aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

Japão:

Hiroxima e Nagasáqui, uma lição por aprender

 

As cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui assinalaram nos dias 6 e 9 de agosto, respetivamente, os 75 anos dos bombardeamentos atómicos durante a II Guerra Mundial, um drama que o Papa tem recordado para pedir o fim das armas nucleares.

O Santo Padre enviou uma mensagem às pessoas que recordaram as milhares de vítimas da primeira bomba atómica, saudando em particular os sobreviventes do ‘hibakusha’, termo japonês que se refere aos que sobreviveram à explosão.

“Tive o privilégio de poder ir pessoalmente às cidades de Hiroxima e Nagasáqui”, escreve o Sumo Pontífice na mensagem enviada ao governador da província de Hiroshima, Hidehiko Yuzaki.

“Para que a paz floresça, todos devem depor as suas armas, sobretudo as mais poderosas e destruidoras, como as armas nucleares, que podem paralisar e destruir cidades, países inteiros”.

O Papa repetiu o que disse no Memorial da Paz de Hiroxima, a 24 de novembro de 2019: “O uso da energia atómica para fins bélicos é imoral, assim como também a posse de armas nucleares é imoral. Que as vozes proféticas dos sobreviventes de Hiroxima e Nagasáqui continuem a servir de aviso, para nós e para as gerações futuras”.

Neste 75º aniversário da explosão atômica em Hiroshima, recordemos que os recursos usados para a corrida armamentista poderiam e deveriam ser utilizados em benefício do desenvolvimento integral dos povos e para a proteção do meio ambiente.

Estima-se que 140 mil pessoas tenham morrido no primeiro ataque atómico, contra Hiroxima, a 6 de agosto, em 1945; três dias depois, os norte-americanos levaram a cabo um segundo bombardeamento, em Nagasáqui, que causou mais de 70 mil mortos.

Milhares de pessoas viriam a sofrer as consequências da radiação, até à atualidade.

O Papa Francisco visitou as duas cidades japonesas em novembro de 2019 e dedicou a sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2020 ao desarmamento nuclear.

“É imoral não somente o uso, mas também a posse de armas nucleares”, defende o pontífice.

Já no encontro anual com os diplomatas acreditados junto da Santa Sé, no último mês de janeiro, o Papa defendeu “um mundo sem armas nucleares”, recordando o seu encontro com sobreviventes aos bombardeamentos atómicos de Hiroxima e Nagasáqui, no Japão.

A 24 de novembro de 2019, o Papa visitou o Memorial da Paz de Hiroxima, no local onde explodiu a primeira bomba atómica, falando num momento que “marcou para sempre” a história da humanidade.

“Desejo reiterar, com convicção, que o uso da energia atómica para fins de guerra é, hoje mais do que nunca, um crime não só contra o homem e a sua dignidade, mas também contra toda a possibilidade de futuro na nossa casa comum. O uso da energia atómica para fins de guerra é imoral, da mesma forma que é imoral a posse de armas atómicas, como disse há dois anos. Seremos julgados por isso”, denunciou.

 

Malawi:

Papa Francisco doou ventiladores para hospital

 

O Papa Francisco, através do núncio apostólico no Malawi e Zâmbia, D. Gianfranco Gallone, doou ventiladores pulmonares ao Hospital Missionário Likuni, que tem 231 camas e é administrado pelas Irmãs Missionárias de São Francisco de Assis, em Lilongwe.

“O Santo Padre está realmente preocupado com esta pandemia mortal que abalou o mundo inteiro. Como gesto de gratidão, continuaremos a rezar por ele”, disse o arcebispo de Lilongwe e presidente do secretariado Católico do Malawi.

Os ventiladores foram entregues ao Hospital Missionário Likuni por D. Tarcisius Ziyaye, segundo a informação publicada no blogue da Amecea, Associação das Conferências Episcopais da África Oriental.

O hospital administrado pelas Irmãs Missionárias de São Francisco de Assis tem 231 camas e atende 45 mil pacientes todos os anos, na maioria agricultores e vendedores, e a diretora do Hospital Missionário Likuni, a irmã Agnes Lungu, referiu que os ventiladores chegam na hora certa a uma zona totalmente desprovida deles.

O Malawi registrou até agora 4988 casos positivo do coronavírus Covid-19, tem 2576 pacientes curados e 156 óbitos, a Igreja local, com a ajuda de contribuições solidárias do exterior, tem dado passos importantes para oferecer cuidados de saúde através da rede de hospitais missionários.

O Papa Francisco já doou três ventiladores e material médico, incluindo máscaras, à Conferência Episcopal da Zâmbia (ZCCB) para ajudar o combate contra a pandemia do coronavírus Covid-19, também através do núncio apostólico D. Gianfranco Gallone.

 

Moçambique:

Ataques violentos são «dor vivida em todo o país»,

diz missionária portuguesa na região de Cabo Delgado

 

Susana Magalhães e Rui Vieira, casal da Arquidiocese de Braga em missão em Moçambique há dois anos, afirmaram que os ataques violentos no norte do país têm sido “uma dor sentida na província e comunidade”.

“É uma dor partilhada com quem tem familiares que vivem nessa zona ou que estão a acolher familiares que tiveram de se deslocar”, refere Susana Magalhães.

Rui Vieira aponta que “toda a comunidade diocesana sofre com a questão” e que, mas que ainda não sentiram medo, talvez “pela distância que separa a comunidade de Ocua, no sul do país”.

“Por enquanto não há medo, mas por outro lado não deixamos de ter alguma ansiedade e seguimos com atenção o que se passa, quer pelas populações, mas também pelos missionários que aguentaram atá ao máximo que conseguiram”, explica.

Susana e Rui assumiram a missão na Paróquia de Santa Cecília de Ocua, logo após o seu matrimónio, pelo que este lugar foi a sua primeira casa, um espaço agora também marcado pelas dificuldades sentidas em tempo de pandemia. 

“Há muita coisa parada, ao nível pastoral está tudo parado. Um projeto que tivemos de adaptar foi o apoio ao aleitamento, que não pode parar, porque há bebés que dependem do leite que lhe é dado pelo projeto, tivemos de adaptar e cumprimos a medidas indicadas”, indica Susana. 

        O alerta e a prevenção perante a pandemia foi dificultada pela comunidade.

“As pessoas não encaravam bem, havia dúvidas e até resistência a perceber o que dizíamos, quando alertávamos para a gravidade. As pessoas questionavam se era mesmo assim ou não, é um problema que não se vê, começaram a rir e tivemos de mudar o registo e apontar a gravidade; depois, é difícil gerir expectativas e anseio e dar a perceber que ainda não é tempo de baixar a guarda”, descreve Rui. 

O casal aposta no “alerta e chamadas de atenção para lavar as mãos e o uso de máscaras”, mas sente que também “o exemplo, tentando passar esse testemunho de estar em casa, é parte da mensagem”. 

A Paróquia de Santa Cecília de Ocua, na Diocese de Pemba, tem 96 comunidades espalhadas por 17 zonas pastorais, onde o casal se integra nos vários serviços, da saúde à educação, mas “as visitas a estas comunidades não acontecem por causa da pandemia”.

A “aproximar-se o final da missão” Susana e Rui confessam que “sentiram o desafio de ter uma vida diferente da rotina em casal”, ao viver em comunidade missionária, e ficam com a marca de uma “nova forma de estar e sentir em Igreja num trabalho de pastoral e evangelização assente nos leigos”.

 

Nicarágua:

Catedral de Manágua alvo de ataque

 

A Catedral de Manágua, na Nicarágua, foi atingida em 31 de julho por um engenho explosivo, que provocou um incêndio na Capela do Sangue de Cristo, destruindo o Crucifixo que ali era venerado.

O cardeal Leopoldo José Brenes, arcebispo de Manágua, fala num “ato terrorista” e de ódio à Igreja Católica, alvo de vários ataques dos apoiantes do presidente Daniel Ortega, nos últimos meses.

Em comunicado, a arquidiocese local afirma que se trata de “um ato premeditado e planeado, realizado por uma pessoa experiente”.

O crucifixo “foi queimado na sua totalidade por um dispositivo ainda não identificado”, mas o ataque não deixou feridos.

A Arquidiocese de Manágua fala de uma “ação deplorável” que “ofende e fere profundamente” todos os católicos do país da América Central.

“Este facto condenável soma-se a uma série de atos sacrílegos, de violações da propriedade da Igreja, de assédios aos templos, que mais não são do que uma cadeia de eventos que refletem o ódio à Igreja Católica e à sua obra de evangelização. Os ataques contra a fé do povo católico exigem uma análise profunda, para esclarecer os autores intelectuais e materiais deste ato macabro e sacrílego”, acrescenta o comunicado, divulgado pelo portal de notícias do Vaticano.

São João Paulo II esteve em oração diante do crucifixo do “Sangue de Cristo”, quando visitou a Catedral, em fevereiro de 1996.

A Conferência Episcopal da Espanha e o embaixador dos EUA na Nicarágua, entre outros, manifestaram a sua solidariedade à Arquidiocese de Manágua.

 

Bielorrússia:  

Igreja apela à oração para uma saída pacífica para a crise na Bielorrússia

 A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apelou à oração para uma saída pacífica para a crise na Bielorrússia, destacando a ação da Igreja Católica em favor da paz.

Em informação enviada à Agência Ecclesia pelo secretariado português da AIS, Magda Kaczmarek, especialista da fundação pontifícia nos assuntos da Bielorrússia, destacou a importância da mensagem de D. Tadeusz Kondrusiewicz, lembrando que “não haverá verdade onde a violência triunfa”, tendo pedido “a todos os benfeitores” da Ajuda à Igreja que Sofre “para rezarem pela paz e contra o ódio”.

A Bielorrússia vive uma “grave crise política” de “consequências imprevisíveis” na sequência das eleições presenciais de 9 de agosto que reelegeram para um sexto mandato o presidente Alexander Lukashenko, há 26 anos no poder, mas foram consideradas “fraudulentas pela oposição”.

Os protestos por eleições livres continuaram nos dias 5 e 6 de setembro e a Fundação AIS alerta para o “aumento em algumas dezenas o número de manifestantes detidos pelas forças policiais”.

O arcebispo de Minsk e presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Bielorrússia, D. Tadeusz Kondrusievicz, que criticou a violência policial contra os manifestantes ficou retido “sem explicação” na fronteira com a Polónia, no regresso de uma reunião de trabalho, a 31 de agosto.

O presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo emérito de Génova, defendeu o primado do diálogo, apelando ao regresso do arcebispo de Minsk ao seu país, num comunicado publicado no dia 3 de setembro.

A Fundação Ajuda à Igreja assinala que a Igreja Católica tem “procurado evitar” que a Bielorrússia fique refém da violência e o arcebispo Tadeusz Kondrusiewicz que classificou que a crise “sem precedentes”, e que se “agrava de dia para dia”, anunciou uma peregrinação de uma imagem de São Miguel Arcanjo em quatro igrejas-catedrais, em setembro.

Na sua mensagem, o presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Bielorrússia que refere as “dificuldades” causadas pelo regime ateísta totalitário observa que “apenas no início dos anos 90 do século passado” o país “obteve a liberdade” que pode ser considerada “um grande dom” e “uma grande tarefa”.

Já no dia 16 de agosto, o Papa Francisco disse seguir “com atenção a situação pós-eleitoral” na Bielorrússia e apelou “ao diálogo, à recusa da violência e ao respeito pela justiça e o Direito”.

No seu relatório sobre liberdade religiosa, a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre explica que a liberdade religiosa “é garantida pelo artigo 31º da Constituição e permite que os indivíduos professem quaisquer crenças religiosas e participem em actos de culto, desde que não estejam proibidos por lei” e recorda que o presidente Alexander Lukashenko encontrou-se com o Papa Francisco para discutir as relações bilaterais, em maio de 2016, no Vaticano.

 

Bangladesh:

«Sem rendimentos, as famílias passam fome»,

alerta bispo deste país

 

O bispo da Diocese de Barisal, no Bangladesh, alertou que “sem rendimentos”, por causa da crise provocada pela Covid-19, “as famílias passam fome”,

“[As pessoas] não podem trabalhar e, portanto, não recebem qualquer salário. Os agricultores e os pequenos comerciantes também estão com problemas pois não podem vender os seus produtos sem transporte. Sem rendimentos as famílias passam fome, disse D. Lawrence Howlader à fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Numa nota enviada à Agência Ecclesia, o secretariado português da AIS informa que a fundação forneceu equipamento de proteção para sacerdotes e religiosas que estão em contacto permanente com as populações, evitando assim situações de contágio pelo novo coronavírus, para auxiliar o trabalho assistencial da Igreja.

“Os padres sentem-se seguros para responder às chamadas dos doentes, fornecendo medicamentos, indo a funerais; e as irmãs e os enfermeiros [que pertencem a congregações religiosas] sentem-se confiantes para cuidar dos pacientes em segurança e sem contágio com o vírus”, assinalou D. Lawrence Howlader.

A AIS adianta que a crise económica provocada pela pandemia está a “afetar fortemente” os setores mais fragilizados da sociedade do Bangladesh e “muitas famílias atravessam tempos muito duros, com destaque para os que vivem da agricultura e do comércio”.

A Igreja Católica está a dinamizar diversas iniciativas como na Diocese de Barisal, onde distribui alimentos às famílias mais pobres e que pertencem às tribos Rakhine, Bormon e Tripma.

Entre as vítimas da pandemia no Bangladesh está D. Moses Costa, arcebispo de Chittagong, no sudeste do país, que faleceu a 13 de julho.

 

Venezuela:

«Morremos do coronavírus ou morremos de fome»,

alerta bispo de San Carlos

 

O bispo de San Carlos, a cerca de 250 quilómetros de Caracas, afirma que “a Venezuela entrou num período de fome”, observando que “as coisas pioram todos os dias”.

“Não há suprimentos, funcionários motivados, comida. O país está a desmoronar-se. Precisamos pedir ajuda humanitária internacional porque, caso contrário, não temos outra alternativa: Ou morremos do coronavírus ou morremos de fome”, disse D. Polito Rodriguez Méndez à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O bispo de San Carlos explica que o Produto Interno Bruto “está abaixo de zero” e é o reflexo de uma “economia paralisada”, num país onde “não há indústria nem trabalho na agricultura”.

“Os mais afetados são os mais pobres, os que não têm nada para comer e não tem possibilidade de levar uma vida digna”, assinala.

Neste contexto, D. Polito Rodriguez Méndez frisa que precisam de “ajuda do exterior” para “dar algo para comer pelo menos uma vez por semana” às pessoas mais pobres.

A AIS adianta que na Venezuela “o nível de pobreza atingiu um patamar inimaginável no contexto da América Latina”, com 79% dos venezuelanos em condição de pobreza extrema, segundo um estudo sobre as condições de vida dos venezuelanos [ENCOVI], entre novembro de 2019 e março deste ano, promovido pela Universidade Católica Andrés Bello e o Instituto de Investigações económicas e sociais.

“Uma família ganha cerca de três ou quatro dólares por mês, mas uma caixa de ovos custa dois e um quilo de queijo três dólares… Antes, as pessoas eram pobres, agora não conseguem sobreviver”, referiu o bispo de San Carlos, observando que “tudo é ‘dolarizado’”.

Segundo D. Polito Rodriguez Méndez com a quarentena imposta para evitar a propagação do coronavírus Covid-19 “tudo ficou muito caro” e “é impossível continuar assim.”

O bispo, responsável pela Diocese de San Carlos há quatro anos, afirma que a Igreja também vive tempos muito difíceis e “os padres não têm nada para comer”.

“Vivemos da providência de Deus; Como Igreja, fomos capazes de ajudar muito nos últimos anos. Apesar das limitações pessoais, não vamos deixar as pessoas sozinhas nesta terrível situação que estamos a atravessar”, acrescentou D. Polito Rodriguez Méndez.

À fundação pontifícia, o bispo da diocese a cerca de 250 quilómetros a sudoeste da capital venezuelana Caracas alerta que toda a situação do país sul-americano “é muito deprimente” e “o número de suicídios aumentou”.

 

Líbano:

«Há um sentimento de ‘escapámos’:

É o verbo, ainda cá estamos»

 

O padre Rui Fernandes, jesuíta a viver há um ano e meio em Beirute, no Líbano, disse que a sociedade contrasta entre uma “grande tensão” e gestos de generosidade e cuidado.

“Há um sentimento de «escapamos»: é o verbo, ainda cá estamos”, afirma o jesuíta português que se encontra a escrever uma tese de doutoramento na capital libanesa.

A comunidade jesuíta onde o padre reside fica “localizada a 15 minutos a pé do local da explosão” que aconteceu no porto de Beirute, no dia 4, e que provocou a morte a cerca de 160 pessoas e feriu outras seis mil.

O padre Rui Fernandes dá conta de “muita tristeza” por ver “uma zona de Beirute muito característica parecer um ambiente de guerra, de destruição”, mas encontra muito “pragmatismo” e uma “capacidade de organização” que mostra a resiliência da população.

“A gravidade da situação mostrou a prontidão dos gestos de generosidade. As ruas estão inundadas de vidros e a banda sonora são estilhaços a ser varridos. Mas a cidade está inundada de voluntários, universitários, escuteiros católicos e muçulmanos, a Cáritas e o Banco alimentar, as pessoas andam de máscara e vassoura na mão a apanhar vidros, a ver se outros precisam de medicamentos e alimentos”, indica.

No dia da explosão, recorda, “com uma sociedade em pantanas, com feridos aos milhares, um amigo libanês voluntario da cruz vermelha” bateu à porta da comunidade jesuíta, “para saber se estava tudo bem”.

“O futuro é imprevisível mas há um lado que mostra uma energia e vontade de viver. As pessoas foram vítimas de uma explosão mas não se sentem vítimas, são gente muito bem formada e generosa. As pessoas têm recursos e por isso há aqui muito futuro”, sublinha.

 “Há um sentimento de que a sociedade libanesa não é só isto, mas um país com uma geografia e pessoas muito bonitas”, conta.

 

Argentina:

Papa recorda «hino à vida que está por vir»

em mensagem à Comunidade São Raimundo Nonato

 

O Papa Francisco lembrou o “hino à vida que está por vir”, partilhando uma memória pessoal, numa mensagem à comunidade argentina de São Raimundo Nonato, em Buenos Aires, que vai celebrar a festa do padroeiro das parteiras e obstetras.

“Lembro-me dos meus encontros ali, naqueles dias de festa, as bênçãos das mães, filhos, casais que pedem um filho; Um verdadeiro hino à vida que está por vir”, escreveu Francisco, partilhando uma recordação de quando era arcebispo de Buenos Aires (28 de fevereiro de 1998 até eleição como Papa 13 de março de 2013), divulga o ‘Vatican News’.

Na mensagem enviada ao pároco da comunidade de São Raimundo Nonato, padre Rubén Ceraci, o Papa explica que, “ainda hoje, quando na audiência um casal pede a bênção para o nascimento de um filho” diz-lhes “que rezem a São Raimundo Nonato”.

“E, se são argentinos, recomendo que façam uma visita ao santuário na Via Cervantes”, acrescenta Francisco.

‘Junto a São Raimundo Nonato abraçamos a esperança’ é o lema das celebrações da Comunidade argentina de São Raimundo Nonato; A festa no 31 de agosto é preparada com uma novena, que começa este sábado, e o Papa Francisco deseja “uma bela celebração”.

“Estou certo que a graça, a paz, a saúde e a fertilidade serão abundantes”, concluiu.

O sítio online ‘Vatican New’ contextualiza que São Raimundo Nonato (“Nonato” de “não-nascido”, foi retirado do ventre da sua mãe já falecida, antes de dar à luz), sacerdote do século XIII da Catalunha (Espanha), é o padroeiro das parteiras e obstetras.

 

Nigéria:

A morte num fim do mundo.

 

A aldeia de Ayar-Mbalom, na Nigéria, é pequena, pobre e sem importância. Quase não vem no mapa. Há dois anos, porém, o seu nome correu mundo por causa de um ataque na sua igreja quando decorria a celebração da missa, em 24 de Abril de 2018. Foi um ataque brutal. Dezanove cristãos foram assassinados a tiro, entre os quais dois sacerdotes.

A Irmã Anna Abba estava em Brisbane, na Austrália, quando recebeu uma chamada telefónica da Nigéria. A igreja de Santo Inácio, em Ayar-Mbalom, tinha sido atacada por homens armados. Do outro lado da linha falavam em massacre, em muitos mortos, entre os quais os Padres Joseph Gor e Félix Toyolaha. Anna Abba, superiora-geral das Irmãs da Natividade, uma congregação feminina cuja principal missão é servir e ajudar os pobres e marginalizados da Nigéria, ficou em choque. Ela conhecia muito bem não só os dois sacerdotes como todas as pessoas da aldeia, da comunidade de Ayar-Mbalom. A casa das irmãs fica muito perto da igreja. Talvez a menos de cem passos de distância. Ela própria poderia ter sido uma das vítimas e só não estava na igreja por mero acaso… tinha ido à Austrália para uma conferência…

Ainda não eram 6 horas da manhã, já a missa tinha começado naquela terça-feira, quando os paroquianos foram sobressaltados pelos gritos dos atacantes. Foi tudo muito rápido. Homens armados – mais tarde saber-se-ia que eram pastores fulani – entraram na igreja aos tiros procurando matar o maior número possível de pessoas. Os Padres Joseph Gor e Félix Tyolaha foram dois dos alvos. Morreram mais 17 fiéis. “Foi um massacre, um ataque deliberado.”

Os atacantes quiseram dar um golpe profundo naquela pequena aldeia cristã. Era a primeira missa da manhã, que reunia grande parte da população. O dia começava sempre assim, na igreja, com a comunidade reunida em oração.

Depois dos tiros na igreja, os pastores fulani dirigiram-se ainda para o centro da aldeia e atacaram, queimaram e destruíram mais de 60 casas e celeiros. Foi propositado.

A aldeia de Ayar-Mbalom pertence à diocese de Makurdi, ao estado de Benue, no chamado “Middle Belt”, uma região central da Nigéria que faz a transição entre o norte, maioritariamente muçulmano, e o sul, onde predomina a religião cristã.

Há muito tempo que essa zona central da Nigéria é palco de ataques de pastores de etnia fulani contra agricultores cristãos. Segundo o último relatório sobre a liberdade religiosa no mundo, publicado em 2018 pela Fundação AIS, esses ataques provocaram, só na última década, “vários milhares de mortos”. De facto, como se não bastasse a violência extrema contra os cristãos no norte do país, onde o grupo terrorista Boko Haram pretende instaurar um ‘califado’, também em toda a zona central da Nigéria tem vindo a agravar-se um profundo sentimento de insegurança pela sucessão de ataques dos pastores fulani e pela forma negligente, por vezes mesmo criminosa, como as autoridades defendem as populações.

 

CELAM:

Conselho Episcopal Latino-Americano

pede aos governantes soluções comuns para a crise

 

A presidência do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), que representa a Igreja Católica em 22 países, apelou à cooperação regional na procura de soluções para a crise provocada pelo coronavírus Covid-19, numa carta aos líderes e governos da região.

“Exigimos que as políticas públicas tenham sempre em mente, em primeiro lugar, os homens e mulheres da nossa terra e principalmente os mais pobres. Nós o reivindicamos em nome de Deus!”,

O CELAM convida as pessoas e comunidade científica a “construir soluções conjuntas para superar as dificuldades atuais” e recorda que este processo necessita de “vontade política para se concretizar”.

“Essa atitude pró-ativa não seja assumida apenas na solução do problema gerado pelo Covid-19 mas olhando para o futuro e os desafios que o continente terá que enfrentar, porque para a Igreja ainda está latente o sonho de uma ‘Grande Pátria’ latino-americana e caribenha que viva plenamente a integração”, divulgam.

Recordam que, segundo a Organização Mundial da Saúde, morreram “mais de 200.000 pessoas e cinco bilhões foram infetadas” com o coronavírus Covid-19, sendo a previsão de mais 215 milhões de pessoas a viver na pobreza nos próximos meses, ou seja, 35% da população.

Os bispos recordaram que o Papa Francisco na audiência geral, da última quarta-feira (19 de agosto) disse: “É essencial encontrar uma cura para um pequeno mas terrível vírus” e que se deve “curar um grande vírus da injustiça social, da desigualdade de oportunidades, da marginalização e da falta de proteção dos mais débeis”.

“As vacinas devem ser comprovadas como seguras e testadas eticamente; a advertência médica tradicional do primum non nocere, ou a primeira coisa é não fazer mal”, deve orientar os cientistas, acrescentou a presidência do Conselho Episcopal Latino-americano.

 

Estados Unidos da América:

13 religiosas do mesmo convento morrem com covid: 12 delas num só mês

 

 Segundo a agência católica Global Sisters Report, 13 religiosas residentes no mesmo convento das Irmãs de São Félix de Cantalice, ou irmãs felicianas, em Livonia, no Estado norte-americano do Michigan, faleceram em consequência de complicações relacionadas com a covid-19 num curto espaço de tempo: embora o falecimento mais recente tenha sido em 27 de junho, os outros doze ocorreram num arco de apenas 30 dias, entre 10 de abril e 10 de maio.

Além das 13 irmãs falecidas, outras 17 contraíram a doença e recuperaram-se. As 52 religiosas que permanecem no convento estão a manter restrições cuidadosas de convivência: frequentam a capela por turnos e, no refeitório, sentam-se apenas duas por mesa. Não puderam assistir aos funerais das irmãs falecidas e comentam que será difícil a hora de retomarem a convivência normal e não terem mais a presença das que partiram: “Acho que tristeza ainda está por vir,”, declarou a madre superiora, Mary Andrew Budinski.

As religiosas falecidas tinham de 69 a 99 anos e ocupavam cargos diversificados como professora, bibliotecária, organista e enfermeira, por exemplo. Uma delas prestava serviços à Secretaria de Estado do Vaticano.

A Global Sisters Report observou que as 13 mortes estão entre as maiores perdas de vidas numa mesma comunidade religiosa desde a pandemia de gripe espanhola de 1918. A respeito do impacto de tantos falecimentos em sequência, uma das irmãs afirmou:

“Ouvi pela primeira vez que duas auxiliares tinham contraído o vírus. Não sabemos quem e nem queremos saber. Depois atingiu as irmãs no segundo andar e espalhou-se como fogo. Não nos davam números, mas todos os dias diziam: ‘outra irmã’, ‘outra irmã’, ‘outra irmã’… Foi muito assustador”.

A própria madre superiora adoeceu em abril e chegou a pensar que morreria:

 “Eu estava tão doente que rezava para que o Senhor me levasse. Senti muita dor. Realmente pensei que ia morrer e resignei-me. Orei: ‘Meu Deus, se me levares, estou pronta’. Então acordei na manhã seguinte e ainda estava viva. De alguma forma, me recuperei”.

Ainda segundo a Global Sisters Report, ao menos 19 outras freiras, além das 13 irmãs felicianas, também morreram nos EUA de complicações ligadas à covid-19.

 

CCEE da Europa:

Presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia saúda aprovação de fundo de recuperação

 

O cardeal Jean Claude Hollerich, presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE), saudou a aprovação do Fundo de Recuperação para responder à crise provocada pela pandemia.

“Estou feliz porque os 27 chegaram lá. A União Europeia deve expressar – é da sua natureza – solidariedade. Isso faz parte do ADN da União Europeia”, referiu o arcebispo do Luxemburgo, em entrevista ao portal ‘Vatican News’.

Os chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) aprovaram o próximo Quadro Financeiro Plurianual para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação da economia, para superar a crise provocada pelo novo coronavírus.

O presidente da COMECE sublinha que a pandemia “acelerou” a mudança global, que exige cada vez mais solidariedade.

“Temos de estar sempre ao lado dos mais pobres. Devemos expressar a nossa solidariedade, devemos também dar recursos às pessoas que deles precisam. Neste sentido, estou encantado com a ajuda prestada aos países mais afetados pela pandemia, ou seja, Itália, Espanha e França”, assinala o cardeal Hollerich.

 

Espanha:

13 jovens fizeram a profissão perpétua

como Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados

 

13 jovens professaram os votos perpétuos como Irmãzinhas dos Anciãos em Valencia (España).

A celebração teve lugar na capela da Casa Geral da congregação em Valencia, à porta fechada, pelo que “só participaram a comunidade religiosa, os celebrantes e as professas”. A Eucaristia foi presidida por Mons. Arturo Ros, Bispo Auxiliar de Valencia, e concelebrada pelos capelães da Casa Geral, os sacerdotes Ramón Fita e Gil Herrero.

Segundo precisa a Arquidiocese de Valencia, por precaução perante a crise sanitária “não estiveram presentes os anciãos, nem sequer os familiares das professas, e foram observadas todas as medidas sanitárias, como o distanciamento, com os lugares marcados nos bancos, e o uso de máscaras”.

As treze jovens que professaram votos perpétuos têm entre 25 e 30 anos. Sete delas procedem do Peru, duas, do México; duas, de Colômbia duas do Brasil.

Realizaram a profissão neste lugar, no ano corrente, “unicamente em Valencia, onde as professas realizaram o seu último ano de formação antes dos votos perpétuos; e não nas províncias religiosas dos seus países de origem, como se faz habitualmente para que os familiares possam assistir”.

Na atualidade, a Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados são 2.200 religiosas que atendem mais de 20.000 anciãos sem recursos em 204 asilos e residências na Europa, Iberoamérica, África e na Ásia.

A congregação foi fundada em 1872 pelo P. Saturnino López Novoa e pela professora primária e, a partir daí religiosa da congregação, Santa Teresa de Jesus Jornet, que foi canonizada em 1973 por S. Paulo VI. Abriram o seu primeiro centro em Valencia, onde também se encontra a sua Casa Geral.

 

México:

Arcebispo mexicano assegura que os avós

enriquecem a sociedade e a Igreja

 

Na celebração do Dia dos Avós em 28 de agosto, o Arcebispo de Monterrey e presidente da Conferência do Episcopado Mexicano, Mons. Rogelio Cabrera, destacou que “ninguém está a mais, que todos somos necessários”

Em declarações recolhidas pelo jornal Pastoral Siglo XXI, da Arquidiocese de Monterrey, Mons. Cabrera sublinhou que “em quase todas as paróquias, desde há mais de cinco anos, têm estas comunidades de irmãos maiores nas quais se procura que se ajudem entre si e que se mantenham ativos.

 

 “Graças a Deus, muitos deles têm ainda muita força, que pode enriquecer a sociedade e fazem muito bem à Igreja”, disse.

“Na Pastoral dos Irmãos Idosos oferece-se-lhes uma formação espiritual que os prepare para viver melhor, mas também para morrer dignamente”, acrescentou.

Neste espaço eclesial, indicou, “também se fomenta a caridade e a fraternidade entre eles, e também que estejam disponíveis para servir com espaços de alegria e de entretenimento”.

O Presidente da CEM animou em seguida as autoridades e a cidadania a respeitar os avós, “sabendo que ninguém está a mais, que todos somos necessários”.

“Quando há esta linguagem depreciativa sobre os irmãos idosos, cuidado! Porque estamos nós também a advogar um mau trato para quando chegarmos a essa idade”, advertiu


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