aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

VATICANO:

Jurisdição dos patriarcas católicos orientais

estende-se por toda a Península Arábica

 O Papa estendeu a jurisdição dos patriarcas católicos orientais a toda a Península Arábica (Vicariatos Apostólicos da Arábia do Norte e da Arábia do Sul), anunciou o Vaticano.

“Francisco tomou esta decisão a pedido dos patriarcas e em vista de um bem espiritual maior para os seus fiéis, considerando as prerrogativas históricas de sua jurisdição sobre o território”, informa o portal de notícias da Santa Sé.

O documento assinado pelo Papa determina que o “cuidado pastoral dos fiéis orientais” será realizado em coordenação com os vigários apostólicos, representantes da Igreja Católica junto das autoridades políticas dos seus respetivos países.

Já a criação de novas circunscrições eclesiásticas pelos Sínodos das Igrejas Patriarcais ‘sui iuris’ (de direito próprio) passa a estar sujeita à autorização prévia da Santa Sé, numa medida provisória de cinco anos, que poderá ser revista no final deste prazo.

Esta medida diz respeito a seis Igrejas Patriarcais Católicas Orientais: Alexandria dos Coptas, Antioquia dos Maronitas, Antioquia dos Sírios, Antioquia dos Greco-Melquitas, Babilónia dos Caldeus e Cilícia dos Arménios.

 

Vaticano:

«Somos parte, não patrões,

da rede interligada da vida»

 

O Papa Francisco afirma na mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação que as mulheres e os homens são “parte, não patrões, da rede interligada da vida”, e pede para dar atenção aos “mais vulneráveis”.

“Hoje, a voz da criação incita-nos, alarmada, a regressar ao lugar certo na ordem natural, lembrando-nos que somos parte, não patrões, da rede interligada da vida”, afirma na mensagem.

Para Francisco, a desintegração da biodiversidade, o “aumento vertiginoso” de catástrofes climáticas, “o impacto desproporcionado” da pandemia Covid-19 sobre os mais pobres e frágeis “são sinais de alarme perante a avidez desenfreada do consumo”.

“Quebramos os laços que nos uniam ao Criador, aos outros seres humanos e ao resto da criação. Precisamos de sarar estas relações danificadas, que são essenciais para sustentáculo de nós mesmos e de toda a trama da vida”, observa.

No Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que se celebrou no dia 1 de setembro, começa um ‘tempo da criação’, este ano com o tema ‘Jubileu da Terra’, até 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, e o Papa explica que na Sagrada Escritura, “o Jubileu é um tempo sagrado para recordar, regressar, repousar, restaurar e rejubilar”.

O Papa explica que Deus, “na sua sabedoria”, reservou o dia de sábado para que a terra e os seus habitantes “pudessem descansar e restaurar-se” mas, hoje, os estilos de vida “forçam o planeta para além dos seus limites” e a procura “contínua de crescimento e o ciclo incessante da produção e do consumo estão a extenuar o ambiente”.

“As florestas dissipam-se, o solo torna-se erosivo, os campos desaparecem, os desertos avançam, os mares tornam-se ácidos e as tempestades intensificam-se: a criação geme”, aponta.

Francisco recorda que durante o jubileu “o Povo de Deus era convidado a repousar dos seus trabalhos habituais” para deixar que “a terra se regenerasse e o mundo reentrasse na ordem”, por isso, hoje é preciso “encontrar estilos de vida équos e sustentáveis”.

“A pandemia atual levou-nos a redescobrir estilos de vida mais simples e sustentáveis. A crise deu-nos, em certo sentido, a possibilidade de desenvolver novas maneiras de viver. Foi possível constatar como a Terra consegue recuperar, se a deixarmos descansar: O ar tornou-se mais puro, as águas mais transparentes, as espécies animais voltaram para muitos lugares donde tinham desaparecido”, desenvolveu.

O Papa observa que a pandemia levou a sociedade a “uma encruzilhada” e este momento decisivo deve ser aproveitado para “acabar com atividades e objetivos supérfluos e destrutivos, e cultivar valores, vínculos e projetos criadores”.

“Devemos examinar os nossos hábitos no uso da energia, no consumo, nos transportes e na alimentação. Devemos retirar, das nossas economias, aspetos não essenciais e nocivos, e criar modalidades vantajosas de comércio, produção e transporte dos bens”, explica.

Francisco realça que também que o jubileu “é um tempo para voltar atrás e arrepender-se” e convida a “pensar novamente nos outros, especialmente nos pobres e nos mais vulneráveis”.

“O jubileu é um tempo para dar liberdade aos oprimidos e a quantos estão acorrentados aos grilhões das várias formas de escravidão moderna, nomeadamente o tráfico de pessoas e o trabalho infantil”, alerta o Papa na mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2020 apela “para se cancelar a dívida dos países mais frágeis”.

 

Vaticano:

Especialista português coordena livro

sobre «reforma missionária» do Papa Francisco

 

O sacerdote português Miguel de Salis, professor de eclesiologia e ecumenismo na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, coordenou uma obra sobre “os desafios da reforma missionária” proposta pelo Papa, com docentes de várias instituições académicas de Roma.

O livro ‘Popolo Evangelizzatore. Il capitolo II della Lumen gentium, letto alla luce dell’Evangelii gaudium” (Povo evangelizador. O capítulo II da Lumen Gentium lido à luz da Evangelii Gaudium) foi editado pela Livraria do Vaticano e destacado pelo jornal da Santa Sé.

Em declarações à Agência Ecclesia, o padre Miguel de Salis sustenta que “se a Teologia quer ser relevante na sociedade atual e dar uma contribuição para o progresso do conhecimento, tem de fazer mais trabalho de grupo”.

A obra une o sacerdote português e Philip Goyret, da Argentina; Pilar Río, do Chile; Giovanni Tangorra, italiano; Sandra Mazzolini, também italiana; e Aimable Musoni, do Ruanda, oriundos de quatro universidades pontifícias diferentes (Lateranense, Salesiana, Santa Cruz e Urbaniana).

“Penso que o livro agora publicado dá uma resposta metodológica ao pedido de sinodalidade do Papa: é possível fazermos teologia juntos, num trabalho de grupo”, assinala o coordenador da publicação.

“Nós, os portugueses, temos a vantagem de conseguir pôr pessoas de vários países a trabalhar juntos, digamos que jogamos com vantagem, e é bom pôr esse nosso talento ao serviço da missão da Igreja”, acrescenta.

Para o professor de eclesiologia e ecumenismo, é preciso ler a reforma proposta pelo Papa Francisco para lá das “medidas pontuais, práticas”.

“Algumas pessoas fizeram um discurso centrado nessas medidas. Mas nós sabíamos que qualquer reforma se arrisca a errar o alvo se é levada para diante sem uma mudança de visão nas pessoas que a devem sofrer ou fazer”, assinala.

Os autores envolvidos assumem o desafio de fazer uma” eclesiologia missionária”, procurando “contribuir na reflexão, dar espiritualidade e coração aos agentes das reformas e àqueles que vão beneficiar dos seus frutos”.

O padre Miguel de Salis aponta a “pressa e a falta de vida no Espírito Santo” como os maiores inimigos desta reforma missionária, que também tem de responder ao impacto da pandemia.

Para o especialista, seria um erro pensar que tudo se resolve com a reforma da Cúria Romana, do Sínodo dos Bispos ou do Direito Canónico, convidando a assumir a “margem de incerteza” que existe na vida humana.

“É preciso esperar pelos frutos, que não vêm imediatamente. É preciso discernir se os resultados do esforço são bons, ou é preciso voltar a tentar doutra forma”, precisa.

“A missão transcende a sinodalidade e vai continuar a inspirar outras reformas”, assinala ainda.

O docente universitário destaca, por outro lado, o papel de várias entidades e figuras portuguesas que trabalham em Roma, com os contributos próprios da teologia, literatura, música, cultura e história do próprio país.

O padre Miguel de Salis entende que, hoje em dia, “a universalidade de experiências vem mais de Roma para Portugal do que no sentido contrário”, com exceção de Fátima, que transcende as fronteias nacionais e tem relação direta “com muitos aspectos da vida da Igreja no mundo”.

 

Vaticano:

Papa Francisco pede que os recursos do planeta

«não sejam saqueados, mas partilhados»

 

O Papa Francisco apela à partilha “de forma justa e respeitosa” dos “recursos do planeta” que estão a ser “saqueados”, e alerta que se está a gerar uma “dívida ecológica”

“Rezemos para que os recursos do planeta não sejam saqueados, mas partilhados de forma justa e respeitosa. Não ao saque, sim à partilha”, pede na nova edição de ‘O Vídeo do Papa’.

O Papa explica que “países e empresas do norte enriqueceram” explorando dons naturais do sul, “gerando uma ‘dívida ecológica’” que “é ampliada” quando as multinacionais fazem fora de seus países “o que não têm permissão para fazer nos seus”, o que “é ultrajante”.

“Estamos a esgotar os bens do planeta, espremendo-os, como se fosse uma laranja”, alerta Francisco que questiona quem “pagará essa dívida”.

“Hoje, não amanhã, hoje, temos que cuidar da Criação com responsabilidade.”

Mo último domingo de Agosto, o Papa associou-se ao ‘Jubileu da Terra’ e convidou as comunidades católicas a celebrar o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado com a Criação associando-se à iniciativa ecuménica que assinala a instituição, há 50 anos, do Dia da Terra.

A Rede Mundial de Oração do Papa alerta, através de alguns relatórios internacionais, que “quase mil milhões de pessoas vão dormir com fome todas as noites” por causa da “profunda injustiça na maneira como a comida é produzida e distribuída”.

A Igreja Católica está a viver desde maio um ano dedicado à encíclica ecológica e social do Papa Francisco ‘Laudato si’, promovido pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé).

 


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