19.º Domingo Comum

9 de Agosto de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós somos as pedras vivas – M. Luis, CNPL, 652

Salmo 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Eis-nos aqui reunidos no dia do Senhor! Viemos com alegria ao encontro do Senhor para escutar a Sua Palavra e comungar o Pão descido do Céu. Hoje, a palavra de Deus, que sempre nos ilumina e ajuda na nossa caminhada cristã, fala-nos das nossas relações com Deus e das de Deus connosco.

 

Acto Penitencial

 

P: Pelos gritos de protesto, sem confiança em Vós,

Senhor, tende piedade de nós!

A: Senhor, tende piedade de nós!

 

P: Pelos medos e crises, sem oração nem esperança,

Cristo, tende piedade de nós!

R: Cristo, tende piedade de nós!

 

P: Pelas dúvidas e incertezas, sinal da nossa pouca fé,

Senhor, tende piedade de nós!

A: Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura, do livro dos Reis, relata-nos uma conhecida teofania de Deus no monte da Revelação, o Horeb. O Senhor revela-Se na suavidade de uma brisa de conforto, em palavras e acções de paz.

 

1 Reis 19, 9a.11-13a

Naqueles dias, 9ao profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. 11O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. 12Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. 13aQuando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.

 

Temos aqui parte do relato da fuga do profeta Elias da perseguição do rei Acab, o 7º rei do reino do Norte, instigado pela sua mulher Jezabel, filha do rei de Tiro, que tinha jurado matá-lo, como desforra pelo extermínio dos sacerdotes do deus Baal (cf. 1Re 18). O profeta, perseguido pela sua absoluta fidelidade ao único Deus da aliança, aparece-nos numa atitude de regresso às fontes da fé, precisamente onde a aliança mosaica tinha sido firmada, «a montanha de Deus», assim chamada, pois ali Ele se revelara (cf. Ex 19).

8 «O Horeb»: nome que na tradição deuteronómica (a que pertence este livro), bem como na tradição eloísta é dado ao «Sinai» dos escritos da tradição javista e sacerdotal.

11-12 «Uma ligeira brisa». Esta aparição divina tem certa semelhança com a que se relata em Ex 33,21-23. Deste modo representa-se, por um lado, a imaterialidade divina, pois o Senhor não estava na «forte rajada de vento», nem no «terramoto» nem no «fogo», que não passam de sinais anunciadores da presença divina, a qual é algo que transcende estes fenómenos sensíveis tão violentos. Por outro lado, o relato pode dar a entender uma profunda lição: a vitória de Deus sobre o mal não tem de ser precipitada, de modo fulminante, repentina e espectacular, mas é preciso saber esperar a hora de Deus, da sua misericórdia; Elias terá de dominar o seu desespero e o seu zelo amargo, pois o Senhor diz-lhe: «desanda o teu caminho» (v. 15); Eliseu haveria de suceder-lhe para continuar e completar a sua obra.

13 «Elias cobriu o rosto», numa atitude de respeito e de temor, não fosse ver a Deus e morrer (cf. Gen 16,13; Is 6,5).

 

Salmo Responsorial    Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: O salmista canta que a salvação está perto, convidando o povo a regressar até Deus com todo o coração.

 

Refrão:        Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor

e dai-nos a vossa salvação.

 

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis

e a quantos de coração a Ele se convertem.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo vê com imenso sofrimento o afastamento de Israel da salvação, por ter rejeitado Jesus. No entanto, Paulo conhece bem o poder e a misericórdia divina acreditando que Deus iluminará o povo. 

 

Romanos 9, 1-5

Irmãos: 1Eu digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo: 2Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração. 3Quisera eu próprio ser separado de Cristo por amor dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, que são israelitas, 4a quem pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas, 5a quem pertencem os Patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos.

 

Neste Domingo, entramos na última parte do ensino doutrinal da epístola, que temos vindo a seguir, em retalhos seletos, desde o 9º Domingo comum. Nesta secção, que vai do capítulo 9 ao 11, S. Paulo pretende dar a explicação para um facto verdadeiramente estranho, a saber, como se explica que os judeus, que eram os primeiros destinatários da salvação messiânica, tenham ficado de fora, na sua maior parte? Isto não se pode dever a que Deus tenha falhado às suas promessas, mas deve-se a que Israel se tenha negado a crer, como aliás também os profetas já tinham anunciado (cf. cap. 9 e 10); e, de qualquer modo, a sua infidelidade não é total, nem definitiva (cf. cap. 11).

2-3 «Sinto grande tristeza». S. Paulo desabafa, deixando ver a profunda pena que sente pelo facto de os seus irmãos de raça permanecerem excluídos da salvação messiânica, chegando ao ponto de usar uma expressão que não se pode entender à letra: «Quisera eu próprio ser separado de Cristo». Anátema/maldito tem que se entender como força de expressão, que faz lembrar o dito de Moisés, «senão, risca-me do livro que escreveste» (Ex 32,32); esta maneira de dizer significa que ele estava disposto a suportar os maiores sacrifícios para conseguir a salvação eterna dos seus irmãos de raça, os judeus. De facto, não há lugar para dúvida de que Paulo amava mais Cristo do que tudo e todos, por isso exclama: «Se alguém não ama o Senhor, seja anátema» (1Cor 16,22).

4 «A glória». Aqui significa a manifestação sensível da presença divina no meio do seu povo, especialmente no tabernáculo e no templo (cf. Ex 40,34-35; 1Re 8,10-11).

5 «Cristo... é Deus bendito.» Temos aqui uma das mais claras afirmações da divindade de Cristo que há em todas as Escrituras. Não há dúvida de que esta doxologia se refere a Cristo, como se depreende do contexto. Em Hebr 13,21 temos uma outra doxologia referida a Cristo; e em Tit 2,13 temos mais uma afirmação da divindade de Cristo, semelhante em clareza.

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 129 (130), 5

 

Monição: Na sequência do domingo passado, no Evangelho de hoje surge um episódio que diz muito sobre a nossa vida. Tal como Pedro, a nossa vida é comparada a um barco que navega por águas agitadas pelo vento, perdendo a confiança e querendo provas.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma espera na sua palavra.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 14, 22-33

22Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-lo na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. 23Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. 24O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. 26Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. 27Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». 28Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». 29«Vem!» disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. 30Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» 31Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» 32Logo que saíram para o barco, o vento amainou. 33Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

 

A tempestade no Lago de Genesaré, a que se referem os Evangelhos é um fenómeno muito frequente e perigoso para as embarcações ainda hoje. O lago de 13 por 21 Km tomou este nome pelo seu formato de harpa (kinnéret).

23 «Subiu a um monte, para orar a sós». Jesus não teria necessidade de se retirar para se recolher em oração, como é sublinhado pelos evangelistas (cf. Mc 1,35; 6,47; Lc 5,16; 6,12); esta insistência acentua que o ensino de Jesus não consta só das suas palavras (cf. Mt 6,5-6), mas também do seu exemplo, pois nós bem precisamos de tempos de recolhimento para a oração.

25 «Na quarta vigília da noite». Uma referência à divisão romana da noite, adoptada pelos judeus: do pôr ao nascer do Sol havia quatro vigílias que eram mais longas no Inverno e mais curtas no Verão.

24-33 O caminhar de Jesus sobre as águas do lago de Genesaré, após a 1ª multiplicação dos pães, é relatado também por Marcos e João. Em Mateus, com razão chamado «o Evangelho eclesiástico», pode ver-se mais claramente uma alusão à vida da Igreja. Como a barca dos Apóstolos, também a Igreja se vê perseguida, «açoitada pelas ondas e pelo vento contrário», mas Jesus, que vela por ela, vem em seu socorro, com palavras de ânimo – «não tenhais medo!» – (palavras tão repetidas por João Paulo II). No relato reflete-se a trajetória dos discípulos do Senhor ao longo dos tempos: sujeitos ao medo e à dúvida avançam, pelo caminho da súplica, até chegarem à segura confissão de fé: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus!». Só Mateus apresenta Pedro indo ao encontro de Cristo sobre o mar, evidenciando-se assim o seu importante papel na direcção da barca da Igreja.

 

Sugestões para a homilia

 

O vento e a brisa

«Sai e permanece no monte à espera do Senhor». É assim que soa a voz que Deus fala ao profeta Elias, conforme lida na primeira leitura da missa neste domingo. Elias foi escolhido para restabelecer a fé no Deus verdadeiro, numa época em que o culto a Baal tinha sido protegido e difundido pelo poder político.

Consciente da sua missão, Elias dirige-se para o Monte Horeb. Ele sabia muito bem que, naquele mesmo local, Deus tinha-se revelado a Moisés e que estabeleceu uma aliança com o Seu povo. Por conseguinte, era extremamente necessário voltar às origens e reaprender o caminho de fé e de fidelidade para o Deus da libertação.

Elias esperava descobrir Deus nos grandes fenómenos da natureza. Mas Deus não apareceu no furacão, nem no terremoto, nem no fogo. Finalmente, Deus mostrou-Se numa suavíssima “brisa ligeira”.

Efectivamente, este episódio é uma boa lição para aqueles que esperam uma manifestação aparatosa de Deus e, enquanto esperamos isso, não prestamos atenção às manifestações tão suavíssimas que Deus, de forma diária, revela na nossa vida.

 

O mar e o medo

Enquanto Jesus se retirava para orar sozinho na montanha, os seus discípulos navegavam no barco, "açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário". A história parece uma parábola em acção. O mar geralmente representa a força do mal. No mar agitado, os discípulos pensam que são esquecidos pelo seu Mestre. Eles navegam com dificuldade e, quando vêem Jesus a caminhar sobre o mar, acham que ele é um fantasma. No entanto, o Senhor tem uma palavra de encorajamento para aqueles que escolheram: "Tende confiança. Sou Eu. Não temais".

Pedro deseja ir ao encontro de Jesus caminhando, de igual forma, sobre o mar. Contudo, ao deparar-se com a violência do vento, Pedro começa a afundar-se. Nesse mesmo momento, Simão Pedro invoca o seu Mestre: "Salva-me, Senhor!”. Apenas a mão de Jesus o irá manter à tona.

Na hora da tempestade, Jesus dá-nos serenidade e confiança. Foi assim que o Papa Francisco, no passado dia 27 de Março de 2020, na adoração ao Santíssimo Sacramento e bênção Urbi et Orbi, testemunhou a toda a humanidade a força e actualidade deste episódio com as seguintes palavras:

 

A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projectos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de «empacotar» e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente «salvadores», incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades.

Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos”.

 

Fé e confiança

Apenas quando Jesus e Pedro entram no barco é que o vento diminui. Terminado o medo, a fé dos discípulos reaparece.

"Tu és verdadeiramente o Filho de Deus". Esta é a confissão dos discípulos. Jesus não os ignorou. Ele não ignora a barca que representa a Sua Igreja. Ele está perto dela, mesmo nos momentos mais difíceis.

"Tu és verdadeiramente o Filho de Deus". Jesus não é um fantasma. A falta de fé dos discípulos leva-os a imaginar Jesus dessa maneira. No meio das tempestades deste mundo, o Senhor da história caminha serenamente, o poder e a bondade de Deus revela-se na fragilidade.

 

Fala o Santo Padre

 

«A barca é a vida de cada um de nós mas é também a vida da Igreja;

o vento contrário representa as dificuldades e as provações.

A garantia contra o naufrágio é a fé em Cristo e na sua palavra.»

Hoje a página do Evangelho (Mt 14, 22-33) descreve o episódio de Jesus que, depois de ter rezado a noite inteira à margem do lago da Galileia, se dirige à barca dos seus discípulos, caminhando sobre as águas. A barca encontra-se no meio do lago, bloqueada por um forte vento contrário. Quando veem Jesus a caminhar sobre as águas, os discípulos confundem-no com um fantasma e sentem medo. Mas ele tranquiliza-os: «Tranquilizai-vos, sou eu; não temais!» (v. 27). Pedro, com o seu ímpeto caraterístico, diz-lhe: «Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas»; e Jesus chama-o «Vem» (vv. 28-29). Descendo da barca Pedro caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus; mas sentindo a violência do vento teve medo, começou a afundar e gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe a mão e segurou-o (vv. 30-31).

Esta narração do Evangelho contém um simbolismo rico e faz-nos refletir sobre a nossa fé, quer como indivíduos quer como comunidade eclesial, também a fé de todos nós que estamos aqui hoje na Praça. A comunidade, esta comunidade eclesial, tem fé? Como é a fé em cada um de nós e a fé da nossa comunidade? A barca é a vida de cada um de nós mas é também a vida da Igreja; o vento contrário representa as dificuldades e as provações. A invocação de Pedro: «Senhor, manda-me ir ter contigo!» e o seu grito: «Salva-me, Senhor!» assemelham-se ao nosso desejo de sentir a proximidade do Senhor, mas também o medo e a angústia que acompanham os momentos mais difíceis da nossa vida e das nossas comunidades, marcadas por fragilidades internas e dificuldades externas.

Naquele momento a Pedro não foi suficiente a palavra segura de Jesus, que era como uma corda estendida na qual segurar-se para enfrentar as águas hostis e turbulentas. Isto pode acontecer também a nós. Quando não nos agarramos à palavra do Senhor, para ter mais segurança consultamos horóscopos e cartomantes, começamos a afundar. Significa que a fé não é tão firme. O Evangelho de hoje recorda-nos que a fé no Senhor e na sua palavra não nos abre um caminho onde tudo é fácil e tranquilo; não nos livra das tempestades da vida. A fé oferece-nos a segurança de uma Presença, a presença de Jesus, que nos impele a superar os temporais existenciais, a certeza de uma mão que nos segura a fim de nos ajudar a enfrentar as dificuldades, indicando-nos a estrada inclusive quando está escuro. A fé não é um subterfúgio para os problemas da vida, mas apoia no caminho, dando-lhe sentido.

Este episódio é uma imagem maravilhosa da realidade da Igreja de todos os tempos: uma barca que, ao longo da travessia, deve enfrentar até ventos contrários e tempestades, que ameaçam virá-la. O que a salva não são a coragem nem as qualidades dos seus homens: a garantia contra o naufrágio é a fé em Cristo e na sua palavra. Esta é a garantia: a fé em Jesus e na sua palavra. Dentro desta barca estamos em segurança, não obstante as nossas misérias e fragilidades, sobretudo quando nos pomos de joelhos e adoramos o Senhor, como discípulos que, no final, «se prostraram diante dele, dizendo: “És realmente o Filho de Deus!”» (v. 33). Que bonito dizer a Jesus esta frase: «És realmente o Filho de Deus!». Digamos todos juntos? «És realmente o Filho de Deus!».

A Virgem Maria nos ajude a permanecer firmes na fé para resistir às tempestades da vida, a persistir na barca da Igreja refutando a tentação de subir nos barcos encantadores mas inseguros das ideologias, das modas e dos slogans.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 13 de Agosto de 2017

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus nosso Pai,

que nos escuta quando O invocamos,e apresentemos-Lhe as nossas preces

por todos os homens, dizendo (ou: cantando), numa só voz:

R. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

Ou: Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.

Ou: Ouvi, Senhor, a oração do vosso povo.

 

1.     Pela Igreja de N., suas paróquias e fiéis,

para que Deus lhes revele o mistério do vento forte,

do fogo ardente e da brisa leve, oremos.

 

2.     Pelos párocos, missionários e irmãos leigos,

para que tenham confiança e nada temam,

pois Jesus é mais forte que a força das ondas, oremos.

 

3.     Pelos candidatos ao ministério e а vida religiosa,

para que, na fidelidade а vocação que receberam,

procurem os dons de Deus mais excelentes, oremos.

 

4.     Pelo povo da primeira aliança e das promessas,

para que em Cristo, descendente de David,

descubra o Messias enviado por Deus, oremos.

 

5.     Pelos emigrantes das nossas comunidades,

para que a palavra de Deus os faça crescer na fé

e Jesus lhes estenda as mãos nas dificuldades da vida, oremos.

(Outras intenções: os que proclamam os direitos de Deus e dos homens ...).

 

Senhor, que estais sempre junto daqueles a quem as tempestades deste mundo põem em perigo,

fazei que eles reconheçam a vossa presença e descubram que não podem caminhar

sem a vossa luz e a vossa força.Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai, cantai alegremente – M. Faria, NRMS, 30

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Neste momento, Jesus dá-se a cada um de nós na Sagrada Comunhão. Não é um fantasma. É o próprio Corpo de Cristo, realmente presente na Santíssima Eucaristia. Todas as dúvidas desaparecem quando vem até nós. Falemos-Lhe de tudo o que acontece na nossa vida. Ele nos concederá a graça da Salvação.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida – J. F. Silva, NRMS, 70

Salmo 147,12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Ou

Jo 6, 52

O pão que Eu vos darei, diz o Senhor, é a minha carne pela vida do mundo.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei eternamente – M. Luís, NRMS, 6 (I)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao terminar esta celebração dominical, peçamos a Jesus que perdoe a nossa falta de fé e os nossos medos que levam a considera-Lo um fantasma. Ao longo desta semana, procuremos viver e anunciar com confiança a presença serena de Jesus na barca da nossa vida. 

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é amor, – – J. F. Silva, NRMS, 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 10-VIII: S. Lourenço: O sofrimento fecundo.

2 Cor 9, 6-10 / Jo 12, 24-26

 Se o grão de trigo cair na terra, e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dará muito fruto.

S. Lourenço, diácono do Papa Sisto II, foi martirizado poucos dias depois do Papa.

Graças ao seu martírio, e aos de tantos outros nos primeiros séculos, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro. Quem semeia pouco, também colherá pouco e, quem semeia abundantemente, também colherá abundantemente (LT). O seu coração está firme, confiado no Senhor (SR). Participemos nesta sementeira, oferecendo as contrariedades de cada dia, o cumprimento dos nossos deveres, que constituem o nosso grão de trigo (EV). Assim obteremos frutos abundantes, que só viremos a conhecer no Céu.

 

3ª Feira, 11-VIII: A Palavra de Deus e a nossa salvação.

Ez 2, 8 – 3, 4 / Mt 18, 1-5, 10. 12-14

Assim, não é vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos.

É vontade do nosso Pai que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Ele usa de paciência não querendo que ninguém se perca (EV).

Para que ninguém se perca, nunca nos deixará sós. É o Emanuel, o Deus connosco. Permanece no Sacrário para nos acompanhar. E também nos dá o alimento da sua Palavra, que é mais doce que o mel (SR). Foi o que aconteceu com o profeta Ezequiel, que comeu o livro em forma de rolo. Eu comi-o, e tornou-se-me na boca tão doce como o mel (LT). Além disso, enviou-nos o Espírito Santo e deu-nos Nª Senhora como nossa Mãe.

 

4ª Feira, 12-VIII: A Palavra de Deus e os modos da sua presença.

Ez 9, 1-7; 10, 18-22 / Mt 18, 15-20

Pois, onde estiverem dois ou três em meu nome, aí estarei no meio deles.

O Senhor está sempre na sua Igreja, sobretudo nas acções litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa. Está presente, com a sua virtude, nos Sacramentos. Está presente na sua Palavra. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta os Salmos, Ele que prometeu: 'Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles' (EV) e (CIC, 1088)

E também está presente no meio dos que sofrem. Assinala com uma cruz na testa os homens que gemem e se lamentam (LT). Lá do alto, o Senhor contempla a terra (SR).

 

5ª Feira, 13-VIII: A Palavra de Deus e o modo de ver os outros.

Ez 12, 1-12 / Mt 18, 21- 19, 1

Se o meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe?

É quase inevitável que, no nosso dia apareçam pequenos conflitos com as pessoas com quem nos relacionamos. O Senhor pede-nos que os procuremos perdoar do íntimo do nosso coração, imitando nosso Pai celestial (EV).

Precisamos ver os outros com outros olhos. Pois, eles têm olhos para ver e não vêm. (LT). Precisamos vê-los, não só com nossos olhos e sentimentos, mas com a perspectiva de Deus. Não devias compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? (EV). Não esqueçais as obras do Senhor (SR).

 

6ª Feira, 14-VIII: A Palavra de Deus e a dignidade do matrimónio.

Ez 16, 59-63 / Mt 19, 3-12

 Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio não foi assim.

Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza original, tal como foi instituído no princípio da criação (EV). Infelizmente o ambiente continua a desfigurar esta dignidade, pois reclamam-se formas de reconhecimento legal para as convivências de facto, para casais com membros do mesmo sexo, etc,

É preciso rezar e actuar, na vida social, para que tudo volte à normalidade. Pois Eu é que hei-de restabelecer a minha Aliança contigo (LT). Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em toda a terra (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Bruno Barbosa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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