aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

Vaticano:

Número de católicos aumentou 6% entre 2013 e 2018

 

O portal Vaticano divulgou em 15 de outubro os dados do Anuário Estatístico da Igreja, relativos aos anos 2013-2018, que revelam um aumento de 6% no número de católicos em todo o mundo.

Segundo nota publicada pelo ‘Vatican News’, o crescimento diz respeito a todos os continentes, à exceção da Europa.

Os dados relativos aos primeiros cinco anos de pontificado de Francisco mostram que o número de batizados passou de 1, 25 mil milhões para 1,33 mil milhões de pessoas; relativamente à proporção de católicos na população mundial, esta manteve-se estável (de 17,68% para 17,73%).

A análise geográfica das variações, neste período, destaca o “relevante aumento” de batizados na África (18%).

O continente americano regista uma maior percentagem no aumento de católicos (4,6%) face ao crescimento global da população (4,4%); o mesmo aconteceu na Ásia (7,6% contra os 4,4% da população) e na Oceânia (9,6%-8,1%).

O Vaticano regista a queda de 0,4% de católicos na Europa, onde a população cresceu 0,2%.

A percentagem de batizados face à população total dos vários continentes tem variações assinaláveis, dos 63,7% na América e 39,7% na Europa aos 3,3% na Ásia.

A Igreja Católica celebra este domingo o Dia Mundial das Missões, evocando em 2020 as “tribulações e desafios causados pela pandemia de Covid-19”,

“Desafia-nos a doença, a tribulação, o medo, o isolamento. Interpela-nos a pobreza de quem morre sozinho, de quem está abandonado a si mesmo, de quem perde o emprego e o salário, de quem não tem abrigo e comida”, escreveu Francisco, no documento publicado na solenidade de Pentecostes com o título ‘Eis-me aqui, envia-me’, passagem do livro bíblico do profeta Isaías (Is 6, 8).

 

Vaticano:

Logotipo da edição de Lisboa

das Jornadas Mundiais da Juventude 2023:

aposta na imagem de Portugal e ideia de «caminho» (c/vídeo)

 

A organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2023, em Lisboa, apresentou o logotipo do próximo encontro internacional de jovens católicos, inspirado pelos traços da cultura e religiosidade portuguesas, desenhado pela portuguesa Beatriz Roque Antunes.

“A inspiração foi a leitura, e tinha que ser a leitura, não podia ser outra coisa, que para mim já tinha um significado muito especial porque já tinha uma relação com esta leitura antes de todo este desafio”, disse aos jornalistas a designer de 24 anos, após a apresentação online do logotipo.

Neste contexto, Beatriz Roque Antunes explicou que “foi um processo simples” e “foi na oração que foram surgindo as inspirações para ter uma dimensão mais patriótica”, com as cores da bandeira portuguesa, e inspirou-se também em identidades visuais que “trouxessem esta ideia da portugalidade que estão normalmente ligadas a marcas desportivas, das várias seleções de Portugal, e foi um bocadinho trazer isto para esta área espiritual”.

O novo logo da JMJ, inspirado no tema ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’ (Lc 1, 39), proposto pelo Papa, tem como elementos centrais a Cruz, atravessada por um caminho onde surge o Espírito Santo, e a figura da Virgem, acompanhada pela referência à oração do Rosário.

“Não é uma simples cruz, mas a cruz tinha de ser o principal e na cruz está muito daquilo que é a nossa fé. Nunca é uma simples cruz. Nas edições anteriores houve, muitas vezes, a opção de ter um coração ou outro tipo de símbolo que juntava tudo, e, neste meu exercício, fez-me muito sentido que a cruz fosse o principal, fosse o central e fosse dai que tudo o resto nascia”, desenvolveu a designer portuguesa.

Beatriz Roque Antunes acrescenta que todos os outros elementos do logotipo da JMJ Lisboa 2023 foi “na oração” que foi “descobrindo e achando que faziam sentido, mas a cruz era o principal”.

Para a jovem criadora, as imagens do caminho, das contas do Terço e do rosto de Nossa Senhora surgem pelo tema e pela ligação a Portugal.

“O Terço era importante para trazer esta dimensão e está colocado no caminho que atravessa a cruz, para trazer esta dimensão da peregrinação, que é muito portuguesa e que tem muito a ver com a fé que se vive em Portugal, é muito identificativa da nossa fé, e fazia muito sentido. Nossa Senhora foi colocada com este rosto jovem para que os jovens se identificassem com ela e com a Maria desta passagem, que é uma Maria que ainda não foi mãe, uma Nossa Senhora muito jovem e muito decidida, dai a inclinação do rosto para a frente”, explicou.

A proposta vencedora foi escolhida num concurso internacional promovido pelo Comité Organizador Local (COL), que contou com a participação de centenas de candidatos, provenientes de 30 países dos cinco continentes”.

Beatriz Roque Antunes estudou Design em Londres e na Faculdade de Belas Artes de Lisboa; atualmente trabalha numa agência de comunicação, na capital portuguesa e afirma que “é um desafio muito grande” ser a autora de uma imagem que os jovens de todo o mundo vão procurar e que o Papa também vai estar à procura.

“É o cruzar de duas dimensões: A dimensão espiritual da minha vida, aquilo que eu vivo e que tento viver, a minha vida em Igreja, a minha fé, e o cruzar disto com a minha vida profissional, aquilo que eu faço e acredito que é o meu dom e o dom que Deus me deu”, explicou.

A jovem designer portuguesa revela também que nem consegue “ainda imaginar” o momento de mostrar o logotipo ao Papa Francisco, mas, “se isso for possível”, espera que “ele fique contente, que fique feliz e que ache que foi inspirado”.

“É um grande desejo um dia estar com o Papa e poder mostrar-lhe este trabalho, que entrego totalmente à Igreja e entrego ao serviço”, acrescentou.

Beatriz Roque Antunes contou ainda que o desenvolvimento da proposta “não demorou muito tempo”, precedida pela “preparação pessoal, em oração, do que achava; a autora desenvolveu a proposta que foi a concurso numa “semana de férias”, dedicada à parte visual.

“Uma semana de trabalho intensivo, para tentar descobrir no meio de todas as minhas ideias aquilo que achava que ia ser a proposta. A partir daí, houve todo um trabalho até à identidade que temos hoje, de várias sensibilidades, um conjunto de alterações”, indicou.

A inspiração central parte do tema proposto pelo Papa Francisco, ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’, passagem do Evangelho segundo São Lucas (Lc 1, 39) relativa à visita da Virgem Maria à sua prima, Santa Isabel, mãe de São João Batista, durante a gravidez de ambas.

“Esta decisão de Maria de ir visitar a sua prima Isabel é muito inspiradora, porque Maria não se acomoda. É esse o convite aos jovens: que não se acomodem, que se levantem, que façam acontecer, que construam e não deixem o destino do mundo nas mãos dos outros”, diz Beatriz Roque Antunes.

A triagem inicial dos trabalhos foi feita por uma equipa de académicos da Universidade Católica Portuguesa que selecionou 21 propostas; estas foram depois avaliadas por profissionais da área do marketing e da comunicação, provenientes de agências de comunicação presentes em Portugal, que elegeram três finalistas.

A decisão final coube ao Vaticano, através do Dicastério para os Leigos, Família e Vida.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

A primeira edição aconteceu em 1986, em Roma, e desde então a JMJ já passou pelas seguintes cidades: Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

 

Vaticano:

Papa Francisco assina «Fratelli Tutti», 299ª encíclica na história

 

O Papa Francisco assinou, a 3 de outubro, em Assis, a encíclica ‘Fratelli Tutti’, 299.º documento do género na história da Igreja Católica, que foi depois publicado no domingo dia 5, no Vaticano depois da oração do Angelus.

A encíclica – tradicionalmente assinada no Vaticano – é o grau máximo das cartas que um Papa escreve e a expressão ‘Fratelli Tutti’ (aos irmãos todos, em tradução livre) remete para os escritos de São Francisco de Assis, o religioso que inspirou o pontífice argentino na escolha do seu nome.

A encíclica ‘Fratelli Tutti’ foi assinada junto ao túmulo de São Francisco de Assis, após a celebração da Missa a que o Papa presidiu, na qual não pronunciou homilia.

Simbolicamente, o texto foi apresentado pelos responsáveis da Secção dos Assuntos Gerais da Secretaria de Estado do Vaticano, que acompanham a revisão e tradução dos documentos pontifícios.

Entre os tradutores estava o português monsenhor António Ferreira da Costa, chefe de departamento nesta secção.

“Faço-o como um sinal de gratidão a toda a I secção da Secretaria de Estado, que trabalhou nesta redação e tradução”, explicou Francisco.

As duas anteriores encíclicas do atual pontificado foram a ‘Lumen Fidei’ (A luz da Fé), de 2013, que recolhe reflexões de Bento XVI, Papa emérito; e a ‘Laudato Si’, de 2015, sobre a ecologia integral.

O antecessor de Francisco publicou três encíclicas, no seu pontificado (2005-2013); antes de Bento XVI, João Paulo II assinou 14 encíclicas, entre 1979 e 2003.

A palavra ‘encíclica’ vem do grego e significa ‘circular’, carta que o Papa enviava às Igrejas em comunhão com Roma, com um âmbito universal, onde empenha a sua autoridade primeiro responsável pela Igreja Católica.

O Papa mais prolífico neste tipo de cartas é Leão XIII, com 86 encíclicas – embora muitos desses textos fossem, nos nossos dias, classificados como Cartas Apostólicas ou Mensagens; São João Paulo II escreveu 14 encíclicas e Bento XVI três.

A nova encíclica é dedicada à “fraternidade” e à “amizade social”, e o título original em italiano permaneceu sem tradução em todos os idiomas em que o documento foi distribuído.

A encíclica é uma forma muito antiga de correspondência eclesiástica, dado que na Igreja os bispos enviavam frequentemente cartas a outros bispos, para assegurar a unidade entre a doutrina e a vida eclesial.

O Presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, D. Armando Domingues, destaca convite a «pensar o mundo a partir dos frágeis, das periferias»

O Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz fala em documento orientador para «reconstrução» da sociedade pós-pandemia

A Comissão Nacional Justiça e Paz sublinha apelo do Papa contra «nacionalismo de exclusão» e destaca os alertas do Papa contra o ressurgimento de nacionalismos e populismos.

O Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que encíclica do Papa é «de uma coragem ilimitada, um grito brutal e expressão de um poder mobilizador.»

Mohamed Mahmoud Abdel Salam, Conselheiro do Grão-Imã de Al-Azhar, que participou na conferência de imprensa de apresentação do documento, no Vaticano, afirmou que Encíclica do Papa assinala um recomeço na História.

 

Vaticano:

Papa lança «pacto global» com sete compromissos

por um mundo diferente

 

O Papa lançou, em 15 de outubro, a partir do Vaticano, um ‘Pacto Educativo Global’ (Global Compact on Education), propondo sete compromissos por um mundo diferente, na promoção do diálogo ente culturas, da paz e da ecologia integral.

“Na situação atual de crise sanitária, pensamos que este é o momento de aderir a um pacto educativo global para e com as gerações jovens, que empenhe as famílias, as comunidades, as escolas e universidades, as instituições, as religiões, os governantes, a humanidade inteira na formação de pessoas maduras”, disse Francisco, numa mensagem em vídeo transmitida durante o evento de lançamento do Pacto, promovido pela Santa Sé.

A intervenção pediu “audácia” para superar visões centradas apenas na “utilidade, o resultado (padronizado), a funcionalidade e a burocracia, que confundem educação com instrução”.

O valor das nossas práticas educativas não será medido simplesmente pela superação de testes padronizados, mas pela capacidade de incidir no coração duma sociedade e fazer nascer uma nova cultura.

O Papa manifestou a sua convicção de que “um mundo diferente é possível”, convidando para o novo Pacto Educativo Global “homens e mulheres da cultura, da ciência e do desporto, artistas, operadores dos meios de comunicação social”.

A iniciativa é apresentada pela Santa Sé como “um pacto de incentivo à mudança, à escala global, para que a educação se transforme em criadora de fraternidade, paz e justiça”.

 

Pacto Educativo Global – Compromissos

1 – Colocar a pessoa no centro de cada processo educativo.

2 – Ouvir a voz das crianças, adolescentes e jovens a quem transmitimos valores e conhecimentos.

3 – Favorecer a plena participação das meninas e adolescentes na instrução.

4 – Ver na família o primeiro e indispensável sujeito educador.

5 – Educar e educarmo-nos para o acolhimento, abrindo-nos aos mais vulneráveis e marginalizados.

6 –Encontrar outras formas de compreender a economia, a política, o crescimento e o progresso, na perspetiva duma ecologia integral.

7 – Guardar e cultivar a nossa casa comum, protegendo-a da exploração dos seus recursos, adotando estilos de vida mais sóbrios e apostando na utilização exclusiva de energias renováveis.

O Papa considerou que a edução é uma “semente da esperança” para a construção duma “civilização da harmonia, da unidade, onde não haja lugar para esta pandemia terrível da cultura do descarte”.

O evento na Universidade Lateranense contou com intervenções de cardeais e bispos, de responsáveis religiosos e universitários, além de testemunhos de um jovem budista do Japão e um jovem muçulmano da Argélia.

 

Vaticano:

Documento sublinha necessidade de alargar cuidados paliativos

e apela à objeção de consciência na Eutanásia:

 

O Vaticano apelou à afirmação dos cuidados paliativos, como alternativa à eutanásia, num novo documento sobre “o cuidado das pessoas nas fases críticas e terminais da vida”.

“É prioritária a difusão de uma correta e capilar informação sobre a eficácia de autênticos cuidados paliativos para um acompanhamento digno da pessoa até à morte natural”, assinala a Congregação para a Doutrina da Fé (Santa Sé), na carta intitulada ‘Samaritanus Bonus’ (O Bom Samaritano).

O texto considera os paliativos – incluindo assistência espiritual ao doente e aos seus familiares – como “a expressão mais autêntica da ação humana e cristã de cuidar”, sustentando que estes cuidados diminuem “drasticamente o número de pessoas que pedem a eutanásia”.

A carta pede que os Estados “reconheçam a primária e fundamental função social da família e o seu papel insubstituível, também neste âmbito”.

O Vaticano defende a objeção de consciência por parte dos profissionais da saúde e das instituições sanitárias católicas perante leis que permitam a eutanásia ou o suicídio assistido, rejeitando “qualquer cooperação formal ou material imediata”.

Esta situação, indica o documento, “requer uma tomada de posição clara e unitária por parte das Conferências Episcopais, das Igrejas locais, bem como das comunidades e das instituições católicas para tutelar o próprio direito à objeção de consciência”.

“Não é eticamente admissível uma colaboração institucional com outras estruturas hospitalares, direcionando a estas as pessoas que pedem a eutanásia”, acrescenta a Santa Sé.

O novo documento dedica um dos seus 12 pontos ao “discernimento pastoral para quem pede eutanásia ou suicídio assistido”, excluindo do acesso aos sacramentos quem tenha manifestado intenção de colocar fim à sua vida.

No caso em que o paciente esteja privado de consciência, o sacerdote poderia administrar os sacramentos “sob condição”, “se for possível presumir o arrependimento a partir de algum sinal dado anteriormente pela pessoa doente”.

Não é admissível, da parte daqueles que assistem espiritualmente estes doentes, qualquer gesto exterior que possa ser interpretado como uma aprovação da ação eutanásica, como, por exemplo, estar presente no momento da sua realização. Tal presença não se pode interpretar senão como cumplicidade”.

A carta distingue entre a possibilidade de curar e a necessidade de cuidar, em qualquer fase da vida, propondo uma reforma do sistema educativo e da formação dos profissionais da saúde, com maior atenção ao “cuidado psicológico e espiritual do paciente”.

“Se é verdade que cada um vive o seu sofrimento, a sua dor e a sua morte, tais vivências são sempre carregadas do olhar e da presença de outros”, realça o texto.

A Santa Sé sublinha a importância do “cuidado” na descoberta de um “sentido profundo” da existência “marcada pelo sofrimento e pela doença”.

“Quando a cura é impossível ou improvável, o acompanhamento do médico/enfermeiro, como também psicológico e espiritual, é um dever imprescindível”, pode ler-se.

Todos são chamados a dar testemunho junto ao doente e a tornar-se ‘comunidade curante’, para que o desejo de Jesus, de que todos sejam uma só carne, a partir dos mais fracos e vulneráveis, seja concretizado”.

O texto dedica outro ponto à situação das crianças com doenças terminais, questionando a utilização do diagnóstico pré-natal para “finalidades seletivas”, por considera-la como “expressão de uma mentalidade eugenista”.

“O conceito ético-jurídico do ‘melhor interesse do menor’ não pode constituir, de modo algum, o fundamento para decidir abreviar a sua vida”, sustenta o Vaticano.

A Congregação para a Doutrina da Fé sublinha o dever médico de “reduzir o mais possível o sofrimento da criança” e da sua família.

A carta inclui 99 notas, citando vários Papas e documentos anteriores da Santa Sé sobre o tema.

 

Vaticano:

Papa pede fim da violência na Nigéria

 

O Papa apelou ao fim dos confrontos na Nigéria, manifestando “preocupação” com a situação no país africano.

“Sigo com particular preocupação as notícias que chegam da Nigéria sobre os violentos confrontos que aconteceram recentemente entre as forças da ordem e alguns jovens manifestantes”, referiu, após a oração do ângelus, desde a janela do apartamento pontifício, no Vaticano.

“Rezemos ao Senhor para que se evite sempre qualquer forma de violência, na busca constante pela harmonia social, através da promoção da justiça e do bem comum”, acrescentou Francisco.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, disse que teriam sido mortas 69 pessoas desde o início dos protestos contra a brutalidade policial, incluindo 11 polícias e sete soldados.

 

Vaticano:

Papa contrapõe fraternidade humana à cultura do descarte

 

Francisco concedeu uma entrevista à edição espanhola da revista semanal ‘Il mio Papa’ em que apresenta como “grande desafio social” a superação do que chama de “cultura do descarte.

Depois da publicação da nova encíclica ‘Fratelli Tutti’, sobre a fraternidade e amizade social, o Papa fala de uma “ameaça constante” provocada por um pensamento que leva a deixar de fora os mais fracos e menos produtivos – “o descarte dos idosos, o descarte dos pobres, o descarte das crianças, das crianças por nascer”.

Francisco afirma que a alternativa é “viver a cultura do receber, do acolher, da proximidade, da fraternidade”. “Hoje, mais do que nunca, somos chamados a ser fraternos”, assinala.

O Papa retoma a convicção de que, após a pandemia, será impossível seguir na mesma: “Ou saímos melhores ou saímos piores. E a maneira que saímos depende das decisões que tomarmos durante a crise”.

Devemos encarregar-nos do futuro, de preparar a terra para que outros a trabalhem. E essa é a cultura que temos de elaborar na pandemia”.

 “O meu coração estava com todo o Povo de Deus que sofria, uma humanidade que tinha de suportar essa pandemia e, por outro lado, tinha a coragem de caminhar. Subi as escadas rezando, rezei o tempo todo e fui-me embora rezando. Foi assim que vivi aquele 27 de março”, relata.

 “Compensei muitas dessas ausências físicas com o telefone e as cartas. Isso ajudou-me muito a analisar a situação das famílias e comunidades”, refere.

A entrevista aborda a preocupação do Papa com quem “escapa da fome ou da guerra” e parte para outro país, denunciando a exploração de trabalhadores migrantes durante o confinamento.

“Eram muitos os migrantes que se expunham, para trabalhar na terra, manter a cidade limpa, continuando os múltiplos serviços. É doloroso ver como eles não são reconhecidos e valorizados”, declarou.

 

Vaticano:

Papa questiona «ateísmo prático»

de quem reza a Deus, mas ignora quem sofre

 

O Papa Francisco criticou no Vaticano o que chamou de “ateísmo prático” dos que rezam a Deus, mas ignoram quem sofre, ao seu lado, ou têm “ódio” no seu coração.

“Deus não suporta o ‘ateísmo’ daqueles que negam a imagem divina impressa em cada ser humano. Esse ateísmo de todos os dias: ‘Eu acredito em Deus, mas em relação aos outros, distância’, permitindo-se odiar os outros. Isto é ateísmo prático”, referiu, na audiência pública semanal que decorreu no Auditório Paulo VI, com medidas de segurança e normas de higiene, por causa da pandemia de Covid-19.

“Deixar de reconhecer a imagem divina impressa em cada ser humano é um sacrilégio, uma abominação, é a pior ofensa que se pode levar ao templo e ao altar”, acrescentou.

A intervenção encerrou o ciclo de catequeses sobre a oração, partindo do livro dos Salmos, no qual se alerta para a “impiedade”, ou seja, “viver, e talvez até rezar como se Deus não existisse, como se os pobres não existissem”

“É a pessoa sem qualquer referência ao transcendente, sem qualquer impedimento à sua arrogância, que não teme o julgamento sobre o que pensa e o que faz”, precisou.

Por esta razão, o Saltério apresenta a oração como a realidade fundamental da vida. A referência ao absoluto e ao transcendente é o que nos torna plenamente humanos, é o limite que nos salva de nós mesmos, impedindo que nos aventuremos nesta vida de modo predatório e voraz. A oração é a salvação do ser humano”.

Francisco questionou os que vão à Missa apenas para serem vistos, para fazer “boa figura social”, ou quem reza como “os papagaios”.

“A oração é o centro da vida. Se houver oração, o irmão, a irmã, também se torna importante. Inclusive os inimigos”, observou.

O Papa sublinhou que a oração não é “um calmante para aliviar as ansiedades da vida”, mas um ato que “responsabiliza” o crente.

“A oração dos cristãos tem este respiro, esta tensão espiritual que mantém unidos o templo e o mundo”, indicou o pontífice.

As portas das igrejas não são barreiras, mas membranas permeáveis, disponíveis para acolher o clamor de todos”.

De improviso, Francisco comentou ainda a impressão que lhe suscitou o choro de uma criança e a “ternura” da sua mãe, que o amamentava.

“Quando acontece isto numa igreja, ouvir o choro de uma criança, sentir que ali está a ternura de uma mãe, é o símbolo da ternura de Deus connosco. Nunca se deve mandar calar uma criança que chora na igreja, nunca”, pediu.

 

Vaticano:

Papa alertou para «lucro que esquece o ser humano»

e «reduz a uma coisa entre as coisas»

 

O Papa Francisco disse que “o pensamento cristão não é contrário, por princípio, à perspetiva do lucro, mas opõe-se ao lucro a qualquer custo”, numa audiência aos diretores e funcionários da Caixa de Depósitos e Empréstimos de Itália.

“O pensamento cristão não é contrário, por princípio, à perspetiva do lucro, mas opõe-se ao lucro a qualquer custo, ao lucro que esquece o ser humano, que o torna escravo, que o reduz a uma coisa entre as coisas”, explicou. Na audiência, na Sala Paulo VI, no Vaticano, Francisco assinalou que a Doutrina Social da Igreja “concorda com uma visão” que vários investidores esperem “uma justa remuneração dos recursos captados, para canalizá-los para o financiamento de iniciativas que visem a promoção social e coletiva”.

No discurso divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa acrescentou que o pensamento cristão opõe-se à redução do ser humano “a uma variável de um processo que ele não pode de forma alguma controlar ou ao qual não pode de forma alguma se opor”.

 “Essas linhas de desenvolvimento ainda hoje exigem um compromisso generoso de vocês: Pensemos nos desafios sociais e económicos produzidos pela grave pandemia em curso; Em fenómenos com repercussões muito significativas, como o declínio de algumas formas de produção, que precisam de renovação ou de transformação radical. Pensemos nas mudanças que ocorreram na forma como as mercadorias são compradas e vendidas, com o risco de concentrar as trocas e os negócios nas mãos de algumas entidades globais”, desenvolveu.

Francisco realçou que a gestão de negócios sempre exigiu de todos “uma conduta leal e clara” que “não ceda à corrupção” e no exercício das responsabilidades “é necessário saber distinguir o bem do mal” e, mesmo no setor da economia e das finanças, “a intenção correta, a transparência e a busca de bons resultados são compatíveis e não devem ser separadas”.

“É uma questão de identificar e percorrer com coragem linhas de ação que respeitem e promovam a pessoa humana e a sociedade”, salientou.

Para o Papa, uma instituição como a Caixa de Depósitos e Empréstimos “pode testemunhar concretamente uma sensibilidade solidária”, favorecendo o relançamento da economia real como “força motriz do desenvolvimento das pessoas, das famílias e de toda a sociedade”.

“Desta forma também é possível acompanhar o progresso gradual de uma nação e servir ao bem-comum, com o esforço de multiplicar e tornar mais acessível a todos os bens deste mundo”, acrescentou Francisco, lê-se no discurso publicado online pela Santa Sé.

 


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