18.º domingo comum

2 de Agosto de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: A terra inteira cante ao Senhor – B. Salgado, NRMS, 5

Salmo 69, 2.6

Antífona de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, Senhor, socorrei-me e salvai-me. Sois o meu libertador e o meu refúgio: não tardeis, Senhor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No meio das muitas dificuldades em que nos encontramos envolvidos, podemos ser tentados a pensar que Deus nos abandonou à nossa sorte e que estamos no desamparo.

Na Liturgia da Palavra deste 18.º Domingo do Tempo Comum, o Senhor vem garantir-nos que nunca nos abandonará e que podemos contar sempre com o Seu Amor. Ele fez uma Aliança eterna com cada um de nós na Sangue Cristo, no Calvário e assumimos esta mesma Aliança pelo nosso Batismo. Ele nunca nos desampara.

 

Ato penitencial

 

Reconheçamos humildemente as nossas infidelidades à Aliança de amor do nosso Batismo. Todas as vezes que pecamos, afastamo-nos de Deus e somos infiéis à Aliança que fizemos com Ele.

Imploremos o Seu perdão misericordioso e a Sua ajuda, para começarmos uma vida nova.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos elementos para os vários esquemas do Missal)

ESQUEMA A

 

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

Glória a Deus nas alturas...

 

ESQUEMA B

 

O sacerdote diz:

 

Irmãos:

Para celebrarmos dignamente os santos mistérios, reconheçamos que somos pecadores.

 

Guardam-se alguns momentos de silêncio. Seguidamente, o sacerdote diz:

 

Tende compaixão de nós, Senhor.

 

O povo responde:

Porque somos pecadores.

 

O sacerdote continua:

Manifestai, Senhor, a vossa misericórdia.

 

O povo responde:

E dai-nos a vossa salvação.

 

ESQUEMA C

 

•   Senhor Jesus: Bastantes vezes, caio no desânimo e na tristeza,

    porque me deixo convencer de que me deixastes abandonado.

    Senhor, tende piedade de nós.

 

    Senhor, tende piedade de nós.

 

•   Cristo: Nem sempre tenho dado as ajudas que poderia oferecer

    para solucionar os problemas que encontro no meu ambiente.

    Cristo, tende piedade de nós.

 

    Cristo, tende piedade de nós.

 

•   Senhor Jesus: Sou tentado a fazer de conta que não me dou conta

    das dificuldades em que estão as pessoas que vivem ao meu lado.

Senhor, tende piedade de nós.

 

Senhor, tende piedade de nós.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

 

Oração colecta: Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai-Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías conforta o Povo de Deus no exílio de Babilónia, com a promessa dos bens messiânicos.

Vivamos cheios de confiança e alegria, no meio das dificuldades, com a certeza de que Deus nunca nos abandona, porque é nosso Pai.

 

Isaías 55, 1-3

1Eis o que diz o Senhor: «Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. 2Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Se me escutais, haveis de comer do melhor e saborear pratos deliciosos. 3Prestais-Me atenção e vinde a Mim; escutai e a vossa alma viverá. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.

 

A leitura, tirado do final do 2º Isaías, o chamado «livro da consolação» (apelo Is 40 – 55) contém um apelo aos exilados que se mostram renitentes em regressar à pátria, que tem grande actualidade para a alma indecisa e apegada a tantas solicitações que a afastam do amor de Deus: somente a quem tem «sede» de Deus e não está desapegado do «dinheiro», isto é, dos bens efémeros, (v. 1) é que pode participar no «banquete messiânico», saboreando os bens da «aliança eterna», da graça da salvação (v. 3), simbolizados no «vinho e leite» (v. 1) e no «comer do melhor e saborear pratos deliciosos» (v. 2).

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 144 (145), 8-9.15-16.17-18 (R. cf. 16)

 

Monição: O Espírito Santo coloca em nossos lábios um cântico de louvor e agradecimento à misericórdia de Deus.

Ele é paciente e cheio de bondade para connosco. Abre as suas mãos e sacia a nossa fome.

 

Refrão: Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.

 

Refrão:        Abris, Senhor, as vossas mãos

                e saciais a nossa fome.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

O Senhor é bom para com todos

e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

 

Todos têm os olhos postos em Vós

e a seu tempo lhes dais o alimento.

Abris as vossas mãos

e todos saciais generosamente.

 

O Senhor é justo em todos os seus caminhos

e perfeito em todas as suas obras.

O Senhor está perto de quantos O invocam,

de quantos O invocam em verdade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo manifesta, na Carta aos fiéis da igreja de Roma, a sua total confiança em Deus.

Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada?

 

 

Romanos 8, 35.37-39

Irmãos: 35Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? 37Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou. 38Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades 39nem a altura nem a profundidade nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor.

 

Neste Domingo acaba de se ler a última parte do texto do capítulo 8º de Romanos, um capítulo que constitui a parte central de todo o ensino doutrinal da epístola – um dos mais altos cumes do pensamento paulino –, desenvolvendo o tema do amor salvador de Deus antes proposto (em 5,1-11). Neste capítulo é posto em relevo todo o alcance da nova realidade misteriosa que é o «estar em Cristo Jesus», fórmula com que se abre a secção (8,) e se encerra (8,39). S. Paulo, depois de expor a realidade da nossa libertação em Cristo e da vida no Espírito (vv. 1-11), mostra como o dom do Espírito, que nos faz filhos adoptivos de Deus, é garantia de salvação universal (vv. 12-30); nos vv. 31-39, o Apóstolo irrompe num impressionante hino, um apaixonado e vibrante canto de vitória, em que volta ao tema, desenvolvendo-o em duas estrofes paralelas (vv. 31-34) e (vv. 35-39, a leitura de hoje), com uma argumentação cerrada e entusiástica: «se Deus é por nós, quem será contra nós?» (v. 31), «criatura alguma poderá separar-nos do amor-de-Deus-que-está-em-Cristo-Jesus-Senhor-Nosso». É esta realidade única e sublime – daí que a tenhamos ligado e transcrito com maiúsculas – que dá firmeza inabalável à esperança cristã, uma realidade posta em evidência com a pergunta retórica do início da 2ª estrofe deste hino (v. 35): «quem poderá separar-nos do amor de Cristo?». Não deixa de ser interessante a especificação enfática de que nem nada nem ninguém o poderá conseguir, a saber, nenhuma força terrena – «a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, ou a espada», isto é, a morte violenta (v.35) –, nem nenhuma força cósmica, por mais poderosa que seja (segundo as crenças populares da época, as mais fortes e hostis, mas Paulo não pretende especificar-lhes a natureza nem documentar a sua existência objectiva), como os «anjos, os principados, as potestades» (é mais provável tratar-se aqui de forças demoníacas ocultas: cfr Ef 6,12), «a altura e a profundidade», uma possível alusão a estrelas funestas, tanto mais maléficas, quanto mais no zénite ou na tangente da terra, ou então, segundo outros, umas potências malignas a pairar no ar, ou actuando nas profundezas da terra.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: O Senhor sabe muito bem que não termos apenas necessidade de pão para a vida corporal, mas precisamos de outros bens.

Manifestemos a nossa confiança na Sua bondade infinita, aclamando e Evangelho.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. Berthier, COM, (pg 112)

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 14, 13-21

Naquele tempo, 13quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O a pé. 14Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. 15Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». 16Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». 17Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». 18Disse Jesus: «Trazei-mos cá». 19Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. 20Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. 21Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

 

Nesta passagem, Mateus deixa-nos ver os sentimentos mais profundos do coração de Cristo, a sua grande dor pela morte cruel e injusta de João Baptista, e a sua misericórdia para com todos os que padecem necessidade: «cheio de compaixão» pelas multidões sofredoras e famintas (vv. 13-14).

13 «Jesus retirou-se…». Nada faz supor que se trata de uma retirada estratégica ditada pelo medo, mas podemos pensar em como o Evangelista quer sublinhar a desolação e a tristeza que Jesus sente pelo assassinato de João, que Herodes Antipas tinha acabado de mandar matar (vv. 3-12).

É interessante notar que o relato da multiplicação dos pães revela, em Mateus ainda mais do que em Marcos e Lucas, afinidades notáveis com os gestos de Jesus no relato da instituição da Eucaristia: «tomou», «recitou a bênção», «partiu», «deu» (cf. Mt 26,26). Tratava-se de gestos bem gravados na tradição apostólica e na vida das primitivas comunidades, que desde a primeira hora celebravam a Eucaristia (cf. 1Cor 11,23ss; Act 2,46; 20,7). Parece que a própria celebração da Eucaristia veio a fornecer o cliché literário para os seis relatos da multiplicação dos pães, que temos nos quatro Evangelhos, pois aparecem como uma figura da Eucaristia. Já a releitura do Evangelista insinua a dimensão eucarística do relato da multiplicação dos pães, que a tradição cristã interpretou como uma figura da Sagrada Eucaristia, o autêntico banquete messiânico servido pelo próprio Deus ao seu povo, segundos os anúncios dos profetas (cf. 1ª leitura).

 

 

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus cuida de nós

• Deus pede a nossa colaboração

 

1. Deus cuida de nós

 

Isaías profetiza no tempo do cativeiro de Babilónia, quando os hebreus sofriam carências de todo o género e eram tentados a pensar que não eram mais o povo do Senhor, porque Deus os tinha abandonado, por causa das suas infidelidades e pecados.

Com o olhar profético nos novos tempos messiânicos, anuncia a magnificência de Deus para com o Seu Povo. O Senhor não só não os abandonou, como vai renovar a Aliança do Sinai. Tudo isto há-de realizar-se com a vinda do Messias prometido a Abrão e aos demais Patriarcas.

Comida e bebida em abundância. Comer e beber são necessidades básicas para qualquer pessoa. Toda a atividade humana – o trabalho – é investida para as conseguir, de outro modo não seria possível sobreviver.

A fome e a sede não se podem iludir nem adiar. São necessidades básicas e urgentes das quais depende a qualidade e até a continuação da vida humana.

O profeta não anuncia um tempo em que não vai ser necessário trabalhar para garantir o sustento. Isso nunca aconteceu, nem acontecerá na terra. Refere-se aos bens messiânicos, à disposição de todos, especialmente à Santíssima Eucaristia, comida e bebida da nossa vida sobrenatural.

Jesus dirá um dia, depois da multiplicação dos pães e dos peixes: «Se não comerdes a Minha Carne e não beberdes o Meu Sangue, não tereis a vida em vós.» Sem comungar não é possível viver na graça de Deus por muito tempo, como também não é possível continuar a ter vida corporal sem tomar alimento.

«“Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei

Deus oferece tudo gratuitamente. O acesso aos bens essenciais exige despesa. Para garantir o dinheiro indispensável, as pessoas em idade laboral devem trabalhar. As outras, enquanto dura esta incapacidade, contam com a solidariedade dos parentes, amigos e organizações de caridade.

No Reino de Deus, na Igreja que Jesus vai fundar, tudo será gratuito, sem distinção de pobres e ricos.

Jesus Cristo disponibilizará todos os bens da vida sobrenatural gratuitamente. Cada um poderá alimentar-se quando tiver necessidade. Ninguém poderá queixar-se de que não se pode alimentar e salvar porque não tem dinheiro para adquirir estes bens.

«Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite

Procuremos os verdadeiros valores. Perante as muitas ofertas que a sociedade de consumo nos torna acessíveis, temos de fazer boas opções.

Não podemos investir todo o tempo, dinheiro e qualidades numa determinada opção. E, no entanto, as pessoas deixam-se enganar por este equívoco. Investem tudo no desporto, na atividade física, no trabalho profissional, deixando de fora outros valores importantes: a oração pessoal e frequência de sacramentos, a vida de família, a relação amiga com os outros membros da comunidade. Transformam-se facilmente em “ilhas” isoladas para os que vivem ao seu lado.

Quando se interrogam a si mesmas porque deixam de fora do seu programa de vida valores importantes, desculpam-se com a falta de tempo.

É preciso procurar um equilíbrio de disponibilidade na nossa vida: Assim como para a vida económica familiar é preciso fazer um orçamento, colocando em primeiro lugar aquilo que é essencial e indispensável, de modo análogo é preciso fazer isso com o tempo.

«Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia?»

Uma nova e eterna Aliança. Os hebreus tinham feito uma Aliança com o Senhor no Sinai, pela qual eles se tronavam o Povo de Deus, contando com a proteção do Céu, ao mesmo tempo que se comprometiam a cumprir os Dez Mandamentos.

No meio das provações do cativeiro de Babilónia, pensam que Deus os abandonou para sempre e deixaram de ser o Seu Povo.

O profeta conforta-os, garantindo, não só que a Aliança não acabou, mas que haverá uma nova Aliança.

«Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David

Como sabemos, esta Aliança foi feita pelo Pai em jesus Cristo, no Calvário, no Seu Sangue derramado para a remissão dos nossos pecados.

A missa dominical é, de algum modo, a atualização dessa mesma Aliança, da qual fazemos parte desde o nosso Baptismo.

Perante a bondade infinita de Deus para connosco, exclamamos, como S. Paulo na Carta aos fiéis da Igreja de Roma: «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou

 

2. Deus pede a nossa colaboração

 

As multidões procuram Jesus, quer por causa dos milagres que realiza, quer por causa das palavras que vão diretas ao coração e, a pesar da sua exigência, enchem as pessoas de consolação e alegria.

Jesus retirou-Se, de barco, para um lugar espaçoso e desabitado, onde as pessoas poderiam reunir-se facilmente. De facto, era um lugar com muita erva, como alcatifa para se sentarem. Para mais, jorravam ali sete fontes, onde podiam dessedentar-se.

«Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes

Deus conhece os nossos problemas. Às vezes, no meio das dificuldades graves e inadiáveis, podemos ser tentados a imaginar um Deus que vive longe, alheio e indiferente aos nossos problemas.

Como o melhor dos pais, ele conhece perfeitamente as nossas carências e dificuldades e ajuda-nos a resolvê-las. Não o faz de acordo com os nossos projetos e desejos, porque tem algo melhor para nos dar.

As nossas impaciências, nas dificuldades, nascem da falta de confiança no Senhor.

Na doença do seu amigo Lázaro, demora-se em vir curá-lo, porque deseja conceder-lhe uma graça maior: a ressurreição.

As nossas soluções. Perante aquela multidão, longe das povoações onde poderiam encontrar alimento, os discípulos alarmam-se e propõem a Jesus uma solução que não conta com a Sua bondade e omnipotência: manar embora esta gente.

É assim que somos tentados a solucionar os problemas dos que vivem ao nosso lado: ignorá-los, fingir que não os vemos, para não termos de nos empenhar em resolvê-los.

Encaramos assim os problemas dos sem-abrigo, dos toxicodependentes, da prostituição e de tantas outras situações de escravatura que degradam a pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus e chamada á felicidade da Vida Eterna.

Quantos, nestes dias difíceis, limitam a sua atitude a resguardarem-se, para não serem contagiados. Nada mais fazem do que está ao seu alcance:  alguma colaboração, rezar por eles, aconselhar...

«Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: “Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento”.»

Deus quer que nos empenhemos. Ajudar as pessoas que estão em dificuldade não é apenas para um grupo de eleitos, mas para todos, porque todos somos membros da mesma família dos filhos de Deus.

É verdade que não podemos por nós mesmos, sós, dar uma solução válida aos problemas. Mas podemos fazer a ação simbólica que manifeste a nossa boa vontade. Deus fará o resto. Os israelitas, no termo da sua peregrinação do deserto, não podiam conquistar a cidade de Jericó, mas fizeram a ação simbólica de dar voltas à cidade. Façamos o que está ao nosso alcance e Deus fará o resto.

Madre Teresa de Calcutá depara-se com uma situação de miséria gritante. Para a resolver, dá-se... e Deus faz o resto, desencadeando uma torrente de caridade no mundo.

Nesta angústia de uma multidão faminta, longe dos povoados, o que Jesus propõe aos discípulos é precisamente uma ação simbólica. Eles, porém, ao princípio, não o entendem. «Mas Jesus respondeu-lhes: “Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”

Finalmente, despertados pelas palavras do Mestre e contando com O Seu poder divino, arriscam uma solução: «Disseram-Lhe eles: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”.» E o limitado esforço humano que Jesus pedia, para solucionar aquela carência gritante.

O milagre da multiplicação. Chegou a hora de Jesus manifestar o Seu poder divino, multiplicando aquela insignificância de pães, de tal modo que saciou toda a multidão. «Disse Jesus: “Trazei-mos cá”.»

Jesus pede os pães todos – tudo o que podemos fazer por nós –, e não apenas um pão e um peixe. Para o Seu poder infinito, até poderia ter criado do nada pães e peixes em quantidade suficiente para que todos ficassem saciados.

Há uma lenda relativa a este milagre. O jovem teria, na realidade, seis pães e três peixes. Temendo, porém, que as coisas corressem mal, escondeu um pão e um peixe para ao menos ele poder comer.

Quando, depois de tudo, foi procurar o pão e o peixe, encontrou-os apodrecidos. É preciso dar tudo generosamente, vendendo o egoísmo.

«Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão

A magnanimidade de Deus. Jesus não se limita a multiplicar os pães e os peixes na medida exata das necessidades.

Mostra a Sua liberalidade, fazendo que sobejassem doze cestos usados para recolher a pesca.

Ao mesmo tempo dá-nos uma lição preciosa que já vai sendo aproveitada, graças a Deus: recolher o que sobeja. Muitos restaurantes estão já a proporcionar alimento a muitas bocas famintas e pobres. A colaboração de pessoas de boa vontade, faz chegar estes alimentos a quem deles necessita.

«Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças

Em Caná da Galileia, quando os participantes na boda comiam e bebiam despreocupadamente, sem se aperceberem do grave problema da falta de vinho, Maria estava atenta e pediu um milagre.

Peçamos-lhe que olhe com esta mesma atenção para as nossas vidas e peça, para nós também, um milagre.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus:

Imploremos a Deus Pai todo-poderoso

que tenha compaixão dos seus fiéis

e dos homens e mulheres que não têm fé.

Oremos (cantando), com toda a confiança:

 

    Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

 

1. Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros e diáconos e fiéis da Igreja,

    para que levem aos fiéis a que nada os possa separar do amor de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

 

2. Pelos governantes de todos os povos e pelos exercem serviço público,

  para que Deus lhes dê coragem na luta contra a injustiça e a miséria,

  oremos, irmãos.

 

    Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

 

3. Pelos homens e mulheres desiludidos da vida, doentes e desempregados,

    para que descubram a força e a felicidade da Boa Nova de Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.  

 

4. Pelos fiéis na fim da vida e se preparam para o encontro com o Senhor,

    para que Deus os guarde na sua graça e os receba no seu reino de paz,

    oremos, irmãos.

 

    Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

 

5. Por todos nós aqui presentes a celebrar a Santa Missa e pelos ausentes,

    para que, depois da nossa peregrinação sobre a terra, entremos no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

 

6. Pelos nossos familiares, amigos e conhecidos que Deus chamou a Si,

    para que, livres da sua purificação, sejam hoje recebidos no Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

 

Deus clemente e compassivo e rico em misericórdia

que velais com cuidado por todos os seres humanos

e conheceis aquilo que, neste momento, lhes falta,

preparai os seus corações para Vos acolherem a Vós mesmo.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Encontramos na multiplicação dos pães algo que nos recorda a Santíssima Eucaristia: a quantidade é multiplicada, mas todos comem o mesmo pão e o mesmo peixe.

Na Santíssima Eucaristia que Jesus prepara para nós, pelo ministério do sacerdote, o pão e o vinho transubstanciam-se no Corpo e Sangue do Senhor.

 

Cântico do ofertório: Tomai Senhor e recebei – J. Santos, NRMS, 70

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons que Vos oferecemos como sacrifício espiritual, e fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Saudação da Paz

 

Alguém escreveu que metade dos homens não dormem, por causa da fome; a outra metade não pode dormir a guardar o que lhe sobeja.

Peçamos ao Senhor uma melhor distribuição dos bens, para que haja verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

 

Monição da Comunhão

 

Jesus Cristo, como nos tempos da Sua vida Pública, não quer que partamos para as nossas casas com fome.

Por isso, preparou para nós o Banquete em que nos serve o Seu Corpo e Sangue. Comunguemos co fé, gratidão e amor.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o vosso povo – F. Silva, NRMS, 90-91

Sab l6,20

Antífona da comunhão: Saciastes o vosso povo com o pão dos Anjos, destes-nos, Senhor, o pão do Céu.

 

Ou

Jo 6,35

Eu sou o pão da vida, diz o Senhor. Quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem crê em Mim nunca mais terá sede.

 

Cântico de acção de graças: Cantai comigo – H. Faria, NRMS, 2

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos renovais com o pão do Céu, protegei-nos sempre com o vosso auxílio, fortalecei-nos todos os dias da nossa vida e tornai-nos dignos da redenção eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que podemos fazer da nossa parte, para que a fome de tantas coisas que devora as pessoas – de amor, de compreensão, de justiça, de alegria – seja saciada?

 

Cântico final: Dai graças ao Senhor – A. F. Santos, CNPL, 335

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

18ª SEMANA

 

2ª Feira, 3-VIII: A Palavra de Deus e o apoio em Deus.

Jer 28, 1-17 / Mt 14, 13-21

Pegou nos cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou a bênção.

Este milagre é uma manifestação da misericórdia de Jesus para os que o seguiam, é uma superabundância do pão eucarístico (EV).

Devemos contar sempre com Deus para a resolução dos nossos problemas pessoais. Pela nossa parte, contribuiremos com o que temos (os cinco pães e os dois peixes), e Ele fará o resto. O profeta Jeremias (LT) teve que enfrentar outro profeta (Ananias), que o humilhou. Mas Jeremias confiou no Senhor e ultrapassou os obstáculos. Não serei confundido, porque o meu coração conhece os vossos preceitos (SR).

 

3ª Feira, 4-VIII: A palavra de Deus e a ajuda nos momentos difíceis.

Jer 30, 1-2. 12-15, 18-22 / Mt 14, 22-36

Pedro lançou um grito: Salvai-me, Senhor.

Quando os acontecimentos são complicados, e aparentemente sem solução, dirijamo-nos a Deus, pedindo a sua ajuda. O profeta Jeremias passou por maus momentos, mas o Senhor teve compaixão do seu povo (LT). S. Pedro, quase a afogar-se, pediu também ajuda (EV). O Senhor olhou para escutar os cativos e salvar-nos das garras da morte (SR).

Recorramos ao Senhor nas coisas pequenas e correntes de cada dia, e Ele estenderá a sua mão para nos ajudar a superar os perigos e as tribulações. Tenhamos presente que Ele pôs ao nosso lado o Anjo da Guarda para nos proteger.

 

4ª Feira, 5-VIII: Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior.

Jer 31, 1-7 / Mt 15, 21-28

A mulher cananeia: Tem compaixão de mim. Senhor, Filho de David.

Celebramos a Dedicação da Basílica de Sta Maria Maior, a igreja mais antiga dedicada a Nª Senhora. Ela nos ajudará a vencer as dificuldades. Não afastes os olhos desta estrela, a Estrela da Manhã (S. Bernardo).

A mulher cananeia não tira os olhos de Jesus, rezando aos gritos (EV), e acabou por ser ouvida pela cura de sua filha. Jeremias recorda como Deus salvou o seu povo (LT). É o que pedimos Nossa Senhora, que interceda por aqueles que lhe foram confiados por Jesus. Regressarão com gritos de alegria (SR). Assim deve ser a nossa oração e agradecimento.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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