Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2020

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Jesus tomou consigo – C. Silva, OC, pg 145

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A celebração da Transfiguração do Senhor é um acontecimento extraordinário na centralidade do mistério pascal de Jesus. Nesta revelação, “um pedaço de céu na terra”, os apóstolos são testemunhas de excelência: contemplaram a beleza, a santidade e a glória de Cristo.

Assim no mistério da cruz, iluminado pela glória do ressuscitado, irão compreender a fidelidade amorosa de Jesus à vontade do Pai, a novidade do seu messianismo e a sua entrega incondicional em sacrifício pascal pela salvação de todos. Esta forte experiência dá aos seus discípulos a sabedoria da cruz e a contemplação da divindade do crucificado e da Sua vitória. E tornará estes homens frágeis em audazes servidores do evangelho e doadores de suas vidas na mesma cruz.

Em cada eucaristia somos convidados a fixar nossa vida e missão em Jesus Cristo, em escutar verdadeiramente o Pai que nos pede que aceitemos o Seu dileto Filho, e acolher o dom do Espírito Santo que O torna presente e vivo.

O cristianismo depende do lugar que damos a Cristo na nossa vida. Depende sobretudo do nosso amor ao Filho de Deus, amor que torna viva e dinâmica nossa vida de discípulos. E depende do seguimento na loucura da Cruz, em entrega total.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Sou convidado a olhar para a História da salvação e a contemplá-la em Cristo a quem foi entregue o poder, a honra e a realeza.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o Antigo em dias») é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36,26; Salm 101[102],25-26; Is 41,4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26,11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» (=10.000 vezes 10.000) é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», mas este numeral não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal direto desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24,30; 26,64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1,32-33; Mt 8,20; 24,30; 26,64; Apoc 1,7; 14,14) ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem). Uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino (a propósito, veja-se o belo e profundo comentário teológico de Bento XVI, em Jesus de Nazaré, capítulo X).

 

Salmo Responsorial    Sl 96 (97), 1-2.5-6.9 e 12 (R. 1a.9a)

 

Monição: Só Cristo pode transfigurar plenamente o nosso coração e fazê-lo transbordar de alegria.

 

Refrão:        o Senhor é rei,

                     o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas;

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do Senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Que maravilha se todos conhecêssemos verdadeiramente Jesus! Assim o nosso testemunho seria audaz e convincente!

 

2 São Pedro 1, 16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17,1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3,3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos, pois a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a “estrela da manhã” (cf. Apoc 2,28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1Tes 5,4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22,16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22,17.20).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 17, 5c

 

Monição: O rosto de Cristo resplandece como o sol, suas vestes ficam brancas como a luz. Saiba eu descobrir a beleza do rosto de Cristo, amá-lo de todo o coração e segui-Lo com toda a exigência da sabedoria da cruz. Saiba descobrir essa glória na simplicidade da eucaristia, no rosto dos irmãos e na sua Igreja. E seja capaz de fazer brilhar os rostos apagados.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 17, 1-9

 

1Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte 2e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. 4Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». 5Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». 6Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. 7Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». 8Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. 9Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

 

O facto de esta cena nos ser apresentado todos os anos no 2º Domingo da Quaresma tem um sentido para a nossa vida a ter em conta. Assim como para aqueles discípulos a Transfiguração de Jesus serviu de preparação para se confrontarem com a sua desfiguração na agonia do Getxemani, assim também nós temos de nos dispor com olhos de fé para a celebração do tríduo pascal.

1 «A um alto monte. Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, segundo uma tradição procedente do séc. IV, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas modernos que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes.

Pedro, Tiago e João, são os três prediletos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gal 2,9) particularmente firmes, igualmente testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26,37), diríamos, uma espécie de núcleo duro. Jesus sabia que a sua Paixão e Morte lhes iria provocar um violentíssimo choque, por isso quer prepará-los para enfrentarem com fé e coragem tamanha provação. Pedro acabara de confessar Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16,16); Jesus tinha-o declarado «bem-aventurado» por essa confissão de fé, que afinal era muito frágil, pois, logo a seguir, perante o primeiro anúncio da Paixão, Jesus havia de o repreender pela sua visão humana (cf. Mt 16,23).

3 «Moisés e Elias». São os dois maiores expoentes de toda a revelação do Antigo Testamento: representam a Lei e os Profetas a convergirem em Cristo.

9 «Não conteis a ninguém». Esta ordem enquadra-se na chamada «disciplina do segredo messiânico», que tinha por fim evitar uma exagerada exaltação do espírito dos Apóstolos; assim Jesus obviava a possíveis agitações populares que só viriam prejudicar e perturbar a sua missão. Em Marcos esta imposição do silêncio adquire um significado teológico muito particular.

 

Sugestões para a homilia

 

Viver apaixonados por Cristo.

Apaixonados que sabem ouvir.

Apaixonados que acolhem: “Levantai-vos e não temais”.

 

Viver apaixonados por Cristo

A palavra de Deus para esta celebração usa verbos muito fortes. Um deles é o verbo ver. Também se usa o contemplar ou olhar. É um dos sentidos fortes em nossa vida.

No nosso itinerário de fé, o sentido que mais se nos pede é o ouvir ou escutar. O ver pertence mais à eternidade. Depois já não faremos mais perguntas porque O veremos tal qual Ele é.

O Profeta Daniel vê sinais maravilhosos que revelam a grandeza, a santidade de Deus, que se centralizam no filho do homem, a quem foi entregue o poder, a honra e a realeza e que todos os povos irão servir. Ele vê o ponto culminante da história da salvação, o Reino que jamais passará.

Pedro, Tiago e João são testemunhas do acontecimento que marca as suas vidas: a transfiguração. Estes são presenteados com uma maravilhosa manifestação de Deus. Tal fica gravado nos seus corações e na sua vida e servirá para ser referência nas horas de humilhação do Seu Mestre e sobretudo da morte na cruz. E servirá de estímulo no anúncio/testemunho de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, morto e ressuscitado. É uma história de amor verdadeiro com o selo da sua autenticidade: a cruz, fonte de sabedoria e renovação de todas as coisas. Criação nova amassada no sangue de Cristo e no sopro pentecostal do Espírito, consequência da entrega de Cristo na cruz.

Hoje espera-se com ânsia corações apaixonados por Cristo. Que o conheçam verdadeiramente, na oração constante e permanente, como o respirar. Para tal é necessário o encontro assíduo com Ele, a escuta ávida dos sinais e da Palavra do Pai, da docilidade ao Espírito Santo. Uma relação de tu a tu capaz de atrair as vidas para uma doação incondicional. Se na realidade não formos capazes de O ver vivo, como Alguém que nos ama, nos interpela em compromisso, então também a nossa relação com Ele fica em meras recordações de sonho, de ausência de compromisso, de ausência de entusiasmo. Fica-se por uma vida de sonambulismo, de comodismo, de indiferença, de preguiça. E por isso o “Levantai-vos e não temais”.

Iluminados pelo esplendor do rosto de Cristo também a nossa vida resplandece e fica transfigurada, capaz de transfigurar outras vidas que passam para a luz, para glória a que fomos chamados.

 

Apaixonados que sabem ouvir.

A fé nasce da audição. A nossa fé nasce da escuta da Palavra de Deus. A capacidade para ouvir nasce no dia do nosso batismo: “efáta: abre-te”. Despertar o nosso ouvido para a voz maravilhosa de Deus que se revela: “Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Ouvir e aceitar a proposta do Pai: “Este é o meu filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O”. O que o Pai mais nos pede é que escutemos Jesus. Ele também O escuta. E escuta sempre deliciando-se na beleza da palavra de Seu Filho. Escuta nas horas da sua oração: “Pai dou-te graças”, “Pai eu te louvo”. Escuta nas horas de agonia e cruz com o ouvido mais belo de amor: “faça-se a Tua vontade”! “Pai perdoa-lhe…”, “Pai, nas tuas mãos entrego o meu Espirito” E Jesus escuta o Pai com um amor e fidelidade que O comovem: “Este é o meu Filho muito amado”.

Os três discípulos escutaram, guardaram, viveram e se tornaram testemunhas. No Tabor viram coisas belas. No calvário viram a loucura da cruz. Tornaram-se testemunhas da morte e ressurreição.

Este é o tempo privilegiado para sermos testemunhas. Nós já temos muito mais que Pedro, Tiago e João. Temos uma história de amor de mais de 20 seculos com imensos apaixonados que se envolveram no mesmo projeto. Conhecemos a história desta família, a Igreja, que ultrapassou crises e dificuldades incríveis. Conhecemos a força deste amor. Ninguém pode ficar à margem. Para isso basta deixar-se apaixonar por este Filho que o Pai pede que escutemos, amemos e sigamos.

 

Apaixonados que acolhem: “Levantai-vos e não temais”.

A todos os que viram e ouviram, não lhes foi pedido que assistissem a um belo espetáculo de mera curiosidade, mas que tal experiência ajudasse no anúncio e testemunho do mistério da vida e missão de Jesus Cristo.

É o que se passa com os santos. Eles não recebem experiências fantásticas para se recolherem no conforto das recordações, ou viverem na segurança da sua excelência e nos pensamentos da sua invejável santidade. Tais experiências são proporcionais à enorme tarefa que se lhes é pedida e confiada.

Os primeiros discípulos iriam ter a enorme tarefa de levar avante o projeto de Jesus Cristo. Diante de imensas e difíceis dificuldades, frente a um mundo hostil, agressivo, não tiveram medo de calcorrear caminhos. Gravaram na mente e no coração o “levantai-vos e não temais”.  Também não tiveram medo da sua pequenez e fragilidade porque iam em nome de Cristo e no dinamismo do seu amor: “Não fostes vós que me escolhestes. Fui eu que vos escolhi e vos destinei, para que deis fruto e o vosso fruto permaneça”.

Hoje vivemos também tempos de extrema fúria, radicalismos fanáticos, oposição ignorante, ventos de ódio, de indiferença e incredulidade. É toda uma onda de oposição a Deus e ao Seu Cristo. A única atitude vencedora é a sabedoria da Cruz que leva em si a glória do Ressuscitado, pois é a expressão de amor total e da vitória definitiva desse amor.

Não há testemunho sem apaixonados. Não há viragem significativa sem apaixonados da sabedoria da cruz, e sobretudo do Mestre crucificado. Este estar apaixonado permite descobrir, porque o amor vê mais longe, os que são preteridos, esquecidos, abandonados, os que sofrem. Esse estar apaixonado, como S. João da Cruz dizia: “o amor não cansa nem se cansa”. Nas horas de êxito ou de aparente fracasso: “Levantai-vos e não temais”.

 

Fala o Santo Padre

 

«A subida dos discípulos ao monte Tabor leva-nos a refletir acerca da importância

de nos desapegarmos das coisas mundanas, a fim de fazer um caminho rumo ao alto e contemplar Jesus.»

Neste domingo, a liturgia celebra a festa da Transfiguração do Senhor. A página evangélica de hoje narra que os apóstolos Pedro, Tiago e João foram testemunhas deste acontecimento extraordinário. Jesus levou-os consigo «e conduziu-os em particular a um alto monte» (Mt 17, 1) e, enquanto rezava, o seu rosto mudou de aspeto, brilhando como o sol, e as suas vestes tornaram-se cândidas como a luz. Apareceram então Moisés e Elias, e entraram em diálogo com Ele. A este ponto, Pedro disse a Jesus: «Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias» (v. 4). Ainda não tinha acabado de falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu.

O evento da Transfiguração do Senhor oferece-nos uma mensagem de esperança — assim seremos nós, com Ele — convida-nos a encontrar Jesus, para estar ao serviço dos irmãos.

A subida dos discípulos ao monte Tabor leva-nos a refletir acerca da importância de nos desapegarmos das coisas mundanas, a fim de fazer um caminho rumo ao alto e contemplar Jesus. Trata-se de nos pormos à escuta atenta e orante de Cristo, o Filho amado do Pai, procurando momentos de oração que permitem o acolhimento dócil e jubiloso da Palavra de Deus. Nesta ascensão espiritual, neste afastamento das coisas mundanas, somos chamados a redescobrir o silêncio pacificador e regenerante da meditação do Evangelho, da leitura da Bíblia, que leva rumo a uma meta rica de beleza, de esplendor e de alegria. E quando nos pomos assim, com a Bíblia na mão, em silêncio, começamos a sentir esta beleza interior, esta alegria que a palavra de Deus gera em nós. Nesta perspetiva, o tempo de verão é um momento providencial para aumentar o nosso compromisso de busca e de encontro com o Senhor. Neste período, os estudantes estão livres dos compromissos escolares e muitas famílias fazem as suas férias; é importante que no período do repouso e da pausa das ocupações diárias, se possam retemperar as forças do corpo e do espírito, aprofundando o caminho espiritual.

No final da admirável experiência da Transfiguração, os discípulos desceram do monte (cf. v. 9) com os olhos e o coração transfigurados pelo encontro com o Senhor. É o percurso que podemos realizar também nós. A redescoberta cada vez mais viva de Jesus não constitui um fim em si, mas induz-nos a «descer do monte», restaurados pela força do Espírito divino, para decidir novos passos de conversão e para testemunhar constantemente a caridade, como lei de vida diária. Transformados pela presença de Cristo e pelo fervor da sua palavra, seremos sinal concreto do amor vivificador de Deus por todos os nossos irmãos, sobretudo por quem sofre, por quantos se encontram na solidão e no abandono, pelos doentes e pela multidão de homens e mulheres que, em diversas partes do mundo, são humilhados pela injustiça, pela prepotência e pela violência.

Na Transfiguração ouve-se a voz do Pai que diz: «Este é o meu Filho muito amado. Ouvi-o!» (v. 5). Olhemos para Maria, a Virgem da escuta, sempre pronta para acolher e guardar no coração cada palavra do Filho divino (cf. Lc 1, 51). Queira a nossa Mãe e Mãe de Deus ajudar-nos a entrar em sintonia com a Palavra de Deus, de modo que Cristo se torne luz e guia de toda a nossa vida. A Ela confiemos as férias de todos, para que sejam serenas e proveitosas, mas sobretudo o verão de quantos não podem ir de férias porque a idade não permite, por motivos de saúde ou de trabalho, por dificuldades económicas ou por outros problemas, a fim de que seja contudo um tempo de distensão, alegrado por presenças amigas e por momentos felizes.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 6 de Agosto de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Invoquemos a Deus nosso Pai,

que nos revelou a divindade de seu Filho muito amado

e nos mandou escutá-l’O,

dizendo, com alegria:

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou. Ouvi, Senhor, a nossa súplica.

 

1-Para que Deus transfigure a santa Igreja,

peregrina nos quatro cantos da terra,

e a faça brilhar pela santidade,

oremos, irmãos.

 

2- Para que Deus transfigure os homens públicos,

os ensine a trabalhar pelo bem comum

e a promover a paz e a justiça,

oremos, irmãos.

 

3- Para que Deus transfigure aqueles que sofrem,

os ajude a levar a sua cruz

e a seguir os passos do seu Filho,

oremos, irmãos.

 

4- Para que Deus transfigure o nosso olhar

e nos ensine a descobrir, dia após dia,

a sua presença na pessoa dos que sofrem,

oremos, irmãos.

 

5- Para que Deus nos transfigure inteiramente

e imprima no nosso coração

a imagem do rosto de Jesus,

oremos, irmãos.

 

6- Para que Deus transfigure com a sua glória os moribundos

e os leve a contemplar, na eternidade,

o rosto de Jesus, o Redentor,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, senhor, as nossas súplicas

e envolvei-nos com a luz santíssima

que os Apóstolos viram brilhar no monte santo,

para escutarmos a voz do vosso Filho,

imagem e esplendor da vossa glória.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Na glória do teu rosto – C. Silva, OC, pg 320

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo mistério da transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça.

Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

“Nós vimos a Sua glória”. Na relação mais profunda que Deus estabelece connosco celebramos a verdadeira transfiguração. O nosso Deus, agora escondido sob as espécies de pão e de vinho, é o nosso Deus que se torna tão próximo, tão amigo, tão comunicativo e em comunhão connosco.

Que esta relação de amor transfigure a vida a ponto de sermos verdadeira luz, verdadeiros discípulos, verdadeiros sábios na entrega oportuna da vida em favor dos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Senhor Tu és a luz – A. Oliveira, NRMS, 6

cf. 1 Jo 3,2

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Louvai, louvai o Senhor – J. F. Silva, NRMS, 85

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Conscientes de que somos discípulos de Cristo e enviados, não podemos descurar o testemunho oportuno e corajoso.

Temos necessidade de escutar a voz do Pai, de contemplar o Rosto de Cristo, de palmilhar caminhos de missão, levando a alegria, a esperança, a vida plena, que brota do mistério da morte e ressurreição de Cristo.

Este é o nosso tempo, este é o nosso mundo, este é o mandato: “levantai-vos e não temais”.

Escutemos a Mãe, discípula fiel e serva: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

 

Cântico final: Povos batei palmas – CS, NRMS, 48

 

Celebram neste dia o seu padroeiro todas as paróquias que têm como invocação o DIVINO SALVADOR.

Quando esta solenidade não ocorrer ao Domingo, proclama-se apenas uma das duas leituras aqui indicadas.

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 7-VIII: A Palavra de Deus e o valor das coisas.

Naum 2, 1-3; 3, 1-3. 6-7 / Mt 16, 24-28

Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se arruinar a própria vida?

A fé em Deus há-de ajudar-nos a utilizar todas as nossas acções para nos aproximarem dEle e a rejeitar tudo o que nos afastar dEle (EV). Pedimos a Deus assim fazermos ao utilizarmos os bens materiais. Vivamos com austeridade, e aceitemos sem queixas, quando não dispusermos do que é necessário.

O Profeta Naum fala duma cidade sanguinária (Nínive) que é uma completa ruína. Quem a vir fugirá dela (LT). Noutra ocasião Deus pedirá aos seus habitantes que se arrependam e façam penitência. O Senhor terá piedade dos seus servos (SR).

 

Sábado, 8-VIII: A Palavra de Deus e o cumprimento das suas promessas.

Hab 1, 12 – 2, 4 / Mt 17, 14-20

Se tiverdes fé como um grão de mostarda, nada vos será impossível.

Os discípulos não puderam curar um rapaz epiléptico. Porque, como o Senhor comentou, faltou-lhes a fé (EV). Numa outra ocasião, já pediram ao Senhor: 'Aumenta-nos a fé!' O mesmo temos que pedir nós, quando aparecer uma dificuldade.

Se passar algum tempo sem obtermos resposta, que nos diz o Senhor? Se parece demorar, deves esperá-la (a resposta), porque ela há-de vir e não tardará. O justo viverá pela sua fidelidade (LT). Pelo contrário, sucumbe quem não tem a alma recta (LT). Em vós confiam, Senhor, porque não abandonais os que vos procuram (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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