Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

8 de Dezembro de 2020

 

PADROEIRA DE MOÇAMBIQUE E PORTUGAL

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: A Cheia de graça – M. Faria, NRMS, 4 (I)

Is 61, 10

Antífona de entrada: Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu com o manto da justiça, como esposa adornada com suas joias.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja celebra hoje a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, em pleno coração do Advento.

A Mãe de Jesus, na sua Conceição Imaculada, é modelo de todo o cristão que deseja preparar-se convenientemente para o nascimento do Redentor.

Maria aparece na história da Salvação como o sinal que anuncia a vinda de Cristo com todas as bênçãos do Pai, à semelhança da aurora que anuncia o nascer do sol.

Alegremo-nos, pois, a celebrar este mistério da vida de Maria. Ela foi concebida Imaculada em razão de ter sido a Eleita do Senhor para ser a Mãe do Filho de Deus feito Homem.

 

Ato penitencial

 

À luz da Imaculada Conceição vemos com maior clareza a fealdade dos nossos pecados

Arrependamo-nos, peçamos humildemente perdão e prometamos sincera emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como sugestão esquema A)

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

 

Glória a Deus nas alturas...

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes para o vosso Filho uma digna morada e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, a preservastes de toda a mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Autor do Livro do Genesis fala-nos profeticamente de uma Mulher extraordinária que lutará contra a serpente infernal e a vencerá.

Esta Mulher extraordinária é Maria Imaculada na sua Conceição, Mãe do Redentor.

 

Génesis 3, 9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

A leitura é extraída do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítulo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida humana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não é um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor perante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projecto divino, a que não escapa o enigma das origens.

Se perdêssemos de vista este plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade científica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda. A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridícula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens.

10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». Deste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; esta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão tinha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontrolo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primeiro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).

Não resistimos a citar algumas palavras da profunda reflexão antropológica de João Paulo II, nas audiências gerais de Maio de 1980: «Por meio destas palavras (v. 10) desvela-se certa fractura constitutiva no interior da pessoa humana, quase uma ruptura da original unidade espiritual e somática do homem. Este dá-se conta pela primeira vez de que o seu corpo cessou de beber da força do espírito, que o elevava ao nível da imagem de Deus. A sua vergonha original traz em si os sinais duma específica humilhação comunicada pelo corpo. [...] O corpo não está sujeito ao espírito como no estado da inocência original, tem em si um foco constante de resistência ao espírito e ameaça de algum modo a unidade do homem pessoa. [...] A concupiscência, em particular a concupiscência do corpo, é ameaça específica à estrutura da auto-posse e do autodomínio, por meio do qual se forma a pessoa humana».

14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a sentença é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentador; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72),9; Is 49,23; Miq 7,17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17).

15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova da salvação que se lê na Bíblia. Não se limita esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potências diabólicas – «a tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela». É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Nova Vulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a tradução «esmagará»), ao passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida leve, daí a tradução «atingirás»).

Mas, pergunta-se, a quem é que designa o pronome «esta» (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mulher. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que em grego se diz com a palavra neutra, sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem vence o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradição cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa conteret caput tuum, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se tivesse querido designar a descendência – semen – teria empregado o neutro ipsum, e não ipsa).

Eis como se costuma explicar o sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, todos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: é que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pio IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluindo o original.

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a)

 

Monição: Nesta solenidade da Imaculada Conceição de Maria tudo nos convida à esperança e à alegria. Entoemos, pois este canto de louvor ao nosso Deus que nos deu a Imaculada Conceição.

 

 

Refrão:        Cantai ao Senhor um cântico novo:

o Senhor fez maravilhas.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis de Éfeso, entoa um hino de louvor e acção de graças ao Altíssimo «que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.»

Em Jesus Cristo, por Maria, nos elegeu a todos para que fôssemos santos na Sua presença.

 

Efésios 1, 3-6.11-12

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. 11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas.

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado original, incluindo a Imaculada Conceição da Virgem Maria, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus. Estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2Pe 1,4; Rom 12,1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8,15-29; Gal 4,5-7; 1Jo 3,1-3). E o modelo humano mais perfeito de santidade é Maria.

A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 1,3), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1Pe 2,5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos (cf. Mt 5,48), demais que não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4,23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7,10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 28

 

Monição: Aclamemos com júbilo o Evangelho que proclama a Anunciação do Arcanjo S. Gabriel à Imaculada Conceição, em Nazaré.

Aprendamos a pronunciar com reverência e amor as palavras da Ave Maria, na qual recordamos este privilégio singular da Virgem Santa Maria.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco;

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8,16-26; 9,21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução (salve, na nova tradução), correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26,49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10,5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3,14; Jl 2,21-23; Zac 9 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28,15), Moisés (Ex 3,12) e Gedeão (Jz 6,12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1,12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1,18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1Sam 1,18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6,8) e Moisés (Ex 33,12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2Sam 7,8-16; Salm 2,7; 88,27; Is 9,6; Jer 23,5; Miq 4,7; Dan 7,14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7,14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1,2; Salm 104,30) e santificadora (cf. Act 2,3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40,34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal (assim, a nova tradução da CEP propõe: “o que é concebido santo será chamdo Filho de Deus”). «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Gn 1,3; Salm 2,7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

Sugestões para a homilia

 

• Maria Imaculada, sinal de bênção

• Maria, caminho da fidelidade ao Senhor

 

1. Maria Imaculada, sinal de bênção

 

A leitura do Livro do Génesis conta-nos a história do pecado dos nossos primeiros pais, as suas consequências trágicas e a promessa do Redentor.

A tristeza do pecado. Terminou em sombras de tristeza e luto o dia em que Adão e Eva desobedeceram ao Senhor.

De repente, viram-se despojados da riqueza sobrenatural que os envolvia: a graça santificante que os tornava filhos de Deus e herdeiros da bem-aventurança eterna e ainda os dons gratuitos que o Senhor lhes concedera: a imortalidade e a harmonia das paixões, inteiramente submetidas à razão e à graça.

Também a morte começou a tornar-se a porta única para cada ser humano poder e entrar no Céu. A partir de então, não há outra.

A promessa de que se sentiriam felizes como Deus logo foi desmentida pela rebelião irracional das paixões.

Nem sequer aquele paraíso terreal puderam usufruir, porque foram imediatamente expulsos dele.

A alegria da misericórdia. Mais do que como Juiz Supremo, o Pai aparece no Génesis como o Senhor da misericórdia.

Começa por uma avaliação do que tinha passado, começando por Adão e terminando por traçar um plano de Salvação.

Adão tem medo de Deus. É este o primeiro fruto do pecado. O único remédio eficaz contra este medo é restaurar no homem a filiação divina.

A sua nudez trágica deve ser remediada com a nova veste da graça santificante.

O demónio, fonte de todo o mal não tem a última palavra na história dos homens. A última palavra pertence a Deus e Ele dá-no-la em Maria Imaculada.

Maria, sinal da bênção de Deus. O Senhor declara uma guerra irreconciliável entre a serpente e uma Mulher anunciada nesta profecia.

Esta mulher não pode ser Eva, porque a mãe da humanidade tornou-se amiga da serpente – do demónio – ao fazer-lhe a vontade, transgredindo as ordens de Deus.

Maria não estará submetida à vontade do demónio um instante sequer. Esta inimizade será perpétua. Ele será Imaculada desde o primeiro instante da sua existência.

«Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar».

A descendência da serpente são todos os demónios e os que escolhem uma vida diabólica, pela entrega ao pecado.

A descendência da Mulher é Jesus Cristo, o Redentor dos homens, e todos os que se Lhe unem pelo Batismo e permanecem a seu lado em graça.

Para todos nós, desta profecia do Génesis sobre a imaculada Conceição, fica-nos uma certeza, proclamada pelo Papa Francisco em Fátima: “Temos Mãe!”

Tudo isto foi escrito por inspiração do Espírito Santo para que, como nos diz S. Paulo, «para nossa instrução, a fim de que, pela paciência e consolação que vêm das Escrituras, tenhamos esperança

Temos, pois, razão para cantar com alegria: Cantai ao Senhor um cântico novo: o Senhor fez maravilhas

 

2. Maria, caminho da fidelidade ao Senhor

 

Maria foi eleita, desde toda a eternidade, para ser a Mãe do Filho de Deus que Se fez Homem, sem deixar de ser Deus, para nos salvar. Foi esta eleição divina que atraiu sobre Ela todos os dons extraordinários concedidos pelo Senhor: a Imaculada Conceição, A Virgindade perpétua, uma vida fidelíssima à vontade do Altíssimo a Assunção gloriosa, Mãe de todos os filhos de Deus e da igreja, Corredentora da humanidade e Rainha do Universo.

Quando chegou a hora da Redenção, o Senhor mandou o Arcanjo Gabriel fazer a proposta da maternidade divina à Virgem de Nazaré, para que Ela acolhesse voluntariamente o projeto de Deus.

Encontramo-nos perante um acontecimento histórico. S. Lucas tem o cuidado de apresentar todos os elementos de identificação da cena: «o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria

Ave, Imaculada Conceição. Depois de o Evangelista nos ter dito que a Virgem se chamava Maria, vemos que o Arcanjo a trata por outro nome: Cheia de Graça.

Começa por lhe lembrar que a sua Imaculada Conceição lhe foi concedida em atenção a ter sido eleita para Mãe do Redentor do mundo. Maria chama-se Cheia de Graça porque, desde o primeiro instante da sua vida, nunca esteve privada da graça santificante, da participação na vida divina.

A profecia do Génesis apresentava-A como inimiga perpétua e irreconciliável do demónio. Nunca a sua vontade santíssima esteve de acordo, um só estante, com a vontade da Serpente. «Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar».

O Beato Pio IX definiu a Imaculada verdade de fé. O Espírito Santo iluminou a Igreja para ver nestas palavras do Livro do Génesis e nas do Evangelho de S. Lucas a revelação feita por deus da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.

O Papa Beato Pio IX, em 8 de dezembro de 1854, definiu, por estes termos o dogma da Imaculada Conceição: «A doutrina que sustenta que a Beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.»

A Imaculada, Mãe de Deus. Depois de ter lembrado à humilde Virgem de Nazaré que Ela fora preservada de toda a mancha original porque tinha sido eleita par Mãe do Redentor, o Arcanjo Gabriel transmite-lhe com angelical fidelidade a mensagem Divina. E um puro dom, fruto da liberalidade infinita do Senhor, a escolha de Maria.

«Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim».

O que o Arcanjo lhe propõe em nome de Deus é claro: conceber e dar à luz é próprio da missão da mãe. Deus escolheu-A para Mãe do Redentor do mundo.

Maria Imaculada, a Virgem fiel ao Senhor. Maria, que era inocente, mas não ingénua, sabia muito bem os passos que uma mulher deve dar para ser mãe. Ora Ele fizera com Deus uma Aliança de Virgindade perpétua e conquistara o seu noivo José para esta causa.

Pelos caminhos normais, em qualquer mulher, a virgindade e a maternidade são incompatíveis. Por isso pergunta a S. Gabriel: «Como será isto, se eu não conheço homem?».

A sua intervenção não pretende discutir com Deus as condições da Sua entrega, mas apenas saber o que deus quer dela: Virgem ou Mãe?

E o Arcanjo Gabriel, com um sorriso, esclarece a sua dúvida: deus quer as duas coisas. Será Mãe sempre Virgem.

«O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus».

Maria entrega-se sem condições à vontade de Deus. Imediatamente logo que toma conhecimento de qual é a vontade de Deus, Maria faz a sua entrega incondicional ao Senhor. Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Não temos outro caminho para a felicidade eterna, seguindo a Virgem Imaculada, a não ser abraçar com toda a generosidade a vontade de deus na nossa vida.

A partir deste sim de Maria, tudo se torna possível no mundo. Por obra da sua generosidade, temos agora a possibilidade de participar nesta Eucaristia com a alma em festa e receber o Corpo e Sangue de Jesus na Eucaristia.

O seu Coração Imaculado foi o jardim onde o Pai semeou o trigo loiro com o qual Se fez o manjar Divino da Eucaristia que vamos comungar.

 

Fala o Santo Padre

 

«O que quer dizer cheia de graça? Que Maria é cheia da presença de Deus. Nela não há lugar para o pecado.

Ela é o único “oásis sempre verde” da humanidade, a única incontaminada,

criada Imaculada para acolher plenamente Deus, com o seu “sim”.»

 

Hoje contemplamos a beleza de Maria Imaculada. O Evangelho, que narra o episódio da Anunciação, ajuda-nos a entender aquilo que festejamos, sobretudo através da saudação do anjo. Ele dirige-se a Maria com uma palavra não fácil de traduzir, que significa “cheia de graça”, “criada pela graça”, «cheia de graça» (Lc 1, 28). Antes de chamar Maria, chama-lhe cheia de graça, e assim revela o novo nome que Deus lhe atribuiu e que é mais apropriado do que o nome que lhe foi dado pelos seus pais. Também nós lhe chamamos assim, a cada Ave-Maria.

O que quer dizer cheia de graça? Que Maria é cheia da presença de Deus. E se é inteiramente habitada por Deus, nela não há lugar para o pecado. Trata-se de algo extraordinário, porque infelizmente tudo no mundo está contaminado pelo mal. Cada um de nós, olhando dentro de si mesmo, vê lados obscuros. Inclusive os maiores santos eram pecadores, e todas as realidades, até as mais sublimes, são manchadas pelo mal: todas, exceto Maria. Ela é o único “oásis sempre verde” da humanidade, a única incontaminada, criada Imaculada para acolher plenamente, com o seu “sim”, Deus que vinha ao mundo e deste modo começar uma nova história.

Cada vez que a reconhecemos cheia de graça, fazemos-lhe o maior elogio, o mesmo que Deus lhe fez. O melhor elogio que se pode dizer a uma senhora é falar-lhe, com amabilidade, que demonstra menos idade. Quando dizemos a Maria cheia de graça, num certo sentido dizemos-lhe também isto, ao nível mais elevado. Com efeito, reconhecemo-la sempre jovem, porque jamais envelhecida pelo pecado. Só existe uma coisa que deveras faz envelhecer, envelhecer interiormente: não é a idade, mas o pecado. O pecado envelhece-nos, porque esclerosa o coração. Fecha-o, torna-o inerte, fá-lo murchar. Mas a cheia de graça é vazia de pecado. Então é sempre jovem, é «mais jovem que o pecado», é «a mais jovem do género humano» (G. Bernanos, Diário de um pároco de aldeia, ii, 1988, p. 175).

Hoje a Igreja felicita-se com Maria chamando-lhe toda bela, tota pulchra. Assim como a sua juventude não depende da idade, do mesmo modo a sua beleza não consiste na exterioridade. Como mostra o Evangelho de hoje, Maria não se dintingue pela aparência: de família simples, vivia humildemente em Nazaré, um povoado quase desconhecido. E não era famosa: até quando o anjo a visitou, ninguém soube disto, naquele dia ali não havia repórter algum. Nossa Senhora também não levou uma vida confortável, mas teve preocupações e temores: ela «sentiu-se muito perturbada» (v. 29), reza o Evangelho, e quando o anjo «se afastou dela» (v. 38), os problemas aumentaram.

No entanto, a cheia de graça levou uma vida bonita. Qual era o seu segredo? Podemos compreendê-lo olhando novamente para o cenário da Anunciação. Em muitas pinturas Maria é representada sentada diante do anjo com um pequeno livro nas mãos. Este livro é a Escritura. Assim Maria costumava ouvir Deus e estar com Ele. A Palavra de Deus era o seu segredo: perto do seu coração, depois se encarnou no seu seio. Permanecendo com Deus, dialogando com Ele em todas as circunstâncias, Maria tornou bela a sua vida. O que faz bela a vida não é a aparência, não é aquilo que é passageiro, mas o coração orientado para Deus. Contemplemos hoje com alegria a cheia de graça. Peçamos-lhe que nos ajude a permanecer jovens, dizendo “não” ao pecado, e a levar uma vida bonita, dizendo “sim” a Deus.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 8 de dezembro de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos e filhos de Maria Imaculada:

Bendigamos a Deus, nosso Pai e rico em misericórdia

que nos enviou a grande bênção prometida a nossos pais

e, por intercessão da Virgem Imaculada, nossa Padroeira,

Oremos (cantando), com alegria:

 

    Interceda por nós a Virgem Imaculada.

 

1. Pela santa Igreja, nossa família sobrenatural presente em toda a terra,

    para que não seja livre do Demónio e seja esposa fiel e santa de Cristo,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem Imaculada.

 

2. Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos da santa Igreja,

    para que Deus lhes conceda a graça de serem sempre bons pastores,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem Imaculada.

 

3. Pelos fiéis cristãos do mundo, especialmente pelos que são perseguidos,

    para que reconheçam na Virgem Imaculada o sinal da bênção de Deus,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem Imaculada.

 

4. Pelos governantes, pelas autoridades e pelas autoridades da nossa terra,

    para que cuidem sobretudo dos mais pobres e promovam o bem comum,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem Imaculada.

 

5. Pelas mulheres que estão prestes a ser mães e pelas têm filhos doentes,

    para que saibam acolher e agradecer o dom da vida e confiem em Deus,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem Imaculada.

 

6. Pelos que cederam à tentação do Inimigo e pelos que vivem em pecado,

    para que se convertam, se arrependam e recebam o perdão dos pecados,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem Imaculada.

 

7. Pelos nossos irmãos defuntos que partiram desta vida e são purificados,

    para que neste dia de festa no Céu e na terra sejam acolhidos no Paraíso, 

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem Imaculada

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

que convocastes e reunistes estes vossos filhos

para celebrarem os louvores da Virgem Imaculada,

fazei que, olhando para Ela, com Fé, Amor e devoção

aprendam a imitá-l’A e a progredir na santidade.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Hoje, a Igreja da terra enche-se de cânticos em louvor da Imaculada Conceição que nos deu Jesus, o maior de todos os dons.

Ele vai ser nosso Alimento quando transubstanciar, pelo ministério do sacerdote, o pão e o vinho que levamos ao altar.

 

Cântico do ofertório: Exulto de alegria no Senhor – M. Silva, CEC (II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício de salvação que Vos oferecemos na solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria e, assim como acreditamos que, por vossa graça, ela foi isenta de toda a mancha, sejamos nós, por sua intercessão, livres de toda a culpa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério de Maria e da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.

Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original, para que, enriquecida com a plenitude da vossa graça, fosse a digna Mãe do vosso Filho. Nela destes início à santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade. Dela, Virgem puríssima, devia nascer o vosso Filho, Cordeiro inocente que tira o pecado do mundo. Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o vosso povo, advogada da graça e modelo de santidade.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Saudação da Paz

 

Maria é sinal de paz e benevolência de Deus para um mundo triste assustado com os seus pecados.

Que a Virgem Imaculada na sua Conceição lhe alcance de Jesus o dom da verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Agora que nos preparamos para comungar – depois de nos examinarmos se estamos preparados como o Senhor mandou, peçamos à Senhora Imaculada que nos ensine e ajude a comungar como Ela, quando estava na terra.

E que o corpo e Sangue de Cristo que vamos receber guarde a nossa alma para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: É celebrada a vossa glória – A. F. Santos, BML, 33

 

Antífona da comunhão: Grandes coisas se dizem de vós, ó Virgem Maria, porque de vós nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Feliz és Tu porque acreditaste – C. Silva, OC

 

Oração depois da comunhão: O sacramento que recebemos, Senhor, cure em nós as feridas daquele pecado, do qual, por singular privilégio, preservastes a Virgem Santa Maria, na sua Imaculada Conceição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Intensifiquemos a nossa Senhora a Maria Santíssima e cuidemos também dos seus filhos que ainda estão na terra.

 

Cântico final: Desde toda a eternidade – M. Carneiro, NRMS, 18

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

4ª Feira, 9-XII: Recuperação de forças.

Is 40, 25-31 / Mt 11, 28-30

Os que esperam no Senhor, recuperam as forças...crescem sem se fatigarem, caminham sem se cansarem.

O Messias promete novas forças a quem anda exausto e robustecer aquele que fraqueja (LT). Jesus convida-nos a ir ter com Ele. Vinde a mim todos os que vos afadigais (EV). Aquilo que realmente pesa são os nossos pecados, os nossos problemas que queremos resolver sem a ajuda de Deus. Ele perdoa todos os teus pecados (SR).

O Senhor quer tornar o homem mais leve: dá esperança aos desanimados, ajuda os que se queixam da dureza a vida (LT). O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade (SR).

 

5ª Feira, 10-XII: Forças para os combates.

Is 41, 13-20 / Mt 11, 11-15

Eu venho socorrer-te, diz o Senhor. Irás bater e triturar os montes, reduzir as colinas a palha.

 O Messias virá ajudar-nos a ultrapassar os obstáculos da nossa vida, os montes e as colinas da nossa vida (LT). Assim serão dados a conhecer aos homens o vosso poder (SR). Essa é igualmente a força necessária para alcançar o reino dos Céus (EV).

Como o Senhor conhece as nossas debilidades, tem misericórdia de nós e estimula-nos a enfrentar com coragem as dificuldades, a rejeitarmos as tentações, a superarmos os obstáculos, a termos paciência nos momentos difíceis, etc.

 

6ª Feira, 11-XII: A felicidade e a Palavra de Deus.

Is 48, 17-19 / Mt 11, 16-19

Se tivesses atendido as minhas ordens, o teu bem-estar seria como um rio e a tua prosperidade como as ondas do mar.

De acordo com o profeta, a nossa felicidade estaria ligada ao acolhimento da palavra de Deus (LT). Mas a verdade é que, quando chegou o Messias, nem Ele nem João Baptista tiveram bom acolhimento (EV).

Procuremos aceitar cada vez melhor os ensinamentos do Senhor, para adquirirmos uma confiança plena nEle, para apreciarmos melhor os tesouros da sua bondade e a ternura que derrama sobre nós. Seremos como a árvore plantada à beira mar. Tudo o que fizermos será bem sucedido (SR).

 

Sábado, 12-XII: Elias, o Precursor do Messias.

Sir 48, 1-4. 9-11 / Mt 17, 10-13

Como brilhaste, Elias, pelos teus prodígios. Foste preparada em ordem ao futuro.

Nas Leituras de hoje (LT e EV) é recordado o profeta Elias, que realizou grandes prodígios graças ao poder divino: ressuscitou o filho da viúva de Sarepta, fez descer o fogo de Deus sobre o Monte Carmelo, etc. O seu nome significa: O Senhor é o meu Deus!

O Messias realizou prodígios ainda maiores. Agora o fogo passa a ser o Espírito Santo, que queimará todas as impurezas do nosso coração. Vem restaurar tudo, para que fique como no princípio da criação. Estendei as mãos sobre o filho do homem que para vós criastes (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial