aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

Fátima:

Canonistas portugueses refletem sobre desafios antropológicos

e a ideologia do género

 

A Associação Portuguesa de Canonistas organizou, de 02 a 05 de setembro, em Fátima (Casa de Nossa Senhora do Carmo), o seu encontro nacional que abordou os desafios antropológicos relacionados com a ideologia do género e algumas das suas consequências no ordenamento civil e no ecossistema jurídico canónico.

Entre os conferencistas estiveram D. António Couto, Bispo de Lamego, que abordou a fundamentação bíblica relativa à antropologia cristã; Isilda Pegado e Pedro Vaz Patto trataram do tema da ideologia do género e as suas consequências na realidade portuguesa, na liberdade religiosa e na objeção de consciência; e, por fim, Juan Ignacio Bañares, da Universidade de Navarra (Espanha), que refletiu sobre a influência da ideologia do género no âmbito do matrimónio.

O encontro dirigiu-se, sobretudo, a juristas civis e canónicos mas, pela amplitude da sua temática, interessava a todos aqueles que têm um especial interesse em interpretar a cultura antropológica contemporânea.

Estiveram presentes cerca de meia centena de participantes.

 

 

Lisboa:

Alenquer, o berço das festas do Espírito Santo

 

A vila de Alenquer, no Patriarcado de Lisboa, assume-se como o “berço” das festas do Espírito Santo, ali instituídas pela Rainha Santa Isabel e o seu marido, o rei D. Dinis, em 1321.

Rui Costa, vice-presidente da Câmara Municipal de Alenquer, disse à Agência Ecclesia que esta “grande manifestação religiosa e popular” se expandiu pelo mundo, através de várias comunidades de emigrantes portugueses.

O entrevistado destaca o trabalho conjunto realizado nos últimos anos para “o engrandecimento deste culto e destas festas”, que já levou à geminação com a cidade de Angra do Heroísmo (ilha Terceira) e ao estabelecimento de um protocolo cultural com o Município de Ponta Delgada (São Miguel).

O projeto passa agora pela constituição de uma “Rede Mundial das Cidades do Espírito Santo”, para criar laços entre as várias comunidades, promovendo projetos “de estudo, de investigação, de partilha” sobre as festas, que sirvam de inspiração para uma transformação da sociedade.

“Uma sociedade mais responsável, que olhe primeiro para o outro”, acrescenta Rui Costa.

Em Alenquer, e após longa interrupção, a recuperação material dos edifícios da antiga Casa do Espírito Santo (Igreja e Arcada), propriedade atual da Santa Casa da Misericórdia local, veio possibilitar a restauração das Festas do Império, em 2007.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Alenquer presta homenagem ao “padre José Eduardo Martins”, de Alenquer, já falecido, e o atual cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, no seu papel pela recuperação de um “símbolo da identidade local”.

“As festas renovaram-se, reinventaram-se”, assinala Rui Costa.

Entre a Páscoa e o domingo de Pentecostes, 50 dias depois, a vila de Alenquer transforma-se anualmente, “num movimento fantástico, de um enorme sentido comunitário da população”, envolvendo mais de 1500 voluntários, durante vários meses.

São um momento de grande beleza, de grande manifestação de fé, mas acima de tudo num momento de elevação de valores fundamentais, defendidos já no século XIV pela Rainha Santa: o diálogo, a partilha, a fraternidade”.

Em 2020, Alenquer celebrou as festas do Espírito Santo, “no estrito cumprimento das normas de saúde pública em vigor”, no domingo de Pentecostes, que marcou o regresso da celebração comunitária da Missa.

A autarquia ofereceu a todas as pessoas que estiveram presentes “o pão do Espírito Santo”, simbolicamente.

A sopa de carne, acompanhada pelo pão e pelo vinho, é a base do Bodo das Festas do Império do Divino Espírito Santo de Alenquer.

Ao longo do mês de julho, de segunda a sexta-feira, a Agência ECCLESIA divulga um lugar onde “O Sagrado e as Gentes” se cruza, seja vivência de festas e romarias, na preservação do património ou na divulgação de tradições e culturas religiosas, nomeadamente as que se encontram entre as finalistas às 7 maravilhas da cultura popular.

 

Lamego:

Juntas de bois transportam a Senhora dos Remédios

pelas ruas da cidade de Lamego

 

O reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, disse à Agência Ecclesia que as festividades que se realizam naquela cidade no mês de setembro têm uma caraterística única, porque “os andores são puxados por juntas de bois”.

Para que tal aconteça foi necessária “uma autorização especial da Santa Sé, em 1925”, o que torna a “vivência intensa e extensa” das festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios, referiu o padre João António Teixeira.

O sacerdote explicou que esta é uma festa “muito antiga” que remonta, “certamente, ao século XVII e mantém o mesmo figurino, com a novena às seis da manhã e depois a “grande celebração no dia 8 de setembro”.

O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é uma “obra imponente”, onde sobressai a escadaria com mais de 900 degraus e o “frondoso parque” que faz “uma “espécie de guarda de honra a Nossa Senhora”, sublinhou o reitor.

A Romaria da Senhora dos Remédios de Lamego é um “excesso de festividade, multidão e simbologia, que cruza uma matriz citadina e rural”, atestando que Lamego é “um património vivo, uma cidade monumento e nobre que, setembro após setembro, abre as suas engalanadas portas de par em par, para receber milhares de romeiros e peregrinos, indicou o padre João António Teixeira.

Um “pulmão espiritual e verdejante” que recebe peregrinos de todo o mundo, acrescentou.

Numa manifestação “cenográfica e religiosa”, carregada de simbolismo, espiritualidade e devoção, a imagem da Virgem Maria percorre as ruas do velho burgo lamecense, no dia 8 de setembro, à tarde, num ambiente de oração e canto, “enchendo de silêncio a alma de milhares de visitantes em peregrinação”.

 

Lisboa:

Paróquia de Paço de Arcos

apresenta órgão de tubos

na festa do Senhor Jesus dos Navegantes

 

O pároco de Paço de Arcos (Oeiras) informou que tiveram a presença do cardeal-patriarca de Lisboa na Missa da festa do Senhor Jesus dos Navegantes, quando foi ser abençoado o novo órgão de tubos.

“Vamos aproveitar e apresentar à comunidade não só o encerramento do ano jubilar, em que celebramos os 50 anos de existência da nossa comunidade paroquial, bem como abençoar e apresentar o nosso novo órgão. Um magnífico instrumento que enriquece a nossa paróquia, o nosso concelho”, explica o padre José Luís Costa.

Presidiu à celebração da Eucaristia solene D. Manuel Clemente, que abençoou o órgão de tubos da igreja paroquial da Sagrada Família. Da parte da tarde, a partir das 16h30, foi recriada a procissão.

“Numa procissão com o Senhor Jesus dos Navegantes num reboque, que os nossos bombeiros gentilmente cederam, acompanhados por um conjunto de carros de coleção e pela banda”, explicou o sacerdote, passou por “ruas que nunca foram percorridas pelo Senhor Jesus dos Navegantes”.

O pároco observa que este ano “não foi possível” reunir a comunidade da Vila de Paço d’Arcos para celebrarem “o padroeiro” como têm feito “ao longo destes últimos 100 anos”, por causa da pandemia Covid-19, por isso, “as festividades terão outra dimensão, outro aspeto”.

“Temos de ser criativos e dar uma resposta diferente àquilo que são as necessidades que cada tempo coloca”, realça o padre José Luís Costa.

Neste contexto, a Paróquia de Paço de Arcos também tem promovido vários concertos do novo órgão de tubos, por causa do “limite da capacidade da igreja, perto de 200 pessoas”: O concerto inaugural foi às 21h30, do dia 31 de agosto, depois dinamizaram um novo espetáculo na quarta-feira, 2 de setembro, à mesma hora, e os concertos foram repetidos nas tardes dos dias 5 e 6 de setembro.

O órgão de tubos da igreja da Sagrada Família está “ao dispor da comunidade paroquial e todo o município”, para “permitir que a música eleve a espiritualidade, e possa conduzir à fonte de toda a beleza”.

 

Porto:

Bispo quer «ir ao encontro das situações difíceis,

sem medos paralisantes»

 

O bispo do Porto espera que o guião do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar para “discernimento de situações irregulares” “contribua fortemente” para que a diocese se aventure, “sem medos paralisantes, a ir ao encontro das situações difíceis”.

“É aí que nos mostraremos Igreja credível, sinodal, mãe e mestra, capaz de passar de uma pastoral das estruturas a uma outra fundada na pessoa e suas situações”, escreve D. Manuel Linda na introdução do novo documento, publicado pelo jornal ‘Voz Portucalense’.

O bispo do Porto explica que o guia do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, é uma “tentativa de ajudar a Igreja” a, segundo a Exortação do Papa Francisco ‘Amoris Laetitia’, «revelar-lhes (aos casados civilmente recasado) a divina pedagogia da graça na sua vida e ajudá-los a atingir a plenitude do plano de Deus neles».

“Auguro que este guião contribua fortemente para nos aventurarmos, sem medos paralisantes, a ir ao encontro das situações difíceis”.

O Papa Francisco propõe na sua exortação apostólica sobre a família, publicada em 2016, após duas assembleias do Sínodo dos Bispos (2014 e 2015), um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar-se civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.

‘Guia prático para o percurso de discernimento’ é o novo documento do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, que se destina “em especial às pessoas ou casais que pretendem fazer esse percurso e aos pastores que as acompanham” e pretende ser um “auxílio” para o percurso proposto nos números 3.4 e 3.5 da nota pastoral ‘Orientações para a pastoral familiar na Diocese do Porto’, de 6 de março de 2019.

 “Os vários intervenientes (pessoa ou casal de recasados e acompanhante espiritual) devem aceitar que não se trata de um processo para ter acesso aos sacramentos, mas sim de um caminho para procurar a vontade de Deus – que pode ser, ou não, possibilitar esse acesso aos sacramentos”, explica nas orientações que “são apenas um guia”, porque cada caso tem características próprias.

No guião o secretariado reflete sobre o percurso de acompanhamento e discernimento, a missão e perfil do acompanhante espiritual, as etapas deste percurso e a sua duração, que segundo a nota pastoral, tem “uma duração mínima de seis meses” mas outras “experiências vividas apontam para percursos mais longo”, sendo o “mais importante a qualidade do percurso” e não “queimar etapas”.

O Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar do Porto explica que o processo de acompanhamento e discernimento desenvolve-se em cinco etapas: “A graça da liberdade interior; fazer memória e exame de consciência do matrimónio sacramental; ‘avaliação’ da relação atual” e a “tomada de decisão segundo a vontade de Deus”.

Na última etapa surge a reflexão sobre o “acesso aos sacramentos” e de colocar a questão “honesta e livremente”: “Qual é a vontade de Deus para mim?”.

 

Madeira:

Cardeal Tolentino Mendonça apresenta compaixão

como «grande tarefa» dos cristãos

 

O cardeal Tolentino Mendonça, bibliotecário e arquivista do Vaticano, presidiu este domingo à Eucaristia na igreja de Machico, sua terra natal, onde desafiou os católicos a assumir a “grande tarefa” de viver com compaixão”.

“Temos de ir sempre além e combater uma fé puramente superficial, puramente sociológica, para mergulhar na vitalidade de uma experiência porque a fé é isso: a fé é uma experiência”, destacou o colaborador do Papa, na homilia.

O cardeal e poeta falou do “amor infinito” de Deus, que está “sempre pronto a construir e a reconstruir essa aliança de amor”.

A intervenção partiu da narração evangélica da multiplicação dos pães, o milagre com que Jesus alimenta a multidão que o seguia.

“As vidas que Jesus encontrou são vidas transformadas, são vidas que se renovam, que se modificam. Os nossos braços cansados ganham asas, as nossas desilusões transformam-se em sonhos, as nossas dificuldades transformam-se em oportunidades para a fé, as nossas doenças em hipótese de cura, a nossa fome e a nossa sede transformam-se num banquete”, referiu D. José Tolentino Mendonça.

O responsável explicou que, quando foi nomeado cardeal, recebeu do Papa Francisco uma carta na qual este lhe pedia, tal como aos restantes cardeais, para que fosse “homem de compaixão”.

“Quando o Papa escreveu a um dos seus filhos a pedir para viver como um homem de compaixão também estava a escrever a esta comunidade paroquial e a pedir que ela descobrisse a compaixão e vivesse a compaixão como uma grande tarefa”, referiu aos presentes na celebração.

 

Vila Real:

Maior andor do mundo da Senhora da Pena «tenta tocar os céus» (c/vídeo)

 

O pároco de Lamares e Mouçós disse à Agência Ecclesia que os andores da Procissão de Nossa Senhora da Pena, com mais de 22 metros de altura, resultam do “esforço” dos transmontanos, tentam “tocar os céus” e “aproximar de Deus”.

“O andor é enorme, tenta tocar os céus, mas o objetivo é aproximar-nos de Deus, numa relação ascendente e numa relação entre nós, irmãos”, afirmou o padre Márcio Martins.

A Procissão de Nossa Senhora da Pena, em Mouçós, Vila Real, é uma das finalistas no concurso “7 Maravilhas da Cultura Popular” Portuguesa, tendo por singularidade o facto de incorporarem a procissão andores com mais de 22 metros de altura, já inscritos no livro do “Guinness”

“Os andores sempre foram grandes. Depois usava-se a estratégias de aumentar um metro, 20 centímetros, 30 centímetros para dizer que todos os anos era o maior andor do mundo. Ultimamente, a grande preocupação já não tem sido essa, porque nos estava a desviar do essencial”, refere o padre Márcio Martins.

O pároco de Mouçós considera que “as pessoas foram tomando a verdadeira consciência que não importa ter um andor muito grande ou estar no Guiness”. “O importante é que o que nós contruímos é para nos aproximar de Deus”, afirmou.

O padre Márcio Martins diz que “os andores são assustadores”, são “maiores do que o Santuário”, mas não é a preocupação com a altura que “move as pessoas”.

“Fazem o andor para que nos aproxime de Deus, para que nossa Senhora da Pena, mediadora da Salvação, nos eleve e nos aproxime do Céu”.

Associando-se à União de Freguesias de Lamares e Mouçós na apresentação da Procissão de Nossa Senhora da Pena a uma das maravilhas da cultura popular, o pároco de Mouçós quer valorizar uma festa que é “uma paixão” para as gentes de locais, distinguir “algo que é religioso” e continuar a afirmar a necessidade de seguir as indicações de segurança para andores que metem “respeito”.

A Procissão de Nossa Senhora da Saúde é composta por 14 andores, com os padroeiros dos vários lugares da freguesia, 11 dos quais são responsáveis por “fazer a festa”.

“Só pode fazer a festa quem no ano anterior levar o andor da padroeira. Essa é a passagem de testemunho de uma comissão de festas para a outra”, explicou o padre Márcio Martins.

Com mais de 22 metros, os andores são transportados por cerca de 100 pessoas, onde “são muito mais importantes os homens das cortas” por garantirem o equilíbrio do andor ao longo do percurso.

 

Santarém:

Bispo apela à solidariedade com os mais pobres

e aponta ao pós-pandemia

         

O bispo de Santarém presidiu à Missa Crismal, na Sé local, no dia do 45.º aniversário da criação da diocese, apontando ao “pós-pandemia”.

“Como sairá a Igreja desta pandemia? Perguntam alguns! Depende da sua fidelidade a Cristo e ao Evangelho; depende da atenção que os cristãos prestam uns aos outros e aos mais pobres da sociedade”, referiu D. José Traquina, na homilia da Eucaristia.

D. José Traquina apresentou o Evangelho como “fonte de humanização”.

“Num mundo onde o bem comum das pessoas, em tantas situações, não é o centro nem a razão de ser dos investimentos, importa reconhecer que não basta o conhecimento para definir estratégias de caminho com futuro; além dos conhecimentos é fundamental a bondade”, observou.

A celebração contou com a presença dos padres da diocese, que neste dia renovam as promessas assumidas na sua ordenação, os diáconos permanentes e um representante por cada secretariado ou serviço diocesano.

 “A pandemia levou muitas pessoas a tomar mais viva consciência e a valorizar a sua dimensão de Fé, recebendo sinais de bondade e de alegria. Vimos o esforço feito para a transmissão de celebrações e tempos de oração e outros ensinamentos, bem como o cuidado dos pobres e dos mais frágeis”, acrescentou.

A homilia destacou a “capacidade de acolhimento de Jesus” e pediu aos padres que a imitem, com dedicação particular às “pessoas socialmente desconsideradas, os pobres, os reclusos, os cegos e os oprimidos”.

O bispo de Santarém falou do ano pastoral 2020-2021, apesar das incertezas que persistem, e apontou como documentos de referência “as orientações do Novo Diretório para a Catequese” e a Carta Encíclica ‘Laudato Si’, do Papa Francisco.

 

Viana do Castelo:

Santuário de Nossa Senhora Peneda

abre Porta Santa nos 800 anos de culto

 

O bispo de Viana do Castelo presidiu em 5 de agosto, à abertura da porta jubilar do Santuário de Nossa Senhora da Peneda, que está a celebrar 800 anos de culto.

Numa nota enviada à Agência Ecclesia, a Confraria da Senhora da Peneda informa que para a celebração de abertura da porta jubilar – Porta Santa -, presidida por D. Anacleto Oliveira, “foi recuperada uma ala do santuário”, criando um espaço dedicado ao Sacramento da reconciliação.

Por causa da pandemia, a novena foi “reduzida” à oração de Laudes e à Missa, às 10h00, e à oração de Vésperas e do Rosário, às 17h00.

Desde o dia 5 de agosto, os fiéis, visitantes e turistas podem observar uma cronologia do Santuário de Nossa Senhora da Peneda e espaços envolventes, de 1220 a 2020.

A nota enviada pela Diocese de Viana do Castelo contextualiza que, “segundo a tradição”, Nossa Senhora apareceu a uma pastorinha e pediu que “fosse construída uma ermida em sua honra”, a 5 de agosto de 1220.

A Confraria da Senhora da Peneda divulgou também que durante o mês de agosto foi celebrada a Eucaristia às 12h00, após “um tempo dedicado à reconciliação” e assinala que “em tempo de pandemia” as celebrações festivas têm de ser reduzidas ao culto no interior do santuário, cumprindo as regras da DGS – Direção Geral de Saúde e da Conferência Episcopal Portuguesa.

No dia 8 de setembro, o bispo de Viana do Castelo presidiu também à Missa no local, às 11h00; D. Anacleto Oliveira elevou o templo da Senhora da Peneda a santuário diocesano, em abril deste ano.

Estão também previstas iniciativas de âmbito cultural no contexto dos 800 anos de culto a Nossa Senhora da Peneda, como a inauguração de um espaço informativo e interativo para promover o concelho, realizadas pelo Comissariado para a Confraria e do Município de Arcos de Valdevez.

 

Algarve:

Bispo benze a primeira pedra

do Centro Paroquial de Armação de Pêra

 

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, presidiu à sessão de lançamento e bênção da primeira pedra do Centro Paroquial de Armação de Pêra.

O jornal diocesano ‘Folha do Domingo’ informa que o projeto do Centro Paroquial de Armação de Pêra inclui um salão para cerca de 400 pessoas, que pode acolher também “as celebrações com maior número de participantes”.

O centro paroquial inclui ainda salas para catequese, reuniões, uma capela, um pequeno bar, uma pequena biblioteca e casa mortuária e a sua construção teve início em junho, o contrato da empreitada de construção foi assinado a 16 de junho.

A obra orçada em cerca de 1 milhão e meio de euros (IVA incluído), que tem prazo de execução de cerca de 15 meses, decorre num terreno contíguo à casa mortuária da vila, cedido pela Câmara de Silves.

O futuro Centro Paroquial de Armação de Pêra vai ser dedicado a Santo António da Areias e é um “projeto antigo” da paróquia algarvia que, na primeira versão, incluiu “a construção de uma nova igreja” mas “deixou de ser uma prioridade” ao longo dos últimos 14 anos, informa o jornal ‘Folha do Domingo’.

 

Portalegre-Castelo Branco:

Bispo lamenta nova «desgraça»

dos incêndios em Oleiros

 

O bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino Dias, lamentou que o território diocesano esteja a ser “mais uma vez tragicamente atingido pelos incêndios”, enviando uma mensagem de condolências à família do bombeiro Diogo Dias, falecido num acidente.

“Estando a acompanhar, com tristeza, tais acontecimentos com a fúria do fogo, apelo à união de toda a Diocese para que, fazendo o que devemos fazer, não deixemos de rezar ao nosso Deus que, em Jesus Cristo, se revelou um Deus próximo de cada experiência humana, sobretudo a experiência da dor e do sofrimento”, escreveu D. Antonino Dias, numa mensagem publicada através da sua página no Facebook, com o título ‘De novo a desgraça dos incêndios’.

D. Antonino Dias fala num “flagelo constante, que mata, faz sofrer, angustia”. “Quanta dor nas populações, quanto sofrimento, quanta aflição, quanto desânimo e quanta mais pobreza a curto e a longo prazo”, alerta.

Três aldeias do concelho de Oleiros estão em “risco efetivo” por causa do incêndio que lavrou ali e se estendeu aos concelhos de Proença-a-Nova e Sertã.

O bispo de Portalegre-Castelo Branco apresentou as “mais sentidas condolências” à família do jovem Diogo Dias, bombeiro de 21 anos que foi vítima de um acidente no quadro de operações.

 “Exprimimos a nossa comunhão junto dos senhores presidentes das Câmaras Municipais de Oleiros, Sertã e Proença-a-Nova; das Juntas de Freguesia; dos senhores padres das Paróquias atingidas; e, particular e afetuosamente, junto das queridas populações tão sofridas”, refere D. Antonino Dias.

A mensagem conclui-se com uma oração: “Que n’Ele todos possam encontrar a serenidade e a força para darmos as mãos e, na caridade cristã, nos valermos uns aos outros”.

Até ao momento, além dos danos materiais, estão registados uma vítima mortal e sete feridos, cinco ligeiros e dois graves.

 

 

Viseu:

Bispo faz duplo apelo aos pais

para inscreverem os filhos na catequese

e nas aulas de Religião e Moral Católica

 

O bispo de Viseu fez “dois apelos” aos pais e encarregados de educação na diocese para inscreverem os filhos na catequese paroquial e na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).

“Nestes dias de matrícula dos vossos filhos na Escola não deixeis de os inscrever nas Aulas de Religião e Moral Católica, pois elas são importantes e estruturantes para a formação integral dos vossos filhos”, explica D. António Luciano.

Numa nota publicada no sítio online da diocese, o Bispo de Viseu pede aos pais que cuidem dos filhos no presente “com qualidade humana ética, cívica e espiritual” para o futuro, “que será a pertença a um mundo renovado”.

O segundo apelo, que é também uma “preocupação” para o bispo de Viseu, é que os pais inscrevam os filhos na catequese paroquial, sem deixarem “de ser os primeiros catequistas”.

Na nota ‘O mundo precisa do Testemunho da Fé – O testemunho dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo enriquece, ilumina e fortalece a vida da Igreja’, o bispo de Viseu questiona-se sobre o lugar do “dom da vocação” no mundo hoje.

D. António Luciano assinala que em tempo de pandemia toda a pastoral da Igreja, “porque deve ser vocacional, há de continuar a propor aos jovens a radicalidade da vocação” e explica que hoje “Deus continua a chamar”.

“A dinâmica do chamamento e o projeto de uma pastoral vocacional hoje é sempre algo de atual. Os verbos a utilizar são os mesmos: chamar, propor, apontar um ideal de vida, um projeto de realização pessoal”, acrescenta, sobre o objetivo de toda a pastoral vocacional e eclesial.

Para o bispo de Viseu a crise vocacional da Igreja, “tantas vezes apontada pela diminuição da natalidade”, assenta numa “sociedade consumista, hedonista, ateia, descartável, pragmática, sem valores e princípios orientadores, sem líderes na família, na escola, na Igreja, na sociedade”.

Na nota publicada online, o bispo de Viseu observa o tempo em que se vive hoje, “e mesmo dentro da própria Igreja”, é um período de “muitos ruídos”, por isso é necessário cultivar uma “pastoral de escuta, de disponibilidade, de resposta generosa, de compromisso assumido e de fidelidade provada”.

Neste contexto, D. António Luciano alerta para “o problema da ecologia global do planeta e de uma economia que não mate”, expressões do Papa Francisco, que são “discutidas por todos, mas não assumidas numa vida de entrega”.

 

Vila Real:

Diocese apresenta plano pastoral em direção ao centenário

 

A Diocese de Vila Real apresentou, na casa episcopal, o plano pastoral para o ano 2020/21 onde também foram divulgados o símbolo, o lema e algumas iniciativas referentes ao centenário da diocese.

“O plano pastoral da diocese é um instrumento fundamental para dinamizar a vida das comunidades” e a partir desse momento passa “a constituir uma referência comum para todas as paróquias, comunidades e instituições que formam a diocese e participam da mesma e única missão”, realça o bispo de Vila Real, D. António Augusto Azevedo.

Este plano pastoral para o próximo ano tem um “significado especial” porque é o primeiro ano do triénio em que é celebrado o centenário da Diocese de Vila Real e será uma espécie de ano preparatório neste triénio de comemorações 2020/23, lê-se na nota enviada à Agência Ecclesia.

A Diocese de Vila Real foi criada pelo Papa Pio XI através da bula Apostólica «Praedecessorum Nostrarum sollicitudo», de 20 de Abril de 1922.

 

Aveiro:

Bispo destaca aposta num programa

«para e com as famílias»

 

O bispo de Aveiro publicou o decreto de nomeações para 2020/2021, sublinhando a necessidade de um programa pastoral “para e com as famílias”, tendo em atenção o impacto da Covid-19.

“Este ano, devido às dificuldades surgidas pela pandemia e pelas consequências que ainda continuam presentes, vamos continuar a viver o tema da vocação no matrimónio e, para isso, prestamos uma atenção redobrada à pastoral familiar”, escreve D. António Moiteiro, num documento divulgado pela diocese.

O responsável espera que as nomeações ajudem a “olhar para a família como ‘Igreja doméstica’ e a aprofundar a sua vocação ao amor”.

O bispo de Aveiro designou uma Equipa Diocesana de Pastoral Familiar e anunciou a constituição de uma Equipa Diocesana de Preparação para o Matrimónio.

“A aposta num programa para e com as famílias pretende traduzir o desafio pastoral ‘estimular uma pastoral de atenção integral à família’ para que esta esteja no centro das nossas preocupações pastorais, quer diocesanas quer paroquiais”, indica D. António Moiteiro.

O prelado indica ainda que as nomeações para os diferentes serviços e missões, feitas para o início de um novo ano pastoral, “pretendem ser um olhar para o conjunto da Diocese e a resposta a dificuldades que vão surgindo no caminhar da nossa Igreja diocesana”.

O bispo de Aveiro propõe uma “nova mentalidade”, quando um pároco acumula várias paróquias.

“É necessário que se constituam, para as paróquias do mesmo pároco, serviços pastorais comuns para determinados âmbitos (por exemplo, catequese, caridade, pastoral da juventude ou familiar)”, sustenta.

“Não é possível pensar a pastoral de hoje com critérios de há dez ou vinte anos atrás”, conclui D. António Moiteiro.

 

Beja:

Bispo desafia a recuperar força da fé,

perante «maioria espiritualmente surda»

 

O bispo de Beja apelou à transmissão e vivência da fé católica, para ir ao encontro de uma “maioria espiritualmente surda” na comunidade alentejana, durante a celebração que assinalou os 250 anos da restauração da Diocese local.

“Anunciar o Evangelho, mais do que transmitir uma doutrina, mais do que comunicar uma moral, mais do que iniciar a uma liturgia, é transmitir a vida de Jesus, filho de Deus. Essa vida não é uma abstração, não é um ideal, é a vida da Igreja, ou seja, a vida que o Espírito Santo suscita e alimenta numa comunidade concreta de irmãos”, assinalou D. João Marcos, durante a homilia que proferiu na Catedral de Beja.

“Sem vida comunitária, ninguém pode evangelizar, porque o seu cristianismo não é autêntico”, acrescentou, numa Missa com transmissão online.

O bispo de Beja assinalou, no entanto, que “dos muitos milhares de pessoas batizadas na Igreja Católica, a grande maioria não escuta a Palavra de Deus”.

“Vivem como pagãos. E quando participam num funeral ou num casamento, as palavras de quem preside não são recebidas por essa maioria espiritualmente surda”, lamentou.

Para D. João Marcos, muitos são “católicos de religião, mas não de fé”, que vivem de forma “superficial” e estão “centrados em si mesmos”.

“Estão na Igreja, mas temem a comunidade e vivem profundamente sozinhas, com os seus problemas, que não comunicam a ninguém”, acrescentou.

Dirigindo-se aos participantes na Eucaristia, o Bispo de Beja deixou uma interpelação: “Há uma divisão profunda entre as orações que dizeis e as obras que praticais”.

D. João Marcos defendeu que, à imagem de Jesus Cristo, a comunidade católica recorra à “linguagem das parábolas”, um convite que “deixa as pessoas à entrada da porta, na alegria de quem se sente amado por poder escutar, mas na humildade de quem está fora do sentido pleno daquilo que escuta, e precisa de perguntar pela chave necessária para entrar nesse mistério”.

Ainda que a situação social não seja, aparentemente, muito favorável, se somos Igreja viva, se o amor a Cristo e ao seu Evangelho nos move, precisamos de lavrar esta terra e de a preparar para produzir uma nova seara. Poderá dar muito ou pouco, mas se não semearmos, seguramente nada produzirá”.

D. João Marcos falou num tempo em que “a sede de lucro escraviza tudo e todos”.

“Cristo nosso Senhor, a Palavra que desceu do Céu à terra para realizar a sua missão libertadora e regressar ao Pai, Aquele que proclamamos estar no meio de nós, é a Luz do mundo, que resplandece nas trevas. Deixemo-nos guiar por essa Luz! Ela transforma os que a seguem em luzeiros brilhantes no meio das trevas”, concluiu.

 

Fátima:

Segredo de Fátima «de segredo já não tem nada»

 

Cardeal de Leiria-Fátima, D. António Marto, encerrou a peregrinação internacional aniversária de 13 de julho, na Cova da Iria, evocando o chamado “Segredo de Fátima”, mensagem transmitida em julho de 1917.

“Esta peregrinação aniversária de julho evoca-nos o chamado e conhecido Segredo de Fátima, que de segredo já não tem nada”, referiu o cardeal português, ao saudar os peregrinos, no final da Missa que foi presidida por D. Vitorino Soares, bispo auxiliar do Porto, no altar do Recinto de Oração.

D. António Marto recordou aos presentes a “intervenção de Nossa Senhora, num momento insólito e particularmente difícil”, para a humanidade e a Igreja, em que pairava o “espectro” da I Guerra Mundial e das perseguições aos católicos.

“Nossa Senhora, com o seu coração de Mãe, fala aos filhos, coração a coração”, disse.

O cardeal destacou que as Aparições de julho deixaram a advertência de que era preciso uma conversão, isto é, “mudar de rumo”, destacando a devoção ao Imaculado Coração de Maria, “para chegar até Deus com o coração totalmente disponível ao Senhor”. Em Fátima, acrescentou, a Virgem Maria deixou uma “promessa de esperança e de confiança”.

“Por fim, o amor misericordioso de Deus triunfará”. explicou.

Um dos momentos centrais da terceira aparição de Nossa Senhora aos videntes Lúcia, Francisco e Jacinta, a 13 de julho de 1917, ficou conhecido como o “Segredo de Fátima”, no qual se apresenta uma visão do inferno, a devoção ao Imaculado Coração de Maria e a Igreja peregrina e mártir.

Em 2010, Bento XVI, agora Papa emérito, falou aos jornalistas no voo entre Roma e Lisboa, para explicar que “uma aparição, ou seja, um impulso sobrenatural, não vem somente da imaginação da pessoa, mas na realidade da Virgem Maria, do sobrenatural”.

A terceira parte do segredo fala de um “Bispo vestido de branco” que caminha no meio de ruínas e cadáveres, imagem associada ao atentado sofrido por João Paulo II a 13 de maio de 1981.

Bento XVI disse que “nesta visão do sofrimento do Papa é possível ver, em primeira instância, o Papa João Paulo II”, mas também estão indicadas “realidades do futuro da Igreja” que se “desenvolvem e se mostram”.

“O importante é que a mensagem, a resposta de Fátima, não vai substancialmente na direção de devoções particulares, mas precisamente na resposta fundamental, ou seja, a conversão permanente, a penitência, a oração, e as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade”, sustentou.

 

Açores:

Açorianos são «missionários» do Espírito Santo no mundo

 

O cónego Hélder Fonseca Mendes, vigário-geral da Diocese de Angra, disse que os açorianos são “missionários” do Espírito Santo, celebrado de forma especial “por ocasião do Pentecostes e em todo o Tempo Pascal”.

“Hoje conseguimos fazer um mapa da manifestação popular do Espírito Santo no mundo através da presença açoriana”, afirmou o sacerdote.

Segundo o cónego Hélder Fonseca Mendes, a diáspora açoriana teve “um efeito duplo”: levou as festas do Espírito Santo e à sua “bandeira” juntou a bandeira do país, “é um fator de identidade do próprio povo de Deus e dos missionários do Espírito Santo no mundo que são os açorianos”.

O culto do Espírito Santo aqui nos Açores e através dos Açores, de que fomos herdeiros desde o povoamento dessa tradição vinda da Europa e de Portugal continental, passou o Atlântico e chegou à América do Sul e à América do Norte e outras regiões como a Ásia, África, através dos descobrimentos e da presença portuguesa e de modo particular açoriana nesses continentes”.

O sacerdote, doutor em Teologia Pastoral com uma tese sobre o Espírito Santo, acrescenta que “todos os domingos do tempo Pascal” são conhecidos como “domingos do Espírito Santo”.

A partir do dia de Páscoa “até ao dia de Pentecostes, o domingo do Espírito Santo ou o primeiro bodo, o voto de fazer, de dar algum dom no dia do Espírito Santo e se prolonga nessa oitava” e por causa da migração, a diáspora, “também um pouco ao longo do verão”.

O cónego Hélder Mendes realça que as festas ao Divino Espírito Santo são realizadas “pelo prazer ou pela alegria, pela justiça, pela bondade, pela caridade”, e, neste sentido, têm uma atualidade que “desdiz um pouco daquilo que é a visão da economia”, porque nas irmandades “está uma economia social, está a partilha, está o excesso, está a misericórdia, está a justiça”.

“Este tempo de festas é sobretudo um tempo de alegria. Este ano foi extraordinário, muito difícil para se viver as festas do Espírito Santo, só me lembro de uma situação semelhante há 40 anos quando foi o terramoto que não se fizeram as festas, mas fica em gérmen para que possam acontecer alguma vez, as pessoas ficam em standby”, desenvolveu.

Nos Açores existem centenas de Irmandades do Divino Espírito Santo, com estatuto jurídico próprio civil e canónico; a maioria nasceu no século XVII, a Irmandade do Santo Espírito de Angra é a mais antiga, de 1492, e são, segundo o sacerdote, “outra riqueza” destas festas com a “dupla vertente” da “promoção ao culto ao Espírito Santo mas, logo associado, a prática da caridade”, sendo “cultuais e caritativas”.

 

Braga:

Novas orientações para a catequese

sublinham papel central da comunidade

 

O Cónego Doutor Luís Rodrigues, especialista da Arquidiocese de Braga, comenta o novo Diretório divulgado pelo Vaticano, dizendo que destaca o papel central da comunidade na transmissão da fé.

“O ensino da catequese, digamos assim, já não faz sentido. O que faz sentido é uma evangelização, neste esforço de ‘primeirar’, de levar até onde é necessário”, assinala o sacerdote, em entrevista que integra o ciclo de ‘Conversas Originais’, em setembro.

O responsável destaca que, nos últimos anos, “surgiram alterações, quer na Igreja, quer no mundo”, que sublinham a necessidade de uma aposta na iniciação cristã. “A catequese é para se centrar em quem a transmite: a comunidade cristã. Esta é outra mudança, no centro da catequese está o simpatizante, aquele que quer ser cristão, o catequizando, e a comunidade cristã”, aponta.

Outra questão abordada no documento que o Vaticano divulgou em junho é a necessidade de responder ao mundo digital. “Houve uma vulgarização do que poderíamos chamar de sociedade digital e também uma mudança, uma evolução, digamos assim, no conceito que a Igreja tem de evangelização”, indica o padre Luís Rodrigues.

O que melhora o trabalho de transmitir a fé, de catequizar, é essencialmente a conversão daquele que está a propor, o ardor espiritual, o entusiasmo, porque transmitir a fé é transmitir uma experiência, não é transmitir um conteúdo”.

Nos últimos 50 anos, tinham sido publicados o Diretório Catequístico Geral, em 1971, e o Diretório Geral de Catequese, de 1997; a 11 de outubro de 1992, São João Paulo II publicou ainda o Catecismo da Igreja Católica.

O novo Diretório para a Catequese, segundo o padre Luís Rodrigues, ajuda a mudar a ideia de fazer “catequese para” receber determinado sacramento, o que leva a um abandono posterior.

“A celebração dos sacramentos deve aparecer como um acontecimento importante no trajeto, mas não como a meta do trajeto”, precisa.

 

Algarve:

«O Sagrado e as Gentes»: «Mãe Soberana»,

a festa que transforma Loulé

 

O pároco de Loulé sublinha o impacto comunitário da festa da Nossa Senhora da Piedade, a “Mãe Soberana”, e afirma que “há uma grande carga religiosa que tem de ser estudada”, nesta manifestação.

“Quando cheguei a Loulé há quatro anos ouvi muito esta expressão: ‘Pode não existir Deus, mas existe a Mãe Soberana’”, disse o padre Carlos Aquino.

A festa de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, é celebrada como a mais significativa expressão de devoção mariana algarvia e a maior manifestação de fé a sul do Tejo.

No domingo de Páscoa, realiza-se a ‘festa pequena’ com a imagem a ser transportada da sua ermida, “construída em 1553”, para a igreja de São Francisco, na cidade de Loulé, e, desde 1893, estabeleceu-se que no terceiro domingo de Páscoa, passado quinze dias, é a ‘festa grande’ de Nossa Senhora da Piedade, “as festas solenes”, com o regresso da imagem.

“É uma festa muito primaveril, a celebração da vida, desde os cantos, os vivas, aquele esforço heroico da subida, em que se reconhece o sacrifício da vida, mas depois é todo um povo que transporta esta imagem ao cimo do monte”, realça.

O pároco de Loulé tem “alguma dificuldade” em “separar o profano do sagrado” porque “pode não ser uma dimensão cristã, mas há uma dimensão profundamente religiosa”.

No início da celebração esteve “um povo crente, que vivia esta espiritualidade”, como na “prece tão espontânea de pedir pelo dom e pela graça da chuva”; em muitos anos, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, uma pietá, “desce à cidade por causa de tempos graves de seca”, como em 1605, 1750, 1773 ou 1896.

O padre Carlos Aquino recorda a dança que é feita com o andor no regresso à ermida, que “é uma dança muito bela, uma dança de festa”, “com um ritmo nada de profano e de muito respeito à Senhora”.

“Evoca-me sempre a dança de David em frente da Arca da Aliança”, acrescenta.

Estas festas ajudam muito e dão força para o ano inteiro nesta certeza de que temos uma Mãe que nos acompanha e nos conduz aquele que é mais importante”.

A ‘Mãe Soberana’ é transportada pelos homens do andor que “são escolhidos de entre o povo”.

Ao longo do tempo, a festa “foi-se valorizando muito”, são oito homens do andor, mais os ‘tochas’, que levam as velas à frente, e “vão quase coordenando a procissão e orientando o próprio caminho naquela estrada tão ingreme”.

“São expressão de um povo e é muito bonito porque quando sabem aquela ladeira é todo o povo que vai agarrado aos homens do andor”, salienta o padre Carlos Aquino.

 

Igreja:

Arcebispo de Braga incentivou à «pastoral da proximidade»

na ordenação de quatro sacerdotes

 

O arcebispo de Braga afirmou que não vê a Igreja “centrada nos sacerdotes” mas impelindo-os “para o meio do povo que escutam, acolhem, orientam e acompanham”, na homilia da na ordenação de quatro presbíteros para esta diocese.

“Não tenhamos medo de estar do lado do povo. Sejamos audazes na construção deste modelo de Igreja diferente. Uma Igreja próxima e façamo-lo através de um anúncio alegre e, se as rugas por acaso aparecerem, ou persistirem no rosto da Igreja, não nos escandalizemos, apaixonemo-nos ainda mais pela autenticidade e nunca deixemos de acreditar na beleza do rosto da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo”, disse D. Jorge Ortiga, na cripta da Basílica do Sameiro.

O arcebispo de Braga presidiu à ordenação de quatro novos presbíteros para esta diocese: João Castro (33 anos, natural da paróquia de S. Martinho de Quinchães, Arciprestado de Fafe), José Miguel Neto (34 anos, Paróquia de S. Martinho de Dume, no arciprestado de Braga), Manuel Torre (26 anos, Paróquia de Santa Eulália de Balasar, Arciprestado de Vila Conde/Póvoa de Varzim), Pedro Miguel Sousa (24 anos, Paróquia de Ronfe, Arciprestado de Guimarães-Vizela).

“Caríssimos novos sacerdotes, apaixonemo-nos pela Palavra de Deus, vamos depois também comprometer-nos com esta pastoral da proximidade, particularmente neste tempo em que tanto se fala de distanciamento social”, pediu na homilia.

Na homilia, o arcebispo de Braga explicou que a “primeira proximidade” que os sacerdotes devem cultivar é a “relação próxima com Deus”, que depois “terá de expressar-se numa vida de encontro com os sacerdotes” e de onde “terá de emergir” uma terceira que é com o povo que “não pode ficar distante e o sacerdote não pode fechar-se no seu templo”.

“Precisa de sair para se encontrar com todas as problemáticas humanas. Sentir o pulsar de um povo que vive dignamente ou que sofre com carências do que é essencial”, desenvolveu, acrescentando que hoje têm também de se “aproximar da natureza para a reconhecer como dom de Deus a cuidar e a preservar” e a ecologia a “fazer parte das opções pastorais”.

D. Jorge Ortiga, que manifestou “gratidão” aos pais, famílias, e às equipas formadoras dos novos sacerdotes, na homilia e num discurso no final da celebração, começou a Eucaristia a destacar a “alegria” do encontro, “como irmãos e filhos de Deus”, e sobretudo, a alegria de encontrarem “jovens que respondem para servir onde o reino de Deus precisa e necessita”.

 

Angra:

«Urge na nossa diocese promover uma cultura vocacional»

 

O bispo de Angra afirma que “urge” na diocese «promover uma cultura vocacional” numa nota pastoral no contexto da ordenação de seis presbíteros, a que presidiu em 6 de setembro, na igreja de São José (Ponta Delgada).

“Urge na nossa diocese promover uma cultura vocacional. Isto significa que em todos os batizados, em todas as famílias e em todas as comunidades cristãs está presente esta exigência de despertar a vocação que cada um dos batizados descobrirá na intimidade com Jesus de Nazaré”, escreveu D. João Lavrador.

E continua: “exige-se de todos os que têm responsabilidades educativas” – nomeadamente na educação cristã -, tenham consciência de tudo o que fazem, “por palavras e testemunho”, deve estar “orientado para o despertar vocacional”, e também que em “todos os espaços educativos se deve cuidar do clima de interioridade, de silêncio e de contemplação”.

Na nota pastoral a propósito das ordenações presbiterais 2020, D. João Lavrador afirma que é um “tempo de graça dado por Deus” para que cada batizado “tome consciência mais profunda da sua própria vocação e missão”.

“Não deixemos, comunidade diocesana, comunidades paroquiais e famílias, de aproveitar este acontecimento de graça para aprofundarmos o Evangelho da vocação. Pais, catequistas, animadores e responsáveis de grupos e movimentos, e sobretudo os sacerdotes, todos no mesmo sentir, edifiquemos uma comunidade diocesana em dinamismo vocacional”, desenvolveu.

D. João Lavrador, que desde que chegou à diocese, em 2015, já tinha ordenado seis novos padres na diocese, presidiu, desta vez, à ordenação de mais seis presbíteros, na igreja de São José, em Ponta Delgada, todos naturais de São Miguel: dois da ouvidoria de Ponta Delgada – Igor Oliveira (São Roque) e Aurélio Sousa (Sete Cidades) -, dois da ouvidoria das Capelas – Pedro Carvalho e João Farias (Santa Bárbara) -, um da ouvidoria da Povoação – Sandro Costa (Furnas) – e outro da Ribeira Grande, Nuno Pacheco de Sousa (Ribeirinha).

“Apresento a minha palavra de reconhecimento pela generosidade e entrega total de cada um dos jovens que vão ser ordenados, o apreço às suas famílias e comunidades cristãs pelo acompanhamento vocacional e de gratidão ao Seminário Maior pela formação integral que lhes ministrou ao longo do curso teológico e que lhes continuará a prestar”, escreve o bispo de Angra.

D. João Lavrador lembra que o Papa Francisco, na mensagem para o dia de oração pelas vocações deste ano, propôs “quatro palavras que são igualmente quatro desafios: Tribulação, gratidão, coragem e louvor”.

Na homilia da Missa, o bispo de Angra afirmou que na vida sacerdotal “não há lugar ao comodismo, à inércia, ao isolamento ou ao fixismo, muito pelo contrário”.

Em vós, jovens, sentimos a experiência do amor de Jesus Cristo, o convite a identificarmo-nos com Ele, a olharmos à nossa volta e descobrirmos os lugares onde exercitar esse amor, servindo a pessoa e a sociedade, mas sobretudo a reconhecermos que o amor exige uma entrega total que só o será na imersão da Fonte do Amor que é Deus”.

 

Fátima:

Apresentação do livro

«No coração da Igreja», do reitor do Santuário de Fátima

 

O reitor do Santuário de Fátima, o padre Carlos Cabecinhas, escreveu a obra ‘No coração da Igreja – Eucaristia, comunidade e missão’, apresentada no anfiteatro do Centro Pastoral de Paulo VI.

O novo livro foi apresentado pelo diretor do Departamento de Liturgia do Santuário de Fátima, o padre Joaquim Ganhão, numa sessão que contou com a presença do cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima.

“Uma obra de síntese, única, de um teólogo português, muito bem fundamentada e sistematizada, que apresenta a Eucaristia nas várias vertentes do mistério acreditado, celebrado e vivido, na dimensão pessoal, eclesial e missionária. O autor consegue fazer tudo isto conjugando os aspetos teológico, litúrgico e pastoral dentro de um horizonte de evangelização e numa linguagem acessível e atraente”, escreveu o cardeal D. António Marto, no prefácio do livro.

O bispo de Leiria-Fátima afirma que “depois do estudo atento do livro, o leitor não olhará mais a Eucaristia como simples rito, mas como encontro único e insubstituível, real e concreto, com Cristo ressuscitado”.

“Em cada celebração eucarística é Cristo que Se torna presente, que nos fala, que nos dá a sua vida, que nos torna participantes do mistério da sua entrega na morte e da sua ressurreição. A partir daqui surge um novo olhar sobre o mistério e a sua celebração”, acrescenta D. António Marto.

A Paulus Editora e o Santuário de Fátima promoveram a apresentação do novo livro do padre Carlos Cabecinhas.

O comunicado informa que o reitor do Santuário de Fátima, desde 2011, fez a sua especialização teológica no Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em Roma, onde completou o mestrado e doutoramento em Liturgia e tem colaborado na formação teológica de agentes de pastoral litúrgica, em diversos âmbitos, para além da docência.

 

Aveiro:

Tradição, solidariedade e lançar de cavacas

nas festas ao «menino» São Gonçalinho

 

As festas em honra de São Gonçalo, na Diocese de Aveiro, celebram o “menino” Gonçalinho que cura doenças, atende a diversos pedidos e é casamenteiro, numa festa em que as pessoas lançam cavacas do telhado da igreja, em agradecimento.

“O lançar das cavacas é um dos elementos mais pitorescos, nasce e existe na tradição local das gentes da beira-mar, vai passando de geração em geração, há pessoas que vão lançar cavacas por que já o foram lançar com os seus pais e levam os seus filhos”, explicou o pároco da Vera Cruz.

O padre João Alves salienta que este gesto também está inscrito no início de um novo ano, “em Aveiro o Natal prolonga-se ano novo até São Gonçalinho”, que a Igreja celebra a 10 de janeiro.

Estes “gestos de oferta”, que são o lançar das cavacas do telhado da igreja de São Gonçalinho, hoje “mais do que na devoção religiosa, popular, está inscrita numa tradição citadina”, acrescenta o padre João Alves observando que as filas, nos últimos anos, “têm sido de duas horas de espera”, com as pessoas a levarem “sacos de 25 quilos”.

O beato português Gonçalo de Amarante nasceu em Vizela, no século XII; em Aveiro é tratado, carinhosamente, por São Gonçalinho, um nome pelo qual terá começado a ser chamado durante a construção da “atual igreja, a capela, que em comparação à igreja primitiva “é mais pequena”.

 “Olhamos para ele e fazemos os nossos pedidos de ajuda, fazemos os nossos agradecimentos, é o nosso menino, protetor da Beira-mar, a quem nós recorremos para falar muitas vezes, ir à capela apenas visitar, é alguém que nos dá motivação e força”, explicou um devoto.

A festa não se pôde realizar neste ano, por causa da pandemia. Tivemos então uma inspiração.

 “Reparamos que existiam muitas famílias afetas à paróquia que estavam a passar dificuldades e as instituições afetas à paróquia também estavam a precisar de apoio e achamos de uma forma unânime que não fazia sentido estarmos a angariar dinheiro para uma festa que não sabíamos se se ia realizar ou não quando há pessoas no bairro que estariam a passar fome”, afirmou o juiz da Mordomia de São Gonçalinho.

 

Braga:

«Somos Igreja, somos missão

e não quisemos deixar de ser presença»

 

A coordenadora do Centro Missionário da Arquidiocese de Braga, Sara Poças, disse à Agência Ecclesia que, apesar da pandemia e dos ataques violentos em Moçambique, vão continuar a estar presentes no país.

“Mesmo para nós é difícil de gerir mas somos Igreja e somos missão e não quisemos deixar de ser presença num sitio que está a ser fustigado pela ausência dos missionários que foram forçados a sair do norte do país”, explica a responsável.

Sara Poças contou que a equipa do centro missionário “tem acompanhado de perto” a missão na paróquia de Ocua, em Moçambique, onde se encontra em missão o casal bracarense Rui Vieira e Susana Magalhães.

“Os voluntários têm esse feedback e fazemos questão de frisar essa realidade, não há propriamente perigo eminente perto, mas isso afeta a diocese e o ambiente no país”.

Em formação estiveram sete voluntários, “que já tinham participado de formações em anos anteriores”, e que a coordenadora destaca a “persistência e amadurecimento da vontade de partir”.

Devido à pandemia esta formação “teve de ser alterada”. “A partir de março teve de ser online, os voluntários estavam disponíveis para essa alteração e permitiu outras participações que não seriam possíveis se fosse presencialmente, como o caso de testemunhos; entretanto estamos já a pensar no próximo ano em que devemos incluir esta parte online na formação”, disse.

Neste tempo de formação os voluntários sentiram falta dos momentos de convívio, o que despertou na equipa formadora “a necessidade de almoços e jantares integrados no percurso de formação”, trazendo uma nova realidade de pensar a formação.

Sara Poças olha ainda o futuro do voluntariado missionário com um “receio geral” e um aumento de necessidades.

“A maioria dos grupos de voluntários não vão realizar os projetos este ano, por questões de segurança, e acho que vai dificultar o envio das pessoas, porque há receios embora haja o outro lado, se há dificuldades, há mais necessidades ainda nos sítios e contextos de missão, isso aumenta o desafio de estarmos disponíveis para responder a essas necessidades”, assume.


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