28.º Domingo Comum

11 de Outubro de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eu sou a salvação – C. Silva, OC, pg 106

Salmo 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No Evangelho de hoje Jesus fala-nos do banquete do Céu para o qual são convidados todos os homens. A Eucaristia que celebramos é figura desse banquete. Dissemos que sim ao convite que o Senhor nos fez. Enchamo-nos de alegria por estarmos na Sua casa e à Sua mesa.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor preparou para todos os homens o banquete da felicidade que se realizará plenamente, um dia, no céu. Ali já não haverá sofrimento nem lágrimas.

 

Isaías 25, 6-10a

6Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. 7Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; 8destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. 9Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. 10aA mão do Senhor pousará sobre este monte».

 

O texto é extraído do chamado Grande Apocalipse de Isaías (Is 24 – 27), uma colecção de oráculos escatológicos, cuja redacção actual é posterior ao exílio de Babilónia (Is 34 – 35 é o Pequeno Apocalipse). Isaías anuncia a salvação messiânica como extensiva a todos os povos e sob a imagem dum esplêndido banquete. Esta é a razão da escolha do texto, para introduzir a parábola do banquete nupcial do Evangelho de hoje. A tradição cristã viu nesta passagem a prefiguração do banquete eucarístico, as Bodas do Cordeiro (Apoc 19,9).

10 «A mão do Senhor». Não é um simples antropomorfismo, mas uma expressiva imagem para indicar a bênção e a protecção de Deus.

 

Salmo Responsorial     Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 6cd )

 

Monição: Com o salmista cantemos entusiasmados porque Jesus é o nosso Bom Pastor, que prepara para nós no caminhar da vida, um maravilhoso alimento e nos fará repousar na Sua casa para sempre.

 

Refrão:         habitarei para sempre na casa do Senhor

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo agradece a ajuda generosa dos cristãos de Filipos e manifesta o seu desapego dos bens deste mundo.

 

Filipenses 4, 12-14.19-20

Irmãos: 12Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. 13Tudo posso n’Aquele que me conforta. 14No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. 19O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. 20Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos.

 

Autores há que pensam que a leitura faz parte de um bilhete de agradecimentos aos filipenses pela ajuda enviada (Filp 4,10-23), escrito noutra ocasião, após a chegada de Epafrodito (v. 18), tendo vindo a ser integrado numa carta que corresponderia a duas ou três missivas de Paulo. O Apóstolo estava preso (tradicionalmente em Roma, mais recentemente pensa-se antes em Éfeso). Deixa-nos aqui uma lição de como se deve saber viver «tanto na pobreza como na abundância» (v. 12). Isto não significa desinteresse e alheamento pela justa promoção do bem-estar material, evidentemente, embora pressuponha que não se lhe dê uma primazia absoluta. Paulo coloca toda a sua fortaleza – toda a sua autossuficiência – em Cristo, e não nos bens, que não passam de meios (cf. v. 13), com que Ele não falta aos que O servem.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: Jesus convidou-nos para o banquete da Eucaristia e quer que chamemos tantos e tantos, perdidos pelos caminhos deste mundo. Ouçamo-Lo com atenção.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 22, 1-14        Forma breve: São Mateus 22, 1-10

1Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: 2«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete para o seu filho. 3Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. 4Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. 5Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; 6os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. 7O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. 8Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. 9Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. 10Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.

[11O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: 12‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas ele ficou calado. 13O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».]

 

A parábola dos convidados para as bodas (com grande paralelo com a de Lc 14,15-24) está na sequência das dos dois últimos domingos, a dos dois filhos e a dos vinhateiros homicidas, pois se insere nas controvérsias de Jesus com as autoridades judaicas de Jerusalém e visam apresentar a Igreja como o novo povo de Deus, que corresponde à chamada divina. Esta parábola completa as anteriores, ao apresentar claramente o chamamento para o «banquete» – imagem bíblica do Reino de Deus – dirigido a todos aqueles que os mensageiros encontrarem «nas encruzilhadas dos caminhos» (v. 9).

1-7 A primeira parte da parábola fala do convite feito, em primeiro lugar, aos mais dignos – os judeus – para entrarem no Reino de Deus inaugurado por Cristo (o filho). É um convite, por isso pode não ser aceite; mas, dado que é Deus quem convida, não há nenhuma escusa legítima: não podem prevalecer impunemente os mesquinhos interesses humanos ao maravilhoso plano divino.

8-13 A segunda parte refere-se à chamada dos gentios – os menos dignos – à fé. Mas também não é suficiente a fé; são necessárias as boas obras («o traje nupcial»: v. 12). A parábola também mostra como no Reino de Deus há bons e maus, mas, quando o Rei vier – para o juízo final (é claro o matiz escatológico da parábola) –, excluirá definitivamente todos os que não quiseram vestir o traje nupcial da graça.

 

Sugestões para a homilia

 

Preparou um banquete

Traje nupcial

Habitarei na casa do Senhor...

 

Preparou um banquete

Na Eucaristia Jesus torna presente todos dias o Sacrifício da Cruz, em que nos conquistou todas as graças. Por isso a Santa Missa é a fonte e o cume da vida cristã. Dela tudo irradia e para ela tudo se encaminha. Toda a nossa vida há-de ser oferecida ao Pai pelas mãos de Jesus no altar. Só assim tem valor todo o nosso viver.

Mas a Eucaristia é também um banquete de felicidade, figurando o que Deus preparou para nós no céu. Disso nos fala a primeira leitura e o Evangelho.

Em cada missa Deus prepara o banquete de Seu Filho. Manda os Seus criados a convidar toda a gente, bons e maus, sem distinção. Muitos desculpam-se e não querem vir. Até chegam a tratar mal os enviados do grande Rei.

Não nos admiremos de que isto continue a acontecer. São as desculpas dos negócios, dos trabalhos e dos prazeres terrenos. Muitos arriscam a sua felicidade neste mundo e no outro por causa de bolas de sabão, que rapidamente se desfazem.

Agradeçamos ao Senhor ter-nos convidado, ter-nos feito apreciar a maravilha da Eucaristia, em que somos convivas de Deus. Podemos sentar-nos à Sua mesa, comer das iguarias que prepara para nós. Alimenta-nos da Sua palavra, que dá sentido à nossa vida. Alimenta-nos com o Pão do Céu, que é o Corpo e Sangue de Cristo, tornado presente sobre o altar.

Em cada missa avivemos a nossa fé e a nossa gratidão ao Senhor. Que tenhamos esse enlevo eucarístico que João Paulo II desejava para todos os cristãos: «Há no evento pascal e na Eucaristia que o atualiza ao longo dos séculos, uma capacidade realmente imensa, na qual está contida a história inteira, enquanto destinatária da graça da redenção. Este enlevo deve invadir sempre a assembleia eclesial reunida para a celebração eucarística...  É este enlevo eucarístico que desejo despertar com esta carta encíclica...  Contemplar o rosto de Cristo e contemplá-Lo com Maria é o programa que propus à Igreja na aurora do terceiro milénio, convidando-a a fazer-se ao largo no mar da história». (Cf. A Igreja vive da Eucaristia, 5 e 6).

O conhecido escritor francês André Frossard converteu-se ao entrar um dia numa igreja de Paris e ao encontrar ali um amigo. Ao sair já era católico. Não era batizado nem havia recebido qualquer formação religiosa. Começou a aprender a doutrina cristã das mãos dum bom sacerdote e tudo o que ouvia enchia-o de alegria. Só uma coisa o surpreendeu: a Eucaristia. Escreveu: «Não é que me parecesse inacreditável; maravilhava-me que o amor de Deus tivesse encontrado esse meio inaudito de comunicar-se e, sobretudo, que tivesse escolhido o pão, que é o alimento do pobre e o alimento preferido das crianças. De todos os dons postos diante de mim pelo cristianismo esse era o mais formoso» (Deus existe e eu encontrei-O).

 

Traje nupcial

 

O Rei entra na sala do banquete - diz o evangelho - e vê um dos convidados sem o traje nupcial: «amarrai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes"

Temos de entrar na missa de veste branca, com a alma revestida da graça, que recebemos no batismo. Só assim podemos unir-nos a Cristo na Santa Missa. O cristão em pecado mortal é uma monstruosidade. Se tivermos a desgraça de cometer algum procuremos imediatamente recuperar a graça com a nossa contrição sincera e o desejo de nos confessarmos quanto antes.

Para comungar é preciso estar na graça de Deus. João Paulo II lembrava na Encíclica da Eucaristia:

«um tal dever recorda-o o Apóstolo com a advertência seguinte: ' Examine-se cada qual a si mesmo e então coma deste pão e beba desse cálice» (1 Cor 11, 28). Com a sua grande eloquência, S. João Crisóstomo assim exortava os fiéis: «também eu levanto a voz e vos suplico, peço, esconjuro para não vos abeirardes desta Mesa sagrada com uma consciência manchada e corrompida. De facto, uma tal aproximação nunca poderá chamar-se comunhão, ainda que toquemos mil vezes o Corpo do Senhor, mas condenação, tormento e redobrados castigos» (Homil. sobre Isaías, 6, 3: PG 56, 139).

E o Santo Padre continuava: «Desejo por conseguinte reafirmar que vigora ainda e sempre há-de vigorar na Igreja a norma do Concílio de Trento que concretiza a severa advertência do Apóstolo Paulo, ao afirmar que para uma digna recepção da Eucaristia «se deve fazer antes a confissão dos pecados, quando alguém está consciente de pecado mortal» (n. 36).

 Com a pandemia muitos vão-se descuidando na confissão. E os sacerdotes podem desculpar-se com o perigo de contágio. Temos de reagir e ajudar os outros. Cuidemos a recepção frequente da Penitência, que é a melhor maneira de preparar a recepção frutuosa da Eucaristia. João Paulo II lembrava a seguir: «A Eucaristia e a Penitência são dois sacramentos intimamente unidos. Se a Eucaristia torna presente o sacrifício redentor da Cruz, perpetuando-o sacramentalmente, isso significa que deriva dela uma contínua exigência de conversão, de resposta pessoal à exortação que S. Paulo dirigia aos cristãos de Corinto: «Suplicamo-vos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20) (37). O pior vírus é o pecado. Dele havemos de ter medo e procurar prontamente o remédio para ele.

 

Habitarei na casa do Senhor...

 

A Eucaristia é de verdade uma antecipação do Céu. É imagem desse banquete das bodas do Cordeiro que para sempre se celebrará no Céu.

João Paulo II escrevia: «A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho» (A Igreja vive da Eucaristia, 19).

Ao falar em Cafarnaum Jesus diz: «Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia (Jo 6, 54). A Eucaristia é penhor desse banquete da felicidade e da ressurreição gloriosa no final dos tempos.

Temos de cantar cheios de alegria muitas vezes o salmo deste domingo:

«O Senhor é meu pastor nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma

Para mim preparais a mesa...com óleo me perfumais a cabeça.

A bondade e a graça hão- de acompanhar-me todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre» (Salmo). Não é apenas poesia, mas realidade que ultrapassa as palavras humanas.

 Que a Virgem nos ensine a ser almas da Eucaristia, a viver a amizade contínua e doce com Jesus que vive cá na terra nos sacrários das nossas igrejas.

«Ponhamo-nos - dizia João Paulo II - sobretudo à escuta de Maria Santíssima, porque nEla como em mais ninguém, o Mistério eucarístico aparece como o mistério da luz. Olhando-A, conhecemos a força transformadora que possui a Eucaristia. Nela vemos o mundo renovado no amor. Contemplando-A, elevada ao Céu em corpo e alma, vemos um pedaço do 'novo céu' e da 'nova terra ' que se hão de abrir diante dos nossos olhos na segunda vinda de Cristo. A Eucaristia constitui aqui na terra o seu penhor e é, de algum modo, antecipação: Veni, Domine Jesu" ( Ap 22, 20) (lbid. 62)

 

Fala o Santo Padre

 

«Podemos interrogar-nos se, ao menos uma vez por dia, confessamos ao Senhor o amor que Lhe temos.

Somos os amados, os convidados para as núpcias, e a nossa vida é um dom,

sendo-nos dada em cada dia a magnífica oportunidade de responder ao convite.»

A parábola, que ouvimos, fala-nos do Reino de Deus comparando-o a uma festa de núpcias (Mt 22, 1-14). Protagonista é o filho do rei, o noivo, no qual facilmente se vislumbra Jesus. Na parábola, porém, nunca se fala da noiva, mas de muitos convidados, desejados e esperados: são eles que trazem o vestido nupcial. Tais convidados somos nós, todos nós, porque o Senhor deseja «celebrar as bodas» com cada um de nós. As núpcias inauguram uma comunhão total de vida: é o que Deus deseja ter com cada um de nós. Por isso o nosso relacionamento com Ele não se pode limitar ao dos devotados súbditos com o rei, ao dos servos fiéis com o patrão ou ao dos alunos diligentes com o mestre, mas é, antes de tudo, o relacionamento da noiva amada com o noivo. Por outras palavras, o Senhor deseja-nos, procura-nos e convida-nos, e não se contenta com o nosso bom cumprimento dos deveres e a observância das suas leis, mas quer uma verdadeira e própria comunhão de vida connosco, uma relação feita de diálogo, confiança e perdão.

Esta é a vida cristã, uma história de amor com Deus, na qual quem toma gratuitamente a iniciativa é o Senhor e nenhum de nós pode gloriar-se de ter a exclusividade do convite: ninguém é privilegiado relativamente aos outros, mas cada um é privilegiado diante de Deus. Deste amor gratuito, terno e privilegiado, nasce e renasce incessantemente a vida cristã. Podemos interrogar-nos se, ao menos uma vez por dia, confessamos ao Senhor o amor que Lhe temos; se, entre tantas palavras de cada dia, nos lembramos de Lhe dizer: «Amo-Vos, Senhor. Vós sois a minha vida». Com efeito, se se perde de vista o amor, a vida cristã torna-se estéril, torna-se um corpo sem alma, uma moral impossível, um conjunto de princípios e leis a respeitar sem um porquê. Ao contrário, o Deus da vida espera uma resposta de vida, o Senhor do amor espera uma resposta de amor. No livro do Apocalipse Ele, dirigindo-Se a uma das Igrejas, faz-lhe concretamente esta censura: «Abandonaste o teu primitivo amor» (2, 4). Aqui está o perigo: uma vida cristã rotineira, onde nos contentamos com a «normalidade», sem zelo nem entusiasmo e com a memória curta. Em vez disso, reavivemos a memória do primitivo amor: somos os amados, os convidados para as núpcias, e a nossa vida é um dom, sendo-nos dada em cada dia a magnífica oportunidade de responder ao convite.

Mas o Evangelho adverte-nos: o convite pode ser recusado. Muitos convidados disseram que não, porque estavam presos aos próprios interesses: «eles, sem se importarem – diz o texto –, foram um para o seu campo, outro para o seu negócio» (Mt 22, 5). Uma palavra reaparece: seu; é a chave para entender o motivo da recusa. De facto, os convidados não pensavam que as núpcias fossem tristes ou chatas, mas simplesmente «não se importaram»: viviam distraídos com os seus interesses, preferiam ter qualquer coisa em vez de se comprometer, como o amor exige. Vemos aqui como se afasta do amor, não por malvadez, mas porque se prefere o seu: as seguranças, a autoafirmação, as comodidades... Então reclinamo-nos nas poltronas dos lucros, dos prazeres, de qualquer passatempo que nos faça estar um pouco alegres. Mas deste modo envelhece-se depressa e mal, porque se envelhece dentro: quando o coração não se dilata, fecha-se, envelhece. E quando tudo fica dependente do próprio eu – daquilo com que concordo, daquilo que me serve, daquilo que pretendo –, tornamo-nos rígidos e maus, reagimos maltratando por nada, como os convidados do Evangelho que chegam ao ponto de insultar e até matar (cf. v. 6) aqueles que levaram o convite, apenas porque os incomodavam.

Assim, o Evangelho pergunta-nos de que parte estamos: da parte do próprio eu ou da parte de Deus? Pois Deus é o oposto do egoísmo, da autorreferencialidade. Como nos diz o Evangelho, perante as contínuas recusas, os fechamentos em relação aos seus convites, Ele prossegue, não adia a festa. Não se resigna, mas continua a convidar. Vendo os «nãos», não fecha a porta, mas inclui ainda mais. Às injustiças sofridas, Deus responde com um amor maior. Nós muitas vezes, quando somos feridos por injustiças e recusas, incubamos ressentimento e rancor. Ao contrário Deus, ao mesmo tempo que sofre com os nossos «nãos», continua a relançar, prossegue na preparação do bem mesmo para quem faz o mal. Porque assim é o amor, faz o amor; porque só assim se vence o mal. Hoje, este Deus que não perde jamais a esperança, compromete-nos a fazer como Ele, a viver segundo o amor verdadeiro, a superar a resignação e os caprichos de nosso «eu» suscetível e preguiçoso.

Há um último aspeto que o Evangelho destaca: o vestido dos convidados, que é indispensável. Com efeito, não basta responder uma vez ao convite, dizer «sim» e… chega! Mas é preciso vestir o costume próprio, é preciso o hábito do amor vivido cada dia. Porque não se pode dizer «Senhor, Senhor», sem viver e praticar a vontade de Deus (cf. Mt 7, 21). Precisamos de nos revestir cada dia do seu amor, de renovar cada dia a opção de Deus. Os Santos canonizados hoje, sobretudo os numerosos Mártires, indicam-nos esta estrada. Eles não disseram «sim» ao amor com palavras e por um certo tempo, mas com a vida e até ao fim. O seu hábito diário foi o amor de Jesus, aquele amor louco que nos amou até ao fim, que deixou o seu perdão e as suas vestes a quem O crucificava. Também nós recebemos no Batismo a veste branca, o vestido nupcial para Deus. Peçamos a Ele, pela intercessão destes nossos irmãos e irmãs santos, a graça de optar por trazer cada dia esta veste e de a manter branca. Como consegui-lo? Antes de mais nada, indo sem medo receber o perdão do Senhor: é o passo decisivo para entrar na sala das núpcias e celebrar a festa do amor com Ele.

 Papa Francisco, Homilia, Praça de São Pedro, 15 de outubro de 2017

 

Oração Universal

 

Um dos fins da Santa Missa é pedir.

Apresentemos agora com Jesus ao Pai as necessidades de todos os homens dizendo:

Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

     1-Pela Santa Igreja de Deus,

para que todos vejam nela Cristo presente entre os homens,

que se dá a todos na Eucaristia, oremos ao Senhor.

 Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

     2-Pelo Santo Padre,

para que guie com a sabedoria e fortaleza de Deus

o Rebanho que Jesus lhe confiou, oremos ao Senhor.

 Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

     3-Pelos bispos e sacerdotes,

para que sejam almas da Eucaristia,

transmitindo a todos o enlevo por ela ,  oremos ao Senhor.

 Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

     4-Por todos os cristãos,

para que vivam melhor a Santa Missa de cada domingo

e nela se encham de força e da alegria de Cristo, oremos ao Senhor.

Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

     5-Para que todos visitemos mais vezes a Jesus no sacrário

sabendo consumir tempo em adoração ao Senhor

e encontrando ali a nossa força e consolação, oremos ao Senhor.

 Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

     6-Pelos jovens de todo o mundo,

para que seguindo a Jesus, se deixem guiar pelo Seu Espírito

para renovarem o mundo, oremos ao Senhor.

Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

     7-Para que todos os cristãos procurem com mais fé e pontualidade o Sacramento da Penitência,

onde o Espírito Santo renova os corações pelo perdão de Deus, oremos ao Senhor.

Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

 

     Senhor, que nos chamastes à santidade em Cristo, presente na Eucaristia, ajudai-nos a imitá-Lo sempre em nossa vida, sendo dóceis ao Espírito Santo.

     Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai, cantai alegremente – M. Faria, NRMS, 30

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor vem a nós na Eucaristia e nos une mais a Ele e a toda a Igreja.

 

Cântico da Comunhão: Os ricos empobrecem – C. Silva – OC, pg. 205

Salmo 33, 11

Antífona da comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

 

Ou

cf. 1 Jo 3,2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei eternamente – M. Luís, NRMS, 6 (I)

 

Oração depois da comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos a Jesus por nos ter chamado à Sua Igreja e nos ter alimentado com a Sua palavra e o Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico final: Dai graças ao Senhor – A. F. Santos, CNPL, 335

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-X: A Palavra de Deus e a conversão e a liberdade dos filhos de Deus.

Gal 4, 22-24. 26-27 / Lc 11, 29-32

Esta geração é uma geração perversa, nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.

O sinal de Jonas (EV) é uma lembrança da conversão dos habitantes de Nínive, que acataram os pedidos de Deus. O mesmo nos pede o Senhor no 3º mistério luminoso: o convite à conversão, que se traduz por andar mais pelos caminhos de Deus. Ele levanta o pó ao indigente e tira o pobre da miséria (SR).

Pede-nos para estarmos firmes e não nos sujeitarmos ao jugo da escravidão. Se Cristo nos libertou foi para sermos realmente livres (LT), com a liberdade própria dos filhos de Deus. Nª Senhora recomenda-nos: Fazei o que Ele vos disser: conversão e bom uso da liberdade.

 

3ª Feira, 13-X: A Palavra de Deus e a limpeza do interior.

Gal 5, 1-6 / Lc 11, 37-41

Limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e malvadez.

O Senhor convida-nos a uma limpeza do nosso interior (EV), que está contida nos mandamentos 9º e 10º. De um modo especial, o que se refere às críticas (a 'fofoquice' do Papa Francisco). Uma solução que indica é rezar depois por quem criticamos.  Depois, a imaginação (a louca da casa), tão difícil de dominar. Peçamos ajuda ao Espírito Santo, para que nos liberte destas escravidões (LT). Quero cumprir fielmente a vossa Lei, agora e para sempre (SR).

Para melhorar as limpezas da nossa alma, procuremos recorrer à confissão destes pecados no Sacramento do perdão. E também à ajuda de Nª Sª, concebida sem mancha do pecado.

 

4ª Feira, 14-X: A Palavra de Deus e os frutos do Espírito Santo.

Gal 5, 18-25 / Lc 11, 42-46

Os frutos do Espírito Santo são a caridade, alegria, paciência, paz, benignidade...

Os frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna. A tradição da Igreja enumera doze: caridade, alegria, etc (LT). Quem vos segue, terá a luz da vida (SR). Pelo contrário, os fariseus desprezam o amor de Deus (EV).

Pela acção do Espírito Santo podemos dar muitos frutos, porque Ele nos enxerta na verdadeira vide. A sua intervenção em Nª Senhora produz como fruto a Incarnação de Cristo: bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Também nós se dissermos sim a Deus, cumprindo a sua vontade, daremos igualmente frutos abundantes.

 

5ª Feira, 15-X: A Palavra de Deus e a exigência eterna de santidade.

Ef 1, 1-10 / Lc 11, 47-54

Foi assim que nEle nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis na sua presença.

Esta afirmação (LT) pode aplicar-se também a Nª Senhora. É o que lhe repetimos em cada Avé-Maria. Ela é a morada de Deus entre os homens. É a cheia de graça. Bendito é o fruto do seu ventre, Jesus. Cantai ao Senhor um Cântico novo, porque Ele fez maravilhas (SR).

Esta exigência de santidade é para todos os baptizados. Portanto, devemos procurar responder cada dia melhor, empregando os meios que o Senhor nos deixou: os Sacramentos, o Pão da vida eterna, a Palavra de Deus, os tempos de oração e leituras espirituais, etc. De facto, é para se pedirem contas aos homens desta geração (EV).

 

6ª Feira, 16-X: A Palavra de Deus e o cuidado das coisas de Deus.

Ef  1, 11-14 / Lc 12 , 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E, nem um deles está esquecido diante de Deus.

Deus ama e cuida de todas as suas criaturas e de cada uma em particular, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: Vós valeis mais do que muitos passarinhos (EV). Jesus ensina-nos a ter um abandono filial na Providência divina, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos, que orienta todas as coisas que nos acontecem para nosso bem.

Se Deus assim cuida de nós, também nós devemos cuidar de tudo o que se refere a Deus, como fez Nª Senhora, que disse: Faça-se em mim segundo a vossa Palavra. Vós também ouvistes a Palavra da Verdade (LT). Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança (SR).

 

Sábado, 17-X: A Palavra de Deus e a Sua misericórdia.

Ef 1, 15-23 / Lc 12, 8-12

E, a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á, mas a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, não se perdoará.

Esta blasfémia contra o Espírito Santo (EV) é uma rebelião contra Deus, ou um esquecimento ou indiferença para com Ele e o Seu amor. É um desejo de viver afastado, muito ou pouco, de Deus. Consiste em fechar a alma à graça de Deus, excluindo a própria fonte do perdão.

No entanto, a lembrança da misericórdia divina poderá ajudar a viver a contrição, para uma nova aproximação de Deus (LT). Destes poder ao Vosso Filho sobre a obra das vossas mãos (SR). Rezemos também com muita confiança a Salvé Rainha, Mãe de Misericórdia.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Correia

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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