Delgado com apoio psicossocial, que iniciou há dois meses, uma urgência como de outras necessidades.

O bispo de Pemba salienta que a Igreja Católica tem trabalhado nesse apoio psicossocial e através da Cáritas, “com mais de 70 pessoas, também num apoio de “emergência, no atendimento às pessoas nos acampamentos, nos bairros”, divulga o portal de notícias do Vaticano.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre adianta, por sua vez, que tem existido “um aumento significativo do número de pessoas em fuga dos grupos armados”, “desde o final da semana passada”, nomeadamente na região de Macomia.

 “As coisas continuam feias. Nós tínhamos 250 mil deslocados mas agora são mais de 300 mil deslocados, ou seja, está cada vez mais em crescendo”, disse o padre Fonseca Kwiriwi, um dos responsáveis pela comunicação da Diocese de Pemba, à fundação pontifícia AIS.

Calcula-se que, em poucos dias, cerca de 3 mil pessoas tenham fugido de suas casas, perdendo tudo o que tinham, por causa desses ataques dos grupos armados.

“Houve já a definição de uma aldeia, uma espécie de assentamento para todos aqueles que estão nos enormes acampamentos de Metuje perto de Pemba; Por estes dias, a Cáritas está no terreno fazendo a distribuição de alimentos enquanto o Governo providenciou lugar de alojamento definitivo para essas pessoas terem as suas próprias casas”, desenvolveu o padre Fonseca Kwiriwi, divulgou a Ajuda à Igreja que Sofre.

 

Cazaquistão:

Igreja torna-se a primeira basílica menor da Ásia Central

 

O Vaticano elevou a Igreja de São José no Cazaquistão ao status de basílica menor. A homenagem marca a instalação da primeira basílica menor na Ásia Central, região que inclui Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão, Quirguistão e Turcomenistão.

A Basílica de São José foi construída na década de 1970, enquanto o Cazaquistão era um território da União Soviética, a pedido de católicos no exílio. A igreja foi aprovada em 1977 e inaugurada em 1980, quando se tornou um ponto de referência para a comunidade católica do país. A igreja paroquial tornou-se a catedral da Diocese de Karaganda em 1999.

O padre Vladimir Dzurenda, atual reitor da Basílica Menor de São José, falou sobre a importância de Basílica de São José para o povo do Cazaquistão. Ele disse:

“A paróquia de São José foi uma das poucas igrejas que teve permissão para ser construída nos anos 70 no Cazaquistão, quando fazia parte da União Soviética. Durante o comunismo, as pessoas vinham aqui, viajavam muitos quilômetros para receber os sacramentos e apoio espiritual. Nos anos 80, a maior comunidade católica da Ásia Central foi formada aqui”.

Uma igreja só pode ser chamada de basílica menor se demonstrar grande beleza e significado histórico para a comunidade católica que atende.

Ser nomeada basílica pelo papa traz certos “privilégios” para a igreja, como “conferir certa precedência perante outras igrejas (não, entretanto, perante a catedral local), o direito de conopaeum do sino. O conopaeum é uma espécie de guarda-chuva (também chamado papilio ou sinicchio), que junto com o sino era usado nas procissões em ocasiões oficiais.

 

Índia:

Companhia de Jesus «exige a libertação imediata»

do padre Stan Swamy defensor dos Direitos Humanos

 

A Companhia de Jesus (Jesuítas) “exige a libertação imediata” do padre Stan Swamy que aos 83 anos de idade está “preso injustamente” na Índia, por defender os direitos dos povos indígenas e alegadas ligações maoístas.

“Como Jesuítas envolvidos em obras de educação, cuidando e defendendo os direitos dos mais pobres e vulneráveis em diversas partes do mundo, manifestamo-nos solidários com o P. Stan e com os outros defensores dos direitos humanos na Índia, condenando a sua prisão e exigindo a sua libertação imediata”, referiu o responsável pelo Secretariado de Justiça Social e Ecologia da Companhia de Jesus a nível mundial.

Os Jesuítas em Portugal informam que o padre Stan Swamy foi detido pela autoridade anti terrorista da Índia, a National Investigation Agency (NIA), por “alegadas ligações maoístas”, no dia 8 de outubro na residência da Companhia de Jesus na periferia de Ranchi, no Estado de Jharkhand, na zona oriental da Índia.

A Companhia de Jesus está a mobilizar-se em todo o mundo para exigir a libertação do sacerdote de 83 anos de idade alertando também para o seu “estado de saúde de enorme debilidade”.

“Apelamos às autoridades que se abstenham de detenções arbitrárias de cidadãos inocentes e cumpridores da lei”, acrescentou o padre Xavier Jeyaraj, que trabalhou ao longo de vários anos com o padre Stan Swamy e agora tem acompanhado a sua situação na prisão, denunciando que desde que foi preso foi forçado a dormir no chão até esta quarta-feira, dia 14.

Segundo o responsável do Secretariado de Justiça Social e Ecologia dos Jesuítas o sacerdote octogenário está sob quarentena apenas com a possibilidade de contactar com o exterior através de uma chamada telefónica por semana e ainda não se encontrou com os seus advogados.

“Estamos chocados e consternados ao tomar conhecimento de que o Pe. Stan Swamy SJ, que tem trabalhado toda a sua vida pela dignificação dos oprimidos e de outras pessoas vulneráveis, foi detido sob a custódia NIA”, escreveu por sua vez o presidente da Conferência Jesuíta da Ásia do Sul, numa carta aberta a 9 de outubro.

A Conferência Episcopal da Índia também fez um apelo às autoridades competentes para que “libertem imediatamente o P. Stan Swamy permitindo-lhe que regresse à sua comunidade”, num comunicado de imprensa publicado a 9 de outubro.

A Companhia de Jesus em Portugal informa ainda que o padre Stan Swamy foi interrogado várias vezes durante mais de 15 horas pelo NIA (National Investigation Agency – autoridade anti terrorista da Índia) na residência dos Jesuítas em Bagaicha, Ranchi, nos meses de julho e agosto., o P. Stan foi interrogado várias vezes durante mais de 15 horas pelo NIA na residência da Companhia de Jesus em Bagaicha, Ranchi.

 

Senegal: 

Uma presença cristã  

 

A irmã Augusta Vilas Boas, Missionária do Espírito Santo, esteve em missão no Senegal e partilhou com a Agência Ecclesia o impacto da congregação junto daquela comunidade maioritariamente islâmica, numa zona muito pobre, onde é possível ser uma “presença cristã”.

“A nossa missão passa por ser uma missão de presença, não é anúncio de evangelização explícito mas de ser e estar com o povo, como enfermeira eu trabalhava unicamente com o povo local e o que vem da Mauritânia que vem receber cuidados de saúde no nosso posto e sabem que é um posto católico”, conta. 

A religiosa esteve durante três anos no Senegal, de onde acabou de chegar, e onde sentiu que a relação entre Islão e Igreja Católica era de “bons vizinhos” mas a congregação não deixar esquecer a marca cristã. 

“Não queremos que a nossa presença se dilua com o Islão, queremos fazer a diferença e por isso no posto de saúde deixamos sempre transparecer esta presença cristã, mesmo pelos símbolos cristãos que temos no centro e o povo valoriza bastante devido à dimensão caritativa, de acolhimento e de relação que procuramos que seja a melhor possível”, refere.  

Na zona norte, “muito islamizada” e “muito pobre”, a irmã Augusta partilha que a missão se dividia entre as “obras sociais, posto de saúde, o jardim infantil e escola de formação feminina”.

“Uma zona pobre, até pela seca, com temperaturas muito altas porque estamos muito perto do deserto do Saara, e isto tudo favorece a pobreza; temos uma ação caritativa grande, também assistência aos pobres, atendimento gratuito, acolhimento de crianças de forma gratuita no jardim infantil e sabem que estamos lá para eles”, assume. 

Na sua maioria o povo é islâmico e, segundo a entrevistada, a “comunidade cristã é bastante pequena”, cerca de duas mil pessoas que na sua maioria não são dali”. 

“Islão é 99% e essa realidade é um grande desafio à nossa missão; o primeiro impacto foi de observação, conhecer culturas e costumes e até a religião islâmica para poderem viver juntos e em conjunto, como irmãos”, destaca.

 

ONU:

Tratado de Proibição de Armas Nucleares e

entra em vigor em janeiro de 2021, com apoio do Vaticano

 

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) destacou a “importante vitória para as forças da paz” do Tratado de Proibição de Armas Nucleares da Organização das Nações Unidas (ONU), após a sua ratificação por 50 estados, incluindo o Vaticano.

“Este facto constitui uma significativa vitória dos que, em todo o mundo e também em Portugal, se batem há décadas pela interdição deste tipo de armamento. Ao mesmo tempo que aumenta a pressão sobre os restantes Estados para que, com a sua adesão plena ao tratado, contribuam para um mundo livre de armas nucleares”.

O Tratado de Proibição de Armas Nucleares vai entrar em vigor num prazo de 90 dias, o que significa que “as armas nucleares serão ilegais à luz do Direito Internacional” a partir de 22 de janeiro de 2021.

“Uma vez em vigor colocará fora da legalidade internacional todos quantos persistam na manutenção, e sobretudo no reforço, dos seus arsenais nucleares, numa clara vitória para as forças do progresso e da paz”.

Na sua nova encíclica ‘Fratelli Tutti’, o Papa alerta também sobre “a injustiça da guerra” e propõe a criação de um fundo mundial contra a fome, que seria financiado pelas atuais despesas militares.

“O objetivo final da eliminação total das armas nucleares torna-se um desafio, mas também um imperativo moral e humanitário”, escreveu Francisco, no documento publicado no dia 4 de outubro.

O Parlamento Europeu adotou uma resolução que define o tratado como uma etapa “imprescindível” no caminho para um mundo sem armas nucleares, com 641 votos a favor, cinco contra e 47 abstenções.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação que tem em curso uma campanha para que Portugal adira ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares, e está a dinamizar uma petição online, alerta que o tratado não resolve “nenhum dos problemas” que existem por causa dos “numerosos e poderosos arsenais nucleares”.

Atualmente são nove os países que detêm armas nucleares – Estados Unidos da América (EUA), Federação Russa, Reino Unido, França e República Popular da China, que são os cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Israel, Índia, Paquistão e República Popular Democrática da Coreia.

A Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e a Turquia têm armas nucleares dos EUA no seu território e dezenas de países, como Portugal, “pertencem a alianças militares com capacidade e «vocação» nuclear, como a NATO”.

O CPPC salienta que “nenhum dos países” com armamento nuclear aderiu ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares, nem “nenhum dos membros da NATO” e da União Europeia ratificaram o tratado a Irlanda e a Áustria que não integram a Organização Tratado do Atlântico Norte (NATO).

O Tratado de Proibição de Armas Nucleares foi lançado 7 de julho de 2017 pelos 122 Estados que participaram numa conferência da ONU que tinha como objetivo “negociar um instrumento juridicamente vinculativo para a proibição de armas nucleares” e que conduza à sua total eliminação.

A Santa Sé ratificou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares e, mais recentemente, o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares; o portal de notícias do Vaticano destaca a entrada em vigor a proibição da ONU às armas nucleares.

 

Luxemburgo:

Meios digitais ajudaram capelão português no

 acompanhar a comunidade católica

 

O capelão da comunidade de língua portuguesa no centro do Luxemburgo disse que os meios digitais foram essenciais para a proximidade com os emigrantes, durante o confinamento provocado pela pandemia.

“Durante o tempo do confinamento [desde o dia 17 de março até ao dia 13 de maio], os meios digitais foram exatamente a forma de poder chegar às pessoas”, indica o padre Sérgio Mendes, no Luxemburgo desde 2012.

O sacerdote propôs-se “fazer um caminho através do Facebook para chegar às pessoas com um vídeo diário, com uma pequena reflexão, oração e uma canção”. “Acabou por ser até um período interessante”, assinalou.

Durante algum tempo, fazia “a oração da manhã que era colocada online todas as manhãs” e outro missionário, com a esposa, da missão católica de Ausgbourg (Alemanha), fazia a oração da tarde, propostas que que chegaram a “muitas pessoas”.

O padre Sérgio Mendes celebrou várias “vezes a Eucaristia com um pequeno grupo” e “em cada vídeo ia colocando uma intenção”, lembrando os grupos que integram a Comunidade de língua portuguesa.

Os meios e plataformas usadas foram as mais usuais, “o Facebook, o Messenger, o WhatsApp, Zoom”.

O sacerdote, natural da Diocese da Guarda, considera que o período da pandemia é um “tempo de aprendizagem” e tem sido vivido na comunidade portuguesa “com receio e medo à mistura e com todas as dificuldades que este período trouxe”.

“É importante mostrar que Deus está connosco em todos os momentos e muito em especial nos momentos mais difíceis”, acrescenta o padre Sérgio Mendes, para quem o vírus veio “abrir os olhos para muitas coisas”.

O papel dos capelães, observa, tem passado tanto na vertente espiritual como nas recomendações governamentais, porque “apesar de também poder sentir algum receio e medo deve também transmitir alguma esperança, mantendo uma relação próxima com todos e sobretudo com Deus”.

Para além de transmitir a esperança, cada padre tem também “uma certa responsabilidade em transmitir as recomendações governamentais e, sobretudo, em tentar explicá-las e ajudar a cumpri-las”, sublinhou o entrevistado.

O padre Sérgio Mendes acompanha a comunidade de língua portuguesa no centro do Luxemburgo, em conjunto com um grupo de Servas de Nossa Senhora de Fátima.

 

 


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