2.º Domingo do Advento

6 de Dezembro de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Povo de Sião – A. F. santos, BML, 18

cf. Is 30, 19.30

Antífona de entrada: Povo de Sião: eis o Senhor que vem salvar os homens. O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa na alegria dos vossos corações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Somos bem-vindos! Neste segundo domingo do Advento, o nosso olhar de fé e de esperança, iluminado pelo amor de Deus, abre-se à contemplação da pessoa de João Batista, o precursor, que nos inspira na espectativa do encontro pessoal com Jesus Cristo, que batiza no Espírito Santo.

Preparar os caminhos do Senhor, é o convite que a liturgia nos faz neste segundo domingo do Advento. É convite a deixar de lado as nossas perspectivas e aceitar as de Deus, ao mesmo tempo que aceitamos a companhia que Ele nos oferece.

 

oração colecta: Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta, com voz poderosa chega ao coração de todos. Ele levanta a fé e a esperança do seu povo. Deus não Se esqueceu de vós, Deus aproxima-Se, o Senhor vem com força e a sua glória se revelará.

 

Isaías 40, 1-5.9-11

1Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados. 3Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. 4Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. 5Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou».9Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém! Levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. 10O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. 11Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».

 

A leitura corresponde ao início do Segundo Isaías (Is 40,1 – 55,13), também chamado «Livro da Consolação», que começa com uma voz misteriosa que diz em nome de Deus: «Consolai, consolai o meu povo, diz o nosso Deus» (v. 1). O contexto deuteroisaiano é o da situação do Povo no cativeiro de Babilónia, para onde os judeus mais válidos e importantes tinham sido levados em sucessivas deportações, que culminaram com a destruição de Jerusalém e do Templo em 587. O Profeta, continuador do grande Isaías do século VIII, começa, no início da 1ª parte desta obra (cap. 40 – 48), por animar os deportados abatidos a disporem-se para o caminho de regresso à terra-mãe, aproveitando o decreto de Ciro, rei dos Persas, que, tendo em 539 conquistado Babilónia, autorizava os deportados a regressarem às suas terras de origem. O Profeta esclarece que esta libertação é obra de Deus, Senhor do mundo e do curso da história, que se serve do rei Ciro, como seu «ungido», para trazer a liberdade ao Povo. Este regresso, difícil sobretudo para quem já tinha nascido no desterro e para quem ali se encontrava sofrivelmente instalado, é enaltecido e apresentado poeticamente como um «novo êxodo», ainda mais maravilhoso do que o primeiro. O regresso não será um caminho difícil e penoso, pois o Senhor vai fazer grandes prodígios a favor dos retornados.

3 «Uma voz clama: 'Preparai no deserto o caminho do Senhor…’», tem uma esplêndida actualização na abertura do Evangelho de S. Marcos, o Evangelista deste ano B. Na tradição bíblica o deserto, passa a ter um profundo significado simbólico, como o lugar do encontro com Deus, na solidão e na intimidade da alma em oração, como o tempo de prova e purificação. O abater dos montes e o altear das terras abatidas para construir estradas – coisa então impensável sem a potente maquinaria moderna – é uma ousada metáfora, que se presta a ser aplicada às disposições da alma para que Deus entre nela. O texto da leitura, admiravelmente musicado no início do Messias de Händel, é bem adequado para nos introduzir no espírito do Advento, a preparar a vinda do Senhor, com disposições de humildade e rectidão para endireitar tudo o que na nossa vida ande mais ou menos desviado da vontade de Deus (cf. v. 4).

 

Salmo Responsorial    Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: Também a nós o Senhor dará o que é bom e não nos faltará com os auxílios da Sua misericórdia.

 

Refrão:        Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.

 

Ou:               Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Escutemos o que diz o Senhor:

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Não andemos à procura da data da chegada do Senhor, do fim do mundo. Preocupemo-nos em estar preparados, com uma vida santa e grande piedade, para acolher o Senhor que vem para criar um mundo novo.

 

2 São Pedro 3, 8-14

8Há uma coisa, caríssimos, que não deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. 9O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender-se. 10Entretanto, o dia do Senhor virá como um ladrão: nesse dia, os céus desaparecerão com fragor, os elementos dissolver-se-ão nas chamas e a terra será consumida com todas as obras que nela existem. 11Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, 12esperando e apressando a vinda do dia de Deus, em que os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão no ardor do fogo! 13Nós esperamos, segundo a promessa do Senhor, os novos céus e a nova terra, onde habitará a justiça. 14Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz.

 

No final desta epístola o autor inspirado tenta dar uma resposta aos que estavam perplexos com a demora da segunda vinda de Cristo; com efeito, tão grande era o desejo de que Ele voltasse, que chegaram a convencer-se da sua proximidade! Temos aqui um apelo à fé, pois o Senhor sempre cumpre o que promete, mas a verdade é que o dia da sua vinda nos é desconhecido e todos os cálculos humanos estão destinados a falhar, uma vez que para Deus «mil anos são como um só dia», no dizer do Salmo 89 (90), 4; por outro lado, Ele quer dar tempo para que «todos se possam arrepender» (v. 9).

10 «O dia do Senhor chegará como um ladrão» é uma expressão tradicional que consta dos ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos: cf. Mt 24,36.43-44.48-50; Lc 12,35-48; 1Tes 5,4-6;  2Tim 2,13-14; Apoc 3,3.

12-13 «Os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão no ardor do fogo»: Não parece que se esteja a falar dos quatro elementos da Natureza, segundo os antigos: terra, água, ar e fogo; pela oposição à «Terra», parece que a expressão se refere aos corpos celestes. No entanto, o género destas expressões é claramente apocalíptico, uma linguagem figurada, grandiosa e aterradora, com que se alude a uma poderosa intervenção de Deus, mas sem que nada de concreto se possa especificar. Mas não se pense que tudo vá terminar na destruição; acabará certamente este tipo de vida e, em vez de aniquilamento, o que acontecerá há-de ser uma radical transformação – «os novos céus e a nova terra» –, que também não sabemos em que vai consistir. Estamos perante uma outra rara citação do A. T. na Secunda Petri (Is 65,17; 66,22; cf. Rom 8,18-30; 2Cor 5,14-15; Apoc 21,1; cf. tb. Jds 24). Trata-se de uma nova ordem de coisas, que nada tem a ver com a dita “nova ordem mundial”, com que se pretende prescindir de Deus, mas uma nova ordem «onde habitará a justiça», isto é, a santidade e a plena harmonia de acordo com o projeto de Deus, pois não haverá mais pecado e os pecadores rebeldes estarão para sempre apartados para o fogo eterno (cf. Mt 25,41). O mais que se diga é especulação e alimento mais ou menos edificante da imaginação.

Sobre o fim dos tempos abundam revelações particulares, em que abunda a linguagem apocalíptica que deve ser bem interpretada, como é o caso das revelações de Fátima que o Cardeal Ratzinger bem explicou no seu Comentário Teológico do ano 2000. Só à autoridade da Igreja pertence a interpretação autorizada das revelações particulares. Vale a pena recordar o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o fim dos tempos, 368-679. “O triunfo do Reino de Cristo só será um facto, depois de um último assalto das forças do mal” (nº 680).

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 3, 4.6

 

Monição: Não é uma estrada que vamos pisar; é um itinerário, é um estilo de comportar-se. Para isso, que temos de mudar dentro de nós, nos nossos costumes, na nossa vida? Preparemo-nos para escutar e acolher Aquele que nos batiza no Espírito Santo e no fogo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas

e toda a criatura verá a salvação de Deus.

 

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 1-8

1Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. 3Uma voz clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas'». 4Apareceu João Baptista no deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. 5Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. 8Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».

 

S. Marcos começa o seu Evangelho com umas breves referências à pregação do Baptista (vv. 2-8) e ao Baptismo de Jesus (vv. 9-11) e uma brevíssima alusão às tentações no deserto (vv. 12-13), que constituem como que o prólogo da sua obra. À primeira vista, poderia parecer que no 1º versículo – «Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus» – a palavra Evangelho designaria o seu escrito. Mas a verdade é que estas palavras são como que a síntese de toda a obra: «Jesus» é «Cristo», isto é, o Messias anunciado pelos profetas e também o «Filho de Deus». Todo o Evangelho de Marcos está enquadrado nesta confissão de fé, com que também finaliza a vida terrena de Jesus: «verdadeiramente este homem era Filho de Deus (Mc 15,39). O próprio Jesus é Ele mesmo o «princípio» da salvação, pois Ele é a Boa Nova, o «Evangelho». A palavra grega «evangelho» significa boa notícia; no Novo Testamento é o feliz anúncio da salvação que Deus comunica aos homens por meio de seu Filho.

A citação inicial (vv. 2-3) de Isaías 40,3 (cf. 1ª leitura de hoje) tem o valor da citação do Profeta messiânico por excelência, por isso engloba na citação uma parte que nem sequer é de Isaías, o v. 2, mas do profeta Malaquias (Mal 3,1; cf. Ex 23,20). A grandeza de Jesus é posta em relevo pela humildade de João que afirma: «eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias» (v. 7); com efeito, desatar as sandálias era considerado algo tão humilhante, que nem sequer se podia exigir a um escravo que fosse judeu. O convite do Baptista à «penitência» (v. 4) é o melhor apelo a «preparar o caminho do Senhor» para o Natal que se aproxima; o próprio João aparece como um modelo de preparação: um homem desprendido e penitente (cf. v. 6).

 

Sugestões para a homilia

 

Nenhum ser humano pode viver sem perspectivas de futuro, sem uma esperança maior que torne possível dar sentido à vida e à história. Sem esperança seca-nos o coração... Sem esperança, nenhuma semente se deixaria semear, nenhuma flor aceitaria ser polinizada, nenhuma criança quereria crescer... Mas, como encontrar hoje essa Esperança maior, que é para nós semente de alegria e que vem batizar no Espírito Santo; que nos quer falar ao coração; que vem para nos salvar?

No caminho para a alegria do encontro com o Senhor, a Liturgia da Palavra do 2º Domingo do Advento, diz-nos que é preciso preparar os caminhos do Senhor, para o novo êxodo, guiados pelo próprio Deus, acreditando que não há, na nossa vida vales que não possam ser elevados, nem montanhas que não possam ser abaixadas (Isaías)...; é preciso estar preparados para acolher o Senhor, que vem para criar um mundo novo, no tempo de vida que Deus concede a cada um (2ª de Pedro)... seguindo como exemplo João Batista, o servo cuja alegria é servir Aquele que vem e que chama ao deserto, ao essencial, à confissão dos pecados, a alijar a carga inútil de mentiras e vaidades (Evangelho).

Consolai, consolai o meu povo. Assim começa o chamado “Livro da Consolação” do profeta Isaías, cujo prólogo lemos na 1ª leitura. O povo de Deus passava por uma situação desesperada. Tinha perdido tudo e sofria um desterro terrível. Multiplicavam-se as feridas, as humilhações... Mas Deus, que não está ausente da nossa história, decide que este povo deve ser levantado e curado... Decide trazer luz à sua noite, e oferecer-se para o conduzir, com amor e solicitude ao encontro da verdadeira vida e liberdade.

Que extraordinário capital de esperança o profeta Isaías faz chegar até nós: Deus vem sempre ao nosso encontro e oferecesse-se para nos conduzir… Por isso, não fiquemos instalados e acomodados nas nossas misérias ou pecados, não percamos a capacidade de arriscar e a vontade de começar um novo caminho com Deus; não fiquemos resignados a uma vida banal, vazia. Saibamos abrir o coração à novidade do Pastor que vem para nos reunir, para nos mostrar o seu amor e a sua salvação...

No vasto deserto da solidão, que hoje se vive, seja no isolamento de quatro paredes sem calor humano, seja na confusão anónima das ruas, em que nos tocamos e cruzamos, sem nos vermos, sem chegarmos a sentir nada uns pelos outros, tornemo-nos sinal de consolação e esperança, falemos ao coração dos que lutam sozinhos, dos que combatem sem apoios, dos que falam sem nunca serem ouvidos, dos que caminham, pelo mundo, sem estrelas, nem companhia!

Assim se apresentou João Batista ao trazer-nos a boa notícia da proximidade do Senhor, já presente no meio de nós (Evangelho). Centrado no essencial, figura despojada e sóbria, à espera d’Aquele que batiza no Espírito Santo, João é o mensageiro que antecede o Esperado, a voz à frente da Palavra, o servo diante do Senhor, o que batiza com água, precedendo o que batizará com o Espírito Santo. Ele é dá voz à Palavra de Deus e fala ao coração do seu Povo! O seu grito de sentinela não deixa ninguém indiferente: envolve e compromete a todos: preparai, no deserto, o caminho do Senhor. Nos desertos da solidão e do abandono, do medo e da desesperança, do desencanto e do cansaço, é preciso abrir estradas, altear vales, abater montes e colinas...; ou dito de outro modo, é preciso eliminar as distâncias, abrir um corredor, montar um hospital de campanha, para que Deus possa chegar até nós, passar no meio de nós, aproximar-Se de todos, abaixar-se e curar as feridas de cada um!

O Advento é o tempo para escutarmos a voz que clama no deserto: preparai os caminhos do Senhor; é o tempo da graça para reavivarmos a esperança e pormos em prática o baptismo de penitência e conversão, mudando radicalmente de vida, de comportamentos de mentalidade.

Preparar a vinda do Senhor, preparar Natal, é ter a coragem de ir, não até ao hipermercado para ver última novidade ou comprar o último presente, mas até ao deserto, lugar de silêncio, onde se pode, mais facilmente, escutar a voz que fala ao coração. Aceitemos o desafio, regressemos espiritualmente ao deserto e sentemo-nos ao lado de João Batista que nos apontará aquele que está para chegar e nos batizará no Espírito Santo.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Advento é um tempo para reconhecer os vazios a serem preenchidos na nossa vida;

é o tempo favorável para rezar com mais intensidade

e estar mais atentos às necessidades dos outros, mais próximos.»

 

No domingo passado iniciámos o Advento com o convite a vigiar: hoje, segundo domingo deste tempo de preparação para o Natal, a liturgia indica-nos os seus conteúdos específicos: é um tempo para reconhecer os vazios a serem preenchidos na nossa vida, para aplainar as asperezas do orgulho e dar espaço a Jesus que vem.

O profeta Isaías dirige-se ao povo, anunciando o fim do exílio na Babilónia e o regresso a Jerusalém. Ele profetiza: «Uma voz clama: “Preparai no deserto um caminho para o Senhor [...] todo o vale seja alterado”» (40, 3-4). Os vales a serem alterados representam todos os vazios do nosso comportamento diante de Deus, todos os nossos pecados de omissão. Um vazio na nossa vida pode ser o facto de não rezarmos ou de rezarmos pouco. Portanto, o Advento é o tempo favorável para rezar com mais intensidade, para reservar à vida espiritual o lugar importante que lhe compete. Outro vazio poderia ser a falta de caridade para com o próximo, sobretudo para com as pessoas mais necessitadas de ajuda não só material, mas também espiritual. Somos chamados a estar mais atentos às necessidades dos outros, mais próximos. Como João Batista, deste modo podemos abrir caminhos de esperança no deserto dos corações áridos de tantas pessoas.

«Toda a colina e toda a montanha sejam abaixadas» (v. 4), exorta ainda Isaías. Os montes e as colinas que devem ser abaixadas são o orgulho, a soberba, a prepotência. Onde há orgulho, onde há prepotência, onde há soberba o Senhor não pode entrar porque aquele coração está cheio de orgulho, de prepotência, de soberba. Por isso, devemos abaixar este orgulho. Devemos assumir atitudes de mansidão e de humildade, sem gritar, ouvir, falar com mansidão para preparar assim a vinda do nosso Salvador, Ele que é manso e humilde de coração (cf. Mt 11, 29). Depois é-nos pedido para eliminar todos os obstáculos que levantamos contra a nossa união com o Senhor: «todos os cumes sejam aplainados e todos os terrenos escarpados sejam nivelados! Então a glória de Deus — diz Isaías — manifestar-se-á e todas as criaturas juntamente a verão» (Is 40, 4-5). Mas estas ações devem ser realizadas com alegria, porque se destinam à preparação da chegada de Jesus. Quando esperamos em casa a visita de uma pessoa querida, predispomos tudo com esmero e felicidade. Ao mesmo tempo, queremos predispor-nos para a vinda do Senhor: esperar todos os dias com solicitude, para sermos colmados com a sua graça quando ele vier.

O Salvador que aguardamos é capaz de transformar a nossa vida com a sua graça, com a força do Espírito Santo, com a força do amor. Com efeito, o Espírito Santo derrama nos nossos corações o amor de Deus, fonte inexaurível de purificação, de vida nova e de liberdade. A Virgem Maria viveu em plenitude esta realidade, deixando-se “batizar” pelo Espírito Santo que a inundou com o seu poder. Ela, que preparou a vinda de Cristo com a totalidade da sua existência, nos ajude a seguir o seu exemplo e guie os nossos passos ao encontro do Senhor que vem.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 10 de dezembro de 2017

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus, Pai de bondade,

e peçamos-Lhe com fé

que nos faça acolher o Salvador,

implorando (ou: cantando), humildemente:

R. Vinde, Senhor Jesus.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

1.      Pela santa Igreja, pela nossa Diocese e suas paróquias,

pelos que aí preparam os caminhos do Senhor

e proclamam o baptismo de penitência, oremos.

 

2.      Por todos os que têm autoridade,

pelos que seguem os caminhos da justiça,

e pelas vitimas dos homens sem escrúpulos, oremos.

 

3.      Pelos que esperam os novos céus e a nova terra,

pelos que perderam toda a esperança no futuro

e pelos que consolam e animam os desalentados, oremos.

 

4.      Pelos esposos que têm dificuldades em conviver,

pelos que sentem a alegria de se amar

e pelos pais dececionados com seus filhos, oremos.

 

5.      Pelos mais pobres da nossa comunidade (paroquial),

pelos que abandonaram os caminhos do Senhor

e por aqueles a quem Deus toma em seus braços, oremos.

 

Senhor, nosso Deus,que não cessais de chamar а conversão

os que foram baptizados na água e no Espírito Santo,

fazei-nos acolher com verdadeira fé

Aquele que João Baptista anunciava.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Preparai os caminhos do Senhor – M. Carneiro, NRMS 95-96|

 

Oração sobre as oblatas: Olhai benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio I do Advento I: p. 453 [586-698] ou I/A p. 454

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

“Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas e vê quanta alegria te vem do teu Deus” (Antífona da Comunhão).

Para não desfalecermos neste caminho para a Pátria Bem-aventurada, o Senhor veio viver no meio de nós e dar-se como alimento para a nossa fome, como bebida para a nossa sede.

 Vamos, pois, com alegria à mesa do Senhor e comunguemos com devoção e amor o Pão vivo descido do Céu.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou à porta e chamo – J. F. Silva, NRMS, 22

Bar 5, 5; 4, 36

Antífona da Comunhão: Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas e vê a alegria que vem do teu Deus.

 

Cântico de acção de graças: Desce o orvalho sobre a Terra – M. Simões, NRMS, 64

 

Oração depois da Comunhão: Saciados com o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação neste sacramento, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a amar os bens do Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A este mundo que se perde tantas vezes no desespero e no absurdo, levemos nós uma mensagem de esperança, sabendo que tudo o que acontece é para bem dos que amam e esperam no Senhor.

 

Cântico final: Ave, Senhora do Advento – Az. Oliveira, NRMS, 95-96

 

Homilia FeriaL

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-XII: A cura das nossas 'paralisias'.

Is 35, 1-10 / Lc 5, 17-26

Então os olhos dos cegos hão-de abrir-se, e descerrar-se os ouvidos dos surdos.

De acordo com o anúncio profético, a vinda do Messias será acompanhada por acontecimentos extraordinários (LT). Jesus realiza a cura de um paralítico e perdoa-lhe os seus pecados (EV) . O Senhor, nosso Deus, vem salvar-nos (SR).

Deixemos que o Messias ajude a curar as nossas 'paralisias' e as dos nossos amigos, tais como o afastamento de Deus, dos sacramentos e da vida de oração, os descuidos na vida familiar, a preguiça no trabalho, etc. E perdoará os nossos pecados através do sacramento de confissão sacramental.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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